sábado, 29 de fevereiro de 2020

Falta de estratégia compromete SBT e Record

"Quem bate o Ratinho aqui sou eu!"

Há anos, a Record busca uma solução para a sua faixa das 22 horas. Depois que suas novelas policiais neste horário perderam força e acabaram substituídas por uma linha de shows, a emissora se viu perdendo a vice-liderança para o Programa do Ratinho, que foi movido da faixa das 21h para às 22h e se deu bem. Ao mesmo tempo, o programa do SBT foi azeitando sua fórmula, apostando em quadros semanais simples, mas que conquistaram o público. Assim, Ratinho voltou a se tornar um apresentador difícil de combater.

Criou-se um problema para a Record. Como conter a escalada do roedor do SBT? Nos últimos anos, a emissora tentou de tudo: o programa Gugu, reality shows, programas de auditório, filmes e séries aos baldes. A emissora, inclusive, tentou atacar com uma proposta semelhante à da concorrência, desenhando o projeto chamado de Show da Noite. A ideia era entregar a faixa das 22 horas, de segunda a sexta, para Geraldo Luís, na época em alta com o sucesso do Domingo Show. A emissora avaliou que um programa fixo diário teria mais vantagem para consolidar o público. Porém, a recusa do apresentador fez o canal abortar o projeto.

Deste modo, a emissora mudou a estratégia e se rendeu aos formatos importados. Neste contexto, o que chamou a atenção foi o alto investimento da Record. Ao apostar em revezamento de formatos, a emissora passou a exibir programas grandiosos, como o Dancing Brasil e o Canta Comigo. Além, claro, de seguir apostando em realities de confinamento, sendo os mais populares o Power Couple e A Fazenda. Programas claramente mais custosos que o Programa do Ratinho. Mas nem mesmo a estrutura suntuosa destes shows fez frente ao prosaico programa de auditório do SBT.

Com este cenário, chegamos ao ano de 2020, quando a Record mudou, mas nem tanto, de estratégia. A emissora moveu alguns de seus talent shows das quartas-feiras para os domingos, o que acontecerá a partir da estreia do The Four, às 18 horas do dia 8 de março. Enquanto isso, a noite de quarta ficou, a princípio, com o Troca de Esposas, um programa interessante e que acaba de estrear um pacote de episódios inéditos. Paralelamente, o SBT exibe reprises do Programa do Ratinho, já que o SBT praticamente fecha entre janeiro e fevereiro, todos os anos.

O que se viu nesta nova situação foi um avanço do Troca de Esposas. O programa de Ticiane Pinheiro já se tornou a maior audiência da linha de shows das quartas-feiras, com números maiores que os vistos por Top Chef, Dancing Brasil e Canta Comigo no ano passado. Além disso, já começa a se colocar na vice-liderança, ameaçando o Programa do Ratinho. Isso pode ter acontecido pelos seguintes motivos: porque o Troca de Esposas é o único reality que não tem similares, nem na Record e nem na concorrência, o que o coloca à frente de outros formatos no quesito apelo; e as reprises do SBT ajudam a afastar o público.

Provavelmente, estes dois motivos ajudam a explicar esta tendência. E o resultado, ao menos até aqui, deixa claro que nem SBT e nem Record são bons de estratégia. Afinal, a Record teria um poder de fogo para iniciar uma linha de shows novinha já no início do ano. E o canal até fez isso, lançando Aeroporto, às segundas, e Em Nome da Justiça, às quintas, além do Troca às quartas. Mas a emissora poderia pensar em programas de mais apelo e lançá-los justamente agora, neste momento frágil do SBT, que abusa das reprises. Porém, o canal prefere esperar março e abril para trazer novidades, justamente quando o Programa do Ratinho já voltou a exibir conteúdo inédito.

E o SBT também é ruim de estratégia. Afinal, como a segunda maior emissora do país consegue achar normal promover uma reprise geral de TODOS os seus programas de variedades? Quem aguenta tantos festivais “melhores momentos”? A sorte do SBT é que a direção da Record não se ligou neste momento de fragilidade para contra-atacar. Porque o momento seria esse.

André Santana

4 comentários:

  1. Em matéria de estratégia uma é bem pior que a outra e a Globo é quem agradece apesar de eu não assistir a novela das 9 atual e nem Big Brother as audiências estão em níveis diferentes.

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  2. Olá, tudo bem? Sobre o post anterior: a novela do SBT é muito melhor que esse remake da Globo. Por isso mesmo, é nostálgico rever Othon Bastos e Luciana Braga em Éramos Seis. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  3. A TV é surpreendente ! E o público da Record idem kkk
    Realmente esse Troca de esposas é muito bom ,porém a emissora faz uma mega estrutura, palco de primeira, salário altíssimo para a Xuxa e Gugu ( saudoso) é fica em terceiro, no entanto coloca um programa mais simples, baixo custo porém muito bem feito e consegue a segunda colocação, já que Ratinho tem um público muito fiel

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