sábado, 18 de janeiro de 2020

"Chacrinha" foi boa produção, mas formato começa a cansar

"Alô Terezinha!"

No começo do ano da Globo nunca faltam um novo BBB e, ao menos, uma minissérie oriunda de um filme. 2020 não começou diferente. Na última semana, enquanto o canal não inicia a 20ª edição do reality, a atração foi Chacrinha – A Minissérie, produção em quatro capítulos que é, na verdade, uma versão “vitaminada” e fatiada do filme Chacrinha – O Velho Guerreiro, lançado em 2018 nos cinemas, com direção de Andrucha Waddington.

Boa produção, a minissérie contou uma história envolvente. Mostrou Chacrinha de uma maneira interessante, ressaltando sua genialidade diante das câmeras, mas seu temperamento muito difícil nos bastidores. A série começa num momento tenso da carreira do apresentador. Logo em suas primeiras cenas, Chacrinha (Stepan Nercessian), aparece irritado com Boni (Thelmo Fernandes), então o “todo-poderoso” da Globo. Após uma discussão calorosa, o apresentador pede demissão da emissora e anuncia sua transferência para a Tupi. A partir daí, a série volta no tempo e conta a história do jovem Abelardo (Eduardo Sterblitch), sua chegada ao Rio de Janeiro e seu início no rádio.

A partir daí, a minissérie conta a trajetória do comunicador em ordem cronológica, mostrando sua estreia na televisão, sua troca de canais e as polêmicas nas quais se envolveu nos bastidores. A série até narrou, mesmo que de maneira superficial, algumas polêmicas aos quais Chacrinha se envolveu, como as acusações de cobrar “jabá” aos artistas que participavam de seus projetos, ou um possível romance com a cantora Clara Nunes (Laila Garin). Chacrinha também retratou a difícil relação do animador com sua família.

Chacrinha, então, foi uma série eficiente sobre um personagem importante da história da TV brasileira. Mais do que isso, trouxe um recorte do início da televisão brasileira, uma história que sempre encanta. Além disso, contou com um elenco interessante. Stepan Nercessian parece ter nascido para viver Chacrinha, tamanha sua semelhança. Enquanto isso, Eduardo Sterblitch surpreendeu como o jovem Abelardo. O ator e humorista parece se apagar por completo, dando espaço ao personagem com absoluto vigor.

O único problema de Chacrinha – A Minissérie é que ela repete o formato de séries/filmes anteriores mostrados pela Globo. Mais uma vez, para fazer render o material do filme, a solução foi inserir material documental, com imagens verdadeiras dos programas de Chacrinha e depoimentos de figuras importantes que passaram pela história do artista, como o próprio Boni. Em meio a tudo isso, uma entrevista ficcional do próprio Chacrinha, vivido por Eduardo Sterblitch. Ou seja, trata-se da mesmíssima solução que a emissora utilizou em Elis – Viver É Melhor que Sonhar, do ano passado, que trouxe a narrativa do filme costurada por uma entrevista fake com Andreia Horta, intérprete da protagonista.

Neste sentido, Hebe, por enquanto relegada ao GloboPlay, é um case de sucesso. A minissérie não só utiliza material do longa dos cinemas, como vai além, com muito conteúdo inédito, o que a torna bem melhor que o filme. Hebe poderia servir de referência às próximas séries oriundas de filmes, para que a fórmula não fique cada vez mais batida e previsível.

André Santana

3 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu considero Chacrinha um filme e não uma minissérie. Eu ainda defendo que cada mídia tem a sua linguagem. Como podem desmembrar um filme em quatro...cinco capítulos? ERRADO. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Contenção de custos. .antes a Globo sempre tinha uma minissérie nova exclusiva pro início do ano e agora so filmes expichados

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    2. Oi Fabio! Não me incomoda a Globo fatiar filmes. O que me incomoda é o fato de a emissora fazer isso sempre de maneira igual. A estrutura narrativa adotada em Chacrinha foi exatamente a mesma de Elis. Esquisito. Não sei se viu Hebe no Globoplay, mas ali eu achei que a fórmula ficou perfeita. A minissérie "absorve" o filme, mas é bem maior e mais completa. É uma minissérie de fato, e não um filme fatiado. Acho que poderiam fazer mais isso, ao invés de apenas mostrar um filme aos pedaços.
      Miguel, além de contenção de despesas, há uma certa preguiça também. Porque o canal tem séries e minisséries prontas e inéditas na gaveta.
      Abraços!

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