quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Décio fora do "Fofocalizando" e Patrícia à noite: as últimas mudanças no SBT

"Fui!"
Dias movimentados no SBT. Depois do barulho, apogeu e queda do Alarma TV (que estreou à noite, passou para as manhãs, ganhou as madrugadas e, depois, foi definitivamente cancelado… tudo isso em menos de uma semana), o canal de Silvio Santos movimentou mais algumas peças nesta semana. Dentre as “novidades”, está a saída de Décio Piccinini do Fofocalizando e a mudança de horário do Topa ou Não Topa.

A saída de Décio Piccinini foi informada ontem, 16, no site Notícias da TV. Segundo matéria assinada por Gabriel Perline, Décio foi avisado que não faria mais parte do Fofocalizando ontem, e hoje, 17, ele já não aparece. Em seu lugar, entra Gabriel Cartolano. Oficialmente, o SBT diz que Piccinini está de férias. Mas o canal, ainda segundo a matéria, não soube informar se o jornalista voltará para suas funções depois do descanso. Ao que tudo indica, Décio Piccinini não volta para o vespertino, mas deve seguir participando do júri do Programa do Ratinho e Programa Silvio Santos. E vale lembrar que o jornalista participa diariamente do matinal Papo em Dia, exibido pela Rede Brasil.

A saída de Décio Piccinini reforça a tese de que o Fofocalizando está buscando “rejuvenescer” seu elenco. A troca de Mamma Bruschetta por Chris Flores foi o primeiro indício da ação. Agora, é Piccinini quem sai, e o jovem Cartolano assume uma vaga no sofá. Assim, o único veterano que sobra é Leão Lobo. Que tem lugar garantido, já que é ele quem faz os merchans da Top Therm, importante anunciante da atração. Mas as constantes mudanças do Fofocalizando mostram que o vespertino, realmente, vive uma crise, e as manobras servem para tentar salvá-lo.

Enquanto isso, os sábados do SBT também terão novidade. O Topa ou Não Topa com Patrícia Abravanel, lançado nas tardes de sábado recentemente, migrará para as noites. O game show vai ocupar a faixa das 20h30, que até então era o espaço para o resumo da semana de As Aventuras de Poliana. A novela, então, volta a ser exibida apenas de segunda a sexta, enquanto Patrícia Abravanel reforça a noite de sábado do canal, que já conta com shows consolidados.

A ideia de exibir o Topa ou Não Topa à tarde era interessante, já que aumentava a cartela de variedades num horário meio cansado. Porém, exibi-lo à noite parece uma boa ideia. Isso porque o game já tem cara de programa noturno. E mais: exibido na faixa das 20h30, o programa pode ser um bom aquecimento para a trinca que vem a seguir: Esquadrão da Moda, Bake Off Brasil e Vale a Pena Ver The Noite. O reforço pode ajudar o SBT a ficar ainda mais fortalecido na noite de sábado, horário em que registra excelentes índices de audiência há anos. Pode ser uma boa.

André Santana

sábado, 12 de outubro de 2019

"Mestre do Sabor" e "Família Frente a Frente": ainda há espaço para competições culinárias?

"Tá com fome?"

Numa semana de muitas estreias, dois novos talent shows da área da culinária debutaram na TV aberta. Enquanto a Globo, que até então só apostava no filão como quadros de seus matinais, se rendeu ao formato no horário nobre com Mestre do Sabor, o SBT lançou mais um, o Famílias Frente a Frente. Em comum, os dois programas buscam se diferenciar do habitual, com dinâmicas que trazem novidade ao segmento. Porém, a pergunta que não quer calar é: não há cozinha demais na programação das emissoras?

Mestre do Sabor foi anunciado como um formato original da Globo. Louvável, tendo em vista que a grande maioria destes formatos são versões nacionais de atrações gringas. No entanto, o tal “original” não se revelou tão original assim. Mestre do Sabor basicamente replicou o formato do The Voice Brasil, substituindo cantores por chefs de cozinha. Numa degustação às cegas, os competidores buscam uma vaga nos times de três jurados/técnicos: José Avillez, Kátia Barbosa e Leo Paixão.

O programa é bem feito e redondo, conduzido de maneira simpática pelo chef Claude Troisgros e seu fiel escudeiro, Batista. E diverte, sobretudo graças à edição bem resolvida, que mostra as histórias de vida dos concorrentes. No entanto, o excesso de mais do mesmo incomoda. A semelhança do formato com o The Voice já gera um cansaço. E a cozinha como cenário já denuncia que, no fundo, trata-se de mais uma dentre tantas competições culinárias. Sendo assim, Mestre do Sabor até tem potencial, mas precisa mostrar ao público que não é mera cópia do The Voice. Talvez empolgue quando passar da fase das audições, ops, degustações às cegas.

Enquanto isso, Famílias Frente a Frente marcou a estreia de Tiago Abravanel como apresentador na emissora do avô Silvio Santos. Tiago, que mostrou boa desenvoltura à frente de especiais e do Popstar, na Globo, acerta ao querer se tornar um comunicador. Talento e carisma para isso ele tem, além de ser muito bem preparado para a função. Mas Tiago escolheu justamente uma competição culinária para comandar, e justamente no SBT, canal que mais variações do formato já lançou.

Assim que o MasterChef bombou na Band e despertou interesse das outras emissoras, o SBT correu para lançar o seu. Lançou Carlos Bertolazzi à frente do Cozinha Sob Pressão, inicialmente no ingrato horário das 18h30 dos sábados. Logo depois, veio a competição de sobremesas Bake Off Brasil, que inaugurou a faixa de realities culinários do horário nobre de sábado. Com o bom resultado do Bake Off, Cozinha Sob Pressão também passou a ser exibido ali. E logo vieram outros formatos, como BBQ Brasil e Duelo de Mães. Como se fosse pouco, a emissora ainda lançou o Minha Mulher que Manda, outra competição culinária, como quadro do Eliana, aos domingos.

Atualmente, a faixa de realities das noites de sábado do SBT está bem resolvida com o Bake Off revezando com o Junior Bake Off e o Fábrica de Casamentos. Assim, foi necessário abrir um novo espaço para encaixar o Famílias Frente a Frente. Optou-se pela noite de sexta, substituindo a até então intocável Tela de Sucessos. Este fato talvez tenha sido a melhor coisa do FFF, já que a sessão de filmes vem sobrevivendo de longas ultrarreprisados dos anos 1990. Com a novidade, a linha de shows do SBT saiu um pouco da mesmice.

Além disso, FFF dá um enfoque diferente no segmento, ao apostar na comida caseira e na disputa familiar. A atração aposta numa competição na cozinha entre famílias, que precisam mostrar suas habilidades culinárias aos jurados Alê Costa, Dona Carmem Virgínia e Gilda Bley. É um formato dinâmico e que envolve, e Tiago está muito bem na função de comandante. Mas a correria na cozinha, o “corta verdura”, “refoga a cebola” e tantas cenas já tão mostradas em MasterChefs, Top Chefs e SuperChefs da vida fazem do FFF um formato igualmente cansado.

Não há dúvidas do potencial de audiência e, principalmente, de faturamento, deste formato. Mas os canais abertos andam demonstrando uma preguiça absurda no segmento dos talent shows. Atualmente, só cozinha e música têm vez. Esta overdose está começando a aborrecer.

André Santana

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

História da TV: Conheça "Vila Esperança", infantil pouco lembrado da Record


Em agosto de 1998, a Record ainda tentava consolidar uma programação infantil. Depois do fim de atrações como Agente G e Mundo Maravilha, a emissora buscava uma nova atração capaz de atrair os pequenos. E resolveu apostar na boa dramaturgia infantil, lançando Vila Esperança, produzido pela Idea e protagonizado por Gérson de Abreu.

Vila Esperança levava o nome da vila onde se passava a história. Ali vivia o simpático Tio Du (Gérson), o dono de uma mercearia que era o grande amigo das crianças do lugar. Fabinho (Freddy Allan), Nanda (Tarcila Amorim), Juju (Carolina Alves), Guilherme (Cauã Souza), Zé Batata (Murilo Troccoli) e Mima (Daniela Marques) eram os pequenos, que brincavam e aprontavam todas na vila. Eles só paravam para ouvir as histórias do Vô Zico (Josmar Martins), o fundador da vila, e sua esposa, a vó Iza (Ana Maria Barreto). Eles também se divertiam com as invenções do professor Piragibe (Brian Penido), irmão do tio Du.

Juntos, os habitantes da Vila Esperança viviam uma história diferente a cada dia. A cada episódio, um assunto era abordado levando as crianças a refletirem sobre temas como ciúmes, solidariedade, preservação do meio ambiente, preconceito, amizade, tecnologia, voluntariado, orgulho, respeito às diferenças e mais de uma centena de argumentos. Além disso, eles tinham que enfrentar os vilões Mil Faces (Sergio Mastropasqua) e Meia Boca (Fabio Araújo), que tentavam semear a discórdia dentro da Vila Esperança.

Vila Esperança bebia da fonte do Castelo Rá-Tim-Bum, ao fazer de seu cenário uma porta para diferentes quadros, que costuravam uma história principal. Entre os quadros, não faltava a indefectível experiência de Gerson de Abreu, que fez fama ensinando as crianças a fazer brinquedos com sucata e experimentos científicos. Em Vila Esperança, ele seguia este expediente na pele do Tio Du, com o quadro Passo a Passo. Outro quadro era o Estela Natela, um programa que os personagens viam pela TV. Na atração, a repórter Estela Estelar (Lu Schievano) trazia reportagens curiosas e divertidas.

O programa foi criado por Betina Rugna e Marisa Martins, e era um projeto da produtora Idea e da ONG Parábola. O supervisor-geral do projeto, Jairo Silva, falou à Folha de S. Paulo de 30 de agosto de 1998 sobre a novidade. "É a história de uma vila onde moram vários personagens, que se encontram e vivem aventuras", explicou. Jairo apontava as boas intenções de Vila Esperança. "Será o primeiro programa com perfil de TV pública dentro de uma emissora comercial", disse.

Vila Esperança estreou no dia 31 de agosto de 1998, na faixa das 17 horas, e tinha seus episódios reapresentados no dia seguinte, às 10h. Com a estreia do programa, o enorme Note e Anote, que na época era apresentado por Ana Maria Braga e ocupava a tarde toda da emissora, perdeu uma hora de duração. Porém, colocar Vila Esperança entre o Note e Anote e o Cidade Alerta não se revelou uma boa ideia. Além disso, Eliana seria contratada pelo canal pouco tempo depois da estreia do Vila, e lançou seu Eliana & Alegria em outubro do mesmo ano. Com isso, as atenções da emissora se voltaram à loira, e Vila Esperança acabou jogada para escanteio, realocada para a faixa do meio-dia.

Mesmo assim, a série agradou a crítica, e Vila Esperança foi eleito o melhor programa infantil de 1998 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Mas o prêmio não foi o suficiente para manter a série no ar, e Vila Esperança foi exibida pela Record apenas até abril de 1999.

André Santana

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

GNT vira bom destino para profissionais sem espaço na TV aberta

"Não sou Luciano Huck,
mas também reformo casas!"
Recentemente, o canal GNT, do Grupo Globo, anunciou a contratação de Otaviano Costa. O apresentador, que deixou o agora extinto Vídeo Show e teve seu Tá Brincando cancelado na Globo, voltará ao ar pelo canal pago. A ele está destinado o comando da versão brasileira de Extreme Makeover, um famoso reality show de reformas. 

Trata-se de mais um nome de destaque da TV aberta a emplacar um espaço no GNT. O canal também foi o destino de Fabio Porchat, que deixou a Record no final do ano passado. Porchat já pertencia aos quadros da emissora, na qual comandava (e segue comandando) o Papo de Segunda. Porém, ao deixar o comando do Programa do Porchat, o apresentador e humorista conquistou mais espaço e lançou seu novo talk show, Que História É Essa, Porchat?. Com formato distinto ao apresentado no canal de Edir Macedo, o novo talk show é uma das melhores novidades da TV brasileira neste ano. 

Eles não são os únicos. O GNT também foi o destino de Fernanda Paes Leme, atriz interessante, mas que se mostrou uma apresentadora bastante eficiente. Depois de co-apresentar o SuperStar, na Globo, e comandar o X Factor na Band, a artista migrou para a TV paga, onde comanda programas bem divertidos, como o Desengaveta e Missão Design. Outra Fernanda, a Rodrigues, segue sendo escalada para novelas na Globo de tempos em tempos (sua última foi O Outro Lado do Paraíso), mas encontrou espaço cativo mesmo no GNT, onde comanda o Fazendo a Festa há anos.

Outro exemplo: Patrícia Poeta deixou o Jornal Nacional e tentou emplacar um programa seu na Globo. Não conseguiu, mas foi encaixada no É de Casa e como apresentadora substituta dos matinais diários da emissora. Porém, se não encontrou um espaço para chamar de seu na TV aberta, na TV paga ela conseguiu, ao comandar o reality Caixa de Costura. Isso sem falar de Astrid Fontenelle, uma veterana na TV aberta, que se viu sem espaço ao deixar a Band, lááá em 2004. Pois a profissional, uma das melhores apresentadoras que temos, se reencontrou ali, onde comandou programas como Happy Hour e Chegadas e Partidas. Atualmente, esbanja competência à frente do Saia Justa.

Com uma programação bastante voltada para o público feminino, com muitos realities, programas de culinária e decoração, o GNT acabou se tornando um canal bem interessante e variado. E vem atraindo bons profissionais, que encontram ali espaço para emplacarem projetos que parecem não interessar à TV aberta. Além disso, se tornou um espaço para que a Globo otimize a presença de seus artistas, já que o espaço no principal canal anda cada vez mais restrito. O GNT está com uma boa cara, bons produtos e vem reunindo um cast respeitável. Bem legal. 

André Santana

sábado, 5 de outubro de 2019

"Éramos Seis" faz boa estreia na Globo

"E lá vamos nós pela quinta vez..."

Na São Paulo da década de 1920, a matriarca Lola (Gloria Pires) só quer o bem de sua família. Mãe arquetípica, para ela ser feliz é ver a família feliz e unida. Por isso, ela não tolera brigas entre seus filhos. Sonha para eles a mesma harmonia que tem com suas irmãs. E é esta humanidade de Lola, um tanto idealizada, mas muito palatável, que imprime o estilo de Éramos Seis, nova novela das seis da Globo, mas a quinta versão desta história na TV.

Ângela Chaves, autora da nova novela das seis da Globo, se baseia na adaptação de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho (cujo texto, inspirado no livro de Maria José Dupré, foi montado pela Tupi em 1977, e pelo SBT em 1994). A novelista promete uma Lola menos submissa e um final menos trágico. A ideia é mostrar uma saga familiar, que atravessa três décadas. Assim, apresenta situações reconhecíveis por qualquer família, em qualquer época.

Na primeira semana, Ângela Chaves conseguiu manter intacto o espírito do original. Os personagens foram apresentados de maneira harmônica, e vivendo situações simples. Os primeiros capítulos mostraram o drama de Lola é unir a família e ajudar o marido Julio (Antonio Calloni), suas irmãs do interior vivem a expectativa de passarem férias na capital paulista. Paralelamente, as diferentes personalidades dos filhos de Lola são mostradas em picardias infantis. E a semana terminou com a chegada de suas irmãs, a alegria de seus filhos mais novos com a chegada de um cachorrinho e as travessuras de Alfredo (Pedro Sol) na escola. Em suma, foi uma primeira semana graciosa de uma novela que tem na aparente despretensão um charme especial.

Para os noveleiros, Éramos Seis é uma novela que deixou boas lembranças. A versão do SBT é considerada, com todos os méritos, a melhor novela já exibida pelo canal de Silvio Santos. Na época, o canal tinha um plano de dramaturgia ambicioso. Assim, Éramos Seis contava com grifes como Nilton Travesso na direção, e Irene Ravache, Othon Bastos, Denise Fraga, Jussara Freire e tantos outros medalhões no elenco. O público respondeu bem e a trama foi um sucesso.

Sendo assim, para quem viu a versão do SBT, a comparação é inevitável. Obviamente, trata-se de uma nova montagem, com atualizações necessárias. Porém, aqui, a comparação não chega a prejudicar. Afinal, que atriz é mais indicada do que Gloria Pires, com sua espantosa naturalidade, para fazer uma mulher tão simples e reconhecível? Assim como Irene Ravache brilhou no SBT, Gloria deve repetir o sucesso na Globo.

Outra comparação que merece menção é o divertido casal Olga (Maria Eduarda de Carvalho) e Zeca (Eduardo Sterblich). Os novos intérpretes conseguiram (de propósito ou não) manter o mesmo espírito impresso por Denise Fraga e Osmar Prado na versão do SBT. Destaque para Sterblich, que surpreende vivendo um tipo diferente do que estamos habituados a vê-lo.

A nova versão de Éramos Seis chega numa boa hora. 25 anos separam a última versão da mais recente, dando a chance de uma nova geração conhecer este texto tão terno e delicado. Além disso, o know-how da Globo na produção de novelas de época deve dar à Éramos Seis uma embalagem ainda mais vistosa que a anterior. Isso sem falar na nova abertura, de um bom gosto que salta aos olhos. A novela promete.

André Santana

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"Alarma TV": Silvio Santos pira de vez e exibe escatologia pela manhã

"Deu até saudades das
Pegadinhas Picantes..."
Alguém devia proibir Silvio Santos de assistir TV estrangeira. Toda vez que ele vê um programa tosco sendo exibido por aí, trata de adquirir pra exibir no SBT. E nunca dá certo, mas ele insiste. Recentemente, foi assim com o Caso Encerrado, mistura de julgamento e telebarraco que tratava de temas um tanto pesados. Mas não mais pesados que os vídeos do Alarma TV, sua mais nova aquisição.

Já faz um tempo que a imprensa especializada ventilava que Silvio Santos ensaiava em exibir Alarma TV. Trata-se de um programa feito nos EUA por uma emissora voltada para latinos que é, basicamente, um “Eddie Zap” piorado. Dois apresentadores que parecem não ter a menor ideia do que estão fazendo ali exibem vídeos diversos, a maioria envolvendo violência, escatologia ou bizarrices. E, depois de muito ensaiar, tio Silvio tirou a bomba da gaveta e o estreou, meio de surpresa, na última terça-feira, 01, às 19h20. A audiência não foi lá essas coisas e a repercussão negativa foi intensa. Durou um dia.

Mas Silvio Santos, quando cisma com algo, sai de baixo. Pois o dono do SBT, sempre persistente, tratou de arrumar um novo horário para testar esta tranqueira. E escolheu o pior horário possível: 10h30 da manhã. Nesta quinta-feira, 03, Alarma TV foi exibido entre o Primeiro Impacto e o Bom Dia e Cia. Sim, o programa se tornou sala de espera do infantil de Silvia Abravanel. Assim, as crianças que esperavam pelos seus desenhos puderam conferir vídeos “fascinantes”, como uma equipe médica retirando um, digamos, “brinquedo sexual” entalado no ânus de um sujeito. Super adequado, não?

É incompreensível que o dono do SBT ache adequado exibir um programa tão ruim e de mau gosto quanto o Alarma TV. Qualquer pessoa minimamente sensata jamais cogitaria exibir algo tão esdrúxulo. Pior ainda é exibi-lo pela manhã, depois de um jornal que também não é lá essas coisas. Ainda mais numa emissora que sempre dedicou suas manhãs ao público infantil e conta com uma consolidada plateia de pequenos. Reduzir ainda mais o Bom Dia e Cia para mostrar esta bomba é de uma infelicidade sem tamanho.

Além disso, Silvio Santos tem que parar de insistir em exibir programas dublados. Novelas até passam, já que é dramaturgia. Mas apresentadores sendo dublados por atores tentando emular espontaneidade não funciona. Se é pra exibir vídeos bizarros, poderiam, ao menos, colocar um apresentador local para fazer as cabeças. Aliás, por que não contratam Eddie Polo? Já que é pra causar, Eddie Zap dá de 1000 a zero no casal espalhafatoso que comanda o Alarma TV. Que fase…

André Santana

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Em tarde de muitas estreias, "Se Joga" não deixou boas impressões

"Fala mais baixo, moça!"

A última segunda-feira, 30, foi bastante movimentada na TV brasileira. Com a estreia do amplamente anunciado Se Joga, na Globo, a Record resolveu se armar para garantir a continuidade de sua boa fase nas tardes. Assim, a concorrência entre A Hora da Venenosa, do Balanço Geral, e do programa pós-Jornal Hoje ganha um novo contorno (ou talvez um velho contorno com verniz).

Quem debutou primeiro foi Geraldo Luís, que reassumiu o comando do Balanço Geral na vaga de Reinaldo Gottino. O jornalista, que foi o primeiro apresentador do noticioso, voltou à casa. Geraldo tem um estilo que, pessoalmente, não me agrada. Mas reconheço que ele é bom no comando de um jornal popular. Aliás, arrisco dizer que ele é melhor nesta função do que como animador de programa dominical. Assim, nas mãos de Geraldo, o Balanço Geral deve seguir sua vidinha e incomodar a concorrência em São Paulo.

Já na Globo, antes do Se Joga, aconteceu a estreia de Maju Coutinho à frente do Jornal Hoje. Com a nova apresentadora, o jornal mudou cenário, grafismos e trouxe novidades no formato. Maju surgiu em pé, conversando com comentaristas e repórteres por meio de telões. Esta nova apresentação mais conversada e informal funcionou muito bem. O único problema do Jornal Hoje foi o excesso de notícias policiais, numa tentativa da emissora de fazer frente à concorrência. Um noticiário leve bem-feito é uma arma tão poderosa quanto (ou mais que) um policialesco. Mas Maju está correta e deve se sair bem nesta nova missão.

E se Maju deixou uma boa impressão, o mesmo não se pode dizer do Se Joga. Como previsto, o programa não funcionou muito bem nestes dois primeiros dias. Fernanda Gentil, Érico Brás e Fabiana Karla surgiram afobados, e o programa contou com tantos ruídos na estreia que o fato virou até piada no programa dois. O ruído diminuiu, mas não o desconforto de ver em cena apresentadores que não parecem entrosados. Fernanda é boa, mas Fabiana e Érico ainda gritam demais e parecem meio perdidos.

Porém, o grande defeito do Se Joga é trazer de volta fórmulas que mataram o Vídeo Show. O grande motivo do fim do vespertino clássico foi que o Vídeo Show não soube se reinventar diante das novas tecnologias de comunicação. Bastidores e fofocas velhas e amenas já não são novidade em tempos de redes sociais. E o Se Joga veio com a mesmíssima proposta. Assuntos amenos, frios e chapa-branca dominaram a atração. Fernanda disse que o Se Joga tinha a vantagem de poder ouvir o lado do artista na fofoca, já que os artistas alvos de fofoca são, em sua maioria, da Globo. Até aqui, esta facilidade não foi aproveitada. Pelo contrário. Um exemplo: Reynaldo Gianecchinni foi o assunto do domingo ao assumir sua bissexualidade ao jornal O Globo. Se Joga comentou a notícia na estreia, mas não ouviu o ator a respeito. Ao invés disso, preferiram exibir hoje uma participação do ator, pré-gravada, sem menção ao episódio.

Não, não acho que o Se Joga deve ser um programa de fofoca. Ele não tem que ser um palco pro artista da Globo ir lá falar da sua vida. Porém, se a atração já vendeu a fofoca como uma de suas atrações, devia ao menos fazer direito. Mas o melhor seria não fazer. Se Joga acerta ao focar no entretenimento puro, com jogos e amenidades. Mas há muitos erros na concepção, e o mais grave deles é, como já foi dito, apostar justamente no que matou o Vídeo Show. A Globo, novamente, cai na armadilha de se pautar pela internet, ao invés de pautar a internet. Enquanto for assim, não vai dar certo. Pena.

André Santana