quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Boletins do "Jornal da Record" não disseram a que vieram

Aposta da nova direção de jornalismo da Record, os boletins do Jornal da Record injetaram ainda mais informação à grade do canal. Com quatro edições espalhadas pela programação, com o nome JR 24h, os noticiosos se caracterizam por muitas entradas ao vivo e comentaristas analisando as notícias. Porém, apesar da boa intenção, os boletins mais atravancam do que ajudam a grade do canal. Apenas a edição da madrugada se destaca, e merecia mais atenção.

No JR 24h, Janine Borba comanda as duas primeiras edições, depois do Hoje Em Dia e depois das novelas da tarde. Pela manhã, o boletim já sucede um programa de conteúdo jornalístico e antecede um jornal popular. Enquanto isso, o terceiro boletim é exibido dentro do Cidade Alerta. Não faz muito sentido exibir um “minijornal” dentro de um programa noticioso com mais de três horas de duração.

Por isso, o único dos boletins do JR 24h que faz diferença na programação é o último (ou melhor, o primeiro, já que é exibido depois da meia-noite). Apresentado por Sergio Aguiar, o programa faz uma boa análise dos assuntos do dia, de maneira ágil e eficiente. É um boletim tão interessante que poderia até ter um espaço maior na grade. Com mais de 15 minutos de duração, o JR 24h poderia ser um jornal de fim de noite mais completo.

A direção da Record acertou ao escalar Janine Borba e Sergio Aguiar para o comando dos novos noticiosos. São âncoras conhecidos, de credibilidade, e que cumprem bem o papel de apresentar as notícias. Sendo assim, o canal poderia até considerar reunir a dupla numa segunda edição do Jornal da Record, no final da noite.

Isso porque, durante o dia, a grade da Record já tem muitos telejornais. É a emissora aberta brasileira que mais se dedica à notícia. Sendo assim, os boletins espalhados pela programação acabam gerando a sensação de excesso de informação. Se em vez de apostar em boletins, a emissora concentrasse seus esforços unicamente num jornal de fim de noite, o resultado poderia ser melhor.

André Santana

sábado, 26 de outubro de 2019

"Segunda Chamada" reafirma amadurecimento das séries da Globo

"Professora Helena que era feliz..."

O TELE-VISÃO acompanha e sempre comenta acerca da evolução das séries produzidas pela Globo. A dramaturgia semanal do canal passa por transformações constantes, desde que a emissora abriu o leque e passou a investir em gêneros diversos da comédia. As parcerias com produtoras independentes e a abertura de espaços experimentais, como horários alternativos e, recentemente, o GloboPlay, fez a emissora sair do lugar-comum e elevar o nível de excelência de suas produções. Um de seus principais problemas nesta seara, o “vício de novela”, foi superado.

Neste contexto, a emissora até diminuiu o espaço de séries nacionais em sua linha de shows, Em contrapartida, passou a concentrar esforços em produções de alto nível, de temática contundente e produção acima da média. Com isso, surgiram verdadeiras pérolas, como Sob Pressão, o grande acerto do canal em série dramática dos últimos anos. Apostando num típico drama hospitalar, mas abordando as agruras da saúde pública brasileira, Sob Pressão não é apenas uma série cheia de emoções, como é, também, uma denúncia social e política da mais absoluta relevância. E deu tão certo que rendeu frutos. Segunda Chamada, novidade da vez, bebe da mesma fonte e alcança o mesmo nível de excelência.

Em Segunda Chamada, saem o hospital, os médicos, os enfermeiros e os pacientes, e entram a escola pública, os professores, funcionários e alunos. Apesar do novo cenário e dos novos personagens, os dramas vistos em Segunda Chamada e Sob Pressão são semelhantes. Assim como o hospital público onde trabalha Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) tem inúmeros problemas, a escola pública onde a professora Lúcia (Débora Bloch) leciona também enfrenta grandes desafios, como a falta de recursos.

Lecionando no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), Lucia tem verdadeiro amor pela profissão e se envolve com seus alunos, todos donos de dramas bastante intensos. Na Escola Maria Carolina de Jesus, convivem idosos tentando aprender, trabalhadores cansados buscando uma vida melhor, uma mãe jovem e desesperada e uma mulher trans tendo que lutar pelo direito de usar o banheiro feminino, entre tantas outras vidas cheias de dificuldade, mas com esperanças de um futuro melhor.

Neste ambiente, Lucia dribla, como pode, a falta de recursos. Mas também precisa lidar com seus próprios problemas, como a dor pela perda de um filho, o marido que vive em estado vegetativo e o romance secreto com o diretor. Há também a professora Sonia (Hermila Guedes), que vive um casamento abusivo, e o jovem professor Marcos André (Silvio Guindane), um idealista apaixonado pelas artes que esbarra nas inúmeras dificuldades em lecionar numa turma de adultos. Enquanto isso, a compreensiva e divertida professora Eliete (Thalita Carauta) dá alguma leveza aos dramas, embora ela também tenha os seus.

Mais do que entretenimento, Segunda Chamada agrega conteúdo qualificado à programação da Globo. Ao fazer um drama intenso, bastante calcado na realidade e mostrando as deficiências dos serviços públicos brasileiros, sobretudo na seara da educação, Segunda Chamada lembra o público desacreditado que a educação é um dos mais importantes pilares de uma sociedade saudável. Neste tempo doente em que vivemos, nada mais oportuno.

André Santana

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Angélica ressurge em "A Dona do Pedaço" e faz sucesso

Meio Ana Paula Padrão,
meio Nadja Haddad...
Há mais de um ano na geladeira da Globo, Angélica ressurgiu nos últimos dias em A Dona do Pedaço. Na novela de Walcyr Carrasco, a loira vive ela mesma, no comando de um reality show fictício. O programa Best Cake será o trampolim para que Maria da Paz (Juliana Paes), a protagonista do enredo, retome seu sucesso como confeiteira e empresária. Por conta disso, Best Cake vem tomando conta dos capítulos, tornando-se praticamente um programa dentro do programa. Assim, Angélica tem tido um bom espaço.

Mesmo sendo um reality show fictício, a apresentadora vem mostrando que está em plena forma. Tanto que sua performance vem sendo elogiada pela audiência nas redes sociais. A boa repercussão mostra que a apresentadora ainda é uma figura querida pelos espectadores. Além de apresentadora competente, Angélica reforça que tem apelo. Sendo assim, um novo programa para chamar de seu segue sendo bastante aguardado.

Desde que o Estrelas chegou ao fim, Angélica vem sendo alvo de muitos comentários. Já se falou que ela comandaria um game show, que ficaria na geladeira e até que deixaria a Globo. Em meio aos boatos, a própria apresentadora declarou que vem trabalhando num projeto autoral, e que tem a promessa de que seu novo programa seja lançado em 2020. Porém, como tudo isso ainda não está definido, sempre fica a dúvida sobre seu retorno. Além disso, o futuro político de seu marido, Luciano Huck, também ameaça sua carreira na TV. Hoje, 25, Ricardo Feltrin noticiou, em sua coluna no UOL, que a vontade de Huck de ingressar na política já atravancou o desenvolvimento de sua atração, cujo piloto está estacionado.

No entanto, ao escalar Angélica para esta importante participação em A Dona do Pedaço, a direção da Globo demonstra que ainda aposta na loira. A visibilidade da aparição da apresentadora no programa de maior audiência do canal é um indicativo de que o canal não quer que seu público se esqueça de Angélica. É uma maneira de mantê-la no ar, mesmo que esporadicamente, enquanto não se define seu próximo projeto efetivamente.

Assim, é bem possível que a boa repercussão da presença de Angélica em A Dona do Pedaço conte pontos para seu futuro na Globo. Pode ser a prova que faltava para que a direção da emissora se convença de que a apresentadora ainda tem apelo para comandar um programa próprio. Ou, no mínimo, conquistar uma personagem numa novela, já que transformá-la em atriz sempre esteve nos planos do canal. Resta saber se a TV não vai perder Angélica para o posto de primeira-dama...

André Santana

terça-feira, 22 de outubro de 2019

TELE-VISÃO completa 14 anos

Em 22 de outubro de 2005, a internet era bem diferente. A rede social mais popular era o Orkut, e era preciso receber um convite para ter um perfil ali. A comunicação instantânea se dava pelo MSN Messenger, e o e-mail ainda era bastante utilizado pelos internautas. Ah, e era preciso um computador! Internet pelo celular era algo bem distante do que é atualmente.

Neste cenário um tanto mais limitado (embora com muito mais recursos e facilidades se comparado com 2000, por exemplo), alguns sentiam a necessidade de se expressar por meio da rede. Uma expressão maior do que um wink do MSN, um e-mail engraçadinho cheio de powerpoints, ou um scrap no mural do Orkut (“se me add, manda um scrap”, a gente lembrava os desavisados). Hoje é possível fazer textão no Facebook ou no Instagram, mas naquele tempo a coisa era mais, digamos, “complexa”.

Uma das formas de se dizer o que se pensava sem amarras e limitações era a blogosfera. Qualquer pessoa que quisesse compartilhar seu dia-a-dia, ou suas ideias sobre determinados assuntos, ou informações que achasse relevante, tinha uma página para chamar de sua. Os blogs se popularizaram como diários virtuais, mas aos poucos se tornaram, também, importantes canais para o compartilhamento de palavras e ideias. Isso num momento em que a palavra “compartilhar” não era tão utilizada na web como é hoje. 

Neste contexto, este blog nasceu. Ele começou a partir da inquietação deste jornalista, que, na época, terminava o primeiro ano da faculdade de jornalismo, e que sonhava em ser repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo. Um aprendiz de jornalista que era apaixonado por televisão, colecionava cadernos de TV dos principais jornais e lia, compulsivamente, os principais colunistas da área. Esta paixão, somada a um conselho da amiga Patty Acunha, resultou na criação deste espaço. E o resto é história!

Hoje, os amantes de TV podem se encontrar no Twitter, em grupos de Whatsapp e expressar suas ideias por meio das inúmeras redes sociais pelas quais nos espalhamos web afora. Neste cenário, a blogosfera não é mais a sensação que já foi. Assim, permaneceram por aqui os apaixonados e aficionados da velha guarda, que não abrem mão de manterem um espaço para tecerem análises e comentários sobre o assunto que tanto apreciam. Assim, a blogosfera, ao mesmo tempo em que perdeu força, se fortaleceu (por mais contraditório que isso soe). 

São 14 anos compartilhando tele-visões! Eu, do lado de cá, e vocês aí! Obrigado pela presença, pelo carinho e por seguir acreditando neste blogueiro, na blogosfera como um espaço democrático para se discutir ideias e, principalmente, pela amizade! Hoje cantamos parabéns e nos mantemos perseverantes nesta ideia, almejando mais anos juntos. Compartilhando tele-visões!

André Santana

sábado, 19 de outubro de 2019

"Mais Você" completa 20 anos sabendo se reinventar sempre

Since 1999
Na manhã desta sexta-feira, 18, a apresentadora Ana Maria Braga comandou um programa especial. Ao lado de Fausto Silva, a loira comandou o aniversário de 20 anos de seu Mais Você. Uma marca mais do que respeitável, tendo em vista os inúmeros perrengues pelo qual a atração passou, sobretudo no período de sua complicada implantação. Neste meio tempo, Mais Você deixou de ser um programa desacreditado para se tornar um case de sucesso no sentido de saber se reinventar.

É sempre interessante lembrar da ocasião do lançamento do Mais Você. Em 1999, Ana Maria Braga era a estrela máxima e absoluta da Record, mas pediu demissão da emissora por conta de insatisfações pessoais. Solta no mercado, Ana entrou na mira de emissoras como SBT e até RedeTV (que mal existia), mas fechou justamente com a mais improvável naquela ocasião: a Globo. Naquela época, figuras populares como Ana Maria pareciam não se enquadrar na programação meio elitista e um tanto gélida da Globo.

Mas Ana Maria Braga apenas puxou a fila de uma série de contratações, orquestradas pela então toda-poderosa da Globo, Marluce Dias da Silva, justamente no intuito de tornar a grade da Globo mais popular. Logo após a contratação de Ana, assinaram com a Globo Serginho Groisman e Jô Soares, do SBT; Luciano Huck, da Band; e Cazé Peçanha, da MTV. Todos eles peças importantes de suas emissoras de origem, o que deixou claro que a estratégia da Globo era, também, enfraquecer a concorrência.

Só que a Globo demorou para aprender a ser popular. Mais Você estreou em 18 de outubro de 1999, na faixa da tarde, como uma versão gourmetizada do Note e Anote, atração anterior de Ana Maria. Além da indefectível culinária, o Mais Você estreou com um time de colaboradores na área de saúde, beleza, moda e comportamento, formando uma espécie de revista eletrônica feminina que buscava uma certa sofisticação. Que não combinava em nada com Ana Maria, apresentadora que se fez popular justamente por falar francamente à dona de casa. Este descompasso fez com que o Mais Você enfrentasse severas críticas, crise de audiência e até um desabafo ao vivo da apresentadora, que revelou não estar à vontade na nova casa. A baixa audiência fez com que, em agosto de 2000, Mais Você mudasse de horário e passasse a ocupar a faixa das 11 horas da manhã. Não deu certo e o programa saiu do ar em dezembro daquele ano.

Mas a emissora não desistiu fácil do Mais Você. Em abril de 2001, o programa voltou ao ar, na faixa das 8 da manhã e reformulado. Sob a batuta de Marlene Mattos, a atração conseguiu adotar uma linguagem mais popular, tornando-se mais solto e menos engessado. Assim, aos trancos e barrancos, foi entrando na linha. Porém, as oscilações na audiência fizeram com que o Mais Você enfrentasse novas mudanças, tanto em seu horário quanto em conteúdo. Para ficar mais perto dos artistas das novelas da Globo, o programa deixou os estúdios de São Paulo e passou a ser realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Além disso, passou a apostar em reality shows.

Recapitulando toda esta trajetória, fica bem claro que o Mais Você se tornou um programa vitorioso justamente pelos perrengues pelos quais passou. A emissora nunca jogou a toalha, promovendo mudanças e não deixando a atração ficar numa zona de conforto. A constante inquietação obrigou o matinal a mudar e se renovar, e isso foi fundamental para que o programa chegasse aos 20 anos em plena forma. E o mais interessante é que o Mais Você mudou sem perder a essência. Ele continua apoiado nos mesmos pilares desde a estreia, mas a maneira de transmitir este conteúdo mudou. Mais Você acompanhou as transformações da TV, adaptando-se às realidades que se apresentaram com o tempo.

E este mérito não é apenas de sua equipe competente. É mérito também de Ana Maria Braga, que tem um talento acima da média na condução de um programa popular, no melhor sentido da palavra. Ana conseguiu se “desengessar” com o tempo, ficando à vontade em sua casa e falando diretamente ao seu público. Ela passa verdade a quem a assiste, e criou uma relação de afeto com a audiência. Além disso, soube manter a vitalidade e a energia diante das câmeras, como se estivesse sempre num constante recomeço. E, claro, a parceria vitoriosa com Louro José. Não é qualquer um que consegue fazer o público se esquecer de que o personagem é apenas um boneco de espuma. A inteligência de seu intérprete, Tom Veiga, somado à interação natural de Ana Maria, faz a dupla funcionar.

Por essas e outras, Mais Você, ainda, um dos mais importantes programas de entretenimento da Globo, e da televisão brasileira. Reverenciar esta história de 20 anos é fazer jus a um trabalho que venceu pela insistência, pelo talento e pela competência das pessoas envolvidas. 

André Santana

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Record aposta em realities dublados nas tardes de domingo

"Vamos reformar
o domingo da Record"
A direção da Record já definiu que Sabrina Sato assumirá o lugar de Geraldo Luís à frente do Domingo Show. Como não se trata de uma simples substituição, já que o atual Domingo Show é a cara de Geraldo Luís, a atração não vai escapar de uma grande reformulação. E isso inclui a perda de tempo de arte. Com Sabrina, o dominical deverá ser exibido das 13h45 às 15h45. Assim, haverá um grande buraco entre 11h e 13h45, que a emissora precisará tapar.

Segundo o site Notícias da TV, a Record já definiu as atrações que entrarão neste horário. A emissora adquiriu os reality shows importados Irmãos à Obra, A Pequena Grande Família, Os Pequenos Jhonstons e Honey Boo Boo, já exibidos por aqui em canais pagos, como Discovery e TLC. Vários deles são destaques da TV paga, como Irmãos à Obra, reality de reformas de casa que é sensação no Discovery Home & Health. Apresentado pelos irmãos gêmeos Drew e Jonathan Scott, a atração mostra famílias estadunidenses comprando e reformando casas.

O Notícias da TV informou ainda que a Record deve estrear os enlatados no mesmo dia que Sabrina Sato estrear à frente do Domingo Show. E, até aqui, a emissora trabalha com a possibilidade de esta estreia acontecer somente em janeiro. A direção do programa ainda busca formatos e atrações para que Sabrina possa apresentar em seu novo espaço, e não há nada definido a este respeito.

Os realities parecem uma aposta de risco da Record. A audiência da TV aberta aceita bem produtos de dramaturgia dublados, como novelas, filmes e séries. Afinal, são atores representando sendo dublados por atores que também estão representando. Já programas que se apresentam como “shows de realidade” ficam meio bizarros dublados. Sim, eles são exibidos dublados também na TV paga, mas na TV aberta a coisa ganha uma nova dimensão. Ouvir vozes em português simulando uma descontração ensaiada causa um certo incômodo. A própria Record exibiu recentemente Buddy x Duff, todo dublado, e o resultado não foi dos melhores. 

Assim, colocar programas como este aos domingos, numa faixa de forte concorrência, é um tanto quanto questionável. Menos arriscado seria o canal apostar, justamente, em enlatados mais clássicos, como filmes e séries. Mas, ao menos, é uma ideia melhor do que o retorno do Tudo a Ver e das pegadinhas velhas e combinadas, né?

André Santana

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Décio fora do "Fofocalizando" e Patrícia à noite: as últimas mudanças no SBT

"Fui!"
Dias movimentados no SBT. Depois do barulho, apogeu e queda do Alarma TV (que estreou à noite, passou para as manhãs, ganhou as madrugadas e, depois, foi definitivamente cancelado… tudo isso em menos de uma semana), o canal de Silvio Santos movimentou mais algumas peças nesta semana. Dentre as “novidades”, está a saída de Décio Piccinini do Fofocalizando e a mudança de horário do Topa ou Não Topa.

A saída de Décio Piccinini foi informada ontem, 16, no site Notícias da TV. Segundo matéria assinada por Gabriel Perline, Décio foi avisado que não faria mais parte do Fofocalizando ontem, e hoje, 17, ele já não aparece. Em seu lugar, entra Gabriel Cartolano. Oficialmente, o SBT diz que Piccinini está de férias. Mas o canal, ainda segundo a matéria, não soube informar se o jornalista voltará para suas funções depois do descanso. Ao que tudo indica, Décio Piccinini não volta para o vespertino, mas deve seguir participando do júri do Programa do Ratinho e Programa Silvio Santos. E vale lembrar que o jornalista participa diariamente do matinal Papo em Dia, exibido pela Rede Brasil.

A saída de Décio Piccinini reforça a tese de que o Fofocalizando está buscando “rejuvenescer” seu elenco. A troca de Mamma Bruschetta por Chris Flores foi o primeiro indício da ação. Agora, é Piccinini quem sai, e o jovem Cartolano assume uma vaga no sofá. Assim, o único veterano que sobra é Leão Lobo. Que tem lugar garantido, já que é ele quem faz os merchans da Top Therm, importante anunciante da atração. Mas as constantes mudanças do Fofocalizando mostram que o vespertino, realmente, vive uma crise, e as manobras servem para tentar salvá-lo.

Enquanto isso, os sábados do SBT também terão novidade. O Topa ou Não Topa com Patrícia Abravanel, lançado nas tardes de sábado recentemente, migrará para as noites. O game show vai ocupar a faixa das 20h30, que até então era o espaço para o resumo da semana de As Aventuras de Poliana. A novela, então, volta a ser exibida apenas de segunda a sexta, enquanto Patrícia Abravanel reforça a noite de sábado do canal, que já conta com shows consolidados.

A ideia de exibir o Topa ou Não Topa à tarde era interessante, já que aumentava a cartela de variedades num horário meio cansado. Porém, exibi-lo à noite parece uma boa ideia. Isso porque o game já tem cara de programa noturno. E mais: exibido na faixa das 20h30, o programa pode ser um bom aquecimento para a trinca que vem a seguir: Esquadrão da Moda, Bake Off Brasil e Vale a Pena Ver The Noite. O reforço pode ajudar o SBT a ficar ainda mais fortalecido na noite de sábado, horário em que registra excelentes índices de audiência há anos. Pode ser uma boa.

André Santana

sábado, 12 de outubro de 2019

"Mestre do Sabor" e "Família Frente a Frente": ainda há espaço para competições culinárias?

"Tá com fome?"

Numa semana de muitas estreias, dois novos talent shows da área da culinária debutaram na TV aberta. Enquanto a Globo, que até então só apostava no filão como quadros de seus matinais, se rendeu ao formato no horário nobre com Mestre do Sabor, o SBT lançou mais um, o Famílias Frente a Frente. Em comum, os dois programas buscam se diferenciar do habitual, com dinâmicas que trazem novidade ao segmento. Porém, a pergunta que não quer calar é: não há cozinha demais na programação das emissoras?

Mestre do Sabor foi anunciado como um formato original da Globo. Louvável, tendo em vista que a grande maioria destes formatos são versões nacionais de atrações gringas. No entanto, o tal “original” não se revelou tão original assim. Mestre do Sabor basicamente replicou o formato do The Voice Brasil, substituindo cantores por chefs de cozinha. Numa degustação às cegas, os competidores buscam uma vaga nos times de três jurados/técnicos: José Avillez, Kátia Barbosa e Leo Paixão.

O programa é bem feito e redondo, conduzido de maneira simpática pelo chef Claude Troisgros e seu fiel escudeiro, Batista. E diverte, sobretudo graças à edição bem resolvida, que mostra as histórias de vida dos concorrentes. No entanto, o excesso de mais do mesmo incomoda. A semelhança do formato com o The Voice já gera um cansaço. E a cozinha como cenário já denuncia que, no fundo, trata-se de mais uma dentre tantas competições culinárias. Sendo assim, Mestre do Sabor até tem potencial, mas precisa mostrar ao público que não é mera cópia do The Voice. Talvez empolgue quando passar da fase das audições, ops, degustações às cegas.

Enquanto isso, Famílias Frente a Frente marcou a estreia de Tiago Abravanel como apresentador na emissora do avô Silvio Santos. Tiago, que mostrou boa desenvoltura à frente de especiais e do Popstar, na Globo, acerta ao querer se tornar um comunicador. Talento e carisma para isso ele tem, além de ser muito bem preparado para a função. Mas Tiago escolheu justamente uma competição culinária para comandar, e justamente no SBT, canal que mais variações do formato já lançou.

Assim que o MasterChef bombou na Band e despertou interesse das outras emissoras, o SBT correu para lançar o seu. Lançou Carlos Bertolazzi à frente do Cozinha Sob Pressão, inicialmente no ingrato horário das 18h30 dos sábados. Logo depois, veio a competição de sobremesas Bake Off Brasil, que inaugurou a faixa de realities culinários do horário nobre de sábado. Com o bom resultado do Bake Off, Cozinha Sob Pressão também passou a ser exibido ali. E logo vieram outros formatos, como BBQ Brasil e Duelo de Mães. Como se fosse pouco, a emissora ainda lançou o Minha Mulher que Manda, outra competição culinária, como quadro do Eliana, aos domingos.

Atualmente, a faixa de realities das noites de sábado do SBT está bem resolvida com o Bake Off revezando com o Junior Bake Off e o Fábrica de Casamentos. Assim, foi necessário abrir um novo espaço para encaixar o Famílias Frente a Frente. Optou-se pela noite de sexta, substituindo a até então intocável Tela de Sucessos. Este fato talvez tenha sido a melhor coisa do FFF, já que a sessão de filmes vem sobrevivendo de longas ultrarreprisados dos anos 1990. Com a novidade, a linha de shows do SBT saiu um pouco da mesmice.

Além disso, FFF dá um enfoque diferente no segmento, ao apostar na comida caseira e na disputa familiar. A atração aposta numa competição na cozinha entre famílias, que precisam mostrar suas habilidades culinárias aos jurados Alê Costa, Dona Carmem Virgínia e Gilda Bley. É um formato dinâmico e que envolve, e Tiago está muito bem na função de comandante. Mas a correria na cozinha, o “corta verdura”, “refoga a cebola” e tantas cenas já tão mostradas em MasterChefs, Top Chefs e SuperChefs da vida fazem do FFF um formato igualmente cansado.

Não há dúvidas do potencial de audiência e, principalmente, de faturamento, deste formato. Mas os canais abertos andam demonstrando uma preguiça absurda no segmento dos talent shows. Atualmente, só cozinha e música têm vez. Esta overdose está começando a aborrecer.

André Santana

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

História da TV: Conheça "Vila Esperança", infantil pouco lembrado da Record


Em agosto de 1998, a Record ainda tentava consolidar uma programação infantil. Depois do fim de atrações como Agente G e Mundo Maravilha, a emissora buscava uma nova atração capaz de atrair os pequenos. E resolveu apostar na boa dramaturgia infantil, lançando Vila Esperança, produzido pela Idea e protagonizado por Gérson de Abreu.

Vila Esperança levava o nome da vila onde se passava a história. Ali vivia o simpático Tio Du (Gérson), o dono de uma mercearia que era o grande amigo das crianças do lugar. Fabinho (Freddy Allan), Nanda (Tarcila Amorim), Juju (Carolina Alves), Guilherme (Cauã Souza), Zé Batata (Murilo Troccoli) e Mima (Daniela Marques) eram os pequenos, que brincavam e aprontavam todas na vila. Eles só paravam para ouvir as histórias do Vô Zico (Josmar Martins), o fundador da vila, e sua esposa, a vó Iza (Ana Maria Barreto). Eles também se divertiam com as invenções do professor Piragibe (Brian Penido), irmão do tio Du.

Juntos, os habitantes da Vila Esperança viviam uma história diferente a cada dia. A cada episódio, um assunto era abordado levando as crianças a refletirem sobre temas como ciúmes, solidariedade, preservação do meio ambiente, preconceito, amizade, tecnologia, voluntariado, orgulho, respeito às diferenças e mais de uma centena de argumentos. Além disso, eles tinham que enfrentar os vilões Mil Faces (Sergio Mastropasqua) e Meia Boca (Fabio Araújo), que tentavam semear a discórdia dentro da Vila Esperança.

Vila Esperança bebia da fonte do Castelo Rá-Tim-Bum, ao fazer de seu cenário uma porta para diferentes quadros, que costuravam uma história principal. Entre os quadros, não faltava a indefectível experiência de Gerson de Abreu, que fez fama ensinando as crianças a fazer brinquedos com sucata e experimentos científicos. Em Vila Esperança, ele seguia este expediente na pele do Tio Du, com o quadro Passo a Passo. Outro quadro era o Estela Natela, um programa que os personagens viam pela TV. Na atração, a repórter Estela Estelar (Lu Schievano) trazia reportagens curiosas e divertidas.

O programa foi criado por Betina Rugna e Marisa Martins, e era um projeto da produtora Idea e da ONG Parábola. O supervisor-geral do projeto, Jairo Silva, falou à Folha de S. Paulo de 30 de agosto de 1998 sobre a novidade. "É a história de uma vila onde moram vários personagens, que se encontram e vivem aventuras", explicou. Jairo apontava as boas intenções de Vila Esperança. "Será o primeiro programa com perfil de TV pública dentro de uma emissora comercial", disse.

Vila Esperança estreou no dia 31 de agosto de 1998, na faixa das 17 horas, e tinha seus episódios reapresentados no dia seguinte, às 10h. Com a estreia do programa, o enorme Note e Anote, que na época era apresentado por Ana Maria Braga e ocupava a tarde toda da emissora, perdeu uma hora de duração. Porém, colocar Vila Esperança entre o Note e Anote e o Cidade Alerta não se revelou uma boa ideia. Além disso, Eliana seria contratada pelo canal pouco tempo depois da estreia do Vila, e lançou seu Eliana & Alegria em outubro do mesmo ano. Com isso, as atenções da emissora se voltaram à loira, e Vila Esperança acabou jogada para escanteio, realocada para a faixa do meio-dia.

Mesmo assim, a série agradou a crítica, e Vila Esperança foi eleito o melhor programa infantil de 1998 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Mas o prêmio não foi o suficiente para manter a série no ar, e Vila Esperança foi exibida pela Record apenas até abril de 1999.

André Santana

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

GNT vira bom destino para profissionais sem espaço na TV aberta

"Não sou Luciano Huck,
mas também reformo casas!"
Recentemente, o canal GNT, do Grupo Globo, anunciou a contratação de Otaviano Costa. O apresentador, que deixou o agora extinto Vídeo Show e teve seu Tá Brincando cancelado na Globo, voltará ao ar pelo canal pago. A ele está destinado o comando da versão brasileira de Extreme Makeover, um famoso reality show de reformas. 

Trata-se de mais um nome de destaque da TV aberta a emplacar um espaço no GNT. O canal também foi o destino de Fabio Porchat, que deixou a Record no final do ano passado. Porchat já pertencia aos quadros da emissora, na qual comandava (e segue comandando) o Papo de Segunda. Porém, ao deixar o comando do Programa do Porchat, o apresentador e humorista conquistou mais espaço e lançou seu novo talk show, Que História É Essa, Porchat?. Com formato distinto ao apresentado no canal de Edir Macedo, o novo talk show é uma das melhores novidades da TV brasileira neste ano. 

Eles não são os únicos. O GNT também foi o destino de Fernanda Paes Leme, atriz interessante, mas que se mostrou uma apresentadora bastante eficiente. Depois de co-apresentar o SuperStar, na Globo, e comandar o X Factor na Band, a artista migrou para a TV paga, onde comanda programas bem divertidos, como o Desengaveta e Missão Design. Outra Fernanda, a Rodrigues, segue sendo escalada para novelas na Globo de tempos em tempos (sua última foi O Outro Lado do Paraíso), mas encontrou espaço cativo mesmo no GNT, onde comanda o Fazendo a Festa há anos.

Outro exemplo: Patrícia Poeta deixou o Jornal Nacional e tentou emplacar um programa seu na Globo. Não conseguiu, mas foi encaixada no É de Casa e como apresentadora substituta dos matinais diários da emissora. Porém, se não encontrou um espaço para chamar de seu na TV aberta, na TV paga ela conseguiu, ao comandar o reality Caixa de Costura. Isso sem falar de Astrid Fontenelle, uma veterana na TV aberta, que se viu sem espaço ao deixar a Band, lááá em 2004. Pois a profissional, uma das melhores apresentadoras que temos, se reencontrou ali, onde comandou programas como Happy Hour e Chegadas e Partidas. Atualmente, esbanja competência à frente do Saia Justa.

Com uma programação bastante voltada para o público feminino, com muitos realities, programas de culinária e decoração, o GNT acabou se tornando um canal bem interessante e variado. E vem atraindo bons profissionais, que encontram ali espaço para emplacarem projetos que parecem não interessar à TV aberta. Além disso, se tornou um espaço para que a Globo otimize a presença de seus artistas, já que o espaço no principal canal anda cada vez mais restrito. O GNT está com uma boa cara, bons produtos e vem reunindo um cast respeitável. Bem legal. 

André Santana

sábado, 5 de outubro de 2019

"Éramos Seis" faz boa estreia na Globo

"E lá vamos nós pela quinta vez..."

Na São Paulo da década de 1920, a matriarca Lola (Gloria Pires) só quer o bem de sua família. Mãe arquetípica, para ela ser feliz é ver a família feliz e unida. Por isso, ela não tolera brigas entre seus filhos. Sonha para eles a mesma harmonia que tem com suas irmãs. E é esta humanidade de Lola, um tanto idealizada, mas muito palatável, que imprime o estilo de Éramos Seis, nova novela das seis da Globo, mas a quinta versão desta história na TV.

Ângela Chaves, autora da nova novela das seis da Globo, se baseia na adaptação de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho (cujo texto, inspirado no livro de Maria José Dupré, foi montado pela Tupi em 1977, e pelo SBT em 1994). A novelista promete uma Lola menos submissa e um final menos trágico. A ideia é mostrar uma saga familiar, que atravessa três décadas. Assim, apresenta situações reconhecíveis por qualquer família, em qualquer época.

Na primeira semana, Ângela Chaves conseguiu manter intacto o espírito do original. Os personagens foram apresentados de maneira harmônica, e vivendo situações simples. Os primeiros capítulos mostraram o drama de Lola é unir a família e ajudar o marido Julio (Antonio Calloni), suas irmãs do interior vivem a expectativa de passarem férias na capital paulista. Paralelamente, as diferentes personalidades dos filhos de Lola são mostradas em picardias infantis. E a semana terminou com a chegada de suas irmãs, a alegria de seus filhos mais novos com a chegada de um cachorrinho e as travessuras de Alfredo (Pedro Sol) na escola. Em suma, foi uma primeira semana graciosa de uma novela que tem na aparente despretensão um charme especial.

Para os noveleiros, Éramos Seis é uma novela que deixou boas lembranças. A versão do SBT é considerada, com todos os méritos, a melhor novela já exibida pelo canal de Silvio Santos. Na época, o canal tinha um plano de dramaturgia ambicioso. Assim, Éramos Seis contava com grifes como Nilton Travesso na direção, e Irene Ravache, Othon Bastos, Denise Fraga, Jussara Freire e tantos outros medalhões no elenco. O público respondeu bem e a trama foi um sucesso.

Sendo assim, para quem viu a versão do SBT, a comparação é inevitável. Obviamente, trata-se de uma nova montagem, com atualizações necessárias. Porém, aqui, a comparação não chega a prejudicar. Afinal, que atriz é mais indicada do que Gloria Pires, com sua espantosa naturalidade, para fazer uma mulher tão simples e reconhecível? Assim como Irene Ravache brilhou no SBT, Gloria deve repetir o sucesso na Globo.

Outra comparação que merece menção é o divertido casal Olga (Maria Eduarda de Carvalho) e Zeca (Eduardo Sterblich). Os novos intérpretes conseguiram (de propósito ou não) manter o mesmo espírito impresso por Denise Fraga e Osmar Prado na versão do SBT. Destaque para Sterblich, que surpreende vivendo um tipo diferente do que estamos habituados a vê-lo.

A nova versão de Éramos Seis chega numa boa hora. 25 anos separam a última versão da mais recente, dando a chance de uma nova geração conhecer este texto tão terno e delicado. Além disso, o know-how da Globo na produção de novelas de época deve dar à Éramos Seis uma embalagem ainda mais vistosa que a anterior. Isso sem falar na nova abertura, de um bom gosto que salta aos olhos. A novela promete.

André Santana

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"Alarma TV": Silvio Santos pira de vez e exibe escatologia pela manhã

"Deu até saudades das
Pegadinhas Picantes..."
Alguém devia proibir Silvio Santos de assistir TV estrangeira. Toda vez que ele vê um programa tosco sendo exibido por aí, trata de adquirir pra exibir no SBT. E nunca dá certo, mas ele insiste. Recentemente, foi assim com o Caso Encerrado, mistura de julgamento e telebarraco que tratava de temas um tanto pesados. Mas não mais pesados que os vídeos do Alarma TV, sua mais nova aquisição.

Já faz um tempo que a imprensa especializada ventilava que Silvio Santos ensaiava em exibir Alarma TV. Trata-se de um programa feito nos EUA por uma emissora voltada para latinos que é, basicamente, um “Eddie Zap” piorado. Dois apresentadores que parecem não ter a menor ideia do que estão fazendo ali exibem vídeos diversos, a maioria envolvendo violência, escatologia ou bizarrices. E, depois de muito ensaiar, tio Silvio tirou a bomba da gaveta e o estreou, meio de surpresa, na última terça-feira, 01, às 19h20. A audiência não foi lá essas coisas e a repercussão negativa foi intensa. Durou um dia.

Mas Silvio Santos, quando cisma com algo, sai de baixo. Pois o dono do SBT, sempre persistente, tratou de arrumar um novo horário para testar esta tranqueira. E escolheu o pior horário possível: 10h30 da manhã. Nesta quinta-feira, 03, Alarma TV foi exibido entre o Primeiro Impacto e o Bom Dia e Cia. Sim, o programa se tornou sala de espera do infantil de Silvia Abravanel. Assim, as crianças que esperavam pelos seus desenhos puderam conferir vídeos “fascinantes”, como uma equipe médica retirando um, digamos, “brinquedo sexual” entalado no ânus de um sujeito. Super adequado, não?

É incompreensível que o dono do SBT ache adequado exibir um programa tão ruim e de mau gosto quanto o Alarma TV. Qualquer pessoa minimamente sensata jamais cogitaria exibir algo tão esdrúxulo. Pior ainda é exibi-lo pela manhã, depois de um jornal que também não é lá essas coisas. Ainda mais numa emissora que sempre dedicou suas manhãs ao público infantil e conta com uma consolidada plateia de pequenos. Reduzir ainda mais o Bom Dia e Cia para mostrar esta bomba é de uma infelicidade sem tamanho.

Além disso, Silvio Santos tem que parar de insistir em exibir programas dublados. Novelas até passam, já que é dramaturgia. Mas apresentadores sendo dublados por atores tentando emular espontaneidade não funciona. Se é pra exibir vídeos bizarros, poderiam, ao menos, colocar um apresentador local para fazer as cabeças. Aliás, por que não contratam Eddie Polo? Já que é pra causar, Eddie Zap dá de 1000 a zero no casal espalhafatoso que comanda o Alarma TV. Que fase…

André Santana

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Em tarde de muitas estreias, "Se Joga" não deixou boas impressões

"Fala mais baixo, moça!"

A última segunda-feira, 30, foi bastante movimentada na TV brasileira. Com a estreia do amplamente anunciado Se Joga, na Globo, a Record resolveu se armar para garantir a continuidade de sua boa fase nas tardes. Assim, a concorrência entre A Hora da Venenosa, do Balanço Geral, e do programa pós-Jornal Hoje ganha um novo contorno (ou talvez um velho contorno com verniz).

Quem debutou primeiro foi Geraldo Luís, que reassumiu o comando do Balanço Geral na vaga de Reinaldo Gottino. O jornalista, que foi o primeiro apresentador do noticioso, voltou à casa. Geraldo tem um estilo que, pessoalmente, não me agrada. Mas reconheço que ele é bom no comando de um jornal popular. Aliás, arrisco dizer que ele é melhor nesta função do que como animador de programa dominical. Assim, nas mãos de Geraldo, o Balanço Geral deve seguir sua vidinha e incomodar a concorrência em São Paulo.

Já na Globo, antes do Se Joga, aconteceu a estreia de Maju Coutinho à frente do Jornal Hoje. Com a nova apresentadora, o jornal mudou cenário, grafismos e trouxe novidades no formato. Maju surgiu em pé, conversando com comentaristas e repórteres por meio de telões. Esta nova apresentação mais conversada e informal funcionou muito bem. O único problema do Jornal Hoje foi o excesso de notícias policiais, numa tentativa da emissora de fazer frente à concorrência. Um noticiário leve bem-feito é uma arma tão poderosa quanto (ou mais que) um policialesco. Mas Maju está correta e deve se sair bem nesta nova missão.

E se Maju deixou uma boa impressão, o mesmo não se pode dizer do Se Joga. Como previsto, o programa não funcionou muito bem nestes dois primeiros dias. Fernanda Gentil, Érico Brás e Fabiana Karla surgiram afobados, e o programa contou com tantos ruídos na estreia que o fato virou até piada no programa dois. O ruído diminuiu, mas não o desconforto de ver em cena apresentadores que não parecem entrosados. Fernanda é boa, mas Fabiana e Érico ainda gritam demais e parecem meio perdidos.

Porém, o grande defeito do Se Joga é trazer de volta fórmulas que mataram o Vídeo Show. O grande motivo do fim do vespertino clássico foi que o Vídeo Show não soube se reinventar diante das novas tecnologias de comunicação. Bastidores e fofocas velhas e amenas já não são novidade em tempos de redes sociais. E o Se Joga veio com a mesmíssima proposta. Assuntos amenos, frios e chapa-branca dominaram a atração. Fernanda disse que o Se Joga tinha a vantagem de poder ouvir o lado do artista na fofoca, já que os artistas alvos de fofoca são, em sua maioria, da Globo. Até aqui, esta facilidade não foi aproveitada. Pelo contrário. Um exemplo: Reynaldo Gianecchinni foi o assunto do domingo ao assumir sua bissexualidade ao jornal O Globo. Se Joga comentou a notícia na estreia, mas não ouviu o ator a respeito. Ao invés disso, preferiram exibir hoje uma participação do ator, pré-gravada, sem menção ao episódio.

Não, não acho que o Se Joga deve ser um programa de fofoca. Ele não tem que ser um palco pro artista da Globo ir lá falar da sua vida. Porém, se a atração já vendeu a fofoca como uma de suas atrações, devia ao menos fazer direito. Mas o melhor seria não fazer. Se Joga acerta ao focar no entretenimento puro, com jogos e amenidades. Mas há muitos erros na concepção, e o mais grave deles é, como já foi dito, apostar justamente no que matou o Vídeo Show. A Globo, novamente, cai na armadilha de se pautar pela internet, ao invés de pautar a internet. Enquanto for assim, não vai dar certo. Pena.

André Santana