quinta-feira, 22 de agosto de 2019

História da TV: Os 16 anos do "Jornal das Pernas"

"Poxa, que coxa!"

Se tem um setor do SBT que nunca cai na rotina é o jornalismo. Antes de apostar num jornal de seis horas comandado por um menino de 20 anos, ou de castigar âncoras impedindo-os de aparecer às sextas-feiras, a emissora lançou um jornal bem curioso. Em setembro de 2003, o SBT estreou um noticiário que ficou famoso, conhecido até mesmo por quem nunca o assistiu, tamanho o burburinho que causou. Isso porque suas apresentadoras, Cynthia Benini e Analice Nicolau, surgiam lendo as notícias com as pernas à mostra, o que levou o programa a ganhar o apelido de “Jornal das Pernas”. Com o singelo nome de Jornal do SBT – 1ª Edição, a atração era exibida na faixa das 19h30 e marcava o retorno de um telejornal no horário nobre da emissora, algo que não existia desde a extinção do Jornal do SBT/CBS, em 1998.

Muitos devem se lembrar do “Jornal das Pernas” quando o programa se tornou um boletim de notícias na programação, com o nome SBT Notícias Breves, em 2005. Mas a atração estreou dois anos antes, mais precisamente em 1º de setembro de 2003, como Jornal do SBT – 1ª Edição. Na época, a emissora tinha como único jornal o Jornal do SBT, de Hermano Henning, que era exibido no início da madrugada. Silvio Santos, então, resolveu fazer uma nova edição do jornal, em horário nobre e com uma apresentação diferente. Para isso, ele escalou Cynthia Benini e Analice Nicolau, que participaram da segunda edição da Casa dos Artistas, e lançou um novo jornal, na qual as apresentadoras apareciam sempre de saias, atrás de uma bancada transparente, com as pernas à mostra.

O SBT fez mistério sobre o lançamento. Colocou no ar as chamadas do jornal apenas uma semana antes da estreia, e, inicialmente, o novo noticioso era anunciado com o redundante nome Jornal de Notícias. No entanto, ainda antes da estreia, o nome já mudou para Jornal do SBT – 1ª Edição. A atração era realizada sem nenhum investimento, e trazia exatamente as mesmas atrações do jornal de Hermano Henning, apenas com cenários e apresentadores diferentes. Com equipe mínima, as notícias do dia eram dadas em forma de “Frases do Dia”, e o Jornal do SBT exibia quadros enlatados, como Tolerância Zero, sobre a atuação da polícia dos EUA, e Aconteceu no Mundo, com vídeos tipo “isto é incrível”. O jornal também tinha a participação dos comentaristas José Nêumanne Pinto e Denise Campos de Toledo. Semanas depois, Daniela Freitas se juntava ao time com as notícias do esporte.

Na semana seguinte à estreia, o jornal Folha de S. Paulo publicava uma matéria sobre a nova aposta de Silvio Santos. O jornal afirmava que a atração era criticada por muitos em razão do pouco conteúdo noticioso e pelas apresentadoras chamarem mais atenção que as notícias, mas também dizia que o SBT seguia a tendência mundial de fazer uma mistura entre jornalismo e show. No entanto, nem mesmo as pernas das apresentadoras seguraram a atração, que não atraiu anunciantes e nem audiência.

Como não emplacou no horário nobre, o SBT tentou uma inversão com o jornal da madrugada. Assim, Hermano Henning aparecia às 19h30, enquanto Cynthia e Analice davam expediente à 0h. Não funcionou. Então, Hermano voltou para as madrugadas, enquanto Cynthia e Analice passaram para as manhãs, às 6h, e a atração se tornou Jornal do SBT – Manhã em 2004. Ainda este ano, a emissora fez nova tentativa de emplacar o programa num novo horário, na faixa das 17h30, mas o jornal sucumbiu diante da concorrência com Os Cavaleiros do Zodíaco, que a Band exibia no mesmo horário. Acabou retornando para as manhãs.

Em 2005, o jornal continuava matinal, mas ganhou boletins ao longo da programação, de hora em hora, das 16h às 22h. Surgia assim o lembrado SBT Notícias Breves. Entretanto, no mesmo ano, o SBT reformulou sua programação jornalística, contratando o diretor de jornalismo Luiz Gonzaga Mineiro e a apresentadora Ana Paula Padrão. Com uma nova equipe, foi lançado então o SBT Brasil, enquanto o SBT Notícias Breves foi extinto, e as duas edições do Jornal do SBT foram reformuladas. Assim, o Jornal do SBT – Manhã passou a ser apresentado por Joyce Ribeiro.

Com as mudanças, Cynthia Benini e Analice Nicolau migraram para o entretenimento do SBT. Elas apareceram no programa Bailando por um Sonho, de Silvio Santos, e gravaram pilotos de Ver Para Crer, um programa de vídeos incríveis que acabou nas mãos de Celso Portiolli e César Filho. A partir de 2007, porém, o SBT fez nova reformulação no jornalismo, e Cynthia e Analice retornaram, mas sem pernas de fora. Primeiro, foi Cynthia Benini quem voltou, dividindo com Carlos Nascimento o SBT Brasil. Algum tempo depois, Analice Nicolau retornou, dividindo com Hermano Henning o SBT Manhã. Cynthia Benini deixou o canal há alguns anos, enquanto Analice Nicolau seguiu no canal, como uma das apresentadoras do SBT Notícias. Foi dispensada com o fim do jornal, há alguns meses.

E esta foi a trajetória do lendário “Jornal das Pernas” de Cynthia Benini e Analice Nicolau, que durou dois anos, passou por vários horários, teve vários nomes e acabou alimentando algumas lendas urbanas da TV. Por exemplo, há quem acredite, até hoje, que Cynthia e Analice ficavam cruzando as pernas enquanto apresentavam o jornal. Não é verdade. Elas apareciam sentadas com as pernas cruzadas, mas jamais cruzaram as pernas no ar.

Relembre como era o “Jornal das Pernas”:



André Santana

9 comentários:

  1. Como jornalista, sempre senti vergonha dessa atração, que nunca se justificou.

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    1. Eu achava tão inusitado que assistia quase todo dia! Tenho um certo fascínio pelo tosco, rsrs! Mas achava uma pena ser um jornal sem equipe, porque as apresentadoras eram boas!

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  2. Outro fator tbm chamava bastante atenção: os penteados bizarros que faziam na Cynthia e Analice. Vale uma ressalva, Analice Nicolau fez uma ótima dupla com Hermano Henning no reformulado Jornal SBT-Manhã e se saia bem nos outros noticiosos que apresentou pós Jornal Das Pernas. Foi estudar, se formou e foi uma pena sua dispensa. A moça é boa, carismática e tem a cara do SBT. Benini, embora já fosse jornalista, sempre me pareceu forçada.

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    1. Eu gosto da dupla. Cinthia é boa, e Analice foi uma grata surpresa. E evoluiu MUITO desde a estreia. Gosto dela.

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  3. Se não foi o pioneiro, o Jornal das Pernas foi um dos pioneiros do jornalismo irreverente, que faria escola na televisão brasileira, vide o Esporte Total na Geral exibido pela Band em 2005 que mesclava jornalismo esportivo e humor, e o atual formato do Globo Esporte, além do G1 em 1 minuto, que pela primeira vez trouxe um apresentador vestido de maneira descontraída. Mas o próprio SBT já tinha inovado antes com o TJ Brasil, responsável por introduzir a figura do âncora, até então inédita no jornalismo brasileiro, e o jornalismo opinativo, cuja última flor do Lácio esteve representada na pessoa de Rachel Sheherazade. Mas a herança mais "notável" do Jornal das Pernas foi sem dúvida o Primeiro Impacto que está no ar atualmente. Mesmo com tanta irreverência que é marca registrada de Silvio Santos, ainda acho que o segmento mais precário do SBT precisa de maior atenção, e voltar a fazer jornalismo como antigamente de maneira tradicional.

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    1. O sbt Brasil faz um jornal razoável

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    2. Jornal das Pernas era o mesmo jornal do Hermanno, mas com outro comando e cenários. Era exatamente o mesmo conteúdo, sem tirar nem por. Então não houve "inovação". Houve somente a "ousadia" de mostrar as pernas das apresentadoras. Coisas de SS...

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  4. Eae André. Não sei não, mas hoje a maioria das âncoras nos jornais de bancada são lindas. Tudo isso começou com o Jornal das Pernas? kkk

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    1. Hahaha, olha só! Pode ser. Jornal das Pernas fez história!

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