sexta-feira, 12 de julho de 2019

História da TV: relembre a curta trajetória da TV JB, a televisão do Jornal do Brasil


No final de 2006, a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) arrendou parte da programação da CNT, emissora que estava jogada às traças já naquela época. Assim, entre o final de 2006 e início de 2007, surgia a CNT/JB, e o grupo responsável pelo tradicional Jornal do Brasil começava a lançar alguns novos programas. A partir de abril de 2007, surgia em definitivo a TV JB, que controlava a programação da CNT diariamente, entre 18 horas e 0h. Nascia um novo canal de TV no Brasil.

Nelson Tanure, presidente da CBM, afirmava que a ideia da TV JB era oferecer ao público uma programação de qualidade. Assim, no dia 17 de abril de 2007, a nova emissora iniciava sua grade com a estreia do programa juvenil Na Rua, apresentado por Léo Almeida. Com plateia e convidados ao vivo, a atração lembrava o Programa Livre, funcionando como uma arena adolescente para se debater vários assuntos.

A programação jovem da TV JB continuava com o + Pop, programa com clipes e informações musicais apresentado por Luiza Sarmento. Em seguida, a emissora exibia a novela Coração Navegador. Na verdade, tratava-se da série luso-brasileira Segredo, produzida através de uma parceria entre a Stopline Filmes, Accorde Filmes e RTP1, gravada em 2004 no Brasil e exibida originalmente em Portugal entre 25 de setembro de 2004 e 9 de janeiro de 2005, em 28 episódios. A TV JB exibiu a produção, que contava com nomes como Ingra Liberato e Maria João Bastos, dublada. Porém, a emissora exibiu apenas 15 dos 28 episódios da produção e começou a reprisá-los sem qualquer justificativa.

Na sequência de Coração Navegador, a TV JB exibia uma espécie de linha de shows, com programas de meia hora exibidos sempre às 21h30. Entre as atrações desta faixa, o destaque era o Cine Set, programa sobre cinema apresentado por Isabel Wilker; e o Loucos por Bola, esportivo com Alexandre Araújo, Smigol e Lopes. Depois, de segunda a sexta, às 22 horas, entrava no ar o carro-chefe da emissora: Telejornal do Brasil, apresentado por Bóris Casoy. O jornal trazia as notícias do dia, priorizando as análises dos fatos e os comentários do âncora. Além de Bóris, a TV JB contava com Clodovil Hernandes como uma de suas estrelas, comandando o talk show Por Excelência nas noites de domingo.

Algum tempo depois de sua estreia, a TV JB ampliou a faixa na qual operava, lançando também um programa matinal. Manhã Mulher era apresentado por Ney Gonçalves Dias e Nani Venâncio, seguindo os moldes dos tradicionais programas femininos. Porém, algum tempo depois, o programa passou a ocupar parte da programação noturna, tendo o nome alterado para Nei & Nani.

Mas a vida da nova emissora não era fácil. Com traço na audiência, sem repercussão e nem faturamento, a TV JB logo enfrentou sérios problemas financeiros. A emissora, então, suspende o pagamento do arrendamento da CNT, e também o aluguel dos estúdios de Gugu Liberato, que estavam sendo usados como sede do canal. Em agosto, a grade de programação da TV JB passou a mudar constantemente por conta da crise. Neste meio-tempo, a família Martinez pede a quebra do contrato de arrendamento e, em setembro do mesmo ano, a TV JB deixa de transmitir sua programação pelo canal. A CNT, então, “ressurgia”, retomando a produção do CNT Jornal e exibindo reprises de seus programas dos anos 1990.

A TV JB, então, tentou uma sobrevida, associando-se à recém-inaugurada Rede Brasil em setembro daquele ano. No entanto, após uma semana no ar, a CBM decidiu encerrar seu projeto de televisão, demitindo nada menos que 200 funcionários. No mesmo mês, o grupo solicitou um levantamento de todas as emissoras de TV à venda no período para tentar relançar o canal. Mas já era tarde. A TV JB era extinta em definitivo, tornando-se uma das emissoras de vida mais curta da história da TV brasileira.

André Santana

6 comentários:

  1. Foi um fiasco e tanto a TV JB e desperdiçaram tanto dinheiro pra fazer televisão acabaram se dando mal e acelerou a decadência do Jornal do Brasil que não tinha mais relevância no impresso.

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    1. Sim. Na verdade, me pareceu um projeto mal elaborado. Investiram uma grana numa programação até interessante, mas parece que esqueceram de investir em publicidade. Muita gente nem ficou sabendo que essa TV existiu. A imprensa pouco falava, a TV pouco repercutiu. Faltou divulgação, faltou publicidade, assessoria de imprensa... Um canal que tinha nomes como Bóris Casoy e Clodovil passar em branco é sinal de que fizeram algo muito errado.

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  2. Pena que não deu certo , a ideia era boa ! Infelizmente qualidade e audiência não caminha junto na tv aberta !
    Sempre comentamos a absurda gestão da rede CNT ,sempre as tracas ,vendida a igreja universal por 22 horas e nada é feito pelo ministério
    Lembrando que o senhor Jair Bolsonaro que amigo pessoal de Edir Macedo ,então vejo que isso vai continuar infelizmente ,muito triste !

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    1. Pois é Caio, mas como eu disse na resposta ao Kleber, a TV JB falhou no campo da divulgação. Muita gente não sabia que a TV existia. Até hoje não sabem, rsrs! Dá um Google e veja como saiu pouca coisa sobre a TV JB na imprensa. É esquisito uma então "potencia" como o Jornal do Brasil não ter sabido vender seu peixe.

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  3. Eae André. Esse texto me fez lembrar da Play TV. Era uma "MTV" que não durou muito tempo.

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    1. Play TV era meio voltada aos games também, não? Tinha uma programação interessante.

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