terça-feira, 25 de junho de 2019

Com novela portuguesa, Band pode sacudir sua dramaturgia

Vingançaaaa!
Depois de desistir de produções nacionais e passar um tempo sem exibir novelas, a Band achou um novo filão ao apostar em novelas turcas. As Mil e Uma Noites abriu uma nova faixa de folhetins no canal e rendeu bons números no Ibope. Suas sucessoras, também oriundas da Turquia, também não decepcionaram. No entanto, de uns tempos pra cá, as novelas turcas perderam fôlego. A atual, Minha Vida, não empolgou e a direção da Band optou por mudar a estratégia. 

Assim, a substituta de Minha Vida não será uma novela turca, e sim uma trama vinda de Portugal. Ouro Verde, novela da TVI exibida em 2017, foi adquirida pela emissora e já tem chamadas no ar, embora a Band ainda não tenha divulgado a data de estreia. Trata-se de um dramalhão de produção caprichada, que conquistou o Emmy de melhor telenovela em 2018, e que tem vários atores conhecidos dos brasileiros.

No elenco, há nomes como Silvia Pfeifer (atualmente em Topíssima), Zezé Motta (vista recentemente em O Outro Lado do Paraíso), Pedro Carvalho (no ar em A Dona do Pedaço), Diogo Morgado (que participou de Revelação, no SBT), Bruno Cabrerizo (atualmente no elenco de Órfãos da Terra), Úrsula Corona (vista em O Astro), Adriano Toloza (de Verdades Secretas), Cassiano Carneiro (o Zé Carijó do Sítio do Picapau Amarelo), Paulo Pires (ator português que participou de Salsa e Merengue) e Gracindo Jr (de Plano Alto e novelas da Globo e Record).

O protagonista é Jorge Monforte (Diogo Morgado), um empresário brasileiro, dono do império Ouro Verde, um dos líderes mundiais no mercado agropecuário. Ele acaba de adquirir uma importante participação no Banco Brandão Ferreira da Fonseca (BBFF), uma empresa familiar liderada pelo poderoso banqueiro português Miguel Ferreira da Fonseca (Luís Esparteiro). A novidade não é bem acolhida na família do banqueiro, que suspeita das reais intenções daquele estrangeiro. Jorge, na verdade, é Zé Maria Magalhães, dado como morto há 15 anos, que volta agora para se vingar da morte de seu pai, João Magalhães (Paulo Pires), que era diretor financeiro do BBFF. Quando acontece um escândalo financeiro na empresa, João é usado com bode expiatório e acaba eliminado numa queima de arquivo.

Ou seja, trata-se de um novelão clássico, mais um inspirado no bom e velho Conde de Monte Cristo. A história folhetinesca e o elenco com rostos conhecidos podem ser um apelo para que Ouro Verde chame a atenção do público e consiga uma audiência satisfatória para os padrões da Band. Uma boa sacada da emissora, que já vinha se fortalecendo numa estratégia de oferecer novelas que sejam alternativas às produções globais, às religiosas da Record e às mexicanas do SBT. A televisão portuguesa vive um bom momento com seus folhetins. Trazê-los para o Brasil, sem dúvidas, é uma estratégia bem interessante.

Vale lembrar que não é a primeira vez que a Band tenta emplacar novelas portuguesas em sua programação. Em 2004, a emissora fechou uma parceria com a TVI e trouxe duas produções de lá: Olhos D'Água e Morangos com Açúcar. O plano era que o dramalhão adulto Olhos D'Água revitalizasse as tardes da emissora, enquanto a juvenil Morangos com Açúcar deveria ocupar o horário nobre, marcando o fim do Show da Fé. Porém, a emissora mudou de ideia. Olhos D'Água não emplacou à tarde e foi realocada para o estranho horário das 8h30… da manhã! Já Morangos com Açúcar, uma espécie de Malhação portuguesa que somou mais de 2000 episódios, acabou estreando à tarde, no lugar de Olhos D'Água, e também passou em brancas nuvens. A Band exibiu apenas a primeira temporada e desistiu dos folhetins portugueses logo depois.

André Santana

2 comentários:

  1. Tenho uma breve memória de outra novela da Band, uma brasileira que não lembro o título, que era transmitida lá pelas 23h.

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    1. Mister Ed, a Band teve várias novelas nacionais. Se você está falando de uma coprodução com Portugal, creio que se refere à Paixões Proibidas, não? Era uma boa novela, mas não emplacou e o canal mudou o horário para 17h30, destruindo a obra.

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