quinta-feira, 27 de junho de 2019

Angélica não volta ao ar este ano, diz site

Esperando sentada

O que já parecia provável se confirmou: a apresentadora Angélica não deve estrear seu novo programa este ano na Globo. Segundo o site Notícias da TV, a equipe que trabalhava na implantação do novo projeto foi demitida há duas semanas. A matéria assinada por Ana Cora Lima afirmou que Angélica ficou desapontada com a suspensão do programa, mas que foi prometido a ela que a atração deve vingar em 2020. A mesma matéria ainda afirma que a comunicação da Globo negou as demissões, limitando-se a dizer que “existem projetos em discussão, mas nada definido”.

Com isso, Angélica deve ficar, no mínimo, dois anos sem um espaço próprio na TV. Algo novo na carreira da artista, que estreou como apresentadora aos 12 anos na Rede Manchete e nunca ficou muito tempo fora do ar. Na Globo, onde ela estreou em 1996, Angélica havia ficado longe do vídeo apenas por dois meses, entre agosto e outubro de 2000, na fase de transição entre o Angel Mix e o Bambuluá. Quando o segundo infantil chegou ao fim, a loira já dava expediente no Vídeo Game, do Vídeo Show. Além disso, dividiu as aparições no vespertino com a apresentação do Fama e, depois, com o Estrelas. Neste meio-tempo, se ausentou apenas durante suas licenças-maternidades.

Porém, desde o fim do Estrelas, Angélica se encontra em compasso de espera. Neste meio-tempo, choveram especulações. Falou-se que ela comandaria um novo game show aos moldes do Passa ou Repassa, e até que ela ia deixar a Globo. A emissora não fala sobre os contratos de seus artistas, mas sabia-se que o de Angélica venceria no segundo semestre do ano passado. Como ela segue sendo tratada como funcionária pela casa, deduz-se que houve renovação. Neste contexto, foram surgindo notícias sobre um novo programa: que seria uma atração com entrevistas, que trataria de assuntos relacionados a comportamento e que seria de temporadas, possivelmente exibido nas noites de quinta-feira.  Geninho Simonetti era o diretor.

O cancelamento (ou adiamento) do novo programa tem a ver com o atual momento da Globo. A emissora colocou o pé no freio e tem limitado estreias. Já havíamos comentado aqui que o novo programa de Fernanda Gentil, prometido para este ano, também estava “de rosca” e devia ficar apenas para o ano que vem. Angélica, como se vê, segue o mesmo caminho. Ou seja, se 2019 seria o ano de muitas mudanças na grade da Globo, tais mudanças foram vistas apenas nos cancelamentos, como do Bem Estar e do Vídeo Show. Praticamente não houve estreias no campo do entretenimento fora da dramaturgia. Tá Brincando, a única novidade, já foi cancelado e seu apresentador, Otaviano Costa, dispensado. Sinal de que a emissora está receosa com o contexto econômico atual e sem coragem para arriscar.

Enquanto isso, Angélica deve se limitar a continuar aparecendo como convidada dos programas da casa. Recentemente, ela participou do Gonga La Gonga, no Caldeirão do Huck. Uma pena. Aliás, pelo que foi dito do novo projeto da loira, sempre me pareceu que o novo programa tinha todo o jeitão de GNT. Será que ninguém na Globo pensou em fazer uma coprodução com o canal pago para viabilizar a atração? Poderiam fazer como o Lady Night, com exibições no GNT e uma temporada no canal aberto. O Grupo Globo já está adotando uma política de integração entre seus canais, e este projeto poderia entrar nesta nova política. Seria bem interessante.

Mas há quem acredite que a Globo parece não ter mais interesse em Angélica. Ou ainda que ela vem sendo cozinhada pelo canal em razão das pretensões políticas de seu marido. Se fosse algo neste sentido, por que não a dispensam logo? Ao menos ela estaria livre para buscar novos ares. É uma pena essa situação!

André Santana

terça-feira, 25 de junho de 2019

Com novela portuguesa, Band pode sacudir sua dramaturgia

Vingançaaaa!
Depois de desistir de produções nacionais e passar um tempo sem exibir novelas, a Band achou um novo filão ao apostar em novelas turcas. As Mil e Uma Noites abriu uma nova faixa de folhetins no canal e rendeu bons números no Ibope. Suas sucessoras, também oriundas da Turquia, também não decepcionaram. No entanto, de uns tempos pra cá, as novelas turcas perderam fôlego. A atual, Minha Vida, não empolgou e a direção da Band optou por mudar a estratégia. 

Assim, a substituta de Minha Vida não será uma novela turca, e sim uma trama vinda de Portugal. Ouro Verde, novela da TVI exibida em 2017, foi adquirida pela emissora e já tem chamadas no ar, embora a Band ainda não tenha divulgado a data de estreia. Trata-se de um dramalhão de produção caprichada, que conquistou o Emmy de melhor telenovela em 2018, e que tem vários atores conhecidos dos brasileiros.

No elenco, há nomes como Silvia Pfeifer (atualmente em Topíssima), Zezé Motta (vista recentemente em O Outro Lado do Paraíso), Pedro Carvalho (no ar em A Dona do Pedaço), Diogo Morgado (que participou de Revelação, no SBT), Bruno Cabrerizo (atualmente no elenco de Órfãos da Terra), Úrsula Corona (vista em O Astro), Adriano Toloza (de Verdades Secretas), Cassiano Carneiro (o Zé Carijó do Sítio do Picapau Amarelo), Paulo Pires (ator português que participou de Salsa e Merengue) e Gracindo Jr (de Plano Alto e novelas da Globo e Record).

O protagonista é Jorge Monforte (Diogo Morgado), um empresário brasileiro, dono do império Ouro Verde, um dos líderes mundiais no mercado agropecuário. Ele acaba de adquirir uma importante participação no Banco Brandão Ferreira da Fonseca (BBFF), uma empresa familiar liderada pelo poderoso banqueiro português Miguel Ferreira da Fonseca (Luís Esparteiro). A novidade não é bem acolhida na família do banqueiro, que suspeita das reais intenções daquele estrangeiro. Jorge, na verdade, é Zé Maria Magalhães, dado como morto há 15 anos, que volta agora para se vingar da morte de seu pai, João Magalhães (Paulo Pires), que era diretor financeiro do BBFF. Quando acontece um escândalo financeiro na empresa, João é usado com bode expiatório e acaba eliminado numa queima de arquivo.

Ou seja, trata-se de um novelão clássico, mais um inspirado no bom e velho Conde de Monte Cristo. A história folhetinesca e o elenco com rostos conhecidos podem ser um apelo para que Ouro Verde chame a atenção do público e consiga uma audiência satisfatória para os padrões da Band. Uma boa sacada da emissora, que já vinha se fortalecendo numa estratégia de oferecer novelas que sejam alternativas às produções globais, às religiosas da Record e às mexicanas do SBT. A televisão portuguesa vive um bom momento com seus folhetins. Trazê-los para o Brasil, sem dúvidas, é uma estratégia bem interessante.

Vale lembrar que não é a primeira vez que a Band tenta emplacar novelas portuguesas em sua programação. Em 2004, a emissora fechou uma parceria com a TVI e trouxe duas produções de lá: Olhos D'Água e Morangos com Açúcar. O plano era que o dramalhão adulto Olhos D'Água revitalizasse as tardes da emissora, enquanto a juvenil Morangos com Açúcar deveria ocupar o horário nobre, marcando o fim do Show da Fé. Porém, a emissora mudou de ideia. Olhos D'Água não emplacou à tarde e foi realocada para o estranho horário das 8h30… da manhã! Já Morangos com Açúcar, uma espécie de Malhação portuguesa que somou mais de 2000 episódios, acabou estreando à tarde, no lugar de Olhos D'Água, e também passou em brancas nuvens. A Band exibiu apenas a primeira temporada e desistiu dos folhetins portugueses logo depois.

André Santana

sábado, 22 de junho de 2019

Há mais de um ano no ar, "As Aventuras de Poliana" tem erros e acertos

"Todo mundo tá feliz?"

Há pouco mais de um mês, em  16 de maio, a novela As Aventuras de Poliana, do SBT, completou um ano no ar. A trama tem o que comemorar, já que conseguiu manter o sucesso da faixa de novelas infantis da emissora. Mais do que isso: deu novo rumo à teledramaturgia da emissora ao buscar outra fonte de “inspiração”, sem apostar numa nova adaptação de novela latina. Desta vez, a autora Iris Abravanel usou como base o romance Pollyanna, de Eleanor H. Porter. E se deu muito bem!

A novelista foi muito feliz ao enxergar no clássico da literatura mundial um bom mote para uma novela infantil. Assim, apostou em Poliana (Sophia Valverde) e seu famoso otimismo, que contagia a todos com o “jogo do contente”. Como no livro, a menina vai viver com uma tia carrancuda depois da morte dos pais. Ela, então, ensina a todos a olhar o lado bom da vida, e consegue até transformar a tia. Trata-se de um mote conhecido dos fãs das novelas para crianças, já que lembra a mexicana Chispita, seu remake Luz Clarita, e outras tramas.

Iris Abravanel também aproveitou o know-how adquirido nas adaptações de Carrossel, Chiquititas e Cúmplices de um Resgate para rechear sua atual trama. Ao situar parte da história num colégio, a autora criou um universo povoado por crianças, jovens e adultos, amarrando tramas paralelas que deram sustentação à história da protagonista. O enredo não difere de suas novelas anteriores, mas a fórmula se mostrou irresistível ao público-alvo. E é por isso que As Aventuras de Poliana segue em alta, um ano depois da estreia.

No entanto, apesar dos resultados satisfatórios, a emissora poderia rever o tamanho de suas novelas. As Aventuras de Poliana já vem sofrendo do mesmo mal que acometeu sua sucessora, Carinha de Anjo. O mote inicial já se esgotou, e a novela começa a abusar de histórias recicladas. Além disso, rechear os capítulos com música continua sendo uma arma para aumentar a duração deles sem “queimar” trama.

Mas, para a emissora, o que importa é garantir a vice-liderança. E isso, convenhamos, As Aventuras de Poliana consegue, e com louvor. Ao que tudo indica, o público infantil costuma se afeiçoar aos personagens e os acompanha, mesmo que nada muito interessante aconteça com eles. Além disso, a repetição entre uma trama e outra também não é um problema, já que o público cresce e é constantemente renovado.

Sendo assim, se diminuir o tamanho das tramas não é um plano do SBT, a emissora devia, ao menos, seguir buscando novas fontes de inspiração. Adaptar um livro clássico deu certo. E o que não faltam são clássicos infantis para adaptar. Mas o canal poderia ousar ainda mais e apostar, também, numa novela totalmente original. Por que não?

André Santana

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Globo traz mais novidades à linha de shows com "Mestre do Sabor"

"Te cuida, Jacquin!"

O assunto não é novo, mas eu ainda não havia tido a oportunidade de comentar por aqui. Recentemente, a Globo anunciou a estreia de Mestre do Sabor, sua primeira incursão no terreno de reality culinário em horário nobre. Realizado em parceria com o GNT, e trazendo à frente o chef Claude Troisgos, a atração tem estreia prevista para outubro e ocupará as noites de quinta-feira.

Anunciado como um formato original da emissora, Mestre do Sabor parece ser uma mistura de tudo o que já foi feito na seara dos talent shows. O novo programa terá similaridades com MasterChef e cia bela, ao se colocar como uma competição entre chefs de cozinha. Mas sua mecânica vai lembrar outra atração: o The Voice! Isso porque os aspirantes a competidores terão que se submeter a uma degustação às cegas. Se aprovado, um telão será aberto e o competidor será aceito no programa por um dos três técnicos, que serão José Avillez, Kátia Barbosa e Leo Paixão. Eles vão montar times e competirão entre si em diferentes fases, assim como na competição musical.

A novidade chama a atenção por vários motivos. Um deles é o fato de a Globo ter demorado tanto tempo para se render ao filão. A emissora foi pioneira quando lançou o SuperChef, no Mais Você, mas ainda longe da linha de shows. Enquanto isso, Band, Record e SBT se lançaram num sem-número de formatos. Além do mais popular e longevo, o MasterChef, vieram também Hell’s Kitchen, BBQ Brasil, Bake Off Brasil, Batalha dos Confeiteiros, Batalha dos Cozinheiros, Top Chef e tantos outros. E foram tantos que, atualmente, o formato começa a ser alvo da análise de que estaria à beira do desgaste. A atual edição do MasterChef não aconteceu, e a mais nova aposta neste sentido, o Top Chef da Record, também não é dos mais populares. Mas, enquanto isso, o SBT só vê o Bake Off crescer a cada temporada.

Outro fator que chama a atenção é o fato de a Globo seguir disposta a apostar em formatos diferentes em sua linha de shows. Não é de hoje que as séries dividem o espaço pós-novela com realities e programas de auditório. The Voice Brasil estreia no final de julho, com edições às terças e quintas. E Mestre do Sabor irá substituí-lo às quintas-feiras. Mesmo gênero, mas com proposta distinta. Interessante. Tão interessante quanto o fato de a atração ser uma coprodução com o canal GNT, em mais um importante passo na troca de produtos e know-how entre Globo e Globosat. Um movimento super positivo.

E assim, a gente volta a especular sobre como ficará a linha de shows da Globo no último trimestre. Com o The Voice entre julho e setembro, as noites de terça e quinta já estão preenchidas. Enquanto isso, espera-se que Ilha de Ferro substitua Assédio às sextas-feiras. E o que será que virá nas noites de terça e quinta? Às quintas, Mestre do Sabor virá depois da novela, mas é possível que um segundo programa seja escalado para dividir o espaço. No ano passado, a vaga era de Os Melhores Anos das Nossas Vidas, mas a emissora não parece disposta a apostar numa nova temporada do game de Lázaro Ramos. Enquanto isso, as noites de terça também estarão vagas. Uma nova série deve pintar no primeiro horário. Mas e no segundo? Amor & Sexo ocupou a faixa em 2018, mas já está definido que este ano não haverá temporada. Seria um espaço legal para lançar o novo projeto de Angélica, não?

Falando em projeto de Angélica, será que ninguém na Globo pensou em usá-lo como uma nova parceria entre Globo e GNT? Pelo que foi dito sobre o formato, me parece um produto bem adequado para a Globosat. Enfim, especulações. Vamos ver como será.

André Santana

quinta-feira, 20 de junho de 2019

História da TV: sai "Balão Mágico", entra "Xou da Xuxa" nas manhãs da Globo

"Xeguei!"

No final do mês de junho do ano de 1986, uma grande movimentação aconteceu nas manhãs da Globo, envolvendo dois ícones infantis daquela década. No dia 28 de junho daquele ano, o programa Balão Mágico se despedia de seu público. Dois dias depois, em 30 de junho, estreava o Xou da Xuxa, maior sucesso da carreira de Xuxa Meneghel. Com a chegada de Xuxa à Globo, o clássico TV Mulher também sairia do ar.

Balão Mágico fez muito sucesso entre os anos de 1983 e 1986 entre o público infantil. A atração era apresentada pelos integrantes da banda musical infantil A Turma do Balão Mágico, como Simony, Tob (Vimerson Cavanillas), Mike (Michael Biggs), e Jairzinho (Jair Oliveira). Acompanhados deles, os personagens Cascatinha (Castrinho) e Fofão (Orival Pessini), o ser alienígena que trocava as sílabas das palavras.

Na atração, Fofão, Cascatinha e as crianças apresentavam quadros e esquetes diversos, com muito humor e música. Além disso, o programa Balão Mágico exibia muitos desenhos animados, como Manda Chuva, Zé Colmeia e outros clássicos dos anos 1980.

Entretanto, Xuxa Meneghel começava a despontar nos finais de tarde da Rede Manchete com seu Clube da Criança, despertando o interesse da Globo. A apresentadora, então, foi contratada com peso de estrela e estreou seu Xou da Xuxa no final de junho daquele ano. A atração substituiu o Balão Mágico, herdando o público infantil e vários dos desenhos animados do programa anterior. E fez história na televisão brasileira, ao elevar os índices de audiência do horário e tornando Xuxa um verdadeiro fenômeno entre as crianças brasileiras da época.

Xou da Xuxa aproveitava o formato do Clube da Criança, porém com uma produção bem mais caprichada. A plateia de crianças cresceu consideravelmente, e o cenário ganhou uma cara de parque de diversões, ganhando a clássica nave espacial pela qual Xuxa entrava no palco todas as manhãs. Marlene Mattos, que era produtora de Xuxa na Manchete, passava a assinar a direção da atração, além de assumir o comando da carreira da apresentadora.

Na atração, Xuxa promovia diversas brincadeiras com as crianças, com a clássica competição de meninos contra meninas. Além disso, cantava suas músicas, fazia coreografias e recebia muitos convidados, como Trem da Alegria, Beto Barbosa, Cid Guerreiro, Rosanah, Atchim & Espirro, Patrícia Marx, José Augusto, Dr. Silvana & Cia., Angel, Roupa Nova, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados e Sérgio Mallandro, entre muitos outros que faziam sucesso naquela época.

Xou da Xuxa também tinha outros quadros clássicos, como o sorteio de cartas, onde Xuxa premiava a audiência com brinquedos, e também esquetes nas quais Xuxa vivia personagens. Entre eles estava Vovuxa, uma simpática velhinha que adorava contar histórias e piadas; Madame Caxuxá, uma astróloga que transmitia mensagens sobre higiene e alimentação como se estivesse lendo o horóscopo do dia; Dra. Boluxa, médica que dava conselhos para as crianças de como agir no dia-a-dia em caso de resfriados e machucados; Xoxum, sábio chinês que ensinava a transformar jornais e revistas em brinquedos; e Xuxerife, que investigava denúncias feitas pelas crianças através de cartas.

Os desenhos exibidos durante o Xou da Xuxa também se tornaram clássicos da época. Pelo programa passaram animações como Caverna do Dragão, He-Man, She-Ra, Os Smurfs, Snorks, Scooby-Doo, As Tartarugas Ninja, Os Flintstones, Os Ursinhos Gummi, Os Caça-Fantasmas, Meu Querido Pônei, Thundercats, Tiny Toon, Turma da Pesada, Família Dinossauros, entre muitos outros.

Xou da Xuxa foi um verdadeiro fenômeno. Chegou ao fim no final de 1992, quando Xuxa passou a se dedicar à carreira internacional. Ela retornaria ao ar pela Globo em meados de 1993 com o dominical Xuxa, voltado para a família, que não fez muito sucesso. Em 1994, ela retornaria aos infantis com o Xuxa Park, nas manhãs de sábado.

André Santana

sábado, 15 de junho de 2019

Fim do "SBT Notícias" é mais uma pá de cal no jornalismo do SBT

"Miga, vamos mandar nosso
CV pra CNN Brasil"

O SBT sempre viveu uma relação de amor e ódio com o jornalismo. O segmento já foi alvo de muitos investimentos na emissora de Silvio Santos em algumas épocas. Porém, em outras, já foi completamente ignorado, e o SBT já teve fases em que não exibia nenhum jornal em sua programação. Atualmente, o jornalismo está em alta, visto que a emissora nunca dedicou tantas horas de sua grade ao setor. SBT Brasil, SBT Notícias e Primeiro Impacto ocupam mais de oito horas da programação diária da emissora.

Ou ocupavam. Nesta semana, o canal anunciou a extinção do SBT Notícias, jornal que ocupa toda a madrugada da emissora, exibido em três “módulos” diários, que são atualizados a cada edição. A justificativa do fim do programa, iniciativa que partiu de Silvio Santos, é que o SBT Notícias não se pagava. Com isso, deixará a grade, e será substituído por uma reprise do SBT Brasil seguido por uma edição ainda mais longa do Primeiro Impacto, que começará às 4h. Deste modo, as apresentadoras Karyn Bravo e Analice Nicolau deixam o SBT. Cassius Zeilmann segue, mas passa a ser repórter.

Com isso, o SBT segue ocupando basicamente o mesmo horário com notícias. Porém, ao substituir o SBT Notícias pelo Primeiro Impacto, a emissora abre a possibilidade para merchandising, já que o noticioso de Dudu Camargo e Marcão do Povo é liberado para a prática. Assim, portanto, a emissora troca seis por meia dúzia, mas abre mais espaço para faturamento. Primeiro Impacto se paga, então não há mais prejuízo.

Não há mais prejuízo financeiro, mas há prejuízo na imagem. Mais um para a conta do jornalismo do SBT. A emissora (leia-se o dono Silvio Santos) está completamente apaixonada pelo jornalismo controverso praticado pelo Primeiro Impacto e o estende perigosamente. Afinal, foram anos tentando emplacar um jornal popularesco, sem sucesso. O sucesso de audiência finalmente veio, porém, na figura controversa de Dudu Camargo e Marcão do Povo. Enquanto isso, profissionais do naipe de Karyn Bravo, Cassius  Zeilmann e a própria Analice Nicolau, uma “cria” da casa, perdem espaço.

Aliás, é a segunda vez que Karyn Bravo perde espaço para Dudu Camargo. Quando o Primeiro Impacto entrou no ar, era um jornal matinal mais tradicional, apresentado por ela e Joyce Ribeiro. Mas Silvio Santos resolveu apostar em Dudu e transformou o jornal num matinal que mescla jornalismo e show. A apresentadora retornou mais tarde, já no SBT Notícias, que agora tem o mesmo destino da primeira versão do Primeiro Impacto.

E assim, o jornal apresentado na base do grito e da demagogia por Dudu Camargo e Marcão do Povo vai ganhando ainda mais espaço no SBT. O programa tinha duas horas, e hoje tem quatro horas e meia. A partir de segunda-feira, terá nada menos que seis horas e meia. Uma duração inacreditável para um jornal cujo conteúdo jamais sustentou sua longa duração. O programa sempre foi marcado por reaproveitamento de materiale pelo converseiro fiado para preencher espaço.

Enquanto isso, o SBT Notícias era uma ótima ideia do canal. Ao oferecer um jornal que atravessava a madrugada, a emissora dava opção aos insones e aos trabalhadores noturnos, preenchendo um espaço anteriormente feito por tapa-buracos com um conteúdo mais útil. Deu tão certo que o SBT Notícias obrigou outras emissoras a iniciar sua programação jornalística cada vez mais cedo.

Mas a decisão não chega a surpreender. Nos últimos anos, o SBT já vinha numa onda de dispensar profissionais de grife para abrir cada vez mais espaço a este jornalismo controverso. Desde que o Jornal do SBT foi extinto e Hermano Henning dispensado, o jornalismo da emissora só fez cair em termos de qualidade e credibilidade. Carlos Nascimento é um estranho no ninho. O que é uma pena. É triste ver bons projetos chegando ao fim, enquanto projetos controversos só crescem.

André Santana

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Record acerta ao "ressuscitar" "Vale a Pena Ver Direito"

"Senhoras e senhores!"
No último sábado, 08, a Record, meio que de surpresa, trouxe de volta o Vale a Pena Ver Direito, com Marcos Mion. “Ressuscitar” a atração, que era um quadro do extinto Legendários, foi uma excelente sacada da emissora. Além de resgatar um formato divertido e que sempre rendeu bons momentos, o canal devolve, ainda que temporariamente, um espaço mais autoral para Marcos Mion. Afinal, Mion é um dos principais talentos da Record e sua atual participação na emissora se resumia ao reality A Fazenda.

Vale a Pena Ver Direito retornou com um olhar apurado, cínico e divertido do Power Couple Brasil. Mion retorna ao formato que consagrou desde os tempos da MTV, quando fazia o Piores Clipes do Mundo, e revela boas curiosidades do reality de Gugu. E o formato é absolutamente simples: Marcos Mion, ao lado de Mionzinho, exibe trechos do reality show e vai apontando momentos que poderiam passar despercebidos. Assim, tecendo comentários sarcásticos, o apresentador vai “desconstruindo” o programa que analisa.

Com isso, a emissora amplia o espaço para a repercussão do andamento do jogo dos casais. E, de quebra, ainda tapa um buraco na grade das noites de sábado, atualmente refém de reprises. Não é de hoje que o sábado da emissora está completamente jogado às traças. A saída do Legendários e a extinção recente do Programa da Sabrina fez com que a emissora reservasse o dia aos repetecos de Jezabel e Troca de Esposas. Não por acaso, o SBT nada de braçadas na faixa, com o Esquadrão da Moda e Fábrica de Casamentos

Mas o Vale a Pena Ver Direito não refrescou a situação da emissora. A estreia registrou parcos números. O que não surpreende, tendo em vista que o programa foi apresentado meio às pressas, sem muita divulgação. Além disso, como dito acima, a novidade foi “jogada aos leões”, afinal, o SBT está com uma grade forte e consolidada nas noites de sábado. 

Porém, se a Record não desistir, o Vale a Pena Ver Direito tem todas as condições de crescer. Afinal, é um projeto divertido, de baixíssimo custo, que repercute a grade da própria emissora e, ainda, injeta algum humor na programação do canal, um gênero sem representação na Record. Além, claro, de aproveitar mais Marcos Mion, uma estrela que é bem maior que A Fazenda.

PS: desculpem os últimos atrasos nas atualizações. Dias corridos. Mas teremos atualização amanhã, sexta, 14, e nosso tradicional “textão de sábado”, no dia 15. Creio que tudo volta ao normal na semana que vem. Agradeço a compreensão.

André Santana

sábado, 8 de junho de 2019

História da TV: os 36 anos de fundação da saudosa Rede Manchete

Aconteceu, virou Manchete!
No dia 05 de junho de 1983, entrava no ar a Rede Manchete, uma das mais queridas emissoras de televisão que já existiu no Brasil. A emissora deixou a sua marca na história da televisão brasileira, com uma programação ousada, caracterizada por experimentos e a revelação de grandes talentos.

A Rede Manchete pertencia ao Grupo Bloch, que publicava a revista Manchete através da Bloch Editores. Em seus 16 anos de existência, a Manchete tinha uma identidade muito bem definida e uma grade de programação variada, na qual se destacavam as coberturas esportivas e do Carnaval, o jornalismo, os infantis e, principalmente, a teledramaturgia. A emissora criou um padrão próprio na produção de novelas e minisséries, tendo cravado algumas produções no imaginário popular.

Sua primeira novela foi Antonio Maria, de 1985, escrita e dirigida por Geraldo Vietri. No entanto, seu primeiro sucesso no segmento foi sua sucessora, Dona Beija, protagonizada por Maitê Proença. Escrita por Wilson Aguiar Filho, o folhetim se destacou pelo bom texto e pelas polêmicas cenas de nudez. São lendárias as cenas da personagem-título cavalgando nua. A sensualidade, aliás, seria uma constante na produção de teledramaturgia da Rede Manchete, que exibia suas novelas num horário mais tardio.

Outras produções em teledramaturgia da Manchete também se destacaram no decorrer dos anos 1980, como Corpo Santo, Helena, Kananga do Japão e Carmem, esta última assinada por Gloria Perez e protagonizada por Lucélia Santos. No entanto, o maior sucesso da história da emissora viria em 1990: Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa. A saga da família Leôncio e a história de Juma (Cristiana Oliveira), a “moça que virava onça”, fez a audiência da Manchete ir às alturas, chegando aos 30 pontos no Ibope. Um fenômeno que nunca mais se repetiria.

No entanto, outras novelas da Manchete chamaram a atenção, como A História de Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva, outro sucesso. Brida, sua última produção, também entrou para a história, mas não por um bom motivo: com problemas financeiros, a emissora interrompeu a produção da obra, exibindo um último capítulo no qual um locutor narrava os desfechos dos personagens.

A Manchete também fez história na programação infantil. Foi a emissora que revelou Xuxa Meneghel e Angélica, que apresentaram, em fases distintas, o Clube da Criança. Além disso, o canal exibiu infantis como Lupu Limpim Clapá Topô, Dudalegria, A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco, entre muitos outros. Mas a maior marca da emissora nesta seara foi mesmo a exibição de desenhos e séries japoneses, como Jaspion, Changeman, Solbrain, Winspector, Patrini, Os Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, Sailor Moon e Yu Yu Hakusho, entre tantos outros.

O canal também tinha um jornalismo forte, visto em programas como Jornal da Manchete, Manchete Esportiva, Programa de Domingo, Repórter Manchete, entre outros. Pela emissora, passaram nomes como César Filho, Clodovil, Márcia Peltier, Claudete Troiano, Lucinha Lins, Ferreira Neto, Roberto D’Ávila, Otávio Mesquita, Sérgio Mallandro, Luiz Bacci, Tiririca, Virgínia Novick, e até os irmãos Sandy e Junior, que apresentavam o Sandy & Jr Show nas noites de sábado.

No entanto, a Rede Manchete não sobreviveu a tantas dívidas acumuladas ao longo de toda a sua existência, e acabou sendo extinta no ano de 1999. Sua concessão foi vendida para o grupo TeleTV, que fundou a RedeTV, com uma programação popularesca que em nada lembra os bons tempos da Manchete. Uma pena.

André Santana

Record não está para brincadeira em seu investimento no jornalismo

"A pauta agora é a Record"
A Record, depois de um tempo sem grandes novidades, vem mostrando que não está brincando em serviço e investindo em novidades para o seu jornalismo. O novo vice-presidente do setor, Antonio Guerreiro, segue implantando novidades, enquanto a emissora faz novas contratações. Sergio Aguiar e Ivan Moré são as mais recentes aquisições do canal da Barra Funda, que terá ainda mais jornalismo em sua grade diária.

Além dos longos jornais populares, como o Balanço Geral e o Cidade Alerta, e os noticiosos mais tradicionais, como Fala Brasil e Jornal da Record, a emissora agora terá também edições menores do JR ao longo da programação. Janine Borba, que acaba de deixar o Domingo Espetacular, é um dos nomes que estará à frente da novidade, além de Sergio Aguiar, que deixou recentemente a GloboNews. Segundo o site Notícias da TV, o JR – 24 Horas terá quatro edições diárias, sendo três delas de 10 minutos nas manhãs e tardes do canal. Já a quarta edição terá o dobro de tempo e irá ao ar na madrugada, com Aguiar no comando.

Sem dúvidas, um projeto ousado e interessante. Ao pulverizar a marca de seu principal telejornal ao longo da programação, a emissora sinaliza que o jornalismo é a sua prioridade na grade. Deve funcionar, tendo em vista que a Record já dedica grande parte de sua programação diária ao jornalismo. Além disso, agrega mais valor à marca.

Enquanto Sergio Aguiar e Janine Borba aparecem à frente do JR – 24 Horas, Ivan Moré é o próximo nome a ser anunciado pela Record. A emissora ainda espera o distrato do apresentador com a Globo sair para anunciar oficialmente, o que deve acontecer nos próximos dias. No entanto, o projeto de Moré no canal é bem esquisito: segundo o Notícias da TV, ele estará à frente do Esporte Record, que substituirá o Esporte Fantástico nas manhãs de sábado da emissora. Com a mudança, não se sabe o futuro de Mylena Ciribelli, que comanda o esportivo desde sua estreia, há 10 anos.

Digo que não faz muito sentido porque a emissora vai substituir um programa esportivo pelo outro. E justamente num momento em que o Esporte Fantástico vive uma fase tranquila na audiência. Além disso, o canal vai pisar feio na bola se dispensar Mylena, que sempre carregou, com dignidade, a parca programação esportiva da emissora. Por que não aproveitar Moré e Mylena num Esporte Fantástico reformulado?

André Santana

terça-feira, 4 de junho de 2019

Com novo diretor, entretenimento da Globo vive momento estático

"Aguardando as ordens do chefe"
Deu no Notícias da TV ontem, 03/06: no cargo de Diretor de Entretenimento da Globo há seis meses, o jornalista Mariano Boni acabou com programas e ainda não promoveu nenhum lançamento. Desde que assumiu o cargo, no final do ano passado, Boni apenas extinguiu os programas Vídeo Show e Bem Estar, que hoje têm sobrevida como quadros de programas como Mais Você, Encontro e É de Casa. Até aqui, não há nenhum novo programa à vista no núcleo do novo diretor. 

Mariano Boni, que era diretor executivo do jornalismo, passou a dividir com Boninho os programas de entretenimento da Globo quando Ricardo Waddington, que ocupava o cargo, passou a responder pela Direção de Produção. Com isso, os produtos deste gênero ficaram divididos entre “programas com entrevistas” e “games, realities, musicais e variedades”. Boninho, que até então cuidava dos programas diários matinais, vespertinos e realities, passou a responder por vários semanais de entretenimento, até então com Waddington, além de continuar com os realities. Mas perdeu o comando dos matinais, como o É de Casa, idealizado por ele.

No guarda-chuva de Mariano Boni, os tais “programas de entretenimento com entrevistas”, entraram Mais Você, Encontro, Vídeo Show, Bem Estar, Conversa com Bial, É de Casa, Altas Horas e Amor & Sexo. Ficou claro, então, que a Globo queria a visão de um jornalista com experiência no campo executivo para aperfeiçoar o conteúdo dos programas que têm na conversa sua força motriz. Uma ideia boa, diga-se. No entanto, na prática, o que se viu até aqui foi a maior presença dos programas ao vivo na cobertura de grandes acontecimentos. Há uma clara maior flexibilização da grade para acomodar entradas de jornalismo ao vivo. Sem dúvidas, uma marca da nova gestão.

Porém, a nova direção se viu incapaz de solucionar dois dos problemas da grade da Globo que passaram a ser sua responsabilidade, o Bem Estar e o Vídeo Show. A saída encontrada, então, foi a simples extinção das duas atrações. A medida pareceu apressada, sobretudo no que se refere ao Vídeo Show. Tudo bem que o programa já havia passado por inúmeras reformulações e estava claramente desgastado. Mas caberia à nova direção uma última tentativa. Até porque a visão de um jornalista poderia trazer ao Vídeo Show justamente um conteúdo mais jornalístico. Já imaginou o olhar de um repórter curioso acerca dos bastidores da TV? Poderia render pautas bem mais interessantes que as bobajadas que o Vídeo Show exibia em seu respiro final.

Mas preferiram tirar do ar para substituir por nada. E, até agora, a grande aposta da gestão de Mariano Boni seria o novo programa com Fernanda Gentil, que parece mais um amontoado de ideias do que um projeto propriamente dito. É evidente que a Globo tenta se reajustar neste momento de crise, e não quer mais queimar cartuchos com estreias sem garantias. Algo válido e prudente. No entanto, apenas tirar programas do ar com soluções improvisadas parece saída de quem não tem muita ideia do que está fazendo. Enquanto isso, estamos no meio do ano e, até agora, não se sabe o que vai ser da grade da emissora.

André Santana

sábado, 1 de junho de 2019

"Aqui na Band" resgata a clássica revista eletrônica matinal

"Te cuida, César Filho!"

Se Vildomar Batista, diretor de TV com longos serviços prestados, tem algum sucesso incontestável no currículo, este atende pelo nome de Hoje Em Dia, da Record. Foi o diretor que deu ao matinal a relevância que o programa ostentou em seus anos de glória. Para quem não se lembra, o Hoje Em Dia nasceu em 2005, sob a batuta de Wanderley Villa Nova, e estreou com resultados medianos. Foi a partir da entrada de Batista que o programa se firmou como o carro-chefe da programação de entretenimento do canal.

Ainda comandado por Britto Jr, Ana Hickmann e Edu Guedes (posteriormente, Chris Flores se juntou ao time), Hoje Em Dia se tornou a menina dos olhos da Record. Cheia de prestígio, a atração era uma espécie de revista oficial da emissora. Era ali que as grandes estreias eram anunciadas e que as estrelas da casa eram entrevistadas. Tanto que foi no Hoje Em Dia que nasceu a ideia do amigo secreto reunindo os artistas do canal, que segue acontecendo todo final de ano, e que se transformou no especial Família Record. O programa também se tornou referência e os demais canais tentaram imitá-lo. Na esteira, surgiram Olha Você, no SBT; Dia Dia, na Band; e Manhã Maior, na RedeTV. Nenhum vingou, diga-se.

Faz tempo que Vildomar Batista deixou o Hoje Em Dia. E, atualmente, o programa não é mais o que um dia já foi. A audiência não decepciona, mas o formato está bem diferente. Além da mudança de apresentadores, o Hoje Em Dia se tornou um programa mais segmentado, no qual os assuntos não “conversam” entre si. Exemplo disso é o bloco de notícias, apresentado por César Filho (e somente ele), e que ocupa a maior parte do matinal. As demais apresentadoras aparecem depois, nos outros quadros. Ou seja, o Hoje Em Dia perdeu a descontração entre seus comandantes, uma marca de seus tempos áureos. Em suma, está mais engessado.

Pois foi justamente este formato mais clássico que Vildomar Batista parece querer retomar, com a estreia do Aqui na Band, novidade da semana na Band (claro!). O novo matinal do canal dos Saad repete a fórmula clássica do Hoje Em Dia, mesclando informação, entretenimento e prestação de serviço. Tem à frente dois jornalistas com ampla experiência e muita empatia junto ao público, Silvia Poppovic e Luis Ernesto Lacombe. De quebra, bebe também da fonte do lendário TV Mulher, com um time de especialistas em colunas fixas, fazendo do programa uma grande e descontraída conversa.

Aqui na Band não traz nada de novo, é verdade, mas tem o trunfo de se colocar um programa mais harmônico e divertido. Ali estão as notícias do dia, as pautas sobre saúde e comportamento e as entrevistas diversas. Deste modo, se coloca como um programa honesto, bem adequado ao horário de exibição e ao seu público-alvo, tendo em vista que é uma atração que se pode assistir ao mesmo tempo em que se faz outras coisas. Além disso, a flexibilidade do formato permite com que Aqui na Band converse com vários públicos, diferente de seu “antecessor” Superpoderosas, segmentando ao extremo.

Mas nem tudo são flores. Aqui na Band tem o espinhoso desafio de fazer o público “redescobrir” a emissora. Afinal, a Band vive uma crise de audiência geral. E isso acaba afetando a programação como um todo. Isso explica, por exemplo, porque O Aprendiz, um programa bem acima da média do canal, está minguando com mísero um ponto no Ibope. Os constantes erros de estratégia da Band afastaram um bom público do canal. E, para reconquistá-los, é preciso paciência.

Aqui na Band tem suas qualidades e alguma chance de fazer o público do horário crescer. Mas a direção da emissora precisará de paciência, afinal, isso não acontece do dia para a noite. Já é uma vitória a Band optar por investir em conteúdo. Resta, agora, traçar estratégias para fazer com que o público descubra este conteúdo. Difícil. Mas não é impossível.

André Santana