terça-feira, 28 de maio de 2019

Autores "medalhões" podem escrever para a faixa das seis, diz colunista

"Pensando aqui numas ideias..."

A direção de teledramaturgia da Globo, capitaneada por Silvio de Abreu, já tem a fila das próximas produções para o horário das nove. Haverá uma série de estreias na faixa, com as novelas de Manuela Dias, Lícia Manzo e Alessandra Poggi, que atualmente estão escaladas para entrarem (nesta ordem... ou não) na sequência de A Dona do Pedaço. Depois das “novatas”, João Emanuel Carneiro aparece na lista. Gloria Perez pode vir em seguida.

Trata-se, sem dúvidas, da maior renovação de autores do horário dos últimos tempos. O que é bem saudável, já que traz novidades para a faixa nobre. Porém, para os espectadores fanáticos, fica também a “saudade” de seu autor favorito. Nomes como Gilberto Braga, Manoel Carlos e companhia, que declararam estar dispostos a assinar apenas histórias mais curtas, têm seus fãs. Neste contexto, a notícia dada por Patrícia Kogut, colunista de O Globo, é digna de comemoração.

Segundo Kogut, a ideia da Globo, agora, é voltar a apostar em histórias mais curtas às seis (que já teve suas experiências com Estrela Guia, Meu Pedacinho de Chão e Sete Vidas). E que estão na mira para assinarem estas produções justamente os autores mais tarimbados da emissora, que não estão mais dispostos a encarar a pauleira de uma novela grande na faixa das nove. A jornalista noticiou que a emissora solicitou a autores importantes, como Gilberto Braga, para apresentarem sinopses de histórias curtas para o horário.

Desde que a Globo abriu a “novela das onze”, depois chamada de “supersérie”, autores veteranos viram o espaço com bons olhos. E justamente Gilberto Braga e Manoel Carlos demonstraram interesse em desenvolver histórias para a faixa, seduzidos com o formato mais curto e exibido em horário avançado, onde temas mais ousados são permitidos. No entanto, sabe-se lá por que, nenhum autor da velha guarda conseguiu emplacar histórias no horário, que ficou nas mãos de nomes como Alcides Nogueira, Mário Teixeira, Ricardo Linhares e Walcyr Carrasco (experientes, mas de outra geração), e de autores “novos”, como George Moura, Sergio Goldenberg, Angela Chaves e Alessandra Poggi. Para piorar, a “supersérie” perdeu espaço na programação. 2019 não contou com a produção, mas há projetos para 2020.

Se os veteranos “aposentados” do horário das 21h não puderam se aventurar às 23h, poderão, então, trazer algum frescor ao horário das 18h, atualmente a faixa que traz produções mais variadas. Em sua nota sobre a novidade, Patrícia Kogut falou apenas de Gilberto Braga, mas o blog torce também pela volta de Manoel Carlos (creio que ficou claro, já que o novelista foi citado trocentas vezes neste texto). Ambos ótimos autores, que não desejam mais voltar ao horário nobre, e que, de quebra, têm experiência às seis. Novelas curtas assinadas por grifes têm tudo para fazer com que o horário das seis continue surpreendendo. Uma ótima ideia, e já estamos ansiosos!

André Santana

sábado, 25 de maio de 2019

Como receita de bolo, "A Dona do Pedaço" foi feita para dar certo

"Bolo, senhora?"

Pouco mais de um ano depois do final de O Outro Lado do Paraíso, Walcyr Carrasco está de volta ao horário nobre da Globo. E sua missão é clara e evidente: recuperar os índices de audiência perdidos por suas antecessoras, Segundo Sol e, principalmente, O Sétimo Guardião. Se a pretensa fantasia de Aguinaldo Silva não deu certo, Carrasco aposta numa história totalmente à prova de erros. A Dona do Pedaço entrou em cena com um dramalhão despudorado, com todos os ingredientes mais básicos para conquistar o espectador.

Para a primeira fase, que se encerrará na próxima segunda-feira, 27, o tom adotado foi o de faroeste. Numa mistura entre Romeu e Julieta e Hatfields e McCoys, fomos apresentados aos protagonistas, Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira). Herdeiros de duas famílias de matadores de aluguel rivais, os dois viveram uma paixão fulminante, que culminou com um tiro no noivo em pleno altar. E tudo isso apenas no primeiro capítulo.

Acreditando que o amado morreu e temendo por sua vida, Maria da Paz foge para São Paulo. Ali, vai viver com uma nova amiga, Marlene (Sueli Franco), que é vizinha de uma casa invadida por uma família de sem-teto, liderada por Dodô (Rosi Campos) e Eusébio (Marco Nanini). Enquanto os vizinhos dão o tom cômico da obra, Maria da Paz segue seu calvário de mocinha de novela. Logo ela arruma um emprego como doméstica, mas descobre estar grávida e perde o trabalho. É aí, então, que ela resolve fazer bolos para vender. Prática que aprendeu com a avó Dulce (Fernanda Montenegro), uma atiradora que é, também doceira de mão cheia, os bolos levarão Maria da Paz ao sucesso, já se sabe. Ah, tudo isso temperado com os diálogos didáticos e piegas que só Walcyr Carrasco sabe fazer. O tatibitate, que consiste em repetir palavras à exaustão (“pacto”, “bolo”.... “o pacto, ah, o pacto.... o bolo, ah, o bolo!”), não poderia faltar.

Ou seja, nesta primeira fase, A Dona do Pedaço se mostrou praticamente como um dramalhão mexicano. Do nome nada sutil da protagonista à sua trajetória cheia de percalços, tudo ali é baseado no clichê mais profundo do folhetim. O que não é um demérito, longe disso. Como já dito aqui anteriormente, clichês, se bem utilizados, rendem histórias saborosíssimas. E sabor, aliás, é um dos temas da obra que conta a vida de uma bem-sucedida boleira. Neste tempo em que culinária está na moda na TV, uma novela que tem como pano de fundo uma confeitaria parece ser uma receita infalível.

Como se não bastasse, a trilha sonora escolhida também foi feita para agradar na marra. Do pagode otimista da abertura, passando pelo hit do karaokê “Evidências” (aliás, chega a ser até covardia incluir essa canção na novela... só isso já ganhou a internet!), o que não faltam são músicas populares que grudam feito chiclete na mente do espectador.

Entretanto, o amontoado de clichês de A Dona do Pedaço vem envolto numa bela embalagem. A direção artística de Amora Mautner, profissional conhecida pela criatividade, deu à novela um visual de encher os olhos, sobretudo nas cenas do Espírito Santo, onde vivem os Montéquio e os Capuleto, ops, os Matheus e os Ramirez. Takes criativos, fotografia impecável e cenários convincentes dão à A Dona do Pedaço uma estética muito bem realizada.

Além disso, há uma clara harmonia na direção de atores, que os colocou no mesmo patamar. Juliana Paes e Marcos Palmeira lideram com muito vigor um elenco que conta com participações luxuosas de Nívea Maria, Jussara Freire, Nathalia Timberg, Natália do Vale, José de Abreu, Marco Nanini e Betty Faria, entre outros. Destaque, claro, à Fernanda Montenegro, que vive uma das poucas personagens que foge do clichê: ela é a vovozinha que ensina a neta a fazer bolos, mas é também uma perigosa atiradora.

Assim como receita de bolo, Carrasco seguiu direitinho sua receita de sucesso. É inegável que o autor sabe o que agrada ao público de novelas e não tem vergonha em usar todas as armas das quais dispõe. E, justiça seja feita, até aqui, a receita funcionou direitinho. Por isso, A Dona do Pedaço tem tudo para ser mais um sucesso em sua galeria de sucessos. A conferir.

André Santana

"Topíssima" tem protagonista controversa, mas história tem potencial

"Sou empoderada!"

Cristianne Fridman é uma das mais festejadas autoras da Record. Dona de sucessos, como Chamas da Vida e Vidas em Jogo, a novelista é uma das poucas (senão a única) sobrevivente da “velha guarda” de autores da Record, que fez histórias com as arrojadas tramas das 22h exibidas entre 2006 e 2012. Ela se adaptou ao atual momento do canal, ao assinar a macrossérie bíblica Jezabel, mas seu forte é mesmo a novela convencional. E a estreia de Topíssima, apesar do nome pavoroso, deixou uma boa impressão, mesmo com a apresentação equivocada da mocinha da história no primeiro capítulo.

Na estreia, Sophia (Camila Rodrigues) aborreceu na maioria das cenas em que apareceu, desenhada como uma patricinha esnobe e voluntariosa. Sua empregada, Clementina (Cláudia Mello), deu a dica de que Sophia tenta aparentar o que não é. No entanto, tudo o que foi visto no primeiro episódio contradisse a fala da governanta.

Além de cultivar o estranho hábito de observar o humilde motorista Antonio (Felipe Cunha) com uma luneta, Sophia surgiu também com um ar blasé em vários momentos. Ela também mostrou certa ojeriza aos homens, quando a mãe Lara (Cristiana Oliveira) a fez assinar um papel no qual concordava em se casar dentro de um ano para assumir a presidência da universidade da qual é dona. Foi assim que a autora quis passar a mensagem de que Sophia é uma feminista. E isso é perigoso. A novela pode cair na armadilha de tratar o feminismo como uma luta contra os homens. Obviamente, não é isso.

No entanto, é bem possível que Sophia vá além da simples caricatura. O texto deixou brechas para que a personagem, aos poucos, mostre que a pose de dondoca é apenas uma casca. E que ela, afinal, é a heroína da história. O bom desempenho de Camila Rodrigues também ajuda a fazer da mocinha alguém que desperta simpatia, apesar da aparente arrogância. Fica a torcida para que isso aconteça.

Mas, relevando a apresentação equivocada de Sophia, Topíssima mostrou algumas qualidades. Fridman é uma novelista experiente e entende a arquitetura do bom folhetim. Isso foi visto no primeiro capítulo da obra, que apresentou os principais personagens com eficiência e agilidade. Além disso, a autora conseguiu mesclar bem o típico romance de gato e rato com assuntos contemporâneos, incluindo até uma trama sobre tráfico de drogas dentro de uma universidade. Com isso, resgatou o bom folhetim policial, que a emissora consagrou no passado.

O elenco também é interessante. Felipe Cunha, o mocinho, é um rosto conhecido de outras tramas da Record, mas aparece aqui como destaque. Não decepcionou. Também é bom ver Cristiana Oliveira com uma boa personagem contemporânea. A perua Lara é um tipo interessante. Enquanto isso, Silvia Pfeifer surge (salvo engano, pela primeira vez numa novela) como uma mulher humilde, Mariinha. E é impressionante que, mesmo com figurino simples e sem maquiagem, ela ainda exala elegância.

Com Topíssima, a Record mostra que não perdeu a mão na produção de novelas contemporâneas. A história tem potencial e surge dando um respiro na teledramaturgia da casa. Afinal, é certo que o canal descobriu um nicho com suas novelas bíblicas, mas é certo também que elas começam a mostrar cansaço. Topíssima, então, pode ser o produto que faltava para que a emissora mantenha seu segundo horário de novelas com boas produções. A estreia mostrou que é possível. Mais do que isso: é necessário.

André Santana

terça-feira, 21 de maio de 2019

História da TV: Os 28 anos do lendário "Aqui Agora"

Ivo Morganti apresentava o Aqui Agora
No dia 20 de maio de 1991, o SBT lançava uma nova grade de programação que buscava elevar seus índices de audiência. Naquele dia, a emissora estreava uma nova faixa com novelas mexicanas, a infantil Carrossel, e a adulta Rosa Selvagem, ambas com excelentes índices de audiência. O canal também ampliava sua programação jornalística, levando a figura do âncora, lançada com o TJ Brasil de Bóris Casoy, ao fim de noite, com a estreia do Jornal do SBT com Lilian Witte Fibe. Além disso, os fins de tarde do canal não foram mais os mesmos, com o lançamento do jornal popular Aqui Agora

Inspirado num formato argentino, Aqui Agora era um jornal que tinha a intenção de falar a “língua do povo”. Com o slogan “um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!”, o programa era apresentado por Ivo Morganti e Patrícia Godoy, além de contar com vários co-apresentadores e comentaristas. Nomes como Sérgio Ewerton, Christina Rocha, Sônia Abrão, Jorge Helal, Luiz Lopes Corrêa, Sílvia Garcia, Liliane Ventura e Guilherme Contrucci, entre outros, passaram pela bancada. Entre os comentaristas, chamava a atenção a presença de Maguila (ele mesmo, o pugilista) falando sobre economia (!), e Nelson Rubens e Leão Lobo trazendo as notícias das celebridades.

Aqui Agora marcou época ao apostar em reportagens longas, quase sem cortes, mostrando muita correria entre repórteres e cinegrafistas. Essencialmente policial, a atração fazia uso indiscriminado dos caracteres na tela, normalmente com manchetes sensacionalistas. Muitos repórteres marcaram época no Aqui Agora, como Celso Russomanno, Jacinto Figueira Jr (o “Homem do Sapato Branco”), Wagner Montes, Cesar Tralli e o inesquecível Gil Gomes, que fez história com sua maneira de narrar os mais bárbaros crimes.

Com excelentes índices de audiência, Aqui Agora teve sua importância no jornalismo brasileiro. O chamado “mundo cão” ganhou outro status depois da atração, e chegou a influenciar as matérias policiais até dos jornais mais tradicionais, de todas as emissoras. Além disso, Aqui Agora foi o responsável pela proliferação dos jornais policiais. Antes dele, havia o famoso Cadeia, da Rede OM/CNT, mas foi o Aqui Agora quem popularizou o formato. Um dos filhotes mais evidentes do Aqui Agora é o Cidade Alerta, no ar até hoje na Record.

Porém, com o passar dos anos, o Aqui Agora foi mudando. Além de perder fôlego no Ibope, o jornal foi, aos poucos, amenizando seu conteúdo, numa tentativa do SBT de melhorar o seu faturamento. Assim, num determinado momento de sua história, o Aqui Agora se tornou um jornal mais tradicional, chegando a ter na bancada nada menos que Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, considerados o “casal 20” do telejornalismo brasileiro. Mas, com audiência em baixa, a atração foi cancelada em abril de 1997, sendo substituída pelo infantil Disney Club. Porém, retornou em julho do mesmo ano, quando o SBT tirou Ney Gonçalves Dias da Record. Na época, Ney era o titular do Cidade Alerta, que registrava bons índices de audiência. O Aqui Agora, então, voltou com o mesmo formato do jornal da Record, mas não deu certo. Saiu do ar em dezembro de 1997.

No entanto, como os jornais policiais seguiram nos demais canais (vieram o Brasil Urgente, da Band, e o Repórter Cidadão, da RedeTV), Silvio Santos sempre acalentou o sonho de voltar a investir no filão na faixa das 18h. Ensaiou várias retomadas: chegou a anunciar a estreia de um programa chamado Jornal Policial, que nunca aconteceu, e lançou o Jornal da Massa, com Ratinho em 2007, que não deu muito certo e se transformou num programa de humor. Mas, em 2008, a coisa tomou forma, com a volta do Aqui Agora. Luiz Bacci, Christina Rocha, Herbert de Souza e Joyce Ribeiro apresentaram a nova versão do programa. Mas a volta não deu certo, registrou baixos índices de audiência, e chegou a trocar seus apresentadores, com as entradas de César Filho e Analice Nicolau. Ficou no ar pouco mais de um mês.

Mas a volta do Aqui Agora nunca saiu do radar do dono do SBT. Entre 2009 e 2010, por exemplo, a emissora apostou no Boletim de Ocorrências, uma versão mais “modesta” da atração. Já em 2013, o canal chegou a anunciar o retorno do Aqui Agora, que seria apresentado por Neila Medeiros (“a única capaz de derrotar Datena e Marcelo Rezende”, dizia a chamada), porém, o nome do jornal acabou alterado para SBT Notícias (e não deu certo). Porém, até hoje, há quem acredite que Silvio Santos está apenas à espera de um grande nome para apresentar e ressuscitar de vez o jornal policial que marcou época.

André Santana

sábado, 18 de maio de 2019

Insossa e mal estruturada, “O Sétimo Guardião” decepcionou

"Luz, a novela desandou depois
que eu virei o Du Moscovis"

A novela das nove da Globo, de uma maneira geral, vem numa crescente fase baixo astral. E não apenas por tramas de pouco sucesso, mas também pela temática cada vez mais dura destas produções. O que não faltam são histórias pesadas, com os pés bem fincados na realidade, com muita violência e mau-caratismo, que deixam em segundo (ou terceiro) plano o romance e a fantasia. Claro, isso não quer dizer que uma novela de tom realista não possa ser boa. A Força do Querer, última unanimidade do horário, está aí para provar que é possível. Mesmo assim, faltava um alívio no horário. Faltava uma novela capaz de fazer o público simplesmente desligar da realidade e relaxar.

Por isso mesmo, a estreia de O Sétimo Guardião foi muito festejada, inclusive por este blog. A alardeada volta de Aguinaldo Silva ao realismo fantástico prometia trazer de volta ao horário nobre da Globo um tom mais alegre e colorido, nos moldes das deliciosas Tieta, Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida e A Indomada. Inclusive, na época da estreia, A Indomada estava no ar no Viva, relembrando a audiência que a novela das nove da Globo já comportou comédias da melhor qualidade. Tudo conspirava a favor da nova produção, que enfrentou uma série de dificuldades em seus bastidores para sair do papel (e mais outras tantas com a produção já no ar, mas nem vamos nos ater a estes detalhes por aqui).

A estreia deixou a melhor das impressões. Tudo bem que o tom alegre das novelas anteriores não apareceu, dando espaço ao suspense. Mas estava ali a cidadezinha onde tudo podia acontecer, e que desta vez se chamava Serro Azul (a “cidade vizinha” de todas as outras novelas de Aguinaldo), composta por tipos variados que tinham tudo para acontecer. Havia também uma trama mágica, com uma fonte de águas milagrosas que devia ser protegida por sete “guardiães” que compunham uma irmandade secreta. E, de quebra, um gato misterioso, León, que circulava pelos cenários levando mensagens misteriosas.

Porém, não demorou para que O Sétimo Guardião se revelasse um equívoco. Apesar do bom mote, a história em si foi extremamente mal desenvolvida. A começar pelos sete guardiães, que deveriam liderar a novela. Feliciano (Leopoldo Pacheco), Aranha (Paulo Rocha), Ondina (Ana Beatriz Nogueira), Milu (Zezé Polessa), Eurico (Dan Stulbach), Machado (Milhem Cortaz) e Gabriel (Bruno Gagliasso) se revelaram personagens de pouco apelo. Alguns tinham tudo para render, como Milu (que poderia ser um tipo cômico adorável, vide o talento de sua intérprete para isso), ou Ondina (as cafetinas de Aguinaldo Silva sempre protagonizam suas obras), mas não havia história para elas. Machado, com seu fetiche em usar calcinhas, teve este traço de sua personalidade muito mal desenvolvido. E o que dizer de Aranha, um tipo covarde e apagado? O melhor era o prefeito Eurico, uma sempre boa crítica política do autor. Mas até ele perdeu força, além de ser expulso da irmandade, sendo substituído pelo padre Ramiro (Ailton Graça).

Mas o pior de todos foi justamente o personagem-título. Gabriel, o “sétimo guardião”, era o líder da irmandade, mas o que fez foi destruir tudo. Prepotente, arrogante e sem nenhum tato para lidar com os demais guardiães, Gabriel arruinou a irmandade com sua incompetência. Além disso, estava sempre de mau humor. Nunca sorria. Como torcer para um mocinho tão equivocado? O personagem raso encontrou, ainda, um ator no piloto automático. Assim, sem carisma, Gabriel não justificou seu protagonismo.

Além disso, toda a magia que os envolvia nunca foi bem explorada na novela. Não ficou claro a origem da Irmandade, nem os propósitos de se proteger e manter a fonte em segredo. O público sabia que a água tinha poderes, como o rejuvenescimento ou a cura, mas nunca viu o precioso líquido sendo usado para algo verdadeiramente útil. Quem usou a água, como Marilda (Letícia Spiller), Eurico e Valentina (Lilia Cabral), a usou apenas para benefício próprio. Ora, se a fonte era um tesouro da humanidade, faltou o básico: mostrar, na prática, porque ela era importante. Fora que a fonte era uma excelente metáfora para se falar sobre o uso desenfreado dos recursos naturais pelo homem. Mas nem o mote ecológico, que seria extremamente oportuno neste momento, O Sétimo Guardião explorou.

Em suma, O Sétimo Guardião acabou sendo uma história sobre sete guardiães sem carisma que protegia uma fonte sem grandes motivos para isso. Este erro grave na concepção da trama principal encontrou ecos na reta final, quando os guardiães começaram a ser assassinados misteriosamente. Como nenhum dos guardiães conseguiu cativar a audiência, a morte deles tampouco causou comoção. Foi como se o assassino misterioso (ou, no caso, a assassina, Judith, da sempre excepcional Isabela Garcia) fizesse um favor ao público, eliminando personagens sobre os quais ninguém se importava.

Soma-se a isso uma dupla de vilões que nunca se justificou. Valentina tinha tudo para acontecer, mas se mostrou uma vilã incompetente, que passou por um processo de regeneração sem sentido. Olavo (Tony Ramos) foi feito de capacho por ela a novela toda, apenas reclamando nos cantos, para agir apenas na reta final. Assim, o destaque nas vilanias ficou com Mirtes (Elizabeth Savalla), mais uma beata poderosa da galeria de Aguinaldo Silva, mas que foi destruída na reta final, com outra regeneração sem sentido. E, ainda, uma galeria de personagens que sumiam e apareciam ao sabor dos ventos, com grandes atores inexplicavelmente mal utilizados. Ou seja, faltou humor, faltou magia, faltaram bons personagens. O Sétimo Guardião foi um ponto fora da curva na galeria de histórias fantásticas de Aguinaldo Silva. Uma pena.

André Santana

quinta-feira, 16 de maio de 2019

RedeTV tenta recriar Mara Maravilha com Val Marchiori no "Tricotando"

"Rélou!"

Contratada para um canal no projeto digital da RedeTV (sob o guarda-chuva da Peanuts), Val Marchiori conseguiu o que tanto almejava: um espaço na emissora “convencional”. Amiga pessoal de Marcelo de Carvalho, a ex-Mulheres Ricas agora é a terceira apresentadora do Tricotando, programa de fofocas de pouca expressão que o canal exibe no início da noite. Nesta semana, Val já fez barulho, ao protagonizar um diálogo pouco amigável com Franklin David, outro apresentador da atração. Lígia Mendes completa o trio.

A inspiração é bem clara: Tricotando quer fazer as vezes de Fofocalizando, na pior fase do programa do SBT. Quando tinha Mara Maravilha como uma de suas integrantes, o vespertino da emissora de Silvio Santos pautava os sites de fofocas todo santo dia com as “indisposições” de Mara com os demais apresentadores. Lívia Andrade e Léo Dias eram visíveis rivais da apresentadora, que também não era lá muito amiga de Leão Lobo, Décio Piccinini e Mamma Bruschetta.

Na época em que Mara fazia parte do Fofocalizando, muitos acreditavam que a morena estava ali pra isso mesmo. Segundo boatos, a ideia de Silvio Santos era mesmo causar polêmica e fazer o Fofocalizando virar assunto. Deu certo. Mas isso também prejudicou o programa, que não tinha uma boa imagem junto ao público. Quando perceberam que as brigas faziam mais mal que bem à atração, trataram de afastar Mara Maravilha do programa. Depois, tentaram dar um ar “família” ao Fofocalizando.

Pois muito que bem. Pouco tempo depois da dispensa, Mara recebeu um convite da RedeTV. A emissora começava a formatar o Tricotando, e pensou justamente na ex-comandante do Show Maravilha para sua novidade. Mara dispensou o convite, preferindo aguardar novos projetos no SBT, onde segue contratada. Enquanto isso, a RedeTV foi atrás de Olga Bongiovanni, Rosana Jatobá e outros nomes para o Tricotando. Acabou optando por uma solução caseira, Franklin David, e trouxe a simpática Lígia Mendes para formar a dupla. Mas o programa, desde a estreia, não disse a que veio.

Ou seja, está bem claro que a RedeTV está bem a fim de repetir a estratégia de Silvio Santos e tentar emplacar o Tricotando baseado em polêmicas. Não conseguiu Mara Maravilha, mas foi buscar Val Marchiori, que também tem fama de falastrona. Assim como Mara, Val adora falar mal de tudo e de todos, sem qualquer critério. E já entrou no Tricotando causando. Uma pena que a RedeTV tenha resolvido nivelar por baixo. Mas é a RedeTV, né, já devíamos estar acostumados.

André Santana

terça-feira, 14 de maio de 2019

Silvio Santos mexe no "Fofocalizando" e audiência cai

"Deu ruim pra gente!"

Silvio Santos não pode ver um programa de sua emissora indo razoavelmente bem que resolve meter o bedelho para afundá-lo de vez. Talvez não seja esse o propósito do patrão, mas é a impressão que ele passa ao promover mudanças sem sentido dentro de uma atração que ele mesmo criou e que, a muito custo, conseguiu um lugar ao sol. Fofocalizando começou muito mal, teve inúmeros tropeços e mudanças, mas conseguiu se estabelecer. Porém, novas mudanças orquestradas pelo dono do SBT colocaram a atração em xeque novamente.

Há algumas semanas, a emissora surpreendeu ao anunciar o desligamento de Márcio Esquilo da direção do vespertino. Esquilo comandava o Fofocalizando desde o início, quando ainda era o Fofocando, e sempre foi um profissional muito elogiado pela equipe e pelos apresentadores do programa. Após uma mexida aqui, uma remexida ali e uma expulsão de Mara Maravilha acolá, Fofocalizando vinha numa fase um tanto mais tranquila, tanto em conteúdo quanto em audiência.

Mas Silvio Santos passou a caneta. Afastou Esquilo, escalou o desaparecido Caco Rodrigues para a direção do Fofocalizando e mandou que a atração voltasse a ser como era antes (seja lá o que isso quer dizer). Sob a batuta de Caco, Fofocalizando resgatou quadros chatos, como o Doeu no Ouvido É Destruído, e vem apostando mais em matérias e menos nos comentários dos apresentadores. E, coincidência ou não, a audiência caiu. Segundo o site Notícias da TV, na última sexta-feira, 10, o programa de fofocas do SBT marcou apenas 5 pontos na Grande São Paulo. Ficou em terceiro lugar na audiência e teve um dos piores ibopes da grade da emissora.

Trata-se de uma movimentação, no mínimo, estranha. Silvio Santos mexeu num programa que, se não era um estouro, também estava longe de ser um fracasso. Além disso, escalou Caco Rodrigues para tocá-lo, um diretor (e ex-apresentador) das antigas da casa, e que não tem nenhum grande sucesso no currículo. Entre outras coisas, Caco esteve à frente da última versão do Fantasia, como diretor e apresentador, versão esta que teve vida curta. Imaginar que ele fosse capaz de ampliar os índices da atração beira a ingenuidade.

Sendo assim, a impressão que passa é que Silvio Santos está “cozinhando” o programa para acabar com ele de uma vez. Provavelmente, o programa não é mais a menina dos olhos do chefe, e a manobra servirá para justificar um possível fim do Fofocalizando. Depois de tanto esforço para fazer o programa engrenar, será mesmo que Silvio Santos, agora, quer minar tudo? Coisa mais esquisita.

André Santana

sábado, 11 de maio de 2019

Globo acerta com nova safra de séries nacionais

"Olha lá, eles gostaram da gente!"

As séries nacionais são o principal produto da linha de shows da Globo há muitos anos. E, neste tempo todo, a emissora enfileirou erros e acertos, buscando novas linguagens e novas formas de narrativas. Inicialmente dedicada apenas às comédias, a emissora foi se abrindo para outros gêneros, experimentando drama, policial, noir e até terror. Além disso, abriu espaço para parcerias e coproduções, injetando sangue novo no segmento. Tantas experiências serviram para que a Globo chegasse à grade atual, com a exibição de quatro boas séries que apontam o futuro do gênero na TV aberta.

A principal novidade da atual safra é Cine Holliúdy. Exibida nas noites de terça-feira, logo depois de O Sétimo Guardião, a comédia veio com a ingrata missão de dar seguimento ao sucesso das suas antecessoras. Substituta natural de Mister Brau e Tapas & Beijos, últimas comédias do horário, a nova série é baseada no filme de mesmo nome. E o que se viu na estreia é que Cine Holliúdy foi uma grata surpresa.

A série é centrada no mesmo Francisgleydisson (Edmilson Filho) do filme, mas dá um salto para trás no tempo. Aqui, ele está na década de 1970 e toca seu Cine Holliúdy na pequena Pitombas. O cinema é a única opção de entretenimento da cidade. Mas está ameaçado com a chegada da televisão, novidade orquestrada pelo prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele). Para driblar a concorrência “desleal” com as novelas, Francisgleydisson resolve, em vez de exibir filmes estrangeiros, passar a produzir seus próprios longas. Para a empreitada, ele conta com a ajuda de Marylin (Letícia Colin), enteada do prefeito.

A trama é simples e não traz nada de novo ao universo das séries da Globo. No entanto, Cine Holliúdy tem o mérito de retratar um Nordeste pouco visto em rede nacional. O tom é de comédia, mas traz impresso um toque de melancolia. E o “cearensês”, bem carregado, dá um charme à história. Além disso, a temática é de um saudosismo irresistível. Ao confrontar televisão e cinema numa trama de época, a série explora a boa e velha discussão sobre qual tempo é o melhor: o de ontem ou o de hoje. A receita, ao que tudo indica agradou, já que a estreia foi muito bem na audiência.

Logo após Cine Holliúdy, a Globo exibe a segunda temporada de Carcereiros. Na nova fase, a série perdeu o fator novidade. Porém, ela consegue se sustentar na figura de seu protagonista, um sujeito rico em possibilidades. Adriano (Rodrigo Lombardi) segue como uma das peças daquele presídio, recebendo toda a carga negativa do ambiente e levando-a nas costas. Mesmo assim, ele consegue ser compreensivo e ponderado quando necessário. Em suma, é um tipo comum, o que é sempre um desafio para um ator. E Rodrigo Lombardi comprou bem esta proposta, fazendo aqui o seu melhor trabalho na TV. A nova temporada explora o relacionamento entre Adriano e uma presidiária, Érika (Letícia Sabatella), e como isso influi diretamente em sua relação com o trabalho e com sua família.

Enquanto isso, às quintas-feiras, a Globo exibe a terceira (e, segundo a emissora, última) temporada de Sob Pressão. Melhor série lançada pelo canal nos últimos anos, o drama hospitalar que explora as mazelas da saúde pública brasileira mostra um vigor impressionante na nova fase. Depois de denunciar as consequências da falta de recursos de um hospital público e como a corrupção prejudica ainda mais o sistema, Sob Pressão agora enfoca o problema das milícias, mostrando sintonia com a contemporaneidade. Além disso, Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) são grandes personagens, que dão riqueza às histórias de Sob Pressão. Em meio ao caos de suas profissões, os dois vivem uma relação cheia de obstáculos. O casal luta contra a depressão, os fantasmas passados e a correria de seus cotidianos atribulados. Em suma, são tipos realistas, que driblam o idealismo de seus papéis enquanto profissionais de saúde. E a nova temporada mostra que Sob Pressão deveria continuar, pois assunto é o que não falta.

A novidade da grade 2019 da Globo é volta das séries nacionais às noites de sexta-feira, depois do Globo Repórter. Há anos, a faixa vinha sendo ocupada por séries estrangeiras. Agora, o cartaz é Assédio, série produzida originalmente para o GloboPlay. Inspirada no livro A Clínica – A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, a série escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, é um esmero em todos os sentidos. A produção conta a história de Roger Sadala (Antonio Calloni), um famoso e respeitado especialista em reprodução humana que abusa sexualmente de várias de suas pacientes. Assédio faz um painel da jornada deste personagem, do apogeu à queda. Paralelamente, mostra o trabalho da jornalista investigativa Mira (Elisa Volpato). Ela contata um grupo de mulheres abusadas pelo médico e passa a investigar os casos.

A temática de Assédio é bastante oportuna em tempos em que a discussão sobre a cultura do estupro está na ordem do dia. E a minissérie acerta ao trazer o ponto de vista feminino. Ela mostra, com muita competência, as devastadoras consequências de um abuso sexual na vida de uma mulher. A abordagem ganha credibilidade, tendo em vista que é inspirada num caso real. Além disso, esclarece e faz refletir, sem ser nem um pouco didática. Ao contrário. O texto é perturbador e envolvente. Assim, Assédio completa a cartela de boas séries que a Globo escalou para sua programação 2019. Um acerto.

André Santana

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Nova manhã da Band está difícil de sair

"Pensaram que iam
se livrar de mim?"
Parecia que a Band tinha tomado juízo. A emissora tem dois novos projetos para suas manhãs, o noticiário Primeiro Jornal, com Joel Datena, e a revista eletrônica Aqui na Band, com Silvia Poppovic e Luis Ernesto Lacombe. Os novos produtos estão há mais de mês no gatilho, mas o canal está sendo prudente para confirmar suas estreias. Isso porque, como não está fácil pra ninguém, a Band quer lançá-los apenas quando eles estiverem vendidos ao mercado publicitário. Com o fiasco da grade 2018, o cuidado faz todo o sentido.

Porém, enquanto os programas não estreiam, os bastidores vão sofrendo com uma série de esquisitices. A primeira delas era que Primeiro Jornal e Aqui na Band teriam o mesmo diretor, Vildomar Batista. Ou seja, a emissora queria lançar um jornal que não está vinculado ao seu departamento de jornalismo. No mínimo, estranho. Depois, a coisa mudou. Segundo o UOL, o próprio Vildomar Batista pediu para deixar o projeto do Primeiro Jornal, já que acumular os dois programas o sobrecarregaria. Mais uma atitude prudente. 

No entanto, hoje, 09, o colunista Flavio Ricco trouxe uma novidade que engrossa a cota de esquisitices. Ricco informou que o Primeiro Jornal, agora, está sob o guarda-chuva de André Luiz Costa. E o novo diretor alterou os planos iniciais. Antes, a ideia era que Primeiro Jornal ficasse no ar das 6h às 9h, entregando para o Aqui na Band, das 9h às 11h. Agora, o plano é que o Primeiro Jornal fique no ar das 6h às 8h, e que um outro jornal, a ser apresentado por Luiz Megale, seja exibido das 8h às 9h.

Trata-se de um plano um tanto estapafúrdio. Joel Datena vem se destacando como âncora de jornal popular, tal qual seu pai José Luiz Datena. Sendo assim, ele pode ser o diferencial para as manhãs que a Band tanto procura. Com isso, o Primeiro Jornal tem potencial para render. E, se fosse exibido antes do Aqui na Band, sua provável satisfatória audiência auxiliaria o novo programa de Silvia Poppovic. 

Nada contra Luiz Megale, mas o Café com Jornal, que apresenta atualmente, nunca foi bom de ibope. Como acreditar que este novo noticiário de 8h às 9h vai dar certo? Obviamente, tudo o que foi colocado aqui é unicamente baseado no “achismo” deste que vos escreve. Mas me parece que a Band, com estas últimas mudanças, está colocando a perder um projeto que poderia até dar certo. Vamos ver o que acontece.

André Santana

terça-feira, 7 de maio de 2019

História da TV: 17 anos de "Falando Francamente", de Sonia Abrão, no SBT

"Aqui a gente falava francamente"
Recentemente, Sonia Abrão comemorou nada menos que 13 anos à frente do A Tarde É Sua, da RedeTV. A jornalista, com sua Roda da Fofoca, se tornou um expoente dos vespertinos sobre a vida das celebridades e da TV, quando estreou à frente do A Casa É Sua, na mesma RedeTV, em 2000. O sucesso do vespertino era tanto que despertou o interesse de Silvio Santos, que a contratou para comandar o Falando Francamente, nos mesmos moldes. A atração estreou no dia 06 de maio de 2002.

Inicialmente exibido das 15h45 às 18 horas, Falando Francamente trazia basicamente as mesmas atrações do A Casa É Sua. Com um cenário no qual se via uma redação de jornalismo e uma sala de estar, Sonia lia as revistas do dia, comentava as novidades da TV e trazia informações sobre as celebridades. Além disso, recebia convidados para entrevistas e exibia matérias sobre os bastidores do SBT e cobertura de festas. 

Antes de Sonia Abrão assumir as tardes do SBT, a emissora exibia os filmes do Cinema em Casa, que começava por volta das 15 horas, e uma maratona de novelas mexicanas na faixa Tarde de Amor. Com a estreia do Falando Francamente, o Cinema em Casa passou a ser exibido mais cedo, às 14 horas, e a Tarde de Amor perdeu uma de suas novelas. No entanto, Sonia não conseguiu elevar a audiência das tardes do SBT, como era esperado. Por conta disso, o programa foi mudando de rumo. O espaço para o noticiário policial aumentou, enquanto as fofocas perderam espaço. Mas Falando Francamente não reagiu, e acabou vendo seu horário ser constantemente alterado.

O programa de Sonia Abrão, então, passou a oscilar entre a faixa das 13h e 14h. Nesta época, Falando Francamente voltou a ficar mais leve, e chegou a lançar um dos quadros mais lembrados da atração, o SBT 21, que relembrava programas e momentos da história da emissora. Mesmo assim, a audiência permaneceu insatisfatória e, no final de 2003, Silvio Santos mandou mudar tudo: o programa deixaria de ser diário e se transformaria num programa de auditório nas tardes de sábado. A expectativa era alta: Silvio declarou que Sonia Abrão tinha condições de se tornar um “Gugu de saias” e fazer frente aos demais programas de sábado da TV aberta: Caldeirão do Huck, da Globo; Programa Raul Gil, da Record; e Sabadaço, da Band. Com a saída do Falando Francamente das tardes diárias, o SBT reformou sua programação, trazendo novamente novas faixas de novelas, além da estreia do Casos da Vida Real. Meses depois, estrearam outros programas, como Casos de Família (com Regina Volpato), Programa Cor de Rosa e, mais adiante, Charme com Adriane Galisteu.

"É uma tradição do SBT [programa de auditório]. Acontece que eu nunca apresentei um programa do gênero. Vai ser um exercício realmente desafiador", declarou Sonia ao portal Terra tempos antes da estreia da nova fase da atração. O novo Falando Francamente estreou no dia 10 de janeiro de 2004, das 13h30 às 18h30. O quadro de nostalgia do SBT se tornou um game show, no estilo Vídeo Game, e o programa seguiu com uma pegada “jornalística”, com helicóptero ao vivo e reportagens. Sonia também recebia convidados e contava histórias “emocionantes”, com muitas pautas policiais. 

Mas as novidades não deram certo e Sonia Abrão, claramente, não estava à vontade como animadora de auditório. Assim, ela preferiu atender o chamado da Record e relançou seu vespertino diário, com o nome Sonia e Você, em outubro daquele ano. Enquanto isso, a Sessão Premiada, com Celso Portiolli, substituiu o Falando Francamente nos sábados do SBT. 

André Santana

sábado, 4 de maio de 2019

Nova edição do "Power Couple" tenta driblar ausência de "famosos"

"Valendoooo!"

Como já dito aqui anteriormente, com o excesso de reality shows que envolvem “famosos” na Record, logo a emissora chegaria num impasse. Afinal, sabe-se que não são muitos os nomes conhecidos que topam passar por uma exposição dos tamanhos de Power Couple e A Fazenda. Daqueles que topam, muitos já passaram por ali. Logo, as opções vão ficando cada vez mais escassas. E a nova edição do Power Couple Brasil, que estreou esta semana na emissora, deixou isso bem claro.

Nesta temporada, personalidades mais conhecidas, como Nicole Balhs, Debby Lagranha e seus respectivos maridos, dividem a mansão com nomes como Jú Valcézia e Ricardo Manga, Fabi Monarca e Enrico Mansur, e Taty Zatto e Marcelo Braga. É preciso um esforço bem grande do público para descobrir quem, afinal, são eles. Pela primeira vez, os nomes menos (ou nem um pouco) conhecidos parecem superar o número de “famosos”.

No primeiro Power Couple, por exemplo, o casal menos conhecido era Laura Keller e seu marido, Jorge Sousa, que acabou vencendo a edição. Eles conviveram com nomes como Simony, Gian (da dupla sertaneja), Popó, Túlio Maravilha, Gretchen, Andréia Sorvetão e Conrado, entre outros.  Já a segunda edição teve Fábio Villa Verde, Rafael Ilha, Sylvinho Blau Blau e Thaíde. No ano passado, o terceiro ano contou com a presença de André Di Mauro, MC Créu e Nizo Neto. Aliás, na temporada 2018, a presença de ex-realities, que antes era mais tímida, ficou maior, com as participações de Aritana Marone, Munik Nunes, Franciele Grossi e Diego Grossi, entre outros.

Agora, o expediente de ex-reality veio com força. Só do BBB são três nomes: o casal Mariana Felício e Daniel Saullo, além de Eliéser Ambrósio e sua esposa, Kamilla Salgado. Ou seja, um elenco bem distante do visto das primeiras temporadas. Entretanto, em realities como o Power Couple, o “grau de fama” acaba se tornando mero detalhe. A atração foca bastante no dia a dia do confinamento, explorando a convivência entre os casais. Ainda mais agora, no atual formato, assumido quando Gugu Liberato passou a ser o apresentador. Na fase Roberto Justus, o programa era mais um game show, e os momentos de confinamento na “Mansão Power” não era muito explorado. Até porque, nesta fase, o programa era exibido uma ou duas vezes por semana. Deste modo, o confinamento durava apenas um mês, e este tempo era pulverizado numa exibição que não era em tempo real.

Já com Gugu, as exibições passaram a ser diárias e em tempo real, aumentando o espaço para a convivência dos casais na casa. Assim, o programa ficou parecido com o BBB, apostando nas intrigas que surgem quando se divide uma casa com muita gente. Por isso mesmo, o fato de os participantes não serem lá tão famosos não chega a ser um problema. Passados poucos episódios, todos já se tornam familiares a quem assiste. E o que vale aqui são as personalidades distintas. Se bem dosadas, vão garantir o interesse de quem assiste.

Quanto a Gugu, mais uma vez, a escolha do apresentador se mostrou bastante acertada. Com experiência de sobra em game shows, Gugu imprime ritmo às provas do programa. Além, claro, de usar e abusar de seu famoso bordão “valendooo!”. Assim, o veterano animador surge novamente bastante à vontade na função.

Além do bom apresentador e de um elenco com potencial, Power Couple tem mais uma vantagem este ano. A atração não tem mais a concorrência com o MasterChef, da Band, que roubava uns preciosos pontinhos de audiência às terças-feiras. Ou seja, são grandes as chances de a Record colher bons frutos com a temporada deste ano. É só o elenco colaborar.

André Santana

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Isolada na manhã da RedeTV, Olga Bongiovanni não faz milagres

"O nosso encontro é depois
das pegadinhas armadas!"

A volta de Olga Bongiovanni a um canal de rede nacional foi comemorada pelos espectadores. Afinal, é sempre bom quando um grande profissional conquista um espaço maior. E Olga é uma destas grandes profissionais: ótima de vídeo, carismática, inteligente e com um vasto repertório, além de muita experiência acumulada. De tantos matinais que a RedeTV já lançou e relançou nos últimos anos, Olga, sem dúvidas, foi a melhor das novidades.

Mas a audiência ainda não anda lá essas coisas. Assim como Padre Alessandro Campos. Assim como Fala Zuca. Assim como Melhor pra Você. Ou Se Liga Brasil, Morning Show, Manhã Maior... O que não faltou, nos últimos anos, foram tentativas da RedeTV de alavancar sua grade matinal. Mas nada decolou. E Olga, mesmo com suas qualidades, ainda não disse a que veio.

Pode-se criticar a péssima divulgação da RedeTV, como fez o site Notícias da TV. Em análise recente, o site de Daniel Castro foi feliz ao expor a total falta de estratégia no lançamento do novo matinal. Além do pouco tempo de preparação, a emissora não se deu ao trabalho de promover sequer uma coletiva de imprensa. Algo que fosse capaz de celebrar a volta de uma apresentadora que já tinha história na emissora. Faz sentido.

Entretanto, creio que o problema é ainda maior. Falta à RedeTV um planejamento melhor da própria grade de programação. Atualmente, as manhãs da emissora começam às 9h30, um horário no qual os demais canais já estão a toda. Para piorar, o primeiro programa exibido é a faixa de pegadinhas Te Peguei!. Produto que em nada dialoga com Olga, que é, essencialmente, um programa com debates, entrevistas e informação. Depois de Olga, entra o Edu Guedes e Você, que até tem a ver. Mas depois, ao meio-dia, é a vez do Você na TV, completamente deslocado na hora do almoço.

Em entrevista recente ao site NaTelinha, o diretor de programação da Globo, Amauri Soares, ensinou: grade se monta com coerência, com estudos e análises do público potencial. E a grade matinal da RedeTV está longe de seguir tais lições. A emissora deveria considerar iniciar sua programação própria mais cedo, além de investir em jornalismo antes de Olga e depois de Edu Guedes. Assim, o programa da apresentadora não seria uma “ilha”, como acontece hoje, e teria mais condições de dar um resultado minimamente melhor.

“Ah, mas a Sonia Abrão, ensanduichada por duas igrejas, dá boa audiência”, pode apontar alguém. De fato. Mas Sonia, neste contexto, pode ser considerada um fenômeno. A Tarde É Sua faz, sim, milagres, ao pegar do nada, elevar a audiência e entregar para o nada. Mas isso é exceção, não regra. E imagina o que Sonia poderia fazer se a grade da emissora a favorecesse? A RedeTV tem um problema grave de grade, e não é de hoje. Mas o canal parece não se importar com isso.

André Santana