sábado, 30 de março de 2019

Apesar dos percalços, "Espelho da Vida" cumpriu sua missão

"Nos vemos em 2019!"

Faltando dois capítulos para o fim, já é possível afirmar que Espelho da Vida foi mais um grande trabalho da autora Elizabeth Jhin. A novelista, caracterizada pelas suas histórias envolvendo vidas passadas, conseguiu retomar o tema sem se repetir. Mais do que isso: agregou ao folhetim tradicional alguma ousadia narrativa, garantindo o interesse do público pelo tema. Mas, claro, pagou o preço por isso. O ritmo lento inicial e a história central pouco usual afugentaram a audiência, e Espelho da Vida teve dificuldades para emplacar.

A ideia de Espelho da Vida era interessante. A história teve como elemento fundamental um portal mágico, o tal espelho, que permitia à sua mocinha Cris (Vitória Strada) reviver sua vida passada, Julia Castelo (Vitória Strada). Cada vez que Cris passava pelo espelho, ela assumia a identidade de Julia e passava a viver sua vida. Esta foi a maneira encontrada por Elizabeth Jhin para contar a história do presente e do passado de maneira simultânea. Ao mesmo tempo em que no presente os personagens reviviam a história do passado por meio da realização de um filme, no passado a mocinha buscava elucidar os mistérios que permeavam a trajetória de Julia Castelo. A história dela era famosa por ali, e todos acreditavam que ela havia sido assassinada por seu grande amor, Danilo (Rafael Cardoso). Coube, então, à Cris, em suas “viagens no tempo”, descobrir a verdade.

Com esta proposta, Espelho da Vida ia revelando o passado, ao mesmo tempo em que justificava as atitudes dos personagens no presente. As trajetórias de personagens como Dora (Alinne Moraes), Gustavo Bruno (João Vicente de Castro) e Eugênio (Felipe Camargo), por exemplo, explicavam as atitudes de suas vidas no presente, Isabel (Alinne Moraes), Alain (João Vicente de Castro) e Américo (Felipe Camargo). E tudo isso permeado num “quem matou?” interessante e que atravessou o tempo. Ou seja, uma ótima sacada!

Porém, até chegar ao ponto ideal da narrativa, a autora teve seus problemas. As idas e voltas de Cris no tempo fizeram com que a personagem ficasse com um pé em cada “núcleo”, fazendo com que ela não se envolvesse direito com nenhuma das duas histórias. Além disso, como ela era o único elo entre o passado e o presente na narrativa, a história do passado tinha menos espaço nos capítulos, enquanto o presente não se desenvolvia adequadamente. Isso passou ao público a sensação de que nada acontecia, e a novela andava a passos de tartaruga.

A solução, então, foi prender Cris de vez no passado. Nesta fase, Espelho da Vida colocou a história do passado quase no primeiro plano, enquanto no presente os personagens lidavam com a ausência de Cris e buscavam seguir suas vidas. Assim, a novela chegou num ponto ideal, no qual o passado e o presente se entrelaçavam de maneira muito harmoniosa nos capítulos. Espelho da Vida, então, se dava ao luxo de mesclar cenas do presente e cenas do passado, sem nenhuma indicação explícita ao público. Foi assim que a proposta de se narrar duas épocas ao mesmo tempo finalmente se estabeleceu. A novela ganhou ritmo e a história ficou irresistivelmente envolvente.

Com a mocinha no passado assumindo de vez a vida de Julia Castelo, o “núcleo do passado” cresceu e se estabeleceu como folhetim. O amor proibido de Julia e Danilo, sempre às voltas com as armações de Dora e Gustavo Bruno, além dos desmandos de Eugênio, garantiu o romance da obra. O crescimento da história passada serviu, também, para explorar ao máximo o talento dos atores envolvidos. Era impressionante ver atores do naipe de Julia Lemmertz (Ana/Piedade), Irene Ravache (Margot/Hildegard), Suzana Faini (Guardiã/Albertina) e Ângelo Antonio (Flávio/Padre Luiz), além de Felipe Camargo e Alinne Moraes, se dividindo em dois personagens, e fazendo-os bem diferentes entre si. O bom desempenho dos atores, somado à direção brilhante de Pedro Vasconcelos, fez com que o público entendesse as diferenças entre os tempos e seus personagens e embarcasse neste universo fantástico proposto por Elizabeth Jhin.

O formato inusitado de Espelho da Vida também permitiu que a autora recorresse a “ousadias comportadas”. Sabendo que o romance folhetinesco é a base de qualquer novela das seis, Jhin o ofereceu no “núcleo do passado”. Porém, como a novela fala de vidas passadas, ela teve a chance de concluir tal romance com uma tragédia, a já anunciada morte de Julia Castelo. Enquanto isso, no presente, Cris teve como único par o antagonista Alain. Daniel (Rafael Cardoso), sua verdadeira alma gêmea, surgiu na história praticamente na reta final. E Cris e Daniel só se viram pela primeira vez no final do antepenúltimo capítulo, ontem, 29. Ou seja, eles devem ficar juntos tendo estados juntos de fato nesta vida pouquíssimo tempo. Outra “ousadia comportada”.

Ou seja, apesar dos percalços, Espelho da Vida sai de cena com missão cumprida com louvor. Ofereceu ao público uma bela e bem construída história de amor, e o fez sem abrir grandes concessões à baixa audiência e impaciências de parte do público. Foi uma experiência válida e muito bem-sucedida.

André Santana

4 comentários:

  1. Olá, tudo bem? farei o meu tradicional balanço com os pontos positivos e negativos de Espelho da Vida no meu blog. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  2. O público fugiu porque prefere ver sensacionalismo na Record, noves fora temos que exaltar o talento dessa menina Vitória Strada que em um ano fez duas protagonistas no horário das 6 e conseguiu se firmar e olha que esse papel seria da Isis Valverde se ela não ficasse grávida.

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    1. Vitória Strada é ótima! Linda e talentosa! Que venham novos trabalhos!

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