sábado, 9 de fevereiro de 2019

"The Four Brasil" é bom, mas... precisamos de mais uma competição musical?

"Quatro reais?"

É inegável que o The Four Brasil, primeira novidade da linha de shows da Record em 2019, é um ótimo programa. Trata-se de uma produção grandiosa, com cenário suntuoso e um jogo de luzes que enche os olhos do espectador. Além disso, a Record demonstra que aposta todas as suas fichas na nova atração ao entregar-lhe à Xuxa Meneghel, uma de suas maiores estrelas. O formato também rende momentos de muita emoção, além de boas performances musicais.

The Four Brasil é mais um talent show de cantores, um dos formatos mais populares do mundo. Seu diferencial é que o programa já começa com quatro finalistas definidos (o tal “The Four”), e seus participantes devem tentar derrubá-los para conquistar o seu lugar. Mas, para que eles possam desafiar um dos integrantes do The Four, eles devem, primeiro, passar pelo crivo do trio de jurados. Apenas quem consegue a aprovação dos três jurados pode ir para a batalha, na qual escolhe qual dos finalistas quer enfrentar. A plateia, então, escolhe qual dos dois merece a vaga.

A dinâmica é o grande trunfo do formato. Ao promover constantes batalhas entre os “finalistas” e seus desafiantes, The Four Brasil mantém um clima de competição constante, o que lhe confere a emoção necessária neste tipo de programa. Porém, apesar da mecânica diferente, o The Four Brasil tem mais semelhanças que diferenças que seus similares. Há ali as apresentações musicais costuradas pelas histórias de vida dos participantes. Além, claro, do trio de jurados que cumpre papéis específicos no julgamento.

O músico João Marcello Bôscoli é o mais sério, próximo ao “carrasco”, com análises mais exigentes. Léo Chaves é o intermediário, passeando entre o “parceiro” e o “mestre”. Enquanto isso, a ex-Rouge Aline Wirley é a “amiga”, sempre empolgada com o que vê. Aliás, na estreia, Aline passou do ponto na empolgação. Seus gritos eufóricos incomodaram e ela chegou a ser inconveniente em vários momentos. Ela precisa encontrar o tom. Mas nada que tenha comprometido o funcionamento do júri, que, no geral, é interessante.

Porém, como dito antes, trata-se de mais do mesmo. E um mais do mesmo que, numa análise fria, não se justifica. Isso porque, apesar de competições musicais serem uma febre no mundo todo, aqui no Brasil o formato nunca foi um fenômeno. E olha que eles estão no país desde 2002, quando Popstars, do SBT, e Fama, da Globo, estrearam (no mesmo dia, diga-se). Popstars não teve lá grande audiência, mas fabricou um ídolo de fato, a banda Rouge. Já Fama tinha audiência regular, embora seus cantores, salvo raríssimas exceções, não ficaram famosos.

De lá para cá, o único programa do segmento que alcançou relevância no Brasil foi o The Voice Brasil, da Globo. Sobretudo em suas primeiras temporadas, o programa foi um estouro de audiência e muito bem engajado nas redes sociais. Mas é uma exceção. No geral, os talent shows musicais têm recepção morna, ou passam em brancas nuvens. Basta lembrar de Ídolos, no SBT e na Record, que faziam sucesso apenas na fase de audições, quando os jurados esculachavam os candidatos bizarros e garantiam a diversão. Ou ainda Astros, Superstar, X Factor Brasil, e tantos outros, com trajetórias de regular a ruim.

A própria Record já tem um formato no segmento, o Canta Comigo, apresentado por Gugu Liberato. A atração chamou a atenção também pela estrutura e pela dinâmica diferente, com um “paredão” de 100 jurados que avaliavam os intérpretes. Apesar disso, a audiência foi apenas regular. E, mesmo assim, Canta Comigo terá nova temporada este ano. Ou seja, a Record apostará em dois formatos similares em sua programação 2019. Como dito acima: se justifica todo este investimento num formato que raramente repete no Brasil o frisson que causa lá fora?

Este, na verdade, é o grande efeito colateral da escolha da Record em fazer uma linha de shows apenas importando formatos. A emissora não demonstra muito cuidado na escolha dos shows que adquire, trazendo à sua programação uma série de programas semelhantes. Power Couple Brasil, com as mudanças implantadas no ano passado, ficou parecido com A Fazenda. Já The Four e Canta Comigo têm semelhanças. Este ano, a emissora apostará ainda no Top Chef, depois de já ter exibido Batalha dos Confeiteiros e Batalha dos Cozinheiros. O único formato mais “diferente” é o Troca de Esposas, que estreia na semana que vem.

Se é para trazer formatos de fora, a Record devia, ao menos, prestar atenção e garantir alguma variedade à sua linha de shows. Por que não deixar um pouco de lado as competições de confinamento, canto, dança e culinária para apostar, também, em game shows, por exemplo? O espectador agradece.

André Santana

14 comentários:

  1. Isso tem um nome: Preguiça. Buscar algo de fora dá menos trabalho do que pensar em algo novo por aqui e isso vale para todas as emissoras; a Record talvez se destaque pela quantidade de formatos semelhantes como você bem destacou.

    Como eu já comentei aqui e você também disse, esse tipo de programa não é algo natural para criar ídolos musicais; claro que hoje a indústria cultural, se quiser, cria ídolos artificiais, mas com o programa, o artista já aparece com uma superexposição, e isso já cria sobre ele uma pressão de repetir as coisas que ele (ou ela) pode ou não repetir; se não manter o nível de sucesso, some.

    E sobre o Rouge só uma observação: não sou fã do estilo musical, mas observando "de fora", tenho dúvidas se foram tão idolatradas mesmo ou fizeram mais sucesso agora num exercício de nostalgia típico do Brasil, que adora achincalhar as coisas, mas depois que passa um tempo transforma algo ruim em "cult", quase que pedindo desculpas pela crítica passada (É o Tchan é um exemplo disso e olha que fez muito mais sucesso, aonde você ia, você era quase obrigado a ouvir essa "banda").

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    1. Rouge marcou época porque era única girlband de sucesso do Brasil..com quatro vdd sendo os dois primeiros trazendo ragatanga, brilha la lina e um anjo veio.me falar,,,tocavam demais essas músicas mesmo elas não tendo aparecido na TV Globo....fora elas tem a banda melum do superstar que despontou ano passado

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    2. Dúvidas sobre o sucesso do Rouge? Em um tempo em que a internet ainda engatinhava, me diga que artista de reality no Brasil vendeu mais de um milhão de cópias de seu primeiro álbum, sem nunca ter pisado na Globo, até então maior vitrine para artistas no país?

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    3. Como falei no comentário: Não sou fã e não acompanho de perto a carreira do Rouge; pelo que sei, fez um relativo sucesso no primeiro disco e depois sumiu, voltando com mais força agora, até pela força da internet e dos antigos fãs. Não duvido das informações de vocês, apenas ressaltei que o É o Tchan foi um fenômeno mais duradouro e onipresente.

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    4. Alexandre, eu me enganei, o primeiro álbum do Rouge vendeu mais de 2 milhões de cópias. O segundo álbum não vendeu tanto mas emplacou vários hits, entre eles Um Anjo Veio Me Falar. O terceiro já não tinha uma das integrantes, e acredito que foi a partir daí que o grupo foi perdendo força. Você citou o É o Tchan, grande fenômeno do axé. Creio que no meio pop, não existiu tamanha euforia em torno de um grupo como foi com o Rouge. Só Sandy e Junior, que é uma dupla rs.

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    5. Sobre o sucesso do Rouge, eu tenho uma opinião. Foi um sucesso legítimo, como disse o Mister Ed. Elas fizeram muito barulho, venderam muitos discos e foram ídolos de fato, mesmo sem pisar na Globo ou sem a banda larga bombando. No entanto, foi um sucesso grande, mas curto. E creio que foi curto porque, como disse o Alexandre, não foi uma coisa orgânica. Rouge foi uma coisa fabricada, selecionaram cinco meninas talentosas, mas que não se conheciam e nem ao menos cantavam o mesmo estilo ou tinham as mesmas afinidades musicais. Por isso, no decorrer da carreira delas, as diferenças pesaram e o grupo acabou. É diferente do que se fosse cinco amigas que tocam juntas desde sempre, com afinidade na vida pessoal e profissional. Mas não é um demérito um ídolo fabricado, eles têm sua importância. Mas creio ser esse o motivo de a carreira delas juntas ter sido relativamente curta, e esse retorno ter sido mais curto ainda.

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  2. A tv brasileira vive escassez de formartos
    ..não sei se faltam profissionais mas a maioria e importado
    .queremos o que?idooa parecido com os internacionais? Regionais?era melhor segmentar por gênero então o programa pra realmente representar o BR.

    O Rouge e melim sao os únicos que realmente são lembrados até hoje porém graças ao esforço próprio dos artistas que também cansam de serfabricados e querem buscar a própria identidade

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    1. Pois é Miguel! Mas vou além do simples fato de estes programas não terem fabricado ídolos: a audiência deles não é um fenômeno e o programa não vira uma febre, como acontece em outros países, onde as torcidas são mobilizadas e há um envolvimento legítimo. Aqui, isso nunca aconteceu.

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  3. Olá, tudo bem? Na realidade, a Record deveria exibir a temporada anual do Dancing Brasil agora. Neste início do primeiro semestre. Parece que jogarão para o segundo semestre, ou seja, ao mesmo tempo do Dança dos Famosos...Ñ consigo enxergar algum motivo para a compra desse formato do The Four Brasil... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Boa observação, Fabio! O Dancing batendo de frente com a Dança dos Famosos não é uma boa estratégia.

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  4. Concordo que falta cuidado na escolha de formatos, e isso é culpa do Carelli, diretor de realities da Record, que não se atenta pra isso. Porém, assisti à estreia e acho que o The Four é, sim, um excelente produto.

    André, você acha que a Record possui alguma rejeição do público? Talvez pela ligação com a igreja? Veja bem, o The Four estreou com pouco mais de 7 pontos, apesar de tudo o que já foi dito sobre ele. Não é pouco, já que a concorrência no horário era uma partida de futebol (em início de torneio) e o Ratinho?

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    1. Mister Ed, pode até ser que a Record tenha alguma rejeição. Mas não creio ser esse o motivo para estes programas emplacarem. Digo isso porque há formatos que realmente funcionam na emissora, como A Fazenda. As primeiras temporadas do Power Couple foram bem, assim como a primeira leva de Batalha dos Confeiteiros e o Troca de Família. O que eu acho é que estes formatos que a emissora escolheu para exibir às quartas-feiras não é bem algo que toca o público da emissora. Todos são bons: Dancing, Canta Comigo, o The Four... são todos ótimos produtos. Mas talvez não seja isso que o público da emissora gosta. Além disso, o fato de o Ratinho ser diário, no mesmo horário, lhe dá vantagem na briga. Derrubá-lo não é tarefa fácil, porque ele já é tradicional do horário e tem sua plateia consolidada. Enquanto isso, cada vez que a Record troca o programa das quartas, o canal tem que conquistar um novo público. É difícil.

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  5. Pena que aquele programa estilo Hebe na Rede Record não deu certo ,gostaria de ver a xuxa não somente em reality ,mais com entrevistas ,musicais
    O canal nem se esforçou ou esforça pra isso ,prefere comprar algo pronto (formatos )

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    1. Também amento, Caio, eu sempre tenho saudades do formato estilo "sofá". Hoje, só a RedeTV aposta nisso com a Luciana Gimenez e a Daniela Albuquerque, mas os temas das conversas e os convidados são sempre de gosto duvidoso. Sinto falta de alguém que faça isso com graça, como Hebe fazia. Sempre achei que faltava um bom roteirista no Programa Xuxa Meneghel.

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