sexta-feira, 19 de outubro de 2018

História da TV: o apogeu e a queda da CNT, uma emissora "esquecida"

"Não tem chororô,
seu tempo acabou!"

A Central Nacional de Televisão, ou CNT, está jogada às traças. Atualmente, a emissora conta com uma programação sucateada, praticamente toda locada para a exibição de programas religiosos. Quem a vê assim nem deve se lembrar que o canal teve bastante importância na história da televisão brasileira, tendo revelado nomes como Luciano Huck e Ratinho. Além disso, grandes nomes passaram pela emissora, que também teve sua relevância com a exibição de conteúdos diferenciados.

A CNT com este nome foi inaugurada em 1993, sucedendo a Rede OM, criada nos anos 1980 pelo empresário e político José Carlos Martinez no estado do Paraná. A mudança de nome se deu em razão dos planos de transformar a emissora paranaense numa rede nacional. Para tanto, a emissora tratou de trazer afiliadas em todo o Brasil, além de se associar à TV Gazeta na Grande São Paulo, trazendo sua programação ao principal mercado do país, e levando programas da Gazeta para o Brasil. Nesta época, a CNT já contava com nomes como Galvão Bueno em seu cast, e tratou de fazer outras contratações, como Clodovil Hernandez. O programa Clodovil em Noite de Gala, transmitido da Ópera de Arame, em Curitiba, inaugurou a nova fase.

Durante a década de 1990, a emissora passou a oferecer uma programação variada, além de transmitir vários dos programas da Gazeta em rede nacional, como o já consagrado Mulheres, apresentado por Claudete Troiano e Ione Borges. A CNT também lançou o Programa João Kleber nas madrugadas, além de apostar em programação esportiva, jornalismo, filmes, séries e desenhos animados. Em 1994, o infantil Tudo por Brinquedo, apresentado por Mariane, leva desenhos ao horário nobre.

Em 1995, Marília Gabriela chega à CNT para comandar o Marília Gabi Gabriela, e Luciano Huck faz sua estreia na TV com o Circulando, uma espécie de Programa Amaury Jr “jovem”. Enquanto isso, Sula Miranda chega com o Sula Show. Adriane Galisteu também estreia como apresentadora na emissora, no comando do Ponto G, atração de vida curta. Outra novidade da época foi o infantil Hugo, protagonizado por um gnomo que era personagem de um game, no qual o espectador jogava apertando teclas do telefone. Foi um sucesso! O canal também exibia bons filmes, em sessões como Tela Mágica, Tensão Total e Cine Comédia.

Em 1996, a CNT investe em dramaturgia, exibindo o seriado Pista Dupla, as minisséries Irmã Catarina, Ele Vive e a novela Antônio dos Milagres. Também é o ano em que Ratinho desponta, no comando do jornal policial 190 Urgente. Já em 1997, uma parceria com a Televisa faz com que uma sacolada de programas mexicanos invada a grade, como Cristina Show e Lente Loco, programas de auditório dublados. O canal também abre várias faixas de novelas, com os folhetins mexicanos Coração Selvagem, Prisioneira do Amor, Império de Cristal, Alcançar Uma Estrela e Simplesmente Maria. Mas o filé da nova grade era o humorístico Chespirito, com esquetes inéditos no Brasil do criador de Chaves e Chapolin.

No final da década, chegam à CNT nomes como Ronnie Von, que lança o feminino Mãe de Gravata, e Sérgio Mallandro, com o “antológico” Festa do Mallandro. Porém, com o rompimento da parceria com a Gazeta, em meados de 2000, a CNT se viu obrigada a tapar buracos na grade. Mãe de Gravata passa a ser exibido no horário anteriormente dedicado ao Mulheres, enquanto estreia a Sessão Super-Heróis, com a exibição de séries japonesas. Nesta fase, o canal é exibido num precário canal em UHF em São Paulo, o que o faz perder visibilidade. Clodovil retorna à emissora para apresentar o talk show Clodovil Frente e Verso, enquanto a socialite emergente Vera Loyola tenta ser a nova Hebe no tosquíssimo Programa Vera Loyola (relembre esta pérola clicando AQUI). Começa, então, um período de altos e baixos na emissora. Horários passam a ser vendidos e a produção própria cai vertiginosamente.

Neste período, houve tentativas de retomar as produções. Uma delas em 2007, quando a CNT arrenda seu horário nobre para o Grupo Jornal do Brasil, lançando a TV JB. A “nova” emissora tinha bons nomes no cast, como Boris Casoy e Ney Gonçalves Dias, mas dura apenas alguns meses. Em 2009, programas como o vespertino Notícias & Mais inauguram um novo estúdio da emissora em São Paulo. A emissora também volta a exibir novelas mexicanas, como Marimar, Amanhã É Para Sempre e A Outra. Mas a coisa não decola, e a CNT volta a recorrer à venda de horários. Atualmente, sua grade própria está concentrada nas faixas entre 22h e meia-noite, com a exibição do CNT Jornal e poucos programas de variedades, como o bom talk show Conexão com Zé Américo. Bem pouco para uma emissora que já teve tantos bons momentos.

André Santana

8 comentários:

  1. Quando a CNT se separou da Gazeta em maio de 2000 foi o ponto inicial para a decadência da emissora e atualmente com sua programação sucateada pela IURD muita gente não lembra do canal que mesmo sendo obscuro revelou nomes como Ratinho e Luciano Huck, do jeito que tá vai virar uma Tupi logo logo.

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    1. Acho até que está demorando para sumir de vez, tamanho o grau de sucateamento da CNT.

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  2. Obrigado dei uma sugestão para a história da CNT ,Vallew mesmo
    Realmente foi um canal alternativo nos anos 90 ,época que não tinha YouTube e tv fechada era para poucos
    Repito ,acho um absurdo os donos viverem só de renda e não investir em progremacap ,conteúdos
    Aqui na minha cidade a CNT e rede manchete só pegava por parabólica e chorei para meu pai comprar uma qdo criança kkkkkk
    E esses dois canais sempre traziam programação infantil nos finais de tarde ,qdo eu chegava do colégio
    Lembro com muito carinho de Mariane (absurdo ela não ter um espaço na tv ,mesmo se fosse como jurada fixa )e o Hugo eu adorava ,meus Deus que época boaaaaaa
    Obrigado por manter viva essa memória e trazer para aqueles que não passaram por essa fase

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    1. Caio, cheio das ótimas sugestões! Eu também assistia bastante a CNT em seu auge, e fiquei feliz de resgatar esta história! Estou sempre aberto a mais sugestões, valeu mesmo!

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  3. Faltou você lembrar do rebuliço quando da exibição do filme Calígula em 1992; na época causou muita polêmica a iniciativa de se mostrar um filme tão pesado em termos de erotismo na TV aberta. Infelizmente a CNT é mais um exemplo da influência política e religiosa na comunicação do Brasil

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    1. Bem lembrado, Alexandre! Não comentei sobre Calígula porque não tenho certeza se o filme foi exibido pela CNT mesmo ou pela Rede OM. Na minha cabeça, ainda era Rede OM, e o intuito deste texto era falar da CNT a partir de sua inauguração, em 1993. Mas valeu o registro! Foi um momento importante da televisão.

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    2. É verdade, lembrei do filme, mas errei o nome do canal, desculpe-me! Realmente foi na Rede OM, em 1992, a CNT veio só em 1993!

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  4. Eu acho um absurdo um canal ter uma concessão pra alugar toda..se não tem condições devolva a concessão pra quem pode...eu lembro so Hugo alternada entre Disney Club e esse canal...ainda tinha japoneses na manchete. .e incrível a diversidade que a TV perdeu ..enquanto a Internet desceu a TV aberta decaiu

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