sábado, 13 de outubro de 2018

Com nova linha de shows, Globo amplia espaço para auditório

"E não é que eu sou
um bom animador?"

Nos anos 1990 e 2000, o SBT era referência em programas de auditório. Havia atrações para todos os gostos, comandados pelos principais animadores do país. Isso porque o SBT foi criado a imagem e semelhança de seu dono, Silvio Santos, uma referência em programas de auditório. Os auditórios ocupavam as tardes, a linha de shows e os domingos, sempre com uma plateia animada e participativa. Lembra que, em 1997, só haviam auditórios na linha de shows do canal? Hebe às segundas, Márcia às terças, Alô Christina às quartas, e Concurso de Paródias às quintas-feiras. Bons tempos...

Paralelamente, a Globo não era referência no segmento. O canal sempre exibiu auditórios, sobretudo aos finais de semana, mas, durante anos, eles não apareciam na linha de shows, normalmente dedicada à dramaturgia, humor, esporte e jornalismo. Mas, hoje, isso mudou. Os auditórios do SBT, com exceção de Ratinho, Raul Gil e Silvio Santos, perderam força; enquanto isso, a Globo abriu espaço para eles na linha de shows. Amor & Sexo, que estreou em 2009, foi o primeiro programa de auditório da linha de shows da Globo em anos, e a atração de Fernanda Lima abriu o caminho para que o The Voice Brasil também se estabelecesse.

Aí chegamos ao ano de 2018, quando a linha de shows da Globo nunca esteve tão variada. Normalmente, a emissora vinha exibindo dobradinhas de séries às terças e quintas, promovendo um excesso de dramaturgia. Agora, com o fim do The Voice, as séries ficaram restritas ao primeiro horário após a novela destes dias. No segundo horário, os cartazes são programas de auditório. Amor & Sexo retornou para a mais politizada de suas temporadas, enquanto Lázaro Ramos debuta como animador às quintas, no comando do divertido Os Melhores Anos de Nossas Vidas.

No primeiro episódio desta temporada, Amor & Sexo falou sobre um pouco de tudo. Houve espaço para discutir diversidade sexual, liberdade de ideias, homossexualidade, objetificação do corpo, machismo, racismo, feminismo, assédio, entre tantos outros temas importantes. E, num momento político em que muitos destes temas estão em discussão, Amor & Sexo surpreendeu ao assumir um lado. Os discursos de Fernanda Lima e seus convidados deixam claro que a atração se coloca como um instrumento a favor da liberdade e contra a censura e a hipocrisia. Uma missão louvável, pois leva para a conservadora plateia da TV aberta um debate corajoso sobre assuntos que incomodam muita gente. E o desafio, neste caso, é se fazer entender.

Por conta disso, Amor & Sexo acaba soando didático ao extremo para alguns. E é verdade. Mas isso é importante. Afinal, o programa trata de assuntos espinhosos e pouco discutidos para uma plateia muito heterogênea. O didatismo, portanto, é uma maneira de se alcançar o maior número possível de pessoas. Além disso, o programa alivia o debate sério com comentários espirituosos e brincadeiras no palco que sempre divertem. Ao final do episódio, sempre fica a sensação de que, além de divertir, o programa provocou alguma reflexão. E provocar, nestes tempos em que o retrocesso bate à porta, é uma missão um tanto quanto nobre.

Os Melhores Anos de Nossas Vidas é pura diversão. É um programa de auditório “raiz”, cujas atrações atingem direto a memória afetiva do público. No programa de estreia, Ingrid Guimarães e Lúcio Mauro Filho lideravam os anos 1990 e 1980, buscando mostrar qual das épocas foi a melhor. Assim, o que se viu em cena foram momentos icônicos destes momentos, na música, na TV, no cinema e no jornalismo. O regate dos elementos característicos destas épocas atingiu direto quem viveu estes tempos, daí a boa resposta da plateia e do público de casa.

O único problema foi o excesso de roteiro em algumas situações. Ingrid Guimarães divertiu ao “levar a sério” a competição, disparando tiradas e alfinetadas contra os anos 1980 o tempo todo. No entanto, muito do que foi visto no embate entre Lúcio Mauro Filho e a atriz era claramente roteirizado. Faltou um pouco mais de improviso em cena, para que a batalha entre as décadas passe verdade ao público. Mas nada que tenha prejudicado a atração, que fluiu muito bem.

Outro ponto negativo é o horário tardio da atração. O programa é uma diversão familiar, que combina bem mais com as tardes de sábado ou domingo. Exibido na madrugada de quinta para sexta-feira, Os Melhores Anos de Nossas Vidas alcança uma plateia mais restrita e adulta. Plateia esta que está dividida entre A Praça É Nossa, do SBT, e A Fazenda, da Record. Não é uma batalha fácil. Por mais que nostalgia seja algo mais “adulto”, Os Melhores Anos de Nossas Vidas tem um apelo que poderia agradar as pessoas de menos idade também. Sendo assim, poderia perfeitamente estar no rodízio de formatos que a Globo tem promovido nas tardes dos finais de semana.

Mas, independentemente disso tudo, o interessante é notar o quanto canais como Record e SBT se “esqueceram” de como fazer um programa de auditório legítimo. Enquanto isso, a Globo começa a “pegar o jeito”, apostando inclusive em formatos que são a cara do SBT. Basta lembrar de Quem Quer Ser um Milionário e Show dos Famosos, que já tiveram versões no canal de Silvio Santos. E alguém aí percebeu que Os Melhores Anos de Nossas Vidas parece um programa que o dono do Baú comandaria?

André Santana

Um comentário:

  1. Olá, tudo bem? Eu sinto saudades eternas do Alô Christina kkkkkkkkkkkk.... Sobre o novo programa do Lazaro Ramos: confesso que ainda não assisti. Acompanhei o duelo entre Nadja e Ana Paula em A Fazenda 10. Rs... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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