quarta-feira, 4 de julho de 2018

"Lia" traz ponto de vista feminino da Bíblia

"E sem apocalipse desta vez!"
No ar há uma semana, a minissérie Lia, da Record, tem sido uma grata surpresa nesta seara de séries e novelas bíblicas do canal. Além de devolver os cenários e figurinos ao qual o público estava acostumado na faixa, depois da contemporaneidade de Apocalipse, a trama tem uma rara protagonista feminina. Com isso, dá uma perspectiva diferente ao texto sagrado.

Lia conta a saga de uma das mulheres de Jacó (Felipe Cardoso). A personagem-título (Bruna Pazinato) cresce diante da rudeza do pai Labão (Théo Becker) e tendo de criar a irmã mais nova, Raquel (Graziella Schmitt). Então, Lia se apaixona por Jacó, que, por sua vez, se interessa por Raquel. Labão, então, engana Jacó, prometendo lhe entregar Raquel, mas entrega Lia.

Na minissérie, Lia surge já mais velha, contando à filha sua história. Deste modo, toda a saga contada parte do ponto de vista da própria, trazendo um olhar feminino raro na dramaturgia bíblica da Record. Basta comparar com as novelas anteriores, todas contando histórias protagonizadas por homens. Na Bíblia, são poucas as mulheres que surgem como protagonistas de suas histórias. E o texto de Paula Richard tem essa intenção de jogar luz sobre uma personagem que era “apenas” uma das mulheres do pai do rei do Egito.

Sendo assim, o enfoque em Lia permite com que assuntos da atualidade surjam, mesmo numa história do Velho Testamento. A minissérie, então, trata da posição da mulher naquele período histórico, traçando um paralelo com a contemporaneidade. Com isso, apesar de voltar a apostar na paisagem e no figurino característicos das tramas bíblicas anteriores a Apocalipse, Lia tem como diferencial e trunfo o texto moderno. Sem dúvidas, uma boa novidade no gênero. Além disso, a trama bebe da fonte clássica do “patinho feio”, apostando na transformação da protagonista. Um tema folhetinesco que costuma ser irresistível.

Não que a mocinha fugirá de uma vida limitada, em razão de ser mulher num tempo em que mulheres não representavam grande coisa. Mas ao trazer uma mulher falando sobre a condição feminina daquele tempo, a série provoca reflexão. Com isso, a nova minissérie da Record traz uma perspectiva menos usual da Bíblia, o que é bastante saudável. A emissora acertou nesta "sala de espera" da novela Jesus, que vai estrear "só Deus sabe quando". 

André Santana

2 comentários:

  1. Saudades das novelas boas da Record! Volta Lauro César Muniz, volta Carlos Lombardi, volta Marcílio Moraes!

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    1. Também sinto falta! Várias das melhores novelas da década de 2000 são da Record, como Vidas Opostas e Poder Paralelo!

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