terça-feira, 31 de julho de 2018

Game shows estão na ordem do dia na Globo

"Tô voltando às origens, galera!"
Quando saiu a notícia de que Otaviano Costa estava deixando o Vídeo Show para assumir uma nova atração na Globo, logo pipocaram informações sobre o que seria este novo projeto. A Globo não confirma, mas a informação que corre por aí é a de que será um game que confrontará diferentes gerações. O novo programa deve estrear apenas em janeiro de 2019, nas tardes de sábado, horário em que atualmente é exibido o SóTocaTop.

Paralelamente, surgiu a notícia de que a emissora também estaria preparando um novo game para as noites de quinta-feira. Segundo Flavio Ricco, colunista do UOL, esta nova atração seria um quiz show no qual dois grupos responderiam questões sobre uma determinada década. Por exemplo, um time responderia sobre os anos 1960, e outro sobre os anos 1970. Não há apresentador confirmado para a nova missão, mas Ricco afirmou que o programa pode estrear ainda este ano.

Depois disso, mais um game show surgiu dentre as informações sobre a programação da Globo. Há duas semanas, a colunista Carla Bittencourt, do jornal Extra, afirmou que a emissora trabalhava sigilosamente num projeto de novo game que seria apresentado por Angélica. Segundo Carla, a ideia é fazer algo nos moldes do Passa ou Repassa, que a apresentadora comandou no SBT entre 1995 e 1996, e que, na época, era uma gincana entre estudantes de Ensino Médio. Ou seja, seria uma nova disputa entre colégios. Atualmente, o Passa ou Repassa é um quadro do Domingo Legal e traz famosos na competição. Ainda segundo Carla, este novo game poderia ser exibido tanto nas tardes de sábado quanto domingo.

Sem dúvidas, seria um bom projeto para Angélica. Como já dito aqui várias vezes, a apresentadora é uma exímia comandante de games. Não por acaso, dois dos programas mais expressivos de sua carreira foram game shows. Foi o sucesso do Passa ou Repassa no SBT que levou Angélica a ser contratada pela Globo em 1996. E foi com o Vídeo Game, do Vídeo Show, que a loira fez uma bem-sucedida transição de público, quando deixou os programas infantis. Vídeo Game foi o segundo programa mais longo da carreira da apresentadora, ficando no ar por 10 anos, apenas dois anos a menos que o Estrelas, extinto em 2018. Além disso, a existência deste projeto sinaliza que Angélica terá seu contrato renovado com a emissora. O atual compromisso será encerrado no mês que vem.

Tudo ainda está na base de informações de bastidores, mas é interessante esta movimentação. Significa que a Globo anda valorizando formatos no estilo game show, coisa que costumava fazer esporadicamente. E o investimento vem numa boa hora, afinal, games são relativamente baratos e costumam agradar um público variado. O sucesso do Tamanho Família e dos quadros The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?, do Caldeirão do Huck, mostra que o formato nunca envelhece. 

André Santana

sábado, 28 de julho de 2018

"Deus Salve o Rei" dribla crise e termina em alta

"A gente não é engraçado?"

Deus Salve o Rei pode ser considerado como um dos poucos casos de novela que passou por uma intervenção da direção da Globo e conseguiu, de fato, sair de uma crise. Com dificuldades para estabilizar a audiência, a novela medieval do estreante Daniel Adjafre recebeu o auxílio do supervisor de texto Ricardo Linhares e melhorou consideravelmente. Deus Salve o Rei encontrou uma história, lapidou personagens e cresceu em suas semanas finais, tornando-se uma novela bem interessante.

Deus Salve o Rei teve um primeiro capítulo apoteótico. Boas cenas de batalha e suntuosos efeitos especiais chamaram a atenção. No entanto, as belas imagens não conseguiram mascarar por muito tempo a falta de uma boa história. Isso porque um erro na concepção dos protagonistas quase pôs tudo a perder. Afonso (Rômulo Estrela) abriu mão do trono do reino de Montemor, após a morte da rainha Crisélia (Rosamaria Murtinho) em nome do amor a uma plebeia, Amália (Marina Ruy Barbosa). Ela, por sua vez, o encorajou a abrir mão de sua responsabilidade junto a sua família. E o resultado desta paixão foi que Montemor ficou entregue ao irresponsável Rodolfo (Johnny Massaro), irmão de Afonso, que conseguiu arruinar o reino com suas ideias estapafúrdias. Ora, como torcer por um casal que ignorou o sofrimento de todo um povo?

Além disso, Deus Salve o Rei teve um erro grave de direção na condução da vilã Catarina (Bruna Marquezine). O diretor Fabrício Mamberti e a atriz confundiram frieza com apatia, e Catarina tornou-se uma vilã tediosa e cansativa. Com a mesma expressão facial e mesmo tom de voz em todas as situações, Catarina aborreceu e Bruna sofreu muitas e merecidas críticas. E, não bastasse tudo isso, Deus Salve o Rei tinha tramas paralelas desinteressantes e parecia perder o tempo de seus capítulos mostrando personagens inexpressivos em situações que não iam a lugar nenhum.

Vale lembrar que Deus Salve o Rei, mesmo com todos estes problemas no texto, nunca foi um grande fracasso de audiência, como parecia pelas notícias que costumavam sair sobre a trama. A novela não conseguiu segurar os bons índices de audiência de Pega Pega, considerada um sucesso, mas se manteve na média de audiência do horário nos últimos anos, com números próximos a Rock Story (que não foi considerada um fracasso, como de fato não foi). O problema que a direção da Globo constatou em Deus Salve o Rei foi o fato de a novela oscilar muito nos números, demonstrando dificuldades em consolidar um público. A intervenção, portanto, foi para tentar corrigir este erro. Daí veio a escalação de Ricardo Linhares como supervisor de texto, que propôs mudanças que fizeram a novela melhorar consideravelmente.

Com a chegada de Linhares, personagens sem função foram limados, e outros ganharam novos rumos. Além disso, a trama ganhou outros personagens, que chacoalharam a história e a colocaram num trilho mais bem definido. Atores experientes entraram em cena para que a novela, repleta de novos atores, ganhasse rostos mais conhecidos. Nesta fase, surgiu o Rei Otávio (Alexandre Borges), rei da Lastrilha, e a trama passou a explorar mais a relação entre todos os reinos da Cália. Um jogo de poder entrou em cena como um poderoso fio condutor. As relações entre Otávio e Catarina fizeram a novela ganhar em conflitos, e a decisão de Afonso de sair das sombras para finalmente brigar pelo trono deu a história que Deus Salve o Rei tanto precisava.

Além disso, a “nova fase” valorizou personagens que já existiam, mas que eram explorados pontualmente. A bruxa Brice (Bia Arantes), por exemplo, ganhou uma história própria, e cresceu na trama quando passou a buscar pela sua filha perdida. E a revelação de que sua filha era justamente Catarina fez com que Deus Salve o Rei ganhasse novas cores e possibilidades. Fora Brice, a novela mostrou outras bruxas, como Agnes (Mel Maia) e Selena (Marina Moschen), além de aprofundar na temática das caças às bruxas da Idade Média. A chegada do inquisidor Bartolomeu (Stenio Garcia), que acusou Amália de bruxaria, acrescentou não apenas mais conflitos ao enredo, mas também deu a Deus Salve o Rei uma possibilidade de dialogar com a contemporaneidade. Isso porque, neste contexto de caça às bruxas, foi permitido falar sobre preconceito e intolerância. Assim, Deus Salve o Rei corrigiu mais um problema: a trama era completamente distante da nossa realidade, mas conseguiu encontrar ecos com os assuntos da vez.

Por fim, a “intervenção” acrescentou mais humor a Deus Salve o Rei. As mudanças de rota tiveram o cuidado de não trair a proposta mais séria da trama, mas permitiu com que as tramas paralelas de humor ganhassem um tom a mais. Neste contexto, a parceria entre Rodolfo e a princesa Lucrécia (Tatá Werneck) foi valorizada, ganhando um texto mais espirituoso e que brincava com todo o universo da trama, com elementos de metalinguagem, farsa, pastelão e besteirol, tudo muito bem dosado. “Quando receber a mensagem, por favor me responda. Odeio quem visualiza e não responde”, diz Lucrécia a Rodolfo quando pede que ele mande bilhetes por meio de um pombo-correio.

O resultado apareceu, e Deus Salve o Rei viu sua audiência crescer na reta final. E, faltando dois capítulos para seu desfecho, já é possível afirmar que a Globo foi profundamente feliz nas mudanças implantadas durante a novela. Deus Salve o Rei, que parecia rumar para a prateleira das tramas esquecidas da Globo, sairá de cena de maneira digna. No fim, foi mais uma boa experiência do canal.

André Santana

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Record lança "Jesus" e SBT ataca com "Z4"

"O que Adão e Eva estão
fazendo na minha novela?"

Record e SBT promoveram estreias em dramaturgia esta semana. Enquanto a primeira retoma o “arroz com feijão” de suas tramas bíblicas passadas na antiguidade, depois do “experimento” em Apocalipse, a segunda segue investindo no público infantojuvenil. Na última terça-feira, 24, a Record exibiu o primeiro capítulo de Jesus; já na quarta-feira, 25, foi a vez do SBT estrear a série Z4.

Jesus teve uma estreia confusa. A trama começou com cenas da crucificação de Cristo (Dudu Azevedo). Em seguida, a história dá um belo “salto para trás” e chega ao Gênesis. E depois que Eva morde o “fruto proibido”, a novela deu um novo salto, desta vez para frente, chegando ao ano anterior do nascimento do protagonista. Aí, Jesus seguiu sem um foco definido. Ao mesmo tempo em que a narrativa foca na juventude de Maria (Juliana Xavier) e José (Guilherme Dellorto), também dá espaço a Herodes (Paulo Gorgulho) e à guerra com os romanos. Tanta informação deixou a trama dispersa, sem uma unidade que garantisse um interesse maior. A tentativa de contextualizar a audiência quanto ao período histórico é sempre válida, mas foi feita sem muita sutileza. Pareceu uma sucessão de cenas soltas.

Por outro lado, o texto de Paula Richard chamou a atenção pela maneira como retrata Maria e José. São dois personagens que passaram uma pureza, mas, ao mesmo tempo, não exageraram na ingenuidade. Mérito não somente do texto, mas também da interpretação dos jovens Juliana e Guilherme. Jesus também chamou a atenção pelo capricho da ambientação, cenários e figurinos, bem mais convincentes que das tramas anteriores. Ou seja, tem potencial para agradar os fãs da dramaturgia bíblica da Record. Se não cair no mesmo erro de Apocalipse e abusar da doutrinação, pode funcionar.

No dia seguinte, foi a vez de Z4 estrear no SBT. E, assim como Jesus, Z4 também teve uma estreia meio confusa. Apesar de se vender como uma série juvenil, Z4 tem estrutura e jeito de novela, trazendo muitos personagens espalhados em núcleos variados. Ao narrar a formação de uma boy band por um famoso produtor musical, a trama da série enfoca quatro jovens diferentes. Luca (Pedro Rezende), Paulo (Gabriel Santana), Rafa (Matheus Lustosa) e Enzo (Apollo Costa) são os integrantes da boy band, liderados pelo produtor Zé Toledo (Werner Schünemann) e sua filha, a coreógrafa Pâmela (Manu Gavassi).

Cada um dos quatro integrantes da Z4 acaba liderando um núcleo diferente. E todos eles tiveram espaço nesta estreia. Com isso, Z4 teve pouco tempo para apresentá-los adequadamente, o que levou ao surgimento de várias situações que soaram forçadas. Ao final do episódio, ficou a sensação de que nada aconteceu direito. No entanto, a série tem a grife da Disney e do SBT, duas especialistas em dramaturgia juvenil. Também conta com a direção de Márcio Trigo, experiente no gênero, e conta com nomes de peso no elenco, como Werner Schünemann, Bárbara Bruno e Ângela Dippe, que imprimem credibilidade à obra. Fora que resgata nomes conhecidos, como Negra Li e Patrícia de Sabrit. Vamos ver se melhora nos próximos episódios.

André Santana

terça-feira, 24 de julho de 2018

História da TV: relembre a "dança das cadeiras" dos programas femininos – parte final

"Lembra quando todo
mundo copiou a gente?"

Anteriormente, no TELE-VISÃO: quando a RedeTV lança Sonia Abrão como apresentadora do A Casa É Sua, dá-se início a uma série de programas femininos com foco em jornalismo e fofocas. Sonia, então, deixa a emissora e assina com o SBT, onde apresenta o Falando Francamente, e, depois, com a Record, onde comanda o Sonia e Você. Já Leonor Correa, Clodovil Hernandes, Ronaldo Ésper e cia comandam diferentes fases do A Casa É Sua. Enquanto isso, Astrid Fontenelle, Leão Lobo e Aparecida Liberato comandam o Melhor da Tarde, que depois passa às mãos de Leonor Correa, enquanto Olga Bongiovanni e Viviane Romanelli apresentam diferentes fases do matinal Dia Dia. Olga também passa pelo Bom Dia Mulher, da RedeTV, enquanto Ione Borges volta aos femininos com o Pra Você, na Gazeta. Claudete Troiano, por sua vez, deixa a Record e assina com a Band, onde comanda o vespertino Pra Valer, que substitui o Melhor da Tarde.

2005 é o ano de novas mudanças no universo dos matinais e femininos. Quando a Record cancela o Note e Anote e lança o Hoje Em Dia, com Britto Jr, Ana Hickmann e Edu Guedes, dá-se início à era das “revistas eletrônicas”. Os femininos mais tradicionais, então, perdem força, e Claudete Troiano sente isso na pele ao se lançar no Pra Valer, nas tardes da Band, que acaba durando pouco tempo. Os programas de fofoca também arrefecem, e Sonia Abrão se torna a única remanescente, ao deixar o Sonia e Você na Record, e voltar para a RedeTV lançando o A Tarde É Sua, em 2006. O novo programa de Sonia substitui o A Casa É Sua, que em seus últimos meses foi comandado por Marisa Carnicelli (quem?).

Com o êxito do Hoje Em Dia, os canais começam a apostar em programas que mesclem jornalismo e entretenimento. A própria Record tenta à tarde com o Programa da Tarde, com Maria Cândida, que substituiu o Sonia e Você em 2006 (e fica no ar até 2009). Em 2007 é a vez da Band, que dispensa Claudete Troiano e aposta no Atualíssima, que foi comandado por Ticiane Vilas Boas, Patrícia Maldonado e Rosana Hermann em diferentes fases, todas ao lado de Leão Lobo. Já Claudete migra para o SBT em 2008, quando Silvio Santos lança sua própria versão do Hoje Em Dia, o Olha Você, com Alexandre Bacci, Francesco Tarallo e Ellen Jabour. A aposta, no entanto, revela-se um fiasco, e a revista vespertina dura pouco.

Em 2009, mais mudanças: Atualíssima chega ao fim, ao mesmo tempo em que a Band lança uma nova revista eletrônica, resgatando o título Dia Dia, com Patrícia Maldonado, Lorena Calábria e Daniel Bork. O programa não emplaca e, no final do mesmo ano, Silvia Poppovic substitui Patrícia e Lorena na apresentação. Também não dura muito, e logo o Dia Dia se tornou um programa de culinária com Daniel Bork. A RedeTV também entra no filão com o Manhã Maior, apresentado por Daniela Albuquerque, Keila Lima e Arthur Veríssimo. Olga Bongiovanni, então, migra para a TV Aparecida, apresentando um programa noturno com seu nome. Enquanto isso, na Gazeta, o Pra Você chega ao fim para dar espaço ao Manhã Gazeta, um programa dividido em duas partes: a primeira apresentada por Claudete Troiano, e a segunda, por Ione Borges. Em 2010, Ione se afasta da TV, e Olga Bongiovanni passa a dividir o Manhã Gazeta com Claudete Troiano. Enquanto isso, Silvia Poppovic deixa o Dia Dia e assume o Boa Tarde, nas tardes da Band. O programa também dura pouco.

Já em 2011, o Manhã Maior ganha uma nova apresentadora: sai Keila Lima, com uma despedida bem barulhenta, e entra Regina Volpato, fora da TV desde que deixou o Casos de Família, em 2009. O programa dura até 2012, quando é substituído pelo Se Liga Brasil, também com Regina, ao lado de Douglas Camargo e Heaven Delhaye. No mesmo ano, a Record retoma o Programa da Tarde, com Britto Jr e Ana Hickmann. Nesta época, o Hoje Em Dia já está nas mãos de Chris Flores, Celso Zucatelli e Edu Guedes. Enquanto isso, na Gazeta, o Manhã Gazeta sai do ar, e é substituído pelo Revista da Cidade, com Regiane Tápias. Olga Bongiovanni, então, volta para o Paraná, enquanto Claudete Troiano migra para a TV Aparecida, onde lança o Santa Receita em 2014. Já em 2015, o Programa da Tarde sai do ar, e o Hoje Em Dia ganha a apresentação de César Filho, Renata Alves, Ana Hickmann e Ticiane Pinheiro. Edu e Celso, então, migram para a RedeTV, onde lançam o Melhor pra Você.

E, finalmente, chegamos a 2018, ano em que Cátia Fonseca deixa o comando do Mulheres para apresentar a nova versão do Melhor da Tarde, na Band. Em seu lugar, entra Regina Volpato. Paralelamente, a RedeTV extingue o Melhor pra Você, substituindo-o pelo programa de culinária Edu Guedes e Você. E neste tempo todo, Ana Maria Braga, uma das primeiras personagens desta série, seguiu firme e forte à frente do Mais Você, na Globo. 

Será que chegamos ao fim? Relembre as duas primeiras partes desta série clicando AQUI e AQUI!

André Santana

sábado, 21 de julho de 2018

Após período obscuro, musicais voltam a ter força na TV

"O nome é horrível,
mas o programa é legal!"

2018 pode ser considerado o ano em que os musicais voltaram com força na TV aberta brasileira. Depois de anos relegados a uma entre tantas atrações nos programas de auditório, os musicais voltaram a ter espaço na TV reservado para eles. E são vários os motivos para este retorno “triunfal”. Os vários ídolos da música brasileira que apareceram nos últimos tempos, somados a questões comerciais e financeiras dos canais, que voltaram a considerar a música um bom negócio, são diretamente responsáveis pelo bom momento do gênero.

A questão financeira foi, com certeza, o principal motivo para que a Band apostasse no filão. Ao criar a faixa Música na Band, que exibe shows musicais nas noites de sexta-feira, o canal conseguiu criar uma solução barata para o “buraco” do horário, que ficou desfalcado com o fim do Pânico na Band. Afinal, ao exibir shows prontos, a emissora economiza e, de quebra, traz um público para sua linha de shows. E deu certo! Música na Band é o programa mais bem-sucedido da atual linha de shows da emissora (fora o MasterChef, claro!). Além de Música na Band, as atrações musicais também são a âncora do dominical Agora É com Datena... ou Agora É Domingo... ou Brasil da Gente... ou sabe-se lá qual o nome do programa esta semana!

Depois disso, a Globo surpreendeu ao anunciar o lançamento de um novo programa musical nas tardes de sábado. SóTocaTop estreou no sábado passado, dia 14, resgatando as paradas de sucesso no melhor estilo Globo de Ouro, um clássico da emissora. O novo programa reúne os artistas mais tocados nas mais diversas plataformas, separados por gêneros, regiões e outros recortes. Luan Santana e Fernanda Souza comandam a nova aposta da Globo, que estreou registrando bons índices de audiência, jogando por terra a máxima repetida pelas TV’s nos últimos anos, de que música não dava mais Ibope.

O programa é bem-feito, com uma plateia agitada e que recria o ambiente de um show musical. Fernanda Souza e Luan Santana não são geniais em cena, mas são corretos e têm carisma. Mas o resgate de um programa essencialmente musical na Globo também está ligado às questões comerciais. A emissora percebeu que o cenário atual favorece a comercialização de um programa musical e se deu bem: SóTocaTop entrou no ar com vários patrocinadores, entre eles uma marca de celular e um aplicativo para ouvir música, que têm tudo a ver com a proposta do programa. Ouvem-se sons de máquina registradora!

Soma-se a isso os musicais com ares de reality show, os famosos talent shows, que foram quem ditaram a música na TV aberta nos últimos anos. Até eles ganharam mais espaço nos canais em 2018. The Voice Brasil, lançando sua sétima temporada, agora tem dois episódios semanais, às terças e quintas, na Globo. O programa teve uma boa estreia esta semana, mostrando que ainda tem força.

E o espectador não ficará órfão na quarta-feira, já que a Record entrou em cena com o Canta Comigo, com apresentação de Gugu Liberato. O formato não difere muito do The Voice, mas sua mecânica consegue manter a tensão em alta ao colocar o candidato diante de um “paredão” com nada menos que 100 jurados. Apesar das conversas “fake” entre eles, é divertido ver o candidato na expectativa para fazer levantar e cantar com ele o maior número possível de jurados. Na estreia, a mecânica funcionou e divertiu. Apenas Gugu parece um tanto apagado em cena. Curiosamente, ele esteve melhor no Power Couple. Vamos ver se ele fica mais à vontade nos próximos episódios, afinal, comandar musicais sempre foi uma de suas especialidades.

Ou seja, a música está mesmo em alta na TV brasileira. Seja em forma de show, de parada musical ou de disputa, o gênero que fez parte da história da TV desde a sua origem ressurgiu com força. E com todos os indicativos de que ainda vai ocupar mais espaço.

André Santana

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Boa, "Onde Nascem os Fortes" teve o mérito de sair do lugar-comum

"Waka waka!"
Com a revelação de que Ramirinho (Jesuíta Barbosa) foi quem disparou contra Nonato (Marco Pigossi), forçado pelo pai Ramiro (Fabio Assunção), Onde Nascem os Fortes teve um desfecho e tanto. O episódio final coroou a trajetória da história assinada por George Moura e Sergio Goldenberg. A produção foi marcada por uma trama densa, contemplativa e cheia de surpresas.

Onde Nascem os Fortes começou morna. Após um primeiro capítulo eletrizante, centrado no desaparecimento de Nonato e a busca desenfreada de sua mãe, Cássia (Patrícia Pillar), e sua irmã Maria (Alice Wegmann), pelo seu paradeiro, a trama pareceu estacionar. Quando Cássia chega a Sertão em busca de respostas, ao mesmo tempo em que Maria se lança estrada afora em busca de respostas, a “supersérie” passou a impressão de que não tinha argumento que sustentasse tantos capítulos.

Esta impressão foi quebrada com a revelação de que Nonato estava realmente morto. A partir daí, a trama de Onde Nascem os Fortes deu uma virada que justificou a aparente morosidade dos capítulos iniciais. Isso porque a primeira etapa da série serviu para construir os personagens principais e a “ciranda” que os interligava. Maria, Cássia, Hermano (Gabriel Leone), Pedro Gouveia (Alexandre Nero), Ramiro, Rosinete (Débora Bloch), Samir (Irandhir Santos), Plínio (Enrique Diaz) e Ramirinho compunham uma rede que ia ficando “menor” quando suas relações se estabeleciam.

Sob este prisma, a primeira fase não foi tão morosa quanto pareceu. Ela serviu para sedimentar os personagens dentro de uma situação, até chegar ao ponto de virada que os desconstruiu. Sendo assim, quando surge o mistério sobre a morte de Nonato, os personagens principais se revelam um tanto diferentes do que pareciam. O romance entre Cássia e Ramiro, a redenção de Pedro Gouveia e o relacionamento cheio de idas e vindas de Maria e Hermano foram reconfigurados. Foi uma sequência de surpresas, culminando com a revelação sobre a verdadeira origem dos gêmeos Nonato e Maria.

Neste contexto, o capítulo final de Onde Nascem os Fortes reforçou boa construção da trama. Ramirinho ter disparado contra Nonato surpreendeu, mas não fugiu da lógica proposta pela história. Afinal, o espectador acompanhou toda a angústia do jovem, que se vestia de “Shakira do Sertão” escondido do pai. O embate entre a sensibilidade de Ramirinho e a truculência de seu pai permeou a saga. Portanto, a morte de Nonato revelou-se o ponto alto desta conturbada relação.

Sendo assim, Onde Nascem os Fortes cumpriu com louvor sua missão de ser um produto diferenciado no horário. A trama abusou do silêncio, da canção que conversa com a situação, e de personagens imperfeitos para contar sua história. Uma história aparentemente simples, mas que traduziu bem a complexidade do ser humano. Além disso, fez um retrato intrigante sobre o coronelismo no século 21, contrapondo o ontem e o hoje de maneira inteligente.

André Santana

terça-feira, 17 de julho de 2018

História da TV: relembre a “dança das cadeiras” dos programas femininos – parte 2 (anos 2000)

"Vamos abrir a banca de jornal!"
Anteriormente, no TELE-VISÃO: Vimos o surgimento do Mulheres, da Gazeta, e do Note e Anote, da Record, expoentes dos programas femininos das décadas de 1980 e 1990. Porém, quando Ana Maria Braga deixa a Record e assina com a Globo, dá-se início a uma “dança das cadeiras” entre as apresentadoras dos programas femininos: Cátia Fonseca deixa o Pra Você, da Gazeta, e substitui Ana no Note e Anote (1999); Claudete Troiano retorna ao Pra Você (1999); Claudete Troiano retorna ao Mulheres (2000); Claudete Troiano é contratada pela Record e assume o Note e Anote (2000); Márcia Goldschimidt (2000), Christina Rocha e Clodovil Hernandes (2001) passam pelo Mulheres; e Cátia Fonseca assume o Mulheres (2002). Ufa! (se não viu, clique AQUI).

Porém, neste meio-tempo, um novo programa surge: A Casa É Sua, da então novata RedeTV. O programa estreia como um feminino matinal tradicional, comandado por Valéria Monteiro, mas logo se torna um vespertino e ganha três novos apresentadores: Meire Nogueira, oriunda da Rede Vida; Castrinho, que tinha um programa de culinária na Rede Mulher; e Sonia Abrão, que assinava uma coluna sobre TV no Diário Popular e fazia reportagens para o Domingo Legal, do SBT. Meire e Sonia logo se estranham, e a primeira acaba afastada da atração. Já Castrinho fica doente e também se afasta. Sozinha em cena, Sonia Abrão transforma o A Casa É Sua num programa com foco no jornalismo, com destaque às notícias da TV. Pronto! Está criado um formato que passaria a ser utilizado nos demais femininos, incluindo o Mulheres e o Note e Anote.

A Band, então, entra no filão lançando o Melhor da Tarde, apresentado por Astrid Fontenelle, Leão Lobo e Aparecida Liberato, em 2001. Ao mesmo tempo, aproveita Olga Bongiovanni, que se destacava no comando de um matinal que levava seu nome, e entrega a ela o feminino matinal Dia Dia. O formato também interessa a Silvio Santos, que tira Sonia Abrão da RedeTV e lhe entrega o Falando Francamente, em 2002. No mesmo ano, a Gazeta cancela o semanal Ione, e Ione Borges volta aos programas femininos, "ressuscitando" o Pra Você.

Para suprir a ausência de Sonia Abrão em suas tardes, a RedeTV contrata Leonor Correa, que estava há anos afastada da função de apresentadora e se dedicava à direção de quadros do Domingão do Faustão, programa de seu irmão na Globo. Contando com as presenças de Nelson Rubens e Gustavo Baena, Leonor segue à risca a cartilha de Sonia Abrão, lendo revistas e comentando os acontecimentos das novelas. Paralelamente, a RedeTV lança um novo feminino matinal, o Bom Dia Mulher, inicialmente apresentado por Ney Gonçalves Dias, Solange Couto e Solange Frazão. Solange Couto fica pouco tempo na função, passando o bastão para Amanda Françozo.

Depois de um período de calmarias, novas trocas de apresentadoras: no final de 2003, Leonor Correa pede para sair do A Casa É Sua, e é substituída por Clodovil Hernandes. Pouco tempo depois, no início de 2004, a Band dispensa Olga Bongiovanni, entregando o Dia Dia para Viviane Romanelli (que ficou pouco tempo ali). A RedeTV, então, contrata Olga e dispensa Amanda Françozo do Bom Dia Mulher. Mais tarde, novas mudanças: Sonia Abrão deixa o SBT e assina com a Record, passando a comandar o vespertino Sonia e Você. Já o SBT reformula sua grade vespertina lançando o Casos de Família, com Regina Volpato.

Em 2005, mais mudanças: Leonor Correa é convidada pela Band para assumir o Melhor da Tarde, dispensando Astrid Fontenelle. Ao mesmo tempo, a RedeTV dispensa Clodovil e transforma o A Casa É Sua num samba do crioulo doido: Ronaldo Ésper é contratado, mas apresenta apenas quadros de moda; no quadro de fofocas, Joana Matushita e Ofrásia (Vida Vlatt), dos tempos de Clodovil, passam a dividir a cena com Monique Evans; e a jornalista Liliane Ventura entra na atração para comandar um quadro de entrevistas. No segundo semestre, a Record cancela o Note e Anote, lançando em seu lugar o Hoje Em Dia. Com a mudança, Claudete Troiano assina com a Band para comandar o vespertino Pra Valer, no horário do Melhor da Tarde. Leonor Correa, então, deixa a emissora.

Na semana que vem, a “dança das cadeiras” continua! Não perca!

André Santana

sábado, 14 de julho de 2018

Para emplacar "Roda a Roda", SBT prejudica "SBT Brasil"

"E eu nem posso dar
minha opinião sobre isso..."

Silvio Santos já deve estar bem melhor da gripe. Depois de uma indisposição que o afastou das gravações de seu programa dominical, o animador voltou ao trabalho e, além de retornar ao seu auditório, praticou um de seus hobbies preferidos: mudar a programação do SBT. Na tentativa de retomar o game Roda a Roda, apresentado por sua filha Rebeca Abravanel, na grade diária, o dono do canal tratou de implantar mudanças na programação da emissora que durou a semana toda.

Roda a Roda reestreou em seu antigo horário, na faixa das 19h15, na última segunda-feira, 09. Na terça, 10, já estava na faixa das 20h25, antecedendo As Aventuras de Poliana e, de quebra, ganhou uma reprise nas madrugadas, depois do The Noite. A mudança foi positiva e audiência do game show da Jequiti cresceu. No entanto, Roda a Roda em seu novo horário acabou prejudicando o SBT Brasil, que vinha numa excelente fase de audiência. Roda a Roda ocupa uma faixa que sempre anotou crescimento do telejornal, já que não concorria com o Cidade Alerta, da Record, e servia como sala de espera à As Aventuras de Poliana. Terminando mais cedo, o noticioso perdeu fôlego.

Para recuperar a duração perdida do SBT Brasil, o canal fez um novo remanejamento e, na quarta-feira, 11, o jornal passou a entrar no ar mais cedo. Agora, Rachel Sheherazade surge com as notícias do dia a partir das 19h20, ocupando o horário anterior do Roda a Roda. No entanto, a mudança teve uma consequência bizarra: o SBT Brasil ganhou um “bloco local”. Como a faixa entre 19h20 e 19h45 é reservada para que emissoras e afiliadas do SBT exibam suas programações locais, o SBT Brasil não está mais sendo exibido neste horário em seus primeiros 25 minutos para todo o país.

Ou seja, o SBT Brasil, que tem um nome que sinaliza se tratar de um produto exibido em rede nacional, não é mais 100% nacional. Há quem diga que se trata de um teste do SBT para, quem sabe, relançar um jornal local no horário. O que, na prática, seria a retomada de um plano que já foi testado várias vezes na emissora, mas que nunca teve vida longa. Coisas do SBT.

Neste contexto, um dos planos seria retomar o SBT São Paulo. O jornal voltado à grande São Paulo já foi tentado duas vezes pelo SBT, em 2006 e em 2012. Em sua primeira versão, era exibido às 18 horas e apresentado por Carlos Nascimento. Ficou pouquíssimo tempo no ar. Já a segunda tentativa foi comandada por Karyn Bravo e Joyce Ribeiro, e ia ao ar na faixa das 19 horas. E também teve vida curta. Por que agora daria certo?

Outro plano ventilado por alguns sites especializados em televisão é mais ambicioso: o SBT estaria planejando a volta do jornal policial Aqui Agora. Caso o bloco local do SBT Brasil dê certo, a ideia do canal seria retomar o título com a apresentação de Rachel Sheherazade, que deixaria o outro jornal. Caso isso acontecesse, o Aqui Agora absorveria o bloco local do SBT Brasil, mas também ocuparia uma faixa nacional, na faixa das 18 horas, extinguindo a faixa de novelas que atualmente exibe Amanhã É Para Sempre. Vale lembrar que a novela mexicana já está na reta final e, até agora, o SBT não anunciou sua substituta.

Outra ideia que, caso se confirme, também parece uma insistência em algo que já não deu certo no passado. A última tentativa de retomar o Aqui Agora foi a desastrosa reedição de 2008, que ficou um mês no ar. Em 2013, a emissora chegou a anunciar o retorno da atração, com o comando de Neila Medeiros (aquela que era a única capaz de combater Datena e Marcelo Rezende...), mas mudou o nome do programa para SBT Notícias. E também não deu certo.

Mas, independente destes planos mirabolantes saírem do papel ou não, fato é que o SBT parece não suportar a ideia de não mexer numa faixa consolidada. SBT Brasil vinha registrando as melhores médias de audiência desde o seu lançamento, em 2005. Estava consolidado e numa excelente fase. Fase de ascensão que foi interrompida por mais um rompante de Silvio Santos. É uma pena.

André Santana

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Sem Otaviano, "Vídeo Show" vira celeiro de ex-BBB's

"Óia eu ali!"
Com o fim da Copa do Mundo, o Vídeo Show voltará ao ar nas tardes da Globo na próxima segunda-feira, 16. E a promessa é vir com novidades. Ou seja, será a enésima reformulação da atração, que anda mal das pernas já há um bom tempo. E, até aqui, não se sabe se a tal reformulação é apenas cosmética, ou se o Vídeo Show realmente terá alguma novidade neste retorno.

A própria Globo, mesmo, só anuncia como novidades as mudanças do elenco do vespertino. Em nota, o canal avisou que Sophia Abrahão, Fernanda Keulla e Vivian Amorim se revezarão no comando do programa, enquanto a ex-BBB Ana Clara e o ator Felipe Tito estreiam como repórteres. Ana Clara, além das reportagens, terá a missão de interagir com o público durante o programa por meio das redes sociais. Marcela Monteiro segue na atração. Ou seja, Otaviano está mesmo fora do Vídeo Show e deve assumir um novo projeto em breve.

As “mudanças” anunciadas deixam claro que a Globo almeja atrair para o Vídeo Show um público vindo das redes sociais. O fato de insistir em Sophia Abrahão como apresentadora mostra isso, já que a atriz é muito popular entre os jovens na internet. A ex-BBB Ana Clara é outra figura que vem se destacando nas redes, e se tornará um elo de comunicação entre o programa e a audiência. Ou seja, nesta “nova” fase, o Vídeo Show quer “lacrar”!

O problema aí é que televisão não é rede social. É até possível traçar estratégias no sentido de potencializar o uso das redes e otimizá-lo na TV. Mas é bem pouco provável que jovens internautas migrem para a televisão apenas em razão de seus ídolos estarem nas redes implorando por isso. Até porque o Vídeo Show é um programa sobre os bastidores da TV! Ou seja, já é antiquado na essência. A busca por uma modernização é justa, mas parece que estão fazendo isso errado.

Além disso, o canal terá no ar um de seus programas mais importantes sendo apresentado por figuras ainda praticamente desconhecidas. Otaviano Costa dividia opiniões, mas era um cara experiente e sabia bem o que estava fazendo. Fernanda Keulla e Vivian Amorim foram muito bem na Rede BBB, e seguiram desenvoltas como repórteres da atração. Mas torná-las apresentadoras assim, tão rápido, parece um tanto apressado. Fazer do Vídeo Show uma filial do YouTube é perigoso. Periga não atrair um novo público e, ainda, afugentar o público tradicional. 

André Santana

terça-feira, 10 de julho de 2018

História da TV: relembre a “dança das cadeiras” dos programas femininos – parte 1 (anos 1990)

"Acooorda meninaaa!"

Nossa história começa em 1980, quando Ione Borges e Claudete Troiano estreavam na TV Gazeta com o programa feminino Mulheres em Desfile. A dupla fez sucesso e ficou conhecida como “as parceirinhas” no programa que, tempos depois, teve o nome alterado para apenas Mulheres. Já em 1993, outra grife da TV brasileira entrava no ar: Note e Anote, com Ana Maria Braga, na Record. A atração ditou a moda dos femininos dos anos 1990 e alçou Ana Maria à estrela da TV.

Com o sucesso do formato voltado às donas de casa, a Gazeta abriu mais espaço ao filão e lançou o feminino matinal Pra Você, apresentado por Claudete Troiano, em 1996. Com a estreia, Ione seguiu sozinha no Mulheres. Em 1998, a Rede Manchete, já em seu respiro final, resolve entrar no filão e contrata Claudete, que estreia nas tardes do canal com o Mulher de Hoje. Em seu lugar no Pra Você entra Cátia Fonseca, oriunda da extinta Rede Mulher (atual Record News), onde comandou os programas Com Sabor e Universo Feminino.

No ano seguinte, a roda das mulheres volta a girar. Ana Maria Braga deixa a Record rumo à Globo, onde estreou o Mais Você em outubro de 1999. Para suprir sua ausência, a Record tirou Cátia Fonseca da Gazeta e a colocou à frente do Note e Anote. A Gazeta, então, resgatou Claudete Troiano, que já estava fora do ar em razão da falência da Manchete, e a colocou novamente à frente do Pra Você. Claudete fica pouco tempo no matinal, pois logo foi convidada pela direção da Gazeta para reassumir o Mulheres, enquanto Ione Borges ganhou um programa semanal de auditório noturno.

Tudo parecia calmo no universo dos programas femininos, até que, em 2000, a Record surpreende meio mundo ao tirar Claudete Troiano da Gazeta e entregar a ela o Note e Anote, afastando Cátia Fonseca da função. Num único final de semana, a direção da Gazeta correu contra o tempo para buscar uma nova apresentadora e acabou encontrando Márcia Goldschmidt, que estava na geladeira do SBT, onde comandou os programas Márcia, Programa Livre e Fantasia entre 1997 e 2000. Márcia e Leão Lobo (que já era colaborador do Mulheres) passaram a comandar o programa.

Em 2001, porém, a Gazeta tomou outro susto quando a Band tirou dela Márcia e Leão Lobo. Novamente, se viu tendo que buscar outros apresentadores, e acabou fechando com Clodovil Hernandes e Christina Rocha. Foi nesta época que surgiu a personagem Mamma Bruschetta, que passou a ser responsável pelo quadro de fofocas do Mulheres. Mas Clodovil e Christina não se deram nada bem e, após muitas brigas e alfinetadas no ar, Christina acabou deixando o programa. Então, em 2002, a Gazeta entrega a Clodovil um programa noturno e contrata Cátia Fonseca, que volta ao canal para apresentar o Mulheres.

Paralelamente, outros programas nesta seara surgiram, como o A Casa É Sua, Melhor da Tarde, Pra Valer, Dia Dia, Bom Dia Mulher... e a dança das cadeiras continua ao longo da década de 2000. Quer relembrar como se deu esta ciranda? Na próxima terça, 17, o TELE-VISÃO continua relembrando esta história. Não perca!

Post sugerido pelo leitor Caio. Valeu!

André Santana

sábado, 7 de julho de 2018

Agora é com quem? Indecisão de Datena prejudica domingo da Band

"Não sei se vou ou se fico,
não sei se fico ou se vou!"

José Luiz Datena é um nome forte da TV brasileira. Foi ele quem alçou o Cidade Alerta ao posto de mais visto jornal policial da televisão do país, além de ser um dos poucos apresentadores com o poder de levar sua audiência aonde quer que vá. Quando trocou a Record pela RedeTV, onde apresentou o Repórter Cidadão por um curto período, levou ao fim de tarde do canal de Amilcare Dallevo números nunca antes visto e jamais alcançados depois. Mais tarde, quando saiu da Record de novo e foi para a Band, fez do Brasil Urgente, até então apresentado por Roberto Cabrini, no programa mais importante da emissora do Morumbi.

Por conta de tais feitos, a aposta em Datena nos domingos sem futebol da Band até fazia sentido. O canal procura popularizar sua grade com programas de entretenimento baratos e que tenham retorno comercial. E Datena sempre reivindicou sua saída dos programas policiais, com a vontade de se tornar um animador de auditório. Neste contexto, surgiu Agora É com Datena, uma megamaratona de seis horas de duração aos domingos, com muito espaço e pouco conteúdo.

Deu pra ver no ar que Agora É com Datena foi um programa criado a toque de caixa. E que, a partir de sua estreia, foi se moldando no sentido de buscar um rumo. Ou seja, o programa foi sendo formatado ao vivo, no ar, diante de seus espectadores. A cada semana, Agora É com Datena ia se ajustando de acordo com os resultados apresentados. Recentemente, perdeu uma de suas seis horas, além de aumentar o conteúdo jornalístico. Tudo para buscar sua identidade em meio à tradicional guerra de domingo da TV brasileira. Enfrentando Fausto Silva, Eliana e Rodrigo Faro, Datena estava buscando descobrir quem é ele em meio a estes outros profissionais. E, claro, entender qual o seu público e o que ele espera. Os resultados, embora nada espetaculares, também não eram tão decepcionantes para os padrões da Band.

No entanto, esta fase de implantação do Agora É com Datena foi interrompida com o anúncio de José Luiz Datena de que se afastaria da TV para se lançar candidato ao Senado. A Band, então, se viu com um baita pepino nas mãos, tendo que definir o rumo do Agora É com Datena em poucos dias, em plena fase de ajustes. A solução encontrada foi dividir o programa em dois: o musical Brasil da Gente, com Netinho de Paula, das 15h às 18h; e o jornalístico Agora É Domingo, com Joel Datena, das 18h às 20h. E os resultados, como não poderia deixar de ser, não foram nada animadores.

Netinho de Paula afundou de vez as tardes de domingo da Band, ficando atrás de canais inexpressivos na audiência. O Agora É Domingo foi um pouco melhor, mas também deu menos audiência que José Luiz Datena dava. Por conta dos resultados fracos, a Band se mexeu novamente e anunciou que Brasil da Gente já foi cancelado, e que o Agora É Domingo passaria a ocupar a faixa toda, mesclando jornalismo e entretenimento, tal qual o extinto (ou não) Agora É com Datena. Ou seja, o domingo da Band anda pisando em ovos, com mudanças bruscas a cada semana, algo muito prejudicial nesta fase em que o canal ainda estava implantando um novo projeto. Passa a péssima impressão de que a emissora não sabe o que fazer. Como consolidar um público e convencer anunciantes assim?

Além disso, são muito fortes os comentários de que José Luiz Datena já teria desistido da política. E que esta anunciada versão mais longa do Agora É Domingo de amanhã (dia 08)  pode ser, na verdade, o retorno do Agora É com Datena, com seu titular voltando ao trabalho de uma vez. Dos males o menor: se Datena voltar mesmo, a Band poderá continuar o trabalho de implantação do dominical. Mas, vamos combinar? Precisava mesmo disso tudo? Essa indefinição é muito tóxica num momento em que Band ainda tem mais errado que acertado em seus ajustes na grade de programação.

Mas esse “vai não vai” de Datena não chega a ser uma novidade. Em 2002, como dito no começo deste texto, o jornalista deixou a Record rumo à RedeTV para ancorar um jornal policial que levava seu nome: Datena Repórter Cidadão. Mas o apresentador mal esquentou a cadeira e retornou à antiga casa menos de um mês depois, deixando o Repórter Cidadão nas mãos de Marcelo Rezende. Tempos depois, Datena saiu intempestivamente da Record e assinou com a Band, assumindo o Brasil Urgente. Ali ficou até 2011, quando topou convite para retornar à Record e “ressuscitar” o Cidade Alerta, que estava fora do ar. Ficou 40 dias no posto e retornou à Band. Ou seja, é Datena sendo Datena. Uma sugestão para a Band: troque o nome do programa para E Agora?. Vai fazer mais sentido.

André Santana

quinta-feira, 5 de julho de 2018

SBT vai reprisar "Carrossel"... de novo?

"Ainda não estamos na faculdade?"

Uma chamada misteriosa, daquelas que só o SBT sabe fazer, anda intrigando a audiência da emissora. Na campanha, uma sequência de desenhos, como que feitos num caderno, é mostrado ao som da melodia da canção-tema da novela Carrossel, trama infantil que abriu a bem-sucedida faixa de novelas para crianças do canal em 2012. Enquanto a animação é mostrada, uma locutora pergunta: “do que você lembra quando ouve essa música?”.

Ou seja, a chamada dá a entender que Carrossel deve retornar à programação do SBT. Segundo o site RD1, a emissora estaria planejando exibir novamente a novela infantil na faixa das 14h15, substituindo Chaves na programação. A ideia, que teria partido do próprio Silvio Santos, seria lançar a reprise assim que a Copa do Mundo chegasse ao fim. No entanto, o site Observatório da Televisão entrou em contato com a assessoria de imprensa do SBT, que respondeu que não há nada confirmado a este respeito. Sendo assim, por que cargas d’água a tal chamada está indo ao ar?

Pode ser que a ideia da chamada tenha saído da cabeça do próprio Silvio Santos (aliás, a chamada é a cara dele), que deve ter apenas passado o que queria, mas sem entrar em detalhes com ninguém. O SBT é dele e ele faz o que bem entender, afinal! Ou então a chamada não seria de um retorno de Carrossel, e sim algum anúncio de uma novidade que mexa com a nostalgia dos espectadores do SBT. Esta última ideia é muito pouco provável, sem dúvidas, mas no campo da especulação cabe tudo. O que estaria aprontando o senhor Silvio Santos?

Mas a especulação de que Carrossel poderia voltar no horário das 14h15 faz sentido. Trata-se de uma faixa de horário que anda bem disputada entre Globo, Record e SBT. Com o Vídeo Show enfraquecido, a Globo já não garante a liderança do horário. E o SBT, provavelmente, tentará combater a fragilidade da “líder” com um produto forte, o que Carrossel, sem dúvidas, é. Mas, ao mesmo tempo, seria uma pena se a informação se confirmasse. Isso porque Chaves retornou há pouco tempo no horário e tem ido muito bem. Fazia tempo que a série mexicana não dava as caras na programação diária, e um novo cancelamento frustraria os fãs. Vamos ver o que acontece.

O que se sabe é que o SBT deve ganhar novidades em sua programação nas próximas semanas, sim. A emissora já anuncia a série Z4, uma parceria com a Disney, e que estreia ainda em julho. Trata-se de uma série infanto-juvenil que será exibida após As Aventuras de Poliana. E em agosto, quando faz aniversário, a emissora sempre prepara um pacote de estreias. O que se sabe, por enquanto, é que haverá a estreia da nova temporada de Bake Off Brasil – Mão na Massa, que será apresentado por Nadja Haddad. Acredita-se, também, que Roda a Roda, com Rebeca Abravanel, voltará à programação diária, enquanto Patrícia Abravanel pode assumir o retorno do Topa ou Não Topa. Além disso, a série A Garota da Moto finalmente terá sua segunda temporada lançada. 

André Santana

quarta-feira, 4 de julho de 2018

"Lia" traz ponto de vista feminino da Bíblia

"E sem apocalipse desta vez!"
No ar há uma semana, a minissérie Lia, da Record, tem sido uma grata surpresa nesta seara de séries e novelas bíblicas do canal. Além de devolver os cenários e figurinos ao qual o público estava acostumado na faixa, depois da contemporaneidade de Apocalipse, a trama tem uma rara protagonista feminina. Com isso, dá uma perspectiva diferente ao texto sagrado.

Lia conta a saga de uma das mulheres de Jacó (Felipe Cardoso). A personagem-título (Bruna Pazinato) cresce diante da rudeza do pai Labão (Théo Becker) e tendo de criar a irmã mais nova, Raquel (Graziella Schmitt). Então, Lia se apaixona por Jacó, que, por sua vez, se interessa por Raquel. Labão, então, engana Jacó, prometendo lhe entregar Raquel, mas entrega Lia.

Na minissérie, Lia surge já mais velha, contando à filha sua história. Deste modo, toda a saga contada parte do ponto de vista da própria, trazendo um olhar feminino raro na dramaturgia bíblica da Record. Basta comparar com as novelas anteriores, todas contando histórias protagonizadas por homens. Na Bíblia, são poucas as mulheres que surgem como protagonistas de suas histórias. E o texto de Paula Richard tem essa intenção de jogar luz sobre uma personagem que era “apenas” uma das mulheres do pai do rei do Egito.

Sendo assim, o enfoque em Lia permite com que assuntos da atualidade surjam, mesmo numa história do Velho Testamento. A minissérie, então, trata da posição da mulher naquele período histórico, traçando um paralelo com a contemporaneidade. Com isso, apesar de voltar a apostar na paisagem e no figurino característicos das tramas bíblicas anteriores a Apocalipse, Lia tem como diferencial e trunfo o texto moderno. Sem dúvidas, uma boa novidade no gênero. Além disso, a trama bebe da fonte clássica do “patinho feio”, apostando na transformação da protagonista. Um tema folhetinesco que costuma ser irresistível.

Não que a mocinha fugirá de uma vida limitada, em razão de ser mulher num tempo em que mulheres não representavam grande coisa. Mas ao trazer uma mulher falando sobre a condição feminina daquele tempo, a série provoca reflexão. Com isso, a nova minissérie da Record traz uma perspectiva menos usual da Bíblia, o que é bastante saudável. A emissora acertou nesta "sala de espera" da novela Jesus, que vai estrear "só Deus sabe quando". 

André Santana