terça-feira, 1 de maio de 2018

História da TV: há 17 anos, Vera Loyola tentava ser Hebe na CNT

"Quem quer pão?"

No início do século 21, haviam algumas figuras que eram habitués dos programas de entrevistas e revistas que destacavam o cotidiano dos ricos e famosos. Uma delas era Vera Loyola, socialite emergente que enriqueceu tocando uma rede de padarias no Rio de Janeiro. Vera aparecia muito na TV e nas revistas, pelos mais variados motivos. Dentre seus “feitos”, estavam seu carro com tapete persa e uma festa de aniversário para sua cachorra Pepezinha que deu o que falar. Eram tempos mais ingênuos...

Tamanha popularidade rendeu à Vera o convite para assumir um programa de auditório no horário nobre da CNT, hoje completamente jogada às traças (e aos telecultos). O Programa Vera Loyola estreava no dia 31 de maio de 2001, e era exibido às quintas-feiras, por volta das 22 horas. Num cenário cafona toda vida e mais escuro que a Batcaverna, Vera tinha um sofá onde recebia convidados, tal qual Hebe Camargo. Ao seu redor, indefectíveis tapetes persas, um mordomo gay afetadíssimo (Silva, vivido pelo ator Gil Latoreira) e uma cachorrinha que carregava as fichas da apresentadora.

Além dos tapetes, do mordomo e do cachorro, outro elemento facilmente associado ao universo da socialite estava no programa: o pão. No quadro “O Pão e a Baguete”, Vera recebia um homem (o pão) e uma mulher (a baguete), que se destacaram por algum motivo. Eles contavam suas histórias e ganhavam um mimo de Vera Loyola: uma cestinha de pães vinda de uma de suas padarias.

E isso não é tudo. Esbanjando originalidade, Vera Loyola comandava o quadro “Pra Quem Você Estende o Tapete”, uma versão persa do “Pra Quem Você Tira o Chapéu” do Programa Raul Gil. Nele, Vera recebia convidados que estendiam ou não o tapete para várias personalidades. Sobre o quadro, o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos escreveu, em julho de 2001: “Imaginem que uma das atrações de Vera Loyola quinta-feira passada foi o nosso fofo Rubens Ewald Filho, coitado, anunciado o tempo todo pela emergente como Ewaldo. Com aquelas bochechinhas, aquele cavanhaque, debaixo da escuridão do CNT, Ewald parecia o Boris, não o Casoy, outro fofo, mas o Boris Karloff dos filmes de terror. Lá em casa todos morremos de medo quando Ewaldo, desiluminado, sem aquela maquiagem que nas noites de Oscar fazem róseas porcelanas suas bochechas, negou-se a estender o tapete para Marta Suplicy (...). Ewald fez uma cara enfezadinha para a câmera e disse: ‘Não, Vera, não estendo o tapete para Marta porque já dividi camarim com ela no tempo da Globo. E ela nunca falou comigo. Não estendo o tapete porque Marta é arrogante’”.

E tudo isso era embalado pela inacreditável música-tema do programa, que Vera revelou ao jornal Folha de S. Paulo que tinha sido composta “por um fã”. A letra dizia: “Sou mais Vera Loyola, que vive do dinheiro do seu pão/ Tem festa toda hora, até pra cadela de estimação/ Sou mais Vera Loyola, cansei de ouvir falar em tradição”. Vera estava tão empolgada na época da estreia, que revelou na mesma Folha de S. Paulo: "Minha música vai se tornar um hino pop, daqui a pouco todo mundo vai estar cantando”. Na mesma entrevista, concedida à repórter Claudia Croitor e publicada em 27 de maio de 2001, ela concluiu: “Eu não sou uma artista, só vou viver com os artistas. Sou uma socialite popular. Mas eu tenho alguns títulos além de socialite. Sou empresária, apresentadora de TV, escritora... Eu sou Vera Loyola, é melhor do que isso tudo”.

André Santana

4 comentários:

  1. Pior é que eu me lembro disso. Era horrível!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu assistia direto! Sempre tive certo fascínio pelo tosco, rsrs!

      Excluir
  2. Noooooooossa, desenterrou um esqueleto e tanto! Nem me lembrava disso! Cheguei a assistir, mas o cenário escuro me dava aflição. Que ótimo resgate, continue trazendo mais coisas do lado B da história da TV pra gente!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Trarei sempre que possível! Adoro essas histórias!

      Excluir