sábado, 3 de março de 2018

Com "Melhor da Tarde", Band ressuscita vespertino "das antigas"


Entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000, houve um verdadeiro “boom” de programas femininos vespertinos. Na época, a Gazeta já fazia o seu clássico Mulheres, com Ione Borges e Claudete Troiano, mas foi quando Ana Maria Braga cresceu e apareceu no Note e Anote, da Record, que o formato se popularizou de fato. Aí, toda emissora quis ter um programa nos moldes: a extinta Manchete contratou Claudete e lançou o Mulher de Hoje, enquanto a Band apostou no Mulheres do Brasil, com Márcia Peltier, e o Mulher de Verdade, com Silvinha Franceschi. A Globo entrou na onda, quando contratou Ana Maria e lançou o Mais Você, enquanto a Record seguiu com seu Note e Anote, pilotado por Cátia Fonseca. Assim, entre os canais abertos, apenas o SBT não apostou no filão neste período.

Foram muitas receitas de bolos e tortas nos mais diferentes canais e nos mais diversos estilos, e apresentado por nomes diversos, até que, entre os anos 2000 e 2001, Sonia Abrão despontou com jornalismo e notícias dos famosos no A Casa É Sua, da RedeTV, dando um novo rumo aos vespertinos. De repente, os demais canais deram um tempo na culinária e no artesanato e passaram a investir mais em fofocas de celebridades e outros assuntos. Note e Anote e Mulheres abriram espaço para este conteúdo, enquanto a Band lançava a primeira versão do Melhor da Tarde, também nestes moldes. E até o SBT entrou na onda, tirando Sonia Abrão da RedeTV e lançando o Falando Francamente, em 2002.

Porém, passado o boom dos vespertinos de culinária e fofoca, o formato arrefeceu, sobrando alguns remanescentes. Sonia Abrão conseguiu vida longa e hoje segue há quase 12 anos na RedeTV com o A Tarde É Sua, enquanto o Mulheres resgatou o formato de revista feminina de variedades com Cátia Fonseca, permanecendo assim por incríveis 15 anos. E as demais apostas no formato, como o Pra Valer, de Claudete Troiano, na mesma Band, não vingaram, mostrando que este tipo de produto já não era garantia de sucesso nos canais abertos maiores. Nesta época, o Hoje Em Dia fazia sucesso nas manhãs da Record e lançou a tendência da “revista eletrônica”, onde até cabia culinária e fofocas, mas abraçava outros assuntos também.

Mas, quando o formato mais tradicional parecia restrito aos canais “menores” (a Gazeta é um canal paulistano com alcance nacional restrito), eis que a Band resolveu resgatar o formato, em busca de uma produção barata e com muitas possibilidades comerciais (o que, no fundo, estes vespertinos sempre foram: grandes vendedores). E foi buscar justamente a única “heroína da resistência” neste formato vespertino: Cátia Fonseca. E relançou o Melhor da Tarde, trazendo basicamente a mesma fórmula do Mulheres.

A aquisição da Band foi acertada, tendo em vista que Cátia, há 15 anos no comando de um diário ao vivo com incríveis quatro horas de duração, adquiriu um traquejo e tanto na arte de passar a tarde conversando. Cátia tem grande desenvoltura diante das câmeras, é simpática e sabe falar a língua de sua espectadora, estofo adquirido após tanta experiência no segmento. Por isso mesmo, se a Band queria resgatar o formato mais tradicional de programas femininos, não poderia ter escolhido comandante melhor.

Cátia fez uma estreia estranha, já que a primeira hora de seu Melhor da Tarde, no ar na última quinta-feira, 01, foi pura enrolação, com segmentos pré-gravados fingindo que era ao vivo e um passeio cansativo pelas instalações do Grupo Bandeirantes. Mostrar os bastidores é sempre divertido, mas a sensação de “encheção de linguiça” era inevitável. Somente às 15 horas, quando o programa entrou em rede nacional, foi que o Melhor da Tarde estreou de fato, mostrando seu cenário (clean e bonito) e suas atrações. Tudo bem apressado, pois metade do programa já havia passado.

Foi apenas no segundo programa, de ontem, 02, que o Melhor da Tarde se mostrou de verdade. Em suas duas horas de duração, Cátia comentou as notícias do dia com Neto, do Os Donos da Bola, e falou sobre a vida das celebridades com Aaron Tura e a participação de Evandro Santo, que fez uma matéria mostrando a casa de uma fã de Cátia. Também falou sobre saúde, ensinou uma receita e resgatou uma aula de dança que fazia, anos atrás, em seu Mulheres. Ou seja, nada muito diferente do que era o próprio Mulheres, ou o que foi os programas femininos da década passada e retrasada. A ideia, além de vender, é servir de companhia às donas de casa.

Ou seja, o novo Melhor da Tarde não tem a intenção de reinventar a roda, e faz bem aquilo que se pretende fazer. Mas não deixa de parecer um programa datado, meio anacrônico, como se buscasse retomar um tempo que já não existe mais (a aula de dança mesmo ensinou a coreografia de “Um Morto Muito Louco”. Alguém ainda dança isso?). Pelo menos tem “apenas” duas horas, já que ninguém aguenta mais os programas longuíssimos do final dos anos 1990. Resta saber se ainda há um grande público interessado neste “blá-blá-blá” vespertino. No mais, é um programa bem feito, e é ótimo observar que a Band voltou ao jogo, após anos entregando os pontos. Ponto para o canal.

André Santana

4 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Comentarei hoje no meu blog sobre a Catia Fonseca na Band. Na estreia, gostei da primeira parte. Ela mostrou os bastidores da emissora e tal. Foi bom. Já detestei a segunda parte. Ontem, o programa já mostrou suas deficiências.... Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Fabio! Como disse no texto, achei a primeira parte, na estreia, muito cansativa. Deveria ter ocupado menos tempo. Depois vejo suas impressões no seu blog. Abraço!

      Excluir
  2. Praticamente todas as redes abertas pequenas e grandes tem atrações feminina ou de fofoca no período da tarde
    Em pensar que no final da década de 90 era só a gazeta e Record
    Esses dias Sônia Abrão disse que a rede globo tb terá um programa feminino com apresentação da Angélica (mais que merecido ) no lugar da sessão da tarde vamos aguardar e torcer pra esse projeto acontecer

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Até torço pra que este vespertino da Globo aconteça, desde que não seja mais um mix de Encontro com Vídeo Show. Os programas de variedades diários da Globo estão muito parecidos.

      Excluir