terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Angélica pode ganhar vespertino diário, diz colunista

Deu no blog da colunista Keila Jimenez, do R7: Angélica pode ganhar um programa vespertino diário na Globo. A loira, que encerrará seu Estrelas no final do primeiro semestre de 2018, está cotada para comandar um projeto que seria uma espécie de Encontro com Fátima Bernardes vespertino. Segundo Keila, a ideia está em discussão na Globo e, se vingar, pode estrear no final do ano ou no início de 2019.

Caso a coisa se confirme, seria o retorno de Angélica à programação diária da Globo, onde já comandou os infantis Angel Mix, Caça Talentos e Bambuluá, nas manhãs, além de ter permanecido à frente do Vídeo Game, do Vídeo Show, por dez anos. Também seria uma atração diferente na faixa da tarde da Globo, refém dos mesmos Vídeo Show, Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo desde os tempos da TV a lenha. A última aposta diferente do canal no horário foi o Mais Você, que não resistiu à concorrência e migrou para as manhãs menos de um ano depois de sua estreia.

Trata-se de uma notícia que dá margem a muitas análises. A melhor delas é a de que realmente existe um projeto de um novo programa para Angélica. Afinal, quando anunciou o fim do Estrelas, a emissora avisou que a apresentadora e sua equipe já trabalhavam para desenvolver um novo programa. Mas nada foi dito sobre o projeto desde estão, o que deu margem a especulações de que tal projeto não existiria. Soma-se a isto a temporada especial do Vídeo Game, sinalizando que o destino de Angélica seria seu retorno ao Vídeo Show, e as notícias de uma possível candidatura de Luciano Huck, que faria com que ele e sua esposa deixassem a programação da Globo.

No entanto, o fato de o projeto ser tratado como uma espécie de Encontro com Fátima Bernardes vespertino é um tanto temeroso. Seria até interessante ver Angélica comandando um formato assim, sem dúvidas. Mas é fato que a Globo tem apostado em programas de variedades muito parecidos. Mais Você e Encontro até tentam destoar, e conseguem muitas vezes, mas a repetição de pautas é sempre um risco que se corre. Além disso, vira e mexe, os programas de Ana Maria Braga e Fátima Bernardes repetem convidados e repercutem os programas da Globo. Já pensou mais um programa fazendo o mesmo, e exibido depois do Vídeo Show, que também faz isso? Para ficar diferente, o canal devia pensar em algo tipo “Altas Horas diário”, ao invés de “Encontro vespertino”. Fica a dica.

Keila Jimenez disse ainda que o horário do Estrelas deverá ser ocupado por um programa musical, de música sertaneja, que seria comandado por Simone e Simaria e outros nomes. Nada contra música sertaneja, e muito menos Simone e Simaria (que são bem divertidas), mas apostar num musical segmentado me parece um erro. O sertanejo universitário e feminino está na moda, mas nada garante que a moda permaneça. O sertanejo estava em alta no início dos anos 1990, levando o SBT a lançar o Sabadão Sertanejo. Mas o estilo perdeu força e obrigou o programa a se tornar apenas Sabadão. No final da mesma década, o pagode estava em alta, e a Globo lançou, no mesmíssimo horário do Estrelas, o Samba, Pagode e Cia. E o programa simplesmente não vingou, saindo do ar pouco tempo depois. Ou seja, o canal vai correr um risco com a ideia, que poderia ser um projeto de temporada, e não fixo na grade.


André Santana

sábado, 27 de janeiro de 2018

Fraco, "Brasil a Bordo" decepciona na estreia

Que Miguel Falabella é um exímio criador de séries, não se pode negar. O autor é dos poucos roteiristas do time de veteranos da Globo que entende o formato e não tenta repetir fórmulas de novelas nas séries, concebendo produtos realmente originais. Mesmo sendo um reconhecido autor de comédia, Falabella já enveredou por outras temáticas com habilidade, como no ótimo, mas pouco reconhecido A Vida Alheia, ou no criticado, mas bem interessante Sexo e as Negas.

Sua criação mais recente, Pé na Cova, foi outro êxito e evoluía a olhos vistos a cada temporada. O cotidiano da disfuncional família que tocava uma casa funerária foi se aprofundando, tirando humor de situações melancólicas e provocando reflexão. Além disso, seus personagens variados, os famosos tipos criados por Falabella, conviviam e pregavam o amor, a tolerância e a diversidade. Em sua reta final, Pé na Cova tornou-se uma inteligente ode contra o preconceito.

Por isso mesmo, o primeiro episódio de Brasil a Bordo, que foi ao ar na última quinta-feira, 25, chamou a atenção negativamente. A nova comédia de Falabella mantém suas características, como a anarquia, o desfile de tipos inusitados e uma boa dose de crítica social, mas fez isso mediante diálogos fracos, pouco criativos e carregados de preconceitos. Na estreia, foram vistas piadas sobre a terceira idade e a homossexualidade que foram dignas de A Praça É Nossa. Falabella tem um reconhecido humor popular, sem dúvidas, mas em Brasil a Bordo a coisa acabou apelando para o popularesco.

O capítulo de estreia passou boa parte do tempo apresentando os personagens, que são muitos. Berna Cavalcanti (Arlete Salles) é a dona da Piorá Linhas Aéreas, uma companhia de aviação falida. Ela é casada com Gonçalo (Luiz Gustavo), e convive, também, com os ex-maridos de suas irmãs, que chegaram a tocar a companhia com ela no passado, mas uma fugiu e outra morreu. Os cunhados Vadeco (Miguel Falabella) e Durval (Marcos Caruso) são os pilotos da companhia, e também vivem na mansão dos Cavalcanti. Camilinho (Rafael Canedo), Caravelle (Maria Eduarda Carvalho) e Johnny Beautiful (Magno Bandarz) completam o clã. Com a companhia falida, eles retomam a autorização para operar, desde que se tornem sócios dos funcionários. Assim, surgem em cena a comissária São José (Maria Vieira) e as despachantes Shaniqwa (Mary Sheila de Paula) e Almira (Stella Miranda).

Não que a estreia de Brasil a Bordo tenha sido de todo ruim. A favor da série a premissa inusitada, que utiliza um avião como metáfora do próprio país, sempre prestes a cair. E, principalmente, o elenco, no qual se destacam medalhões em ótima forma. Arlete Salles, Marcos Caruso e Maria Vieira surgiram inspiradíssimos, assim como a graciosa Maria Eduarda de Carvalho, e a sempre divertida Mary Sheila, simplesmente impagável como Shaniqwa. Valeu também a presença de Niana Machado, figura recorrente nas obras de Falabella desde uma participação no Toma Lá Dá Cá. Mais uma vez vivendo uma velhinha esclerosada, a presença da atriz rendeu uma piada metalinguística bastante simpática. “Agora eu tenho que carregar esta mulher pra todo lugar!”, berrou Vadeco, enquanto ela gritava “eu quero descer!”.

Estas e algumas outras situações renderam risadas realmente honestas no Brasil a Bordo. Mas a apresentação da família Cavalcanti ficou devendo em informação e bom gosto. Faltou um refinamento nos diálogos e mais criatividade nas soluções, que fizeram com que a apresentação dos personagens ficasse truncada e até um pouco confusa. Talvez, sem a obrigação de explicar seu propósito no próximo episódio, a coisa flua melhor e a série decole. Porque o primeiro episódio de Brasil a Bordo ficou devendo.


André Santana

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

"Domingo Show" perderá metade de sua duração, diz site

Geraldo Luís não perdeu seu próprio programa para apresentar um formato enlatado, como Roberto Justus, Xuxa Meneghel, Marcos Mion e Gugu Liberato, mas não escapará de mudanças na Record. Seu programa, Domingo Show, deve perder metade de sua duração, informou Daniel Castro em seu site Notícias da TV.

Segundo a matéria, o martelo só deve ser batido no decorrer desta semana, mas já há consenso na emissora de que a melhor solução para o programa seria a redução pela metade, que passaria de quatro horas e meia para pouco mais de duas horas. Com isso, Domingo Show escapará de ser cortado de vez da programação, já que, embora dê uma ótima audiência, a atração traz prejuízo à emissora. Estudos realizados pela Record concluíram que financeiramente o dominical não tem solução, e que não há anunciantes interessados em uma atração com forte queda para o sensacionalismo, voltada para as classes C, D e E.

Além de seu tempo de exibição, Domingo Show passaria por reformulações em seu formato, perdendo seu auditório e se tornando um programa todo feito em externas, com as reportagens realizadas por Geraldo Luís. Assim, reduziria os gastos com equipes técnicas, produção, alimentação, caravanas e transporte.

No final do ano passado, Ricardo Feltrin, do UOL, chegou a afirmar que a Record estudava acabar com o programa e substituí-lo por um humorístico. No entanto, é pouco provável que isso aconteça, já que a audiência do Domingo Show é importante para a emissora. São as “histórias de emoção” mostradas por Geraldo que servem como uma importante alavanca para Hora do Faro e Domingo Espetacular.

Ou seja, provavelmente o Domingo Show vai ficar parecido com o repeteco do programa que a emissora lançou no ano passado, o Geraldo Brasil, que servia como tapa-buracos na grade de programação. Alteração que não deve trazer prejuízo à audiência do programa, já que palco e auditório sempre foram “elementos decorativos” do programa. Sendo assim, os fãs do programa podem respirar aliviados porque o sensacionalismo deve continuar.


André Santana

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Datena terá programa aos domingos na Band

A Band está mesmo disposta a sair do buraco em 2018. Além das contratações de Amaury Jr e Cátia Fonseca, a emissora planeja, ainda, dar um novo programa a um de seus principais contratados. José Luiz Datena, que apresenta o policialesco Brasil Urgente, terá um novo programa aos domingos na emissora. Com a empreitada, ele pode até mesmo deixar o comando do jornalístico.

Segundo o jornalista Flavio Ricco, colunista do UOL, a ideia é do próprio dono da Band, Johnny Saad, e vem sendo desenvolvida pelo vice André Aguera, que tem se encarregado de tocar pessoalmente todas as providências. O novo programa terá entre quatro e cinco de duração, e será composto de vários quadros, inclusive com um pouco de jornalismo. Com isso, a Band pretende transformar Datena em seu próprio Silvio Santos. Ou talvez o seu Faustão. A estreia está prevista para março.

Ainda segundo Ricco, a emissora vai, ainda, definir como fica a situação de José Luiz Datena com este novo programa em suas mãos. O canal estuda se afastará de vez o apresentador do Brasil Urgente, entregando o policial de vez para Joel Datena (filho do jornalista, que cobre férias e folgas do pai), ou se Datena ficará com os dois programas.

A dúvida tem razão de ser. Embora Datena sempre declare já estar cansado de apresentar o Brasil Urgente, a emissora nunca cogitou afastá-lo, pois entende que a presença do jornalista é fundamental para a boa audiência do programa. Todas as vezes que Datena se afastou do Brasil Urgente (como aquele retorno “relâmpago” à Record), a audiência caiu.

Deixar o Brasil Urgente e se dedicar a um programa de variedades é um desejo antigo de Datena. O jornalista nunca conseguiu sair do jornal policial, mas já conseguiu ter em mãos programas mais leves, como o No Coração do Brasil e o game Quem Fica em Pé?, na Band, além do No Vermelho, ainda nos tempos de Record. Tanto No Coração do Brasil quanto Quem Fica em Pé? registraram bons índices de audiência para a Band. Será que Datenão terá fôlego para bater de frente com os tradicionais programas de domingo e se livrar de vez do Brasil Urgente? A conferir.


André Santana

domingo, 21 de janeiro de 2018

Em ótima estreia, "Dancing Brasil" se firma como o melhor programa da Record

Sem medo de esgotar o formato, a Record lançou na última quarta-feira, 17, a terceira temporada do talent show Dancing Brasil. A atração ganha maturidade a cada edição, e não foi diferente nesta estreia. Xuxa Meneghel está cada vez mais à vontade na função, os jurados seguem mandando muito bem, e Leandro Lima, que substitui Sergio Marone na co-apresentação, colocou seu antecessor no bolso.

Foi uma estreia burocrática, com a apresentação dos candidatos seguida de sua primeira apresentação. Mas tudo aconteceu de modo harmônico, sem sustos ou sobressaltos. O novo time de participantes é bom, e deve render. Bárbara Borges, Bárbara Evans, Hylka Maria, Raíssa Santana, Joanna Maranhão, Geovanna Tominaga, Isabel Fillardis, Marina Elali, Douglas Sampaio, Acelino Popó Freitas, Diego Sales, Bruno Chateaubriand, Dudu Pelizzari, Rodrigo Capella e Sebá proporcionaram bons momentos nesta estreia.

Fernanda Chamma, Jayme Aroxa e Paulo Goulart Filho também voltaram tinindo, com boas análises e bons conselhos aos novos participantes. Aliás, é neste quesito que o Dancing Brasil se destaca, já que traz, verdadeiramente, boas informações e análises sobre a dança, tecnicamente falando.

Praticamente sem novidades, Dancing Brasil teve como principal mudança seu dia de exibição. E a Record acertou neste remanejamento, já que a atração é mesmo uma boa alternativa ao futebol concorrente. Neste dia da semana, a possibilidade de a atração decolar é bem grande. Na estreia, já teve audiência recorde. Bom sinal.

Além do dia de exibição, o Dancing Brasil também mostrou alguma diferença na apresentação. Cada vez mais à vontade no comando do programa, Xuxa roubou a cena e, diferentemente das outras edições, teve mais tempo para agir espontaneamente e não ficou o tempo todo presa ao teleprompter. A apresentadora riu, se divertiu, disparou piadinhas infames e fez suas próprias análises das apresentações. Estava em casa. E, desta vez, ganhou um partner à altura: saiu o robótico Sergio Marone, entrou o ator Leandro Lima, bem mais simpático e espontâneo que seu antecessor. A emissora acertou na escolha.

Ou seja, nesta terceira temporada, Dancing Brasil aparou as arestas vistas nas edições anteriores e apresentou um espetáculo redondinho e bem envolvente. Em meio a tantos erros na programação da emissora, o programa se coloca como a melhor atração da atual grade da Record. Merece sua atenção.


André Santana

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Gugu renova com a Record e assume "Power Couple"

Demorou mais do que o previsto, mas a novela envolvendo Gugu Liberato e a Record chegou ao fim. O apresentador ficará na emissora mais um ano, aceitando a proposta do canal de assumir o comando de um formato importado. Caberá a Gugu o comando do Power Couple, reality show de casais que terá sua terceira temporada no canal a partir de abril. As duas temporadas anteriores da atração foram comandadas por Roberto Justus.

A renovação de contrato de Gugu se arrasta desde o final do ano passado. A emissora andava insatisfeita com o programa semanal do apresentador, que estava fraco de audiência e conteúdo. Assim, a ideia da direção da Record era extinguir o programa Gugu e aproveitar o apresentador como mestre de cerimônias em algum formato enlatado, repetindo a estratégia adotada para Xuxa, que perdeu o comando do Programa Xuxa Meneghel para comandar o Dancing Brasil. O mesmo também será feito com Marcos Mion, que perdeu seu Legendários, mas seguirá à frente de A Casa.

A princípio, Gugu não teria aceitado perder seu próprio programa, daí a demora em se chegar a um acordo. Muitos apostavam que o apresentador deixaria a emissora de vez. Mas, recentemente, Ricardo Feltrin, do UOL, noticiou que a Record fez uma nova proposta, oferecendo a Gugu o comando de um formato pronto no primeiro semestre e uma nova temporada de seu programa, com menos episódios, no segundo semestre. Agora, Flavio Ricco, também do UOL, afirma que o acordo já foi selado e Gugu seguirá no canal, mas não confirmou se o apresentador terá seu próprio programa no segundo semestre. O colunista só avisou que o canal buscará um novo formato para ele comandar.

Também já está definido que Gugu, inicialmente, assume o comando do Power Couple. Ricco afirmou que a Record estuda alterar o esquema de exibição do reality, apostando em edições diárias e ao vivo, semelhante à A Fazenda. Com isso, Roberto Justus perde espaço no canal. Resta saber se Justus seguirá à frente de A Fazenda, no segundo semestre, ou se Gugu acabará ficando, também, com o reality rural. Afinal, sua participação especial na edição do ano passado foi muito bem avaliada, tanto internamente quanto junto ao público.

Talvez não seja bem o que Gugu queria, mas a mudança, aparentemente, é positiva. Power Couple é um formato bem interessante, e Roberto Justus nunca foi um exímio comandante. Robótico, sempre lhe faltou jogo de cintura no comando das provas da atração. Já Gugu é um exímio comandante de games, e poderá voltar a exercitar este lado no Power Couple. Em suas mãos, é grande a chance de o formato se fortalecer. E, assim como Xuxa conseguiu recuperar seu brilho comandando Dancing Brasil, Gugu terá a chance de fazer o mesmo. Porque, vamos combinar, o loiro estava mais do que apagado em seu semanal das quartas-feiras.


André Santana

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Record recorre novamente à reprise para não deixar morrer a “novela das sete”

Quando saiu a notícia de que Topíssima, novela de Christianne Fridman que substituiria Belaventura, teve sua produção interrompida, imaginei que a “novela das sete” da Record morreria de vez. E que, provavelmente, a emissora colocaria no horário o Jornal da Record, ou voltaria a esticar o Cidade Alerta indefinidamente. Mas não. A princípio, a “novela das sete” da Record não vai morrer. Mas vai recorrer, novamente, a uma reprise.

Neste caso, não será uma “nova” reprise, e sim um ajuste na atual configuração da grade. Com o fim de Belaventura, a reapresentação de Os Dez Mandamentos, que ocupa a faixa das 18h15, será empurrada para às 19h45. E o Cidade Alerta, que havia sido reduzido drasticamente desde o retorno de Os Dez Mandamentos, volta a ser enorme, indo das 16h45 às 19h45. Já o SP Record não sobreviverá às mudanças e sairá do ar.

O encurtamento do Cidade Alerta, a reprise de Os Dez Mandamentos e o lançamento do SP Record faziam parte de um pacote de mudanças na programação de 2017 que buscava qualificar a grade da emissora. O jornal policial era enorme e dava audiência, mas não faturava tanto. Com uma novela e um novo jornal, mais voltado à informação e prestação de serviço, o canal esperava fazer uma grade comercialmente mais interessante. No entanto, em termos de audiência, as mudanças revelaram-se um grande fiasco. Os Dez Mandamentos entregava em baixa para o SP Record, que entregava em baixa para Belaventura, que também pontuou mal. Sem a alavanca do Cidade Alerta, a audiência do horário nobre da emissora despencou.

Por conta disso, a Record, agora, tentará recuperar os números perdidos e, mais uma vez, recrutará o Cidade Alerta para a função. Além disso, Os Dez Mandamentos entrará numa fase na qual decolou em sua primeira exibição, e a emissora espera que os números subam a partir daí. Como vai contar com a alavanca do jornal policial, é bem provável que a nova grade refresque, ao menos um pouco, a situação da emissora. Vamos ver o que acontece.

Sendo assim, como a faixa de novelas das sete continuará, com a reprise de Os Dez Mandamentos, pode ser que Topíssima venha, sim, a ser produzida mais adiante. Mas fica claro que a emissora não tem musculatura para manter dois horários de novelas com tramas inéditas sendo produzidas simultaneamente. Quando tentou ter três novelas inéditas no ar, lááá em 2006, o canal penou. Conseguiu, por um certo período, exibir duas produções, mas também aos trancos e barrancos. Agora, desde que a faixa das 19h foi retomada com Escrava Mãe, a emissora vem revezando uma história inédita e uma reprise. De repente, seria melhor concentrar esforços numa única faixa (a das 20h30, que vive uma crise com Apocalipse), ao invés de tentar dar um passo maior do que a perna.


André Santana

sábado, 13 de janeiro de 2018

"Deus Salve o Rei": após novela "bobinha", Globo surpreende e ousa às sete

Nos últimos anos, as novelas das sete fizeram as pazes com o Ibope. Tramas como Alto Astral, Totalmente Demais e Haja Coração levantaram uma das faixas mais problemáticas da Globo, e todas elas tinham em comum a trama fácil, quase infanto-juvenil, e com um humor leve e quase ingênuo. Não que tenham sido novelas ruins, mas passaram longe da comédia atrevida que costumava povoar o horário, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990.

E, ao descobrir o “caminho das pedras” do bom desempenho das novelas das sete, a direção da Globo parece ter tomado gosto pela coisa e se “superou” com Pega Pega, que terminou na última segunda-feira, 08. A trama de Claudia Souto seguiu o modelo de suas antecessoras, com uma pegada infanto-juvenil e um humor pueril, e foi além, ficando tão leve que pareceu até meio boboca. Com um argumento interessante, um roubo num hotel, que foi esvaziado logo, a trama andou em círculos e fez água diante de um mistério acerca da morte de uma personagem que nunca, de fato, esteve na novela. E, curiosamente, uma das mais fracas novelas das sete dos últimos anos, foi também a de maior sucesso no Ibope: Pega Pega teve o melhor desempenho no horário desde Cheias de Charme. Grande feito!

Por conta deste êxito, seria de se supor que o canal continuaria replicando a fórmula que vem se mostrando tão eficaz no horário. Mas, surpreendentemente, não foi isso que aconteceu. Na terça-feira, 09, Pega Pega foi substituída por Deus Salve o Rei, trama que marca a estreia de mais um autor, Daniel Adjafre, e cuja fórmula vem na contramão da história anterior. Sai o colorido e o tatibitate, e entra uma trama soturna, passada na Idade Média, e cujo tom dramático e solene impera sobre o humor.

Trata-se de algo realmente novo no horário, que já teve fantasias a la Que Rei Sou Eu? e Bang Bang, mas é preciso lembrar que estas tinham tom satírico, ao contrário de Deus Salve o Rei, que leva a sério seu cenário e sua época. A trama consegue fazer um paralelo com a contemporaneidade ao trazer um reino, Montemor, cuja falta de água é um problema. A água é o que une dois reinos, Artena e Montemor, que possuem boas relações e “trocam” fornecimentos de água e minério.

Neste contexto, Deus Salve o Rei conseguiu, nesta primeira semana, unir com graça o cenário medieval e o folhetim. Em seu centro, o infalível amor entre um príncipe herdeiro, Afonso (Rômulo Estrela) e uma plebeia, Amália (Marina Ruy Barbosa). Irrigando este amor, dois reinos cujas boas relações estão ameaçadas, sobretudo em razão da princesa de Artena, Catarina (Bruna Marquezine), que não aceita tal relação amistosa. Os pilares deste bom relacionamento estão representados pelos monarcas, o rei Augusto (Marco Nanini) e a rainha Crisélia (Rosamaria Murtinho), esta última com sinais de senilidade.

Visualmente, é uma novela de encher os olhos. Além da bela fotografia, cenários suntuosos e figurino caprichado, a trama fluiu bem. O primeiro capítulo apresentou os personagens principais sem cair no didatismo chato, e a semana correu com eficácia. O texto de Daniel Adjafre, aliás, chama a atenção pela maturidade, com diálogos que imprimem credibilidade diante de uma temática que poderia, facilmente, cair na fantasia pura e simples. A direção de Fabrício Mamberti acerta a mão no tom da história e dos atores. E o que dizer da abertura? Linda!

Marco Nanini e Rosamaria Murtinho parecem ter nascido para interpretarem monarcas, tamanha a naturalidade que imprimiram a Augusto e Crisélia. Rômulo Estrela, depois de bons coadjuvantes, surge como um mocinho vigoroso, enquanto Marina Ruy Barbosa é uma mocinha eficiente. O elo mais fraco é Bruna Marquezine, que vem abusando da falta de expressão de sua vilã. A atriz vem confundindo seriedade com apatia.

Johnny Massaro é um nome que vem se destacando, excelente como o príncipe Rodolfo. Inconsequente e mulherengo, o personagem foi o responsável pelo humor desta primeira semana (comédia de alta qualidade, diga-se), mas também teve momentos de drama, ressaltando a versatilidade do ator. O príncipe lembra o personagem do ator na série Filhos da Pátria, mas a semelhança não compromete o trabalho de Massaro. Está ótimo.

Ou seja, Deus Salve o Rei tem todos os ingredientes de um bom folhetim. Uma trama bem armada e argumentada, romance e ação, e tem o extra da embalagem medieval, que faz com que a novela tenha um ar de novidade. Resta saber como será a reação do público diante de uma trama tão diferente das anteriores. A novela tem qualidades e condições de fazer sucesso. Sem dúvidas, uma boa aposta da Globo. E é bom constatar que o canal não tem medo de sair de sua zona de conforto.


André Santana

Começa hoje o TELE-VISÃO 2018

Começamos hoje mais um novo ano aqui no TELE-VISÃO. Após um breve período de férias, o espaço volta a ser atualizado regularmente (normalmente às terças, quintas e sábados), sempre repercutindo as principais notícias do universo televisivo, comentando os programas e analisando as estreias e novidades da telinha.

Neste ano, o blog segue como no ano passado. Felizmente, depois de muito bater cabeça, o TELE-VISÃO conseguiu se estabelecer nesta nova casa, o TELE-VISÃO.com, e seguiu contando com a participação e prestígio de seus frequentadores. Mudar não foi fácil, mas se mostrou a melhor saída, e é bom saber que os leitores compraram a ideia e vieram, também, ao novo espaço.

Por isso mesmo, espero poder continuar contando com todos vocês que leem os textos, comentam, concordam ou discordam, mas contribuem de maneira significativa para um debate saudável de ideias. Este sempre foi o principal propósito do TELE-VISÃO, e assim continuará sendo.

Sendo assim, obrigado mais uma vez pela presença, e continue por aqui! Bem-vindos ao TELE-VISÃO 2018!


André Santana

sábado, 6 de janeiro de 2018

Top 10 de 2017: destaques positivos

A televisão brasileira produziu muita coisa boa em 2017. O TELE-VISÃO lista agora os dez melhores momentos da telinha do último ano. Lembrando que a lista foi elaborada baseada unicamente na opinião deste que vos escreve e, portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- “A Força do Querer”

Definitivamente, a Globo fez as pazes com o público das novelas. E seu maior êxito neste ano responde por A Força do Querer. Gloria Perez trouxe seu bom e velho folhetim despudorado, mas trouxe novidades à sua narrativa, ao apostar em várias protagonistas, poucos personagens e uma trama envolvente e cheia de emoção. Destaque para a bela e corajosa abordagem da transexualidade por meio de Ivan (Carol Duarte). Bibi Perigosa (Juliana Paes), Ritinha (Isis Valverde) e Jeiza (Paolla Oliveira) deixaram saudades.

- “Dois Irmãos”

O ano começou muito bem na Globo com a minissérie Dois Irmãos. Mais uma obra-prima assinada por Luiz Fernando Carvalho, a série impactou com um texto impecável, grandes atuações e uma história intensa e muito envolvente. Sem dúvidas, um divisor de águas na carreira do ator Cauã Reymond.

- “Sob Pressão”

Num ano de séries sem muita expressão, a Globo acertou em cheio ao apostar na versão televisiva do longa-metragem Sob Pressão. A série faz um drama humano tendo como mote a precariedade de um hospital público brasileiro, cenário que rende grandes histórias. Além disso, conta com um elenco da melhor qualidade, encabeçado pelo excelente Júlio Andrade, e a não menos inspirada Marjorie Estiano.

- “Rock Story”

Depois de anos apostando em comédias bobinhas e pseudo-infantojuvenis no horário das sete, a Globo brindou o público do horário com uma trama mais madura e de contornos mais dramáticos. Rock Story trouxe um anti-herói, uma vilã humana, personagens carismáticos e uma história cheia de cartas na manga, que não permitiram que se criassem “barrigas”. Maria Helena Nascimento, estreando como autora titular de novelas, mostrou-se pronta para o ofício. Entende, e bem, do riscado.

- “Pesadelo na Cozinha”

A Band foi feliz ao entregar a versão nacional do Kitchen Nightmares ao carismático Erick Jacquin, do MasterChef. Em novo reality show, o francês aprontava poucas e boas ao orquestrar verdadeiras operações de guerra na tentativa de salvar restaurantes à beira da falência. A presença de Jacquin fez toda a diferença e tornou o programa um entretenimento da melhor qualidade.

- “Fábrica de Casamentos”

Depois de uma overdose de realities de culinária, o SBT resolveu desenvolver um formato próprio em suas noites de sábado e lançou Fábrica de Casamentos. Com a ideia de fazer toda uma festa de casamento em apenas sete dias, Chris Flores e Carlos Bertolazzi se dispõem a resolverem diversas pendengas que surgem na organização destes eventos. Mesmo com algumas situações claramente forçadas para gerar tensão, Fábrica de Casamentos, no geral, funciona muito bem. Diverte e traz boas e emocionantes histórias.

- “Lady Night”

Dentre tantos talk shows engraçadões, o Lady Night, de Tatá Werneck é, de longe, o melhor. Tatá é uma metralhadora verborrágica, da qual são disparadas altas tiradas, repletas de ironia, sarcasmo, referências pop e escatologia. Com um raciocínio rápido e uma capacidade de improviso acima da média, Tatá era a estrela e atração principal de Lady Night, Pouco importava quem era o convidado. E a Entrevista com o Especialista?

- “Conversa com Bial”

A Globo foi feliz ao ir na contramão da concorrência e escalar, para seu fim de noite, um talk show onde os assuntos tratados são mais importantes que piadas. Conversa com Bial, em seu primeiro ano, primou por bons bate-papos, promoveu debates relevantes sobre os mais variados assuntos e recebeu convidados de grande expressão. Pedro Bial, com seu estofo e repertório de repórter e seu traquejo adquirido nos anos de BBB, tornou-se um excelente apresentador.

- “Dancing Brasil”

Num ano de poucos acertos, a Record mandou bem com sua versão do Dancing With the Stars. Dancing Brasil conseguiu escapar das comparações com a Dança dos Famosos, da Globo, ao apostar numa produção caprichadíssima, um trio de jurados competente e participantes interessantes. Rendeu grandes momentos de disputa e emoção ao mostrar famosos tentando se superar e aprender a dançar. E, de quebra, deu sobrevida à Xuxa Meneghel no canal, que acertou a mão na condução do programa. Deu tudo muito certo.

- “Amor & Sexo”

O programa de Fernanda Lima vestiu de vez sua porção “engajada” e fez da temporada de Amor & Sexo uma ode à intolerância, ao preconceito, contra a hipocrisia e a ignorância. A atração promoveu debates importantes sobre assuntos realmente sérios, e que pareciam impossíveis de serem discutidos na TV aberta. Destaque para o programa de estreia de 2017, sobre feminismo, que abordou a questão social da mulher negra e sobre a liberação sexual feminina, sempre com depoimentos contundentes, além de uma bela participação de Elza Soares e Karol Conká. O programa teve seus momentos didáticos, sim, mas foram absolutamente necessários, afinal, foram temas novos na TV que estavam sendo tratados ali. Foi uma grande temporada!

- Menção honrosa: “Malhação – Viva a Diferença”

Parecia impossível que Malhação conseguisse se reinventar. Mas a chegada de Cao Hamburger à redação final deu à novelinha o sopro de vitalidade que ela tanto precisava. Viva a Diferença é a melhor temporada de Malhação em anos (se não for a melhor de todos os tempos), e mandou muito bem ao apostar em cinco garotas como protagonistas cujos principais conflitos não são arrumar namorados. O texto, impecável e sem subestimar o espectador, trouxe abordagens contundentes, mas fugiu do didatismo e conseguiu, verdadeiramente, estabelecer um diálogo com o jovem, além de ter evitado hipocrisia e a fantasia exacerbada. Merece todo o sucesso que vem fazendo. Fará falta.

E para você, internauta? Quais foram os grandes acertos da TV brasileira em 2017? Deixe sua opinião! O blog volta a ser atualizado normalmente a partir do próximo sábado, 13 de janeiro. Até lá!


André Santana