sábado, 7 de outubro de 2017

Uh, Tiazinha: de volta à TV, Suzana Alves marcou uma época e foi até heroína de TV

Afastada da mídia há um certo tempo, a atriz Suzana Alves marcou uma época na televisão brasileira. Lá no final do século 20, a moça, ao lado de Luciano Huck, tornou-se uma grande sensação ao encarnar a musa sadomasoquista Tiazinha, que surgia de máscara e chicote em punho e depilava adolescentes com os hormônios em ebulição, sempre que eles respondiam errado uma pergunta de um game do programa H, sucesso das tardes (e depois, noites), da Band. Símbolo sexual, a Tiazinha tornou-se uma marca poderosa, estampando produtos licenciados, capas de revistas e até cantando e dançando as canções do disco Tiazinha Faz a Festa.

No entanto, passado o furor de Tiazinha, Suzana Alves foi perdendo espaço na telinha. Ao aposentar a máscara, foi fazer teatro e acumular experiência como atriz. Participou de novelas, séries e vários filmes, porém, já sem os holofotes voltados para si. No entanto, neste ano, ao encerrar sua bela participação no Dancing Brasil, da Record, Suzana voltou à mídia. A boa performance no programa de Xuxa Meneghel rendeu à bela um convite para atuar em Rosa Choque, a próxima novela das sete da Record. Não se trata da primeira experiência de Suzana Alves na emissora, já que ela atuou também na ótima Cidadão Brasileiro, de 2006.

Tal retorno levou Suzana a voltar a aparecer em alguns programas de televisão e, fatalmente, a Tiazinha voltou a ser pauta. No programa Gugu da última quarta-feira, 04, por exemplo, a atriz relembrou tudo de bom e de ruim que a fama precoce trouxe na vida dela. Mas, curiosamente, quando se relembra a Tiazinha, sempre aparecem imagens da musa depilando jovens no palco do H. Não se fala mais que a personagem tentou um voo solo bem interessante, quando deixou o programa de auditório para protagonizar o seriado As Aventuras de Tiazinha. E este “esquecimento” acontece justamente quando a série acaba de completar 18 anos, já que a atração estreou no dia 04 de outubro de 1999.

As Aventuras de Tiazinha passou por uma série de mudanças e adiamentos antes de entrar no ar. A previsão inicial era que a série entrasse no ar no dia 13 de junho de 1999, um domingo, mas que fosse exibida de segunda a sexta, em episódios de 10 minutos, e teria todos eles reapresentados em formato de maratona no final de semana. Na série, Suzana Alves vivia Ditiara, uma descendente indígena que trabalha como fotógrafa, e que se transformava em Tiá, uma heroína que lutava contra o vilão Klaxtor (André Abujamra).

No entanto, a direção da Band ficou insatisfeita com a produção e mandou refazer tudo. Assim, o conceito da série foi totalmente modificado, tornando-se a trama que foi vista na estreia propriamente dita, em outubro de 1999. Na nova versão, Suzana era Su-013, uma órfã que vivia no futuro e foi criada num reformatório. Descobrindo ter poderes especiais, ela é treinada para se tornar uma Zeladora, na Lua, mas ela foge e se esconde no Paraíso, onde aprende a lutar. Tornando-se Tiazinha, ela é encontrada por Bradbury (Henrique Martins), um gênio cuja consciência virtual se torna o mentor da heroína. Aos 18 anos, ela se muda para VipSec, onde se torna uma apresentadora de TV que, nas horas vagas, luta contra as grandes corporações que querem dominar Trônix, uma megalópole formada pela união de São Paulo e Rio de Janeiro.

O grande barato desta primeira fase de As Aventuras de Tiazinha era seu visual descolado, idealizado pela Fábrica de Quadrinhos, parceira da Band na produção. Todo o clima da série buscava emular as HQ’s de super-heróis, e até mesclava cenas de atores com animações. Todo o visual de Trônix era feito em computação gráfica, que pode até soar tosco nos dias de hoje, mas que era uma novidade interessante na época. Na verdade, As Aventuras de Tiazinha acabou se mostrando como uma ousadia da Band, já que era a primeira vez que um canal brasileiro apostava numa série com cores de fantasia e ficção científica. Foi uma boa experiência, apesar dos pesares.

Mesmo assim, As Aventuras de Tiazinha foi um fiasco. Com Ibope em torno dos 2 pontos, a produção rendia pouco pelo valor do investimento. O fracasso tem vários motivos. Primeiro, porque a série tinha um conceito bastante elaborado e intrincado, mas os episódios curtos, de cerca de 10 minutos de duração, não comportavam tanta informação, o que levava a surgir vários fatos sem explicação. Segundo, porque houve um erro de concepção grave, afinal, a Band transformou uma personagem sexy e que era famosa por ser “malvadinha” numa heroína séria e boazinha, protagonizando uma série de forte apelo infanto-juvenil. Ou seja, nada a ver com o seu passado de depiladora dos “cuecas de plantão” que frequentavam o H.

Tal erro de concepção foi notado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva, que escreveu uma análise da série para a Folha de S. Paulo dois dias depois da estreia. “Ela é um personagem erotizado, criado para dar audiência (…). Curiosamente, como acontece com É o Tchan, que nasceu com um pé no lascivo, tenta conquistar o público infanto-juvenil. Em As Aventuras de Tiazinha, que estreou anteontem na Bandeirantes, não tem saracoteio. É infanto-juvenil pseudo-sério”, afirmou.

Como As Aventuras de Tiazinha não deu o retorno esperado, a série passou por uma reformulação completa, que levava Tiazinha ao presente, tornando-se uma apresentadora de TV que esbarrava em famosos. A coisa ainda não se modificou, até que Marcelo Rubens Paiva, por conta de sua crítica à estreia da atração, acabou convidado para escrever novos episódios. A ideia era que ele resgatasse o espírito original de Tiazinha, trazendo de volta seu apelo adulto e sua porção mais “malvada”, além de imprimir humor ao seriado. Surgia, então, As Novas Aventuras de Tiazinha. Na nova fase, Tiazinha se casa com Rodrigo (Eriberto Leão, namorado de Suzana na época) e se torna uma depiladora, e o enredo passa a brincar com fatos da vida de Suzana, ganhando um tom satírico e metalinguístico.

No entanto, as reformulações também não deram certo e a Band optou por interromper a produção de As Aventuras de Tiazinha em maio de 2000. A personagem ainda seria a protagonista de As Aventuras Eróticas de Tiazinha, uma espécie de história em quadrinhos lançada pela Playboy, onde a heroína combatia o crime nua (!). Depois disso, Suzana Alves abandonou a máscara de vez.

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André Santana

4 comentários:

  1. Olá, André, tudo bem? Você desenterrou uma pérola do baú da Band!!!!!! Era muito ruim!!!!! Muuuuuuito ruim. Ótima lembrança. Nesta semana, estive envolvido com uma prova e fiquei afastado da TV e também do blog, mas voltarei ao meu ritmo normal a partir de hj. Então, não assisti à entrevista da Tiazinha (kkk) no Gugu. Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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    1. Era toscao ..principalmente as atuações pelo que lembro...a Suzana recebeyu elogios em alguns filmes nacionais depois

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    2. Aliás a band não consegue desnvolver muito na ate a da dramaturgia. .ão teve floribella que fez sucesso a la chquititas..tem alguma coisa que não funciona no canal

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    3. Oi Fabio, tudo bem? Eu não achava ruim a ideia original de As Aventuras de Tiazinha, o roteiro era bom e a produção era ousada. O que foi ruim é que a série era sobre Tiazinha, e não uma heroína. O que foi mal pensado foi transformar uma personagem sadomasoquista numa heroína séria, não tinha nada a ver.
      E Miguel, sim, a Suzana era péssima atriz, mas é até compreensível, já que naquela época ela não era uma atriz de verdade, né? Ela foi jogada aos leões com essa ideia doida da Band.

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