quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Que a volta do "Vídeo Game" não signifique falta de projeto para Angélica!

Nos últimos dias, o noticiário televisivo foi pego de surpresa com a informação de que a apresentadora Angélica voltou a gravar o Vídeo Game, quadro de sucesso comandado pela loira ao longo de dez anos no Vídeo Show. Foi informado que este retorno seria parte de uma programação especial de fim de ano, e o Instagram da Globo revelou que a estreia acontecerá agora, em novembro.

Provavelmente, Vídeo Game deve voltar num esquema de temporada especial. Mas, aparentemente, tal retorno especial tem todo o jeitão de teste. Afinal, desde que os canais da Simba retornaram à TV paga, o Vídeo Show voltou a ser freguês do Balanço Geral de São Paulo e seu quadro A Hora da Venenosa. Sendo assim, o que parece é que a emissora busca novas soluções para que o Vídeo Show retome sua liderança de audiência na Grande São Paulo. E o Vídeo Game, que sempre registrou boa audiência em seus anos de exibição, pode ser a arma que o canal busca contra Fabíola Reipert e sua cobra Judith.

Sem dúvidas, uma boa ideia. Vídeo Game sempre foi um quadro muito divertido, com bons jogos sobre televisão e convidados especiais. Para amantes da TV, o quadro se tornou um programa obrigatório. E Angélica sempre o comandou com muita maestria, já que sempre foi exímia comandante de games, desde o tempo em que incomodava a própria Globo com sua versão do Passa ou Repassa, do SBT.


No entanto, ficamos na torcida para que o final anunciado do Estrelas e a volta “especial” do Vídeo Game não estejam diretamente ligados. Afinal, caso a volta do game realmente vingue, fica sempre o medo de que o novo programa da loira acabe não saindo do papel. E, como já dissemos aqui, Angélica é uma excelente apresentadora e merece ter um programa para chamar de seu. Ela, com certeza, agregaria muito ao Vídeo Show, mas merece ter seu próprio espaço.

André Santana

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Possível final do Pânico na Band já era tragédia anunciada

Ontem, 23, o jornalista Flavio Ricco, do UOL, veio com uma notícia bombástica: este será o último ano do Pânico na Band. Segundo o colunista, a direção da Band já teria tomado esta decisão, embora o canal ainda não tenha se pronunciado ainda a este respeito. No entanto, tal fato não seria nenhum absurdo, já que o Pânico anda mal das pernas há tempos.

A transferência da trupe de humoristas da RedeTV para a Band, em 2012, deu sobrevida ao humorístico, que já não ia bem em seu canal de origem. Antes um programa que gerava burburinho, ditava moda e se tornava o assunto das segundas-feiras, Pânico não conseguiu se reinventar em seus anos. A atração caiu no gosto popular ao trazer uma proposta de desmistificação do mundo glamoroso das celebridades, com entrevistas inusitadas, brincadeiras com artistas nas portas das festas e ácidas críticas. Depois, fez rir com o lançamento de novos personagens e com o talento de transformar “populares” em personagens peculiares. Isso sem falar no talento de seu elenco, com Carioca, Ceará, Evandro Santo, Eduardo Sterblich e companhia mandando ver.

Mas, passado este tempo, a proposta do Pânico foi perdendo força. O formato até então inusitado e inventivo tornou-se cansativo. E as tentativas de reinventá-lo se revelaram novas versões de mais do mesmo. Neste contexto, a mudança para a Band foi, apenas, uma injeção de ânimo, ao estarem numa casa com um teto de audiência um pouco maior e uma estrutura mais generosa. Por isso mesmo, no início, o Pânico na Band bombou. Mas, passada a euforia da novidade de estar em uma nova casa, Pânico caiu novamente no marasmo que já vinha atingindo-o.

Para piorar, nestes anos de Band, o programa se viu num processo de esvaziamento criativo. Pérolas de seu elenco principal acabaram deixando o humorístico, e os que chegaram depois não se mostraram grandes substitutos. No último ano, o programa trocou de diretor e prometeu uma grande reformulação total em seu elenco, mas nem isso serviu para que o Pânico na Band voltasse a ser relevante. Hoje, a audiência até está boa para os padrões da emissora, mas bem abaixo do que já foi. Além disso, o programa, embora fature bem, é também muito custoso. Neste momento em que a Band anda mergulhada numa crise e investindo bem pouco em programação, a decisão de encerrar o Pânico parece bastante coerente.


Agora é aguardar o comunicado oficial, mas, independente do que acontecerá, fato é que o Pânico na Band, que já ditou moda e influenciou muita gente nestes anos todos no ar, já não faz muito sentido nos dias de hoje. Caso permaneçam na Band ou mudem de canal, terão que fazer um esforço ainda maior para conseguir retomar a fase áurea. 

André Santana

sábado, 21 de outubro de 2017

A Força do Querer marcou ao apresentar uma gama de mulheres fortes

Muitos foram os trunfos de A Força do Querer, novela de Gloria Perez que devolveu ao público o prazer de acompanhar uma trama das nove. O folhetim foi feliz na abordagem de vários assuntos, na construção da relação dos personagens, no elenco muito bem escalado e na direção criativa de Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos, que conseguiram fugir do lugar-comum, ao mesmo tempo em que mantiveram as características do gênero.

Gloria Perez parece ter aprendido algumas lições após a criticada Salve Jorge. Quando a mocinha Morena (Nanda Costa) não foi uma unanimidade e a insistência em abordar uma cultura internacional “exótica” se manteve com o núcleo desnecessário da Turquia, a autora tratou de deixar sua nova história mais “limpa”, sem excessos ou pirotecnias. Assim, em A Força do Querer, não havia apenas uma mocinha, mas várias protagonistas que lideravam diferentes histórias, enquanto a tal “cultura exótica” ganhou cores brasileiras, ao mostrar ao restante do país boas curiosidades sobre o Pará.

Com estes ingredientes, A Força do Querer mostrou-se uma novela poderosa, que não tentou reinventar o gênero, mas, sem dúvidas, conseguiu fazer algumas concessões dentro do próprio gênero. Sempre em sintonia com a contemporaneidade, Gloria Perez fez de A Força do Querer uma novela de grandes personagens femininas, num momento em que se fala tanto no feminismo. Três de suas protagonistas não tinham nada de mocinha clássica: Ritinha (Isis Valverde) era egoísta e inconsequente, enquanto Bibi (Juliana Paes) tomou o rumo do crime em nome de um amor; já Jeiza (Paolla Oliveira), a única “heroína” de fato delas, abriu mão de sua vida amorosa em razão de uma ambição profissional.

Dentre elas, a história mais interessante, sem dúvidas, foi a de Bibi. A transformação da pacata jovem em “imperatriz do tráfico” em nome de seu amor a Rubinho (Emílio Dantas) foi cheia de nuances, boas sequências e momentos de viradas impactantes. Juliana Paes, que já tem uma gama de boas personagens no currículo, com certeza agora terá a Bibi Perigosa num lugar de destaque. Uma ótima personagem, feita por uma ótima atriz. Destaque, claro, à presença forte de Elizângela como a mãe de Bibi, sempre ao lado da filha, sofrendo e lhe dando conselhos. Aurora foi outra das grandes mulheres de A Força do Querer.

Outro grande acerto foi a boa abordagem da questão trans. Por meio de Ivana (Carol Duarte), que se descobre um homem trans ao longo da novela, a autora conseguiu, de maneira didática na medida, explicar ao público heterogêneo de uma novela, o que é, afinal, a transexualidade. Outro assunto que anda na pauta do dia nos últimos anos, tal questão teve uma abordagem corajosa e eficiente na trama. Com a saga de Ivana, que se torna Ivan, o público se tornou testemunha do personagem na sua descoberta de si mesmo. A angústia de Ivan, que deixou bastante claro que ninguém escolhe ser trans ou cis, fez com que a audiência compadecesse e torcesse por ele. E Gloria ainda optou por seguir pelo caminho mais “complicado”, ao fazer de Ivan um homem trans e gay. Seu final ao lado de Claudio (Gabriel Stauffer) foi mais uma de suas ousadias.

A Força do Querer também acertou ao usar Nonato (Silvero Pereira), a travesti Elis Miranda, como um contraponto a Ivan, explicando a diferença entre ser travesti e ser transexual. Quando Ivan e Nonato se encontram na história, as tramas de ambos crescem e se tornam vigorosas. Neste contexto, merece menção, também, as presenças de Biga (Mariana Xavier) e Simone (Juliana Paiva).

Simone, aliás, foi uma personagem que muitos não entenderam, já que, por ela estar sempre envolvida em problemas “alheios”, não tinha trama própria. Na verdade, a personagem foi importante justamente por isso. Ao mesmo tempo em que servia de principal apoio ao primo Ivan, Simone sofria em razão do vício em jogo da mãe Silvana (Lília Cabral), mais uma grande mulher da novela. A relação entre Simone e Silvana subvertia a ordem da relação entre mãe e filha, já que, aqui, era a filha quem brigava com a mãe para que esta tomasse juízo. E a história de Silvana, mesmo repetitiva, conseguiu explicar também o que é e quais as terríveis consequências que o vício em jogo traz na vida de quem joga e quem convive diretamente com quem joga.

Completando a gama de grandes mulheres de A Força do Querer, havia ainda Irene (Débora Falabella) e Joyce (Maria Fernanda Cândido). Enquanto a vilã passou a trama toda infernizando a dondoca e seu marido Eugênio (Dan Stulbach), a mãe de Ivan e Ruy (Fiuk) sofria ao não ter a vida perfeita que sempre sonhou ter. Joyce chorou ao ser traída, ao descobrir que a filha na qual espelhava sua vaidade era, na verdade, um homem, e, ainda, precisou engolir Ritinha, uma nora bem complicada. Vale destacar o crescimento de Maria Fernanda Cândido ao longo da obra. Começou insegura, mas, aos poucos, conseguiu dominar as nuances e contradições de Joyce. E, claro, é sempre justo destacar os belos trabalhos de Débora Falabella, Dan Stulbach e Isis Valverde. Fiuk é que era o elo mais fraco, e sua escalação para um personagem tão importante quanto Ruy não se justificou.

Por tantos acertos, nada mais justo que A Força do Querer tenha se tornado a novela das nove mais vista desde Avenida Brasil. A trama trouxe qualidades que mexeram com o público e mostrou que a novela, enquanto entretenimento e agente social, ainda tem uma força que está longe de se esgotar.

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André Santana


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Globo poderia voltar a investir em infantis, aos domingos

Atualmente, o início da tarde de domingo da Globo está sendo ocupada por dois programas de dramaturgia voltados à toda família. A nova versão de Os Trapalhões e a segunda temporada da série A Cara do Pai têm registrado uma boa audiência em seu horário de exibição: no último domingo, 15, o primeiro registrou 14 pontos no Ibope, enquanto o segundo cravou 15 pontos em seu horário. Nada mal.

Trata-se de uma boa dobradinha que a emissora lançou nas tardes de domingo. As duas produções têm forte apelo infanto-juvenil, mas acabam dialogando com a família inteira, com um tipo de humor capaz de divertir crianças e adultos. Assim, caem como uma luva ao público de sua faixa de exibição, normalmente um horário em que as famílias assistem TV reunidas.

Sendo assim, fica bastante evidente que o início das tardes de domingo é ideal para atrações de apelo infanto-juvenil. Não que isso seja uma novidade para a Globo, que já dedicou o horário para exibição de séries e desenhos enlatados, na década de 1990, e também à A Turma do Didi e Sandy & Jr, no final do século 20, e, mais recentemente, à Os Caras de Pau.

Num momento em que o canal não mais aposta em programas infantis, seria uma boa uma faixa aos finais de semana dedicada a produtos familiares que possam dialogar com a criança. Afinal, enquanto a Rede Globo ignora a pequena plateia, seu braço infantil Gloob vem exibindo uma série de boas produções nacionais de dramaturgia infantil, como DPA – Detetives do Prédio Azul, Buuu – Um Chamado para a Aventura e, mais recentemente, Valentins.

Com o know-how e estrutura de sobra para dramaturgia infantil, com certeza a Globo teria total condições de fazer um seriado infantil de qualidade, que muito agregaria à sua programação dominical. Seria uma boa maneira de voltar a investir em infantis que, afinal, vão garantir a formação de sua futura audiência. O SBT já descobriu que dramaturgia infantil dá retorno. A Globo, expert em dramaturgia, estranhamente não se dedica ao filão.

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André Santana

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Globo surpreende e anuncia reprise de "Celebridade"

Após uma onda de re-reprises, que gerou boatos de que uma nova re-reprise de Alma Gêmea ocuparia as tardes da Globo, o Vale a Pena Ver de Novo finalmente dará ao público uma novela nunca repetida anteriormente. E mais: atenderá a um pedido da audiência, tendo em vista que a trama que ganhará repeteco sempre foi muito pedida para voltar ao ar. Trata-se de Celebridade, novela de Gilberto Braga exibida entre 2003 e 2004, e que foi um grande sucesso do horário das nove.

A notícia surpreendeu, tendo em vista que Celebridade não era uma novela que a Globo pretendia reprisar. Apesar do sucesso, a história sobre a rivalidade entre Maria Clara Diniz (Malu Mader) e Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu) era considerada forte demais para ser exibida na faixa da tarde. Em sua primeira exibição, chegou a ter sua classificação indicativa alterada de 12 para 14 anos, e foi alvo de recomendações para que diminuísse as cenas de sexo, violência e palavrões.

Sim, Celebridade abusava de cenas fortes e linguajar chulo. Mas estava bem de acordo com a história que pretendia contar e, por isso, não a considero apelativa. Era comum cenas de nudez ou topless de Darlene (Deborah Secco) e Jaqueline Joy (Juliana Paes), duas aspirantes à fama que faziam de tudo para aparecer. Nada mais natural que duas candidatas a “celebridades instantâneas” fizessem uso de seus corpos despidos para chamar a atenção. Logo no início, também fica à mostra o bumbum de Thiago Lacerda. Seu personagem, Otávio, termina o namoro com a protagonista Maria Clara ao ver sua retaguarda estampando as páginas da revista Fama, editada pelo jornalista mau-caráter Renato Mendes (Fabio Assunção).

Ou seja, Celebridade é uma novela bem ao estilo Gilberto Braga: um folhetim despudorado, que chama a atenção pelo refinamento dos diálogos, a estrutura muito bem armada, reviravoltas de tirar o fôlego e aquela crítica social esperta inserida em diversas situações. A partir da saga de Maria Clara Diniz, uma famosa produtora musical, ex-modelo e garota propaganda de uma linha de perfumes, e que ficou conhecida por ter sido a musa inspiradora de uma canção que ficou famosa no mundo inteiro (canção cuja origem é a espinha dorsal da trama) serve para que haja questionamentos sobre o que é ser celebridade, o que é ser famoso, e se vale a pena fazer tudo pela fama. Há quem diga que é a última boa novela de Gilberto Braga (o que eu, particularmente, discordo, já que Paraíso Tropical e Insensato Coração tiveram suas qualidades).

O romance central, entre Maria Clara e o cineasta Fernando Amorim (Marcos Palmeira) é chocho toda vida, mas a trama vale mesmo pelos embates sempre instigantes da mocinha e da vilã Laura, uma das personagens mais antológicas da teledramaturgia. Celebridade traz ainda mais um “quem matou?” clássico de Gilberto Braga, que “mata” Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana), um poderoso dono de um megaconglomerado de comunicação, na metade da história. Seu assassino, claro, só é revelado no episódio final. Vale a pena ver de novo.

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André Santana

sábado, 14 de outubro de 2017

Carlos Lombardi e Miguel Falabella fazem falta no horário das sete da Globo

O bom desempenho de Pega Pega, atual cartaz das sete da Globo, deixa claro que a atual receita do sucesso no horário são as tramas de forte pegada infanto-juvenis. Tramas de temática leve, com histórias simples, roteiro quase didático, feitas para se assistir em família. É só observar os últimos sucessos do horário: Totalmente Demais era quase um conto de fadas, enquanto Haja Coração também tinha forte apelo infantil. Apenas Rock Story destoou da tendência, com uma história mais séria e com mais camadas.

Não que sejam ruins. Tramas como Pega Pega cumprem bem a sua missão, de ser apenas um entretenimento descompromissado. Sem nenhuma pretensão, estas tramas encontram um público cativo, e o bom retorno da audiência é uma prova incontestável de que é isso que os espectadores querem ver.

Mas fazem falta aquelas boas comédias do passado, com temáticas mais adultas. Nomes como Silvio de Abreu, Cassiano Gabus Mendes e Carlos Lombardi fizeram do horário um oásis de comédia rasgada e despudorada, com tramas que também agradavam à plateia infantil, mas tinham uma pegada um tanto mais arrojadas que as atuais produções. Usavam e abusavam da ironia, do sarcasmo e das alegorias.

Silvio de Abreu é hoje Diretor de Teledramaturgia Diária da Globo e não deve mais retornar ao horário, até porque suas últimas incursões ali, As Filhas da Mãe e o remake de Guerra dos Sexos, não emplacaram (embora As Filhas da Mãe tenha sido muito boa, na minha humilde opinião). Cassiano Gabus Mendes nos deixou após O Mapa da Mina, uma das mais fracas de sua galeria de sucessos. Na verdade, os dois veteranos ditaram moda por ali nos anos 1980, assinando verdadeiros clássicos da teledramaturgia.

Seus herdeiros mais diretos neste estilo tragicômico, sem dúvidas, foram Carlos Lombardi e Miguel Falabella. O primeiro reinou no horário por anos, trazendo tramas divertidíssimas, rápidas, espertas e cheias de camadas. Bebê a Bordo, Quatro por Quatro, Uga Uga e Kubanacan foram novelas ousadas, que imprimiram no horário um estilo muito peculiar. Todas sucessos de audiência, embora tenha quem as odeie. Sua última novela do horário, Pé na Jaca, não foi bem-sucedida, mas foi uma das melhores novelas de sua carreira. Ali, o autor soube misturar, com muita competência, o dramalhão familiar com seu estilo de humor, além de lotar a obra de referências pop.

Miguel Falabella teve uma carreira menor por ali, mas também soube, como poucos, fazer comédias de grande qualidade. Sua primeira novela, Salsa e Merengue, assinada com Maria Carmen Barbosa, foi também a sua melhor, pois ali estavam o melodrama e o humor popular no melhor sentido da palavra. Falabella é um grande criador de tipos, e Salsa e Merengue era lotada de personagens marcantes, como a Teodora de Débora Bloch, ou a engraçada trambiqueira Ruth, de Laura Cardoso. O autor voltaria ao horário ainda com A Lua me Disse e Aquele Beijo, tramas que não fizeram tanto sucesso quanto a primeira, mas também gostosas e com uma pegada bem popular e divertida.

Na faixa das sete, também reinou, por um certo período, o agora sumido Antonio Calmon. Calmon não era tão ácido quanto Falabella e Lombardi, mas algumas de suas obras conseguiram mesclar bem a trama infantilizada com uma comédia mais elaborada, como Vamp, Um Anjo Caiu do Céu e O Beijo do Vampiro. O autor também mandou bem no melodrama com Cara & Coroa, mas errou a mão feio em Começar de Novo e Três Irmãs. Desde esta última, não escreve mais novelas. Apresentou uma nova trama recentemente, Barba Azul, mas ela não foi aprovada pela Direção de Dramaturgia.

Miguel Falabella hoje se dedica à criação de séries, um segmento no qual parece se dar melhor. Já Carlos Lombardi viu sua última sinopse ser rejeitada na Globo, e acabou migrando para a Record, onde assinou a também ótima Pecado Mortal, um drama das 22 horas com boas pitadas de comédia. Recentemente, deixou a emissora e, agora, pretende se dedicar a projetos na TV paga. Os dois não deixaram “herdeiros”, e as novelas das sete vão perdendo, cada vez mais, sua característica subversiva. Uma pena. Fazem falta.

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André Santana

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Mais uma vez, Silvio Santos joga pá de cal no jornalismo do SBT

Silvio Santos parece mesmo disposto a enterrar todas as conquistas que o departamento de jornalismo do SBT suou tanto para conseguir. Depois de efetivar Dudu Camargo e Marcão do Povo no matinal Primeiro Impacto e dispensar nomes como Hermano Henning e Joyce Ribeiro, o “patrão” agora está mexendo na linha editorial do SBT Brasil, seu principal telejornal. Na última semana, foi notícia a nova ordem do dono do SBT, que mandou aumentar o hard news e o factual, e diminuir (ou extinguir?) matérias frias e séries de reportagens.

Com as mudanças, o SBT Brasil deixou de ter co-apresentadores de meteorologia e esportes, papéis até então desempenhados por Carolina Aguaidas e Bruno Vicari, respectivamente. Os dois profissionais seguirão como repórteres do noticioso Além disso, uma das séries que vinham sendo exibidas, Cenários 2018, com entrevistas com presidenciáveis, foi interrompida. Kennedy Alencar, repórter de política responsável pela série, acabou pedindo demissão e deixando a emissora.

São mais mudanças lamentáveis que fazem cair por terra o jornalismo da emissora. Algumas alterações até fazem sentido, tendo em vista que o SBT Brasil sempre pecou pelo excesso de material frio, sobre comportamento e assuntos mais amenos (pra não dizer bobos). Entretanto, aboli-los de vez não me parece a melhor saída. Pior ainda é colocar neste balaio material relevante, como as produzidas por Kennedy Alencar, um profissional do mais alto gabarito. Sem ele e suas matérias especiais, SBT Brasil perde relevância e identidade. Aliás, Alencar não é a única baixa do jornal, já que o apresentador Joseval Peixoto deve deixar o canal até o fim do ano. Neste caso, não chega a ser algo ruim, já que Peixoto vinha revezando na apresentação com Carlos Nascimento, o que nunca fez muito sentido.

Mas, com as mudanças editoriais, o SBT Brasil vem se tornando um jornal sobre os acontecimentos do dia, sem nenhum espaço para aprofundamento dos assuntos, análises ou qualquer tentativa de fugir do trivial. Além disso, diminui o espaço para política, um assunto que Silvio Santos já deixou bem claro que não quer que seja discutido em sua emissora. Ou seja, SBT Brasil se torna um jornal chapa-branca, opaco, sem nenhum tipo de diferencial.

É triste constatar que, aos poucos, o jornalismo do SBT, que mesmo de alcance limitado trazia em seus quadros excelentes profissionais, começa a ser esvaziado para se tornar, novamente, um jornalismo que só existe para cumprir tabela. Silvio Santos acerta quando diz que o papel do jornalismo é, essencialmente, informar. Mas erra feio ao considerar que o jornalismo não pode, também, ser reflexivo, ativo, ousado e relevante. Mas, neste momento em que bons profissionais da notícia deixam a emissora, e figuras midiáticas a la Dudu Camargo conquistam cada vez mais espaço, as mudanças até que fazem sentido. É uma pena.

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André Santana

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sem “Estrelas”, Angélica finalmente sairá do comodismo

Não há dúvidas de que Angélica é uma grande estrela da TV. Apresentadora desde criança, a talentosa loira cresceu diante das câmeras, formou uma legião de fãs mirins por conta de seus programas infantis e discos, e fez uma bem-sucedida transição para o público jovem e adulto. Entretanto, não é de hoje que seus fãs reclamam do pouco espaço que a apresentadora ocupa, há anos, na televisão. Escondida nas tardes de sábado com o programa de entrevistas Estrelas, que nunca gozou de grande prestígio na Globo (tanto que só passou a ser exibido em rede nacional nove anos depois de sua estreia), Angélica sempre teve seu potencial pouco aproveitado.

Por isso mesmo, a notícia de que o Estrelas sairá do ar em meados do ano que vem e Angélica ganhará um novo programa, encheu de esperança o coração dos seus fãs. Com a decisão da Globo, a apresentadora terá a chance de comandar um programa que tenha mais a sua cara. Porque, vamos combinar, o Estrelas nunca teve. A atração é boa, tem momentos divertidos e tals, mas, como o TELE-VISÃO já cansou de afirmar, Angélica é animadora de auditório. Colocá-la num programa de entrevistas intimista sempre pareceu um desperdício. É como se cortasse a asa de um pássaro para adequá-lo a uma condição ao qual ele não pertence.

No entanto, tanto a Globo quanto Angélica pareciam acomodadas com o Estrelas. Um programa barato, que fatura e, no geral, registra uma boa audiência, realmente não parecia haver grandes motivos para se mexer em time que está ganhando. Afinal, desde sua estreia, o Estrelas pareceu ter sido criado apenas para que Angélica tivesse um programa para chamar de seu, uma reivindicação da loira, que havia abandonado os infantis e se dedicado ao Vídeo Show e ao Fama. Só o fato de ele ter sido exibido por anos em faixa local, e ter sido o último programa da linha de shows da Globo a ganhar um site oficial (!) já indicava o pouco cuidado que a emissora tinha com o produto.

Ao que tudo indica, a coisa mudou de figura quando a Globo promoveu Boninho e Ricardo Waddington a Diretores de Entretenimento, sendo que o primeiro responderia pelos diários matinais e vespertinos, e o segundo pelos noturnos e programas de final de semana. Assim, Estrelas, que foi criado sob o guarda-chuva de Boninho, passou às mãos de Waddington, que tratou de buscar mexer na atração. Logo de cara, conseguiu finalmente colocá-lo numa faixa nacional. Depois, mexeu na edição e testou formatos, como nos episódios em que Angélica recebia todos os convidados do dia num único ambiente, amarrando a atração, ao invés de fazer um bloco totalmente independente do outro, como sempre foi. Por fim, neste ano, veio a ideia de apostar em temporadas temáticas, com o Estrelas Solidárias e, agora, o Estrelas do Brasil.

A atual temporada fez os índices de audiência de Angélica subirem. Ou seja, novamente, não havia motivos para mexer no programa. No entanto, segundo o UOL, Ricardo Waddington nunca se mostrou plenamente satisfeito com o programa, sempre cobrando mudanças no roteiro e a proposta de novas ideias à equipe do semanal. Sendo assim, parece, o diretor cansou de dar murro em ponta de faca e, finalmente, atenderá aos fãs de Angélica, formatando um programa mais interessante para a estrela. Fica agora a torcida para que a nova atração coloque Angélica diante de um auditório, pois é assim que ela aparece realmente plena e iluminada. A esta altura, sair da zona de conforto parece a sacudida que tanto Angélica quanto as tardes de sábado da Globo estão merecendo há tempos.

O Estrelas, como dito anteriormente, não é um programa ruim, e Angélica o comanda com muita competência. Mas já deu o que tinha que dar. É preciso dar um passo além.

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André Santana

sábado, 7 de outubro de 2017

Uh, Tiazinha: de volta à TV, Suzana Alves marcou uma época e foi até heroína de TV

Afastada da mídia há um certo tempo, a atriz Suzana Alves marcou uma época na televisão brasileira. Lá no final do século 20, a moça, ao lado de Luciano Huck, tornou-se uma grande sensação ao encarnar a musa sadomasoquista Tiazinha, que surgia de máscara e chicote em punho e depilava adolescentes com os hormônios em ebulição, sempre que eles respondiam errado uma pergunta de um game do programa H, sucesso das tardes (e depois, noites), da Band. Símbolo sexual, a Tiazinha tornou-se uma marca poderosa, estampando produtos licenciados, capas de revistas e até cantando e dançando as canções do disco Tiazinha Faz a Festa.

No entanto, passado o furor de Tiazinha, Suzana Alves foi perdendo espaço na telinha. Ao aposentar a máscara, foi fazer teatro e acumular experiência como atriz. Participou de novelas, séries e vários filmes, porém, já sem os holofotes voltados para si. No entanto, neste ano, ao encerrar sua bela participação no Dancing Brasil, da Record, Suzana voltou à mídia. A boa performance no programa de Xuxa Meneghel rendeu à bela um convite para atuar em Rosa Choque, a próxima novela das sete da Record. Não se trata da primeira experiência de Suzana Alves na emissora, já que ela atuou também na ótima Cidadão Brasileiro, de 2006.

Tal retorno levou Suzana a voltar a aparecer em alguns programas de televisão e, fatalmente, a Tiazinha voltou a ser pauta. No programa Gugu da última quarta-feira, 04, por exemplo, a atriz relembrou tudo de bom e de ruim que a fama precoce trouxe na vida dela. Mas, curiosamente, quando se relembra a Tiazinha, sempre aparecem imagens da musa depilando jovens no palco do H. Não se fala mais que a personagem tentou um voo solo bem interessante, quando deixou o programa de auditório para protagonizar o seriado As Aventuras de Tiazinha. E este “esquecimento” acontece justamente quando a série acaba de completar 18 anos, já que a atração estreou no dia 04 de outubro de 1999.

As Aventuras de Tiazinha passou por uma série de mudanças e adiamentos antes de entrar no ar. A previsão inicial era que a série entrasse no ar no dia 13 de junho de 1999, um domingo, mas que fosse exibida de segunda a sexta, em episódios de 10 minutos, e teria todos eles reapresentados em formato de maratona no final de semana. Na série, Suzana Alves vivia Ditiara, uma descendente indígena que trabalha como fotógrafa, e que se transformava em Tiá, uma heroína que lutava contra o vilão Klaxtor (André Abujamra).

No entanto, a direção da Band ficou insatisfeita com a produção e mandou refazer tudo. Assim, o conceito da série foi totalmente modificado, tornando-se a trama que foi vista na estreia propriamente dita, em outubro de 1999. Na nova versão, Suzana era Su-013, uma órfã que vivia no futuro e foi criada num reformatório. Descobrindo ter poderes especiais, ela é treinada para se tornar uma Zeladora, na Lua, mas ela foge e se esconde no Paraíso, onde aprende a lutar. Tornando-se Tiazinha, ela é encontrada por Bradbury (Henrique Martins), um gênio cuja consciência virtual se torna o mentor da heroína. Aos 18 anos, ela se muda para VipSec, onde se torna uma apresentadora de TV que, nas horas vagas, luta contra as grandes corporações que querem dominar Trônix, uma megalópole formada pela união de São Paulo e Rio de Janeiro.

O grande barato desta primeira fase de As Aventuras de Tiazinha era seu visual descolado, idealizado pela Fábrica de Quadrinhos, parceira da Band na produção. Todo o clima da série buscava emular as HQ’s de super-heróis, e até mesclava cenas de atores com animações. Todo o visual de Trônix era feito em computação gráfica, que pode até soar tosco nos dias de hoje, mas que era uma novidade interessante na época. Na verdade, As Aventuras de Tiazinha acabou se mostrando como uma ousadia da Band, já que era a primeira vez que um canal brasileiro apostava numa série com cores de fantasia e ficção científica. Foi uma boa experiência, apesar dos pesares.

Mesmo assim, As Aventuras de Tiazinha foi um fiasco. Com Ibope em torno dos 2 pontos, a produção rendia pouco pelo valor do investimento. O fracasso tem vários motivos. Primeiro, porque a série tinha um conceito bastante elaborado e intrincado, mas os episódios curtos, de cerca de 10 minutos de duração, não comportavam tanta informação, o que levava a surgir vários fatos sem explicação. Segundo, porque houve um erro de concepção grave, afinal, a Band transformou uma personagem sexy e que era famosa por ser “malvadinha” numa heroína séria e boazinha, protagonizando uma série de forte apelo infanto-juvenil. Ou seja, nada a ver com o seu passado de depiladora dos “cuecas de plantão” que frequentavam o H.

Tal erro de concepção foi notado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva, que escreveu uma análise da série para a Folha de S. Paulo dois dias depois da estreia. “Ela é um personagem erotizado, criado para dar audiência (…). Curiosamente, como acontece com É o Tchan, que nasceu com um pé no lascivo, tenta conquistar o público infanto-juvenil. Em As Aventuras de Tiazinha, que estreou anteontem na Bandeirantes, não tem saracoteio. É infanto-juvenil pseudo-sério”, afirmou.

Como As Aventuras de Tiazinha não deu o retorno esperado, a série passou por uma reformulação completa, que levava Tiazinha ao presente, tornando-se uma apresentadora de TV que esbarrava em famosos. A coisa ainda não se modificou, até que Marcelo Rubens Paiva, por conta de sua crítica à estreia da atração, acabou convidado para escrever novos episódios. A ideia era que ele resgatasse o espírito original de Tiazinha, trazendo de volta seu apelo adulto e sua porção mais “malvada”, além de imprimir humor ao seriado. Surgia, então, As Novas Aventuras de Tiazinha. Na nova fase, Tiazinha se casa com Rodrigo (Eriberto Leão, namorado de Suzana na época) e se torna uma depiladora, e o enredo passa a brincar com fatos da vida de Suzana, ganhando um tom satírico e metalinguístico.

No entanto, as reformulações também não deram certo e a Band optou por interromper a produção de As Aventuras de Tiazinha em maio de 2000. A personagem ainda seria a protagonista de As Aventuras Eróticas de Tiazinha, uma espécie de história em quadrinhos lançada pela Playboy, onde a heroína combatia o crime nua (!). Depois disso, Suzana Alves abandonou a máscara de vez.

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André Santana

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Gugu tem futuro indefinido na TV

O destino de Gugu Liberato, nos últimos anos, se parece muito com as especulações em torno da saudosa Hebe Camargo, sempre que seu contrato com o SBT se aproximava do fim. Afinal, desde que retornou à Record com programa no horário nobre, Gugu vem reafirmando seu compromisso com a emissora ano a ano. E assim, sempre que o ano vai chegando ao fim, começam a surgir especulações a respeito da renovação de seu contrato, ou não.

Segundo o site Notícias da TV, fica cada vez mais distante a renovação de Gugu com a Record. A emissora já anuncia a nova temporada de Batalha dos Confeiteiros para janeiro de 2018, justamente nas noites de quarta-feira. Ou seja, já está definido que, ao menos no início do ano, o programa Gugu estará fora do ar. Além disso, o canal estuda a possibilidade de realocar o Dancing Brasil para as noites de quarta-feira e, assim, a competição de dança de Xuxa entraria ao fim do reality de Buddy Valastro. E onde entraria Gugu neste cenário?

Na verdade, ainda segundo o Notícias da TV, a direção da Record não está satisfeita com o desempenho de Gugu. O programa é avaliado internamente como um produto fraco, tanto de conteúdo quanto de audiência. E é verdade. Ultimamente, Gugu se dedica apenas a entrevistas externas e pautas bobas no palco.

Na semana passada, por exemplo, o programa recebeu Fabio Porchat ao vivo apenas para mostrar diferentes tipos de bolos (!). Já ontem, 04, o programa mostrou uma entrevista com Suzana Alves, que não trouxe nada de novo. Sendo assim, a ideia é que, caso permaneça na emissora, Gugu passaria a se dedicar ao comando de um formato importado e de temporada, como Xuxa vem fazendo. Enquanto isso, não faltam comentários dando conta de que Gugu pode estar, novamente, ensaiando seu retorno ao SBT.

No meio deste imbróglio, o que me parece uma decisão correta da Record é liberar as noites de quarta-feira para outras atrações. Trata-se de um dia com muito potencial, em razão da concorrência do futebol e que, por isso, merece investimentos. A primeira temporada de Batalha dos Confeiteiros foi exibida neste dia, e fez muito sucesso. E o Dancing Brasil é um produto que tem todas as condições de ir muito bem às quartas-feiras. Ou seja, seria uma boa mudança na grade da emissora, com muito potencial de funcionar.

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André Santana

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Band tenta de novo com "Exathlon Brasil", mas ainda não chegou lá

Há anos refém do MasterChef, a Band não desiste de tentar emplacar uma nova atração em sua linha de shows. Mas, ao que tudo indica, a coisa só vai para a frente quando tem cozinha no meio, já que Pesadelo na Cozinha foi a mais bem-sucedida dentre as experiências realizadas nos últimos anos. X Factor Brasil e À Primeira Vista não chegaram lá e, ao que tudo indica, Exathlon Brasil, a mais nova aposta do canal, vai pelo mesmo caminho.

Apresentado por Luís Ernesto Lacombe, mais um jornalista a cruzar a fronteira do entretenimento, o programa reúne atletas famosos e anônimos numa grande competição. Divididos em dois times, Heróis e Guerreiros, os participantes se enfrentam em provas de resistência física e, ainda, precisam lidar com várias restrições, como o fato de apenas um grupo poder descansar num alojamento, e pouca comida. Os participantes são Alline Calandrini, Ana Tapajós, Betina Schmidt, Carolina Almeida, Giba, Jorge Goston, Juliana Findikoglu, Kauane Ribeiro, Marcel Stürmer, Maurren Maggi, Miguel Benedetti, Nick Pirola, Nina Monteiro, Pedro Scooby, Renato Nicoli, Ricardo Barbato, Rodrigo West, Sul Rosa, Vance Poubel e Daniele Hypolito.

Apesar da boa proposta, Exathlon Brasil não consegue entregar toda a emoção que promete. As edições exibidas na linha de shows, às segundas e quintas às 22h30, pecam pela edição arrastada e sem ritmo, dedicando longos minutos aos mínimos detalhes das provas mostradas. Além disso, Exathlon Brasil conta com uma edição diária, na faixa das 20h20, que também parece injustificada, pois vive de mostrar “melhores momentos”, mas com uma edição confusa e sem ordem cronológica. Na noite de ontem, 02, por exemplo, a edição diária mostrou a eliminação de Daniele Hypolito, mas, em seguida, mostrou outras provas com a presença dela. Ficou estranho.

Além disso, é questionável a decisão da Band de interromper sua faixa de novelas turcas para exibir Exathlon Brasil. Justiça seja feita, a audiência no horário das 20h20 subiu, já que o reality chega a registrar 2,5 pontos no Ibope, enquanto a reprise de Mil e uma Noites dava 2 pontos. Mesmo assim, sabe-se que uma faixa de novelas sobrevive do hábito do espectador, e a emissora, acertadamente, vinha alimentando tal hábito há dois anos. Agora, interrompeu bruscamente. Já a edição noturna das segundas e quintas patina entre 1 e 2 pontos, resultado que não justifica o alto investimento.

Até aqui, a maior qualidade de Exathlon Brasil é justamente seu apresentador. Luís Ernesto Lacombe, após tantos anos no jornalismo esportivo, surge à vontade e parece em casa liderando as competições do programa. O fato de Exathlon Brasil ser uma competição bastante voltada ao esporte, e tendo atletas como participantes, ajuda Lacombe a se colocar em seu habitat natural. Está muito bem. No mais, Exathlon Brasil pode melhorar.

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André Santana