sábado, 30 de setembro de 2017

Regina Duarte e Tony Ramos se destacam em "Tempo de Amar"

Para o amante da teledramaturgia brasileira, nada é mais saboroso que ver dois atores veteranos, donos de trajetórias impecáveis e reputação ilibada, estarem ainda em plena atividade. Mais do que isso: tinindo, frescos, trazendo novidades em seus trabalhos mesmo após anos nesta estrada e já repetindo todos os tipos possíveis e imagináveis. Por isso mesmo, dentre tantas qualidades, a nova novela das seis da Globo, Tempo de Amar, tem o trunfo de ter Tony Ramos e Regina Duarte encabeçando o elenco, e trazendo novas cores, dando vida a personagens que comumente não vivem.

Tony é José Augusto, o implacável pai da mocinha Maria Vitória (Vitória Strada). Rígido, segue à risca seu papel numa sociedade patriarcal dos anos 1920. Sabe ser amoroso com a filha, como um bom pai, mas também impõe (ou tenta impor) suas vontades acerca do destino da herdeira. Ao mesmo tempo, tem na amargurada governanta Delfina (Letícia Sabatella, outra atriz que sempre dá gosto ver em cena) um arrimo, com a qual tem uma filha bastarda. A moça é a empregada, mas é também a amante, concubina, e sofre com o papel coadjuvante que exerce na vida do patrão.

Já Regina é Madame Lucerne, uma francesa que toca um cabaré no Brasil. Em meio ao glamour do lugar, Lucerne canta, dança, ri e se coloca como grande parceira dos homens que frequentam o espaço. É uma personagem alegre, solar, do tipo que circula em qualquer ambiente sempre com presença marcante. E é de carne e osso, sabendo ser doce e compreensiva quando precisa, mas também tem personalidade forte, se coloca, não leva desaforos. Um tipo vívido, no qual a atriz consegue colocar uma pimenta a mais e sair do piloto automático acionado diante das mocinhas sofredoras que viveu nestes anos todos de TV.

Tony Ramos e Regina Duarte são dois atores-grifes da televisão brasileira, e que construíram uma carreira bem-sucedida nas novelas vivendo heróis marcantes. Não que eles não tenham se aventurado em outros tipos. Tony, apesar de viver bonzinhos até mesmo na idade madura, como em Belíssima e Passione, também se aventurou em tipos distintos, como Boanerges em Cabocla, e até como vilão, em Mad Maria, O Rebu e, mais recentemente, A Regra do Jogo. Regina também deu vida a um sem-número de heroínas, incluindo aí três Helenas marcantes de Manoel Carlos, mas também soube se reinventar em outros tipos menos convencionais, como a clássica Viúva Porcina, de Roque Santeiro, ou ainda a histérica Clô Hayalla, de O Astro (onde fez parceria com o mesmo Alcides Nogueira, autor de Tempo de Amar), e a maravilhosa Ester, de Sete Vidas. Mesmo assim, as imagens de bom-moço e boa-moça ainda seguem bastante veiculadas aos atores, e vê-los novamente fora da curva é sempre um alento e um prazer.

Além da presença destes nomes fabulosos, Tempo de Amar tem outros predicados. A trama de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, baseada em argumento de Rubem Fonseca, é um folhetim clássico requintado e da melhor qualidade. Trata-se do bom e velho amor proibido, centrado em mocinhos de classes sociais diferentes. Basicamente, Inácio (Bruno Cabrerizo) e Maria Vitória se conhecem, se apaixonam, mas não podem viver juntos, já que, além das classes distintas, a mocinha é prometida a Fernão (Jayme Matarazzo).

Ou seja, Tempo de Amar é um folhetim assumido, que usa sem pudores de todos os recursos da fórmula para contar uma história de amor ao espectador. E o faz com muito requinte, seja pelos diálogos e situações muito bem armados pelo autor Alcides Nogueira, seja pela belíssima fotografia, impressão digital do diretor Jayme Monjardim. Os enquadramentos que valorizam as paisagens das cenas externas proporcionam um espetáculo visual de grande deslumbramento, enquanto os cenários criam com perfeição o ambiente da época.

O elenco, além de Tony Ramos e Regina Duarte, traz outras estrelas, que imprimem ainda mais qualidades à obra. Nívea Maria (Henriqueta), Deborah Evelyn (Alzira), Marisa Orth (Celeste Hermínia), Werner Schünemann (Coronel Francisco), além da já citada Letícia Sabatella, e tantos outros, tiveram presenças marcantes neste início. Dentre os novos nomes, Andreia Horta promete mais um bom trabalho como a vilã Lucinda. Além disso, Tempo de Amar tem o trunfo de lançar atores como protagonistas, algo não raro na obra televisiva de Jayme Monjardim. As apostas em Vitória Strada e Bruno Cabrerizo mostraram-se, neste primeiro capítulo, certeiras.

Tempo de Amar correu seus riscos, ao apostar em mais um romance de época requintado, fórmula que nem sempre agrada o espectador do horário, que talvez prefira algo mais leve. Basta lembrar de Força de um Desejo, outra obra requintada do horário das seis em 1999 (cujo argumento era do mesmíssimo Alcides Nogueira, diga-se) que teve desempenho mediano na audiência. Outra obra de época de Nogueira, o remake de Ciranda de Pedra de 2008, também não foi o sucesso esperado e até interrompeu a linha de novelas de época das seis que vinha de anos. Mais recentemente, Lado a Lado, de 2012, registrou um dos piores índices de audiência da faixa das seis, mesmo sendo aplaudida pela crítica e até ganhado um Emmy. Além disso, há o horário de verão por vir, e o forte calor pode não combinar com os suntuosos figurinos da história.

Mesmo assim, a primeira semana de Tempo de Amar apresentou bons resultados no Ibope, e a trama mostrou fôlego para segurar o bom público herdado da bem-sucedida Novo Mundo. É uma trama com muitas qualidades e apresenta todas as condições de manter tal resultado. No que depender da qualidade do elenco, texto e direção, já é sucesso.

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André Santana

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

News: Um farsante tenta se passar por Lucifer no terceiro episódio da série

O Canal Universal exibe, no dia 4 de outubro, quarta-feira, às 23h, o terceiro episódio da 1ª temporada de Lucifer.

No episódio “The Would-Be Prince of Darkness”, Lucifer (Tom Ellis) está em uma festa quando conhece o jovem e promissor quarterback Ty Huntley (Redaric Williams). O anjo caído convence o jogador, que é todo certinho, a se soltar. Mas, no dia seguinte, ele é surpreendido com um corpo na piscina de sua casa.

Lucifer pede a ajuda de Chloe (Lauren German) para a investigar o caso. Ao mesmo tempo ele descobre que alguém tem usado sua identidade em outras festas e eventos.

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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Cidade Proibida" tem erros e acertos

Ao que tudo indica, a Globo está desenvolvendo uma apreço a séries “de época”. Depois de Nada Será Como Antes, um romance passado nos anos 1950 sobre o início da TV no Brasil, a emissora aposta agora em Cidade Proibida, desta vez uma série de detetive. A nova produção chama a atenção pelo tom noir, misturando mistério, humor e certo glamour.

No Rio de Janeiro dos anos 1950, Zózimo Barbosa (Vladimir Brichta) é um detetive particular especializado em casos de traição. Charmoso, está sempre usando a sua lábia sobre as belas mulheres que o procuram. Vive uma relação sem compromisso com a prostituta Marly (Regiane Alves), que é apaixonada por ele. Também está sempre em um bar frequentado pelo policial Paranhos (Ailton Graça) e o gigolô Bonitão (José Loreto). No primeiro episódio, Zózimo é envolvido numa arapuca por Lídia (Claudia Abreu), um amor do passado.

O tom é dos filmes clássicos de detetive, com narração em off do detetive passando as impressões ao público, e a indefectível reviravolta no roteiro, que desmascara o verdadeiro vilão do episódio perto do fim. No entanto, ao assistir Cidade Proibida, não há como não fazer uma comparação com Mad Men, premiada série estadunidense sobre o mundo publicitário dos anos 1960. Claro, por ser uma produção americana da TV a cabo, Mad Men tinha uma ousadia estética e de roteiro que a coloca anos-luz à frente de Cidade Proibida, que é bem mais convencional. No entanto, mesmo com esta diferença, as duas séries têm como uma de suas molas propulsoras a abordagem da época retratada, sobretudo no que se refere aos ambientes ditos essencialmente masculinos.

Em Mad Men, os homens davam as cartas em importantes cargos e negócios, enquanto as mulheres eram donas de casa. As poucas que trabalhavam eram secretárias, submissas aos chefes homens e vistas quase com maus olhos. Cidade Proibida também tem este traço, tanto que a única mulher de seu elenco fixo é Regiane Alves, vivendo uma prostituta, o que a credencia a frequentar ambientes masculinos e conviver com os homens de igual para igual. Mesmo assim, Mad Men colocava suas mulheres como personagens fortes e, mesmo em ambientes masculinos, eram mostradas como agentes da situação. Não eram passivas, embora submetidas às condições da época.

Falta este contraponto à Cidade Proibida. Não chega a ser um problema, já que está de acordo com a época mostrada, mas nestes tempos em que se discute tanto o machismo e o papel da mulher na sociedade, uma série nestes moldes soa antiquada. Mesmo assim, Cidade Proibida tem suas qualidades. A série criada por Mauro Wilson e Maurício Farias, baseada em O Corno Que Sabia Demais, HQ de Wander Antunes, é charmosa e traz algo diferente ao horário de exibição. A direção de Maurício Farias é certeira e o elenco, afinadíssimo. Não reinventa a roda e nem surpreende, mas pode divertir.

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André Santana

terça-feira, 26 de setembro de 2017

"Filhos da Pátria", "The Voice", "A Fazenda": as novidades do último trimestre

O final de setembro e o início de outubro já se tornou um novo período de novidades na grade de programação das emissoras brasileiras. A proliferação dos formatos “de temporada”, sobretudo séries e reality shows, fez com que a reta final do ano se tornasse uma nova época de estreias e reestreias. Nas últimas semanas, A Fazenda e The Voice Brasil lançaram suas novas temporadas, enquanto Filhos da Pátria fez sua estreia.

A primeira das novidades foi o retorno de A Fazenda, de volta após um ano sabático na grade da Record. Agora chamada de A Fazenda – Nova Chance, a temporada veio com a proposta de reunir ex-participantes de outros reality shows, como BBB, MasterChef, Power Couple e a própria Fazenda. Até aqui, o reality não esboça voltar a ser o sucesso de outrora, mas sem dúvidas resolveu um problema de cast para a direção do programa. Afinal, o elenco de “subcelebridades” vinha ficando cada vez mais escasso e, na nova proposta, A Fazenda pode repetir figurinhas sem nenhum constrangimento. Mas, por enquanto, A Fazenda só serviu mesmo pra fazer propaganda do BBB, já que Marcos Harter, ex-BBB, não para de falar no programa da Globo.

Falando em Globo, a emissora vem aproveitando o fim de Os Dias Eram Assim para trazer novidades em sua linha de shows. A primeira delas foi a nova comédia, Filhos da Pátria, que estreou na semana passada com um episódio bastante divertido. Ao narrar a saga de Geraldo Bulhosa (Alexandre Nero), funcionário público dos tempos do Brasil Império, a série diverte ao traçar um paralelo entre o ontem e o hoje do país. Muito correto, o pai de família é ridicularizado por todos, começando pela sua própria esposa, Maria Tereza (Fernanda Torres), que não se conforma que o marido não faça parte de nenhum esquema para lhe dar uma vida melhor. Pressionado por todos os lados, Geraldo acaba cedendo à ideia de Pacheco (Matheus Nachtergaele) para participar de um esquema de desvio de verba. Ou seja, esta inversão de valores tão evidente no país, no qual o “espertalhão” é o herói, enquanto o honesto é o bobo, ganha uma moldura histórica em Filhos da Pátria. E este é o grande charme do texto de Bruno Mazzeo, que brinca com os costumes nacionais e evidencia de que o país de hoje, no fundo, é o mesmo desde 1822.

Outra novidade da Globo foi a nova temporada de The Voice Brasil, lançada na última quinta-feira. A nova leva começou muito bem ao fazer uma nova troca em seu cast, substituindo Claudia Leitte por Ivete Sangalo. Como já dissemos aqui anteriormente, a cada temporada os técnicos vão se tornando cada vez mais personagens de si mesmos, tornando-se reféns das personas que assumiram e ficando cada vez mais over. Por isso, trocas no elenco são fundamentais. E Ivete, de cara, imprimiu um novo frescor ao formato. Divertida, espontânea e cheia de tiradas impagáveis, a cantora foi o grande destaque da estreia. Soma-se a isso uma boa seleção de participantes, com boas vozes e histórias (e com direito até a uma aparição de um casal de meninas, com cenas de carinho e tudo), o The Voice Brasil mostrou que ainda tem muita lenha para queimar.

Na noite de ontem, 25, mais novidades. A Record exibiu o último episódio da segunda temporada de Dancing Brasil, prometendo nova leva para o ano que vem, além de um especial de fim de ano em dezembro. O programa de Xuxa teve uma ótima conclusão com a vitória merecida de Yudi Tamashiro e, sem dúvidas, foi o principal acerto da emissora em 2017. Já a Band lançou um novo reality show de aventura, Exathlon Brasil, com apresentação de Luís Ernesto Lacombe. Sobre ele, comentarei em breve. E a Globo ainda prepara mais algumas estreias, como a nova série Cidade Proibida, que substitui a ótima Sob Pressão a partir de hoje, 26; e a nova temporada de Adnight, prevista para outubro.

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André Santana

sábado, 23 de setembro de 2017

"Novo Mundo" foi um grande acerto da Globo

Na próxima segunda-feira, 25, vai ao ar o último capítulo de Novo Mundo. A trama das seis de Thereza Falcão e Alessandro Marson foi uma agradável surpresa da programação da Globo em 2017. Ao misturar folhetim com figuras históricas, fazendo uma aventura de época inserida no início do Brasil Império, os autores conseguiram manter o interesse do público e entregar uma trama redonda, divertida e sem barrigas.

A trama foi uma sucessão de acertos. A saga de Anna Millman (Isabelle Drummond) seguiu a cartilha do folhetim básico, trazendo uma mocinha que tinha a sua força. Como era uma trama de época, a heroína, claro, era à frente do seu tempo, fugindo da chatice das protagonistas convencionais. Teve sua cota de sequestros e de cárcere, mas nada que prejudicasse o andamento da trama. Ao seu lado, outro herói idealizado, mas bem eficiente. Joaquim (Chay Suede) era quase um super-herói onipresente, mas funcionava, graças ao bom texto e ao carisma impresso pelo ator ao personagem.

Mas foi o casal que andou ao lado dos heróis que concentrou os olhares do público que curte uma boa história de amor. Os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e sua primeira esposa, Leopoldina (Letícia Colin) caíram nas graças da audiência, sobretudo em razão do trabalho da atriz, que deu humanidade à princesa. Assim, valeu a “licença poética” da trama, que aproveita do recorte da época retratada para dar um final feliz ao casal, ao mesmo tempo em que conferiu ares de vilã à amante de Pedro, Domitila (Agatha Moreira).

Além do folhetim tradicional, os autores foram felizes ao usar a temática histórica para fazer um paralelo com o Brasil atual. Com muita sagacidade, Thereza Falcão e Alessandro Marson colocaram na boca de seus personagens diálogos de duplo sentido, que encaixavam perfeitamente no contexto atual do país. O resultado foi uma novela com diversas camadas, que não saía de seu objetivo principal, o entretenimento, mas que também era capaz de provocar o público e despertar a reflexão.

Além disso, Novo Mundo tinha uma galeria de personagens simpáticos, carismáticos e muitos divertidos, que sempre protagonizavam ótimas cenas e situações. Uma delas é a atriz Elvira Matamouros, sem dúvidas o melhor trabalho de Ingrid Guimarães na TV. A personagem começou como uma vilã, que fazia de tudo por amor a Joaquim, atrapalhando o romance dele com Anna. Quando cumpriu sua missão nesta trama, caminhava para a morte, mas o público tratou de “salvá-la”. A solução encontrada pelos autores, então, foi armar uma falsa morte para Elvira, fazendo sua trama andar, mas colocando-a como uma carta na manga, para ser sacada num momento oportuno. E, quando voltou, Elvira assumiu de vez sua porção cômica, em novas situações.

Elvira formou uma equipe e tanto com Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva), tipos impagáveis donos de uma pavorosa estalagem. Intrometidos, sem asseio e com muita cara-de-pau, o casal roubou todas as cenas com muito humor e até alguma crítica social. Elvira, Germana e Licurgo, juntos, foram os responsáveis pelos melhores momentos da trama.

Outro destaque foi o interessante triângulo amoroso formado por Wolfgang (Jonas Bloch), Diara (Sheron Menezzes) e Ferdinando (Ricardo Pereira). Os três personagens tão simpáticos, que ficou difícil tomar partido na situação. E o núcleo ganhou um tempero e tanto com a entrada da terrível Greta, mais um trabalho brilhante de Julia Lemmertz. Outro acerto foi a presença dos piratas que, embora pontual, teve trajetória sempre marcante. Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) foi um vilão e tanto.

Tantos acertos fizeram de Novo Mundo um novelão da melhor qualidade. Agora, é aguardar o final feliz dos mocinhos, conferir o destino do vilão Thomas (Gabriel Braga Nunes) e se divertir pela última vez com os ótimos Licurgo, Germana e Elvira. Novo Mundo deixa saudades.

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André Santana

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Turma da Mônica" volta à TV aberta! Viva!

O TELE-VISÃO sempre vai bater na tecla do investimento em animações nacionais. Há muita coisa boa sendo produzida e, felizmente, hoje há vários canais, principalmente na TV paga, abrindo espaço para elas. Neste cenário muito mais convidativo do que há 10 anos, sempre pareceu absurdo os desenhos da Turma da Mônica estarem de fora da TV aberta. Há anos no Cartoon Network, as aventuras da turminha criada por Maurício de Sousa estavam longe dos espectadores dos canais abertos desde o fim da exibição da série nas manhãs de sábado da Globo, há três anos.

Turma da Mônica teve duas passagens pela TV aberta, e as duas foram marcadas por muitas promessas e pouca ação. Na primeira delas, em 1999, uma série com episódios de 1 minuto foram ao ar no Angel Mix e, em 2000, uma nova série com episódios de dois minutos e quadros com bonecos do Penadinho e Jotalhão foram ao ar em Bambuluá. A promessa era um programa de meia hora com a turminha, que nunca se concretizou. Alguma coisa deve ter pego nas relações entre a Globo e Mauricio de Sousa, já que o acordo acabou rompido ainda antes do fim. Em 2004, o desenho voltou à TV, mas no Cartoon Network, que passou a exibir Turma da Mônica nas manhãs de domingo.

Assim, entre 2004 e 2010, Turma da Mônica ganhava novas séries animadas, com episódios de sete minutos, que eram exibidos no Cartoon e exportadas para vários países. Estranhamente, não encontrava espaço na TV aberta de seu país de origem, algo muito bizarro. Até que, em 2010, Turma da Mônica voltou a ser exibida pela Globo, numa faixa de 15 minutos nas manhãs de sábado. Além disso, os personagens de Maurício protagonizaram vários especiais, que foram exibidos em datas comemorativas, como o Natal, o Dia das Crianças e o Hallowen. Ficou na promessa uma série em computação gráfica do Penadinho e outra da Turma da Mônica Jovem. Turma da Mônica saiu da grade da Globo em 2014.

Mas, agora, felizmente, a coisa andou novamente, e a Turma da Mônica já tem data para voltar à TV aberta. Desta vez, a série animada de Mauricio de Sousa será exibida pela TV Cultura. A novidade foi anunciada na manhã da última terça-feira, 19, em evento realizado na sede da Fundação Padre Anchieta para imprensa, influenciadores e licenciados. A estreia será no dia 9 de outubro, como parte das comemorações da Semana da Criança. A TV Cultura promete exibir blocos de 15 minutos da Turma da Mônica diariamente, além de estrear a série Mônica Toy na televisão. Criada para a internet, Mônica Toy traz pequenas e divertidas histórias de 30 segundos. A Cultura também anunciou a exibição dos especiais As Doze Badaladas dos Sinos de Natal, Bruxarias de Aniversário, Feliz Natal para Todos, Um Plano Para Salvar o Planeta e Véspera de Natal.

Sem dúvidas, uma excelente notícia, e todos ganham com isso. Ganha o público, que voltará a ver a Turma da Mônica na TV aberta, e com um espaço bem maior. E ganha a TV Cultura, que ampliará as opções de sua programação infantil. Sabendo que a Cultura é a única emissora aberta a ter um amplo espaço de atrações para crianças, nada melhor do que ter, nesta cartela, uma animação nacional de qualidade e com personagens tipicamente brasileiros. Que seja uma parceria duradoura e feliz!

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André Santana

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sem Marcelo Rezende, "Cidade Alerta" deve ser extinto

Grande perda para o telejornalismo, Marcelo Rezende faleceu no último final de semana e fará muita falta na telinha. Repórter investigativo da melhor qualidade (seara de difícil renovação, aliás), o jornalista se destacou junto ao público principalmente como apresentador, seja no Linha Direta, na Globo, ou em suas duas passagens pelo Cidade Alerta, da Record.

Neste último, Marcelo Rezende mostrou sua extrema competência como contador de histórias, afinal, chegava a ficar quatro horas no ar, ao vivo. Claro que houve excessos, coisa comum neste tipo de programa, mas o talento e a capacidade do apresentador sempre foi inquestionável. Por isso mesmo, fica difícil imaginar o jornal policial da Record sem seu principal comandante.

Claro, o Cidade Alerta já teve inúmeros apresentadores e passou por altos e baixos na programação da Record. Estreou com Ney Gonçalves Dias, e fez sucesso também com João Leite Neto, Gilberto Barros e José Luiz Datena, este último grande responsável pela longevidade da atração. Quando perdeu Datena para a Band, a Record penou para acertar seu substituto, até que chegou Marcelo Rezende, que fez história ali.

Marcelo Rezende fez a audiência do Cidade Alerta decolar entre os anos de 2004 e 2005, mas a emissora desistiu do programa quando pôs em prática um plano de qualificar sua grade de programação, substituindo-o pelo Tudo a Ver, com Paulo Henrique Amorim. Resgatou o policial em 2011, com Datena, que durou pouco tempo, mas voltou em 2012, novamente com Marcelo Rezende. Aí a coisa deslanchou e Cidade Alerta tornou-se a maior audiência da emissora e ocupava longas quatro horas na grade diária da emissora.

Mas, neste ano, a Record novamente reduziu o espaço do Cidade Alerta, numa estratégia de qualificação de grade semelhante à de 2004. No entanto, desta vez, o programa policial perdeu espaço para uma reprise de novelas e um jornal local. Exibido atualmente entre 16h45 e 18h15, Cidade Alerta já não ostenta os mesmos índices de audiência de outrora. Agora sem Marcelo Rezende, a Record efetivou Luiz Bacci como apresentador do jornal, mas, ao que tudo indica, a emissora deve continuar a busca por uma grade mais qualificada. E o Cidade Alerta, sem os mesmos bons números dos tempos de Rezende, não se justificará na programação.

Lembrando que isto é pura especulação do blog, numa opinião baseada apenas nos últimos acontecimentos e comparando com o que aconteceu no passado. Mas acredito mesmo que o Cidade Alerta não deve resistir à perda de seu apresentador e corre o risco de ser extinto em breve. A ver.

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André Santana

sábado, 16 de setembro de 2017

Insossa, "Os Dias Eram Assim" termina sem empolgar

Depois de um primeiro capítulo eletrizante e da proposta de um pano de fundo promissor, a abordagem da Ditadura Militar do Brasil entre os anos 1970 e 1980, Os Dias Eram Assim termina na próxima segunda-feira, 18, com a impressão de que ficou devendo. Didática, insossa e com um número de capítulos muito maior do que sua trama renderia, a trama das onze (que recebeu a esquisita nomenclatura de “supersérie”, sendo que não tem nada de “super” e nem de “série”) chega ao fim sem empolgar.

A ideia inicial das autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi era boa. Basicamente, Os Dias Eram Assim se apresentou como uma história de amor convencional, cujos mocinhos viviam as idas e vindas de um amor proibido, tendo como um dos obstáculos os desdobramentos dos “anos de chumbo” brasileiros. Assim, Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se apaixonam, mas não conseguem viver este amor porque ela é filha do poderoso Arnaldo Sampaio (Antonio Calloni), empresário financiador do regime militar, enquanto ele é irmão de Gustavo Reis (Gabriel Leone), jovem engajado que se envolve nos protestos contra a Ditadura e acaba preso e torturado pelo regime. Assim, Arnaldo acaba se unindo ao ex-noivo de Alice, Vítor (Daniel de Oliveira), para separar o casalzinho.

Após uma primeira semana de tirar o fôlego, Os Dias Eram Assim botou o pé no freio no andamento da trama, mas, ainda assim, era interessante. O pano de fundo funcionava, a ambientação dos anos 1970 era extremamente bem-feita, e a trilha sonora, embora não fugisse do lugar-comum, ajudava o espectador a mergulhar no período histórico ainda recente. Nesta fase, a trama só tinha o empecilho de tramas paralelas soltas e quase sem espaço, como a história envolvendo Toni (Marcos Palmeira) e Monique (Letícia Spiller) e, principalmente, os personagens que usavam as artes como protesto político, no qual se enquadravam Maria (Carla Salles), Leon (Maurício Destri) e Vera (Cássia Kis). Estes ficaram um tanto apagados em meio aos capítulos curtos nos quais os conflitos de Alice e Renato predominavam.

A coisa ficou um pouco pior quando a direção da Globo, insatisfeita com os primeiros resultados da obra, tratou de implantar um plano de ação baseado na constatação, via grupos de discussão, de que parte da audiência não entendia o que era a Ditadura Militar. Assim, a personagem Natália (Mariana Lima), uma professora universitária também perseguida pelo regime, tratou de surgir em teleaulas explicando o período histórico. Sem nenhuma sutileza, as aulas ajudaram a diminuir o ritmo de Os Dias Eram Assim, deixando tudo meio enfadonho.

Ainda assim, a novela (sim, novela!) ainda conseguia manter o interesse, sobretudo pelos clássicos nuances folhetinescos que acometiam os protagonistas. Num plano de Arnaldo, Vítor e o delegado Amaral (Marco Ricca), Renato é forçado a sair do país, se mudando para o Chile. Grávida, Alice é levada a acreditar que o amado está morto e acaba se casando com Vítor, enquanto, no Chile, Renato conhece Rimena (Maria Casadevall) e se envolve com a moça. Os anos se passam e, com a Anistia, Renato retorna ao Brasil. Começam as idas e vindas na relação entre o médico e Alice, enquanto o pano de fundo político acaba ficando desinteressante e a trama entra num banho-maria. Ao chegar aos anos 1980, Os Dias Eram Assim estacionou de vez.

Em suas últimas semanas, a trama fez uso de todos os artifícios possíveis por meio de Vítor, que, claro, foi ficando cada vez mais insano e usando várias artimanhas para separar Renato e Alice, sempre acompanhado de sua mãe Cora (Susana Vieira). As tramas paralelas finalmente ensaiam decolar, sobretudo com a ousada relação a três envolvendo Toni, Maria e Monique, ou a descoberta da homossexualidade de Rudá (Konstantinos Sarris), que se envolve com Leon. Mas nada muito significativo para a história em si. Nesta fase, o destaque maior foi a boa abordagem da Aids por meio da personagem Nanda (Julia Dalavia), que se descobre portadora do vírus HIV quando a doença era uma novidade e os tratamentos eram parcos. Nesta trama, Os Dias Eram Assim aproveitou para alertar o público de que a Aids ainda não acabou. Boa mensagem.

Entretanto, nesta reta final, ficou claro que Os Dias Eram Assim não tinha fôlego para tantos capítulos, tamanha a sensação de que nada realmente significativo acontecia na trama nestas últimas semanas. Na última semana, para ainda ter o que dizer, a história acabou resgatando o mistério em torno da morte de Arnaldo, do qual ninguém se lembrava mais. Na cena da morte do vilão, ficou claro para o público que ele havia sido assassinado, mas como os personagens não desconfiaram disso, sua morte deixou de ser assunto na história. Deste modo, a morte nem foi tema de conversa nenhuma nos meses que se seguiram, fazendo o público se esquecer e pouco se importar com ela. A revelação de que Ernesto (José de Abreu), que nem estava na história quando tudo aconteceu, era o assassino, pode ter valido como surpresa. Mas, ao mesmo tempo, fez de bobo aquele espectador que resolveu bancar o detetive.

Para o último capítulo, então, fica apenas a expectativa sobre os desfechos dos personagens-chave, como Vítor, Cora e Amaral. Os pombinhos Alice e Renato, claro, devem ter seu final feliz para sempre, e Os Dias Eram Assim ainda deve fazer um paralelo entre o cenário político brasileiro passado e presente. E só. Ou seja, Os Dias Eram Assim não chegou a ser uma trama ruim, mas saiu de cena devendo ao público um novo Anos Rebeldes. E fica a lição à Direção de Teledramaturgia da Globo: as novelas das onze (ou “superséries”) funcionavam melhor com capítulos a menos. Aliás, era esse o grande charme das boas novelas das onze, como O Astro e Verdades Secretas: poucos capítulos, muita ação e alguma ousadia. Deveriam considerar isso para as próximas temporadas.

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André Santana

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

News: "A Garota no Trem" estreia no Telecine

Um livro com mais de 20 milhões de exemplares vendidos e, então, um filme. Essa é a trajetória do sucesso de A Garota no Trem, longa baseado no best-seller de Paula Hawkins. O suspense mostra o ponto de vista de três mulheres e como suas vidas se entrelaçam. Rodado em 2015, em Nova York, o thriller chega ao Telecine Play e ao Telecine Premium no dia 16 de setembro, com destaque para a atuação de Emily Blunt, indicada ao BAFTA.

Divorciada e alcoólatra, Rachel (Emily Blunt) viaja de trem diariamente, fantasiando sobre o que ela observa pela janela. Megan (Haley Bennett), uma recém-casada que mora ao lado da ferrovia, todos os dias é observada e admirada por ela. Anna (Rebecca Ferguson), que também mora perto da linha de trem, é a atual mulher de Tom (Justin Theroux), ex-marido de Rachel. Em uma de suas bebedeiras, Rachel vai até o endereço onde moram as outras duas e acaba se envolvendo na cena de um crime.

A Garota no Trem é dirigido por  Tate Taylor e tem Justin Theroux, Emily Blunt e Haley Bennett no elenco. Estreia dia 16/9, sábado, às 22h, no Telecine Play e no Telecine Premium, e dia 17/9, domingo, às 20h, no Telecine Pipoca.

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"Bake Off Brasil" bate recorde e se consolida no SBT

Bake Off Brasil, reality show de sobremesas do SBT, foi realmente um grande acerto da emissora. A atração, exibida no complicado horário de sábado a noite, se consolida como o mais bem-sucedido dentre os programas de temporada que se revezam na faixa.

No último sábado, por exemplo, o programa, que agora é apresentado por Carol Fiorentino, emplacou 8 pontos de média no Ibope, batendo o Programa da Sabrina, da Record. Se considerarmos que a atração ainda está no começo da temporada, é bem provável que este número cresça nas próximas semanas.

Bake Off realmente merece o sucesso. É um programa muito divertido, extremamente bem-feito, e que mistura bem as emoções de uma disputa culinária e as imagens deliciosas dos bolos e doces que desfilam na tela. Carol Fiorentino substitui Ticiana Villas Boas com graça e simpatia, e Fabrizio Fasano Jr diverte com suas tiradas, embora às vezes ele passe um pouco do ponto. Beca Milano, que estreou como jurada nesta edição, também está muito bem. Além disso, o SBT acertou no cast: os participantes desta temporada são interessantes e rendem bastante conflito.

Interessante notar que, embora tenha bom desempenho no Ibope, Bake Off não repercute tanto quanto o MasterChef, da Band. O colunista Ricardo Feltrin, do UOL, afirmou que, atualmente, o Bake Off é o reality show culinário mais visto da TV brasileira, mesmo não causando o mesmo frisson do MasterChef. É verdade. Para efeito de comparação, o episódio da última terça-feira, 12, do MasterChef Profissionais rendeu 4,4 pontos de média no Ibope. Mas, como sempre, gerou burburinho nas redes sociais.

Ou seja, como este blog já repetiu aqui algumas vezes, audiência e repercussão não são sinônimos. MasterChef repercute mais, mas Bake Off tem uma plateia de espectadores maior. Interessante. Claro, trata-se apenas de uma comparação numérica, pois os dois programas são bons e fazem por merecer o sucesso que fazem. Como são exibidos em dias e horários distintos, o espectador pode muito bem acompanhar e gostar das duas atrações.

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André Santana

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Tiago Leifert manda bem em "Zero1"

Uma das melhores novidades da Globo nos últimos meses foi o Zero1, atração sobre o universo nerd de Tiago Leifert que estreou no ano passado e ganhou uma segunda temporada em 2017. Afinal, trata-se de uma atração bastante segmentada, já que fala a um único tipo de público e, por isso, parece mais programa de TV paga. Claro, tamanha segmentação de público tem seu preço, e o preço pago pelo programa é seu horário de exibição, aos sábados, depois do Altas Horas. Mas isso não chega a ser um problema. Eu, nerd que sou, me sinto contemplado com a atração.

Zero1 é um programa curto, rápido, divertido e cheio de informação. Com apenas 15 minutos, Tiago recebe seus convidados, dá dicas de games, fala sobre filmes e séries e, principalmente, se diverte muito fazendo. A edição ligeira, com jeitão de vídeo da internet, faz com que o Zero1 fale diretamente ao seu público-alvo. E a missão do programa é cumprida com louvor, já que a atração registra bons índices de audiência em seu horário “escondidinho”.

Cria da Globo, Tiago Leifert foi realmente um talento garimpado pela emissora. Fez bem ao esporte, ao imprimir a linguagem informal que faria escola dentro da Globo, com seu jeito de comandar o até então tradicionalíssimo e quadrado Globo Esporte de São Paulo. Tanto traquejo no trato com o público o levou a posições de destaque, como no Central da Copa, onde apareceu para todo o Brasil. Dali, foi escalado para seu primeiro trabalho no entretenimento, o The Voice Brasil, no qual sempre se saiu muito bem.

Ao trocar de vez o jornalismo pelo entretenimento, Tiago foi colocado equivocadamente no time do É de Casa. A ideia era que o apresentador fosse responsável pelas “dicas nerd” do programa, mas, ao que tudo indica, tudo não saiu do papel. No tempo em que ficou ali, foram raríssimas as vezes que Tiago apareceu diante de um videogame. Felizmente, com a criação do Zero1 e a escalação do apresentador para assumir o Big Brother Brasil, Tiago deixou o matinal. Se deu muito bem!

Afinal, o apresentador ganhou um espaço só seu para falar dos assuntos nerd, que, convenhamos, ele domina bastante. Além disso, consegue se manter no ar praticamente o ano todo na emissora, com nada menos que três programas diferentes, todos de temporada. Foi muito bem em seu primeiro ano no Big Brother e deve continuar fazendo bonito no próximo The Voice, que começa logo. E, enquanto isso, ainda pode ser visto no Zero1. É um grande nome da Globo, sem dúvidas!

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André Santana

sábado, 9 de setembro de 2017

"A Casa": só Marcos Mion salvou

A maioria dos reality shows da Record sofre do mesmo mal: o excesso de roteiro, que não permite com que o apresentador tenha espaço para improvisos. Tal característica sempre prejudicou Britto Jr em A Fazenda, e até Rodrigo Faro se viu preso a um roteiro no Fazenda de Verão. Roberto Justus, no Power Couple e A Fazenda, também padece disso. E os diálogos pouco naturais entre Xuxa e Sergio Marone é um ponto negativo do Dancing Brasil. No entanto, tal problema não foi visto em A Casa, reality da emissora que encerrou sua primeira temporada na última semana. Marcos Mion esteve muito bem à frente do programa, salvando a atração do fiasco total.

Mion foi o único destaque positivo neste reality show de extremo mau gosto. Não houve nada de atrativo num show que confinava 100 pessoas numa casa preparada para receber quatro inquilinos, fazendo-os passar por todo tipo de provação. Com água e comida regrada, e nenhum conforto, o que mais se viu foram pessoas enfraquecidas pelos cantos da casa, se acotovelando em meio aos próprios companheiros, e também à equipe de cinegrafistas, que circulava pelos cômodos.

Com este tanto de gente, não houve sequer a chance do público de se envolver afetivamente com algum deles, provocando torcida, que é o que move a maioria dos reality shows. Não houve protagonistas em A Casa, nem nada que despertasse qualquer compaixão da audiência. Era simplesmente um festival de brigas pelos motivos mais absurdos, que podem até ter divertido os mais sádicos. Mas foi só isso.

Assim, Marcos Mion acabou sobressaindo, ao dar um tom divertido e irônico à apresentação. Muito à vontade, Mion não poupava os participantes, se divertindo com as situações mais ridículas, fazendo de suas aparições momentos sempre muito divertidos. Na final, que consagrou a ilustre desconhecida Thais Guerra, Mion ainda teve a chance de ir além, e houve espaço até para uma edição especial do Vale a Pena Ver Direito, um dos destaques de seu programa Legendários. Ali, Mion analisou, com muito humor, as passagens mais pitorescas da atração.

Ou seja, Marcos Mion deu personalidade à apresentação de A Casa, salvando-a do marasmo total. E terá nova chance de continuar com suas boas intervenções no ano que vem, já que a emissora confirmou uma segunda temporada do programa, mesmo com os parcos resultados desta primeira. Segundo notícias que circulam pela imprensa especializada, a segunda temporada de A Casa será diária, com eliminações ao vivo e maior participação do público. Não me parece que vai adiantar muita coisa, mas…

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André Santana

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Por que a RedeTV não concentra seus concessionários pela manhã?

Outro dia, falando sobre a venda da faixa das 18 horas da RedeTV para um programa de leilão de joias, um internauta comentou que a emissora poderia, já que precisa vender horários, concentrar todo este loteamento numa única faixa, assim evitaria tantas interrupções na grade que impedem o efeito cascata na audiência. Ele tem razão. A emissora vive péssima fase no Ibope porque “interrompe” sua grande regular entre meio-dia e 15 horas, entre 17h e 19h, e entre 20h30 e 21h30. Não tem como segurar a audiência assim.

Isso me fez lembrar que, no passado, a emissora não tinha programação no período da manhã, locando todo este espaço para concessionários. Na verdade, a RedeTV, quando entrou no ar, em 1999, tinha uma grade que ia das 7h30 à meia-noite, sem interrupções nem televendas. Mas, duas semanas depois, a emissora já havia desistido da programação matinal, reestruturando a programação. O matinal A Casa É Sua, então, migrou para as tardes, enquanto as manhãs eram ocupadas por programas tipo Polishop. O canal voltou a apostar nas manhãs apenas a partir de 2003, quando lançou o Bom Dia Mulher.

Não seria má ideia o canal, então, voltar a fazer isso, já que sua saúde financeira depende da locação de horários. A RedeTV poderia abrir mão da grade matinal de novo, começando sua programação ao meio-dia. Eu até tenho uma sugestão: um novo jornal ao meio-dia, seguido do Melhor pra Você das 13h às 15h, que entregaria ao A Tarde É Sua, das 15h às 17h. A faixa entre 17h e 18h30 eu sonharia com uma volta do TV Kids, com desenhos japoneses que fazem falta na telinha, mas o canal provavelmente ia preferir o Você na TV, de João Kleber. Pois bem, entre 18h30 e 19h30 entraria o Operação de Risco (que funcionou bem neste horário dias atrás) e o RedeTV News. Depois, a grade seguiria como está.

Com uma mudança neste sentido, a RedeTV mataria vários coelhos com uma cajadada só (pobres bichinhos…). O Melhor pra Você tem péssima pontuação pela manhã, e trocá-lo por um programa de televenda ou religioso seria o famoso “elas por elas”. No início da tarde, a atração tentaria um novo público, além de servir de alavanca à Sonia Abrão. Seria interessante ver o programa, que é bom, num horário diferente.

Quando não tinha programação matinal, a RedeTV abria sua grade ao meio-dia com o noticiário RTV, seguido do programa feminino Elas, com Sula Miranda, que entregava o horário para o A Casa É Sua, com Sonia Abrão. Sonia seguia até às 18h, quando entregava ao Interligado. Aí vinha TV Fama, seriados, Jornal da TV, enfim… era uma grade mais inteligente, e com audiência bem melhor que a atual. Fica a dica.

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André Santana

sábado, 2 de setembro de 2017

"Estrelas do Brasil": Globo transforma Angélica em Regina Casé

Regina Casé é uma atriz cômica da melhor qualidade, e mostrou seu talento para fazer rir em programas históricos, como TV Pirata, e participação em novelas, como Cambalacho, quando fez de Tina Pepper uma grande mania. Mas a atriz também começou a mostrar sua faceta de apresentadora, principalmente quando passou a comandar o mensal Programa Legal, ao lado de Luiz Fernando Guimarães. Depois, sozinha, ancorou o clássico Brasil Legal, sem dúvidas um dos programas mais importantes de sua carreira.

No Brasil Legal, Regina Casé passou a viajar pelo Brasil colhendo boas histórias, bons personagens e dando voz a populares, num formato diferente e irreverente que fez história na TV. Regina, assim, tornou-se uma das apresentadoras mais populares da Globo, pois abria espaço para pessoas comuns, fazendo o espectador se reconhecer na telinha. E fazia isso com maestria, pois conseguia extrair, sempre, o melhor de seu entrevistado e da história que contou.

Regina Casé continuou aparecendo como apresentadora na TV, e ainda trabalhando como atriz de vez em quando. Depois do Brasil Legal vieram Muvuca, Um Pé de Que? (no Futura e na extinta faixa Globo Educação, nas manhãs de sábado da Globo), o ótimo e esquecido Cena Aberta, o interessante Central da Periferia e, mais recentemente, o Esquenta!. No dominical, que fez muito sucesso em seus primeiros anos, Regina levou o clima do Brasil Legal para um auditório, uma novidade em sua carreira. Como um novo Chacrinha, Regina passou a animar uma plateia com diversas atrações que desfilavam em seu palco. Desgastado, Esquenta! saiu do ar no ano passado, e houve a promessa de que Regina Casé ganharia uma nova atração, que muitos apostavam que seria um programa no qual ela voltasse a encontrar populares e contar histórias. Por enquanto, nem sinal do tal programa, mas é bem possível que ela volte em breve com novo projeto.

Enquanto isso, a loirinha Angélica fez história na televisão desde menina. Desde participação no programa do Chacrinha, a menina fez comerciais, participou de grupos musicais, até se tornar apresentadora, ainda pré-adolescente, na extinta Rede Manchete. Ali, começou sua bem-sucedida carreira de apresentadora infantil no comando do Nave da Fantasia e, depois, no lendário Clube da Criança. Além disso, mostrou-se exímia animadora de auditório ainda adolescente, quando fazia sucesso comandando o musical Milk Shake, nas tardes de sábado. Ali, Angélica começava a falar com outros públicos que não o infantil.

Angélica passou pelo SBT, onde animava um imenso auditório em nada menos que três programas diários: o infantil Casa da Angélica, o familiar TV Animal e o juvenil Passa ou Repassa. O sucesso deste último a levou à Globo, onde também tinha um auditório para chamar de seu na maioria das fases do matinal Angel Mix. De lá, passou a dar expediente no Vídeo Show, onde comandava o Vídeo Game, também diante de um auditório. Passou dez anos ali, mostrando sua competência no comando de game shows. Não é qualquer apresentador que sabe apresentar um game. Angélica sabe. Tem ritmo, presença de palco, comando, carisma.

Desde o final de 2011, quando o Vídeo Game saiu do ar, Angélica não tem mais um auditório. No comando do programa de entrevistas Estrelas desde 2006, a apresentadora se especializou em visitar artistas, ou levá-los para um passeio. Em meio às reformulações que o Estrelas enfrentou neste ano, que passou a apostar em temporadas temáticas, surgiu a série Estrelas do Brasil, que estreou no último sábado, 26. Na nova fase, Angélica continua a receber celebridades, agora viajando pelo país e abrindo espaço, também, para personagens anônimos do Brasil, mas que são “estrelas” em suas respectivas áreas de atuação.

Estrelas do Brasil começou a sua viagem pelo país em Belém do Pará. Angélica levou os atores Bruno Gissoni e Maria Flor por lugares característicos do local, como o Mercado Ver-o-Peso, e se encontrou com figuras da região, que mostraram o seu trabalho. Não faltou carimbó, e Angélica dançou e conheceu o trabalho do grupo local Trilhas da Amazônia. A apresentadora e seus convidados conheceram, também, as motoristas da cooperativa Diva’s Taxi; o fotógrafo Luiz Braga; e a cantora Dona Onete, paraense que sempre teve o sonho de cantar, mas que só gravou seu primeiro álbum aos 72 anos. Enquanto Bruno Gissoni acompanhou Angélica, Maria Flor conversou com a erveira Dona Carmelita e a feirante Tia Coló, que ensinou uma receita. Estrelas do Brasil, então, explora personagens do país, com boas histórias pra contar e muito a dizer sobre o local onde vivem.

Ou seja, a proposta do Estrelas do Brasil é bem parecida com a do Brasil Legal, que ficou quatro anos no ar em edições mensais redescobrindo o país. Angélica, assim, tem uma missão parecida com a de Regina Casé. E Regina Casé, por sua vez, comandou um auditório no extinto Esquenta!, um ambiente no qual Angélica tem tanta familiaridade. O que isso tudo quer dizer? Simples: dá a impressão de que a direção da Globo não sabe aproveitar os talentos dos quais dispõem. Entrega à Angélica, excelente animadora de auditório, um programa de viagens, enquanto transforma Regina Casé, excepcional “turista” do Brasil, numa animadora.

E isso não acontece apenas neste caso. O canal também entrega à Márcio Garcia e Fernanda Lima, grandes apresentadores, programas de temporada, enquanto nomes menos expressivos, como Joaquim Lopes e Sophia Abrahão, batem ponto quase diariamente no Vídeo Show

Não que Regina Casé não tenha se saído bem em seus anos de Esquenta!. E muito menos que Angélica não mande bem ao contar histórias do Brasil. Aliás, o Estrelas do Brasil estreou muito bem, com um programa bonito, colorido, bem editado, divertido e cheio de boas informações. Depois de uma temporada cansativa do Estrelas Solidárias, a nova fase é uma injeção de ânimo. Mesmo assim, fica a impressão de que os papéis estão trocados.

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André Santana

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

News: "La La Land" estreia neste final de semana no Telecine

Não foi à toa que La La Land: Cantando Estações ganhou seis estatuetas no Oscar e sete categorias do Globo de Ouro. O filme, que chega ao Telecine Play e Telecine Premium neste sábado, dia 2 de setembro, encanta todas as gerações com um show de atuação de Ryan Gosling e Emma Stone - premiada como atriz em ambas as competições. Eles cantam, dançam e emocionam o público com a história dos românticos e idealistas Sebastian e Mia. A química dos atores em cena começou em dois trabalhos anteriores: Amor a Toda Prova e Caça aos Gângsteres.

Sebastian é um pianista que sonha abrir o seu próprio clube de jazz. Quando conhece Mia, uma garçonete aspirante a atriz, se apaixona perdidamente e, juntos, correm atrás de seus sonhos. Os números musicais e as coreografias exigiram horas de treino da dupla, que se dedicou a aprender sapateado, dança de salão e jazz. Ryan e Emma também soltaram a voz durante a produção.  O ator canadense tirou de letra as cenas com piano e dispensou dublê, depois de passar três meses ensaiando intensamente para tocar o instrumento. A facilidade de Ryan surpreendeu até John Legend, músico e seu parceiro de elenco.

Dirigido por Damien Chazelle, o musical, que se passa em Los Angeles, é uma homenagem ao cinema e a Hollywood. Para as filmagens, realizadas no mesmo estúdio de clássicos como O Mágico de Oz e Cantando na Chuva, vários pontos charmosos da cidade serviram como locação: Griffith Park, Watts Towers, Rialto Theatre e o píer Hermosa Beach.

La La Land: Cantando Estações  estreia neste sábado, dia 2/9, sábado, às 22h, no Telecine Play e no Telecine Premium, e neste domingo, dia 3/9, domingo, às 20h, no Telecine Pipoca.

Fale com o TELE-VISÃO:

E-mail: andre-san@bol.com.br




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