sábado, 29 de julho de 2017

Ao apostar na fantasia, "Belaventura" vai fundo no folhetim clássico

Belaventura, que estreou nesta semana na Record, deixou uma boa impressão. A nova trama de Gustavo Reiz teve um primeiro capítulo bastante movimentado e com jeitão de folhetim tradicionalíssimo. Assim como fez em Escrava Mãe, trama no qual fez uso dos principais clichês do novelão tradicional de maneira envolvente e eficiente, em Belaventura o autor não reinventa a roda. A novidade, aqui, é o cenário, com jeito de conto de fadas.

A novela mal começou e já jogou as cartas na mesa, apresentando uma vilã-mor malvadíssima e muito interessante, a Marión. Casada com o Conde Severo (Floriano Peixoto), aspirante ao trono do reino de Belaventura, ela não mede esforços para conseguir se tornar rainha. O perfil de bruxa má casa direitinho com a excelente atuação de Helena Fernandes, bruxa adorável desde os tempos em que vivia Silvana, a arquirrival da fada Bela (Angélica), em Caça Talentos, na Globo.

Também não faltou uma paixão arrebatadora. Pietra e Enrico se apaixonaram ainda crianças e  se reencontraram já adultos, anos depois. Ela vive a agonia de ter visto sua mãe desaparecer. Já ele é o herdeiro do trono de Belaventura, filho do Rei Otoniel (Kadu Moliterno), e que viu a mãe assassinada logo após a vitória de seu pai na batalha pelo trono. Lucy (Larissa Maciel), a mãe de Pietra, guarda um segredo sobre a origem da filha, segredo este ligado aos nobres de Belaventura. Enquanto não reencontra a mãe, Pietra viverá a clássica história do amor proibido com o príncipe Enrico.

A Record acertou na escalação dos jovens protagonistas. Rayanne Moraes, a Pietra, e Bernardo Velasco, o Enrico, são rostos ainda não muito conhecidos. É importante lançar novos nomes, ainda mais numa trama que, apesar de ser um novelão clássico, traz uma nova embalagem às novelas da Record, ao situar a trama na Idade Média. Um rosto desconhecido ajuda o espectador a embarcar na fantasia.

Falando na “embalagem” de Belaventura, está aí a única novidade da nova aposta da Record. Não que novelas medievais sejam novidade, afinal, em sua origem, as novelas brasileiras se passavam em reinos distantes, com nobres vivendo grandes histórias de amor. Já na dramaturgia moderna, Que Rei Sou Eu? é a grande referência em novelas “capa-e-espada”. Porém, a trama de Cassiano Gabus Mendes era uma grande comédia, funcionando como uma farsa, uma alegoria ao Brasil. Já em Belaventura, o cenário serve apenas como um pano de fundo fantasioso, como nas clássicas histórias infantis de príncipe e princesa.

E é este o trunfo de Belaventura. Como a trama narra os acontecimentos de um reino medieval que parece saído dos livros de fantasia e aventura, o autor pode abusar do melodrama sem ser over, tendo em vista que o contexto fantástico da obra permite qualquer tipo de devaneio. O cenário, assim, credencia o novelista e ir fundo no folhetim, sem medo de ser cafona. Para um autor que se mostrou habilidoso no novelão, é um prato cheio.

Em tempos de Game of Thrones bombando, Belaventura tenta beber da fonte. E sem esconder a inspiração, vide a batalha pelo trono no primeiro capítulo, ou até mesmo a abertura (aliás, belíssima) que traz vários elementos do reino se movimentando como engrenagens, tal qual a similar estadunidense. Na prática, a história pouco se assemelha à série, mas a referência é válida.

Ou seja, Belaventura é uma aposta que, apesar de oferecer uma trama tradicional, não deixa de ser uma ousadia, já que terá a missão de conquistar o público fazendo-o acreditar naquele universo situado na Idade Média, em algum canto da Europa, onde todos falam português (alguns com forte sotaque carioca, diga-se). A trama é boa e pode ser bem-sucedida na missão. Com a palavra (e o controle remoto), o espectador!

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André Santana

terça-feira, 25 de julho de 2017

"Malhação" reúne ótimo elenco de veteranos

Malhação: Viva a Diferença vem surpreendendo. Já falamos aqui o quanto a atual temporada da novelinha está bem servida, seja na qualidade do texto, da direção, e até do desempenho das cinco jovens protagonistas. No entanto, é preciso salientar também a qualidade do elenco dito “adulto”. A atual safra da história reúne ótimos atores, e com personagens muito bons, que vão além de meras “escadas” aos dramas juvenis.

A atração traz nomes como Lúcio Mauro Filho, Malu Galli, Marcello Antony e Ângelo Antonio, todos estrelas da casa e que trazem bons serviços no currículo. E traz ainda Mouhamed Harfouch e Daniela Galli, excelentes atores, que (ainda) não têm o status de seus colegas, mas são igualmente ótimos em seus trabalhos.

Com um time destes, é essencial que haja um bom material de trabalho. E o elenco adulto de Malhação: Viva a Diferença está muito bem servido neste sentido. Como Malhação é um programa para jovens, e os protagonistas são atores jovens, já aconteceu de, em algumas temporadas, que o elenco mais “velho” aparecesse como coadjuvante sem muitos conflitos. São apenas os pais e os professores dos jovens. Na atual temporada, assinada por Cao Hamburger, isso não acontece. Eles ainda são pais e professores, mas têm ótimos conflitos.

O “troca-troca” de casais envolvendo Marta (Malu Galli), Edgar (Marcello Antony), Luís (Ângelo Antonio) e Malu (Daniela Galli) vem sendo muito bem armado desde a estreia. Quando Marta descobriu que seu marido, Edgar, tinha um caso de anos com sua melhor amiga Malu, desencadeou-se toda uma gama de emoções, e que atingiu em cheio Lica (Manoela Aliperti), uma das protagonistas da história, filha do casal. Depois, a aproximação entre Malu e Luís rendeu novas emoções, além de aproximar, novamente, Malu Galli e Ângelo Antonio, que foram par também em A Vida da Gente e Sete Vidas.

Marcello Antony, há anos sem um bom personagem, está muito bem como Edgar. Lúcio Mauro Filho, tão marcado como o Tuco de A Grande Família, convence como o pai jovem, Roney, que já é avô. Sua relação com a filha Keyla (Gabriela Medvedovski) é muito bonita. Ou seja, o autor Cao Hamburger e o diretor Paulo Silvestrini foram muito felizes com a escalação do elenco. E este grupo de atores retribuiu com ótimos desempenhos.

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André Santana

sábado, 22 de julho de 2017

"Mister Brau" evolui a cada temporada

Na última terça-feira, 18, foi ao ar o último episódio da terceira temporada de Mister Brau, uma das séries da Globo mais bem-sucedidas da atualidade. Divertido como sempre, o capítulo encerrou a nova safra com chave de ouro, demonstrando que a série vem evoluindo a olhos vistos e cumprindo, com louvor, sua missão de ser um entretenimento inteligente e com algo a dizer.

No último episódio, Michele Brau (Taís Araújo) tornou-se atriz de novelas, vivendo um par romântico bastante “caliente” com Filipe César (José Loreto). A “veracidade” das cenas de amor entre seus personagens dá o que falar, a ponto de a imprensa especializada especular que os dois artistas estão tendo um caso. Brau (Lázaro Ramos) não consegue lidar com as novidades, gerando um conflito que leva o casal a uma separação breve. Enquanto isso, Henrique (George Sauma) e Andréia (Fernanda de Freitas) brigam porque o advogado se torna fã da novela de Michele, enquanto sua esposa morre de ciúmes.

O texto, esperto como sempre, trouxe uma série de referências ao mundo das celebridades. Afinal, quase sempre que um casal demonstra química numa novela, começam a pipocar notinhas sobre um possível envolvimento dos atores, também, na vida real. Muitas vezes é mera fofoca, mas outras tantas acaba se revelando verdade. Levar este fato ao universo de Brau e Michele foi uma sacada e tanto, e o episódio foi eletrizante do começo ao fim. E vale ressaltar a excelência do elenco: Lázaro Ramos, Taís Araújo, Fernanda de Freitas, George Sauma, Kiko Mascarenhas (Gomes), Luís Miranda (Lima) e Cláudia Missura (Catarina) estão cada vez mais à vontade na pele de seus personagens e parecem se divertir em cena. Tal simbiose entre ator e personagem só é vista em raras ocasiões, como em A Grande Família, por exemplo.

Além da diversão, Mister Brau consegue passar importantes mensagens, sem ser didático ou panfletário. O episódio final da temporada foi praticamente uma comédia romântica sem grandes discussões, mas o número final, no qual o elenco da série aparece no cenário do programa Os Brau homenageando os grandes personagens negros do mundo foi de um encantamento raro. Emocionou, passou uma importante mensagem e fugiu de qualquer pieguismo. Aliás, o programa Os Brau foi um acerto desta temporada, já que acabava costurando boa parte dos episódios, mostrando números musicais com artistas reais, cujas canções dialogavam com as situações do roteiro. Ontem, teve Maiara e Maraísa pontuando os conflitos entre Brau e Michele, enquanto a ótima Liniker e os Caramelows, com a canção “Zero”, celebrava a reconciliação.

Outro ponto positivo da temporada foi a evolução dos personagens. Henrique e Andréia ganharam mais estofo depois que se tornaram pais, e, também, depois que a moça deixou de ser uma mera dondoca e passou a advogar ao lado do marido. Já Brau e Michele adotaram três crianças, ao melhor estilo “Brangelina”, aumentando a possibilidade de mostrá-los como uma família comum, apesar de toda a fama e a consagração. Em suma, Mister Brau consegue repetir a boa evolução de séries como Tapas & Beijos e A Grande Família, ao dialogar com um público heterogêneo de forma inteligente e bem-humorada. Felizmente, já tem nova temporada garantida.

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André Santana

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Novidades na Globo: novela de Aguinaldo Silva é adiada e Evaristo Costa pode deixar o canal

Dias movimentados nos bastidores da Globo. Nesta semana, o canal anunciou que a novela de Aguinaldo Silva, que seria a “substituta da substituta” de A Força do Querer, foi adiada. Enquanto isso, o colunista Flavio Ricco informou anteontem que o jornalista Evaristo Costa, apresentador do Jornal Hoje, avisou a emissora que não pretende renovar o seu contrato, que termina em setembro.

Falemos primeiro da novela. Até a semana passada, a fila dos autores das nove estava assim: depois de Gloria Perez viria Walcyr Carrasco, com O Outro Lado do Paraíso; depois Aguinaldo Silva e seu O Sétimo Guardião; e, em seguida, João Emanuel Carneiro, com uma trama ainda sem título. No entanto, no início da semana, a direção da Globo informou que a ordem será invertida, e a novela de João Emanuel Carneiro virá antes da trama de Aguinaldo Silva (que já tinha até elenco reservado, diga-se). A emissora informou que a mudança se deve ao diretor artístico Rogério Gomes e sua equipe, atualmente no ar em A Força do Querer, e que também estará à frente de O Sétimo Guardião. A ideia é dar mais tempo de férias à equipe.

Motivo mais do que justo, até porque Rogério Gomes e Aguinaldo Silva já foram parceiros em Império e a dupla funcionou muito bem. Só é estranho que tenham se atentado a este fato após todo este tempo que O Sétimo Guardião estava confirmada. Dá a impressão de que aquela notícia de que um dos alunos da masterclass de Aguinaldo Silva, dada pelo Na Telinha, de que ele cobrava coautoria da novela, já que a sinopse teria sido escrita num dos cursos do autor, ainda não está totalmente esclarecida. Provavelmente, a direção da Globo quer ganhar tempo para resolver isso.

O autor, inclusive, não cansava de revelar detalhes meio estranhos da nova obra, como uma possível reaparição de Nazaré, de Senhora do Destino. Além disso, o elenco já estava praticamente todo escalado, contando com nomes como Renata Sorrah, Lília Cabral, Humberto Martins, Carolina Dieckmann, Marcelo Serrado, dentre outros. Será que este pessoal estará disponível para João Emanuel Carneiro? Vai começar a temporada de disputa de atores a tapa na Globo!

Aliás, O Sétimo Guardião também traria de volta à cena a atriz Joana Fomm, que foi notícia no ano passado quando pediu emprego em redes sociais. Logo depois do apelo, Joana foi convidada para participar de um filme e, em seguida, emplacou uma personagem em Malhação – Pro Dia Nascer Feliz. Ainda no ar em Malhação, a atriz foi convidada para O Sétimo Guardião e, segundo Aguinaldo Silva, a personagem foi criada para ela como um pedido de Silvio de Abreu, diretor de teledramaturgia diária da Globo. Entretanto, logo foi anunciado que a atriz assinara com a Record para participar de O Apocalipse, substituta de O Rico e Lázaro. Só que hoje, 20, saiu uma nota afirmando que a participação de Joana Fomm na novela da Record será apenas na primeira fase. Ou seja, quando O Sétimo Guardião entrar em produção, provavelmente a atriz estará disponível novamente. Aguinaldo disse que sua personagem seria mãe de Vivianne Araújo e avó de Marina Ruy Barbosa. Vamos aguardar.

Enquanto isso, ontem, 19, todo mundo foi pego de surpresa com a informação de Flavio Ricco, que afirmou que Evaristo Costa não deve renovar seu contrato com a emissora. Segundo Ricco, Evaristo teria informado à direção da Globo a sua decisão e que se trata “de uma decisão em caráter pessoal e irrevogável”. Ainda de acordo com publicação do colunista, amigos próximos contam que Evaristo tirará um ano sabático e morará fora do Brasil com a mulher e as duas filhas. A Globo ainda não confirmou a informação, mas todos foram pegos de surpresa. Caso se confirme, será desfeita uma das mais simpáticas duplas do telejornalismo brasileiro, formada por ele e Sandra Annenberg no Jornal Hoje. Além disso, Evaristo seria o substituto natural de William Bonner no Jornal Nacional, ou seja, não há qualquer motivo aparente para sua saída. O jeito é aguardar novas informações para saber. Mas será uma pena se for confirmado seu desligamento.

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André Santana

terça-feira, 18 de julho de 2017

Novo "Os Trapalhões" acerta ao se colocar como homenagem ao quarteto original

Ao assistir à estreia do novo Os Trapalhões, ontem, 17, no Viva, apagou-se a ideia de que um remake do humorístico seria um erro. Não foi. Na verdade, a nova parceria entre Globo e Viva revelou-se uma simpática homenagem aos eternos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Curiosamente, o Viva participa deste momento “revival” da Globo, mas nunca exibiu originais de Os Trapalhões em sua programação, praticamente toda feita à base do arquivo da Globo.

O novo Os Trapalhões acertou por não trazer novos intérpretes aos personagens originais, até porque Didi, Dedé, Mussum e Zacarias não eram bem personagens, e sim personas bem humoradas dos próprios envolvidos. Tanto que apenas Didi era creditado na abertura com um nome artístico diferente, Renato Aragão, enquanto Dedé sempre foi Dedé Santana, e Mussum e Zacarias sempre apareceram como Mussum e Zacarias, embora se chamassem Antonio Carlos Gomes e Mauro Gonçalves. Na nova atração, o quarteto é formado por Didico (Lucas Veloso), Dedeco (Bruno Gissoni), Mussa (Mumuzinho) e Zaca (Gui Santana), que são sobrinhos dos originais. Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana) aparecem, dando a bênção. Solução fundamental para a compreensão de que não se trata de uma tentativa de refazer o original, e sim homenageá-lo.

O novo elenco procura repetir os trejeitos dos originais e consegue resultado satisfatório. O elo mais fraco é Bruno Gissoni, que não é lá muito bom ator e não parece ser um “escada” tão esperto quanto o Dedé Santana original. Além dele, Nego do Borel revivendo Tião Macalé decepcionou. Já Lucas Veloso faz um Didico correto, com impressionante semelhança a Didi; e Gui Santana, excelente imitador, convence como Zacarias. Mas quem mais chamou a atenção nesta estreia foi Mumuzinho, surpreendentemente bem como Mussa.

Vamos combinar que o maior desafio coube à Mumuzinho. Reviver o espírito de Mussum era uma missão espinhosa, tendo em vista que o trapalhão de dialeto próprio e fã de “mé” era uma figura extremamente particular. O saudoso Mussum tinha um carisma ímpar, que sobrevive e se perpetua mesmo depois de tantos anos de sua morte. Os tantos “memes” com a cara de Mussum e seu impagável “Cacildis” falam por si. Pois Mumuzinho conseguiu reeditar este espírito malandro de Mussum, recriando maneirismos clássicos e remetendo ao original em vários momentos. Porém, o fez à sua maneira, dando uma cara própria à figura. Não soou como mera imitação, como acontece com o Zacarias de Gui Santana, e sim como uma recriação interessante. A cena em que Mussa, como Rapunzel, tem os cabelos queimados pelo cabeleireiro Didico, e grita dizendo que está a “cara da Tina Turnis!” foi impagável!

Em tempos politicamente corretos, as piadas lotadas de preconceitos ficaram de fora, felizmente. Assim, sobrou o humor mais infantil e pastelão de Os Trapalhões, que foi reeditado de maneira eficiente, ora refazendo esquetes clássicos, ora trazendo novidades. Assim, o novo Os Trapalhões diverte e preserva a memória do programa original, um clássico que sempre deve ser reverenciado.

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André Santana

sábado, 15 de julho de 2017

Com "Popstar", talent shows envolvendo famosos proliferam

Quando lançou sua Casa dos Artistas, em 2001, o primeiro reality show brasileiro no estilo do Big Brother, Silvio Santos pode não ter imaginado que estaria lançando uma tendência. Ao confinar “famosos” numa casa, o animador mostrou que, sim, celebridades (ou pseudo... ou sub... como queiram) podem ser bons participantes de reality shows. Mas a escolha do cast tem que ser boa, afinal, as outras Casa dos Artistas não renderam como a primeira. A Fazenda, da Record, já foi mais feliz e emplacou várias edições, umas com cast certeiro, e outras com elenco equivocado.

No entanto, não é qualquer famoso que dá a cara a tapa num reality show de observação neste estilo. Por isso mesmo, foi quando chegaram os primeiros “talent shows” que famosos de maior “calibre” se deixaram envolver. Os talents nada mais são que competições de calouros (ou, em alguns casos, profissionais) que utilizam recursos do reality show, revelando bastidores e mesclando depoimentos, aumentando o envolvimento do público com o concurso e, consequentemente, criando torcidas.

O mais bem-sucedido formato nesta seara foi a Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão, primeira versão brasileira de formatos baseados no sucesso internacional Dancing With The Stars. Como desta vez a ideia é colocar pessoas que não dançam para aprender a arte, o desafio se tornou mais interessante para uma celebridade se submeter. Grandes nomes já passaram pela Dança dos Famosos nestes mais de dez anos do quadro no ar, como Christiane Torloni, Nívea Maria, Stênio Garcia, Ana Maria Braga e Francisco Cuoco, entre muitos outros. O SBT, depois, lançou o seu Bailando Por um Sonho, que também envolveu famosos.

De lá para cá, a televisão brasileira foi pegando o gosto pelos talent shows com a participação de pessoas famosas. Além das competições de dança, vieram também de culinária (Superchef Celebridades), salto ornamental (Saltibum), mágica (Truque Vip), show business (Aprendiz Celebridades), e até de covers. Este último também vem fazendo barulho no Domingão do Faustão, com o Show dos Famosos, uma versão de Your Face Sounds Familiar. O novo quadro mostrou-se tão eficaz quanto a Dança para prender o público e foi um acerto do programa de Fausto Silva em 2017. E vale lembrar que, antes de chegar à Globo, o formato foi do SBT, que fez uma temporada de Este Artista Sou Eu.

Neste ano de 2017, além do Show dos Famosos, a televisão brasileira já realizou (e ainda realiza) mais uma edição do Superchef Celebridades, quadro do Mais Você que coloca famosos numa competição de culinária, e o Dancing Brasil, na Record, que, tal qual o Dança dos Famosos, traz famosos aprendendo a dançar. A segunda temporada do Dancing Brasil estreia no dia 24 de julho e, provavelmente, ainda estará no ar quando o Domingão do Faustão lançar mais uma edição da Dança dos Famosos. No meio de tanta competição de talentos, estava faltando apenas colocar famosos cantando, afinal, The Voice Brasil está no ar e fazendo sucesso há tantos anos com “anônimos”, que uma versão “celeb” se tornou inevitável. Pois ela surgiu no domingo passado, com a estreia do Popstar.

No programa apresentado por Fernanda Lima, 14 pessoas conhecidas por outros trabalhos que não a música, agora, soltam a voz numa competição valendo prêmio em dinheiro. Assim como nos programas de dança, a graça aqui é ver os famosos saindo de sua zona de conforto. Não que cantar seja novidade para vários deles, que já fazem trabalhos paralelos como cantores, como Mariana Rios, André Frateschi e Claudio Lins. Mesmo assim, não deixa de ser interessante ver figuras como o repórter Alex Escobar e o comediante Eduardo Sterblitch neste novo contexto. Na estreia, a maior surpresa foi a participação da apresentadora Sabrina Parlatore. Ela costumava cantar no encerramento do programa Vitrine, que apresentava na TV Cultura, mas era uma cantora bem mediana. Já no Popstar, foi excelente. Evoluiu muito! Também chamou a atenção a canastrice de Murilo Rosa, que abusou das caras e bocas de um jeito até constrangedor. Foi divertido.

O formato é simples e funcional. Cada famoso se apresenta, e um júri de famosos distribui notas (aqui, “estrelas”). Ainda não ficou claro se haverá eliminações no decorrer do programa ou não. Fernanda Lima surgiu bastante à vontade no comando, deixando de lado a tensão verificada no extinto SuperStar, e Tiago Abravanel mostra que é o herdeiro de Silvio Santos que mais tem condições de substituí-lo, mesmo com uma participação minúscula na estreia. Em suma, Popstar é um programa divertido, e que cumpre bem a missão de ser um bom entretenimento familiar para as tardes de domingo. Foi uma ótima estreia!

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André Santana

sexta-feira, 14 de julho de 2017

News: Norman visita Romero no inédito de "Bates Motel"

O Canal Universal estreará no dia 17 de julho, segunda-feira, às 23h, o segundo episódio da quinta temporada de Bates Motel.

No episódio “The Convergence of the Twain”, Norman (Freddie Highmore) visita Romero (Nestor Carbonell) na prisão, após descobrir que o ex-xerife tentou matá-lo. Romero diz que irá se vingar de Norman quando ele menos espera.

Mais tarde, Norman vai jantar com Madeleine (Isabelle McNally), seu marido Sam (Austin Nichols) e sua amiga. Norman imagina então um diálogo com sua mãe em que ela pergunta por que ele está jantando com uma garota que parece muito com ela.

Enquanto isso, Caleb (Kenny Johnson) volta para White Pine Bay, procurando Norma (Vera Farmiga).

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Band reprisará "Mil e Uma Noites" e "matará" sua faixa de novelas

A teledramaturgia da Band já teve várias fases. Em comum, todas faziam parte de diferentes estratégias de emplacar faixa de novelas (e até de seriados), que acabavam sendo deixadas de lado em razão de um fiasco ou outro. No entanto, desde que passou a exibir novelas da Turquia, com Mil e Uma Noites, a emissora parecia ter, finalmente, encontrado sua vocação. Trouxe novelas estrangeiras feitas fora da América Latina, tornando-se um diferencial, e conseguiu manter uma faixa contínua de exibição, sempre no mesmo horário e com títulos inéditos.

Mil e Uma Noites deu excelente audiência para os padrões da emissora, mais do que triplicando a audiência da faixa das 20h20. Com isso, animou a direção da Band a seguir apostando no filão, trazendo Fatmagul, Sila – Prisioneira do Amor e Ezel. A audiência oscilou, como acontece com qualquer faixa de novela de qualquer canal, mas nenhuma das produções registrou audiência desprezível.

Ou seja, depois de tantas tentativas, finalmente a Band conseguia consolidar um horário de novelas. De 2015 até agora, exibiu uma série de produções inéditas, mantendo o hábito do público. E novela é isso: hábito. A possibilidade de fazer a faixa continuar agregando público era grande. E importante, num momento em que o canal vive uma fase meio caída, com grade sucateada e poucas produções. No entanto, a emissora vai jogar por terra os resultados alcançados até aqui, já que programou uma reprise de Mil e Uma Noites para suceder Ezel.

Programar uma reprise, por mais que seja de uma novela de sucesso, é um erro, pois interrompe a trajetória linear do horário. O público já conquistado pela Band, com certeza, ansiava por assistir a uma nova história, e não rever algo. Se a ideia era reprisar Mil e Uma Noites, a emissora poderia ter escolhido um outro horário para isso, ao invés de “matar” seu principal (e único) horário de novelas.

Para piorar a situação, o colunista Flavio Ricco, do UOL, veio com uma “novidade” desanimadora. A reprise de Mil e Uma Noites, que começará no dia 19 de julho, durará apenas dois meses, ou seja, virá totalmente retalhada. E a trama será substituída não por uma novela, e sim por um reality show. Segundo Ricco, a nova atração é um reality gravado por uma produtora turca na República Dominicana. Ou seja, a emissora está mesmo disposta a perder todo o público conquistado nos últimos dois anos. Uma pena.

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André Santana

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sábado à tarde: Globo exibe "Sai de Baixo" em rede nacional

Minha “sugestão” deu certo! Rs... Explico! Certa vez, comentei por aqui que seria interessante a Globo reprisar outro humorístico na Sessão Comédia, depois de dois anos reexibindo Os Caras de Pau, e que Sai de Baixo poderia ser considerado. Pois alguém lá na emissora pensou como eu e tratou de trazer de volta a família do Arouche na faixa das 14 horas dos sábados. O retorno deu certo e Caco (Miguel Falabella), Magda (Marisa Orth) e cia vêm registrando ótima audiência.

Mais do que a boa audiência, o retorno do Sai de Baixo alcançou, também, excelente repercussão. Tanto que choveram pedidos dirigidos à emissora para que o canal passasse a exibir a série em rede nacional. Como se sabe, a faixa das 14 horas da Globo é destinada à produção local, e a Sessão Comédia vai ao ar apenas nas regiões onde não há programas regionais no horário. No entanto, a direção da Globo resolveu atender aos pedidos dos espectadores e, a partir deste sábado, 15, passará a exibir Sai de Baixo em rede.

Para isso, a cabeça de rede reduziu a faixa local, que, em alguns lugares, ia até às 15h15. Agora, o horário local terá apenas meia hora, das 14h às 14h30. Depois disso, entra no ar o Sai de Baixo, para todo o Brasil. Para as emissoras e afiliadas que já exibiam o Sai de Baixo, a comédia continuará entrando no ar às 14h, mais cedo que nas outras regiões.

Curioso notar que a reprise do Sai de Baixo conseguiu o que Angélica, em oito anos, tentou, sem sucesso. Desde 2006, quando estreou seu Estrelas, inicialmente exibido das 13h45 às 14h30 (ou seja, faixa local), a apresentadora pedia que a atração fosse ao ar em rede nacional. Pois foram anos e anos na tentativa, até que, em 2015, a direção da emissora decidiu pelo fim da sessão de filmes Cine Fã-Clube (que, por sua vez, substituiu o TV Xuxa), e empurrou Estrelas para a faixa das 15h, finalmente colocando Angélica para todo o Brasil. A Sessão Comédia, assim, foi criada como tapa-buracos entre 14h e 15h. Vale lembrar também que o próprio Caldeirão do Huck, hoje o carro-chefe das tardes de sábado, também era exibido em horário local em seu primeiro ano, 2000. Apenas a partir de 2001 o programa de Luciano Huck tornou-se obrigatório na rede.

Falando em Estrelas, comentei aqui que foi boa a ideia da direção do programa de mudar o formato e partir para as temporadas temáticas. Estrelas Solidárias, que mostra Angélica e seus convidados mostrando trabalhos assistenciais pelo Brasil, é bem interessante. Mas, como previsto, já está cansando. Estrelas Solidárias já deu, pois, como trata de um único tema, acaba ficando repetitivo. Quando o novo formato foi anunciado, falou-se que o programa teria várias temporadas temáticas ao longo do ano, que durariam cerca de três meses cada uma. Pois Estrelas Solidárias já está no ar há três meses, e até agora não se falou sobre qual será o próximo tema a ser explorado no programa. Será que mudaram de ideia e o programa ficará assim até o fim do ano? Já está na hora de mudar a temática.

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André Santana

sábado, 8 de julho de 2017

SBT vive péssimo momento

No final do século passado, o SBT era a segunda maior emissora do país em audiência, e ostentava um elenco de estrelas que incluía Hebe Camargo, Marília Gabriela, Gugu Liberato, Hermano Henning, Jô Soares, Serginho Groismann, entre tantos outros, e era referência em programas infantis, com o Bom Dia e Cia com a Jacky Petkovic e o inesquecível Disney Club. Hoje, a emissora perdeu (mais uma vez) a vice-liderança de audiência, e tem como “estrelas” Patrícia Abravanel, Silvia Abravanel, Renata Abravanel, Danilo Gentili, Rachel Sheherazade e Dudu Camargo. Tem alguma coisa muito errada para os lados da Anhanguera.

Buscando retomar a vice-liderança, a emissora estabeleceu, há alguns anos, uma nova grade, mais coerente e estável, e conseguiu resultados bastante satisfatórios. No ano passado, entretanto, Silvio Santos retomou sua irritante mania de mudar tudo de horário a toda hora, fazendo o canal despencar. Com as novelas mexicanas vespertinas, o canal vinha alcançando até 10 pontos no Ibope, um grande feito. Hoje, são apenas dois folhetins em cartaz, que dividem o espaço da tarde com Casos de Família e Fofocalizando. Todos estes programas juntos registram entre 5 e 6 pontos. Mudaram a grade e os resultados falam por si.

Além disso, Silvio Santos se apaixonou pelo tal do Dudu Camargo e deixa o menino fazer o que bem quer. Nas últimas semanas, o apresentador do noticiário Primeiro Impacto se envolveu em todo o tipo de polêmica e peregrinou por programas da RedeTV e da Band. Silvio preferiu colocar mais lenha na fogueira ao unir ele e Maisa Silva em encontros de extremo mau gosto, ao invés de fazer seu mais novo contratado colocar os pés no chão. A “blindagem” do patrão em torno de Dudu tem feito o menino se portar como uma estrela, coisa que ele não é e que, provavelmente, não será, se continuar a agir assim. É lamentável que Silvio Santos, por tudo o que representa, se preste a este tipo de situação. Divertir-se enquanto Dudu dança e Maisa se sente acuada é de um horror incomensurável.

Além de deixar Dudu Camargo fazer o que bem quiser e menosprezar seu departamento de jornalismo, que passa por um momento constrangedor, Silvio Santos resolveu, em 2017, abrir espaço para boa parte de suas filhas na grade de programação. Enquanto Silvia Abravanel e Patrícia Abravanel seguem dando expediente nos espaços que conquistaram já há algum tempo, no Bom Dia e Cia, e Máquina da Fama e Programa Silvio Santos, respectivamente, agora Rebeca Abravanel também conquista um espaço diário com o game Roda a Roda.

Silvia não tem lá muito carisma, mas é “esforçada”, como o próprio Silvio Santos já disse, e como a principal atração do Bom Dia e Cia segue sendo o pacote de animações, a apresentadora não compromete o produto. Já Patrícia acumula muitas funções e, este ano, também pode ser vista aos domingos cobrindo a apresentadora Eliana, afastada para se dedicar à gestação. Patrícia é a mais carismática das três herdeiras de Silvio, mas ainda lhe falta muito estofo e jogo de cintura para se tornar uma grande apresentadora de televisão. Pode aprender, mas ainda não chegou lá. Esse monte de Troféu Imprensa de melhor apresentadora que ela vem acumulando na prateleira não condiz com a realidade. Já Rebeca está completamente perdida. Comanda o Roda a Roda sem qualquer emoção, não olha para a câmera nunca e passa a impressão de que está ali unicamente por obrigação.

Silvio Santos é o dono e pode fazer o que bem quiser, incluindo aí transformar suas filhas em apresentadoras. O problema aí é que ele está fazendo isso errado. Resolveu, simplesmente, enfiar suas herdeiras goela abaixo no espectador, colocando-as em faixas importantes da grade. O ideal seria fazê-las começar aos poucos, em horários menos importantes, para que elas ganhassem experiência, maturidade e segurança. Da maneira que está, o excesso de “Abravanéis” na grade só expõe a falta de estrelas que a emissora vive.

Como se não bastasse tudo isso, o SBT vive um momento preguiçoso, e que parece regredir diante dos olhos de seu público. Afinal, há quanto tempo o canal não lança um programa verdadeiramente relevante? A única boa estreia deste ano foi o Fábrica de Casamentos, reality divertido e que trouxe, ainda, Chris Flores de volta ao vídeo, a única boa aquisição da emissora nesta história recente. Fora isso, apenas o Programa do Ratinho vive boa fase, com ótima audiência e um formato que explora todas as facetas do apresentador. E só. Celso Portiolli, excelente apresentador, comanda um programa sem vida. A linha de shows vive de filmes reprisados, e tem como único produto relevante A Praça É Nossa. Tudo no SBT anda em “banho-maria”.

Em seu blog no UOL, o crítico Mauricio Stycer noticiou que, num balanço do Painel Nacional de Audiência referente ao primeiro semestre de 2017, a Globo anunciou seu melhor resultado desde 2012, enquanto a Record festejou sua melhor média desde 2011. Já o SBT perdeu a vice-liderança e viu sua média cair em relação ao ano passado. Ou seja, a preguiça e as ideias equivocadas do SBT estão empurrando a emissora ladeira abaixo. É triste.

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André Santana

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Record terá grade semelhante à da Globo (de novo)

Lembra quando a Record colocou em prática seu plano “a caminho da liderança” e buscou montar uma grade de programação parecida com a da Globo? A emissora desejava ter três novelas inéditas na grade, uma às 18h, outra às 19h, e uma terceira às 20h30, com telejornais entre uma e outra, sendo um jornal local antes da novela das 18h e um jornal nacional por volta das 20h. A ideia até foi levada adiante em 2006, quando o canal exibiu Alta Estação às 18h, seguido do SP Record, da novela Bicho do Mato, do Jornal da Record e de Cidadão Brasileiro.

Entretanto, o plano durou pouco. Logo a emissora realocou Cidadão Brasileiro para a faixa das 22 horas, tornando-se uma alternativa às novelas da Globo e, de quebra, descobriu um bom horário a ser explorado, emplacando sucessos como Vidas Opostas, Caminhos do Coração e Chamas da Vida. Já a “novela das seis” foi abortada quando Alta Estação acabou encurtada e substituída pela trama enlatada Zorro – A Espada e a Rosa.

Anos depois, e com os planos “a caminho da liderança” revistos, parece que a Record pretende tentar de novo. Ou quase. A partir do dia 25, a emissora lançará uma nova grade de programação, que terá a reprise de Os Dez Mandamentos fazendo as vezes de “novela das seis”, às 18h, seguido de um novo jornal local (em São Paulo, haverá o retorno do SP Record) e, depois, da novela Belaventura, na faixa da “novela das sete”. A diferença será a “novela das oito” da Record, que segue começando às 20h30, enquanto o Jornal da Record permanece às 21h30.

Sem dúvidas, a Record vem assumindo riscos com a manobra. A emissora encurtará o Cidade Alerta, uma de suas maiores audiências, para apostar num repeteco de uma novela recém-encerrada às 18h. A direção da emissora deve avaliar que, como a trama bíblica foi um fenômeno, deverá repetir o sucesso neste novo horário. A ideia de um novo jornal local é boa, assim como a substituição da reprise de A Escrava Isaura por uma trama inédita, Belaventura, é mais do que bem-vinda. Ficamos na torcida pra que a emissora consiga manter uma produção contínua de teledramaturgia às 19h30 e não precise mais recorrer ao seu acervo (afinal, contando as reprises da tarde e Os Dez Mandamentos, a rede seguirá com três faixas de repeteco).

No entanto, a emissora erra ao não avaliar as circunstâncias. Os Dez Mandamentos é realmente um fenômeno, e tem chances de fazer sucesso novamente. Mas deve-se considerar, também, o contexto atual. Quando fez sucesso, a novela de Moisés (Guilherme Winter) tinha à frente a novela Babilônia, um dos maiores erros da história da Globo. Agora, na faixa das 18h, terá pela frente Novo Mundo, um dos maiores sucessos das 18h dos últimos anos. Isso sem falar no curto período entre a exibição original e a reprise, que acontece depois de a Record ter explorado a novela à exaustão, com lançamento de filme e de uma “segunda temporada”. Fora o possível início de desgaste das tramas bíblicas já percebido em O Rico e Lázaro. Vamos ver o que acontece.

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André Santana

terça-feira, 4 de julho de 2017

RedeTV adota "grade voadora" em busca da alavanca perfeita

No ano passado, a direção da RedeTV promoveu Elias Abrão, então diretor do A Tarde É Sua, à direção artística e de programação da emissora. Uma de suas primeiras ações no novo cargo foi inverter o horário do programa de fofocas TV Fama com o telejornal RedeTV News. A ideia era aproximar o TV Fama da linha de shows, aproveitando a boa audiência do programa de Nelson Rubens para elevar os índices que vêm em baixa em razão do Show da Fé, exibido antes, às 20h30.

Na mudança, o TV Fama manteve sua média tradicional. Entretanto, o RedeTV News experimentou um belo tombo. A atração tinha um resultado satisfatório na faixa das 21h30, afinal, era um dos poucos jornais no horário, e ainda tinha tradição naquela faixa, já que sempre foi exibido ali. A tradição, aliás, era uma herança da extinta Rede Manchete, que exibia seu Jornal da Manchete no mesmíssimo horário. Ou seja, um jornal ali era um hábito de décadas.

Já às 19h20, RedeTV News enfrenta a concorrência do SBT Brasil e do Jornal da Band. E, para dar uma forcinha ao noticioso atualmente apresentado por Boris Casoy, a emissora já testou tudo quanto é tipo de programa para antecedê-lo, que possa servir de alavanca. Por ali passaram os jornalísticos Olha a Hora!, que era péssimo, e o Sem Rodeios, que era ótimo. Nenhum funcionou. Com o fracasso de ambos, a RedeTV vendeu o horário das 18h a um programa de game caça-níqueis Master Game, que derrubou ainda mais os índices de audiência. Para tentar alavancar o RedeTV News, encaixou entre o game show e o jornal um programa de vídeos, que também não deu certo e teve vida curta. A última tentativa foi trazer de volta o tosco Você na TV, de João Kléber, que marcava boa audiência na faixa das 17h. Numa versão pocket, entre Master Game e RedeTV News, a atração não repetiu o sucesso de outrora.

Depois de tudo isso, a “grade voadora”, tal qual a do SBT, foi se tornando uma constante na RedeTV. Há cerca de duas semanas, Você na TV deixou o início da noite e foi realocado na faixa matinal, entre 9h e 10h. Para abrigar o novo horário de João Kléber, saiu de cena o Tá Sabendo?, que se tornou um programa dominical. Porém, nesta semana, a emissora finalmente tirou do ar o caça-níquel Master Game. Aí, anunciou na tarde de sexta-feira, 30, que o Tá Sabendo? voltaria para as manhãs de segunda a sexta, e o Você na TV passaria a ser exibido das 18h às 19h20, a partir da segunda-feira seguinte, ou seja, ontem, 03. Mas isso não aconteceu: ao invés disso, a emissora manteve Você na TV matinal e Tá Sabendo? semanal. Para ocupar a faixa das 18h, escalou A Tarde É Sua, que agora tem duas edições diárias.

A nova edição do A Tarde É Sua, que estreou ontem às 18h, ainda não se mostrou a alavanca que a RedeTV precisa para “ajudar” o RedeTV News. A segunda parte do programa de Sonia Abrão marcou ontem apenas 0,4 pontos no Ibope, índice bem inferior ao registrado pela primeira parte, entre 15h e 17h, que marcou 2 pontos no Ibope e foi a maior audiência do canal. No entanto, foi mais do que o Master Game, que ficava sempre no 0,1. Mas não ajudou tanto o RedeTV News, que registrou ontem 0,7 pontos, a mesma audiência da segunda-feira anterior, 26, quando ainda era antecedido pelo Master Game.

O que atrapalha a grade da emissora é a faixa das 17h e 18h ainda ser destinada à exibição de programação religiosa, o que derruba a audiência a quase zero. A segunda edição do A Tarde É Sua, assim, apresentou a mesma dificuldade em elevar os índices que todos os outros programas anteriores passaram. Fica claro, então, que o problema da grade da emissora é justamente estas várias faixas locadas ao longo do dia para religiosos. Enquanto a prática continuar, a emissora não conseguirá alavancar nada. Simples assim.

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André Santana

sábado, 1 de julho de 2017

Record termina seu melhor e estreia seu pior reality show na mesma semana

Com a consagração de Maytê Piragibe como a grande vencedora, a primeira temporada de Dancing Brasil terminou na noite da última segunda-feira, 26, na Record TV. Considerada um sucesso comercial, bom público e aprovação de boa parte da crítica, a atração mostrou-se como um bom entretenimento, um “respiro” de diversão na linha de shows da emissora, e, ainda, deu um novo rumo à carreira de Xuxa Meneghel, que há tempos não acertava num formato.

Mesmo chegando ao Brasil com atraso, a versão nacional de Dancing with The Stars veio somar na grade de programação da Record. Com uma linha de shows que vem apostando cada vez mais fundo em “histórias emocionantes”, fazia falta um programa de entretenimento puro. Dancing Brasil veio preencher esta lacuna. O programa divertiu e envolveu ao mostrar um grupo de famosos tentando se superar e aprender as cada vez mais complexas coreografias. Consegue emocionar, sem fazer chorar, e ainda provoca torcida. O programa teve uma ótima estrutura, uma edição muito bem armada e boa direção. Rodrigo Carelli, que assina a direção-geral, já é um especialista em reality.

O resultado foi feliz por todos os lados. Xuxa esteve ótima no comando da atração; os participantes foram todos bem escolhidos; os jurados Fernanda Chamma, Jayme Arocha e Paulo Goulart Filho fizeram excelentes comentários e julgamentos; e a produção foi caprichadíssima, do belo e amplo cenário aos takes de câmera que valorizavam o espetáculo. O elo mais fraco foi a presença de Sérgio Marone, robótico e com uma participação repetitiva e questionável. A direção da emissora devia ter considerado manter Nanny People ao lado de Xuxa, mas preferiu atender o desejo de seu contratado de ser apresentador.

Curiosamente, na mesma semana em que encerrava a primeira temporada de Dancing Brasil, seu melhor reality show e melhor estreia no ano, a Record tratou de lançar a atração que pretende ser seu pior reality e sua pior estreia do ano: A Casa. Versão nacional de Get the Fuck Out of My House, a atração, que estreou na terça-feira, 27, consiste em confinar 100 pessoas numa casa preparada para receber apenas quatro moradores. Ou seja, a ideia é colocar os participantes em situações-limite, numa espécie de exposição da degradação do ser humano diante da falta de recursos.

Não há comida nem água suficientes, não há cama para todos, apenas dois banheiros, e não há nem ao menos espaço. O que se viu nesta estreia foi uma casa de porte médio totalmente ocupada. Há pessoas por todos os lados, formando grupos que ocupam a tela o tempo inteiro. Marcos Mion, o apresentador que deve colocar alguma ordem naquela confusão toda, quase desaparece em meio a tanta gente. Aliás, o único ponto positivo da atração é a performance de Mion, bastante à vontade no formato.

A Casa é uma espécie de Big Brother hard, no qual os participantes se submeterão a praticamente uma tortura física e psicológica em busca de um prêmio em dinheiro e, talvez, uns minutinhos de fama. Sem dúvidas, será um prato cheio para o espectador que curte a boa e velha intriga dos realities de confinamento que, aqui, serão elevados à enésima potência. Tem um “quê” de Solitários, reality show exibido no SBT anos atrás, que confinava os participantes em cabines minúsculas e isoladas, e os fazia passar por diversos testes físicos e psicológicos. Os dois programas parecem fazer da tortura um show.

Na verdade, A Casa é deprimente. É feito para oferecer entretenimento fazendo uma espetacularização da condição humana em seu estado mais bruto, no pior sentido da palavra. Consegue ser pior do que os Big Brothers e Fazendas da vida. Saudades de O Aprendiz ou Troca de Família.

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André Santana