quinta-feira, 29 de junho de 2017

História da TV: Globo costuma mudar suas manhãs no mês de junho

Fazendo as minhas pesquisas para escrever sobre história da TV no site Observatório da Televisão, descobri algo bastante curioso: a Globo costuma fazer mudanças em sua programação matinal justamente no mês de junho. Sério. O sexto mês do ano parece ser o preferido da emissora para encerrar e estrear novos programas na grade matinal. Foi em junho que chegou ao fim os programas TV Mulher, Balão Mágico e Angel Mix, e foi em junho que estrearam os programas Xou da Xuxa e Encontro com Fátima Bernardes.

Há 31 anos, a Globo encerrava os dois programas que ditaram suas manhãs por anos, o feminino TV Mulher e o infantil Balão Mágico. O feminino foi apresentado por nomes como Marília Gabriela, Ney Gonçalves Dias, César Filho, Irene Ravache e Amália Rocha, e teve no time de colaboradores Clodovil Hernandes, Marta Suplicy e Leiloca, entre tantos outros. Um dos programas mais marcantes dos anos 1980, TV Mulher chamava a atenção por colocar a mulher como protagonista, num momento em que o feminismo ainda era uma novidade, e por abordar temas polêmicos em plena manhã. A atração chegou ao fim no dia 27 de junho de 1986.

Na época, TV Mulher dividia as manhãs da Globo com o infantil Balão Mágico, apresentado pelas crianças Simony, Tob e Jairzinho, entre tantos outros, e também pelos marcantes personagens Cascatinha (Castrinho) e Fofão (Orival Pessini). O programa fez história com esquetes, atrações especiais e muita música, embalado pelos hits do grupo musical A Turma do Balão Mágico, além de exibir muitos desenhos animados. Balão Mágico chegou ao fim um dia depois do TV Mulher, em 28 de junho de 1986.

As duas atrações saíram de cena e abriram espaço na grade para a estreia do Xou da Xuxa, programa de maior sucesso da história da apresentadora. O infantil, que transformou Xuxa num fenômeno e um ícone infantil, estreava no dia 30 de junho de 1986, trazendo atrações similares ao Clube da Criança, da Manchete, onde Xuxa surgiu na TV, mas com cenários e produção bem mais caprichados. No infantil, Xuxa promovia brincadeiras, apresentava musicais e interpretava personagens, além de exibir desenhos animados.

Xuxa tomou conta das manhãs da Globo até o final de 1992. Em 1993, a faixa passou a ser ocupada pelos cachorros da TV Colosso e, a partir de meados de 1996, Angélica passou a dividir a faixa com a estreia de seu Angel Mix. A partir de 1997, os cachorros saíram de cena e Angélica passou a ocupar toda a manhã, apresentando seu Angel Mix até o dia 30 de junho de 2000. Anos depois, a Globo decretava o fim dos programas infantis diários com a redução do espaço da TV Globinho. No dia 25 de junho de 2012, Fátima Bernardes substituía a faixa de desenhos animados com seu Encontro com Fátima Bernardes, no ar até hoje.

O que tudo isso significa? Absolutamente nada! Mera coincidência. Mas não deixa de ser interessante. Curiosidades da televisão brasileira.

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André Santana

terça-feira, 27 de junho de 2017

Dudu Camargo enterra de vez o jornalismo do SBT (e a si mesmo)

Não está sendo fácil a vida da equipe do departamento de jornalismo do SBT. Trabalhar duro em busca de notícias e informações para gerar conteúdo que, depois, será apresentado por um apresentador que se comporta como uma estrela deslumbrada deve ser bem difícil. Dudu Camargo, comandante do matinal Primeiro Impacto, gera polêmica desde que estreou, em outubro do ano passado, mas extrapolou todos os limites na semana que passou. Alguém precisa segurar este menino. Urgente.

O quiprocó começou no Programa Silvio Santos no domingo retrasado, dia 18. Ao enfrentar a atriz Maisa Silva no Jogo das 3 Pistas, ele protagonizou uma “forçação de barra” constrangedora. Entrando na brincadeira de Silvio Santos, que queria casar Dudu e Maisa, o garoto se jogou na moça, fez suas dancinhas ridículas e até beijou uma menina da plateia. Maisa não entrou na onda e declarou, em alto e bom som, que estava constrangida com tudo aquilo. Quem não ficaria?

O assunto rendeu tanto na semana que passou, que Maisa se viu obrigada a se tornar uma voz feminina, respondendo a quem quisesse ouvir que não estava disposta a entrar naquele tipo de brincadeira, e que mulher nenhuma devia abaixar a cabeça diante de uma situação que não a agradasse. Maisa, aliás, matou a pau: inteligente e decidida, manteve-se elegante diante de toda a celeuma. Aplausos, muitos aplausos, ao ótimo ser humano que aquela pequena e espevitada menina se tornou. Mas como é impossível agradar a todos, há quem tenha visto uma atitude arrogante na moça. Entre estes, Sonia Abrão, em seu A Tarde É Sua, comprou as dores de Dudu Camargo e até levou o menino à atração, onde ele, mais uma vez, constrangeu com suas brincadeiras bobas.

Mas o pior ainda estava por vir: no domingo passado, 25, Dudu Camargo apareceu no Pânico na Band, onde encarou uma balada com a trupe que só anda errando ultimamente. Ali, deu mais um festival de vergonha alheia: dançou sem camisa, apareceu embriagado e se viu diante de mulheres com pouca roupa. Até Sonia Abrão teve de repensar sua opinião sobre Dudu, descendo a lenha no menino na edição de ontem, 26, do A Tarde É Sua. Mas como Dudu Camargo pouco é bobagem, ele ainda deu as caras no The Noite e estará nesta noite no Luciana By Night. Haja overdose!

Dudu Camargo é um menino de 19 anos e pode fazer o que bem quiser da vida dele. O problema é que ele é o rosto de um telejornal de uma das maiores emissoras do país. Um comandante de um noticioso que precisa passar seriedade não pode se submeter a tantos constrangimentos assim. Além de enterrar, definitivamente, qualquer resquício de credibilidade do jornalismo do SBT, o menino, ainda, está cavando a própria cova. Sim, porque, com estas atitudes, ele só consegue queimar o próprio filme. Ele pode até estar seguro da confiança que Silvio Santos depositou nele, mas é preciso lembrar que isso pode acabar a qualquer momento. Sem Silvio lhe dando aval, quem, em sã consciência, dará outro espaço deste a Dudu depois de tudo o que ele anda fazendo? Dudu Camargo precisa, urgente, de alguém que o assessore e aconselhe. Senão, não irá muito longe.

Saudades, Hemano Henning!

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André Santana

sábado, 24 de junho de 2017

À Primeira Vista não traz nada de novo, mas diverte

Já vimos programas de namoro e relacionamentos aos baldes. O que não falta é gente disposta a encontrar sua cara-metade sob os holofotes da televisão. Tal temática já foi explorada tantas vezes, utilizando todo tipo de mecânica, que a estreia de mais uma atração no segmento, a princípio, não chama a atenção. À Primeira Vista, que estreou na quinta-feira, 22, na Band, começou assim, sem grandes expectativas. E pior: batendo de frente com a final do Power Couple, da Record. Mas quem deu uma chance ao novo programa da Band provavelmente não se arrependeu. O novo reality é bem divertido.

Há algo de magnético no formato explorado por À Primeira Vista. Tal magnetismo tem a ver com o fato de que a atração é super simples, tanto na forma quanto no conteúdo. Não há regras mirabolantes, nem jogos descabidos, tampouco o bom e velho quiz de afinidade. O que há é, apenas, um encontro às cegas e os bate-papos que surgem a partir desta situação. Basicamente, um homem e uma mulher, selecionados pelo programa, têm um encontro para se conhecerem num restaurante. E ali vão jantar e se conhecer. No final do encontro, eles dão seu parecer, e revelam se pretendem marcar um novo encontro ou não.

A partir desta premissa simples, vários casais são colocados frente a frente. Numa mesa de restaurante, eles agem como provavelmente agiriam num encontro normal, fora da televisão. Há aquela timidez inicial, aquela vontade de agradar, aquelas conversas que vão revelando um pouco das personalidades de cada um. Assim, viu-se uma simpática promotora de eventos e um simpático mágico profissional se conhecendo melhor. Ele fazendo os truques dele, e ela impressionada com o que via. No final, como era de se esperar, eles afirmaram que pretendem ter um novo encontro.

Já outros casais surpreenderam. Uma ex-miss com seus 40 anos se encontrou com um romântico sujeito de meia-idade, que passou boa parte da noite jogando cantadas carentes que beiravam o constrangedor. As reações dela passavam a impressão de desconforto. Parecia que não ia rolar, mas, no final, os dois afirmaram que teriam um novo encontro. Teve também um casal de idosos que bateu de frente logo, os dois de personalidades um tanto fortes. Ela foi bem dura em algumas frases, dando a impressão de que não estava gostando do rumo da conversa. No entanto, no final, ela concorda em ter um novo encontro, ao passo que ele nega. Final inesperado.

À Primeira Vista tem ainda uma equipe formada pelos profissionais do restaurante, como o barman e as garçonetes. O ator Luigi Baricelli faz as vezes de maitre, conversando com os participantes antes dos encontros, e tecendo comentários com seu staff durante a conversa dos “pombinhos”, normalmente dando opiniões sobre acham se “vai rolar ou não”. A verdade é que a apresentação pouco acrescenta ao programa, mas também não compromete o andamento da mesma. Sendo assim, À Primeira Vista não oferece nada de novo ao espectador, mas diverte. Um entretenimento sem maiores pretensões. Em tempos de vacas magras na programação da Band, foi uma boa estreia.

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André Santana

sexta-feira, 23 de junho de 2017

News: Em "Doctor Who", o primeiro encontro entre dois Mestres

No dia 25 de junho, domingo, às 20h, o Syfy exibe o décimo primeiro episódio inédito da décima temporada de Doctor Who.

Em “World Enough and Time”, escrito por Steven Moffat, uma grande espaçonave repleta de formas de vida impossíveis, está presa no poço gravitacional de um buraco negro e abriga um dos inimigos mais temíveis do Doutor (Peter Capaldi), os Cybermen de Mondas. O episódio conta com a participação de dois Mestres da série, a atual Missy (Michelle Gomez) e o Mestre anterior (John Simm).

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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Celso Portiolli pede mudanças, mas não sai do lugar

Está difícil defender Celso Portiolli. O apresentador, tempos atrás, reclamou bastante da falta de estrutura e liberdade de seu Domingo Legal. Segundo a imprensa especializada, tal reclamação levou à queda do diretor Roberto Manzoni. Depois disso veio a promessa de que o apresentador teria mais liberdade de criação no programa que assinava.

No entanto, nada aconteceu depois disso. Já se passou muito tempo desde que o Domingo Legal ganhou nova direção, e nada de muito significativo aconteceu com a atração. O dominical tenta seguir os passos do Domingo Show, da Record, que sobrevive na base de “histórias emocionantes”. E dá-lhe mais chororô nas tardes de domingo. Além disso, Domingo Legal também ganhou alguns quadros sem muita expressão, e só. Na audiência, segue patinando.

Além disso, em recente entrevista, Celso Portiolli afirmou querer trabalhar mais. Ele, novamente, lamentou a perda de espaço do Domingo Legal, que, desde 2015, foi reduzido em duas horas por causa da estreia do Mundo Disney. Segundo o apresentador, que chegou a ganhar mais espaço com o Sabadão (extinto este ano), trabalhar duas horas por semana é pouco para ele.

Celso Portiolli é um excelente animador, sem dúvidas. Mas não há demérito em comandar um programa de duas horas, muito pelo contrário. Até porque, quando acumulava as apresentações do Domingo Legal com o Sabadão, ele tinha em mãos as almejadas quatro horas semanais, mas pouco fazia com elas. Afinal, o Sabadão ocupava boa parte de seu espaço exibindo vídeos da internet, tal qual o Encrenca, da RedeTV.

Por isso mesmo, Celso Portiolli não devia reivindicar mais espaço na programação, e sim reivindicar mais investimentos no Domingo Legal. O problema do programa não é o tempo de duração, e sim a falta de investimento e de criatividade para produzir um conteúdo verdadeiramente interessante. Até porque não há problema nenhum em comandar um semanal de duas horas, se ele tiver um bom conteúdo. Pelo talento e pelos ótimos serviços prestados nestes anos todos de SBT, Celso Portiolli merece um programa à sua altura. E o Domingo Legal, definitivamente, não é.

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André Santana

terça-feira, 20 de junho de 2017

Tiago Abravanel estreia como apresentador nos domingos da Globo

O SBT está promovendo uma profusão de Abravanéis! A família está por toda parte: Silvio Santos é apresentador e chefe-mor; Daniela é diretora; Rebeca, Silvia e Patrícia são apresentadoras; e dona Iris é autora de novelas. Mas, ao que tudo indica, a família não domina somente os lados da Anhnaguera não, já que Tiago Abravanel, filho de Cíntia, a “filha número um” de SS, vai estrear como apresentador na Globo. E justamente no domingo, o tradicional dia do seu avô.

Tiago foi escalado para ser o coapresentador do Popstar, competição musical promovida pela Globo que estreia em julho. A atração é uma variação do SuperStar, com a diferença que seus participantes são famosos. Fernanda Lima segue na apresentação, e os competidores serão Alex Escobar, André Frateschi, Claudio Lins, Eduardo Sterblitch, Érico Brás, Fabiana Karla, Lucio Mauro Filho, Marcello Melo Jr, Mariana Rios, Marcella Rica, Murilo Rosa, Thiago Fragoso, Sabrina Parlatore e Rafael Cortez.. Á Tiago Abravanel, caberá fazer as matérias de bastidores. Provavelmente papel semelhante ao de Fernanda Paes Leme e Rafa Brites no extinto SuperStar.

Sem dúvidas, uma boa maneira de mostrar que Tiago Abravanel pode, sim, ser um bom apresentador. O artista já foi visto em novelas e séries da Globo como ator, mas já tivemos a chance de vê-lo segurando um microfone em alguns momentos, como no especial de fim de ano Presente de Natal, ou em participações no encerramento do Teleton, no SBT, dividindo a cena com Silvio Santos e Patrícia Abravanel. E se saindo muito bem, diga-se.

Vale lembrar que Daniel Castro, do Notícias da TV, noticiou tempos atrás que há planos, no SBT, de transformar Tiago Abravanel no sucessor natural de seu avô. Segundo o site do jornalista, o desejo da emissora era esperar o contrato de Tiago com a Globo acabar para oferecer a ele o comando de uma nova atração de auditório no SBT. Tiago começaria num outro horário, como nas tardes de sábado, por exemplo, como numa preparação para assumir os domingos tempos depois.

É inegável que, dentre todos os membros da família Abravanel que se aventuraram a atuar diante das câmeras, o mais preparado é mesmo Tiago Abravanel. Como já foi dito aqui antes, faltam estofo à Patrícia, carisma à Silvia e experiência e traquejo à Rebeca. Já Tiago demonstra um talento natural diante das câmeras, mostra-se simpático, tem bagagem cultural e é bastante carismático. E o mais interessante é que ele não se parece com Silvio Santos, podendo, assim, construir um estilo próprio. Sendo assim, esta primeira experiência no Popstar será fundamental para que Tiago comece a construir uma carreira como apresentador. E será engraçado se esta carreira se consolidar na Globo, e não no SBT. Curioso.

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André Santana

sábado, 17 de junho de 2017

Lamentável: SBT dispensa Hermano Henning, o rosto do seu jornalismo

Na semana passada, o SBT confirmou o desligamento de Hermano Henning do seu quadro de âncoras do jornalismo. Assim, chegou ao fim uma história de quase 30 anos, nos quais o profissional passou pelas melhores e piores fases do departamento de jornalismo da emissora, sempre de maneira digna e emprestando sua credibilidade ao canal de Silvio Santos. Agora, sem Hermano, o SBT tem apenas Carlos Nascimento como um nome-forte do jornalismo, já que Rachel Sheherazade, Dudu Camargo e Marcão do Povo não são nomes dos quais a emissora pode se orgulhar.

Hermano é um profissional de valor, e, em todos estes anos, vestiu a camisa do SBT e não deixou o jornalismo do canal morrer, mesmo com os parcos investimentos. Sua história com a emissora começou em 1989, como repórter e correspondente internacional. O jornalista já trazia na bagagem uma ampla experiência na área, já tendo passado pelo jornal O Estado de S. Paulo, pela revista Veja, e pelas emissoras Globo e Manchete. Foi testemunha de acontecimentos históricos, como o conflito entre Irã e Iraque, Guerra Civil de Angola, queda do Xá Reza Pahlevi, Guerra do Golfo, Guerra das Malvinas, Invasão Americana no Haiti, atentado de Oklahoma, e das morte dos papas Paulo VI e João Paulo I, do Presidente Josip Broz Tito na Iugoslávia e do cantor e compositor Tom Jobim, além de ter participado da Primeira Expedição Brasileira à Antártica.

Depois de anos como repórter e correspondente, Hermano Henning quis se tornar um âncora de televisão, e teve seu desejo atendido no SBT. O jornalista era o substituto oficial de Boris Casoy no lendário TJ Brasil, primeiro grande jornal produzido pelo SBT, além de ter apresentado também o TJ Internacional. Quando Boris deixou a emissora rumo à Record, em 1997, Hermano tornou-se o apresentador do TJ Brasil, ficando ali até a extinção do jornal, no final daquele ano. Depois, quando o SBT firmou parceria com a CBS e lançou o Jornal do SBT/CBS Telenotícias, Hermano passou a dividir a apresentação do noticioso com o saudoso Eliakin Araújo e Leila Cordeiro, que apresentavam direto de Miami, enquanto Hermano entrava de São Paulo.

Com o fim da parceria com a CBS, o departamento de jornalismo do SBT sofreu uma drástica redução. Durante um tempo, apenas os boletins Notícias da Última Hora cumpriam a cota de informação do canal. Porém, em 1999, o Jornal do SBT foi novamente relançado, tendo Hermano Henning novamente na apresentação. O âncora seguiu firme e forte apresentando o único telejornal da emissora, exibido sempre por volta da meia-noite. Nesta época também foi lançada a faixa SBT Notícias, que era uma reprise requentada do Jornal do SBT, e que também tinha Hermanno na ancoragem. Nesta fase, o SBT lançou também o TJ Manhã, com Patrícia Pioltini, dando mais espaço a um departamento de jornalismo já não muito grande.

Em 2003, no entanto, uma forte crise se abateu sobre o SBT, e o departamento de jornalismo da emissora, que já era pequeno, tornou-se praticamente inexistente. O TJ Manhã e o SBT Notícias foram cancelados, permanecendo apenas o Jornal do SBT, e com sérias restrições orçamentárias. Nesta época, Hermano tocou dignamente um jornal sem nenhuma estrutura, informando o espectador por meio de “frases do dia”, que economizavam repórteres, e por material enlatado, além de matérias de afiliadas do SBT. No fim do mesmo ano, o jornalismo ganhou um novo programa, o Jornal do SBT – 1ª Edição, mais conhecido como “Jornal das Pernas”, com Analice Nicolau e Cinthya Benini. Não houve novos investimentos nesta época, e os dois “jornais do SBT” eram, na verdade, o mesmo jornal, apenas com apresentadores e cenários diferentes.

Mesmo o SBT sendo bastante criticado por manter noticiosos sem nenhuma estrutura, mais uma vez se faz necessário salientar o profissionalismo de Hermano Henning. O âncora assinava como editor-chefe das duas edições do Jornal do SBT, e conseguia passar um mínimo de informação ao espectador sem nenhuma estrutura para isso. Ou seja, por anos, carregou o jornalismo da emissora nas costas, fazendo uso da criatividade para desenhar dois jornais de meia hora de duração de maneira digna. E com credibilidade sempre intocada.

Em 2005, o SBT voltou a investir em jornalismo, contratando um novo diretor de jornalismo e trazendo Ana Paula Padrão da Globo para comandar o SBT Brasil, seu novo noticioso em horário nobre, que está no ar até hoje. Hermano Henning seguiu firme e forte nesta fase, agora com uma estrutura bem maior. Seguiu no comando do Jornal do SBT até a chegada de Carlos Nascimento; depois, passou para o SBT Manhã, onde ficou por muitos anos. Com o afastamento de Nascimento em razão de problemas de saúde e, depois, sua efetivação como âncora do SBT Brasil, Hermano Henning voltou ao Jornal do SBT, onde ficou até a extinção deste, no início desde ano. Hermano chegou a ser confirmado no rodízio de apresentadores do atual SBT Notícias, mas teve seu desligamento da emissora anunciado recentemente.

É simplesmente lamentável que a emissora abra mão do seu principal rosto do jornalismo, num momento em que o SBT abre cada vez mais espaço para o segmento. O canal ocupa toda a madrugada e o início da manhã com telejornais, e nunca exibiu tantas horas de jornalismo como hoje. Claro, o faz sem investimentos, baseados em reprises e matérias requentadas, mas o faz. E abre mão de Hermano ao mesmo tempo em que dá mais espaço aos controversos Dudu Camargo e Marcão do Povo, que fazem o Primeiro Impacto. Mas Silvio Santos já deixou bem claro o que pensa dos apresentadores de jornais: eles devem saber ler um teleprompter, e não ter experiência ou formação na área. Credibilidade para que, não é mesmo?

Hermano Henning agora negocia para voltar ao SBT com seu programa Horse Brasil, que já é exibido no Canal Rural. Se der certo, ele volta a aparecer no canal que o consagrou, agora nas manhãs de domingo e com conteúdo mais light. É bom saber que ele quer voltar à emissora fazendo algo que gosta. Mas que é uma pena que o canal de Silvio Santos não valorize o profissional que mais brigou pelo seu jornalismo, isso é.

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André Santana

terça-feira, 13 de junho de 2017

Band já tentou ser uma alternativa às novelas com sitcoms nacionais

Não se pode acusar a Band de nunca ter tentado um lugar ao sol no segmento da teledramaturgia. A emissora teve várias novelas em sua história, algumas marcantes como Os Imigrantes e a primeira versão de Meu Pé de Laranja Lima, e outras lembradas por uns e outros, como Serras Azuis, Perdidos de Amor e Paixões Proibidas. Também já investiu em novelas infantis e infanto-juvenis, como Floribella e Dance Dance Dance. Mas o canal já teve uma fase em que tentou ser uma alternativa aos folhetins, buscando um “jeitinho brasileiro” de fazer comédias de situação, as famosas sitcoms, sucesso na TV americana.

Para isso, uniu-se à Columbia TriStar International Television (Sony), que vinha produzindo versões de comédias estadunidenses em vários lugares do mundo. Band e Sony, assim, se uniram para investir em duas comédias baseadas nas séries Married… with Children e Who's the Boss?, com elenco e produção nacional. As duas séries eram rodadas nos estúdios do Polo de Cinema e Vídeo, no Rio de Janeiro, e foram lançadas no ano de 1999, com os nomes de A Guerra dos Pintos e Santo de Casa, respectivamente.

A Guerra dos Pintos era a mais fraca. A começar pelo título de gosto duvidoso, passando pelo texto recheado de piadas sem graça, a comédia não tinha o mesmo charme da versão dos EUA, que foi um estrondoso sucesso. Os nomes mais conhecidos do elenco era o de Henrique Stroeter (do Castelo Rá-Tim-Bum e da versão nacional de Carrossel), que vivia Zé Pinto, o protagonista, e Felipe Rocha (das novelas Torre de Babel e Laços de Família), que encarnava Aderbal, colega de Zé.

Santo de Casa foi mais feliz, tanto em roteiro quanto elenco. As piadas não eram nenhuma maravilha, mas arrancavam risadas pelo inusitado da situação: Kiko, um ex-jogador de futebol, fica viúvo e sem ter onde morar com a filha adolescente. Assim, ele vai trabalhar como “empregado doméstico” na casa de Laura, uma executiva sempre ocupada. O elenco era de qualidade e bastante entrosado: Kiko era vivido por Daniel Boaventura, enquanto Laura era Regina Remencius, ótimos e com muita química. Mas o grande destaque do elenco era Ana Lúcia Torre, que vivia Gigi, a mãe de Laura.

A ideia da Band era investir cada vez mais em sitcoms. A Guerra dos Pintos e Santo de Casa eram apenas o começo de uma grande leva de adaptações, cujos planos previam até mesmo uma versão nacional de Friends. Com novas produções na agulha, o canal pretendia exibir duas sitcoms por dia, no horário da novela da Globo, como uma teledramaturgia alternativa. Na prática, era mesmo lançar um novo formato, com cenários fixos e risadas de claque, tal qual as comédias dos EUA. Mas o formato não funcionou, as duas séries não corresponderam às expectativas de audiência, e os dois programas saíram do ar no final daquele ano, fazendo os planos da Band caírem por terra.

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André Santana

sábado, 10 de junho de 2017

"Pega Pega" tem estreia irregular, apesar da boa trama central

Pega Pega estreou na última terça-feira, 06, na faixa das 19h da Globo, com um primeiro capítulo bastante irregular. Enquanto demonstrava fôlego e ritmo na trama envolvendo o Hotel Carioca Palace, caía num emaranhado de clichês mal ajambrados quando se aventurava a mostrar os personagens que estavam fora do cenário principal. Entretanto, a trama da estreante Claudia Souto retoma a comédia romântica açucarada e quase infantil que fez o sucesso das últimas tramas das sete, como Totalmente Demais e Haja Coração (Rock Story foi por um outro caminho).

Pega Pega acerta na trama central ao fazer comédia inspirada nos antigos filmes de investigação e perseguição. Um roubo num grande hotel é um ponto de partida excelente, pois tem um cenário recheado de possibilidades. Além disso, consegue tirar graça dos “ladrões”, todos amadores, que mais pensam que são mais espertos do que realmente são. Entre eles, Júlio (Thiago Martins), um dos mocinhos da trama.

Júlio foi apresentado como um rapaz batalhador, que trabalha no Carioca Palace e cuida de duas tias idosas, as divertidas e simpáticas Elza (Nicette Bruno) e Prazeres (Cristina Pereira). Quando ele descobre que o hotel está sendo vendido, o que ameaça o seu emprego, e, de quebra, recebe uma ameaça de despejo, ficará mexido com a oferta de Malagueta (Marcelo Serrado), o idealizador do plano de roubar o hotel. Ou seja, é um herói balançado diante da possibilidade de participar de um crime, sob a justificativa de salvar sua família. No primeiro capítulo, teve um encontro rápido e simpático com Antônia (Vanessa Giácomo), uma investigadora, e viu-se ali uma faísca. Um casal improvável e interessante há de surgir.

Os demais envolvidos no roubo do hotel são o já citado Malagueta, que já mostrou ser o mais mau-caráter dentre os integrantes da quadrilha; e o casal Agnaldo (João Baldasserini) e Sandra Helena (Nanda Costa), dupla de alta voltagem sexual que também sofre com a possibilidade de perderem seus empregos. O encontro dos quatro e toda a execução do roubo do dinheiro, pago por Eric (Matheus Solano) ao falido ex-dono do lugar, Pedrinho Guimarães (Marcos Caruso, excelente no papel), foi todo muito bem cadenciado, dando a Pega Pega um ritmo intenso e envolvente.

Além de Júlio e Antônia, Pega Pega tem um outro casal central: Eric e Luíza (Camila Queiroz). Quando a novela começa, os dois se encontram em Foz do Iguaçu e se apaixonam à primeira vista, num primeiro encontro improvável e bem fraquinho. Ele compra o Carioca Palace, mas Luíza, que é neta de Pedrinho, não concorda com a venda do hotel, o que gera um forte conflito entre os pombinhos. Eric e Luíza, ao contrário de Júlio e Antônia e Agnaldo e Sandra Helena, não empolgaram nestes primeiros capítulos. Eric é um sujeito sério, sem muito carisma, e tem uma maneira esquisita de se mostrar preocupado com uma filha problemática. E Luíza traz Camila Queiroz vivendo sua primeira personagem não-interiorana. A atriz pena para encontrar alguma naturalidade em cena. Não chega a comprometer, mas ainda não chegou lá. O melhor desta história é o terceiro vértice de uma espécie de triângulo amoroso, Maria Pia (Mariana Santos). A comediante está ótima como uma mulher apagada, que nutre uma paixão platônica pelo amigo Eric.

Ligada a este início está a história de Bebeth (Valentina Herszage), filha de Eric, que foge do pai e se perde numa mata fechada em Foz. Quem a salva é Márcio (Jaffar Bambirra), herdeiro de uma família que forma uma companhia de teatro de bonecos. Os dois formam o casal jovem e fofo do enredo, mas ainda não disseram a que vieram. O fato de Bebeth conversar com um canguru de pelúcia pareceu bastante estranho.

O texto de Pega Pega é bem mais infanto-juvenil que o de Rock Story, mesclando comédia romântica com piadinhas batidas e sem muita força. Bem diferente da antecessora, que tinha contornos mais dramáticos e um enredo mais adulto. Fica clara a intenção de, com Pega Pega, retomar o público conquistado por Totalmente Demais e Haja Coração. E, ao que tudo indica, a missão será bem-sucedida, já que a trama foi muito bem de audiência em sua primeira semana. Pega Pega deve “pegar”.

O grande mérito da história de Claudia Souto é mesmo sua trama central, muito bem arquitetada e divertida. As tramas paralelas ainda não empolgam, mas podem render quando se integrarem mais ao eixo central. No geral, a autora tem nas mãos uma trama com grande potencial. Aparando as arestas, tem todas as condições de manter a boa fase da faixa das sete da Globo.

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André Santana

quinta-feira, 8 de junho de 2017

"Zorra" e "Altas Horas" batem recorde de audiência

Zorra e Altas Horas estão fazendo a alegria dos diretores da Globo. As duas atrações da noite de sábado da emissora simplesmente bateram seus recordes históricos de audiência no último dia 03. O primeiro cravou 23 pontos, melhor marca desde a estreia, em 2015. Já o segundo igualou seu recorde histórico, marcando 17 pontos no Ibope.

É sempre bom ver um ótimo programa como o Altas Horas vir conquistando um público crescente em pleno 17º ano de sua existência. O programa de Serginho Groisman é praticamente o mesmo desde 2000, e que também é praticamente o mesmo Programa Livre, do SBT ou o mesmo Matéria Prima, da Cultura. Ou seja, Serginho vem fazendo a mesma coisa desde o final dos anos 1980, e com fôlego! Um sinal claro de que o jeito Serginho de fazer TV tem seu público cativo e funciona muito bem num sábado à noite. Aliás, coisa que provavelmente surpreendeu até a própria Globo.

Sim, porque contratar Serginho depois de um longo “namoro” para “escondê-lo” na madrugada de sábado para domingo era um sinal claro de que a emissora apostava que o Altas Horas seria, principalmente, algo a agregar valor ao canal, e não necessariamente audiência. Provavelmente era considerado um programa alternativo e, por isso, era exibido num horário também alternativo, leia-se uma da matina. Porém, desde que passou a ir ao ar mais cedo, depois do Zorra, o programa nunca decepcionou. E bateu seu recorde, 17 anos depois da estreia. Não é para qualquer um.

Quanto ao Zorra, é indiscutível que o humorístico melhorou, e muito, quando deixou de ser o antigo (e chato… e sem graça…) Zorra Total. O atual Zorra é muito mais inteligente, esperto e divertido, retratando boas situações do cotidiano. A atração vem deitando e rolando sobre o atual cenário político brasileiro, e deve ser o único programa da televisão aberta brasileira realmente crítico com relação ao momento do país. Não temos mais CQC e nem Casseta & Planeta (dos áureos tempos, bem entendido), e o Pânico parece preocupado com outras (e irrelevantes) coisas. Zorra, assim, cumpre com louvor a missão de ser uma espécie de Satuday Night Live tupiniquim. Quem diria...

Vale lembrar também que, atualmente, Zorra e Altas Horas praticamente não têm mais concorrência no horário. O SBT recuou com seu Sabadão, e até os filmes saíram de cena. Atualmente, é a série Arqueiro, em formato de maratona, que ocupa o fim da noite de sábado no canal de Silvio Santos, um produto sem muito apelo popular. Já na Record, o Programa da Sabrina ainda bate de frente com o Zorra, mas está bem distante do humorístico. E os filmes da Super Tela também não fazem cócegas em Serginho Groisman. Marcos Mion, que chegava a incomodar o Altas Horas, teve seu Legendários realocado para a noite de sexta. Ou seja, nas noites de sábado atuais, a Globo concorre contra ela mesma.

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André Santana

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terça-feira, 6 de junho de 2017

"Vídeo Show" melhora ao voltar a valorizar a história da TV

Depois de um período de vacas magras, o Vídeo Show voltou a um patamar aceitável para os padrões da Globo. Atualmente, o vespertino se mantém na marca de dois dígitos no Ibope e garante a liderança na audiência, anteriormente perdida para a Record. Claro, o programa foi ajudado pelo quiprocó envolvendo a Simba. Desde que a Record deixou os canais pagos da grande São Paulo, a emissora viu os índices de vários de seus programas caírem, e o Balanço Geral foi um dos que perdeu força.

Mas é possível, também, creditar a atual fase do Vídeo Show ao seu conteúdo. A atração ainda não está perfeita, mas melhorou consideravelmente ao apostar em quadros que valorizam a história da televisão brasileira. Com isso, mexem com a emoção do público. Com esta proposta, dois quadros em especial chamam a atenção: Meu Vídeo É um Show e Memória Nacional.

Nesta terça-feira, 06, a atriz Taís Araújo foi a convidada do Meu Vídeo É um Show. No quadro, os apresentadores Otaviano Costa e Joaquim Lopes recebem convidados que assistem, ao vivo, vários de seus trabalhos anteriores, fazendo um retrospecto da carreira deles. E Taís se surpreendeu ao ver que a atração resgatou, além de seus trabalhos na Globo, cenas da novela Xica da Silva, trama da extinta Manchete que projetou Taís nacionalmente. “Amei a Globo passar Xica da Silva aqui, gente!”, exclamou.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. A própria Xica da Silva já teve outras cenas mostradas no Vídeo Show na ocasião em que a convidada era Drica Moraes, que vivia a vilã Violante na trama de 1996. Com este tipo de atitude, a Globo mostra que, com o Meu Vídeo É um Show, a ideia é, mesmo, valorizar a história da TV, independente de emissoras. Claro que o acervo da Globo domina, até pela facilidade da coisa, mas o grande barato do quadro é rever, junto com o artista, importantes momentos da televisão. É um quadro sempre agradável de se ver. Pra quem gosta de TV ou é fã de algum artista, é um prato cheio.

Vídeo Show também acerta com o quadro Memória Nacional, no qual resgata a trajetória de artistas já falecidos. O quadro inteiro é um acerto: a escolha dos homenageados, o texto sempre inspiradíssimo e a apresentação de Miguel Falabella, tudo leva o espectador numa viagem pelo tempo. Na última semana, o quadro homenageou a saudosa Betty Lago, amiga pessoal de Falabella, que se emocionou em cena. Foi lindo e de absoluto bom gosto. Bom observar que, aos poucos, o Vídeo Show tenha voltado a recuperar sua relevância.

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André Santana

sábado, 3 de junho de 2017

"Rock Story": novela redonda e bem resolvida

Na próxima segunda-feira, 05, vai ao ar o último capítulo de Rock Story. Será um capítulo sem grandes surpresas, pois grande parte das histórias da trama já está praticamente resolvida. E isso não é um problema, muito pelo contrário. É apenas um sinal que Rock Story teve uma trama redonda, bem construída e que correu sem sustos, trazendo sempre novidades que mantiveram a novela quente por todo o seu período de exibição. Maria Helena Nascimento, novelista estreante, está longe de ser uma amadora. Em sua primeira novela como titular, mostrou uma rara maturidade na condução de seu enredo.

Rock Story foi vitoriosa em todos os sentidos. Primeiro, por trazer personagens muito humanos, reconhecíveis, fáceis de identificar e torcer por eles. Gui Santiago (Vladimir Brichta) foi um herói meio anti-herói, bastante impulsivo, que costumava resolver seus assuntos na base do grito e da violência. Mas, ao mesmo tempo, era um pai amoroso e um amigo dedicado. Ao seu apaixonar por Júlia (Nathalia Dill), se envolver com o filho Zac (Nicolas Prattes) e, ainda, partir para a terapia, Gui se transformou e se tornou um homem melhor. Sem forçação de barra, nem pirotecnias.

A construção de Gui foi muito vitoriosa. Além do texto, sempre muito bem escrito, e da direção acertada, o personagem ainda ganhou mais camadas graças ao seu intérprete, Vladimir Brichta. Grande ator, um galã maduro e com talento dramático, Vladimir fazia falta às novelas, e retornou em grande momento. Fez um dos melhores protagonistas de novela dos últimos anos. Vladimir não tem somente estampa: é um ator da melhor qualidade.

E teve ao seu lado uma ótima parceira. A trama envolvendo Júlia foi muito bem desenvolvida, sempre com muitas reviravoltas e emoções. A mocinha era cheia de problemas, passou boa parte da novela fugindo da polícia, mas era otimista, carismática e com muitas qualidades. Esteve longe de ser uma mocinha chata. E Nathália Dill se mostra uma atriz cada vez mais madura, fazendo uma mocinha solar e bastante interessante. Além disso, mostrou talento ao viver a Irmã gêmea de Júlia, Lorena. A atriz conseguiu marcar bem as diferenças entre as duas personagens, fazendo o espectador acreditar que se tratava, realmente, de uma outra pessoa.

Outra personagem cheia de surpresas e camadas era a vilã Diana (Alinne Moraes). Era uma vilã, mas com bastante humanidade. Diana, muitas vezes, era dura com a filha, além de armar, provocar e prejudicar Gui Santiago. No entanto, mostrava-se uma mulher de carne e osso, atenta às suas qualidades e seus defeitos. Ela meteu os pés pelas mãos várias vezes, se arrependeu de muitas bobagens, pedia desculpas e assumia seus erros. Alinne Moraes não precisa provar mais nada: é uma atriz da melhor qualidade e emplacou mais uma grande personagem à sua galeria.

Além da trinca, Rock Story apresentou uma gama de personagens e atores que merecem todos os aplausos. Rafael Vitti, revelação de Malhação Sonhos, foi uma grata surpresa como Léo Regis, fenômeno da música adolescente. O ator abusou do carisma e de seu jeito meio gaiato para fazer um tipo meio deslumbrado, quase uma caricatura de um astro da música. Ao mesmo tempo, teve sensibilidade para conduzir a derrocada de Léo, que teve um rumo surpreendente. Ana Beatriz Nogueira, sua mãe Neia, já é uma ladra de cenas profissional. Fez de uma personagem, a princípio sem muito destaque, um grande acontecimento. Também merece menção Viviane Araújo que, como Edith, mostra que se tornou, de fato, uma atriz das boas. Herson Capri, o Gordo, Laila Garin, a Laila, Alexandra Richter, a Eva, também fizeram trabalhos grandiosos. E a dupla de bandidos Romildo (PauloVerlings) e William (Leandro Daniel) foi outra grata surpresa.

Rock Story foi muito feliz na abordagem do mundo da música. Criou uma dicotomia interessante entre a música de qualidade e a puramente comercial, brindando o público com uma trilha sonora das melhores. Além disso, a novela não economizou trama, e conseguiu manter a atenção do público graças às “cartas na manga” que a autora guardava, fazendo uso delas sempre com cuidado.

Quando a novela começou, Júlia foi vítima de um golpe, quando o namorado metido com tráfico de drogas a usou como “mula”, tentando transportar uma encomenda para os Estados Unidos. Assim, a mocinha foi obrigada a fugir da polícia e se passar por sua irmã gêmea, Lorena. Então, acompanhamos as diversas fugas de Júlia, enquanto ela procurava o vilão Alex (Caio Paduan) e tentava provar sua inocência. Esta “caçada” teve seus desdobramentos, até que Alex fingiu sua morte e saiu de cena, dando espaço para que Lorena, até então vista apenas na tela de um tablet, chegasse de vez à trama. A “gêmea má” chegou trazendo novos conflitos, agitando ainda mais a vida de Júlia. No fim, acabou morrendo e inocentando a irmã, enquanto Alex foi preso. Parecia o início de uma fase calma na vida da protagonista de Rock Story, que finalmente iria viver seu amor com Gui Santiago sossegada.

Aí a autora sacou outro trunfo: Mariane (Ana Cecília Costa), a mãe de Zac, que chegou para colocar mais lenha na fogueira da vida de Gui e Júlia. Quando a moça sai de cena, chega a vez de Alex sair da cadeia e propor o conflito final. Outra personagem que entrou e saiu em momentos oportunos foi Laila. Ela entrou para virar a vida de Gordo. Depois o enganou e saiu da cidade, deixando o caminho livre para que Eva crescesse na trama e engatasse um romance com o dono da gravadora Som Discos. Surgiu aí uma enteada para ela, gerando novos conflitos. Na reta final, Laila retornou, trazendo ainda mais acontecimentos. Ou seja, com estes entrechos sendo propostos a todo o momento, Maria Helena Nascimento deixou sua história movimentada o tempo todo, evitando ao máximo as indesejáveis “barrigas”.

Como se não bastassem tantas qualidades, Rock Story ainda foi feliz ao trazer ao horário das sete uma trama com uma cara mais adulta, diferente das comédias quase infantis que fizeram o horário nos últimos três anos. Além disso, diminuiu o tom de comédia romântica do horário, com uma história de contornos mais dramáticos. Por estas e outras, Rock Story sai de cena como uma das melhores novelas das sete dos últimos anos. Vai deixar saudades.

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André Santana

quinta-feira, 1 de junho de 2017

"A Força do Querer": mulheres dominam a cena

Há algo de novo no reino de Gloria Perez com A Força do Querer. Talvez não somente no reino de Gloria Perez, mas também no reino dos folhetins atuais. Se, hoje em dia, a discussão sobre feminismo e liberdade de gênero está em alta, concomitantemente, os moldes clássicos das novelas estão sendo colocados em xeque. Um dos principais motes das novelas, o par romântico envolvendo um mocinho heroico e uma mocinha em perigo, parece já não fazer mais sentido nos dias de hoje.

Já houve novelas no qual o romance central não era tão central assim, é verdade. Mas, em A Força do Querer, a fórmula dá um passo além, ao colocar as mulheres protagonistas “ajudando” umas às outras. Isso ficou bem claro na cena do parto de Ritinha (Isis Valverde): não foi nenhum de seus dois maridos, Ruy (Fiuk) e Zeca (Marco Pigossi), que fez o parto e levou a amada nos braços. Foi Jeiza (Paolla Oliveira) quem salvou Ritinha.

Ou seja, A Força do Querer, mesmo sendo bastante calcada no folhetim tradicional, subverte a ordem do mesmo ao fazer de suas três protagonistas as únicas heroínas, de fato, da história. Conforme a trama vai se desenrolando e as histórias de Jeiza, Ritinha e Bibi (Juliana Paes) ficam cada vez mais entrelaçadas, as três se mostram autossuficientes em vários sentidos. Todas elas vivem seus amores, é verdade, mas não precisam de “seus homens” para andar para a frente. Elas se resolvem.

Isso, sem dúvidas, é um avanço. Se, num passado não tão distante, final feliz em novela significava ter um par romântico (mesmo se tirado do éter nos segundos finais do último capítulo), A Força do Querer mostra que as relações pessoais de suas heroínas não estarão, necessariamente, ligadas aos seus respectivos pares. E o mais interessante disso tudo é que Gloria Perez consegue isso ao mesmo tempo em que cria seus pares, e instiga o público a torcer por eles. É inegável que a ciranda amorosa de A Força do Querer é uma das melhores e mais empolgantes dos últimos tempos.

E vale lembrar que este protagonismo do feminino em A Força do Querer não é um caso isolado. Malhação – Viva a Diferença, de Cao Hamburger, também chama a atenção por ser a primeira temporada da história da novelinha a não ser centrada num par romântico. Em vez disso, são cinco meninas as heroínas da história. E, pelos excelentes índices de audiência das duas produções, ficou claro que o público aceita e deseja histórias assim. Não há dúvidas de que estão bem conectadas à contemporaneidade.

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André Santana