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SBT busca velha parceira para retomar produção de novelas

Maria Padilha como Nair, protagonista de Colégio Brasil no SBT
Maria Padilha como Nair, protagonista de Colégio Brasil no SBT (reprodução)

Os bastidores do complexo de estúdios da Anhanguera dão sinais claros de que a poeira está assentando e dando lugar ao planejamento estratégico. De acordo com informações do jornalista Flavio Ricco, a retomada da dramaturgia adulta pelo SBT está deixando o campo das ideias e ganhando contornos de realidade. 

Mas, ao contrário de aventuras orçamentárias do passado, o canal de Daniela Beyruti desenha um modelo de negócios muito mais pé no chão e condizente com a realidade atual do mercado: o esquema de coprodução. E o alvo principal para essa parceria é a produtora JPO.

Essa aproximação com a JPO indica um caminho de maior profissionalização, divisão de riscos e compartilhamento de responsabilidades financeiras. Produzir novela no formato industrial de hoje exige um fôlego financeiro gigantesco. Dividir esse peso com uma produtora independente de mercado é uma estratégia interessante para colocar o SBT de volta ao jogo da dramaturgia sem sufocar o caixa da emissora.

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Parceria antiga

Para quem tem boa memória televisiva, a JPO está longe de ser uma desconhecida. A produtora tem um histórico robusto e respeitável de serviços prestados justamente nos anos 1990 e 2000, operando milagres de audiência tanto no SBT quanto na Record.

Na emissora de Silvio Santos, a parceria rendeu frutos marcantes, como a nostálgica Colégio Brasil (1996), que dialogava com o público jovem. A trama não chegou a ser um sucesso retumbante, mas tem seus fãs e reuniu um elenco respeitável, com nomes como Maria Padilha, Giuseppe Oristanio, Edwin Luisi e Taumaturgo Ferreira.

Outra produção desta fase foi Dona Anja (1996), protagonizada por Lucélia Santos. A trama, recheada de cenas picantes e humor, teve bons momentos. A parceria também rendeu o clássico novelão dramático O Direito de Nascer, que foi gravada em 1997 e exibida apenas em 2001.

Já na Record, a produtora foi a grande responsável por estruturar a retomada da dramaturgia da emissora na Barra Funda no final da década de 1990, assinando uma trilogia que rendeu resultados satisfatórios: a sertaneja Estrela de Fogo (1998), o drama urbano Louca Paixão (1999) e a policial Tiro e Queda (1999). 

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Estratégia de mercado

O que se desenha nos bastidores do SBT para este novo projeto revela um planejamento muito mais consistente do que em tentativas anteriores. Há método e critério. A escolha da direção caminha para uma história contemporânea, saindo do esgotado nicho de época ou infanto-juvenil puro que hoje domina a grade.

Aliado a isso, a emissora pretende apostar alto na escalação de atores e atrizes que possuam uma forte identificação histórica com a casa. É a chamada "estratégia de reconexão", de acordo com Ricco. Ao trazer rostos que o público do SBT aprendeu a amar ao longo das décadas em tramas adultas, a emissora aciona o gatilho da memória afetiva, diminuindo a rejeição inicial do telespectador.

Ainda é cedo para qualquer comemoração ou avaliação definitiva. Novela é uma obra aberta e um produto de altíssimo risco que depende do humor do público para se pagar. No entanto, ver o SBT agir com critério, raciocínio lógico e buscando parceiros experientes como a JPO mostra que a emissora está disposta a virar o jogo em meio à crise de sua dramaturgia, desmontada após o fiasco de A Caverna Encantada (2024).

André Santana

30/06/2026

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