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Apesar da embalagem promissora, Coração Acelerado decepciona

Isabelle Drummond, Filipe Bragança e Isadora Cruz em Coração Acelerado
Isabelle Drummond, Filipe Bragança e Isadora Cruz em Coração Acelerado (divulgação)

Com uma campanha de lançamento empolgante, que destacava um pano de fundo popular, Coração Acelerado parecia uma novela à prova de erros. O próprio TELE-VISÃO chegou a cravar que dificilmente a atual trama das sete da Globo não emplacaria. Porém, passado pouco mais de um mês, já é possível admitir que erramos e Coração Acelerado se revelou uma decepção.

A trama chegou bem escoltada, assinada por duas autoras conhecidas pelas “novelas musicais”. Izabel de Oliveira assinou a ótima Cheias de Charme (2012), um fenômeno do horário. Já Maria Helena Nascimento é a responsável pela não menos boa Rock Story (2016), que registrou bons índices de audiência e caiu nas graças da crítica na época.

Unidas, elas criaram uma história sobre o universo sertanejo, segmento em alta no país. Com isso, todos os elementos pareciam acertados para se criar uma história de sucesso. Mas, na prática, isso não aconteceu. Por que será?

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Trama apática

Para quem gosta de sertanejo, Coração Acelerado oferece boas doses de música. Talvez esteja aí o primeiro grande erro do atual folhetim das sete da Globo. Afinal, por mais que a música tenha apelo, é preciso sempre considerar que o público da novela, no geral, é um pouco mais velho e espera acompanhar uma boa história. E, até aqui, a produção está devendo.

O pano de fundo é bom, mas o folhetim em si não empolga. A novela foca demais no batido triângulo amoroso envolvendo duas mulheres disputando um homem. Enquanto Agrado (Isadora Cruz) e Naiane (Isabelle Drummond) estão de olho em João Raul (Filipe Bragança), Janete (Letícia Spiller) e Zilá (Leandra Leal) desejam Alaorzinho (Daniel de Oliveira).

A busca de Agrado pelo sucesso profissional ficou em segundo plano em meio a uma rivalidade feminina que sequer é bem construída. Enquanto isso, toma-se cenas de música, música e mais música. A trama, inclusive, aposta em participações especiais grandiosas, como Ana Castela, mas isso não é suficiente para segurar um folhetim.

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Experiências anteriores

Cheias de Charme também era musical, com o tecnobrega tomando conta do enredo. No entanto, as canções apareciam como pano de fundo de uma história mais interessante, focada na amizade entre as Empreguetes e a busca delas pelo sucesso. Havia também um humor nonsense muito bem trabalhado e personagens carismáticos. Foi uma novela “fora da casinha”.

Já Rock Story chamou a atenção pelo enredo bem construído. A música estava presente, mas o foco era a trajetória do protagonista Guilherme Santiago (Vladimir Brichta), um herói errático que evolui ao longo do enredo. E mais: a autora apostou na quase sempre infalível trama de gêmeas idênticas, Júlia e Lorena, vividas por Nathalia Dill. A trama das irmãs se tornou um curinga, sacado da manga para manter a temperatura da história sempre elevada.

Enquanto isso, Coração Acelerado não tem um elemento forte que prenda a atenção do público. Os protagonistas são apáticos, a história não empolga. Se tirar a música, não sobra nada. E a música sozinha não é capaz de segurar o público.

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Futuro tenebroso

Para piorar, a Globo já começou a mexer na novela, na tentativa de salvá-la. Cortes estão sendo feitos e a história vem sendo reeditada. Trata-se de uma estratégia equivocada, afinal, cenas são suprimidas, fazendo o público se envolver cada vez menos com os personagens. E, se o público não se conecta com os personagens, pouco importa o que acontecerá com eles.

E mais: a próxima novela das sete está atrasada, de acordo com informações da imprensa especializada. Assim, mesmo com índices insatisfatórios de audiência, Coração Acelerado deve ser esticada e ultrapassar os 200 capítulos. Mas é fato que a novela não tem trama para sustentar tantos capítulos.

Novelas mais longas estão se tornando regra na Globo, que busca cada vez mais reduzir custos. Mas isso está tornando as histórias cada vez menos interessantes. Dona de Mim, por exemplo, teria sido muito melhor se não fosse tão longa. O mesmo vale para a atual Êta Mundo Melhor!, que anda em círculos faz tempo. A emissora devia rever a duração de suas novelas.

André Santana

01/03/2026

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