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| Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil (divulgação) |
A Globo anunciou que Avenida Brasil, fenômeno do horário nobre em 2012, será o próximo cartaz do Vale a Pena Ver de Novo. O sucesso de João Emanuel Carneiro chega para tentar reverter a crise do horário, em baixa por conta do fraco desempenho de Rainha da Sucata (1990), e também preparar a memória do público para a sequência da obra, prevista para o ano que vem.
Não é difícil entender a escolha da direção da Globo. De audiência explosiva, repercussão internacional e personagens icônicos como Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella), a trama de João Emanuel Carneiro tornou-se um marco da dramaturgia brasileira. Do ponto de vista estratégico, sua reprise é uma aposta segura, afinal, garante reconhecimento imediato do público, forte memória afetiva e grande potencial comercial.
Porém, ao mesmo tempo, a escolha transforma o Vale a Pena Ver de Novo numa faixa cada vez mais previsível. Afinal, trata-se do segundo repeteco de Avenida Brasil, que já havia sido reprisada em 2019. Assim, reforça-se a estratégia de repetir sempre os mesmos sucesso de sempre, enquanto outras novelas bem-sucedidas da Globo seguem engavetadas.
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Clássicos
Nos últimos anos, o Vale a Pena Ver de Novo reforçou um ciclo quase previsível de reprises. Títulos como A Viagem (1994) e O Rei do Gado (1996) retornam com frequência, reforçando seu status de “clássicos eternos”. São obras importantes? Sem dúvida. Mas a insistência contínua nelas cria uma espécie de canonização artificial, enquanto outros sucessos permanecem esquecidos.
Novelas como Escrito nas Estrelas (2010), que teve boa audiência e forte apelo espiritualista; O Outro Lado do Paraíso (2017), fenômeno popular nas redes sociais; e Bom Sucesso (2019), elogiada pela crítica e pelo público, simplesmente não entram no rodízio. Com o passar dos anos, o efeito é inevitável: o que não é reprisado deixa de ser lembrado. E o que não é lembrado dificilmente ganha status de clássico.
Ao optar novamente por Avenida Brasil, a Globo reforça sua estratégia conservadora, que é eficiente, porém pouco ousada. A pergunta que fica é: até quando o canal vai apostar apenas no que já é considerado clássico, em vez de permitir que outros sucessos também tenham a chance de ocupar esse lugar na memória coletiva?
André Santana
24/02/2026

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