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História da TV: Em 1999, Silvio Santos promoveu rodízio de apresentadores no "Programa Livre"

Ney Gonçalves Dias, Márcia Goldschmidt, Lu Barsotti, Christina Rocha, Otávio Mesquita e Babi Xavier no Programa Livre

Não é de hoje que Serginho Groisman dá voz aos adolescentes na TV. O apresentador do Altas Horas iniciou sua receita de sucesso de falar ao jovem a partir do Matéria Prima, da TV Cultura, e ganhou enorme popularidade ao migrar para o SBT e lançar o Programa Livre. Deu tão certo que Serginho sempre foi um nome na mira da Globo. Depois de muito tempo de namoro, o assédio da emissora carioca virou casamento, gerando um problema para o canal de Silvio Santos: quem poderia substituir Serginho à frente do Programa Livre?

O ano era 1999 e o Programa Livre ocupava as tardes de segunda a sexta do SBT. Na época, a emissora contava com vários apresentadores sem-programa, curtindo uma boa e velha geladeira. Eis que Silvio Santos, em mais uma de suas ideias “geniais”, resolveu então escalar cinco deles para se revezarem no comando do Programa Livre. A intenção era ver qual deles conseguia se comunicar melhor com o público-alvo e, de quebra, aumentar a audiência da atração.

Assim, no dia 13 de setembro de 1999, Ney Gonçalves Dias estreava à frente do Programa Livre. Ney, que estava na geladeira do SBT desde o fim do jornal Noticidade, era o mais “estranho no ninho” do revezamento, já que sempre pertencera aos quadros do jornalismo do canal. Às terças, era a vez de Márcia Goldschimidt assumir o microfone do Programa Livre. Era a volta ao ar da apresentadora, que estava sem função desde o fim do telebarraco que levava seu nome, um ano antes. 

Já as quartas-feiras eram da adolescente Lu Barsotti. Lu havia aparecido no SBT uns anos antes, no Em Nome do Amor. Silvio Santos gostou dela e a contratou, e, desde então, vinha treinando a jovem para se tornar apresentadora. A oportunidade havia chegado. Já quinta era dia de Christina Rocha, prata de casa que se encontrava fora do ar depois da extinção do lendário Alô Christina. E na sexta, Otávio Mesquita assumia o comando. Mesquita não estava bem na geladeira, já que participava do Domingo Legal naquela época, mas estava sem programa solo.

Com este quinteto inusitado, Programa Livre seguiu sua vida nas tardes do SBT, sob direção de Vildomar Batista. Porém, aos poucos, a atração foi mudando, o que chamou a atenção da reportagem da Folha de S. Paulo. Matéria do caderno TV Folha, publicada em 31 de outubro de 1999, afirmava que o Programa Livre vinha popularizando suas atrações, tornando-se uma espécie de “Ratinho da tarde”. “O Programa Livre, do SBT, manteve - e por vezes chega a superar- os índices de audiência que a atração conseguia anteriormente. No entanto, para atingir tal feito, o SBT alterou radicalmente o perfil do programa: saíram os políticos, os especialistas em questões ligadas aos jovens, a MPB e o rock, que deram vez ao pagode, ao axé, à Tiazinha. É a era do Tchan no Programa Livre”, dizia a matéria.

O diretor Vildomar Batista conversou com a reportagem da Folha, explicando que, com as mudanças, o Programa Livre deixava de ser unicamente adolescente, falando também à dona de casa. "Com o Serginho, sempre perdíamos para o Note & Anote, da Record. Agora, não. Agregamos um novo público: as donas-de-casa estão gostando de ver o Programa Livre. Recebemos cartas dizendo que antes o programa era chato e atualmente está mais interessante”, explicou. Mas os frequentadores do programa não gostaram das novidades. “Esse programa sempre foi uma ferramenta para o jovem dizer o que pensa. Agora, mudou. Não valorizam a gente”, disse Cintia, uma adolescente da plateia, ao jornal.

Apesar do “sucesso”, esta versão do Programa Livre teve vida curta. Havia a expectativa que um dos cinco apresentadores ficasse com a vaga. Porém, neste meio-tempo, Silvio Santos viu Babi Xavier à frente do Erótica MTV e se encantou com a jovem. Tratou de contratá-la, ainda sem saber direito o que fazer com ela. Mas logo resolveu: Babi seria a nova apresentadora do Programa Livre. Com ela, veio ainda outra missão: substituir Jô Soares Onze e Meia, pois o apresentador também havia migrado para a Globo. Assim, em janeiro de 2000, Babi assumia o Programa Livre, que passou a ir ao ar à meia-noite e meia, horário de Jô.

E o que aconteceu com os apresentadores do Programa Livre? Bom, Ney Gonçalves Dias voltou para o jornalismo, comandando um quadro de entrevistas numa antiga versão do SBT Notícias. Já Márcia, Lu, Chrstina e Otávio assumiram, junto com Celso Portiolli, uma nova versão do Fantasia, aos sábados, que estreou em janeiro de 2000. Mas a empreitada também não durou muito: saiu do ar uns cinco meses depois da estreia.

Já o Programa Livre ficou nas madrugadas do SBT até setembro de 2001, quando passou a ser exibido nas tardes de sábado. Durou apenas três meses no novo horário, saindo do ar definitivamente em dezembro daquele ano. Desde então, sempre surgem conversas de que o Programa Livre poderia voltar. Mas, até agora, nada aconteceu.

André Santana

30/10/2021

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1 Comentários

  1. Olá, tudo bem? Nas últimas semanas, estive envolvido com "compromissos estudantis". Rs... Aproveito a oportunidade para parabenizá-lo pelos 16 anos do blog. Podem vir os "influencers", mas estamos aqui kkk Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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