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Chegando ao fim, "Caldeirão do Huck" fez história nos sábados da Globo

Luciano Huck no primeiro ano do Caldeirão do Huck
Foto: Memória Globo

O Caldeirão do Huck chega ao fim neste sábado, 28, após 21 anos no ar. Trata-se do mais longevo programa de variedades das tardes de sábado da emissora, e que fez história ao conquistar e consolidar a liderança da Globo no horário. Hoje, sem concorrentes à altura e contando com uma bela estrutura, Luciano Huck se mantém fácil na posição que conquistou. Mas, na estreia, em 2000, não foi bem assim. O Caldeirão do Huck apanhou e experimentou muito até chegar na fórmula vitoriosa atual.

Caldeirão do Huck foi o principal programa dos sábados da Globo desde o Cassino do Chacrinha, que foi exibido entre 1982 e 1988, saindo do ar após a morte de seu apresentador, o “Velho Guerreiro” Chacrinha. Depois disso, a Globo tentou de um tudo para conseguir encontrar um substituto para Abelardo Barbosa, mas não conseguiu. A década de 1990 foi marcada por uma série de experiências no horário, mas nenhuma delas obteve grande resultado.

A principal aposta da emissora para a vaga, acreditem ou não, foi nada menos que Sérgio Mallandro. Após se destacar no SBT, o apresentador chegava à Globo com a missão de participar de humorísticos e apresentar um show de variedades nas tardes de sábado. Em 1991, estreava o Show do Mallandro, um programa de auditório que mesclava música, games e a famigerada Porta dos Desesperados. Mas não deu certo e teve vida curtíssima. Show do Mallandro, então, foi transformado num infantil, exibido nas manhãs da Globo antes do Xou da Xuxa.

Depois disso, o sábado foi dedicado ao Vídeo Show (antes de se tornar diário, em 1994), aos filmes da Sessão de Sábado e às partidas de futebol. O Esporte Espetacular também ocupou o início das tardes durante um bom tempo, até migrar para as manhãs de domingo em 1997. Xuxa Meneghel foi outra aposta, com seu bem-sucedido Planeta Xuxa, que estreou em 1997. Porém, por conta do futebol, o programa migrou para as tardes de domingo em 1998.

No entanto, a Globo não via a sua liderança ameaçada com seus filmes e esportes no horário. Mas, a partir de 1998, a Record tirou Raul Gil da Manchete e lançou o Programa Raul Gil. O programa foi logo ganhando musculatura, sobretudo quando passou a apostar a maior parte de seu tempo com seus concursos de calouros. Os cantores revelados nesta época na atração explodiram e fizeram muito sucesso.

Assim, em 1999, o Programa Raul Gil se consolidava na liderança de audiência. E isso fez a Globo se mexer. O canal passou a buscar, até com certo desespero, um programa capaz de conter o animador da Record. A grande aposta desta fase foi Samba, Pagode & Cia, um musical comandado por Netinho de Paula e Salgadinho, e que foi um retumbante fracasso. Ficou pouquíssimo tempo do ar.

Como Raul Gil fazia sucesso interagindo com crianças, a Globo tentou atacar com a mesma moeda e formatou Gente Inocente, com Márcio Garcia, para o sábado à tarde. A emissora chegou a anunciar a estreia em 1999, mas, de última hora, desistiu do lançamento. O programa foi engavetado e só ganhou uma chance em 2000, nas tardes de domingo, onde ficou no ar até 2003.

Neste contexto, chegou Luciano Huck. Após chamar a atenção com o juvenil H, exibido nas noites da Band, o jovem apresentador chegava à Globo com a missão de revitalizar os sábados do canal. Surgia então o Caldeirão do Huck, que estreou em março de 2000. Com a mesma pegada jovem do H, Caldeirão estreou tomando surras e surras de Raul Gil. Parecia que não ia ter vida longa.

Mas a direção do canal insistiu e investiu pesado no programa. Vieram reality shows, formatos importados e quadros assistencialistas, que, aos poucos, começaram a turbinar o Caldeirão do Huck. Realities, como Amor à Bordo e Acorrentados, concursos como Soletrando, e games como Agora ou Nunca começavam a emplacar. Depois vieram Lata Velha e Lar Doce Lar, dois hits. Com isso, Caldeirão do Huck conseguiu reverter o placar e assumiu a liderança do horário.

Ou seja, se hoje o programa não tem concorrentes e vive uma fase tranquila, a verdade é que nem sempre foi assim. Por isso mesmo, Caldeirão do Huck foi o mais importante programa de variedades das tardes de sábado da história da Globo. Foi somente mais de 10 anos depois do fim do Cassino do Chacrinha que a Globo voltou a chamar a atenção no horário. Agora, Marcos Mion assumirá o novo Caldeirão num contexto muito mais tranquilo. Enquanto isso, Luciano Huck encarará os leões nas tardes de domingo.

André Santana 

28/08/2021

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3 Comentários

  1. Olá, tudo bem? "Caldeirão do Huck foi o mais importante programa de variedades das tardes de sábado da história da Globo" é uma colocação bem polêmica. Também comentei sobre a atração no meu blog. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Muito bons os seus textos com essa contextualização de cada época. Goste-se ou não do Huck (e eu não sou fã), o programa acabou funcionando com o tempo, favorecido também pelo desgaste da fórmula do Raul Gil e a saída dele para a Bandeirantes para ir para o domingo.

    Acho que, se a Globo quisesse mesmo investir no futebol feminino, poderia usar a faixa para transmissão de partidas nacionais, pois a concorrência no horário praticamente inexiste e seria uma faixa interessante de consolidação da modalidade no país, para que ela não fique restrita apenas às Olimpíadas e Copa do Mundo. Mas o Caldeirão, ou algum programa de variedades, não vai sair tão cedo dos sábados à tarde, o que faz sentido até comercialmente falando.

    E eu lembro da tentativa do Sérgio Mallandro e teve também a chegada do THUNDERBIRD, que durou menos tempo ainda no horário, se não me engano em 1993 ou 1994.

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