sábado, 30 de janeiro de 2021

Repetir fórmula da edição anterior pode comprometer novo Big Brother

A Globo parece disposta a repetir o sucesso estrondoso da última edição do Big Brother Brasil. Com o sucesso da temporada vencida pela médica Thelma, a emissora se viu na obrigação de fazer algo ainda mais grandioso. Porém, ao repetir a mesma fórmula da edição passada, o BBB 21 corre o risco de ficar na sombra de seu antecessor.

Dividir o jogo entre “pipoca” e “camarote”, mesclando pessoas famosas (ou quase) e anônimos, mostrou-se um grande acerto da última edição. Por isso, a estrutura se manteve, e trouxe até mais conhecidos que na edição anterior. Nomes como Fiuk, Karol Conka, Carla Diaz e Projota dispensam apresentações para a maioria.

Entretanto, o BBB 20 mostrou que ter certo grau de fama antes de entrar no jogo não significa vitória, tendo em vista a vitória de Thelma. Mas, certamente, garante sobrevida e engajamento dos fãs, vide Manu Gavassi. Ou seja, no frigir dos ovos, os candidatos conseguem alcançar certo pé de igualdade no decorrer do jogo.

Porém, a fórmula repetida faz com que o público remeta à edição anterior naturalmente. Quando a mesma estrutura é montada, é impossível não olhar para os “brothers” da vez e atribuir-lhes rótulos que os comparem aos jogadores anteriores. Quem é o Babu da vez? E a nova Rafa Kalimann?

Com isso, o BBB 21 parece começar com jeitão de continuação do BBB 20. O que pode ser um problema. Afinal, se os atuais jogadores não renderem tantas emoções quanto os anteriores, a decepção virá. Como se sabe, quanto maior a expectativa, maior é uma possível decepção. Ou seja, fazer o público lembrar do BBB 20 o tempo todo pode não fazer bem ao BBB 21.

Ou seja, o principal desafio da edição 2021 do Big Brother é conseguir trilhar um caminho próprio, que seja tão movimentado ao ponto de fazer o público se esquecer da edição passada. Uma missão das mais espinhosas. Não é fácil suceder um produto tão vitorioso, sem dúvidas.

Mas o elenco atual é promissor. Mais uma vez, a direção do programa aposta em personalidades distintas, de modo a criar diferentes tipos de relacionamento. Tudo bem que a “pipoca” é formada pelos mesmos tipos de sempre, mas há boas possibilidades de dinâmicas ali. Resta saber qual será o resultado desta mistura.

André Santana

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Record é quem perde ao dispensar Marcos Mion

Depois de Fausto Silva deixar a Globo e surpreender todo mundo, a dispensa de Marcos Mion pela Record foi outro acontecimento que mexeu com os telemaníacos. Houve até quem enxergasse uma relação entre os fatos, e que Mion já está de malas prontas para assumir os domingos da Globo. Mas a pergunta que não quer calar é... o que tá acontecendo?

A informação oficial é que a direção da Record avaliou que A Fazenda precisa de mudanças, e que, por isso, houve a necessidade de trocar de apresentador. E que, como Mion não tinha outro projeto em vista, teve seu contrato rescindido. Balela! Marcos Mion elevou o moral de A Fazenda, e a Record até já tinha um plano comercial lançado da 13ª edição, que era estampado por Marcos Mion. 

Assim, como a explicação oficial não faz o menor sentido, é mais fácil concluir que foi mesmo alguma briga. O Notícias da TV cravou que a relação entre o apresentador e a direção da emissora azedou por conta de alguns desabafos e comportamentos de Mion. E que havia o entendimento que a Globo poderia levá-lo ao final do ano e, por isso, não fazia sentido ele estar à frente de mais uma A Fazenda para depois sair em alta rumo à concorrência.

Seja qual for o motivo, nada justifica esta manobra equivocada da Record. Marcos Mion foi o grande responsável pela sobrevida de A Fazenda. Mais do que isso, ele era o melhor apresentador do cast da emissora. Versátil, tem estofo, jogo de cintura e muita penetração entre jovens e adultos. Além disso, é um grande vendedor. O que mais uma emissora poderia querer?

Ninguém é insubstituível, verdade. Mas um apresentador com tantas qualidades, que foi capaz de deixar sua marca até mesmo num programa engessado como A Fazenda, não se encontra dando sopa por aí. Se a Record optar por uma solução caseira, Rodrigo Faro ou Geraldo Luís seriam incapazes de tal performance. Se resolver apostar num nome novo (como Caio Castro e Bruno Gagliasso, como vem sendo ventilado)... pior ainda! Entregar um programa ao vivo e cheio de imprevisibilidades como A Fazenda para um profissional inexperiente seria um tiro no pé!

Já para Mion, esta demissão deve lhe fazer bem. O apresentador era mesmo maior que A Fazenda e merecia mais espaço na TV. Ele deve ir para uma emissora que o explorará melhor. Não acredito que a Globo busca um apresentador para substituir Fausto Silva, mas acho que, para a provável vaga de Luciano Huck, o canal pode estar sim considerando opções. Marcos Mion, de longe, seria a melhor opção.

André Santana


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Globo sem Faustão: como ficam os domingos?

A notícia de TV que vem dominando a internet nestes últimos dias é o anúncio do fim do Domingão do Faustão. O clássico programa dominical de Fausto Silva sairá do ar em dezembro de 2021, quando termina o contrato do animador com a Globo. Depois disso, pouco se sabe sobre o futuro de Faustão, e sobre o futuro da própria Globo.

Sempre que uma despedida como essa é anunciada, começam as especulações sobre quem ocupará o espaço deixado. Ou seja, já há listas e listas por aí especulando que apresentador teria a honraria de seguir com o legado deixado por Fausto. Sempre se dizia que Luciano Huck, um dia, seria sucessor de Fausto aos domingos, mas trata-se de um plano que pode não acontecer, dada a vontade do marido de Angélica de seguir carreira política.

Assim, as especulações ficam entre os mesmos nomes de sempre. Seria a chance para a aguardada volta de Xuxa Meneghel à casa que a projetou? Ou seria uma nova chance para pratas da casa, como Tiago Leifert, Marcio Garcia ou André Marques, nomes que já eram especulados quando a notícia era a possível saída de Luciano Huck dos sábados? Ou a Globo iria buscar alguém da concorrência? Seria Eliana, Celso Portiolli, Rodrigo Faro ou Marcos Mion?

O mais engraçado é que todas estas especulações reforçam algo que já foi dito aqui no passado: a Globo tem dificuldades em lançar apresentadores. Atualmente, ela até tem apostado em pratas da casa, como Leifert, Fernanda Gentil, Ana Furtado ou Fátima Bernardes, mas boa parte de sua linha de shows sempre foi tocada por apresentadores vindos da concorrência. Angélica e Serginho Groisman foram tirados do SBT, Ana Maria Braga veio da Record, e Luciano Huck da Band, de onde também veio Fausto Silva. Compare as listas: os nomes que vieram de fora têm muito mais apelo que os que são crias da Globo.

Dito isso, a grande questão que fica é o que será do domingo da Globo. Afinal, já há um desenho de grade para 2022, e o Domingão do Faustão já estava fora. A ideia era colocar Faustão num novo programa, às quintas, mas ele recusou. Ou seja, se o plano era realocar Fausto, significa que já há um prospecto de grade montado. Afinal, a Globo não ia abrir mão de um de seus programas que mais fatura se não houvesse um bom motivo para isso. A máxima “em time que está ganhando não se mexe” ainda faz todo o sentido.

O site NaTelinha apostou num ponto que faz sentido: que a ideia seria dar um espaço mais nobre ao futebol. Atualmente, o Domingão fica entre a partida e o Fantástico, o que cria um “gargalo” na grade. Empurrando o jogo para às 18h e colando-o ao Fantástico, cria-se uma ponte que pode potencializar os dois produtos. Mas o que viria antes? Que tipo de programa seria capaz de segurar os domingos da emissora?

Sim, porque não faz sentido trocar seis por meia dúzia. Não vejo a Globo escalando outro apresentador para fazer algo nos mesmos moldes que Fausto faz. Deve haver um plano aí que a gente ainda não conhece. E, como ainda falta um ano para o fim do Domingão, ainda teremos muito tempo para especular a respeito. O que será que vem aí?

André Santana

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Aviso de ausência

Olá, amigos do Tele-Visão! Estamos ausentes por estes dias por motivos de: meu notebook está em seus últimos suspiros... rsrs!

Resolvendo isso, volto aqui pra recuperarmos o tempo perdido. Agradeço a compreensão.

André Santana

sábado, 16 de janeiro de 2021

"Amor Sem Igual" e o atual momento da dramaturgia da Record

 

A dramaturgia da Record vive de fases. Depois da fase áurea, representada por tramas como Cidadão Brasileiro, Vidas Opostas e Chamas da Vida, veio a fase bíblica, na qual Os Dez Mandamentos se tornou a grande vedete. Atualmente, a emissora tenta repetir o sucesso da saga de Moisés (Guilherme Winter), ao mesmo tempo em que aposta em histórias contemporâneas vez ou outra, como em Topíssima e a atual Amor Sem Igual. 

Mesmo que tramas bíblicas e contemporâneas se revezem no horário nobre da emissora, é claro perceber que o viés religioso está mais presente do que nunca na dramaturgia do canal. Na “fase áurea”, por exemplo, havia citações ao “coisa-ruim” (em Cidadão Brasileiro, Fausta, personagem de Lucélia Santos, era uma referência ao Fausto de Goethe, que vendia a alma ao diabo), e a emissora até mesmo abordou a transexualidade antes de A Força do Querer, em Vidas em Jogo, com Augusta (Denise Del Vecchio), que era uma mulher trans.

Atualmente, as novelas do canal estão mais, digamos, conservadoras, já que conta com Cristiane Cardoso como supervisora de texto. Sendo assim, mesmo as tramas contemporâneas não escapam de, vez ou outra, embarcarem numa panfletagem sobre religião. Topíssima, por exemplo, resgatava orientações de Casamento Blindado, livro da própria Cardoso. Já Amor Sem Igual mostra a religião por meio dos personagens.

Neste contexto, a trajetória da prostituta Poderosa (Day Mesquita) é até convencional. A heroína Angélica teve um passado difícil, o que a levou a se prostituir. Durante a trama, ela é “salva” pelo amor e encontra o caminho da religião. Era o que se esperava quando a Record anunciou que sua protagonista seria uma prostituta. Foi o que aconteceu.

E isso não é um demérito. Cristianne Fridman, a autora de Amor Sem Igual, é muito habilidosa na condução de suas histórias. Com mão firme para folhetins, a autora criou uma heroína carismática e uma trama interessante. O seu desfecho pode parecer um grande merchan da Igreja Universal (e é mesmo), mas, dentro da dramaturgia proposta, é um desfecho que funciona muito bem. Até porque novela já é, por si só, um produto mais conservador. Esperar reviravoltas mirabolantes é um pouco demais.

Claro, a coisa funcionaria melhor se fosse feita com um mínimo de sutileza. Jogar um QR Code que leva o espectador direto ao site do Templo de Salomão em uma cena é o tipo de coisa que pode jogar por terra a boa história que estava sendo narrada. Já que a Record quer usar suas novelas para promover a sua igreja, poderia ter, ao menos, o bom senso de fazer isso por meio das histórias. A trajetória de Angélica já é uma propaganda poderosa. Não precisava “desenhar”.

Na verdade, o que se pede é que se tenha o mesmo cuidado que se exige quando qualquer novela resolve fazer merchandising social. É preciso que a temática que se pretende abordar esteja dentro de uma dramaturgia, ou seja, a serviço da história. E não o contrário. Se não for feito de maneira habilidosa, o merchan cria um ruído na narrativa e o espectador percebe. Assim, ele terá o efeito contrário do que se pretendia alcançar.

Basta ver a reação na internet sobre o tal QR Code de Amor Sem Igual. A propaganda descarada pegou tão mal, que as qualidades da história acabaram ofuscadas por uma repercussão negativa. De novo: a própria história de Angélica em si já passava a mensagem do “caminho da salvação”. Não precisava de panfletagem. Bola fora.

A “fase áurea” da dramaturgia da Record, na qual as novelas podiam ser mais “fora da caixinha” e não tinham a obrigação de fazer propaganda religiosa, faz muita falta. Mas, se a emissora pretende continuar a usar suas novelas para passar suas mensagens, que ao menos o faça diante de uma boa história, com uma boa produção e um elenco bem escalado. Neste sentido, Amor Sem Igual teve mais acertos que erros.

E, agora, é a dramaturgia bíblica propriamente dita que está em xeque. Depois de produções que passaram em brancas nuvens, e que nem de longe resgataram o sucesso de Os Dez Mandamentos, a emissora agora aposta em Gênesis, uma superprodução épica dividida em sete fases, que funcionarão como sete “minisséries” amarradas. Pelo que se vê, o resultado na tela é mesmo deslumbrante. Vamos ver se a dramaturgia será tão poderosa quanto a produção. Lindas imagens são o chamariz, mas o que segura a audiência mesmo é a emoção.

André Santana

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

SBT prepara novo programa matinal

Recentemente, o colunista Flavio Ricco, do R7, informou que a direção do SBT havia desenhado uma nova grade de programação e a submetido a Silvio Santos para a avaliação. E que a principal novidade desta nova programação seria um novo programa matinal. Havia até um nome (tosco) de trabalho: Bate Bolo. Chris Flores era a favorita para a condução.

Mas parecia um projeto de pouca fé. Afinal, não é de hoje que se fala que o comercial do SBT tenta emplacar um programa matinal de variedades, já que as manhãs da emissora não faturam por causa da programação infantil. Mesmo assim, Silvio Santos nunca pareceu lá muito disposto a reduzir a duração de seus desenhos, que não faturam, mas têm audiência cativa. Somente quando o “patrão” se apaixonou pelo Primeiro Impacto é que veio a coragem para começar a reduzir o Bom Dia e Cia.

Entretanto, parece que o projeto de novo matinal pode sair do campo das especulações e se tornar uma realidade. Segundo o site Notícias da TV, a atração começou a ganhar cores definitivas e já tem gravação de piloto marcado para a semana que vem. A matéria assinada por Gabriel Perline também afirma que o novo programa vai se chamar Vem pra Cá, e que Ticiana Villas Boas e Ivan Moré foram escalados para a gravação. Carlos Bertolazzi também participa.

Ao que tudo indica, será uma típica revista eletrônica matinal, com noticiário, pautas diversas e culinária. Algo que o SBT já tentou fazer no passado, com o Olha Você, mas que nunca se mostrou uma vocação da emissora. Mesmo que a grade infantil tenha sido reduzida nos últimos anos, há ainda um hábito do público do SBT com os desenhos matinais.

Na matéria do NTV, Perline afirma que o Vem pra Cá deve tirar espaço tanto do Primeiro Impacto quanto do Bom Dia e Cia. Mas, neste primeiro momento, o ideal seria tirar espaço apenas do jornal policialesco, que é grande demais. O novo programa poderia ser exibido entre 8h e 10h, recebendo com uma boa audiência do jornal e entregando para a atração de Silvia Abravanel, que já está consolidada no horário. Com isso, a mudança não seria tão radical.

Mesmo assim, fica a dúvida se um programa nestes moldes tem o perfil do SBT. A emissora tem pouca tradição no segmento e experiências pouco animadoras. Por outro lado, é bom saber que o canal está se mexendo. Pode conseguir apagar a má impressão de 2020, quando sua produção foi drasticamente reduzida.

André Santana

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Xuxa anuncia parceria com Globoplay

Sem contrato com a Record, muitos esperavam que Xuxa pudesse estar voltando à Globo, sobretudo quando ficou claro que a birra do passado já não existe mais. No entanto, isso ainda não aconteceu. E talvez nem aconteça (ao menos tão cedo), dado os projetos em outros formatos e plataformas que a loira vem anunciando desde o ano passado. 

Ao que tudo indica, ter um programa pra chamar de seu não é uma prioridade para Xuxa atualmente. A apresentadora parece negociar para colocar em prática os projetos anunciados no programa Otalab, de Otaviano Costa, no ano passado. Lembram? A loira disse que negociava a publicação de dois livros (que já saíram), um documentário, um filme e uma série. Ela chegou a contar que negociava com grandes empresas, como Disney, HBO e Netflix.

Em entrevista à live de Luis Erlanger, ex-diretor da Globo, Xuxa confirmou que está acertando o documentário com o Globoplay. A ideia do projeto é contar a trajetória da artista e, por isso, segundo ela mesma, seria bom este material sair com a chancela da Globo, já que a maior parte desta história aconteceu por lá. No Twitter, o perfil do Globoplay confirmou que “começou um namoro” com Xuxa. Ou seja, deve sair mesmo.

Na mesma entrevista, Xuxa contou que também tem o projeto de uma série. Muitos entenderam que ela falava do próprio documentário, que provavelmente será uma série documental. Mas eu, particularmente, entendi que ela falava de uma série de ficção. Isso porque Erlanger chegou a afirmar que ela poderia se dedicar à atuação, e ela disse que teria que aprender, já que viria por aí uma série “linda”. Mas a afirmação passou batida. Será que Xuxa vai protagonizar uma série de ficção? Seria uma produção infantil? Emplacaria no Globoplay? Ou no Disney +? Vale lembrar que o streaming da Disney vem procurando produções nacionais para seu catálogo. De repente…

Porém, o que parece estar mais certo mesmo é o documentário do Globoplay. Que, quando sair, vai provocar uma nova rodada de entrevistas de Xuxa em vários programas da emissora. Ou seja, por enquanto, Xuxa não será contratada da casa, mas deve se tornar figurinha carimbada dentro do canal. E isso pode até evoluir para novos projetos, por que não? Aguardemos.

PS: é engraçado que Xuxa está com os dois pés no Globoplay, ao mesmo tempo em que o Viva exibe As Brasileiras cortando a apresentadora da abertura e anunciando que o episódio protagonizado por ela não será reprisado. O que será que pegou?

André Santana

sábado, 9 de janeiro de 2021

Band repete velhos erros com contratação e dispensa de Mariana Godoy

 

Ao trocar a RedeTV pela Band, em 2020, a apresentadora e jornalista Mariana Godoy deixava claro que não tinha mais interesse no jornalismo diário. Ela não chegou a declarar isso com todas as letras, mas é fácil perceber que sua trajetória no canal de Amílcare Dallevo chegou ao fim porque seu Mariana Godoy Entrevista estava suspenso, e ela vinha dando expediente no RedeTV News. Mariana ficou muitos anos em bancadas da Globo e buscava um espaço só seu.

Espaço, aliás, que conquistou com louvor em sua passagem pela RedeTV. Mariana Godoy Entrevista era o único programa de bom gosto da emissora, que só vem ladeira abaixo nos últimos anos. Mas as noites de sexta do canal eram nobres, com a simpatia de Mariana entrevistando celebridades de todas as áreas. Ali, ela arrancava boas declarações de seus convidados, com um jeito muito próprio de entrevistar.

Mas Mariana Godoy Entrevista foi suspenso, e a justificativa era a pandemia. Estranho, se considerarmos que o talk show foi o único programa da linha de shows do canal a sair do ar neste contexto. Mesmo assim, preferiram colocar Mariana à frente do RedeTV News, que se revelou uma estratégia para manter um nome forte à frente do noticioso, já que o titular Boris Casoy vinha trabalhando de casa por pertencer ao grupo de risco (e ele foi dispensado depois).

Enquanto isso, a Band acenou com Mariana a possibilidade de a jornalista assumir suas manhãs, que passaria por uma nova reformulação depois do malfadado Aqui na Band. A profissional, claro, aceitou a empreitada, já que ela vinha ao encontro de seus almejos profissionais na TV. No entanto, sua passagem pelo canal acabou se tornando um tanto conturbada, revelando que a emissora insiste em cometer os mesmos erros de sempre.

Afinal, depois de formatação e gravação de pilotos do novo programa, que chegou até a ser anunciado numa live com Mariana e Zeca Camargo, a emissora simplesmente desistiu da ideia. Preferiu fazer uma aposta mais segura e lançou o The Chef, com Edu Guedes já chegando “pronto, embalado e vendido”. Ou seja, se contrataram Mariana ao mesmo tempo em que negociavam com Edu, já aconteceu uma falha de comunicação aí.

Ficou claro, aos olhos de todos, que a Band segue “chutando” uma grade, atirando para todos os lados para ver o que dá. Ao longo de sua grande trajetória, a emissora colecionou histórias como esta. Basta lembrar do que aconteceu com Luiz Bacci, contratado a peso de ouro, que não durou nem um ano no canal e ainda deixou a emissora com um prejuízo enorme, ao ponto de sucatear sua grade vespertina, locando-a para games caça-níquel.

Ao perceber a precipitação, a Band acabou por correr e lançar um talk show com Mariana para as noites de segunda-feira. A correria a toque de caixa refletiu na atração, que parecia uma versão mal desenhada do talk show da RedeTV. Com isso, desgastaram desnecessariamente a imagem de Mariana Godoy.

O resultado não poderia ser outro: o programa já saiu do ar. E, nesta semana, Mariana Godoy e Band anunciaram a rescisão do contrato. Segundo o UOL, a emissora a queria de volta ao jornalismo, mas Mariana não tinha interesse. Mas colunistas afirmaram que Mariana já está conversando com “outras empresas”, e uma delas seria a CNN Brasil. Já que, parece, ela não quer voltar ao hard news, de repente ela poderia emplacar seu talk show semanal no canal de notícias. Seria interessante e agregaria à grade da CNN. Vamos ver.

Mas o que fica evidente, nesta história toda, foi o amadorismo com que a Band levou toda esta situação. Uma emissora com tantos anos já devia estar minimamente preparada para evitar transtornos como este. Justiça seja feita, o canal melhorou nos últimos anos, com apostas mais seguras e de retorno comercial. Mas o “caso Mariana” mostrou que o amadorismo ainda existe, e que o canal segue repetindo velhos erros. Até quando?

André Santana

Começa hoje o TELE-VISÃO 2021

 

Depois de um breve período de descanso, enquanto revisitamos o ano de 2020 com os dois Top 10, o TELE-VISÃO inicia hoje a temporada 2021. Com a expectativa de fazermos mais um ano juntos, assistindo, comentando, analisando e criticando tudo o que nossa querida TV brasileira nos apresentar ao longo do ano.

A partir deste sábado, 09, o blog volta a ser atualizado ao longo da semana, normalmente às terças, quintas e sábados. Nestas atualizações, seguimos comentando os acontecimentos da telinha e, ainda, repercutindo o noticiário televisivo, analisando as notícias dos veículos especializados em TV. De quebra, seguiremos celebrando a história da TV, com posts especiais que relembram programas, emissoras e momentos da televisão brasileira.

Sábado segue sendo o “dia nobre” do TELE-VISÃO. É neste dia que o blog apresenta uma crítica mais longa e elaborada sobre as novidades da nossa TV. E, claro, todo dia é dia para que você leia, comente e se divirta com a gente aqui no TELE-VISÃO. Aqui, a ideia é que tudo se torne uma grande conversa sobre TV. Uma conversa cordial, agradável, com troca de ideias e informações.

Desde já, agradeço sua presença e participação neste humilde espaço. Que tenhamos um ano cheio de novas tele-visões! Bem-vindos ao TELE-VISÃO 2021!

André Santana

sábado, 2 de janeiro de 2021

Top 10 de 2020 – Destaques positivos

Apesar da imensa dificuldade provocada pela pandemia da covid-19, a TV brasileira não jogou a toalha, buscando novas maneiras de continuar oferecendo conteúdo para o espectador. Mesmo que, em alguns setores, as reprises tornaram-se inevitáveis, em outros as soluções simples e criativas se mostraram bem-sucedidas. Neste contexto, confira a lista dos 10 acertos deste ano na telinha na opinião deste blog. Lembrando que a lista é elaborada de acordo com a opinião deste blogueiro e, portanto, sujeita a injustiças e esquecimentos. Confira!

- “Amor de Mãe”

 

A novela das nove da Globo ficou no ar por apenas três meses este ano, e se viu interrompida por conta da pandemia da covid-19. No entanto, mostrou um poder de evolução e de envolvimento impressionante ao longo de sua “primeira etapa”. A trama bem amarrada e cheia de surpresas e reviravoltas mostrou a boa mão de Manuela Dias para histórias que mesclam relações humanas e thriller. O final do “primeiro ato”, com a ascensão da vilã Thelma (Adriana Esteves), deixou um gosto de quero mais. Que venham os 23 episódios finais!

- “Totalmente Demais”

 

Em meio a inúmeras reprises de novela de 2020, a volta de Totalmente Demais se mostrou um acerto. Leve e divertida, a história de Paulo Halm e Rosane Svartman mostrou ser uma boa opção para este momento em que a realidade nos deixou tristes e cansados. O sucesso maior que sua primeira exibição apenas reafirmou as qualidades da obra.

- “Conversa com Bial”

 

Impedido de gravar nos estúdios da Globo de São Paulo, Pedro Bial levou seu talk show à sua casa, recebendo convidados por meio de videochamadas. A ideia se revelou um acerto. O jornalista arrancou boas revelações de seus convidados, mais à vontade do que nunca. E a série celebrando os 70 anos da TV rendeu grandes momentos.

- “Altas Horas”

 

Serginho Groisman fez o mesmo caminho que Pedro Bial e conseguiu reinventar seu Altas Horas, que comemorou 20 anos no ar. Sem plateia, o apresentador apostou em novos quadros, todos feitos a distância, e conseguiu manter o espírito da atração. Suas videochamadas promoveram bons encontros, trouxeram excelentes entrevistas e divertiram o espectador.

- Jornalismo

 

Num ano cheio de nuances, a informação nunca foi tão importante. Neste contexto, emissoras que apostaram em jornalismo se deram bem. A Globo ampliou o espaço de seus jornalísticos, a Band otimizou sua equipe, e a Record, mesmo com um tom mais complacente na cobertura da pandemia, também conseguiu seu lugar ao sol. Na TV paga, a GloboNews cresceu como nunca, enquanto a CNN Brasil também obteve grande destaque.

- “Big Brother Brasil 20”

 

Os reality shows acabaram se mostrando uma boa válvula de escape neste momento em que muitos tiveram que ficar em casa. O BBB20, que estava no ar quando a pandemia foi declarada, acabou se tornando a grande mania do espectador. Tanto que rende assunto até hoje, quando estamos prestes a acompanhar a estreia da edição 21.

- “A Fazenda 12”

 

A boa fase de reality shows também atingiu A Fazenda, que teve uma temporada das mais envolventes. Mesmo com a perda de fôlego da reta final, o programa comandado por Marcos Mion rendeu bons momentos e alguma diversão.

- “Sob Pressão: Plantão Covid”

 

Sem poder gravar novelas, a Globo apostou numa dramaturgia feita a partir de inúmeros protocolos de segurança, incluindo aí experiências como Diário de um Confinado e Amor e Sorte. Mas a principal série desta safra foi Sob Pressão: Plantão Covid, que, em dois episódios, trouxe os personagens da excelente série às voltas com a trágica realidade atual. Programa não só envolvente, mas necessário.

- Ana Maria Braga

A apresentadora é o grande nome da TV no ano. A loira começou 2020 tendo que enfrentar mais um câncer. Neste meio-tempo, viu seu Mais Você sair do ar por conta da pandemia. Em seguida, perdeu seu grande companheiro de cena dos últimos 23 anos, o Louro José, com o falecimento de Tom Veiga. Pois nenhuma dificuldade derrubou Ana, que mostra uma força admirável à frente de seu matinal. Mais que uma grande apresentadora, Ana Maria Braga é uma grande mulher!

- Novos canais

 

Mesmo em meio à pandemia, a TV brasileira viu nascer dois canais. Na TV paga, a CNN Brasil mexeu com o mercado e vem fazendo um trabalho interessante, embora tenha lá seus erros, como o quadro O Grande Debate, ou dar espaço a negacionistas com a desculpa de “ouvir o outro lado”. Já a TV aberta ganhou a Loading, emissora de conteúdo jovem que vem suprir uma lacuna importante. Para fãs da cultura pop, o novo canal é um prato cheio!

E para você, internauta? Quais foram os destaques positivos de 2020? Deixe sua opinião nos comentários.

No próximo sábado, 09, começa o TELE-VISÃO 2021! Não percam! Até lá!

André Santana