sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Silvio de Abreu deixa Teledramaturgia da Globo; José Luiz Villamarim assume

A Globo tem promovido importantes mudanças em sua alta cúpula. Na semana passada, foi anunciada a saída de Carlos Henrique Schroder da direção de entretenimento da emissora, e sua substituição por Ricardo Waddington. Agora, é Silvio de Abreu quem vai deixar o posto de Diretor de Teledramaturgia do canal. O veterano novelista será substituído por José Luiz Villamarim, o diretor de Amor de Mãe.

Silvio de Abreu ocupou o cargo de Diretor de Teledramaturgia da Globo por seis anos, na ocasião em que a emissora dividiu seu entretenimento em quatro “super diretorias”, duas delas de dramaturgia (novelas e séries), e duas de variedades (realities e diários, e semanais). Com a criação do cargo, a emissora apostou suas fichas na gestão de um de seus principais e mais experientes novelistas, que já vinha tendo uma importante atuação nos bastidores do canal. Vale lembrar que, há anos, Abreu não apenas se dedicava às suas próprias novelas, mas também se incumbia de revelar novos roteiristas, cujas obras de estreia ele supervisionava. Foi pelas mãos dele que nomes como Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Elizabeth Jhin se tornaram novelistas titulares.

Ao assumir a Teledramaturgia, Silvio de Abreu atuou, sobretudo, em duas frentes: organização de filas de autores e horários, e lançamento de novos nomes. Era ele quem lia as sinopses, aprovava e determinava seu lugar na fila das seis, sete, nove e onze. Foi ele também que apostou nos novos autores de novelas, revelando nomes como Alessandro Marson, Thereza Falcão, Angela Chaves, Alessandra Poggi, Manuela Dias, Paulo Halm, Rosane Svartman, Maria Helena Nascimento, Claudia Souto e Daniel Ortiz, todos assinando obras que não decepcionaram no Ibope.

Muitos criticaram a gestão de Silvio de Abreu, visto por muitos como voluntarioso e que protegia “os seus”. Bobagem. O autor entende como poucos da carpintaria do folhetim, mostrando-se alguém bastante apto a avaliar sinopses. Além disso, sua preocupação em renovar o banco de autores revelou-se fundamental para a sedimentação do gênero, que foi criado por veteranos que estão quase todos se aposentando. 

Por fim, muitos reclamam do amplo espaço dado a nomes controversos, como Daniel Ortiz ou Walcyr Carrasco. Mas é fácil entender os motivos disso: Abreu precisava entregar resultados à emissora, e os dois autores são bons de audiência. Na verdade, ele promoveu um rodízio interessante entre textos mais elaborados e queridinhos da crítica (como Rock Story, Bom Sucesso e a própria Amor de Mãe), com outros de pegada mais popular e boas de Ibope, mas ruins de crítica (como Pega Pega, A Dona do Pedaço ou Haja Coração). Claro que houve tropeços neste caminho, como O Sétimo Guardião, mas o saldo é positivo.

Ou seja, numa avaliação geral, a gestão Silvio de Abreu foi muito bem-sucedida. Agora, é esperar para ver o que José Luiz Villamarim trará para o segmento. Capacidade para isso ele tem, já que é um festejado diretor, que vem se dedicando a uma pegada mais autoral em suas últimas produções. Amor de Mãe mesmo é uma novela “diferentona”, apesar de ser puro folhetim. No Twitter, muitos comemoraram a escolha e preveem um salto de qualidade nas novelas da Globo. É possível, mas é preciso lembrar que a emissora cobrará resultados. O diretor terá que, assim como fez Silvio de Abreu, equilibrar produções mais elaboradas com outras mais “farofa”. Não há como fugir disso.

Ah, e vale lembrar que Silvio de Abreu também acumulava as séries e os programas de humor, depois das saídas de Guel Arraes e Marcius Melhem. 

André Santana

9 comentários:

  1. Sem dúvidas, é a melhor análise que li sobre a notícia!
    www.cascudeando.com

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  2. Olá, tudo bem? Faz muito tempo que o Silvio de Abreu não escreve uma novela de sucesso, hein.... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Oi Fabio, tudo bem? Bom, o artigo ressalta o trabalho de Silvio de Abreu enquanto Diretor de Teledramaturgia. E, na verdade, é justamente por ocupar o cargo que faz tempo que ele não escreve uma novela de sucesso, afinal, faz tempo que ele não escreve novela. E, mesmo assim, ele tem mais sucessos que fracassos na vida dele como novelista, assim como qualquer autor da Globo. Mas acho que a Globo escolheu bem seu diretor, já que, dos autores, era ele quem tinha maior know-how para escolher sinopses, tanto que ele já fazia isso antes de ocupar o cargo. Abraço!

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  3. Apesar de estar à frente da dramaturgia a gestão Silvio de Abreu leva consigo o recorde negativo de pior audiência da história com Babilônia do Gilberto Braga, novela de 2015 que teve a façanha de perder pra I Love Paraisópolis e sofrer com Os Dez Mandamentos, novela da Record.

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    1. Q ousadia do beijo gay no fim de amor a vida levou eles a acharem que o tema seria bem aceito com idosas. .não foi

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    2. Na faixa das nove, Abreu teve dois grandes fracassos: Babilônia e O Sétimo Guardião. O resto foi bem. O saldo é positivo.

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    3. Corrigindo: três fracassos. A Lei do Amor se enquadra também, né? Bem fraquinha...

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