sábado, 10 de outubro de 2020

Fenômeno, "Totalmente Demais" repete sucesso em reprise

 

A “edição especial” de Totalmente Demais chegou ao fim com resultados impressionantes. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm conseguiu o feito de mobilizar o público novamente diante do triângulo amoroso formado por Eliza (Marina Ruy Barbosa), Jonatas (Felipe Simas) e Arthur (Fabio Assunção). Mesmo já sabendo o final, as torcidas foram novamente formadas, garantindo a excelente audiência desta reprise.

Em maio de 2016, na ocasião do fim da novela, o TELE-VISÃO publicou o seu tradicional balanço de fim de novela. Acompanhe:

Num momento em que muitos afirmam que o espectador sentia saudades de uma novela mais tradicional, Totalmente Demais veio suprir este nicho. Trouxe uma espinha dorsal básica, clássica e com ares de contos de fada. A trama de Eliza, livremente inspirada em My Fair Lady, bebe da boa e velha fórmula da transformação, vista e revista em contos como Cinderella e O Patinho Feio. Uma trama que costuma conquistar a audiência, vide sucessos como Betty, a Feia, ou Fina Estampa. O mote da transformação não rodeou apenas a mocinha, mas também todos aqueles que a rodeavam, tornando os personagens possíveis e facilmente identificáveis pela audiência, outro fato que explica o sucesso da trama.

A transformação de Eliza é a mais óbvia, mas não menos envolvente. Criada num ambiente hostil, a mocinha tornou-se quase selvagem para se defender das dificuldades e, principalmente, do assédio do padrasto. Quando decide deixar tal ambiente e se aventurar na cidade grande, vive novas situações que a fazem mudar, mas sem perder sua essência. Conhece o amor, entra numa disputa de modelos para tentar mudar de vida e aceita aprender a ser mais sociável em busca da vitória no concurso. O treinamento a deixa menos agressiva, mas suas relações pessoais e sociais a transformam numa mulher forte e amadurecida. Eliza desabrochou.

Jonatas (Felipe Simas), o amor que a ajuda, também mudou. Vendedor ambulante que vive num cinema abandonado, o jovem de bom coração também se transforma quando seu caminho cruza o de Eliza. Enquanto tenta ganhar a vida e merecer o amor da mocinha, Jonatas vai, aos poucos, conquistando novas oportunidades e fazendo reconhecer o seu valor. Termina a obra como um profissional respeitado e ao lado de seu amor.

Arthur (Fabio Assunção), o dono da agência que toma para si a missão de transformar Eliza numa modelo, também se transforma enquanto se dedica à tarefa. Vivendo uma amizade colorida com Carolina (Juliana Paes) e com dificuldades em ingressar numa relação séria, Arthur se vê envolvido pelo encanto de Eliza. Ele se apaixona e se transforma a partir disso, tornando-se um homem melhor e um pai mais dedicado. Não conseguiu ficar com Eliza, mas saiu desta relação pronto para, finalmente, assumir algo mais sério com Carolina, que sempre o amou.

Falando nela, o quarto vértice deste “quadrado amoroso” foi o que mais se transformou. Carolina entra em cena apaixonada por Arthur e disposta a ter um filho com o homem que ama. Diante da recusa dele e de seu encantamento por Eliza, Carolina passa a considerar a jovem sua rival e a sabota de todas as maneiras possíveis. Mas os desdobramentos do concurso, a relação conturbada com Arthur, sua amizade com a irmã Dorinha (Samantha Schmutz) e, principalmente, a descoberta de que não pode ter filhos, a fazem mudar. Quando parte para a adoção e se dedica à criação de uma criança soropositiva, Carolina torna-se uma pessoa melhor. E reencontra Arthur também transformado. Agora sim, juntos, podem viver uma relação mais séria e madura.

Este foi o grande trunfo de Totalmente Demais. Trouxe personagens tridimensionais, colocou-os em situações de transformações e mostrou que todos são passíveis de mudanças, mas sem perder sua essência. Foi realmente um grande trabalho dos autores, que conseguiram fazer, mesmo dentro da fórmula do folhetim clássico, algo que fugisse do estereótipo extremamente maniqueísta. Resultado: o público embarcou nestes conflitos, apaixonou-se pelos personagens e torceu por eles. Há quanto tempo não víamos uma mocinha que não fosse uma chata? Eliza foi uma heroína e tanto! E há quanto tempo estamos reféns de vilãs psicopatas malucas, que nem sempre têm motivos fortes para agir? Carolina fugiu deste arquétipo e movimentou toda a trama sem precisar, necessariamente, ser uma bandidona. E sua redenção foi tão possível que ela mereceu seu final feliz.

Totalmente Demais também foi feliz quando se permitiu aprofundar temas mais pesados, mesmo dentro de uma trama tão leve e solar. A novela falou com propriedade de questões como assédio sexual e homofobia, sempre sem ser excessivamente panfletária, ou desfigurar a obra. Tudo bem encaixado. O texto também teve o trunfo de ser inteligente, cheio de referências clássicas e pop (que passava pela literatura e cinema, e também às redes sociais e “memes”) e bastante envolvente. Uma direção correta de Luiz Henrique Rios e um elenco afinado, com destaque total ao quarteto protagonista, também explicam seu sucesso. Vale destacar também os trabalhos de Vivianne Pasmanter (Lili), sempre ótima; Pablo Sanábio (Max); Juliana Paiva (Cassandra); e, claro, os veteranos Gloria Menezes (Stelinha) e Reginaldo Faria (Maurice), as cerejas do bolo no entrecho da transformação de Eliza.

Há quem tenha achado toda a fase do concurso Garota Totalmente Demais, que movimentou mais da metade da trama, meio repetitiva; ou que a volta da falecida Sofia (Priscila Steinman) tenha destoado além da conta. Mas nada disso tira o brilho de Totalmente Demais, novela que até devolveu ao público o prazer de torcer por um casal romântico. Valeu!

André Santana

5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu tenho um bloqueio com essa novela. É um inegável sucesso, mas... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Eu acho uma malhação as sete ...novela ok mas não foi nenhum grande marco

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    2. Olá! Eu gosto bastante dela. Achei leve e divertida! Abraços!

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  2. Grande Glória Menezes, espero que essa não seje sua última novela, quero vê-la novamente em trabalhos inéditos.

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