sexta-feira, 15 de maio de 2020

"Caldeirão do Huck" e o futuro dos programas de auditório

Estava este pequeno jornalista ouvindo o podcast UOL Vê TV, no qual os jornalistas Mauricio Stycer, Débora Miranda, Flavio Ricco e Chico Barney comentam os assuntos da semana na telinha, quando me deparei com um debate muito interessante sobre o futuro dos programas de auditório. Em tempo de pandemia e distanciamento social, fica inviável reunir um grande número de pessoas dentro de um estúdio de TV. Assim, enquanto não houver vacina contra a covid-19, os programas de auditório não poderão ter auditório. É uma mudança e tanto, se levarmos em consideração que programas de auditório sempre formaram um dos pilares de sustentação da TV brasileira.

No entanto, este debate tem outras variáveis consideráveis. A principal delas é o fato de os programas de auditório estarem em franca fase de extinção. O que se vê na TV hoje, no geral, são programas COM auditório. Ou seja, programas gravados com uma plateia, mas que a plateia não serve para nada além de compor o ambiente. Resumindo, fazem parte do cenário. Todos os “novos” programas de auditório são assim. São, na verdade, colchas de retalhos com auditório.

Caldeirão do Huck é o expoente máximo deste “novo gênero”. Luciano Huck faz um programa cheio de quadros, sendo que boa parte dele acontece em externas ou em outros estúdios que não o estúdio principal do Caldeirão. No cenário principal, ele apenas faz merchans e “costura” os demais quadros. Atualmente, o cenário principal da atração vem servindo de palco para o quadro Pequenos Gênios, gravado antes da pandemia. Ou seja, é um raro momento em que o estúdio principal serve para alguma coisa. No geral, não serve para nada.

Há outros quadros com auditório, como Quem Quer Ser um Milionário? e The Wall, este último atualmente em exibição. Os dois gravados em outro estúdio, mas com presença de plateia. Porém, a plateia também serve como decoração. Se não tivesse plateia, ou se ela fosse reduzida, não faria diferença. Além disso, recentemente, Luciano comandou um Gonga La Gonga de casa, com convidados e jurados interagindo por videoconferência. Funcionou. A plateia não fez falta.

Eliana, no SBT, e Hora do Faro, na Record, também surfam nesta onda. Os dois programas têm plateia, mas se não tivessem não faria diferença. Tanto que a plateia de Eliana sempre foi super reduzida. Se sumisse de vez, ninguém sentiria falta. Neste contexto, apenas Silvio Santos comanda um programa no qual realmente o auditório faz diferença. Ratinho também interage bastante com a plateia, mas já está gravando seu programa sem ela, ou seja, é possível fazer sem auditório.

Sendo assim, minha contribuição com esse debate é: os programas de auditório não passarão por grande reinvenção. Apenas assumirão que, na prática, nunca foram programas de auditório. Luciano Huck e seus colegas poderão, perfeitamente, seguir tocando seus programas (claro, dentro de todas as medidas protetivas e de segurança), sem plateia e sem maiores modificações. Vai continuar funcionando.

André Santana

12 comentários:

  1. Muito bom o texto, porém a formatação do espaçamento entre linhas está muito curto tornando difícil a leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, tudo bem? Peço desculpas. Atualizei o blog de um outro computador que não o meu, e a formatação saiu toda errada. Vou evitar fazer isso pra que este erro não ocorra novamente. Obrigado pelo toque.

      Excluir
  2. É uma questão muito delicada, mas que merece minhas considerações. A bem da verdade, bem antes da pandemia essa crise já estava evidente. E como expoente desse declínio, tínhamos o Domingo Show da Record à época apresentado por Geraldo Luís, cujo auditório só estava ali para cumprir tabela, porque na prática o programa era 99% de reportagens, além é claro do viés choroso. Então a meu ver acredito que esse formato (de programa de auditório) poderá inevitavelmente ficar obsoleto em breve, apesar de ser uma tradição de longa data. E como todo veículo de mídia, a televisão também evolui. Os programas de auditório já tiveram seu auge no passado, mas o público daquela época é diferente do atual, e conforme se nota nos programas "de auditório" atuais, eles estão se tornando programas de variedades como quaisquer outros. Outro fator que pesa para a aposentadoria desse formato é o fator psicológico. Ter que viajar quilômetros até a emissora para fazer parte da plateia e ter que aturar horas naquelas cadeiras é de matar, principalmente se for um programa da Record. Pelo menos em casa tenho a opção de mudar de canal, mas mesmo assim eu penso no drama de quem fica preso àquela tortura dominical /sabadal, considerando que ultimamente não há nenhuma pauta atrativa. Hoje em dia, o público quer ver programas com atrações variadas, fora do estúdio. A plateia é portanto, opcional. Se não foram extintos, os programas de auditório já estão praticamente enterrados.

    ResponderExcluir
  3. Outros programas em que a plateia parece necessária, ainda que minimamente, da condução do programa, são o Domingão do Faustão e o Altas Horas, mas o jeito morto da plateia do Altas Horas é sempre motivo de comentário no Twitter. Acho que a presença da plateia talvez só se justifique por um interesse de fazer o público conhecer como funciona a televisão, mas conhecer pra participar de uma plateia que não acrescenta nada deve ser bem chato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho interessante o fato de o Altas Horas dar voz à plateia. Mas é um programa que pode, sem dúvidas, ser feito sem plateia ou com plateia reduzida.

      Excluir
    2. Platéia virtual por video conferência

      Excluir
  4. Desde criança fui apaixonado por programas de auditório, principalmente os infantis anos 90 ,silvio Santos enfim ..
    Nunca imaginei que um dia um vírus tiraria a plateia e novelas deixariam de ser produzidas
    OUVI dizer que silvio Santos, Raulbfil ambos com bem mais de 80 anos só voltam em meados do ano que vem

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não divido, viu, Caio? O Silvio Santos não grava sem plateia, e acho que fazer programa com plateia este ano é impossível.

      Excluir
  5. Realmente são raros os programas de auditório, de fato, nos dias de hoje. Lembro-me que nos tempos de Gugu no Domingo Legal, o animador interagia bem com a plateia. Saudades. Sobre o Caldeirão, eu gostava do formato inicial, mais musical, com entrevistas, inclusive internacionais. O programa do Huck ficou muito chororô, só que a Globo consegue fazer assistencialismo sem beirar o sensacionalismo, como a Record faz. Última vez que vi Caldeirão, foi o especial de Sandy e Junior. Acho o programa atual um saco, mas com bons quadros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mister Ed, ultimamente tenho visto mais o Huck. Ele ainda faz assistencialismo, mas tem investido em games muito legais. E eu amo games, hehehe!

      Excluir
    2. O foco do auditório nesses programas sempre foi resposta aos cantores se apresentando..quando nao havia Internet a reação era a meduvao de sucesso ..aparecer no Faustão era o auge do artista estourado tanto que as Rouge ficaram emocionadas quando participaram ..no caso do sbt ele e movodk pelo programa Silvio Santos e as coleguinhas que respondem as perguntas. .mas talvez de pra fazer por Skype..novos tempos talvez bom pra renovação da TV meio decadente

      Excluir