terça-feira, 28 de abril de 2020

Vitória de Thelma consagra um grande "BBB"!

Quando pensei num título para este texto, considerei classificar este “o melhor BBB de todos os tempos”. Mas preferi “um grande BBB”, e explico o motivo. Quem está aqui desde os tempos do Zip.net, deve se lembrar que eu nunca fui grande fã do reality show da Globo. Por isso, não acompanhei todos como deveria. E, por isso, seria leviano eleger um melhor que o outro, sendo que, para mim, várias edições passaram em brancas nuvens.

Também aviso que este texto será todo assim, em tom mais pessoal. Porque acho que, hoje, quem está aqui é o André público, o André espectador, e o ser humano, com suas vivências e visões de mundo. E é neste tom pessoal que eu explico: quando digo que nunca fui fã de BBB, não quero me colocar acima de ninguém, e muito menos engrossar o coro (graças a Deus, já vencido) de que é melhor ler um livro do que ver BBB, yadda yadda yadda… Por Zeus, não! Não sou desses!

O motivo de eu nunca ter me envolvido com BBB está no fato de eu não conseguir enxergá-lo como um jogo. Muitos defendem o participante tal porque ele agita a casa e gera entretenimento. Eu não consigo. Se o jogador tal é chato, mal educado, falastrão e até mau caráter, eu não vou defendê-lo em nome do entretenimento. Sendo assim, eu sempre simpatizei com participantes mais tranquilos, que não necessariamente acrescentam ao jogo, mas que trazem posturas com as quais me identifico. Por isso, dos BBB's que acompanhei, sempre vi meus preferidos saindo logo, enquanto a grande maioria dos vencedores eu não era lá muito simpático. Por isso não costumava acompanhar… porque me dava raiva ver meus preferidos saindo e ver outros que não simpatizava vencendo!

Este BBB eu comecei a acompanhar por razões profissionais. Não sei se todos sabem, mas sou redator de um site especializado, o Observatório da TV, no qual escrevo críticas diárias. E escrever sobre BBB é sempre uma obrigação neste nicho. Pois muito que bem. Comecei a ver e, de cara, simpatizei com Thelma Assis. Mulher linda, médica bem-sucedida, com uma história de vida fascinante. E que falava muito bem, sabia se colocar sem perder a ternura, mas, ao mesmo tempo, com sangue nas veias. Que briga sim, quando necessário, mas que tem a sabedoria de escolher qual briga comprar. E que se mostrou extremamente ética, leal e consciente de seu papel social. Levantou várias bandeiras, sem precisar se diminuir. Pelo contrário. Foi grande. E se manteve nesta linearidade ao longo de todo o jogo. 

Assim, com este meu histórico de ver meus preferidos saindo, fiquei só esperando o dia em que Thelma seria eliminada. Mas ela foi ficando. Foi ficando. E crescendo no jogo. Inicialmente mais “escondida”, quando era coadjuvante no time de Marcela e Gizelly, ela cresce muito quando se aliou a Rafa e Manu, outras personagens com as quais simpatizei demais. Em seu último paredão, quando Babu foi eliminado, eu esperava que fosse Thelma quem saísse, dada a força que o ator demonstrou ao longo do jogo (aliás, outro jogador fascinante). Me preparei psicologicamente para vê-la deixar a casa e… ela ficou! Surpresa! E foi só ali que fiquei convencido de que ela poderia sair vencedora. Não tinha certeza, claro, afinal Manu e Rafa têm seguidores aos baldes. Mas uma esperança nasceu.

E ela ganhou! E me vi feliz! Nunca fui de torcer em reality show, nem comemorar vitórias. Mas me vi comemorando quando Tiago Leifert anunciou que Thelma era a vencedora! Vibrei no sofá! Porque eu vi, diante dos meus olhos, uma vencedora que defendeu, em cena, tudo aquilo que eu acredito. E pode parecer bobagem, mas isso me deixou esperançoso. Quando um grande público como o do BBB elege um perfil como Thelma uma vencedora em meio a tantos personagens interessantes, há um recado muito claro sendo passado aí. E isso não é pouca coisa. Parabéns, Thelma! Vitória não apenas merecida. Mas necessária.

André Santana

sábado, 25 de abril de 2020

"Avenida Brasil" bomba no "Vale a Pena Ver de Novo" e repete sucesso


Mesmo num contexto distinto do de 2012, quando a economia do país ia bem e os personagens de João Emanuel Carneiro encontravam ecos na realidade, Avenida Brasil mostrou que tem mesmo força. A reprise do Vale a Pena Ver de Novo vem chamando a atenção do público, novamente, e ganhou ainda mais impulso com o isolamento social. E, na reta final, quando a trama ganha um ritmo alucinante, a reprise tem mostrado grande desempenho. Por isso, com a reprise em seus últimos capítulos, o TELE-VISÃO resgata a crítica da novela, publicada originalmente em 20 de outubro de 2012. Acompanhe:

Novelas, já vimos aos baldes. Enormes sucessos, já não tantos. Porém, todos bastante enraizados na memória afetiva do telespectador. Ao que tudo indica, Avenida Brasil será dessas novelas que lembraremos sempre, tamanha a comoção que os personagens criados por João Emanuel Carneiro provocou na internética audiência. A repercussão da trama das nove, mais do que seus números de audiência, chamaram a atenção desde o primeiro capítulo, quando as redes sociais foram tomadas por espectadores compadecidos do sofrimento da pobre Rita (Mel Maia). De lá para cá, o debate em torno de Avenida Brasil só aqueceu.

Não havia dúvidas: estávamos diante de uma novela cult, daquelas que até aquele intelectual engomadinho que odeia folhetins arrisca uma espiada. Curioso, se levarmos em consideração que o texto de João pende para o popular, no melhor sentido da palavra. Mas o autor parece mesmo ser o craque em agradar do noveleiro ao esnobe. Novela anterior com o mesmo status cult foi A Favorita, do mesmo autor. Trata-se, sem dúvidas, de um feito notável que, por si só, já coloca suas duas obras num capítulo vip da história das telenovelas.

Para falar de Avenida Brasil sem ser injusto, é preciso enxergá-la como duas novelas distintas. A primeira engloba do primeiro capítulo, quando somos apresentados à Rita e Carminha (Adriana Esteves) e testemunhamos todas as maldades da madrasta diante da enteada sofrida; e a segunda, que ocupou mais ou menos as duas últimas semanas do enredo, quando a vilã é finalmente desmascarada pela família Tufão e entra em declínio. Tal separação se dá pelo imenso peso que a rivalidade entre Carminha e Rita, que cresceu e se tornou Nina (Débora Falabella), tinha na obra. Quando Carminha é escorraçada da mansão, este peso diminuiu e outras tramas tomaram conta da história até o seu desfecho.

Com a rivalidade entre Nina e Carminha, João Emanuel Carneiro criou um interessante jogo de espelhos, no qual suas protagonistas se revezavam no papel de vítima e de algoz. Nina era dona de um passado sofrido, vítima de uma série de desgraças desencadeadas pela madrasta. Por isso, era alimentada por um ódio legítimo, que justificou várias de suas ações não muito ortodoxas, na tentativa de se vingar da vilã. Já Carminha era uma bandida que só queria se dar bem. Roubava e enganava, mas estava longe de ser uma psicopata maluca. Ao contrário de Nina, que o público conheceu toda a sua história, o passado de Carminha era uma incógnita. E, cada vez que um detalhe dele vinha à tona, suas ações também passaram a se justificar. Não que isso amenizasse as maldades da megera, mas as justificavam de tal maneira que, não raro, o público passou a compreendê-la. Com isso, João Emanuel Carneiro levantou questionamentos sobre o caráter de suas personagens, e levou tal questionamento ao longo da novela toda. Em A Favorita, o autor também brincou disso, mas não levou a dubiedade de suas Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patricia Pillar) até o fim.

No entanto, quando Carminha sai de cena, Avenida Brasil se torna uma nova novela. Santiago (Juca de Oliveira), o pai da vilã que surgiu no meio da saga e parecia inofensivo, revelou-se um mau caráter de primeira categoria e passou a levar a novela nas costas. Com isso, Carminha se apagou. De megera de pose triunfante, a vilã passou a ser vista como um bicho acuado. Santiago passou a guiá-la, e ela, a contragosto, passou a obedecê-lo, sempre questionando seus planos. Do outro lado do “espelho”, Nina passou de protagonista a figurante de luxo. O passado obscuro dos moradores do lixão tomou conta da trama principal, e Nina, como pouco tinha a ver com aquilo, ficou sem função. Aí veio o assassinato misterioso de Max (Marcello Novaes) que, como se comprovou no último capítulo, não era lá tão importante para a conclusão da obra. [Oculto aqui a frase que revela o assassino para não dar “spoiler].

A fase final serviu para que João Emanuel Carneiro criasse uma possibilidade de redenção a Carminha. E foi justamente o que ele fez. O mundo criado por Carminha se desfez diante dela, e já não havia mais nada a fazer além de aceitar que ela estava arruinada. Com tempo de sobra e acuada pelo pai, Carminha teve a chance de refletir e concluir que nada que ela fizesse poderia consertar tal situação. [Aqui, mais revelações do último capítulo].

Avenida Brasil ditou moda. Frases e situações vistas na novela, em pouco tempo, se tornaram hits nas redes sociais. Desde o impagável “hi-hi-hi” de Nilo (José de Abreu), passando pelo “me serve, vadia!” de Nina, até chegar ao fabuloso “eu quero ver tu me chamar de amendoim!”, de Zezé (Cacau Protássio), Avenida Brasil mediu sua força na rede. A hashtag #Oioioi dominava o Twitter enquanto a trama estava no ar. Todo mundo “congelou”, recriando o efeito visual que encerrava os capítulos da novela em seus avatares. Há quanto tempo uma novela das nove não mexia tanto com o comportamento do público?

Coadjuvantes eficientes ajudaram a construir Avenida Brasil. Juliano Cazarré, que já havia conhecido o sabor da popularidade em Insensato Coração, se consagra em definitivo ao defender o abobalhado Adauto. Cacau Protássio roubou a cena na cozinha da mansão dos Tufão com sua Zezé. Claudia Missura, grande atriz, imprimiu humanidade à sua Janaína. Murilo Benício criou mais um tipo interessante, dando vida a um personagem que tinha tudo para não agradar. Tufão foi grande! Também merecem menção Marcello Novaes (Max), Isis Valverde (Suellen), Daniel Rocha Azevedo (Roni), Fabíula Nascimento (Olenka), Luana Martau (Beverly), Leticia Isnard (Ivana) e Nathalia Dill (Débora). Os veteranos Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy), Vera Holtz (Lucinda), José de Abreu (Nilo) e Juca de Oliveira (Santiago) tiveram grandes momentos. O núcleo de Cadinho (Alexandre Borges), tão criticado por alguns, rendeu momentos de humor non sense saborosíssimos, que se ampliaram quando todos se mudaram para o Divino. Débora Bloch (Verônica), Camila Morgado (Noêmia), Carolina Ferraz (Alexia) e Betty Faria (Pilar) brilharam. E se é para falar de talento, não se pode deixar de citar as protagonistas. Débora Falabella defendeu dignamente uma personagem complicadíssima que foi Nina. E Adriana Esteves fez simplesmente o melhor trabalho de sua carreira. Avenida Brasil era a novela da Carminha!

Avenida Brasil também merece destaque pela sua competente direção. Ricardo Waddington tem se mostrado craque em dramas densos, ao imprimir um estilo noir que ajuda a contar a história. A trama foi dona de uma fotografia vitoriosa, belíssima, sobretudo na primeira fase. Amora Mautner foi quem imprimiu o estilo informal das cenas da mansão de Tufão, com todos os personagens em cena falando ao mesmo tempo. A bagunça organizada era facilmente identificável e foi um grande acerto.

Claro que nem tudo foram flores. O fato de Nina não ter salvo as fotos que provavam a traição de Carminha num pen drive provocou ruído na narrativa. Ficou estranho. [A reprise mostrou que havia um pen drive junto às fotos “físicas”, mas não adiantou nada esta precaução se foi para deixá-las juntas num único envelope]. Além disso, a história teve alguns momentos de barriga entre uma virada e outra. Mas o saldo geral foi positivo. Avenida Brasil fez história e deixará saudades. #Oioioi

André Santana

História da TV: Quando Gilberto Braga e Aguinaldo Silva disputaram Gloria Pires


Já imaginou Pereirão, de Fina Estampa, com a cara de Gloria Pires? Pois a atriz foi o primeiro nome pensado por Aguinaldo Silva para viver a personagem, quando a novela ainda era um projeto chamado de Marido de Aluguel. Na época em que a sinopse da produção foi aprovada pela direção da Globo, Aguinaldo Silva mantinha um blog muito badalado na Globo.com, onde costumava escrever tudo o que lhe vinha à cabeça e adiantar suas ideias e atividades.

Foi em seu blog que Aguinaldo Silva anunciou a criação de sua “master class”, um curso de roteiro ministrado por ele para orientar aspirantes a novelistas. Foi ali que ele abriu inscrições, recebeu textos de interessados e formou a primeira das turmas de seu curso, que daria dor de cabeça a ele e a Globo anos depois, no caso O Sétimo Guardião. No entanto, naquele momento, a coisa fluiu, e a sinopse de Marido de Aluguel foi aceita pela emissora, que chegou a contratar alguns alunos do curso para atuarem como colaboradores.

Naquele período, Aguinaldo Silva declarou ao site O Fuxico que pensava em Gloria Pires e Letícia Spiller para os papéis centrais. À Gloria caberia a então personagem-título, enquanto Letícia viveria a vilã Tereza Cristina. As duas disputariam o personagem de Dalton Vigh, adiantou o autor. Dalton, como se sabe, foi o protagonista da novela anterior de Silva, Duas Caras, e caiu nas graças do novelista. No entanto, nas notícias seguintes sobre a produção da trama, o nome de Letícia Spiller foi esquecido. Alguns sites noticiaram que Lília Cabral estava cotada para a vilã.

Mas Gloria Pires estaria confirmadíssima como Griselda. Ou quase. Isso porque a atriz estava acertada com Gilberto Braga e Ricardo Linhares para a próxima novela da dupla. A ela caberia o papel de Norma, a grande protagonista da trama que vinha sendo chamada de Lado a Lado (depois, teve o nome trocado para Insensato Coração). E a trama seria justamente a antecessora de Marido de Aluguel. Foi aí que a disputa começou.

Inicialmente, a imprensa especializada noticiou que Gloria faria as duas novelas. Isso porque estava previsto que Norma morreria antes do fim de Insensato Coração, o que liberaria a atriz para atuar em Marido de Aluguel. Isso foi dado como certo, até que Gilberto Braga veio a público. Ele disse que a informação não procedia, e que contava com Gloria em sua novela inteira. O que de fato aconteceu. Norma morre assassinada, mas apenas na última semana de Insensato Coração. E não faria sentido morrer antes, já que, como dito acima, era ela a grande protagonista da novela.

Assim, sem Gloria, Lília Cabral foi confirmada no posto de protagonista da novela, aí já chamada de Fina Estampa. Enquanto isso, Christiane Torloni assumiu o papel da vilã Tereza Cristina. E Fina Estampa foi um grande sucesso, recuperando a audiência da Globo no horário, que vinha de uma série de novelas medianas: Insensato Coração teve recepção morna, assim como suas antecessoras Passione e Viver a Vida.

Ah, outra curiosidade: o nome definitivo, Fina Estampa, foi tirado da própria novela. Isso porque Marido de Aluguel não estava disponível para registro, o que obrigou a Globo a mudar o nome da novela. E Aguinaldo Silva tirou Fina Estampa da trama, já que, inicialmente, era esse o nome da grife de Esther (Julia Lemmertz). Assim, Fina Estampa virou o nome da novela, enquanto a grife passou a ser chamada de Fio Carioca.

André Santana

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Silvia Poppovic é dispensada da Band


Com os inevitáveis cortes de gastos que as emissoras devem enfrentar neste período crítico, Silvia Poppovic se viu como uma das primeiras vítimas. Segundo o colunista Flavio Ricco, a apresentadora foi dispensada da Band, onde comandava o matinal Aqui na Band. Desde o início do isolamento social, a apresentadora vinha participando da atração de sua casa, por pertencer ao grupo de risco do Covid-19. Mas, agora, não volta mais.

É uma pena. Silvia Poppovic é uma das mais experientes e competentes apresentadoras da nossa TV. Com ampla experiência em televisão, e com repertório que a permite circular pelos mais diversos formatos, Silvia dava ao Aqui na Band um necessário contraponto à postura de Luís Ernesto Lacombe. Em cena, a dupla funcionava como complementares. Até mesmo ideologicamente, já que os dois tinham visões diferentes sobre praticamente todos os assuntos tratados na revista. Assim, o programa conseguia passar pontos de vista distintos, o que é sempre rico.

Além disso, Silvia imprimia mais humanidade ao Aqui na Band. Porque, convenhamos, Lacombe não é um poço de carisma, muito pelo contrário. Sisudo e meio blasé, o jornalista não combina muito com o clima descontraído que uma revista eletrônica matinal pede. Sozinho em cena, deve transformar o Aqui na Band praticamente num noticiário.

E Silvia, mais uma vez, é dispensada da Band sem maiores pudores. Basta lembrar que, na década de 1990, a jornalista era uma das principais apresentadoras da casa, comandando o vespertino Programa Silvia Poppovic. O programa de debates foi o carro-chefe das tardes da emissora por cerca de uma década, mas não resistiu a uma política de popularização de grade implantada em 2001. Foi recontratada quase 10 anos depois, quando comandou o programa de debates Boa Tarde e o matinal Dia Dia, ambos de vida curta. Foi demitida de novo.

Ou seja, Silvia Poppovic foi dispensada pela Band pela terceira vez. Já pode pedir música no Fantástico? Brincadeiras a parte, fato é que a Band, mais uma vez, abre mão de uma profissional e tanto. Triste.

André Santana

sábado, 18 de abril de 2020

"Fina Estampa" fica mais ágil em nova edição


No dia 24 de março de 2012, um dia após a exibição do último capítulo de Fina Estampa, este blog publicou uma análise sobre a obra de Aguinaldo Silva. Infelizmente, como o UOL excluiu da internet os arquivos dos antigos blogs Zip.Net, não é possível mais acessá-lo, mas relembro aqui alguns dos principais pontos abordados, procurando evitar “spoilers”. Segue:

“Na realidade, o último capítulo foi um resumão do que foi Fina Estampa em todos os seus capítulos: uma trama frouxa, carregada de clichês, sem propósito, com personagens desnecessários e enredo sem pé nem cabeça. Aguinaldo Silva tomou para si a missão de reerguer a faixa das nove, e fez uma novela à prova de erros. Apostou em duas protagonistas fortes e populares e em tramas paralelas que em nada acrescentaram à obra, criando uma salada de situações tragicômicas sem grandes pretensões. Fina Estampa apostou forte no non sense, no pior sentido da palavra, e foi sustentada mais por personagens do que situações”.

O texto seguiu analisando as trajetórias de Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni), reforçando que Pereirão foi um tipo bem construído pela atriz, mas que vai se tornando uma “chata de galochas” no decorrer da história. Já Tereza Cristina começa como uma boa vilã, mas logo cai num histerismo sem propósito, e começa a se dedicar a planos malucos que não fazem sentido. Depois, o texto analisa a trama de Danielle Fraser (Renata Sorrah), elogiando os desdobramentos deste núcleo, que tinha um drama mais sério, em contraponto ao non sense da história principal.

Em seguida, começa a análise sobre as outras tramas de Fina Estampa. Veja: “Outras tramas paralelas de Fina Estampa não tinham qualquer razão de ser. Pra que, afinal, servia a pousada de Álvaro (Wolf Maya) e Zambeze (Totia Meirelles), dois neohippies chatonildos que aplaudiam o por-do-sol? Alguém realmente ficou empolgado com o romance entre Letícia (Tania Khalil) e Juan Guilherme (Carlos Casagrande)? Daniel (Guilherme Boury) realmente precisava da ajuda de dona Vilma (Arlete Salles) para colocar um vídeo na internet? Por que raios Mandrake (Sandro Pedroso) precisava aparecer nos cantos das cenas fazendo truques bizarros? E Luana (Joana Lerner)? Ela realmente precisava nos contar o que ia acontecer na novela antes? Pra que?”.

Veja que várias destas tramas desnecessárias apontadas pela análise estão passando em brancas nuvens na atual versão de Fina Estampa, exibida pela Globo nesta “pausa” de Amor de Mãe. Até aqui, os personagens mais “picotados” são os habitantes do Recanto da Zambeze, que ocupavam muito espaço nos capítulos originais, em tramas que serviam apenas para encher linguiça. Repare que, na versão atual, o Recanto nem apareceu nos primeiros capítulos, virando um cenário mais presente apenas agora, quando Antenor (Caio Castro) passou a morar ali. Os personagens da rede de vôlei, ou a trama de Leandro (Rodrigo Simas) também foram esvaziadas nesta versão. Alguém se lembra que Gigante (Eri Johnson) tinha uma esposa e toda uma trama de traição? Pois é... Havia ainda muitas cenas de personagens tomando banho (Dagmar, de Cris Vianna, adorava um banho de mangueira), que foram enxugadas agora (sem trocadilhos).

Ou seja, um dos vários problemas da novela de Aguinaldo Silva era o excesso de núcleos decorativos, formado por personagens desnecessários que pouco acrescentavam ao enredo. E eles foram praticamente eliminados na “edição especial”, o que deixou a trama bem mais ágil. A edição tem sido feliz nesta remontagem, mantendo apenas as tramas que colaboram para o andamento do enredo. Agora “enxuta”, Fina Estampa parece até melhor do que foi realmente.

André Santana

Mesmo em quarentena, Silvio Santos não cansa de promover absurdos


O SBT está com suas produções de entretenimento paradas, assim como boa parte das demais emissoras, em razão da pandemia de coronavírus. No entanto, isso não quer dizer que Silvio Santos está totalmente recolhido. Mesmo de longe, ele continua dando ordens absurdas e promovendo mudanças na grade que não fazem o menor sentido. Nesta semana, a ordem estapafúrdia da vez foi a exibição de lutas livres da WWE em plena tarde de segunda-feira. Obviamente, não deu certo.

Na verdade, é algo a se estudar o fascínio que Silvio Santos parece ter com as lutas ensaiadas do WWE. Este tipo de atração, nos moldes do famoso Telecatch, fazem parte da história do SBT. Em minhas lembranças de infância, me lembro bem da Luta Livre de Mulheres (GLOW), na qual mulheres vivendo personagens “do bem” e “do mal” digladiavam num ringue. Eu, irmã e primos costumávamos assistir, tínhamos nossas lutadoras favoritas e torcíamos muito.

No entanto, trata-se de algo que ficou no passado. Mas, vira e mexe, o SBT tenta ressuscitar esta prática. A última tentativa neste sentido foi em 2008, quando a emissora exibia WWE – Luta Livre na TV nas tardes de sábado. Não chamou tanto a atenção, deu uma audiência mediana e saiu do ar depois de alguns meses e sem deixar saudades. E assim, 12 anos depois, a emissora tenta novamente. No último sábado, 11, o canal lançou WWE Raw, desta vez nas noites de sábado, depois do Raul Gil. Outra vez, resultados pouco expressivos num horário quase escondido da grade.

Mas Silvio Santos, quando se apaixona por algo, parece querer enfiar goela abaixo do seu público. Foi assim recentemente, com o tosco A Rosa dos Milagres (também conhecido como Milagres de Nossa Senhora), ou com o intragável Alarma TV, um programa que exibia escatologia e violência e chegou a ser exibido antes do Bom Dia e Cia. Agora, parece, a bola da vez é o WWE Raw.

Reforço que não tenho nada contra o WWE Raw. Pelo contrário. A cultura do Telecatch é muito interessante, tem um passado glorioso e trata-se de um espetáculo que pode ser muito divertido. Mas não vejo qualquer sentido em exibir este programa em plena tarde de segunda-feira, entre o Bom Dia e Cia e o Fofocalizando. Não há coerência numa grade assim. Tanto que a idéia afundou o programa de fofocas, e na terça a grade já havia voltado ao normal. Alguns sites chegaram a afirmar que a ideia do SBT é exibir WWE Raw, além dos sábados, apenas às segundas. Vamos ver então se nesta próxima segunda terá outra edição. Acho pouco provável.

André Santana

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Globo retoma "Encontro com Fátima Bernardes"

Como uma das providências para evitar aglomerações e conter a disseminação do novo coronavírus, a Globo suspendeu a produção de seus programas de entretenimento. Nesta leva, os três diários da emissora, Mais Você, Encontro com Fátima Bernardes e Se Joga, estão fora do ar há algum tempo. Foram substituídos por jornalismo, com o provisório Combate ao Coronavírus e o “espichamento” do Bom Dia Brasil e do Jornal Hoje.

No entanto, a emissora retomará o Encontro com Fátima Bernardes na semana que vem. O matinal voltará ao ar, dividindo as manhãs com Combate ao Coronavírus, e trazendo de volta a apresentadora. Além dela, Ana Maria Braga também voltará ao vídeo, mas de uma maneira diferente: o Encontro passará a apresentar receitas ensinadas pela apresentadora do Mais Você.

Ainda segundo o UOL, o Encontro retornará com adaptações. Fátima receberá apenas um convidado no estúdio, que não terá plateia. Ela passará a comandar entrevistas com personalidades por meio de videoconferências, com muitos lives e skypes. Ou seja, a Globo se renderá a uma manobra que se mostrou acertada em outros canais, como a Band, por exemplo. A emissora dos Saad manteve seus programas ao vivo, com apresentadores em suas casas e muitas entrevistas à distância. E tem funcionado muito bem.

E isso é bom para a programação da Globo e seus espectadores. Sim, é preciso manter a cautela neste momento complicado. Porém, tomando os devidos cuidados, é sempre bom notar que o canal voltará a ampliar, um pouco que seja, a programação de entretenimento. Afinal, o público que está em casa de quarentena merece relaxar um pouco e dar um tempo de tantas notícias ruins. O Encontro, claro, também deve abordar o tema, mas já é alguma coisa diferente.

Além disso, foi uma boa ideia incluir Ana Maria Braga nesta retomada do Encontro. O Mais Você não deve voltar tão cedo, já que Ana está no grupo de risco ao covid-19 e se trata de um câncer. Sendo assim, mostrar as receitas dela se mostra uma boa solução para mantê-la no vídeo. Figura querida, Ana merece ter um espaço. E a apresentadora promete entrar ao vivo, direto de sua casa. Bacana!

Mas… e o Se Joga? Bom, segundo Flavio Ricco, há uma movimentação na emissora para trazer a atração de volta. Claro, se retornar, será sem plateia e com um rodízio entre seus apresentadores. A ideia seria repercutir a final do Big Brother Brasil, que terminará no dia 27 de abril. No entanto, é fato que o esticamento do Jornal Hoje fez bem à Globo, que se viu retomando a liderança no horário do Se Joga, que costumava perder para a Record. Seria um sinal de que o público do horário prefere jornalismo? Ou se trata do contexto atual, no qual a demanda por informação aumenta? Algo a se pensar.

André Santana

sábado, 11 de abril de 2020

Com programação prejudicada, Record devia rever formatos


Com o naufrágio da nova programação dominical, somada à paralisação das produções de TV em razão da pandemia de coronavírus, a Record se viu em maus lençóis. Entre as últimas providências, a emissora moveu o The Four de volta para as quartas-feiras, enquanto transformou o Made in Japão. O misto de reality e game show comandado por Sabrina Sato, que deveria ser o carro-chefe do agora extinto Domingo Show, se tornará uma atração solo, exibida nas noites de sábado a partir de maio.

A transformação não deve acarretar grandes mudanças. Afinal, o quadro já era um “programa dentro do programa”. Com cenários, dinâmica e ritmos próprios, Made in Japão sempre teve todas as condições de segurar um horário sozinho. A atração reúne “famosos” numa casa cheia de referências ao Japão. Além de conviverem por ali, eles ainda precisam passar por provas um tanto malucas e non sense, games típicos da TV japonesa. Para quem gosta de um game show com tombos e meleca, é um prato cheio.

E, curiosamente, Sabrina Sato combina bastante com a apresentação do game. Não apenas por ser oriental, claro, mas também porque é tudo tão absurdo, no melhor sentido da palavra, que Sabrina se diverte em cena. E Sabrina, como sabemos, é uma figura muito marcada pelo humor. Ela não tem filtros, cai na risada e tira sarro dos participantes o tempo todo.

Tempos atrás, quando a Record anunciou a extinção do Programa da Sabrina, chegamos a questionar se Sabrina conseguiria se enquadrar naquela estratégia da emissora de transformar apresentadores em mestres de cerimônias de formatos. Naquela época, a Record já tinha feito isso com Xuxa Meneghel, o saudoso Gugu Liberato e Marcos Mion. Sabrina seria a próxima, mas gerava desconfiança, tendo em vista que um formato poderia minar sua conhecida espontaneidade. Eis que, com o Made in Japão, a Record parece ter conseguido um formato adequado para sua estrela. Funcionou.

No entanto, por mais que Made in Japão combine com o jeitão de Sabrina, ainda não sabemos se a atração vai funcionar nas noites de sábado. Nas tardes de domingo, como se viu, não deu certo. Será que, num novo horário, o formato conseguirá atrair um público maior? De repente, com a parca produção inédita que a TV aberta exibe atualmente, por conta da pandemia, Made in Japão pode ter uma vantagem. Além disso, Legendários, que a Record vai reprisar a partir de hoje, 11, fez sucesso no horário com games non sense. Pode ser que Sabrina reencontre este público. Vamos ver.

Mas, independentemente dos resultados que o Made in Japão venha a alcançar, é fato que a Record devia rever esta política de formatos importados. Porque, vamos combinar, a maioria deles não emplacou. Dancing Brasil, Top Chef, Canta Comigo e The Four têm desempenhos de mediano a fraco. Recentemente, a emissora exibiu Hair, reality sobre cabelos, dentro do Hoje Em Dia, e também nas noites de sábado. Passou em brancas nuvens. Power Couple, apesar de não ser um fracasso, também não chega a virar mania. Apenas A Fazenda e Troca de Esposas parecem alcançar resultados mais expressivos.

Recentemente, em sua coluna no UOL, Flavio Ricco chegou a fazer uma provocação, de que a Record devia criar mais e apostar menos em formatos. E o colunista tem toda razão. Diz-se muito que apostar em formatos é mais seguro, já que se trata de uma produção fechada, praticamente pronta. Ou seja, quase a prova de erros. Mas, se considerarmos os resultados práticos desta aposta, desde que a emissora trocou programas de variedades por formatos importados, que há mais erros que acertos.

Neste contexto, os resultados de Made in Japão como programa-solo podem ser determinantes no sentido de fazer a emissora repensar esta estratégia. Afinal, quanto tempo mais a direção da Record vai investir fortunas em produções suntuosas como estas, mas incapazes de despertar o interesse do próprio público do canal? As saídas são duas: ou melhoram a “curadoria” quando forem escolher os formatos a comprar; ou comecem a ter ideias eles mesmos. Continuar do jeito que está é dar murro em ponta de faca.

André Santana

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Band ganha audiência com bons enlatados


A Band fez a alegria dos nostálgicos recentemente. Isso porque a emissora relançou, em suas manhãs de domingo, nada menos que as séries japonesas Jiraya, Changeman e Jaspion. As atrações fizeram muito sucesso nas décadas de 1980 e 1990 no Brasil, quando eram exibidas pela extinta Manchete, e faziam a cabeça da molecada. Este que vos escreve, por exemplo.

Exibidas na faixa Mundo Animado, nas manhãs de domingo, as séries mais que dobraram a audiência habitual do canal neste horário. Mais do que isso: elas alavancaram a grade dominical da emissora, chegando a incomodar a Record. Isso mostra que a nostalgia é sempre uma arma forte, e que deveria ser mais bem explorada pelos canais.

Esse blog mesmo já cansou de bater nesta tecla. A Band já teve excelente audiência ao exibir desenhos e séries japonesas no passado. É um filão que costuma ser bem aceito pelo público, e que nunca foi tão bem explorado na TV aberta do Brasil depois da extinção da Rede Manchete. Há uma lacuna aí. Há alguns anos, a Band chegou à vice-liderança no fim de tarde, quando exibiu Os Cavaleiros do Zodíaco, outro clássico do canal de Adolpho Bloch.

Fica a torcida, então, para que a direção da Band se empolgue e traga mais novidades como essa. Atrações como Jiraya, Changeman e Jaspion não apenas agradam os grandinhos, que cresceram vendo as séries, como podem abocanhar uma nova audiência. Ou seja, acaba se tornando uma atração familiar, para ser vista por pais e filhos.

Aliás, nem só de nostalgia vive a programação da Band. O canal também exibe, nas noites de sábado, a excelente série Orange is The New Black, produção original da Netflix. A saga de Piper (Taylor Schilling) vem rendendo ótimo resultado ao canal, elevando a Band ao topo do ranking da audiência. E vale ressaltar que Jiraya, Changeman, Jaspion e Orange is The New Black chegaram à Band pelas mãos da distribuidora Sato Company. Que essa parceria perdure e renda novos frutos, então!


André Santana

Afastamento de Marcão do Povo era tragédia anunciada


Nesta semana, o noticiário televisivo foi tomado pela péssima repercussão do péssimo discurso de Marcão do Povo, que defendeu a “criação de campos de concentração para reunir doentes de covid-19” enquanto apresentava o Primeiro Impacto, do SBT. Obviamente, esta ideia pavorosa pegou muito, mas muito mal, e a direção do SBT, acertadamente, afastou o apresentador do comando do Primeiro Impacto, telejornal que ele divide com Dudu Camargo e Márcia Dantas.

Trata-se de uma tragédia anunciada. Desde que o SBT optou por enxugar seu jornalismo sério e responsável para dar espaço ao Primeiro Impacto, a emissora estava fadada a encarar maus momentos. Afinal, tanto Dudu quanto Marcão sempre foram figuras controversas, que costumam fazer declarações e atitudes que não condizem com a postura de âncoras de jornal. Porém, inexplicavelmente, os dois parecem ter caído nas graças de Silvio Santos, que pareceu sempre fazer vista grossa ao comportamento de ambos.

Desta vez, e felizmente, não houve colher de chá. E é bom que seja assim. É preciso muita, mas muita responsabilidade ao emitir opiniões num programa exibido em rede nacional. Não se defende a censura, obviamente, mas sim o bom senso.

Mas isso apenas reforça o quanto o SBT mandou mal ao fazer do Primeiro Impacto um interminável programa de mais de seis horas de duração. Para um canal que já teve Joyce Ribeiro, Karyn Bravo e Hermanno Henning, a emissora devia honrar esta história. E fazer um jornalismo minimamente mais responsável.

Mas, infelizmente, a perspectiva é que nada saia do lugar. O mais provável é que Marcão do Povo retorne daqui uns dias, como se nada tivesse acontecido, e siga fazendo declarações cada vez mais tristes. Do jeito que está, até as dancinhas de Dudu Camargo são mais interessantes e menos deploráveis. Vamos mal.

André Santana

sábado, 4 de abril de 2020

"Malhação – Toda Forma de Amar": o final atropelado de uma trama arrastada

"Deu ruim mesmo, galera!"

Malhação – Toda Forma de Amar conseguiu um feito e tanto: ser atropelada pelo próprio final, mesmo tendo se arrastado por meses a fio com uma história que andava em círculos. A trama de Emanuel Jacobina claramente não tinha fôlego para durar mais de um ano, como deveria. Mas foi obrigada a antecipar seu desfecho em um mês, por conta da pandemia de coronavírus, e acabou não tendo tempo para uma conclusão digna, embora a trama em si já tivesse se esgotado há meses.

Toda Forma de Amar foi uma temporada irregular. Primeiro, é preciso salientar que, desde que Cao Hamburger assinou Viva a Diferença, Malhação atingiu outro patamar. A temporada de 2017, que será reapresentada a partir da próxima segunda, trouxe uma proposta mais madura, livrando-se de certos vícios que perduravam na novela adolescente. Cao tratou Malhação como uma novela com jovens, e não um programa para jovens com toques de novela, e imprimiu veracidade e assuntos relevantes em meio ao folhetim tradicional. Deu certo. E influenciou as temporadas que vieram a seguir.

Foi nesta esteira que Toda Forma de Amar surgiu. Sem dúvidas, foi o êxito de Viva a Diferença que levou o autor, que já assinou outras temporadas da atração, a criar uma leva com um tom mais adulto e diferente. Jacobina, que sempre foi adepto da velha fórmula “casal ameaçado por megerinha”, desta vez propôs uma história com novos contornos. Ao centrar sua trama na briga judicial entre Rita (Alanis Guillen) e Lígia (Paloma Duarte) pela guarda da pequena Nina, o autor propôs uma trama novelesca que não necessariamente tinha a ver com juventude, embora seus personagens principais fossem adolescentes. Só isso já configura uma importante mudança de paradigma.

Sendo assim, a história de amor principal de Toda Forma de Amar não tinha uma vilãzinha para atrapalhar. Era justamente a batalha entre Rita e Lígia que atrapalhava o romance da primeira com Filipe (Pedro Novaes), o filho da segunda. Paralelamente, Rita tinha um grupo de amigos que trazia, cada um, um molho à trama, com histórias paralelas que abordavam assuntos relevantes, como violência urbana, racismo, educação e homossexualidade. Este último tema, aliás, foi no geral, bem abordado. Guga (Pedro Alves) enfrentou as típicas dificuldades da descoberta da sexualidade, enfrentando conflitos familiares para viver seu amor por Serginho (João Pedro Oliveira).

Entretanto, por mais que a história tivesse boa proposta e bons personagens, a trama se mostrou sem musculatura para atravessar o ano. Não demorou muito para a briga judicial entre Rita e Lígia passar a andar em círculos, num “ata nem desata” que começou a aborrecer. Rita não tinha outro assunto que não fosse a briga para ficar com a filha. E Lígia teve momentos de pura apatia, chegando até a sumir em alguns capítulos. O autor poderia ter abordado algumas nuances nesta trajetória. Por exemplo, se Rita conseguisse a guarda provisória, a briga se inverteria, trazendo novos conflitos. Mas isso nunca aconteceu. A batalha foi levada em banho-maria.

Por conta disso, Toda Forma de Amar mudou de rumo com a chegada de Rui (Rômulo Neto), o pai biológico de Nina, e que assumiu as vilanias na reta final. Bandido perigoso, o vilão tocou o terror, ameaçou meio mundo e esteve envolvido no sumiço da mocinha. E foi aí que Malhação mostrou o quanto já não tinha trama. Rita ficou mais de um mês desaparecida, num sequestro que nunca se justificou. Ali ficou claro que a história não tinha mais para onde ir e estava apenas ganhando tempo até maio chegar, quando a trama terminaria.

Porém, a pandemia de coronavírus se revelou o grande vilão desta temporada. A decisão de encerrar a trama um mês antes fez com que a história tivesse um fim atropelado, mesmo em meio à enrolação. O sequestro de Rita foi resolvido sem qualquer emoção, e a cena final foi focada em Rita e Filipe narrando os finais dos personagens. Malhação ganhou seu momento Brida, a novela da Manchete que teve seu final narrado em meio a cenas de arquivo (Metamorphoses, da Record, também terminou assim, diga-se).

Obviamente, encerrar Malhação antes da hora, dado o contexto, foi a melhor solução no momento. Porém, esta situação só reforça uma antiga impressão: Malhação está apostando em temporadas longas demais. Vidas Brasileiras, a trama anterior, já sofreu deste mal, mesmo apostando em histórias pontuais. E Toda Forma de Amar deixou isso ainda mais claro. A emissora poderia apostar em temporadas que durassem menos de um ano, como uma novela tradicional. Viva a Diferença foi assim: durou menos de um ano e a trama rendeu o que tinha que render neste período.

Claro, ninguém poderia prever este caos mundial que estamos vivendo. Mas, se a previsão de Toda Forma de Amar fosse de menos capítulos, a emissora teria um problema menor para resolver. E, talvez, não se visse obrigada a radicalizar tanto neste desfecho pouco digno.

André Santana

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Em tempos de paralisação, Globoplay e Globosat "salvam" Globo

"Na luta!"

Sem dúvidas,o projeto de integração entre todas as plataformas e canais do Grupo Globo, o Uma Só Globo, veio em boa hora. Afinal, um dos objetivos do plano, além de diminuir custos com a integração de funções, é promover um maior “intercâmbio” entre os produtos. Não é de hoje que produções dos canais pagos da Globo, como Multishow, Viva e GNT, já encontraram na Globo aberta uma segunda janela. Mas a coisa deve aumentar agora, com as produções paralisadas em razão da pandemia de coronavírus. Com isso, o canal aberto deve continuar oferecendo novidades, mesmo sem produzir nada de novo neste momento.

Um exemplo disso é o Música Boa ao Vivo, produção do Multishow que a Globo exibirá a partir deste sábado, 04. Com o nome Música Boa, o programa apresentado por Iza promove encontros musicais variados, com três palcos e artistas diversos cantando ao vivo. Música Boa foi recrutado para tapar o buraco das tardes de sábado, já que o SóTocaTop Verão chegou ao fim, e seu sucessor, o Simples Assim de Angélica, foi adiado.

A grade de abril da Globo também prevê a exibição da primeira temporada de Aruanas, produção original Globoplay. Com Taís Araújo, Débora Falabella, Leandra Leal e Camila Pitanga, a ótima produção conta a história de uma ONG que luta contra uma empresa que provoca tremendos estragos ambientais. Com isso, enquanto o público está privado de ver Vitória (Taís Araújo) lutando contra Álvaro (Irandhir Santos) em Amor de Mãe, pode acompanhar Taís vivendo outra advogada, a Verônica, também lutando contra a destruição do meio ambiente.

Aruanas assume a primeira linha de shows da Globo às terças-feiras, assim que o BBB chegar ao fim. Inicialmente, este horário estava reservado à segunda temporada de Segunda Chamada, que também teve as gravações suspensas por conta da pandemia. Além da produção brasileira, a Globo também sacará séries estrangeiras do Globoplay para preencher sua linha de shows. Manifest será exibida às terças a partir do próximo dia 07, enquanto SWAT será o próximo cartaz da Sessão Globoplay, nas noites de sexta. Às quintas, Mestre do Sabor, parceria Globo/GNT, será exibido normalmente, já que foi gravado antes da paralisação.

Mesmo com todas estas novidades “compartilhadas”, a Globo não escapará de exibir reprises. A emissora reprisará episódios do Zorra nas noites de sábado, enquanto reapresentará episódios de Tamanho Família nas tardes de domingo. Provavelmente, a opção se dará para não mexer no hábito do público. Mas bem que estas faixas poderiam abrigar produções da TV paga também, né?

André Santana

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Com pausa nas produções, Adriane Galisteu terá que esperar

Aguardemmmm

Na semana passada, falamos aqui sobre Angélica, que viu sua aguardada volta ao ar ser novamente adiada, desta vez em razão da pandemia de coronavírus, que parou as produções da TV. Além dela, outra apresentadora terá que esperar mais um pouco para o seu aguardado retorno: Adriane Galisteu. A loira estava prestes a ser anunciada pela Record como a nova comandante do Power Couple, mas o reality show acabou tendo sua produção suspensa.

Adriane enfrenta uma “geladeira” ainda mais longa que a de Angélica, já que não tem um programa para chamar de seu na TV aberta desde o reality show Quem Quer Casar com Meu Filho?, exibido pela Band em 2014. Depois disso, a apresentadora passou por diversos programas na TV paga, além de emplacar participação na Dança dos Famosos e na novela O Tempo Não Para, na Globo. Mas ela nunca escondeu de ninguém que sua preferência é apresentar.

Mas o adiamento tem um motivo justo. Afinal, em tempos de pandemia, não é o momento de se produzir um novo reality show de confinamento. O fato vem mexendo com o cronograma de todas as emissoras, e com a Record não é diferente. Tanto que o canal também suspendeu as produções de Canta Comigo, Canta Comigo Teen e Dancing Brasil, além do novo A Ilha. Top Chef já havia iniciado as suas gravações, que foram suspensas e serão retomadas apenas quando passar este período crítico. E A Fazenda, como é feita no segundo semestre, ainda está confirmada. Espera-se que, até lá, a situação já esteja melhor.

Com isso, Adriane segue solta no mercado. Como ela ainda não havia assinado o contrato, que era por obra (ou seja, seu vínculo com a Record seria apenas durante a produção do Power Couple), ela ficará mais um pouquinho em compasso de espera para seu retorno à TV aberta. Uma pena, claro, mas absolutamente compreensível.

Aliás, a Record tem usado as mudanças causadas pela pandemia para se livrar de alguns incômodos. Como o novo domingo não deu certo, a emissora aproveitou para realocar o The Four de volta às quartas e suspender o Hoje Em Dia dominical. Agora, o canal anunciou a suspensão do Domingo Show, após apenas quatro semanas. A emissora seguirá exibido o Made in Japão, reality da atração que já está todo gravado, mas nas noites de sábado. E Sabrina deve voltar para a geladeira depois disso. Provavelmente, será mais uma a se tornar apresentadora de formatos. Triste fim, mas era previsível.

André Santana