sábado, 1 de fevereiro de 2020

"Salve-se Quem Puder" devolve pastelão infantil ao horário das sete

CORRAO!

Daniel Ortiz foi um dos principais lançamentos da Globo no horário das sete dos últimos anos. O autor emplaca sua terceira obra na faixa deixando claro que tem estilo. Mesmo tendo desenvolvido ideias que não eram necessariamente sua em suas tramas anteriores (Alto Astral foi baseado em sinopse de Andrea Maltarolli e Haja Coração era um remake reinventado de Sassaricando), o autor deixou uma impressão digital muito forte, e que vai ao encontro do que o público do horário espera. Tal estilo pode ser constatado em Salve-se Quem Puder, sua nova incursão na faixa e sua primeira obra 100% original.

Na nova novela, a ordem é carregar nas tintas. Ortiz é dono de um texto direto, sem muita sutileza, e com um humor ingênuo e quase infantil. Trata-se de uma fórmula que funciona muito bem no horário, tendo em vista que a faixa abrigou vários sucessos que bebiam desta fonte. Além das novelas anteriores do autor, o estilo também foi visto recentemente em Pega Pega, de Claudia Souto, também adepta da fórmula. Além, claro, das novelas das sete de Walcyr Carrasco, como Caras & Bocas e Morde & Assopra, que foram grandes sucessos do horário na década passada.

Salve-se Quem Puder estreou com jeitão de superprodução. Para unir as três protagonistas da obra, Luna (Juliana Paiva), Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada), a trama já começou com um furacão em Cancun, no México (e a emissora volta a produzir início de novelas fora do país, prática que andava abandonada... a retomada, então, mostra que o canal aposta alto na história). Sem dúvidas, foi uma sequência muito bem produzida e cheia de emoção e reviravoltas. As três jovens se conhecem num hotel do lugar, testemunham o assassinato de um importante juiz e se veem tendo que fugir da perseguição da grande vilã Dominique (Guilhermina Guinle).

Porém, para apresentar suas protagonistas e sua história, o autor não deu margem a sutilezas e nem dúvidas. Sobretudo na apresentação de Alexia e Kyra, duas heroínas puxadas para o humor, o tom “over” impregnou as cenas. Assim, Alexia foi vista como uma “devoradora”. Já Kyra apareceu tão atrapalhada que passou do ponto. Apenas Luna teve uma apresentação menos carregada nas tintas. O que deixou claro que é ela a heroína romântica do enredo. Ou seja, Ortiz aposta no pastelão, ressaltado pelo tom teatral das interpretações e da direção de Fred Mayrink, um “pupilo” de Jorge Fernando.

Salve-se Quem Puder tem uma boa premissa em mãos. Na história, depois de testemunharem um assassinato, as três heroínas serão incluídas num programa de proteção à testemunha e são obrigadas a abandonarem suas vidas. Elas, então, mudam de identidade e vão morar numa fazenda. Ali, deverão passar por uma série de situações cômicas, tentando se adaptar a uma nova realidade, até que decidirão retornar às vidas anteriores. É uma premissa que tem boas possibilidades de comédia, que é o que busca o autor. E, vale constar, ela lembra bastante Pé na Jaca (2006), trama de Carlos Lombardi na qual o personagem de Murilo Benício, Arthur Fortuna, se vê falido e é obrigado a trocar sua vida urbana por uma fazenda caindo aos pedaços no interior de São Paulo.

Aliás, em entrevistas, Daniel Ortiz definiu sua trama como um resgate da novela das sete clássica. Bebendo da fonte de nomes como Cassiano Gabus Mendes, Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, de quem é discípulo, o novelista prometeu uma trama recheada de ação e comédia. Porém, no que foi visto até aqui, sua novela está mais para Walcyr Carrasco, novelista conhecido pelo excesso de didatismo, do que de suas demais “inspirações”. Afinal, os outros autores também apostavam no pastelão, mas vinham com uma comédia um tanto mais sofisticada. Já Salve-se Quem Puder aposta numa trama mais simples, repetindo os principais clichês do gênero.

Porém, o grande acerto de Salve-se Quem Puder, que pode fazer a novela render, é seu elenco bem escalado. Deborah Secco, experiente, dá credibilidade a uma personagem que poderia cair no ridículo. Já Vitória Strada mostrou um surpreendente timing cômico. Ela dá graciosidade à Kyra. Enquanto isso, Juliana Paiva emplaca mais uma mocinha, tipo que lhe cai bem. Tudo isso como embalagem de uma trama leve e de fácil digestão. Ou seja, Salve-se Quem Puder tem tudo para agradar a audiência do horário.

André Santana

2 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Comentarei sobre os primeiros capítulos de Salve-se Quem Puder no meu blog neste domingo.... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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