sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

"Betty em NY": SBT só não está morto porque tem "Novelas da Tarde"

"Eu sou assim!"
Enquanto praticamente todos os programas de entretenimento do SBT estão tocando suas vidinhas com reprises intermináveis, o “setor de novas aquisições” da emissora a “salvou” de ser o único canal aberto a não lançar nada em janeiro. Na última segunda-feira, 27, a emissora lançou Betty, a Feia em NY, uma nova versão da clássica novela de Fernando Gaitán. Sim, é uma “nova velha novidade”, mas a trama tem suas qualidades e veio num ótimo momento.

Betty em NY traz de volta os personagens já conhecidos de quem viu a versão original, novela colombiana que foi exibida por aqui em 2002 na RedeTV. Agora, Betty (a ótima Elyfer Torres) é filha de imigrantes latinos em Nova York, onde estudou e tem um currículo invejável. Porém, sua aparência fora dos padrões faz com que ela não consiga se colocar no mercado de trabalho. Por isso, acaba aceitando um cargo abaixo de sua qualificação, se tornando secretária de Armando (Erick Elías), presidente de uma grande empresa do mundo da moda. Assim, Betty se verá num contraste entre o mundo de aparências e de seus reais valores. Além disso, se torna parceira de Armando, numa relação que se tornará amor.

Betty em NY é uma produção da estadunidense Telemundo, emissora voltada ao público latino que vive nos EUA. Trata-se de um remake de Betty, a Feia, mas é um remake muito bem-feito e atualizado. A nova versão não apenas transporta a ação para NY, como o título sugere, mas também traz a abordagem da temática com um olhar mais antenado com a contemporaneidade. Aqui, Armando aparece mais humanizado e menos “canalha”. Enquanto isso, Betty aparece mais natural, sem aquela forçada na barra em seu visual e, consequentemente, em sua transformação no decorrer da obra. No mais, a história ainda abusa do humor, numa comédia romântica bastante divertida e com sacadas inteligentes.

Interessante notar que, apesar de Betty, a Feia já ter sido vista e revista por aqui, sua história é sempre magnética e atrai a audiência. Por aqui já vimos a original colombiana, além das versões mexicana (A Feia Mais Bela), estadunidense (a série Ugly Betty) e a brasileira (Bela, a Feia, coprodução Record e Televisa, que foi reprisada recentemente, e com sucesso). Todas registraram bons índices de audiência. Betty em NY parece ir no mesmo caminho, elevando o público da faixa Novelas da Tarde e se tornando uma interessante alavanca para a programação noturna da emissora.

Além disso, Betty em NY imprime um ar de novidade às Novelas da Tarde do SBT. A faixa vinha sendo tomada por reprises e tramas pouco expressivas da Televisa. Agora, vem com uma produção mais moderna (o capricho visual de Betty em NY chama a atenção) e divertida. Pode ser a chance de o SBT perceber que há outros parceiros possíveis para a compra de novelas, já que a Televisa não emplaca um fenômeno por aqui há tempos. A Telemundo tem um pacote de novelas que vem se destacando mundo afora. Quem sabe as relações entre ela e o SBT se estreitam a partir de um possível sucesso de Betty em NY?

André Santana

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Nova grade dominical da Record pode ser um tiro no pé

"Não veja Chaves, veja eu!"
Recentemente, a Record anunciou que The Four Brasil, de Xuxa Meneghel, passaria a ser apresentado nas noites de sexta, e não mais às quartas, como aconteceu no ano passado. Porém, poucos dias depois do anúncio, a emissora veio com outra novidade. Tratou de reservar aos seus realities semanais as noites de domingo, na faixa das 18 horas, depois de Hora do Faro. Será neste horário que exibirão The Four, Dancing Brasil e Canta Comigo em 2020. O pacote de novidades também inclui uma edição dominical do Hoje Em Dia.

As mudanças vêm embaladas pela estreia do novo Domingo Show. Sabrina Sato assume a faixa que era de Geraldo Luís a partir do dia 8 de março, numa atração que será exibida das 11h às 14h. Antes dela, César Filho, Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro se revezarão num “plantão” do Hoje Em Dia, que será exibido das 9h às 11h. Mais tarde, Hora do Faro muda de horário, e passa a ir ao ar das 14h às 18h, entregando para o The Four. Depois de Xuxa, segue o Domingo Espetacular, a partir das 19h45.

Trata-se de uma estratégia de guerrilha da emissora. Depois de nadar de braçadas com seus Domingo Show e Hora do Faro há alguns anos, a Record viu a vice-liderança dominical passar para o SBT. Isso aconteceu quando a emissora enxugou o Domingo Show e, pouco tempo depois, o SBT turbinou o Domingo Legal, com mais tempo e novos quadros no programa de Celso Portiolli. Assim, Domingo Legal viu seus índices crescerem, aumentando também a entrega para o Eliana, que conseguiu passar Rodrigo Faro. Ou seja, as mudanças são um contra-ataque da Record.

No entanto, trata-se de uma estratégia de alto risco. Primeiro, porque vão mexer no horário do Faro, que é praticamente o mesmo desde a estreia. Segundo, porque vão novamente apostar no Hoje Em Dia aos domingos. Num passado distante, o matinal tinha edições aos finais de semana, e contava até com um “time B” de apresentadores para os sábados e os domingos. Mas não deu certo. E neste horário, vale lembrar, o SBT exibe o bom e velho Chaves, um adversário peso-pesado e difícil de derrubar.

Como se não bastasse tudo isso, a emissora vai jogar para os domingos, numa concorrência direta com o Domingão do Faustão, realities que nunca apresentaram grandes resultados. The Four, Canta Comigo e Dancing Brasil tiveram desempenho apenas OK nas noites de quarta. Acreditar que estes formatos poderão reagir aos domingos me parece ingenuidade. Fora que a emissora promoverá um embate de competições de dança, já que o Dancing Brasil deve bater de frente com a Dança dos Famosos. A verdade é que os formatos de Xuxa, assim como o Canta Comigo (que ainda não tem novo apresentador definido e terá uma edição teen este ano, além da tradicional), não devem ter fôlego diante de Eliana e Fausto Silva. A Record, provavelmente, vai queimar cartucho com a manobra.

André Santana

sábado, 25 de janeiro de 2020

"Bom Sucesso" mostra que é possível ser popular com inteligência

Todo carnaval tem seu fim

Bom Sucesso terminou ontem, 24, como começou. A história de Paulo Halm e Rosane Svartman conseguiu agradar público e critica com uma história simples, mas que pegou pela emoção. A mistura entre vida, morte e literatura revelou-se acertada, sobretudo no trato sensível e emocionante dado ao tema, encarnado por uma dupla de protagonistas encantadora e que funcionou desde o início. Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes), por meio de uma amizade improvável, trouxeram belas lições ao público. E isso fugindo da pieguice e do chororô gratuito.

Bom Sucesso foi toda construída em torno de um tema difícil. Com seus protagonistas, a novela tratou da efemeridade da vida, e como os bons momentos são fundamentais para uma vida plena e feliz. Pode parecer piegas, mas esta temática foi trabalhada de maneira tão delicada e terna, que se tornou irresistível. A alegre Paloma e o rabugento Alberto, o livreiro com os dias contados, formaram uma dupla adorável, que funcionou divinamente. Não somente o texto os uniu de maneira eficiente, como a boa química entre Grazi e Fagundes fez a dupla funcionar.

Obviamente, Bom Sucesso não abriu mão dos indispensáveis clichês. Paloma, apesar de parecer de “carne e osso”, foi a típica mocinha, envolvida num infalível triângulo amoroso. A relação da heroína com Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior) teve seus percalços e ganhou a torcida da audiência. Mais uma vez, a dupla de autores foi feliz na construção dos protagonistas, já que tanto Marcos quanto Ramon tinham suas inseguranças e imaturidades, mas foram transformados por Paloma.

A leveza característica de Bom Sucesso fez parte do público estranhar quando a novela das sete aumentou a dose de violência. Inicialmente, crimes e tiros se tornaram mais constantes quando foi iniciado o plot de Elias (Marcelo Faria). O ex-marido de Paloma retornou dos mortos para infernizar a heroína e seus filhos, cometendo muitas barbaridades. A sequência teve direito a perseguições e trocas de tiros, culminando com a morte de Elias.

O problema deste momento de Bom Sucesso foi a falta de sintonia com a obra. A história caminhava por caminhos menos tortuosos, sendo levada por personagens tridimensionais. No entanto, quando Elias surgiu, a trama se tornou sombria e maniqueísta, como numa novela à parte. Ficou claro que a história, embora prevista, surgiu apenas para fazer a novela durar mais. Não convenceu.

O plot envolvendo Elias aconteceu num momento em que Diogo (Armando Babaioff), o “vilão oficial” da novela, desapareceu por alguns capítulos. O sumiço serviu para que ele retornasse poderoso, instalando um clima de vingança no ar. Mais uma vez, parte do público reprovou a condução da história. No entanto, neste caso, o plot não pareceu desconexo. Diogo sempre foi um vilão com um pé na caricatura. Sendo assim, pareceu natural o processo de “enlouquecimento” do malvado. Sim, é um clichê folhetinesco o vilão enlouquecer na reta final da novela, mas Bom Sucesso nunca tentou fugir de clichês. Apenas buscou utilizá-los ao seu favor. Foi o caso. Diogo foi um ótimo vilão e Armando Babaioff fez um trabalho excepcional.

Bom Sucesso também ficará marcada na carreira de outros atores. Grazi Massafera fez, aqui, seu trabalho mais consistente, já que é bem mais difícil convencer como uma mulher comum. Antonio Fagundes, depois de vários trabalhos no piloto automático, entregou aqui um trabalho de composição irretocável. Tanto que a dupla funcionou e foi o grande trunfo da novela.

No entanto, há mais trabalhos para destacar. Romulo Estrela, David Junior, Fabiula Nascimento (Nana), Lúcio Mauro Filho (Mário), Sheron Menezzes (Gisele), Helena Fernandes (Eugênia) e Carla Cristina Cardoso (Lulu) merecem menção. Ingrid Guimarães (Silvana Nolasco) repetiu um tipo que costuma fazer sempre, mas vamos combinar que é um tipo que ela faz muito bem. Foi divertida. Participações luxuosas, como as de Marisa Orth (Isadora), Jonas Bloch (Eric Feitosa), Lavínia Vlasak (Natasha) e Suzana Pires (Virgínia), também foram acertos. Além, claro, da dupla mirim: Valentina Vieira (Sofia) e João Bravo (Peter) emocionaram.

Tantos acertos só poderiam resultar num sucesso incontestável. Em tempos um tanto estranhos como o que vivemos, é sempre um alento constatar que uma obra que valorizou a cultura e os bons sentimentos tenha tido uma receptividade tão boa. Bom Sucesso mostrou que uma novela pode arrebatar com simplicidade, emoção, clichês bem trabalhados e, sobretudo, que qualquer tema pode render uma boa história, se trabalhado com Inteligência. Além disso, provou que uma boa novela pode ser popular sem cair no popularesco, e que se pode falar de cultura para as massas de maneira acessível, sem parecer pedante. Foi um grande acerto, em todos os sentidos. Que bom!

André Santana

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

RedeTV dispensa Olga Bongiovanni e monta grade estranha

É o fim...
A RedeTV finalmente divulgou sua nova grade de programação que passa a valer a partir da semana que vem, quando estreia o famigerado programa de Sikera Jr. na faixa das 18 horas. Sabia-se que algum programa poderia ser extinto nessa “brincadeira”: sobrou para o Olga, de Olga Bongiovanni. A apresentadora fica no ar até segunda-feira, 27, e, depois, cede a faixa do meio-dia para o Tricotando, que muda de horário. O site Observatório da TV adiantou as novidades em primeira mão, que depois foram confirmadas pela assessoria da emissora.

Inicialmente, acreditava-se que era o esportivo Papo de Bola que seria extinto, enquanto Tricotando dividiria as manhãs com o Você na TV e Edu Guedes e Você. No entanto, a direção da emissora considerou que o Papo de Bola tinha um retorno comercial interessante, ao contrário do Olga, que não empolgou o mercado publicitário. Sendo assim, a RedeTV optou por exibir o Papo de Bola nas manhãs, passar Lígia Mendes e Franklin David para a hora do almoço e dispensar Olga Bongiovanni.

Assim, Olga Bongiovanni deixa a RedeTV nove meses depois de seu retorno à emissora. Um retorno que foi celebrado por este blog, em razão do talento e da credibilidade de Olga, uma baita profissional de TV. Mas, como dissemos aqui na lista dos destaques positivos de 2019, Olga voltou num programa muito aquém de sua capacidade. Uma atração curta, sem criatividade e cheia de merchandising, que interrompia os assuntos a toda hora. Não por acaso, o programa Olga era o menos visto dentre os programas produzidos pela emissora. Olga Bongiovanni foi muito mais feliz no Bom Dia Mulher, atração que comandou em sua primeira passagem pelo canal. Uma pena. Uma pena mesmo.

Sem Olga, as manhãs da RedeTV vão ficar estranhas. Papo de Bola ganha mais tempo no ar, das 8h30 às 9h45. Você na TV entra na sequência, das 9h45 às 10h45. Edu Guedes e Você permanece onde está, seguido do Tricotando, das 12h às 13h. É realmente algo inusitado uma rede de TV aberta apostar num programa esportivo tão cedo. O mais lógico seria encaixá-lo às 12h. Mas o canal pode ter considerado ser uma alternativa, ao invés de ser mais um a ter programa esportivo na hora do almoço. De repente…

Enquanto isso, Sikera Jr. apresentará seu Alerta Nacional a partir de terça-feira, 28, das 18h às 19h30. O programa, que será produzido em Manaus pela TV A Crítica, terá a missão de alavancar o RedeTV News, que até hoje não emplacou na faixa das 19h30. O canal já tentou de tudo no horário, de fofoca a desenho, de policial a esportivo. Agora vai de sensacionalismo mesmo. Sikêra bomba no Amazonas. Será que repetirá o sucesso no país todo? Medo…

André Santana

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Tiago Leifert ou Rodrigo Faro podem substituir Huck na Globo, diz revista

"Quem quer ser presidente? E quem
quer um programa no sábado à tarde?"
Enquanto Luciano Huck não resolve se vai pra política ou não, seguem as especulações sobre o que acontecerá com seu programa na Globo. Afinal, o apresentador já foi avisado que, se resolver sair candidato, terá que deixar o comando do Caldeirão do Huck. Segundo consta, Huck tem interesse em concorrer à Presidência da República em 2022. Sendo assim, a direção da Globo tem alguns poucos anos para resolver como tapar o buraco que pode vir a ser deixado por Luciano, que comemora 20 anos à frente do Caldeirão do Huck em abril deste ano.

Ainda há algum tempo e, sendo assim, muita água pode rolar por debaixo desta ponte. No entanto, segundo o site da revista Veja, dois nomes despontam como favoritos ao posto: Tiago Leifert e Rodrigo Faro. O primeiro sinalizaria uma solução caseira, tendo em vista que Leifert é, hoje, um dos principais apresentadores da Globo. Já Faro significaria que a emissora pode buscar um nome do mercado, e consideraria o sucesso comercial do apresentador da Record.

Se optasse por Tiago Leifert, a emissora criaria mais problemas para ela. Apesar de ser uma escolha natural, tendo em vista o status que o jovem tem hoje na casa, a chegada de Tiago Leifert às tardes de sábado significaria que o jornalista teria que deixar suas demais atrações. Ou seja, a Globo teria nada menos que três programas sem apresentador se Tiago fosse o escolhido. Claro, o Zero1 é um espaço autoral, que poderia ser extinto, ou até absorvido pelo novo programa. Mas Big Brother Brasil e The Voice Brasil não devem deixar a programação da Globo tão cedo, e a emissora teria que buscar novos apresentadores para eles.

Já Rodrigo Faro parece ser o nome mais cotado no que se refere à questão comercial. O apresentador é (ou, ao menos, era) muito bem quisto no mercado, o que agregaria prestígio ao possível novo programa de sábado da Globo. No entanto, Faro não vive seu melhor momento junto ao público e ao Ibope. Seu Hora do Faro vem se posicionando atrás do Eliana, do SBT, e atitudes do apresentador, como perguntar sobre o Ibope enquanto homenageava Gugu, ajudou a desgastar sua imagem junto ao público. Ou seja, a não ser que este cenário mude, neste momento o nome de Faro me parece pouco provável.

O caso é que a Globo terá um problema grande em mãos se Luciano Huck realmente deixar a emissora. Caldeirão do Huck é o programa de sábado mais bem-sucedido da Globo desde o Cassino do Chacrinha, nos anos 1980. Ou seja, não é pouca coisa. E, verdade seja dita, solução caseira não caberia aqui. A emissora conta com apresentadores que parecem não combinar com o espaço, como André Marques ou Marcio Garcia (que até poderia ser um nome, mas parecia meio desanimado em seus últimos programas). E fora dali, há poucos nomes de destaque nos auditórios, que parece um formato próximo da extinção. Duh Secco, colunista do RD1, sugeriu em sua coluna o nome de Celso Portiolli, que realmente vive uma ótima fase no SBT. Além dele, apenas Eliana parece adequada para a vaga, já que costuma apostar em atrações semelhantes às do Caldeirão em seu programa. No entanto, ambos têm a imagem muito associada ao SBT. Será? 

André Santana

sábado, 18 de janeiro de 2020

"Chacrinha" foi boa produção, mas formato começa a cansar

"Alô Terezinha!"

No começo do ano da Globo nunca faltam um novo BBB e, ao menos, uma minissérie oriunda de um filme. 2020 não começou diferente. Na última semana, enquanto o canal não inicia a 20ª edição do reality, a atração foi Chacrinha – A Minissérie, produção em quatro capítulos que é, na verdade, uma versão “vitaminada” e fatiada do filme Chacrinha – O Velho Guerreiro, lançado em 2018 nos cinemas, com direção de Andrucha Waddington.

Boa produção, a minissérie contou uma história envolvente. Mostrou Chacrinha de uma maneira interessante, ressaltando sua genialidade diante das câmeras, mas seu temperamento muito difícil nos bastidores. A série começa num momento tenso da carreira do apresentador. Logo em suas primeiras cenas, Chacrinha (Stepan Nercessian), aparece irritado com Boni (Thelmo Fernandes), então o “todo-poderoso” da Globo. Após uma discussão calorosa, o apresentador pede demissão da emissora e anuncia sua transferência para a Tupi. A partir daí, a série volta no tempo e conta a história do jovem Abelardo (Eduardo Sterblitch), sua chegada ao Rio de Janeiro e seu início no rádio.

A partir daí, a minissérie conta a trajetória do comunicador em ordem cronológica, mostrando sua estreia na televisão, sua troca de canais e as polêmicas nas quais se envolveu nos bastidores. A série até narrou, mesmo que de maneira superficial, algumas polêmicas aos quais Chacrinha se envolveu, como as acusações de cobrar “jabá” aos artistas que participavam de seus projetos, ou um possível romance com a cantora Clara Nunes (Laila Garin). Chacrinha também retratou a difícil relação do animador com sua família.

Chacrinha, então, foi uma série eficiente sobre um personagem importante da história da TV brasileira. Mais do que isso, trouxe um recorte do início da televisão brasileira, uma história que sempre encanta. Além disso, contou com um elenco interessante. Stepan Nercessian parece ter nascido para viver Chacrinha, tamanha sua semelhança. Enquanto isso, Eduardo Sterblitch surpreendeu como o jovem Abelardo. O ator e humorista parece se apagar por completo, dando espaço ao personagem com absoluto vigor.

O único problema de Chacrinha – A Minissérie é que ela repete o formato de séries/filmes anteriores mostrados pela Globo. Mais uma vez, para fazer render o material do filme, a solução foi inserir material documental, com imagens verdadeiras dos programas de Chacrinha e depoimentos de figuras importantes que passaram pela história do artista, como o próprio Boni. Em meio a tudo isso, uma entrevista ficcional do próprio Chacrinha, vivido por Eduardo Sterblitch. Ou seja, trata-se da mesmíssima solução que a emissora utilizou em Elis – Viver É Melhor que Sonhar, do ano passado, que trouxe a narrativa do filme costurada por uma entrevista fake com Andreia Horta, intérprete da protagonista.

Neste sentido, Hebe, por enquanto relegada ao GloboPlay, é um case de sucesso. A minissérie não só utiliza material do longa dos cinemas, como vai além, com muito conteúdo inédito, o que a torna bem melhor que o filme. Hebe poderia servir de referência às próximas séries oriundas de filmes, para que a fórmula não fique cada vez mais batida e previsível.

André Santana

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Record cria novo reality, adia Sabrina e joga “The Four” no lixo

"Quarta não, sexta!"
A Record finalizou 2019 avisando da renovação de seus principais reality shows. A emissora confirmou novas temporadas de Troca de Esposas, The Four, Power Couple, Top Chef, Dancing Brasil, A Fazenda e Canta Comigo. Por isso, a expectativa era a de que não haveria mudanças na linha de shows da emissora. Porém, as informações que correm neste início de 2020 é que o canal vai, sim, trazer novidades. Umas interessantes, outras nem tanto.

Hoje, 16, o Notícias da TV informou que a Record apostará num reality show novo, de formato criado por ela própria. Com o nome provisório de A Ilha do Tesouro, a atração confinará famosos numa ilha, onde passarão por diversas provas. Segundo a matéria, trata-se de uma ideia concebida por Marcelo Silva, vice-presidente artístico e de programação da Record, e que será implantada por Rodrigo Carelli, diretor do núcleo de realities da emissora. O NTV informou também que não se trata de um reality de sobrevivência, e sim uma competição com provas (ou seja, um "Big Brother na ilha"). A Ilha do Tesouro deverá ser diária, exibida no intervalo entre o final de Power Couple e o início de A Fazenda, ou seja, entre julho e setembro.

Além de um novo reality diário, a emissora também parece disposta a mudar a exibição dos realities semanais. Troca de Esposas, atualmente em reprise, terá uma nova temporada lançada em 05 de fevereiro. E ocupará as noites de quarta-feira, considerado a “faixa nobre” dos realities da Record. No ano passado, Troca de Esposas era exibida às quintas-feiras, enquanto a noite de quarta pertencia ao The Four, de Xuxa Meneghel. No entanto, neste ano, o The Four passará para as noites de sexta-feira. A estreia está marcada para 14 de fevereiro.

A mudança favorece o Troca de Esposas, um bom reality que tem bastante potencial para atrair mais público. Na quarta, ele estará mais visível, concorrerá com o futebol (algo que sempre favorece os programas de variedades) e fugirá do confronto com A Praça É Nossa, nome forte da linha de shows do SBT. Mas, ao mesmo tempo em que a mudança ajuda o programa de Ticiane Pinheiro, vai afundar o The Four. Afinal, sexta é dia de share baixo. Nada do que a Record tenta emplacar ali dá certo. A última tentativa foi o Legendários, que teve um fim melancólico ao trocar a noite de sábado pela sexta. Se o The Four não foi um estouro de audiência nem às quartas, imagine às sextas, dia de share baixo?

E como reality show pouco é bobagem, a Record vai abusar do formato até no novo programa de Sabrina Sato. O novo Domingo Show será um programa de variedades com diversos quadros, que apostarão basicamente no arroz-com-feijão dos auditórios: games, entrevistas e musicais. O carro-chefe será Made in Japan, uma mistura de game e reality no qual participantes famosos se enfrentarão em provas malucas que fazem menção à cultura japonesa. Ou seja, será mais um formato que a emissora usará para reciclar seus participantes de realities. Em tempo: previsto para fevereiro, o novo Domingo Show vai estrear em 8 de março. Ao menos apostará no entretenimento e na diversão, e não nos chororôs habituais.

André Santana

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Aguinaldo Silva e os novos rumos da dramaturgia da Globo

"Fui!"

Um dos assuntos que mais rendeu neste início de 2020 na TV foi a saída de Aguinaldo Silva da Globo, depois de 40 anos de bons serviços prestados. O novelista terá seu contrato encerrado no final de fevereiro e o acordo não será renovado. Com isso, o autor de sucessos antológicos, como Roque Santeiro, Vale Tudo, Tieta, A Indomada e Senhora do Destino, encerra um ciclo de muitos sucessos e alguns fiascos.

Muito já se falou sobre isso. Os principais críticos de TV analisaram a situação, que é pouco comum dentro da trajetória da Globo. Houve autores que deixaram a casa, ou se aposentaram. Há uns poucos casos de não-renovação por falta de perspectiva, como Antonio Calmon. Porém, dos veteranos do prime-time, até aqui, só aconteceram “afastamentos”, como Manoel Carlos, Gilberto Braga e Benedito Ruy Barbosa. Nunca uma dispensa, como aconteceu agora. Por isso, muitos apontaram o fato como consequência do fracasso de O Sétimo Guardião, última novela de Silva da Globo, que amargou baixa audiência, críticas pesadas e bastidores conturbados.

Entre tantas análises, uma das que me chamou a atenção foi a de Mauricio Stycer. O crítico do UOL lembrou que a Globo, de maneira geral, vive uma fase de transformações e corte de custos. E Aguinaldo Silva, veterano que é, tinha um alto salário. E, como se diz, a “era dos altos salários” na emissora já está acabando. Ou seja, a dispensa de Silva passa, também, por uma questão econômica. A emissora vem lançando novos autores, que são mais baratos, e começa a dispensar os veteranos, que já estão caros.

Porém, como explicar que Manoel Carlos (por exemplo) está “encostado”, enquanto Silva foi demitido? Afinal, ambos são do prime-time, com um histórico de sucessos incontestáveis, e que não foram felizes em suas últimas produções. Das duas, uma: ou Maneco e seus companheiros “das antigas” também devem ser dispensados ao final de seus contratos, ou o fracasso de O Sétimo Guardião pode ter pesado, sim, na decisão da emissora. Não o fracasso em si, já que todo autor tem seus erros. Mas a maneira como Silva lidou com ele, reclamando publicamente da direção e se recusando a mudar os rumos de sua história. Há quem diga que a relação entre autor e direção de dramaturgia (leia-se Silvio de Abreu) tenha se desgastado.

No entanto, ainda concordo com Stycer. Não é de hoje que a Globo tem dispensado figuras consideradas intocadas. Nos últimos anos, a emissora não renovou com vários atores, jornalistas, diretores e apresentadores. O corte, então, chega às novelas. Assim, acredito que mais novelistas veteranos sejam dispensados em breve. Uma pena, afinal, são profissionais extremamente bem-sucedidos, que em muito contribuíram na consolidação das novelas brasileiras. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma renovação natural do mercado. Há novos profissionais chegando, e alguns mais velhos não escondem o cansaço e a vontade de parar.

André Santana

sábado, 11 de janeiro de 2020

TV aberta não consegue se livrar das reprises de início de ano

"Só sei que foi assim"

Não tem jeito: entra ano e sai ano e as TV’s abertas brasileiras mostram que não sabem lidar com o período de férias. Basta janeiro entrar em cena para os canais usarem e abusarem dos tais “melhores momentos”, enfiando goela abaixo do espectador uma enxurrada de reprises de seus programas. Houve, num passado não muito distante, o cuidado de se deixar programas gravados para o período de férias, ou a substituição de programas de grade por atrações de temporada. Mas isso não existe mais. Em maior ou menor grau, todos os canais recorrem aos repetecos para suprirem suas grades de programação.

A Globo é a que mais investe em estreias no início do ano. Para janeiro, estão previstas as estreias da nova temporada do Big Brother Brasil, do humorístico Fora de Hora e da novela Salve-se Quem Puder. No entanto, até mesmo a “poderosa” não consegue resistir a uma repetição. Há tentativas de “disfarce” como o Lady Night, que é inédito na TV aberta, mas se trata de uma temporada já exibida no Multishow. Ao menos, é inédita para parte da audiência da Globo. Há também a minissérie Chacrinha, que é inédita na TV, mas se trata do filme sobre o apresentador, fatiado em quatro capítulos.

Mas, curiosamente, a emissora não resistiu a uma reprise logo na primeira semana de 2020. A Globo preteriu Hebe, minissérie cotada para abrir o ano, e optou por exibir O Auto da Compadecida, clássica microssérie exibida em 1999, e que foi editada para se tornar um longa-metragem em 2000, resultando numa das maiores bilheterias do cinema nacional. A Globo tratou o evento como uma comemoração aos 20 anos da série. Porém, em 2020, a minissérie completou não 20, mas 21 anos.

O repeteco de O Auto da Compadecida não chega a incomodar, afinal foi exibida há mais de 20 anos. Há uma geração que conhece apenas o filme, e nem sequer sabia que a produção era, na verdade, uma série de TV reeditada. Em razão da importância da obra, sua reprise anos depois foi oportuna, afinal, a qualidade da produção fala por si. E o público reagiu bem, e O Auto da Compadecida praticamente repetiu o sucesso de sua primeira exibição. Mas não deixa de mostrar que até a Globo não está imune às reprises de início de ano.

Na Record, a coisa também não é das melhores. A emissora reservou estreias em sua linha de shows para fevereiro e, assim, vai levando janeiro com reprises e tapas-buracos. Neste contexto, tratou de embalar conteúdo do Domingo Espetacular e criou o especial Mitos e Verdades, que vem sendo exibido às quintas-feiras. Às quartas, enquanto a nova temporada do Troca de Esposas não começa, o canal vem exibindo episódios da temporada de 2019, como um “esquenta”. Vale lembrar que a Record já havia reprisado o Troca de Esposas aos sábados no ano passado. Ou seja, é a reprise da reprise.

Mas, mudando de canal, a tendência é piorar. A RedeTV, que tem uma grade de programas de fofoca ao vivo, vira um “óasis” de reciclagem de conteúdo. É bem ruim assistir às fofocas repetidas de programas como A Tarde É Sua, Tricotando e TV Fama. A emissora costuma dar férias coletivas às suas produções entre o final de dezembro e início de janeiro, e o resultado é uma grade sucateada. Complicado.

E o SBT não fica atrás. TODOS os seus programas de entretenimento, com exceção do Fofocalizando, estão em fase de reprises. Dá-lhe repetecos de Programa do Ratinho, The Noite, A Praça É Nossa, Programa da Maisa, Programa Raul Gil, Domingo Legal, Eliana e Programa Silvio Santos. Há reprises também do Esquadrão da Moda e do Fábrica de Casamentos nas noites de sábado. E até o Topa ou Não Topa, que retornou há poucos meses, já faz uso do expediente de “melhores momentos”. Triste!

Ou seja, o espectador que está de férias e quer aproveitar a folga para assistir mais televisão, melhor desistir da ideia. Melhor recorrer ao cinema, ao streaming, ou ler um bom livro na praia mesmo. Porque assistir televisão é um teste de paciência.

André Santana

Começa hoje o TELE-VISÃO 2020


Depois de um breve período de descanso, enquanto revisitamos o ano de 2019 com os dois Top 10, o TELE-VISÃO inicia hoje a temporada 2020. Com a expectativa de fazermos mais um ano juntos, assistindo, comentando, analisando e criticando tudo o que nossa querida TV brasileira nos apresentar ao longo do ano.

A partir deste sábado, 11, o blog volta a ser atualizado ao longo da semana, normalmente às terças, quintas e sábados. Nestas atualizações, seguimos comentando os acontecimentos da telinha e, ainda, repercutindo o noticiário televisivo, analisando as notícias dos veículos especializados em TV. De quebra, seguiremos celebrando a história da TV, com posts especiais que relembram programas, emissoras e momentos da televisão brasileira.

Sábado segue sendo o “dia nobre” do TELE-VISÃO. É neste dia que o blog apresenta uma crítica mais longa e elaborada sobre as novidades da nossa TV. E, claro, todo dia é dia para que você leia, comente e se divirta com a gente aqui no TELE-VISÃO. Aqui, a ideia é que tudo se torne uma grande conversa sobre TV. Uma conversa cordial, agradável, com troca de ideias e informações.

Desde já, agradeço sua presença e participação neste humilde espaço. Que tenhamos um ano cheio de novas tele-visões! Bem-vindos ao TELE-VISÃO 2020!

André Santana

sábado, 4 de janeiro de 2020

Top 10 de 2019: destaques positivos


2019 não foi um ano de grandes destaques na TV brasileira. A crise econômica obrigou os canais a investirem menos, e o que se viu foi um festival de “mais do mesmo”. Assim, a lista de destaques do ano acabou trazendo muitas atrações que não são bem deste ano, mas que tiveram um ano feliz. Lembrando que a lista foi elaborada baseada unicamente na opinião deste que vos escreve e, portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- “Bom Sucesso”

A melhor novela de 2019. A trama de Paulo Halm e Rosane Svartmann foi muito feliz ao contar uma história simpática sobre o valor da vida. Protagonizada por dois personagens adoráveis e imperfeitos, Paloma (Grazi Massafera, em seu melhor momento) e Alberto (Antonio Fagundes em estado de graça), Bom Sucesso chama a atenção pelos personagens bem construídos, boas sacadas, diálogos inteligentes e, de quebra, a abordagem acessível e nem um pouco pedante do mundo da literatura. Mesmo com os excessos da reta final, Bom Sucesso termina em alta.

- “Segunda Chamada”
 
Segunda Chamada foi a grande surpresa no universo das séries nacionais na TV aberta. O drama da professora Lucia (Débora Bloch) e seus alunos do ensino para adultos da Escola Maria Carolina de Jesus traça um importante painel sobre as condições paupérrimas do ensino público nacional. A trama toca em pontos fundamentais da questão, e os personagens trazem dramas envolventes. Uma grande produção.

- “Sob Pressão”

Sob Pressão conseguiu manter o alto nível em sua terceira temporada. A saga dos médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) aumentou a carga dos dramas pessoais dos protagonistas, levando-os para novos lugares. Ao mesmo tempo, seguiu mostrando as dificuldades enfrentadas pelos profissionais e pacientes dependentes da saúde pública. Foi tão bem que o anunciado fim não aconteceu. A aclamação do público e da crítica levou Sob Pressão a emplacar uma quarta temporada. Felizmente.

- “Mais Você”

Em 2019, Mais Você completou 20 anos na programação da Globo. Uma marca respeitável para um programa que estreou cercado de incertezas. Entre erros e acertos, o matinal de Ana Maria Braga soube se reinventar sempre, mantendo o pique sem perder sua essência. Deste modo, tornou-se uma das atrações de variedades mais bem-sucedida da grade da Globo. E fez de Ana Maria Braga uma estrela indispensável da televisão brasileira.

- “Topíssima”

Topíssima esteve longe de repetir o sucesso de novelas como Chamas da Vida ou Vidas Opostas, produzidas nos áureos tempos das novelas da Record. Porém, mostrou que ainda existe vida fora da Bíblia dentro da dramaturgia da emissora. A autora Cristianne Fridmann, mais uma vez, mostrou habilidade na condução de um folhetim, além de ter criado um casal protagonista que funcionou muito bem. Sophia (Camila Rodrigues) e Antonio (Felipe Cunha) tinham a tal da “química”. E a boa receptividade empolgou a emissora a continuar investindo em novelas contemporâneas.

- “Programa da Maisa”

O fenômeno adolescente Maisa Silva finalmente conquistou um espaço para chamar de seu na programação do SBT. O Programa da Maisa estreou chamando a atenção ao colocá-la como uma jovem apresentadora de talk show, recebendo convidados diversos para bate-papos divertidos. Ao longo do ano, o programa acabou cansando por não conseguir se desprender de uma fórmula pronta, mas nada que não possa ser corrigido na próxima temporada. O mérito de trazer alguma novidade nas cansadas tardes de sábado já coloca o Programa da Maisa como uma das principais atrações do ano.

- “Troca de Esposas”

Surpreendentemente, a Record reservou alguma novidade em sua linha de realities em 2019. Neste contexto, se destaca o Troca de Esposas, que resgatou um dos melhores formatos já apresentados pela emissora no passado, o saudoso Troca de Família. Apesar de o formato não ser exatamente o mesmo, a proposta é semelhante: duas mães trocam de família ao longo de uma semana. Observar as diferenças entre os cotidianos das famílias participantes e as dificuldades de adequação fazem do Troca de Esposas um programa irresistível.

- “Tá no Ar – A TV na TV”

Um dos melhores humorísticos da atualidade chegou ao fim em 2019. O Tá no Ar encerrou sua trajetória na sexta temporada mostrando cada vez mais afinidade e inventividade no formato que brinca com os mais diversos programas da TV. Críticas ácidas, besteirol e muito humor marcaram a trajetória da atração, que, sem dúvidas, foi responsável por levar o humor da Globo a um outro lugar. Pelo conjunto da obra, merece figurar entre os destaques.

- “Que História É Essa, Porchat?”

No final de 2018, Fabio Porchat surpreendeu ao não renovar seu contrato com a Record e encerrou o divertido Programa do Porchat. Porém, seus projetos de 2019 mostraram que ele fez uma boa escolha. Agora na TV paga, no GNT, ele conseguiu emplacar um novo talk show, bem diferente do anterior. Que História É Essa, Porchat? surpreendeu por trazer um formato simples, mas que funciona. É muito divertido ver Porchat e seus convidados trocando histórias num bate-papo descontraído. Além de seu mostrar mais relevante que seu programa anterior, Que História É Essa, Porchat? também agregou conteúdo ao GNT, mostrando que o canal do Grupo Globo pode ir além da culinária e da decoração. Grande acerto.

- Olga Bongiovanni e Silvia Poppovic

2019 marcou o retorno de duas excelentes profissionais da TV à telinha em rede nacional: Olga Bongiovanni e Silvia Poppovic. Esta última foi uma das principais figuras da TV brasileira entre as décadas de 1980 e 1990, no comando do talk show que levava seu nome e que fez história na TV, e que estava há anos sem espaço. Já a primeira sempre se destacou à frente de programas femininos que apostavam em conteúdo que iam além do óbvio. Infelizmente, as duas voltaram em produtos que estão aquém de suas capacidades. O programa Olga, da RedeTV, segue apostando em mais do mesmo, e ainda não disse a que veio. Já Aqui na Band é uma cópia fora de hora do Hoje Em Dia. Ambas mereciam mais, mas vê-las de volta à TV já é alguma coisa.

E para você, internauta? Quais foram os destaques positivos de 2019 na TV? Deixe sua opinião! Eu volto no próximo sábado, dia 11, com o início do TELE-VISÃO 2020! Não percam!

André Santana