sexta-feira, 11 de outubro de 2019

História da TV: Conheça "Vila Esperança", infantil pouco lembrado da Record


Em agosto de 1998, a Record ainda tentava consolidar uma programação infantil. Depois do fim de atrações como Agente G e Mundo Maravilha, a emissora buscava uma nova atração capaz de atrair os pequenos. E resolveu apostar na boa dramaturgia infantil, lançando Vila Esperança, produzido pela Idea e protagonizado por Gérson de Abreu.

Vila Esperança levava o nome da vila onde se passava a história. Ali vivia o simpático Tio Du (Gérson), o dono de uma mercearia que era o grande amigo das crianças do lugar. Fabinho (Freddy Allan), Nanda (Tarcila Amorim), Juju (Carolina Alves), Guilherme (Cauã Souza), Zé Batata (Murilo Troccoli) e Mima (Daniela Marques) eram os pequenos, que brincavam e aprontavam todas na vila. Eles só paravam para ouvir as histórias do Vô Zico (Josmar Martins), o fundador da vila, e sua esposa, a vó Iza (Ana Maria Barreto). Eles também se divertiam com as invenções do professor Piragibe (Brian Penido), irmão do tio Du.

Juntos, os habitantes da Vila Esperança viviam uma história diferente a cada dia. A cada episódio, um assunto era abordado levando as crianças a refletirem sobre temas como ciúmes, solidariedade, preservação do meio ambiente, preconceito, amizade, tecnologia, voluntariado, orgulho, respeito às diferenças e mais de uma centena de argumentos. Além disso, eles tinham que enfrentar os vilões Mil Faces (Sergio Mastropasqua) e Meia Boca (Fabio Araújo), que tentavam semear a discórdia dentro da Vila Esperança.

Vila Esperança bebia da fonte do Castelo Rá-Tim-Bum, ao fazer de seu cenário uma porta para diferentes quadros, que costuravam uma história principal. Entre os quadros, não faltava a indefectível experiência de Gerson de Abreu, que fez fama ensinando as crianças a fazer brinquedos com sucata e experimentos científicos. Em Vila Esperança, ele seguia este expediente na pele do Tio Du, com o quadro Passo a Passo. Outro quadro era o Estela Natela, um programa que os personagens viam pela TV. Na atração, a repórter Estela Estelar (Lu Schievano) trazia reportagens curiosas e divertidas.

O programa foi criado por Betina Rugna e Marisa Martins, e era um projeto da produtora Idea e da ONG Parábola. O supervisor-geral do projeto, Jairo Silva, falou à Folha de S. Paulo de 30 de agosto de 1998 sobre a novidade. "É a história de uma vila onde moram vários personagens, que se encontram e vivem aventuras", explicou. Jairo apontava as boas intenções de Vila Esperança. "Será o primeiro programa com perfil de TV pública dentro de uma emissora comercial", disse.

Vila Esperança estreou no dia 31 de agosto de 1998, na faixa das 17 horas, e tinha seus episódios reapresentados no dia seguinte, às 10h. Com a estreia do programa, o enorme Note e Anote, que na época era apresentado por Ana Maria Braga e ocupava a tarde toda da emissora, perdeu uma hora de duração. Porém, colocar Vila Esperança entre o Note e Anote e o Cidade Alerta não se revelou uma boa ideia. Além disso, Eliana seria contratada pelo canal pouco tempo depois da estreia do Vila, e lançou seu Eliana & Alegria em outubro do mesmo ano. Com isso, as atenções da emissora se voltaram à loira, e Vila Esperança acabou jogada para escanteio, realocada para a faixa do meio-dia.

Mesmo assim, a série agradou a crítica, e Vila Esperança foi eleito o melhor programa infantil de 1998 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Mas o prêmio não foi o suficiente para manter a série no ar, e Vila Esperança foi exibida pela Record apenas até abril de 1999.

André Santana

6 comentários:

  1. Eliana tem génio forte, personalidade, todos sabem disso nos bastidores da TV, não duvido que nessa época ela pediu para a emissora só ter a atração dela de infantil

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não acredito que tenha sido isso. O programa estreou com um número de episódios encomendado e não foi renovado.

      Excluir
  2. Eu amava Vila Esperança! Na época, eu estudava à tarde, então, assistia às reprises pela manhã. Era um programa muito bem feito, com cara de TV Cultura ou Cartoon/Nickelodeon. Fora que ver Freddy Allan no Vila remetia aos bons tempos do excelente Castelo Rá-Tim-Bum, como o eterno Zequinha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou me mandar rapidinho lá pra Vila Esperança! Amava o tema de abertura! Hehehe... Vila la la la, Vila Esperança!

      Excluir
  3. E depois do fim do Vila Esperança, a Record ainda tentou fisgar o público infantil com a novelinha Acampamento Legal, que creio ter sido a última aposta da emissora do bispo no segmento infantil, pelo menos a curto prazo, pois depois a Record adquiriu o Pica Pau a preço de banana do SBT que vacilou feio ao deixar escapar seu passarinho vermelho dos ovos de ouro. Acho que nem passa mais, tamanho o descaso do Macedão pela grade... Curiosidade: a atriz Lu Schievano voltaria anos depois pra participar da A Fazenda, e antes disso, foi cantora da banda do Domingão do Faustão, onde ficou pouco tempo por desentendimentos e estrelismo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem lembrado, João Paulo! Lu virou um dos melhores memes de A Fazenda, anos depois da Estela Natela!

      Excluir