sábado, 14 de setembro de 2019

Band e Record ampliam espaço do jornalismo na programação

"Não vá pra cama sem mim!"

Nesta semana, a TV aberta viu crescer consideravelmente as horas dedicadas ao jornalismo em duas das principais redes do Brasil. Band e Record incrementaram suas respectivas programações jornalísticas com os lançamentos de Band Notícias e JR 24 Horas. Em comum, os dois canais vivem uma fase caracterizada pela dificuldade em emplacar novos programas de entretenimento. Sendo assim, preferem apostar em informação.

Band Notícias é o novo noticiário da Band, que estreou na última segunda-feira, 09, às 22h, com a ingrata missão de suceder o Show da Fé e elevar os índices de audiência para a linha de shows. Apresentado por Rafael Colombo e Cynthia Martins, a novidade é um jornal tradicional, com um apanhado dos fatos do dia. Seu diferencial é a participação de comentaristas, que ajudam a interpretar a notícia. No entanto, trata-se de uma participação restrita. O resumo dos acontecimentos do dia é a tônica do jornal.

Com a estreia do Band Notícias, a emissora sinaliza que vem modificando os rumos de sua estratégia de programação. A Band promoveu uma série de estreias fracassadas no campo do entretenimento no ano passado. Agora, o canal foca seus esforços em sua vocação natural: o jornalismo. Deste modo, há um visível investimento em notícias, visto na reformulação da grade matinal e, agora, na faixa das 22 horas. A emissora acerta ao investir no segmento que sempre teve tradição. Brasil Urgente e Jornal da Band não são as maiores audiências da emissora por acaso.

E não é de hoje que o canal tateia em busca de alguma solução para o problema chamado Show da Fé. O horário da igreja é fundamental para equilibrar as finanças da estação, mas prejudica consideravelmente os programas exibidos na linha de shows da Band. Nos últimos anos, a emissora tentou de tudo para tentar uma transição mais suave entre a igreja e seus programas, como as diferentes versões do VídeoNews, Zoo (lembra?), Os Simpsons... Há pouco tempo, a Band chegou até a tentar “colar” o Show da Fé nos shows, mas o resultado foi desastroso. Assim, um jornal parece uma aposta mais interessante. Se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas trata-se de uma aposta válida.

Enquanto isso, a Record, que já tem muitas horas de jornalismo diário ao vivo, ampliou ainda mais o espaço para informação. Trata-se do primeiro grande projeto de Antonio Guerreiro, atual vice-presidente de jornalismo do canal, que resolveu levar a grife do Jornal da Record para diferentes horários da programação. Assim, reformulou o tradicional Jornal da Record das 21h30, e lançou quatro boletins diários, o JR 24h, exibido às 11h40, 16h45, 17h45 e 0h30, com apresentação de Janine Borba e Sergio Aguiar.

Os novos boletins chamam a atenção pela boa iniciativa de apostar em jornalismo ao vivo. De curta duração, os noticiosos contam com poucas matérias gravadas e muitas entradas ao vivo de repórteres, que trazem informação em tempo real. O maior acerto é a edição da 0h30, no qual Sergio Aguiar, excelente âncora, conversa também com comentaristas. Mesmo curto, o jornal consegue ser minimamente analítico. Assim, o boletim da madrugada do JR 24h cumpre o papel de encerrar a programação da emissora com informação, incrementando o fim de noite do canal, dedicado aos enlatados desde o fim do Programa do Porchat. Uma boa novidade, que até merecia um tempo maior no ar.

André Santana

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Angélica grava piloto de novo programa, diz colunista

"O que faz você feliz?"
Que os bastidores da Globo vivem um momento movimentado e de grandes mudanças, já percebemos. Porém, este movimento intenso vem gerando uma série de informações desencontradas, sobretudo envolvendo novidades esperadas. Por exemplo: o novo programa de Fernanda Gentil era aguardado desde o começo do ano, foi alvo de uma série de especulações, se falava que não havia nada definido, e até foi noticiado que a atração só vingaria em 2020. Porém, de repente, o programa ganhou forma, novos apresentadores, chamadas e tem data de estreia confirmada para 30 de setembro.

O mesmo acontece com o destino de Angélica. Desde o fim do Estrelas, a loira já foi alvo de um sem-número de especulações. Dentre os boatos que cercaram a apresentadora do ano passado para cá inclui-se a apresentação de um game show, que viraria atriz de novelas, que assumiria o PopStar e o The Voice Kids, e até que deixaria a Globo. No início de 2019, porém, começaram a surgir informações mais concretas. O colunista Ricardo Feltrin noticiou que Angélica faria um semanal noturno com entrevistas que trataria de histórias de superação; já Flavio Ricco disse que o projeto era tratado como um “Amor & Sexo sobre felicidade”. 

Porém, com a demora no desenvolvimento do projeto, a bolsa de apostas voltou a ferver. Falou-se que o projeto estava engavetado, que ficaria para 2020 e até que poderia ser cancelado de vez. A coisa ficou um pouco mais clara quando a própria Angélica declarou para o Notícias da TV de que seu novo programa era um projeto autoral e que já havia tido sinal verde para o desenvolvimento, e que havia a promessa de que estrearia em 2020. No entanto, alguns colunistas chegaram a contestar a fala da apresentadora. E, mesmo assim, tudo ainda parecia estar no campo das ideias.

A coisa ganhou uma nova dimensão nesta semana, quando a colunista Fabia Oliveira revelou que Angélica gravou o primeiro piloto da atração esta semana. Segundo a jornalista, o teste foi gravado com pessoas com mais de 60 anos, além de contar com um quadro chamado Artistas por um Dia. Outra informação revelada é que o programa tem como nome provisório Curva da Felicidade, e que tem como mote responder a questão: “pra você, o que é felicidade?”. Por fim, Fabia disse ainda que Curva da Felicidade deve ser exibido aos sábados, no horário do SóTocaTop.

Ou seja, se tem piloto, significa que o projeto andou. Claro, o piloto ainda deve ser avaliado e ajustado até se chegar ao formato ideal. Mas ficou claro de que especulações dando a entender que Angélica poderia não voltar a ter um programa na Globo não procedem. E o que procede mesmo é o que disse a própria: trata-se de um projeto autoral que está em desenvolvimento e deve estrear no ano que vem. Se vai ser coisa boa ou não, não dá pra saber ainda. Mas parece que se trata de algo bem diferente de tudo o que Angélica já fez em sua carreira. E uma estrela com tantos anos de estrada tendo uma oportunidade de reinvenção como esta é, por si só, bem interessante.

Outro sinal de que a Globo não desistiu da apresentadora são suas participações na programação da casa. Recentemente, ela esteve no Caldeirão do Huck e no Criança Esperança. Em breve, ela fará uma apresentadora de reality show culinário em A Dona do Pedaço, programa de maior audiência da emissora. São provas de que a direção da Globo ainda aposta e prestigia a veterana. Aguardemos as próximas informações. 

André Santana

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Fabio Porchat e Leandro Hassum reinventam talk show na TV paga

"Senta que lá vem história!"
Fabio Porchat, um dos mais festejados comediantes da nova geração, surpreendeu o público ao encerrar seu talk show na Record no ano passado. Seu Programa do Porchat não era um campeão de audiência, mas tinha qualidades que o colocavam entre os melhores programas de fim de noite. Porém, o artista decidiu trocar a TV aberta pelo GNT, onde estreou recentemente seu novo programa, Que História É Essa, Porchat?. E mostrou que, às vezes, é mais saudável estar num canal com uma plateia menor, mas com maior liberdade.

E, neste caso, liberdade significa fazer um programa que fuja das pretensões da TV aberta, muito calcada na audiência e na repercussão a qualquer preço. Deste modo, Que História É Essa, Porchat? vai na contramão dos demais talk shows. Na nova atração, o apresentador reúne famosos e anônimos para ouvir e contar histórias. E só. Não há perguntas mirabolantes, não há humor ensaiado. Mas, mesmo assim, o programa é engraçado. Isso porque a graça do programa está nas histórias contadas.

Ou seja, Que História É Essa, Porchat? diverte justamente pela simplicidade da fórmula. Que encontrou abrigo no GNT, um canal pago e segmentado, com uma plateia bastante específica. E que, de quebra, é um território neutro, o que permite Porchat receber artistas de todas as emissoras, o que aumenta consideravelmente sua cartela de opções.

Ao trocar a visibilidade da TV aberta pela liberdade da TV paga, Porchat, parece, fez escola. Isso porque Leandro Hassum, após anos de Globo, resolveu fazer mesmo. O humorista estreou recentemente o Tá Pago, talk show também exibido nas noites de terça, no canal TNT. E, assim como Porchat, Hassum comanda um programa que foge do estilo late night, tendência na TV aberta de uns anos atrás. 

Para isso, Tá Pago tem um cenário que remete a um restaurante. Ali, Leandro Hassum recebe quatro convidados e comanda um verdadeiro papo de boteco. Enquanto comem e bebem, os convidados de Hassum compartilham suas histórias e experiências. Deste modo, a conversa flui e diverte, sem forçar a barra. Assim, a graça não está na piada, e sim no inusitado das histórias apresentadas. Não deixa de ter suas semelhanças com a atração de Porchat. Mas a diferença de estilos dos apresentadores tornam os programas distintos. Que tem como ponto em comum apenas a aposta em histórias. O que culmina com duas atrações bem divertidas.

André Santana

sábado, 7 de setembro de 2019

"É de Casa" reduz dicas inúteis e ganha mais ritmo

"Praticamente um Irmãos à Obra!"

Desde que estreou, o É de Casa sempre rendeu mais críticas negativas que elogios. A atração dos sábados de manhã da Globo se caracterizou pelo excesso de apresentadores e pelas pautas batidas, muitas delas inúteis ou impossíveis de serem reproduzidas pelo espectador comum. No entanto, verdade seja dita, o programa melhorou consideravelmente nos últimos meses. Ao que tudo indica, a troca de comando, quando É de Casa passou das mãos de Boninho para as de Mariano Boni, fez bem ao programa.

O maior acerto da atual temporada é a aposta em quadros no estilo reality show. Inicialmente, É de Casa estreou Reforma Certa, que mostra Zeca Camargo às voltas com a recauchutagem de um apartamento. Durante três meses, o público acompanhou o passo a passo da reforma, do projeto inicial, passando pelas dificuldades de execução, até chegar à obra pronta. Um time de arquitetos, engenheiros e pedreiros expunham a condução dos trabalhos, o que se mostrou uma maneira um tanto mais divertida de passar dicas de casa ao espectador. Claro, o programa não escapou de momentos “fakes”, com dificuldades que pareciam fabricadas. Mas isso não tira o mérito do quadro de fugir do “mais do mesmo”.

E não foi apenas Zeca Camargo que ganhou um reality para chamar de seu. Patrícia Poeta ganhou o comando de Minha Mãe Cozinha Melhor que a Sua, uma nova competição culinária. Quer dizer, “nova” não é bem a palavra, já que se trata, basicamente, de uma nova versão do Duelo de Mães, atração de Ticiana Villas Boas no SBT, com toques do Minha Mulher que Manda, competição culinária de Eliana, também no SBT. Mesmo assim, apesar de não ser nova, a ideia combina bem com a proposta do É de Casa.

No jogo, Patrícia Poeta recebe duas celebridades e suas respectivas mães. Os famosos precisam reproduzir pratos que suas mães costumam fazer. Mas elas, as mães, devem interferir o mínimo possível, apenas orientando de fora. O chef Roberto Ravióli avalia os pratos e elege o vencedor. Com isso, o espectador se envolve com a competição, ao mesmo tempo em que absorve algumas dicas culinárias.

É de Casa estreou com a proposta de ser um “programa sobre a casa”. Entretanto, a atração foi se perdendo em sua própria proposta. Inicialmente mais variado, aos poucos o programa foi se tornando um longo “faça você mesmo”. Os quadros se resumiam, basicamente, a mostrar modos de fazer nos mais variados ambientes da casa. Com isso, se tornou sonolento e profundamente desinteressante. Tanto que chegou a ver o Sábado Animado, do SBT, e até o Esporte Fantástico, da Record, se aproximarem.

Agora, com o lançamento de quadros como Reforma Certa e Minha Mãe Cozinha Melhor que a Sua, o programa mostra que é possível falar sobre assuntos da casa de maneira menos óbvia e mais divertida. Além disso, o programa ampliou o espaço do jornalismo, com entradas ao vivo e a atualização do noticiário, ficando mais dinâmico. E isso é bastante positivo. O programa possui bela estrutura, apresentadores versáteis e tempo de sobra para variar seus assuntos. Por isso, era bem difícil entender como a emissora produzia um semanal tão preguiçoso. A mudança de rumo sinaliza que É de Casa está mais disposto a sair da zona de conforto e experimentar mais. E sem perder de vista a proposta de ser um programa sobre a casa.

E é possível ir ainda mais além. A televisão é parte importante da casa e, sendo assim, caberia ao É de Casa tratar deste assunto também. Sem Vídeo Show, o matinal de sábado poderia assumir esta missão de receber artistas e repercutir as novidades da programação da emissora. Afinal, É de Casa tem três longas horas de duração e um formato bastante flexível. Ou seja, variar os temas tratados é uma obrigação.

André Santana

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Nova mudança sinaliza que "Fofocalizando" está na linha de tiro

"Agora sou eu que mando!"

Fofocalizando, o vespertino do SBT que gera mais notícias do que noticia, parece estar a um passo do cadafalso. E não é nenhum veículo ou rádio-corredor que afirma isso: são os claros sinais que Silvio Santos tem dado. Quando um programa do SBT passa por inúmeras mudanças, uma atrás da outra, é sinal de que o dono da emissora está infeliz com o que vê e propõe mudanças o tempo todo. Ou seja, quando a paciência do “patrão” acabar....

Na tarde de hoje, 03, uma mudança significativa foi vista. Fofocalizando teve alterações no cenário, com a saída do sofá do centro do ambiente e um novo espaço de onde Lívia Andrade comanda a atração. Agora, é Lívia que ancora e organiza a conversa, chamando os assuntos do dia e mediando o debate. Leo Dias entra do Rio de Janeiro com as notícias exclusivas, enquanto Mamma Bruschetta, Leão Lobo e Décio Piccinini ocupam o sofá, agora num canto do cenário, comentando os assuntos.

Mas e Mara Maravilha? Bom, a ex-apresentadora infantil se despediu do sofá novamente, na tarde de ontem, 02, anunciando novidades. A ela está destinada uma nova missão no vespertino, que é realizar matérias externas. Mara, então, deixa o comando do programa após pouco mais de um mês de seu retorno. Ela deixou o Fofocalizando havia um ano, depois de se indispor com praticamente todo o elenco. Voltou este ano por ordem de Silvio Santos, na esperança de elevar a audiência do vespertino. Ou seja, a mudança de hoje é a segunda grande mudança em pouco mais de um mês.

Apesar dos pesares, a mais recente mudança no Fofocalizando veio para colocar alguma ordem na bagunça habitual. Afinal, o programa contava com nada menos que seis apresentadores, muitas vezes falando ao mesmo tempo e brigando mais do que o recomendado. Ao definir funções diferentes para cada um deles, o programa parece mais organizado. A figura de um âncora fazia falta, e o atual posto de Lívia supre esta ausência. No entanto, é questionável a escolha justamente de Lívia para a função.

Ao que tudo indica, o SBT anda meio desesperado para elevar a audiência do Fofocalizando. Entretanto, o canal parece desconsiderar o atual contexto do programa. A novela Bela, a Feia, da Record, é um produto poderoso, que já consolidou uma ampla plateia. Assim, Fofocalizando só terá alguma chance de sair da terceira colocação quando Bela, a Feia chegar ao fim. Antes disso, Silvio Santos pode brincar de Escravos de Jó com os apresentadores do Fofocalizando que não vai adiantar nada.

André Santana