sábado, 3 de agosto de 2019

"Bom Sucesso" agrada com trama simples e emocionante

A Bela e a Fera

Bom Sucesso, nova novela das sete da Globo, estreou despertando a melhor das impressões. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm, dupla de Totalmente Demais, teve uma primeira semana apaixonante. O mote inicial, o fato de a mocinha Paloma (Grazi Massafera) acreditar que vai morrer e, por isso, faz coisas que normalmente não faria, fez com que o público se tornasse, de cara, cúmplice da heroína. Humilde, cheia de problemas, mas também de sonhos, a costureira Paloma causa imediata identificação.

A primeira semana de Bom Sucesso foi praticamente toda centrada em Paloma. Costureira que batalha para criar três filhos, a mocinha tem um amor do passado mal resolvido com Ramon (David Junior), pai de sua filha mais velha. Porém, quando a moça descobre que tem pouco tempo de vida, ela joga tudo para cima. Se livra de um trabalho que a aprisiona, deixa de levar desaforo para casa e enfrenta quem vier, se declara ao amor do passado e, de quebra, se permite viver uma nova paixão fugaz ao conhecer Marcos (Rômulo Estrela). Ou seja, Paloma, de repente, se vê diante do fim da vida e se dá conta de que ainda tem muito o que viver.

Por conta deste mote inicial, Bom Sucesso apostou todas as suas fichas na protagonista, presente na grande maioria das cenas da primeira semana. E Grazi Massafera correspondeu, com louvor, às apostas. A atriz vive seu momento mais maduro em cena desde que estreou em novelas, fazendo uma mocinha graciosa, verdadeira e extremamente carismática. Paloma é a típica mocinha batalhadora, mas está longe de ser uma chata. Isso porque o texto a coloca como uma heroína bastante calcada na realidade, de carne e osso, que carrega otimismo, mas não é uma boboca. E tal perfil foi potencializado com a impressionante naturalidade de Grazi, o que fez de Paloma uma mocinha para a qual queremos torcer.

Na outra ponta de Bom Sucesso está Alberto (Antonio Fagundes), o poderoso dono da editora Prado Monteiro. Idoso adoentado e ranzinza, ele tem problemas familiares por conta de seu temperamento. No entanto, fica claro que a rabugice de Alberto é uma casca que ele usa para esconder o profundo amor que sente pela família, visto sobretudo na relação com a neta. É dele o diagnóstico de que tem apenas seis meses de vida, mas seu exame foi trocado pelo de Paloma, e é por isso que a mocinha pensa que vai morrer. A troca será desfeita em breve, mas o acontecido aproximará os dois personagens, que, apesar do abismo social, são ligados pelo amor em comum pela literatura.

Depois de uma criticada atuação em Velho Chico, onde viveu o caricato Coronel Saruê, Fagundes passou um tempo afastado da novelas descansando a imagem. E o afastamento, aparentemente, lhe fez bem. Em Bom Sucesso, o ator mostra porque é uma das principais referências em atuação do país, ao fazer um personagem que poderia despertar raiva pelo seu temperamento difícil. Porém, ele o faz com muita verdade. Assim, Alberto, como Paloma, também desperta identificação, e é fácil torcer por ele. Além disso, Fagundes se livrou de “muletas”, como a fala arrastada que caracterizou seus últimos tipos, e traz uma atuação mais “limpa”.

Em torno deles, Bom Sucesso traz personagens interessantes em histórias variadas. Neste início, chamou a atenção a dupla de vilões, Gisele (Sheron Menezzes) e Diogo (Armando Babaioff). Este é casado com Nana (Fabíula Nascimento, ótima como sempre), principal executiva da Prado Monteiro e filha de Alberto, e planeja, com Gisele, dar um golpe na empresa. Bom Sucesso também traz mocinhos interessantes: enquanto Ramon é um homem que tenta reparar os erros do passado, Marcos é um filho pródigo com problemas familiares.

O grande charme de Bom Sucesso é a sua capacidade de propor boas histórias baseadas “unicamente” nas emoções humanas. Paloma e Alberto, personagens tão diferentes, vão se unir em torno de um erro e descobrirão, juntos, o valor da vida. Algo que poderia soar piegas, mas que mostra força diante de um texto maduro e arrojado dos autores, que é simples na forma e sofisticado no conteúdo. Isso sem falar na abordagem da literatura: além de falar da paixão dos personagens pelos livros, a novela ainda faz uma oportuna abordagem da crise do mercado editorial. Por essas e outras, a primeira semana mostrou que Bom Sucesso é promissora.

André Santana

7 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu esperei mais capítulos para comentar no meu blog. Divulgarei minha análise hoje. Começou super bem. Superou a minha expectativa. Porém, não sei se terá fôlego para 150 capítulos...Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Fabio, tudo bem? Sim, trata-se de uma história arriscada para tanto tempo. Mas me lembro que, em Totalmente Demais, os autores iam queimando cartuchos aos poucos, sempre trazendo novas tramas para incrementar e fazer render. Então darei um voto de confiança a eles, e espero que isso aconteça também em Bom Sucesso. A segunda semana foi igualmente ótima! Abraço!

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  2. Bom conhecer seu blog.
    Ouvi falar bem dessa novela.

    juliamodelodemodelo.blogspot.com

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    1. Obrigado pela visita, Júlia! Logo visito seu espaço. Abraços!

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  3. Pelo menos a primeira semana foi irresistível; e se assim continuar tem tudo pra ser tornar a melhor novela em exibição considerando a redundância de Órfãos da Terra e a previsibilidade da reciclagem de tramas feitas pelo Walcyr em A Dona Do Pedaço. Destaco o elenco afiadíssimo e o texto inspirado.

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    1. Apesar dos pesares, eu ainda gosto muito de Órfãos da Terra. Já A Dona do Pedaço já me cansou. Ando vendo só pra cumprir tabela.

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  4. Estou vivendo intensamente essa novela! Espero que mantenha o ritmo e não se perca como as antecessoras. Abraço.

    Jurandir Dalcin - www.portalcomenta.com

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