quinta-feira, 11 de julho de 2019

Record, mais uma vez, falha no seu projeto de dramaturgia

"Ói nóis aqui travêis!"
Desde que a Record reservou a faixa das 20h30 para suas novelas bíblicas, há a tentativa de se manter duas novelas no ar. Uma delas, a das 19h30 (que hoje começa praticamente as 20 horas), seria para tramas não inspiradas no livro sagrado, ou seja, histórias de época ou contemporâneas. O horário foi criado para abrigar Escrava Mãe, inicialmente produzida para suceder Os Dez Mandamentos, e foi muito bem. No entanto, depois disso, a faixa teve problemas.

Com o bom desempenho de Escrava Mãe, o autor Gustavo Reiz emplacou outra novela, a trama medieval Belaventura. Porém, sem tempo hábil para estrear a nova produção depois de Escrava Mãe, a emissora escalou mais uma reprise de A Escrava Isaura. Na sequência, estreou a novela medieval, que não foi lá muito bem. Ao seu final, a reprise de Os Dez Mandamentos, que era exibida às 18h, “pulou” para o horário. Aí veio o inevitável repeteco de A Terra Prometida. Depois, o canal finalmente produziu Topíssima, atualmente no ar.

Enquanto isso, a faixa bíblica até chegou a apelar para reprises, entre as duas temporadas de Os Dez Mandamentos, mas, no geral, seguiu sua vidinha com produtos como O Rico e Lázaro, Apocalipse, Lia e Jesus. A macrossérie Jezabel atualmente ocupa a faixa, enquanto Gênesis estava no gatilho para sucedê-la. Porém, mais uma vez, a emissora se mostra ineficiente em seu cronograma, e não terá tempo para que a trama sobre o início da humanidade. Assim, vai apelar, mais uma vez, para uma reprise. O Rico e Lázaro deve substituir Jezabel e tapar o buraco até Gênesis ficar pronta.

Já na faixa das 19h30, Topíssima terá direito a uma substituta inédita. A autora Cristianne Fridman trabalha num novo texto que substituirá a novela atual, também de sua autoria. E, vale lembrar, a novelista também assina Jezabel. Ou seja, Fridman tem, atualmente, duas novelas inéditas no ar, e vai emplacar mais uma na sequência. Um sinal claro de que o setor de teledramaturgia está fragilizado e conta com poucas opções de autores, depois da debandada de nomes como Lauro César Muniz, Marcílio Moraes, Gisele Joras, Margareth Boury, Renato Modesto, Gustavo Reiz e Vivian de Oliveira. 

Em suma: a Record tenta, mas é incapaz de manter duas faixas de novelas inéditas andando. A notícia de que Topíssima teria uma substituta inédita foi comemorada, porém, na sequência, veio a notícia de que Jezabel será substituída por uma reprise. É o famoso “tapa aqui, descobre ali”. Quando parece que as coisas vão entrar nos eixos, tudo desanda novamente. Falta compromisso e profissionalismo na dramaturgia da emissora.

André Santana

8 comentários:

  1. De fato uma pena o setor não engrenar. Fora que Jezabel e Topíssima mereciam índices melhores, são duas tramas muito boas. Acredito tbn que até pelo sucesso das reprises de Amor&Intrigas e Bela A Feia, Gisele Joras merecia mais uma chance na emissora, sobretudo em se tratando de uma trama contemporânea.

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    1. Concordo, Filippe, fazia tempo que a Record não acertava em seus dois horários. Mas uma pena que os dois horários com inéditas nunca se sustentam.

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  2. Ja que esta tao escasso a producao de novelas na emissora, ao inves de dois horarios nao seria mais prudente ter apenas um, pelo menos nao correria o risco de alternar uma inedita com duas reprises. E tendo um horario poderia alternar uma novela evangelica com outra contemporanea.

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    1. Concordo, Daniel! Essa inconstância, ora reprise ora inédita, prejudica o próprio canal. Poderiam concentrar os esforços numa faixa só, que, aliás, era a ideia em 2015. Escrava Mãe era a substituta de Os Dez Mandamentos, e novelas bíblicas e não-bíblicas se revezariam às 20h30. Sempre pareceu o melhor plano.

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  3. Falta pra Record planejamento mesmo com tramas bíblicas e autores mais qualificados, só isso.

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  4. Record sendo Record
    Emissora Sem planejamento e totalmente arrogante por sua direção
    O mais interessante é que sabemos que dinheiro não falta pela barra funda

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    1. Não adianta ter dinheiro e não tem gestão. O problema da Record é que tem muito cacique ali que entende pouco de TV.

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