terça-feira, 30 de julho de 2019

"Casos de Família" pode estar perto do fim, diz site

"Aumenta o sofá do Fofocalizando
que eu tô chegando!"

Deu no Notícias da TV hoje, 30: o SBT estuda acabar com o programa Casos de Família. Segundo matéria assinada por Gabriel Perline, a emissora encomendou um estudo para tentar descobrir porque o telebarraco não reage mais na audiência. E acabou descobrindo o óbvio: a atração está desgastada. Ainda segundo o Notícias da TV, uma das ideias do canal é realocar a apresentadora Christina Rocha para o Fofocalizando (!).

Realmente, o Casos de Família, há tempos, já não rende tantos resultados. E seu desgaste é mais do que natural, afinal, chega uma hora em que não há mais o que se discutir. Além disso, é raro quando um tema verdadeiramente relevante é discutido ali. Nos últimos anos, o programa vem apostando em discussões quase num tom humorístico e escrachado, normalmente expondo convidados a situações ridículas.

E, vale lembrar, Christina Rocha assumiu o comando do Casos de Família em 2009. Ou seja, lá se vão dez anos desde que o programa adotou este formato mais popularesco, depois de quatro anos de conversas ponderadas capitaneadas por Regina Volpato, primeira apresentadora da atração. Neste meio tempo, o programa mudou de horário várias vezes, se tornou semanal e noturno por um curto período, e até foi cancelado, retornando pouco tempo depois. Em suma, é um sobrevivente. Mas, obviamente, já deu o que tinha que dar.

Mas a informação que mais chamou a atenção na matéria do Notícias da TV é a possibilidade de Christina Rocha passar a integrar o Fofocalizando. Segundo o site, se o Casos de Família realmente chegar ao fim, o Fofocalizando pode ser esticado, e Christina Rocha passaria a fazer parte do sofá. Com isso, Fofocalizando passaria a ter nada menos que sete apresentadores, já que o vespertino já conta com Leão Lobo, Mamma Bruschetta, Décio Piccinini, Lívia Andrade, Léo Dias e Mara Maravilha. Com Christina se juntando ao time, o sofá do vespertino vai parecer o júri do antigo Show de Calouros, já reparou? Ok, Christina não foi jurada de Silvio Santos, mas fez parte da mesma patota que inaugurou o SBT.

É legal o SBT pensar em reaproveitar Christina, caso o Casos de Família realmente chegue ao fim. Mas o que o Fofocalizando não está precisando neste momento é de mais um apresentador. O vespertino já sofre com aquele monte de gente querendo falar ao mesmo tempo. Com a volta de Mara, então, a coisa ficou ainda mais tensa. Se a ideia é “vitaminar” o Fofocalizando, a emissora poderia considerar mudar o formato e colocar cada apresentador numa função específica. Pois se insistir no formato de “debate”, a tendência é que ele fique ainda mais confuso. Coisa mais esquisita.

Em tempo: o Notícias da TV entrou em contato com a assessoria do SBT, que negou o fim do Casos de Família. Tempo ao tempo.

André Santana     

sábado, 27 de julho de 2019

Nostalgia e non sense "salvaram" "Verão 90"


"Só faltou os brinquedos do Gugu!"
Não há dúvidas de que a história de Verão 90 deixou muito a desejar. A trama criada por Izabel de Oliveira e Paula Amaral foi uma sucessão de esquetes de humor, sem uma espinha dorsal lá muito definida, além de sérios problemas estruturais, buracos e inconsistências. Mesmo assim, a novela das sete conquistou uma audiência bastante satisfatória, se tornando um dos principais sucessos da faixa na década. Afinal, Verão 90 foi ruim ou não?

Para quem desligou o botão da coerência e embarcou no universo amalucado de Verão 90, a novela, verdade seja dita, divertiu horrores. Direção, atores e texto carregaram nas tintas, oferecendo uma novela propositalmente carregada e exagerada. Muito mais kitsch do que as novelas dos anos 1990, que a estética da obra tentava emular. O resultado foi uma história com personagens que eram caricaturas e situações um tanto over.

Curiosamente, Verão 90 homenageou bastante a década de 1980. O fato de o trio protagonista Manu (Isabelle Drummond), João (Rafael Vitti) e Jerônimo (Jesuíta Barbosa) ter feito parte de um conjunto musical infantil da década anterior em nada acrescentou ao enredo. Mas, sem dúvidas, o prólogo do primeiro capítulo, os flashbacks e as canções claramente inspiradas em Balão Mágico e afins, despertou a nostalgia de quem foi criança naquele período (incluindo este que vos escreve).

No ano de 1993, onde se situou a maior parte da ação de Verão 90, pouco importava de onde vieram Manu, João e Jerônimo. Enquanto os dois primeiros viviam típicas situações de comédia romântica e tentavam reaver a fama (e João buscava provar sua inocência numa acusação de assassinato que o levou à cadeia), o terceiro tentava se dar bem. Jerônimo virou Rogê, se fez de rico, conquistou amigos na alta sociedade carioca e conseguiu um bom cargo na Pop TV, emissora musical que homenageava a lendária (e saudosa) MTV Brasil. Ali, ele aplicava golpes e batia de frente com Mercedes (Totia Meirelles), a dona da estação e grande vilã da novela, que era má apenas porque era e pronto.

Mercedes, aliás, formava com Lidiane (Claudia Raia) e Janaína (Dira Paes) o trio de protagonistas maduras da obra. E as duas primeiras traduziam bem o clima exagerado de Verão 90. Mercedes era a vilã de novela mexicana, com caras e bocas e discursos politicamente incorretos. Enquanto isso, Lidiane era a bufona, um tipo cômico elevado à enésima potência, e com a exuberância que só Claudia Raia consegue alcançar. Muitos criticaram o sotaque carioca fake da “pantera”, mas, justiça seja feita, a atriz é ótima defendendo peruas assim. Já Janaína era a típica mocinha batalhadora, que venceu na vida com honestidade e cuidava dos filhos com unhas e dentes.

Estes e outros personagens carregaram estes meses de Verão 90 nas costas com situações episódicas, costuradas pelas divertidas vinhetas da Pop TV (que souberam reproduzir as “loucas” vinhetas que caracterizaram a MTV), músicas da época e muita nostalgia. Enquanto a trama rolava, vários ícones da década surgiam na história, como roupas, celulares antigos, lambada e, claro, novelas, muitas novelas. Como Verão 90 se passava no universo da fama, incluindo aí os bastidores da TV, as novelas da Globo foram reverenciadas em vários momentos (inclusive aconteceu uma gafe, num caco de Claudia Raia, que disse que Fera Ferida era uma novela de Gloria Perez. Na verdade, a trama era assinada por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn).

Vale destacar o bom desempenho de vários atores, como Camila Queiroz, que se mostrou madura como a vilã Vanessa. Ao lado dela, Gabriel Godoy fez de Galdino mais um bom tipo seu em novelas das sete, e o ator já se tornou um curinga da faixa. Jesuíta Barbosa, com ótimos serviços prestados em séries e minisséries, estreou com um papel regular numa novela e foi um bom vilão. Muitos o acusaram de inexpressivo, mas discordo. Jesuíta fez um Jerônimo mais contido, justamente para contrastar com o exagero do restante da novela. A força da atuação do jovem estava no olhar atento e nos pequenos maneirismos. Foi bem. Outro destaque é o sempre bom Ícaro Silva, que divertiu horrores como Ticiano, o cantor de lambada. Sua parceria com Dandara Mariano, a Dandara (ótima também, atriz da melhor qualidade com excepcional tempo de comédia) funcionou muito bem.

Quando Verão 90 estreou, falei aqui que a novela poderia cair na armadilha de se calcar demais na nostalgia e se esquecer da história. E foi isso mesmo que aconteceu. Por outro lado, o tom farsesco, exagerado, non sense e descompromissado da obra acabou por render situações deliciosamente ridículas. E isso é um elogio. As autoras conseguiram unir escracho e humor fácil, quase infantil, criando tipos divertidos vivendo situações inusitadas. E tudo isso emoldurado pela nostalgia, o que deu a Verão 90 uma identidade muito forte.

Talvez seja questionável a opção da direção (encabeçada por Jorge Fernando) em fazer uma novela plasticamente parecida com as dos anos 1990. Os cenários eram mais “pobres”, a iluminação era chapada e tudo soava fake. Algo que salta aos olhos do espectador agora, já acostumados com os filtros de texturas de imagens e cenários realistas. Tal opção deu a sensação de que Verão 90 foi uma novela mal feita. Mas, com certeza, até isso contribuiu para que a novela tivesse uma cara muito particular. Para o bem e para o mal.

Sendo assim, apesar da história fraca, Verão 90 foi bem-sucedida no sentido de trazer um entretenimento descompromissado e escapista. Pode não virar um clássico, mas divertiu quem comprou a ideia. No fim, acabou sendo uma experiência bem interessante.

André Santana

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Gazeta se queima ao dar passo maior que a perna

"Próxima parada: Rede Brasil!"

Nesta semana, a Gazeta exibiu sua programação como há conhecíamos há alguns meses: Revista da Cidade, Você Bonita, Cozinha Amiga e Mulheres. A emissora retomou sua grade anterior, depois de fazer uma profunda reformulação para realocar o Todo Seu nas tardes e lançar o novo De A a Zuca. A “brincadeira” durou pouco e culminou com a saída de Celso Zucatelli e Ronnie Von do canal.

O caso mais surpreendente é o de Ronnie Von, que comandava o Todo Seu há nada menos do que 15 anos. A atração estreou nas manhãs da emissora, mas fez sucesso mesmo quando passou para a faixa noturna. Ali, ganhou prestígio e se tornou sinônimo de programa de bom gosto, apostando em boas entrevistas e musicais de qualidade. Porém, mesmo sendo um exemplo de programa bem-sucedido, Todo Seu esteve no cadafalso em vários momentos.

Não faz muito tempo que o Todo Seu foi ameaçado de extinção. Conseguiu uma sobrevida, mas não conseguiu escapar de uma mudança de horário que colocou tudo a perder. Escondido nas tardes do canal, Todo Seu perdeu prestígio. Com isso, não teve forças para se sustentar por ali, e o inevitável aconteceu. Assim, a impressão que ficou é a de que a Gazeta mudou o horário do programa apenas para cozinhá-lo mesmo, criando uma justificativa para cancelá-lo. Deu no que deu.

Enquanto isso, Celso Zucatelli ainda não conseguiu sair de sua fase pé-frio. Depois de ver seu Fala Zuca durar poucos dias na grade da RedeTV, o jornalista agora viu sua nova aposta também sair do ar após pouco tempo de vida. Zuca caiu nas graças da direção da Gazeta ao cobrir férias justamente de Ronnie Von. O bom desempenho dele à frente do Todo Seu o levou a conquistar uma atração própria, o De A a Zuca. Mas não deu certo e o apresentador já está no mercado novamente.

Na verdade, o maior erro da Gazeta foi insistir numa sequência de programas exatamente iguais uns aos outros. Revista da Cidade, De A a Zuca, Todo Seu e Mulheres formavam uma megamaratona de pautas semelhantes, como saúde, comportamento, gastronomia, celebridades, prestação de serviço... Ou seja, mudava cenário e apresentador, mas o conteúdo seguia muito parecido. E se levarmos em consideração que cada programa tinha sua equipe, com seu diretor, seu cenário e seu apresentador, fica evidente que a Gazeta tinha um alto custo operacional para fazer exatamente o mesmo programa quatro vezes por dia. Como ser sustentável assim? A emissora tem sérias dificuldades em lançar formatos que fujam do clássico programa dito “feminino”. Pena.

André Santana

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mara Maravilha volta ao "Fofocalizando"

"Vocês não sabem o prazer
que é estar de volta!"
Quase um ano depois de ter sido dispensada do Fofocalizando, a apresentadora Mara Maravilha está de volta ao programa do SBT. Mara retornou na edição de hoje, 25, e com direito a entrada triunfal, descendo da nave da Xuxa (?) e sendo absolutamente bem recebida por Mamma Bruschetta, Décio Piccinini e Lívia Andrade (?). Leo Dias, um dos 400 desafetos de Mara, está de férias do programa.

O clima de paz e amor visto nesta estreia soou quase como o mundo invertido. Afinal, Mara foi afastada da atração no ano passado justamente por semear a discórdia com todos os integrantes do programa de fofoca. Mara e Leo Dias discutiram e se alfinetaram no ar por diversas vezes, e Lívia Andrade é desafeto declarado da ex-apresentadora infantil. Mamma Bruschetta, Décio Piccinini e Leão Lobo (que também está de férias) são companheiros mais antigos de Mara, mas até eles tiveram seus estranhamentos com a morena.

Na época do afastamento de Mara, a direção do SBT foi bastante honesta ao afirmar que o objetivo era fazer cessar as brigas entre os integrantes do Fofocalizando. Notícias da época davam conta de que o SBT descobriu, por meio de pesquisas, que o espectador não gostava das constantes discussões do povoado sofá do programa. E Mara, identificada como a principal semeadora de discórdias, acabou forçada a sair de cena. Depois, ela tentou vaga como jurada do Dez ou Mil, do Programa do Ratinho, mas também foi afastada em meio a boatos de que não se deu bem com os novos companheiros e atrapalhava o andamento do quadro de calouros. Assim, depois disso, suas aparições no ar se resumiram a presenças esporádicas no Programa Silvio Santos.

Enquanto isso, sem Mara, o Fofocalizando ensaiou um período de paz e amor. Os apresentadores remanescentes passaram a evitar brigas e apostar no bom humor nos comentários das notícias dos famosos. A audiência vinha respondendo bem, diga-se. Porém, revelou-se instável, e Fofocalizando oscilou bastante. Com a reprise de Bela, a Feia na Record, o programa do SBT acabou perdendo fôlego. Com isso, enfrentou um troca-troca na direção: saiu Márcio Esquilo, entrou Caco Rodrigues, depois voltou Márcio Esquilo. Ao mesmo tempo, outras brigas surgiram, como o estranhamento entre Lívia e Leo, anteriormente grandes amigos. Ou seja, Fofocalizando tentou não mais dar espaço às brigas entre seus integrantes, mas parece que a coisa não funcionou direito.

E, como as brigas voltaram sem Mara, nada mais natural que Mara retornasse. Por ordens de Silvio Santos, diga-se. Resta saber se o retorno da apresentadora refletirá positivamente na audiência do Fofocalizando. Porque, verdade seja dita, o programa anda intragável com tantas brigas, discussões e alfinetadas. Mas, se o público da tarde quer ver barraco mesmo, então estão bem servidos. Uma pena.

André Santana

sábado, 20 de julho de 2019

"Ouro Verde": Band aposta em novela com “jeito brasileiro”, mas erra na exibição

Vingançaaaa...

Ouro Verde, novela que a Band na última segunda-feira, 15, tem inúmeras qualidades. É um novelão clássico, com bom texto, excelente direção e fotografia e ótimos atores em cena. A trama portuguesa, vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, bebe da fonte das novelas brasileiras e não decepciona quem gosta de um bom folhetim. No entanto, a exibição da Band tem falhas, que podem colocar a perder todo o potencial da trama.

Ouro Verde é uma história de vingança, como boa parte das novelas brasileiras. Zé Maria (Diogo Morgado) viu sua família ser assassinada a mando de Miguel (Luís Esparteiro), um poderoso empresário português. O mocinho, então, foge para o Brasil, onde ergue um império e se torna Jorge Monforte. Anos depois, ele se prepara para retornar à Portugal como acionista da empresa de Miguel, com o plano de acabar com ele. Mas ele terá um empecilho: a paixão por Bia (Joana de Verona), filha de seu inimigo.

Ou seja, trata-se de um texto clássico, baseado no bom e velho Conde de Monte Cristo. No entanto, a embalagem bem acabada e o texto instigante de Maria João Costa, que entende bem da carpintaria da telenovela, são os atrativos de Ouro Verde. Além disso, é sempre bom ver atores brasileiros em cena, como Zezé Motta (Neném), Silvia Pfeifer (Monica) e Bruno Cabrerizo (João). É a chance, também, de ver atores portugueses conhecidos por aqui atuando em sua terra natal, como Pedro Carvalho (Tomás). Assim, a Band tem em mãos um excelente produto, bem de acordo com a preferência do espectador brasileiro.

No entanto, a Band parece não saber valorizar o bom produto que dispõe. O primeiro capítulo teve algumas falhas questionáveis, como a duração do capítulo e a edição equivocada. A emissora exibiu um capítulo com ganchos sem sentido, e com um final sem qualquer emoção. Ficou claro que o primeiro capítulo exibido pela Band foi menor que o primeiro capítulo original.

Além disso, a dublagem brasileira é um problema. A emissora parece não confiar que seu público compreenderia uma trama com sotaque português. É até compreensível, afinal, a TV brasileira nunca exibiu um produto português com som original. Entretanto, como há muitos atores brasileiros em cena, houve a opção por não dublar alguns deles. Assim, nomes como Cassiano Carneiro (Edson) e Adriano Toloza (Edu) surgiram com vozes completamente diferentes.

Enquanto isso, Zezé Motta e Silvia Pfeifer não foram dubladas. Mas Monica, apesar de não ter sotaque, fala como os portugueses. Assim, ela usa o “tu”, e não o “você”, como usamos aqui, entre outras diferenças. Mas, como os demais estão dublados e falando um claro português do Brasil, Monica é quem soa diferente. O resultado no ar é bem bizarro. Isso sem falar na abertura, pavorosa!

Mas Ouro Verde é uma produção com qualidades. E, ao menos, o canal oferece a opção de se assistir com o áudio original, que, acredite, é bem compreensível aos nossos ouvidos. Fica a torcida para que a Band perceba que pode ir mais longe com esta novela. Os bons índices de audiência iniciais mostram que a novela tem apelo por aqui.

André Santana

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Agora vai? Fernanda Gentil estreia em setembro ou outubro, diz site

"Te cuida, Sonia Abrão!"
Alvo das mais variadas especulações, inclusive de que teria sido cancelado, o novo programa de Fernanda Gentil pode estar prestes a estrear. Segundo matéria assinada por Carolina Farias, do site UOL TV e Famosos, a atração finalmente vai entrar em produção. O novo programa deve ser diário e irá ao ar nas tardes da Globo a partir de setembro ou outubro. 

A matéria é curta e não traz maiores informações. Diz apenas que a direção da Globo bateu o martelo, definiu que o programa será vespertino, e que Fernanda Gentil terá a companhia de Érico Brás. Sim, esta é a maior novidade até aqui. Até já se falou que Fernanda poderia ter um parceiro de cena, e que Fabio Porchat estava cotado para a função. Mas a presença de Érico não havia sido ventilada até então. Ou seja, o que fica claro desde já é que a ideia é apostar em humor, já que tanto Fabio quanto Érico são comediantes.

Desde que foi confirmado que Fernanda Gentil assumiria um programa diário na Globo, sempre ficou a dúvida sobre seu horário de exibição. A informação mais recorrente era a de que Fernanda seria encaixada na grade matinal, enquanto o Encontro com Fátima Bernardes seria empurrado para as tardes. Sendo assim, com a nova informação do UOL, é possível concluir que esta ideia (um tanto estapafúrdia, diga-se) foi descartada.

Resta saber como ficará a grade vespertina da Globo com a novidade. Há muitas possibilidades, sendo a mais simples dela a substituição de O Álbum da Grande Família pela nova atração. No entanto, a Sessão da Tarde exibida mais cedo não vem conseguindo conter A Hora da Venenosa, do Balanço Geral da Record. E não são poucos os boatos de que a tradicional sessão de filmes estaria com os dias contados. Mas será que a direção da Globo arriscaria colocar um programa novo para bater de frente com as fofocas já consolidadas da concorrente? Além disso, que tipo de programa será esse, afinal? Fica a torcida para que não seja algo como um Encontro vespertino. O público anseia por novidades.

Enquanto estas e outras questões não são respondidas, o que se nota é a vontade da Globo de modificar suas tardes. Uma vontade antiga, mas que ganhou força neste ano com a extinção do Vídeo Show. O grande desafio, então, é formatar algo que fuja do lugar-comum. As tardes da TV brasileira já sofrem com o mais do mesmo há anos e merecia algo mais bem elaborado. 

André Santana

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Angélica está de volta… no Viva

Quem não tem Globo caça com Viva
O canal Viva começou a anunciar a estreia de Caça Talentos, novelinha infantil que marcou a estreia de Angélica na Globo. A atração vai substituir Estrela-Guia, mantendo a faixa das 11h45 para tramas com uma pegada infantojuvenil. E o público voltará a ver Angélica na TV. A apresentadora segue na geladeira da Globo, mas, ao menos, voltará a dar as caras no Viva, canal que já exibiu outros programas da loira, como Estrelas, Flora Encantada e o próprio Caça Talentos.

Caça Talentos foi exibido pela Globo entre 1996 e 1998. Contava a história de Bela (Angélica), uma criança que foi criada por fadas no Mundo Mágico. Quando Bela descobre que, na verdade, pertence ao Mundo Real, tem a chance de conhecê-lo e escolher qual dos mundos ela quer habitar. Assim, a fada vai parar na agência e produtora de vídeos Caça Talentos, uma empresa quase falida, mas que abriga muito afeto. Ali, ela começa a trabalhar como produtora, ao mesmo tempo em que se apaixona pelo chefe, Artur Carneiro (Eduardo Galvão), e tem que enfrentar as armações de Silvana (Helena Fernandes), sócia da agência que planeja destruir a Caça Talentos.

Caça Talentos era uma criação de Boninho, Ronaldo Santos e Patrícia Moretzsohn. Era exibida pela Globo de segunda a sexta, às 11h30, depois do Angel Mix. Os dois programas compunham a faixa Angélica, exibida das 11h às 12h em 1996, e das 8h30 às 12h a partir de 1997. No ano de 1998, a novelinha passou a ser exibida dentro do Angel Mix, às 10h30. No elenco, Caça Talentos contava com nomes como Cláudia Rodrigues, Marilu Bueno, Betina Viany, Ana Furtado, Tony Tornado, Emiliano Queiroz e Antonio Pedro, além de muitas participações especiais. Teve 465 episódios. 

Além do grande sucesso na Globo, Caça Talentos faz parte da história do Viva. A novelinha fez parte da primeira grade de programação do canal. Inicialmente exibida aos domingos, a trama logo passou à programação diária. Depois de algumas exibições e reexibições, Caça Talentos saiu do ar, sendo substituída por Flora Encantada, série infantil também protagonizada por Angélica. Mais adiante, Flora Encantada foi substituída pela série Sandy e Jr, que segue em exibição no Viva.

Assim, enquanto Angélica vive uma situação que não ata e nem desata na Globo, com um projeto de programa que não sai da gaveta, ao menos ela poderá ser vista no Viva. O Grupo Globo poderia aproveitar o embalo e enxergar que a loira poderia contribuir com seus demais canais pagos. Como já dito aqui antes, o tal projeto engavetado da apresentadora é a cara do GNT. Como não percebem isso?

André Santana

sábado, 13 de julho de 2019

Volta do "É Tudo Improviso" supre falta de humor na Band

"Vamo improvisá!"

O fim de O Aprendiz deixou uma lacuna nas noites de segunda-feira da Band. Por isso, o canal programou dois velhos conhecidos de sua grade para ocupar o espaço. Os humorísticos Uma Escolinha Muito Louca e É Tudo Improviso retornaram ao ar na última segunda-feira, 08. Porém, enquanto a escolinha do professor Sidney Magal retornou com reprises, É Tudo Improviso lança uma nova leva de episódios, inédita na TV aberta.

Trata-se da última temporada do É Tudo Improviso, que foi exibido na TBS, mas que a Band, estranhamente, engavetou. Ou seja, o programa retorna à emissora com um atraso de cerca de sete anos. Entretanto, mesmo com este atraso, a direção da Band foi muito feliz com tal resgate. Afinal, volta a exibir um programa divertido, e num momento em que faltam humorísticos na emissora.

Desde que o Pânico na Band saiu do ar, o canal busca um novo programa de humor. Porém, até mesmo o improvisado Só Risos já deixou a programação. Sendo assim, É Tudo Improviso ocupa, e com louvor, este espaço. O programa reúne o apresentador Márcio Ballas e vários comediantes da nova geração em jogos de improviso. Nomes como Marco Gonçalves (do Lady Night) e Marianna Armellini (vista recentemente em Malhação – Vidas Brasileiras), entre outros, protagonizam situações inusitadas e muito divertidas.

É Tudo Improviso estreou na Band em 2009 com a missão de ocupar as noites de segunda-feira durante as férias do CQC, o maior sucesso do canal naquele tempo. A atração veio na esteira do sucesso que espetáculos de improviso vinham fazendo nas casas de shows Brasil afora. Tal sucesso havia sido levado para a TV no ano anterior, quando a antiga MTV Brasil exibia o Quinta Categoria. No mesmo ano, até a Globo chegou a apostar no formato, no quadro E Agora?, exibido no TV Xuxa nas manhãs de sábado.

Assim, É Tudo Improviso agradou e manteve parte da audiência do CQC em sua faixa de exibição. Por isso, voltou nas férias do ano seguinte. Novamente com bom resultado, o programa ganhou outra temporada já sem a missão de tapar o buraco do CQC. Deste modo, foi transferido para as noites de terça-feira. Porém, a Band acabou engavetando a temporada derradeira, recuperando-a agora.

Na nova grade da Band, É Tudo Improviso forma uma dobradinha com reprises de Uma Escolinha Muito Louca. O humorístico era uma espécie de reedição da clássica Escolinha do Professor Raimundo, inclusive trazendo alguns personagens desta, como Seu Eugênio (César Macedo). A atração estreou em 2008, na faixa das 20 horas, e registrou ótimos números para a emissora. No entanto, a Band abusou do programa, programando reprises diurnas. Com isso, desgastou a fórmula rapidamente. Saiu do ar em 2010.

Voltar a exibir programas de humor foi uma boa sacada da Band, que já fez sucesso no segmento no passado. Mesmo com reprises ou programas engavetados, as novidades ajudam a deixar a linha de shows do canal mais diversificada. Sendo assim, a emissora poderia aproveitar o embalo para voltar a produzir este tipo de conteúdo. Trata-se de um segmento que, se bem-feito, sempre atrai a atenção do público.

André Santana

sexta-feira, 12 de julho de 2019

História da TV: relembre a curta trajetória da TV JB, a televisão do Jornal do Brasil


No final de 2006, a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) arrendou parte da programação da CNT, emissora que estava jogada às traças já naquela época. Assim, entre o final de 2006 e início de 2007, surgia a CNT/JB, e o grupo responsável pelo tradicional Jornal do Brasil começava a lançar alguns novos programas. A partir de abril de 2007, surgia em definitivo a TV JB, que controlava a programação da CNT diariamente, entre 18 horas e 0h. Nascia um novo canal de TV no Brasil.

Nelson Tanure, presidente da CBM, afirmava que a ideia da TV JB era oferecer ao público uma programação de qualidade. Assim, no dia 17 de abril de 2007, a nova emissora iniciava sua grade com a estreia do programa juvenil Na Rua, apresentado por Léo Almeida. Com plateia e convidados ao vivo, a atração lembrava o Programa Livre, funcionando como uma arena adolescente para se debater vários assuntos.

A programação jovem da TV JB continuava com o + Pop, programa com clipes e informações musicais apresentado por Luiza Sarmento. Em seguida, a emissora exibia a novela Coração Navegador. Na verdade, tratava-se da série luso-brasileira Segredo, produzida através de uma parceria entre a Stopline Filmes, Accorde Filmes e RTP1, gravada em 2004 no Brasil e exibida originalmente em Portugal entre 25 de setembro de 2004 e 9 de janeiro de 2005, em 28 episódios. A TV JB exibiu a produção, que contava com nomes como Ingra Liberato e Maria João Bastos, dublada. Porém, a emissora exibiu apenas 15 dos 28 episódios da produção e começou a reprisá-los sem qualquer justificativa.

Na sequência de Coração Navegador, a TV JB exibia uma espécie de linha de shows, com programas de meia hora exibidos sempre às 21h30. Entre as atrações desta faixa, o destaque era o Cine Set, programa sobre cinema apresentado por Isabel Wilker; e o Loucos por Bola, esportivo com Alexandre Araújo, Smigol e Lopes. Depois, de segunda a sexta, às 22 horas, entrava no ar o carro-chefe da emissora: Telejornal do Brasil, apresentado por Bóris Casoy. O jornal trazia as notícias do dia, priorizando as análises dos fatos e os comentários do âncora. Além de Bóris, a TV JB contava com Clodovil Hernandes como uma de suas estrelas, comandando o talk show Por Excelência nas noites de domingo.

Algum tempo depois de sua estreia, a TV JB ampliou a faixa na qual operava, lançando também um programa matinal. Manhã Mulher era apresentado por Ney Gonçalves Dias e Nani Venâncio, seguindo os moldes dos tradicionais programas femininos. Porém, algum tempo depois, o programa passou a ocupar parte da programação noturna, tendo o nome alterado para Nei & Nani.

Mas a vida da nova emissora não era fácil. Com traço na audiência, sem repercussão e nem faturamento, a TV JB logo enfrentou sérios problemas financeiros. A emissora, então, suspende o pagamento do arrendamento da CNT, e também o aluguel dos estúdios de Gugu Liberato, que estavam sendo usados como sede do canal. Em agosto, a grade de programação da TV JB passou a mudar constantemente por conta da crise. Neste meio-tempo, a família Martinez pede a quebra do contrato de arrendamento e, em setembro do mesmo ano, a TV JB deixa de transmitir sua programação pelo canal. A CNT, então, “ressurgia”, retomando a produção do CNT Jornal e exibindo reprises de seus programas dos anos 1990.

A TV JB, então, tentou uma sobrevida, associando-se à recém-inaugurada Rede Brasil em setembro daquele ano. No entanto, após uma semana no ar, a CBM decidiu encerrar seu projeto de televisão, demitindo nada menos que 200 funcionários. No mesmo mês, o grupo solicitou um levantamento de todas as emissoras de TV à venda no período para tentar relançar o canal. Mas já era tarde. A TV JB era extinta em definitivo, tornando-se uma das emissoras de vida mais curta da história da TV brasileira.

André Santana

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Record, mais uma vez, falha no seu projeto de dramaturgia

"Ói nóis aqui travêis!"
Desde que a Record reservou a faixa das 20h30 para suas novelas bíblicas, há a tentativa de se manter duas novelas no ar. Uma delas, a das 19h30 (que hoje começa praticamente as 20 horas), seria para tramas não inspiradas no livro sagrado, ou seja, histórias de época ou contemporâneas. O horário foi criado para abrigar Escrava Mãe, inicialmente produzida para suceder Os Dez Mandamentos, e foi muito bem. No entanto, depois disso, a faixa teve problemas.

Com o bom desempenho de Escrava Mãe, o autor Gustavo Reiz emplacou outra novela, a trama medieval Belaventura. Porém, sem tempo hábil para estrear a nova produção depois de Escrava Mãe, a emissora escalou mais uma reprise de A Escrava Isaura. Na sequência, estreou a novela medieval, que não foi lá muito bem. Ao seu final, a reprise de Os Dez Mandamentos, que era exibida às 18h, “pulou” para o horário. Aí veio o inevitável repeteco de A Terra Prometida. Depois, o canal finalmente produziu Topíssima, atualmente no ar.

Enquanto isso, a faixa bíblica até chegou a apelar para reprises, entre as duas temporadas de Os Dez Mandamentos, mas, no geral, seguiu sua vidinha com produtos como O Rico e Lázaro, Apocalipse, Lia e Jesus. A macrossérie Jezabel atualmente ocupa a faixa, enquanto Gênesis estava no gatilho para sucedê-la. Porém, mais uma vez, a emissora se mostra ineficiente em seu cronograma, e não terá tempo para que a trama sobre o início da humanidade. Assim, vai apelar, mais uma vez, para uma reprise. O Rico e Lázaro deve substituir Jezabel e tapar o buraco até Gênesis ficar pronta.

Já na faixa das 19h30, Topíssima terá direito a uma substituta inédita. A autora Cristianne Fridman trabalha num novo texto que substituirá a novela atual, também de sua autoria. E, vale lembrar, a novelista também assina Jezabel. Ou seja, Fridman tem, atualmente, duas novelas inéditas no ar, e vai emplacar mais uma na sequência. Um sinal claro de que o setor de teledramaturgia está fragilizado e conta com poucas opções de autores, depois da debandada de nomes como Lauro César Muniz, Marcílio Moraes, Gisele Joras, Margareth Boury, Renato Modesto, Gustavo Reiz e Vivian de Oliveira. 

Em suma: a Record tenta, mas é incapaz de manter duas faixas de novelas inéditas andando. A notícia de que Topíssima teria uma substituta inédita foi comemorada, porém, na sequência, veio a notícia de que Jezabel será substituída por uma reprise. É o famoso “tapa aqui, descobre ali”. Quando parece que as coisas vão entrar nos eixos, tudo desanda novamente. Falta compromisso e profissionalismo na dramaturgia da emissora.

André Santana

sábado, 6 de julho de 2019

Grande produção, "Aruanas" é a melhor série original GloboPlay até aqui

À luta!

Nunca se falou tanto sobre a preservação do meio ambiente, para o bem ou para o mal. No entanto, falar sobre isso na televisão sem parecer chato ou pedante sempre pareceu impossível. Mas Aruanas, nova série do GloboPlay, cumpre o desafio com louvor. A produção, cujo primeiro episódio foi exibido na Globo na última quarta-feira, 03, na Sessão GloboPlay, é envolvente e toca em pontos importantes da temática.

Aruanas gira em torno de quatro ativistas ambientais. Verônica (Taís Araújo), Natalie (Débora Falabella) e Luíza (Leandra Leal) são amigas de infância e fundadoras da ONG Aruana, que defende o meio ambiente. A elas se junta a estagiária Clara (Thainá Duarte) quando elas deixam São Paulo rumo a Cari, no Amazonas, num momento em que surge uma denúncia de que uma mineradora está poluindo os rios da região. Juntas, elas enfrentam Miguel (Luís Carlos Vasconcellos), o dono da mineradora.

O texto de Estela Renner e Marcos Nisti, criadores de Aruanas, toca em pontos importantes (pra não dizer fundamentais) acerca da exploração desenfreada dos recursos naturais. A série consegue mostrar os vários lados da problemática, incluindo os interesses comerciais e políticos, além de inserir a questão indígena. Assim, num contexto político e social como o atual, no qual não falta quem passe por cima das leis ambientais, Aruanas faz um necessário trabalho de conscientização. E, felizmente, o faz sem perder de vista o entretenimento. A série não é panfletária, muito menos didática.

Aruanas consegue falar sobre questões ecológicas sem ser chata justamente pela esperteza do roteiro. Os autores fogem da fórmula do folhetim, preferindo apostar num subtexto. Assim, não entregam tudo de cara e fazem o público pensar. Além disso, a espinha dorsal da série é, também, policial, o que garante muita emoção, reviravoltas e intensos acontecimentos.

Fora isso, a série também funciona graças às protagonistas, todas muito bem desenhadas. Verônica, Natalie, Luíza e Clara são ativistas, mas são, também, mulheres às voltas com vidas pessoais atribuladas. Verônica é implacável, mas também carrega uma vida amorosa complicada. Já Natalie tem questões no casamento, enquanto Luíza não consegue se dedicar ao filho tanto quanto gostaria. E a jovem Clara foge de um namorado que a persegue.

Com isso, Aruanas ganha humanidade. As protagonistas poderiam carregar a ingrata pecha de “ecochatas”, mas não o fazem porque são mulheres cheias de conflitos e contradições. Deste modo, o público é envolvido por elas, fazendo com que a experiência de assistir Aruanas passe longe da sensação de estar diante de uma cartilha.

Desde que passou a apostar em conteúdo exclusivo, o GloboPlay se tornou um espaço para novas experiências dramatúrgicas da Globo. A plataforma foi feliz em séries como Assédio e Ilha de Ferro, que foram além das experiências na TV convencional.

No entanto, Aruanas é um divisor de águas no campo das séries nacionais no streaming. A série encontrou uma fórmula legitimamente nacional no gênero, fugindo do vício das novelas e oferecendo um produto de alta qualidade. Por isso, e por conta da relevância de sua temática, merecia exibição no canal aberto.

André Santana

A volta do "Topa ou Não Topa", o sábado do SBT e o espaço de Raul Gil

"Já que é pra topar, topei!"

A surpresa deste final de semana foi o anúncio do SBT de que o game show Topa ou Não Topa voltará à programação em breve. Ou melhor, surpresa em termos: já faz mais de um ano que o canal de Silvio Santos comprou novamente o formato do game das maletas, e era praticamente certo que Patrícia Abravanel seria a nova apresentadora da atração. Porém, em razão das gravidezes da apresentadora, a atração foi engavetada. Agora, será retomada (coincidentemente, dias depois de a própria Patrícia ter pedido um novo programa ao pai no Programa Silvio Santos).

Por isso, a surpresa não está no anúncio em si. O que surpreendeu foi a informação quanto ao dia e horário que a nova versão do Topa ou Não Topa ocupará. O game foi escalado para ser exibido aos sábados, a partir das 15h30. Ou seja, Patrícia Abravanel poderá ser vista todo sábado, depois do Programa da Maisa e antes do Programa Raul Gil, que será empurrado para às 16h30.

Num cenário em que o SBT não tem promovido muitas estreias, chama a atenção o fato de a emissora dispensar atenção justamente às tardes de sábado. Sua única novidade do ano, até então, é o Programa da Maisa, que estreou fazendo barulho e beliscando a liderança na audiência. Hoje, o talk show de Maisa Silva estacionou oscilando entre a vice-liderança e o terceiro lugar, ao bater de frente com o Balanço Geral, da Record. Mesmo assim, ainda é uma excelente opção para as tardes de sábado, rendendo momentos muito divertidos. Fora o fato de ser um incontestável sucesso comercial. Maisa está com tudo!

Porém, quando o Programa da Maisa estreou, o Programa Raul Gil perdeu espaço na grade. A tradicional atração do veterano apresentador atravessava a tarde de sábado, entre 14h15 e 19h. Atualmente, começa depois das 15h30 e se estende até 19h45. Agora, com a estreia do Topa ou Não Topa, o Programa Raul Gil será ainda mais reduzido e passará a ter três horas de duração. Ainda é um bom tempo, mas bem menos que as cinco horas que Raul já ocupou nos áureos tempos.

Seria este um sinal de que o SBT está cozinhando Raul Gil? Vale lembrar que o apresentador já esteve a ponto de sair do ar de vez na emissora por diversas vezes. O caso mais célebre aconteceu há alguns anos, quando a emissora chegou a anunciar o fim do contrato de Raul e sua substituição por Celso Portiolli, o que culminaria com o fim do Domingo Legal (e, na época, a expectativa era de que justamente Patrícia Abravanel assumisse o início das tardes de domingo). Mas Silvio Santos acabou voltando atrás, renovou com Raul e tudo ficou como estava. Porém (e, lembrando, isso é mera especulação deste blogueiro), a redução do espaço de Raul e as chegadas de Maisa e Patrícia aos sábados me parece um projeto de “rejuvenescimento” das tardes deste dia da semana. Se der certo, é bem provável que Raul Gil siga perdendo espaço. Vamos ver.

André Santana

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Marcílio Moraes seria um nome e tanto para nova fase da Globo

"Chama eu, Globo!"
A Globo tem feito a maior renovação de autores da faixa das nove dos últimos tempos. Com o afastamento de medalhões como Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Benedito Ruy Barbosa e Gilberto Braga (este já tem seu retorno confirmado, mas no horário das seis), o horário tem como “veteranos” “apenas” Gloria Perez, Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro e Walcyr Carrasco. Por este motivo, o canal tem investido em novos nomes, como Manuela Dias e Lícia Manzo, que devem assinar as tramas que virão na sequência de A Dona do Pedaço.

Enquanto isso, a Record segue firme e forte em seu projeto bíblico na dramaturgia. Com isso, o canal dispensou vários autores que, anteriormente, assinaram novelas de sucesso, como Lauro César Muniz, Margareth Boury, Gisele Joras e Carlos Lombardi. O último da “velha guarda” que ainda permanecia na emissora era Marcílio Moraes, autor de Essas Mulheres, Vidas Opostas e Ribeirão do Tempo. Desde a minissérie Plano Alto, o novelista tentava emplacar novos projetos, mas não conseguiu mais espaço. Afinal, são raros os projetos “não-bíblicos” a emplacar atualmente. Assim, Moraes cumpriu seu contrato sem conseguir engatilhar mais nenhum projeto.

Ou seja, atualmente, Marcílio Moraes está solto no mercado. Neste contexto, seu retorno à Globo poderia ser bem interessante. Na emissora carioca, Moraes fez poucas coisas sozinho, mas engatou boas parcerias, em produções como Roque Santeiro, Roda de Fogo, Mandala e Irmãos Coragem. Como autor principal, assinou Mico Preto, produção de reputação duvidosa, e Sonho Meu, esta sim um grande sucesso.  Além disso, roteirizou séries e especiais. 

Mas não há dúvidas de que foi na Record que Marcílio Moraes teve seu talento mais bem aproveitado. Vidas Opostas, seu principal sucesso, foi um divisor de águas na teledramaturgia do canal. Uma grande novela, que ditou os rumos das tramas que a emissora produziria a partir dali. Enquanto isso, Essas Mulheres é uma das novelas de maior prestígio da Record. E Ribeirão do Tempo foi uma das novelas mais inventivas já produzidas pelo canal. Isso sem falar em A Lei e o Crime e Fora de Controle, duas boas séries policiais. Plano Alto foi outro acerto, um drama político da melhor qualidade.

Já imaginou um criador deste naipe tendo carta branca e a estrutura da Globo à disposição? Marcílio Moraes já provou que é capaz de assinar uma excelente novela das nove. Tem texto refinado, boas soluções, é criativo e, acima de tudo, entende muito bem da estrutura do folhetim. Com isso, teria todas as condições de fazer uma novela que vá além do óbvio, como tem sido as últimas produções do horário na emissora. Porém, infelizmente, o canal tem dado preferência a textos mais simplistas, o que poderia ser uma barreira para a chegada de Moraes. No entanto, Marcílio Moraes seria um “estreante veterano”, que poderia contribuir muito com a experiência que acumulou ao longo de sua bem-sucedida trajetória. 

André Santana

terça-feira, 2 de julho de 2019

"Bela, a Feia" repete sucesso nas tardes da Record

"Tô bonitããn?"
Mais uma vez, o Fofocalizando, do SBT, está a um passo do cadafalso. O próprio Leo Dias confirmou, em entrevista à Jovem Pan, que a atração pode estar com os dias contados. Em sua coluna no UOL, o jornalista Flavio Ricco noticiou que Silvio Santos deu um ultimato ao vespertino: ou sobe a audiência, ou sai do ar. E a crise tem nome e sobrenome (ou melhor, um título): Bela, a Feia. A reprise da novela, exibida pela Record, tem colocado o programa de fofocas do SBT cada vez mais distante no retrovisor.

Sem dúvidas, o repeteco da novela foi um dos maiores acertos da emissora desde que foram criadas as duas faixas de reprises vespertinas. A Record foi bastante feliz ao escolher Bela, a Feia para ocupar um destes horários. A adaptação de Gisele Joras de Betty, a Feia, um clássico de Fernando Gaitán, tem feito bonito. E este bom resultado mostrou que a história da secretária pouco atraente, mas muito eficiente, tem uma força que ultrapassa barreiras sociais e territoriais.

Bela, a Feia foi exibida originalmente em 2009. Na época, a Record mantinha um acordo com a Televisa para a produção de adaptações de novelas mexicanas. E a Televisa, por sua vez, tinha os direitos do texto de Betty, a Feia, uma novela originalmente colombiana. O grupo mexicano já havia produzido sua versão da história, A Feia Mais Bela, que também fez muito sucesso (por aqui, foi exibida pelo SBT duas vezes, com resultados satisfatórios). E vários outros países já tinham sua própria versão da história. Assim, havia chegado a vez do Brasil de ter sua própria feia.

Deste modo, a autora Gisele Joras foi escalada para a função de adaptar o enredo. E a novelista, que vinha do inesperado sucesso de Amor e Intrigas, conseguiu construir uma nova história. A autora bebeu não apenas do original, mas também das mais diversas adaptações da trama, além de injetar sua impressão digital ao enredo. Assim, ela manteve a espinha dorsal com o romance entre Bela (Gisele Itié) e Rodrigo (Bruno Ferrari). Porém, muito do universo de Bela, a Feia lembra a versão estadunidense, Ugly Betty, sobretudo na figura da vilã. Verônica (Simone Spoladore) lembra demais Wilhelmina Slater (Vanessa Williams), a deliciosa vilã da série americana.

Além de elementos de Betty, a Feia original e da série Ugly Betty, Bela, a Feia também carrega semelhanças com A Feia Mais Bela no que se refere ao tom non sense do humor. Mas a novela também tinha um jeitão próprio, bem alinhado com as novelas que a Record produzia na época. Um exemplo claro disso é a trama envolvendo Ataulfo (André Mattos), que deu contornos policiais ao enredo. Na época, a emissora se caracterizava pelas tramas policiais.

Com isso, apesar das inúmeras referências, Gisele Joras conseguiu dar identidade própria à sua Bela, a Feia. Por conta disso, mesmo o público brasileiro já tendo visto Betty, a Feia duas vezes na RedeTV, e ainda A Feia Mais Bela e Ugly Betty, exibidas no SBT, a trama conseguiu chamar a atenção. Teve uma estreia tímida, mas foi crescendo e terminou sendo considerada um sucesso.

O fato de praticamente todas as versões desta história terem feito sucesso no Brasil é realmente algo que chama a atenção. Isso mostra o quanto o enredo criado por Fernando Gaitán é poderoso. O novelista colombiano conseguiu criar uma personagem pura, que traduz em seus gestos e atitudes a insegurança que todos nós temos ou tivemos. Ou seja, Betty (ou Bela… ou Lety…) gera imediata identificação e empatia.

Isso explica porque, dez anos depois de sua exibição, Bela, a Feia ainda agrada. Assim como qualquer reprise de Betty, a Feia, A Feia Mais Bela ou Ugly Betty sempre será bem recebida pelo público. Trata-se de uma história universal e irresistível.

JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA: Queridos, desculpem o sumiço neste final de semana. Viajei para poder prestigiar o casamento de minha amiga e colega de trabalho Camila. Passada a ótima festa e os desejos de felicidades eternas ao casal, volto ao batente. Por isso, o TELE-VISÃO terá atualizações também amanhã, 03, e quinta-feira, 04, para compensar a ausência. Agradeço a compreensão. E vivam os noivos!

André Santana