terça-feira, 7 de maio de 2019

História da TV: 17 anos de "Falando Francamente", de Sonia Abrão, no SBT

"Aqui a gente falava francamente"
Recentemente, Sonia Abrão comemorou nada menos que 13 anos à frente do A Tarde É Sua, da RedeTV. A jornalista, com sua Roda da Fofoca, se tornou um expoente dos vespertinos sobre a vida das celebridades e da TV, quando estreou à frente do A Casa É Sua, na mesma RedeTV, em 2000. O sucesso do vespertino era tanto que despertou o interesse de Silvio Santos, que a contratou para comandar o Falando Francamente, nos mesmos moldes. A atração estreou no dia 06 de maio de 2002.

Inicialmente exibido das 15h45 às 18 horas, Falando Francamente trazia basicamente as mesmas atrações do A Casa É Sua. Com um cenário no qual se via uma redação de jornalismo e uma sala de estar, Sonia lia as revistas do dia, comentava as novidades da TV e trazia informações sobre as celebridades. Além disso, recebia convidados para entrevistas e exibia matérias sobre os bastidores do SBT e cobertura de festas. 

Antes de Sonia Abrão assumir as tardes do SBT, a emissora exibia os filmes do Cinema em Casa, que começava por volta das 15 horas, e uma maratona de novelas mexicanas na faixa Tarde de Amor. Com a estreia do Falando Francamente, o Cinema em Casa passou a ser exibido mais cedo, às 14 horas, e a Tarde de Amor perdeu uma de suas novelas. No entanto, Sonia não conseguiu elevar a audiência das tardes do SBT, como era esperado. Por conta disso, o programa foi mudando de rumo. O espaço para o noticiário policial aumentou, enquanto as fofocas perderam espaço. Mas Falando Francamente não reagiu, e acabou vendo seu horário ser constantemente alterado.

O programa de Sonia Abrão, então, passou a oscilar entre a faixa das 13h e 14h. Nesta época, Falando Francamente voltou a ficar mais leve, e chegou a lançar um dos quadros mais lembrados da atração, o SBT 21, que relembrava programas e momentos da história da emissora. Mesmo assim, a audiência permaneceu insatisfatória e, no final de 2003, Silvio Santos mandou mudar tudo: o programa deixaria de ser diário e se transformaria num programa de auditório nas tardes de sábado. A expectativa era alta: Silvio declarou que Sonia Abrão tinha condições de se tornar um “Gugu de saias” e fazer frente aos demais programas de sábado da TV aberta: Caldeirão do Huck, da Globo; Programa Raul Gil, da Record; e Sabadaço, da Band. Com a saída do Falando Francamente das tardes diárias, o SBT reformou sua programação, trazendo novamente novas faixas de novelas, além da estreia do Casos da Vida Real. Meses depois, estrearam outros programas, como Casos de Família (com Regina Volpato), Programa Cor de Rosa e, mais adiante, Charme com Adriane Galisteu.

"É uma tradição do SBT [programa de auditório]. Acontece que eu nunca apresentei um programa do gênero. Vai ser um exercício realmente desafiador", declarou Sonia ao portal Terra tempos antes da estreia da nova fase da atração. O novo Falando Francamente estreou no dia 10 de janeiro de 2004, das 13h30 às 18h30. O quadro de nostalgia do SBT se tornou um game show, no estilo Vídeo Game, e o programa seguiu com uma pegada “jornalística”, com helicóptero ao vivo e reportagens. Sonia também recebia convidados e contava histórias “emocionantes”, com muitas pautas policiais. 

Mas as novidades não deram certo e Sonia Abrão, claramente, não estava à vontade como animadora de auditório. Assim, ela preferiu atender o chamado da Record e relançou seu vespertino diário, com o nome Sonia e Você, em outubro daquele ano. Enquanto isso, a Sessão Premiada, com Celso Portiolli, substituiu o Falando Francamente nos sábados do SBT. 

André Santana

8 comentários:

  1. Esse é só um entre tantos exemplos de que não é porque um formato dá certo numa emissora, que dará em outra também. Às vezes, não é o que o público daquele canal quer ver, mas a direção insiste em enfiar goela abaixo do público. O resultado acaba se tornando catastrófico.

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    1. Exatamente, Mister Ed! O A Casa É Sua, às vezes, alcançava as novelas da tarde do SBT, por isso Silvio Santos se interessou em contratar a Sonia. Mas, no SBT, o programa dela costumava ficar em terceiro. Aí ela muda pra Record, e na Record ela chegou a bater o SBT. Ou seja, o público do SBT não comprou o formato, que funcionou nos demais canais. É bem interessante isso.

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  2. O mais emblemático é ver a Sonia querendo tirar sarro dos programas vespertinos que saíram ou que estão no ar sendo que a mesma a mesma só deu certo na RedeTV! pra quem 2 pontos já é muita coisa. Há mais de uma década atrás sofria pra dar 5 pontos no SBT ou na Record.

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  3. Qunata história, hein amigo?! E vou confessar que gostava da Sônia nos tempos do SBT justamente por causa disso: da leveza nas pautas e a abordagem sbtística - lembra quando a equipe do programa fez uma série de reportagens no México? -. E além das pautas habituais - fofocas e reportagens do meio artístico - teve um quadro com a participação dos telespectadores, que consistia em adivinhar onde está o prêmio máximo - chegou um ponto em que esse era o suprassumo da atração e mexeu com vc, mexeu comigo (obrigado Márcia Goldschimdt), chegou um ponto em que a felizarda levou o prêmio máximo depois de várias tentativas... esse quadro era legal. Todavia a maior bizarrice - pelo menos na minha opinião - foi o "Troféu Falando Francamente", conferido aos melhores momentos da TV na semana, primo pobre do Troféu Imprensa. Não entendo como com toda esse arsenal de pautas lights o programa não engrenou, e o curioso é que o saudoso Cinema em Casa dava bons números no ibope, bem como a sequência de novelas mexicanas que vinham após o Falando Francamente. Talvez o erro foi levar ao SBT um formato de programa vespertino que não era a tendência da emissora, pelo menos na época, que era o de programas de fofocas, segmento esse disseminado graças à então novata RedeTV! (volta Manchete!). Outro erro foi tentar forçar um lado animadora de auditório da Sônia Abrão, embora eu ache que essa mudança de rumo da atração tivesse servido para tirar o programa da mesmice. Mesmo assim, no meu ibope o Falando Francamente teve uma boa audiência da minha parte, porque era no FF a minha fonte de informação sobre o meio artístico e televisivo - internet era para poucos e nem tínhamos redes sociais ainda -, ligava no SBT para ver o programa e saber as profecias da Amira Lépore (a nova Mãe Dinah) e relembrar os programas antigos do SBT no SBT 21 (depois SBT 22, quando a emissora celebrou 22 anos). Foi uma pena mesmo Silvio Santos não ter aproveitado sua colega de trabalho como deveria, mesmo sendo figura tarimbada do júri da premiação sbtal anual. Conclusão: o lugar do sol da Sônia é mesmo na RedeTV!, porque ficou mais tempo lá em duas fases diferentes separadas por emissoras, e uma possível saída da Sônia da emissora de Osasco significaria mais um problema de horário na RedeTV!, só que nas tardes. Enquanto o destino for generoso com nossa profissional, ela estará lá faça chuva ou faça sol, com seus jornais e revistas e a roda da fofoca, segurando as pontas do ibope da RedeTV!

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    1. João Paulo, na minha casa o Falando Francamente também tinha Ibope, rs! Eu só desisti um pouco do programa na fase essencialmente policialesca e trágica, porque não tenho paciência pra este tipo de conteúdo. O quadro do prêmio que você falou, creio, é a Caixa Surpresa, né? Naquela época, os vespertinos todos tinham quadros que premiavam a audiência, e o Falando Francamente criou o seu. Também me lembro bem da série de reportagens no México, teve entrevistas muito boas com os atores das novelas e do Chaves. Bons tempos...

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  4. Eae André, eu lembro desse programa porque estava na 5° série e fazia as lições assistindo TV. Quem diria que anos depois, a mesma apresentadora estaria fazendo a mesma coisa só que em outra emissora...

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    1. Pois é, Marcelo! Sonia é uma vitoriosa neste sentido. Quando ela estreou na RedeTV eu achava estranhíssimo, porque nunca achei que ela tivesse perfil pra apresentadora de vespertino. Mas paguei a língua. Ficar no ar diariamente por 20 anos fazendo a mesma coisa não é pra qualquer um.

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