quinta-feira, 18 de abril de 2019

História da TV: "Agente G", um clássico da Record

Gérson e Mestre Iodo

Há 24 anos, estreava na Record um dos programas infantis mais simpáticos já produzidos pela TV aberta brasileira. Agente G, uma série educativa de humor, estreava em 24 de abril de 1995, em pleno horário nobre da emissora. Exibido de segunda a sexta-feira, às 20 horas, logo depois do Jornal da Record, o infantil conseguiu marcar uma geração e abrir caminho para a produção de programas para crianças na emissora.

Agente G era protagonizada pelo personagem-título, vivido por Gérson de Abreu. Ele era membro da GELO (Grupo Especial pela Lei e Ordem), uma organização secreta que lutava contra os planos da COISA (Central Odiosa de Inimigos Safados e Abomináveis), que fazia de tudo para praticar todo tipo de maldade. A GELO tinha como agentes os habitantes da geladeira de Gérson, como Salsinha (Fernando Gomes), Refri (Cláudio Chakmati), Leite (Álvaro Petersen Jr), Coco (Wesley Crespo), Repolho (Cláudio Chakmati) e a trêmula Gela Tina (Álvaro Petersen Jr). Todos eles seguiam os ensinamentos do Mestre Iodo (Fernando Gomes), um guru esperto, mas um tanto atrapalhado. O boneco era inspirado no Mestre Yoda, de Star Wars, e falava de maneira enigmática, tal qual o “sósia americano”. Havia ainda o misterioso Chefe, de quem só se via os olhos no refrigerador.

Enquanto isso, a COISA era liderada pela malvada Gina (Helen Helene), uma figura odiosa que escondia uma quedinha pelo Agente G. Seus capangas eram Nefasto (Álvaro Petersen Jr) e Sinistro (Cláudio Chakmati), dois atrapalhados espiões que sempre falhavam em suas missões. Gina tinha como principal confidente o Corvo Edgar Alan Poe (Fernando Gomes).

A cada episódio do Agente G, a COISA colocava em prática um plano para descobrir “todos os segredos da GELO”, como sempre repetia Gina. Porém, Gérson e seus amigos sempre conseguiam desmascarar a COISA e desmantelar suas armadilhas. A história do dia era costurada por quadros de conteúdo didático, como A Gente Sabe, com as aulas do Professor LeChatô (Helen Helene); o A Gente Faz, com as experiências de Gérson, quadro que o consagrou no X-Tudo, da TV Cultura; A Gente Lê, com dicas de livros; entre outros. Além disso, o programa exibia desenhos animados, como Supermouse, Beetlejuice e Bill Body, entre outros.

O elenco de Agente G sofreu alterações ao longo de seus dois anos no ar. O primeiro foi Cláudio Chakmati, que deixou o país. Assim, o capanga Sinistro foi substituído por Soturno (Wesley Crespo). Helen Helene, atriz conhecida por contar histórias no Rá-Tim-Bum, da Cultura, também deixou a série, sendo substituída por outra atriz conhecida dos infantis da emissora educativa: Silvana Teixeira, famosa pelo Bambalalão. Silvana interpretou duas personagens: Brígida, a nova malvada da COISA, e Bárbara, uma personagem “do bem”, amiga do pessoal da GELO. Aliás, com a saída de Helen Helene, o Professor LeChatô também sumiu da série, já que era a atriz que dava voz ao boneco. Em seu lugar, entrou outro boneco, o Professor LeBobô (Fernando Gomes).

Em 1996, Agente G passou por mudanças. O programa passou a se chamar A Turma do Agente G, mudou para a faixa da tarde e aboliu a história do dia, focando apenas numa sucessão de quadros educativos sem muita ligação entre eles. Com isso, a COISA saiu de cena, e novos personagens chegaram, como Leonardo (Álvaro Petersen Jr), que comandava o quadro A Gente Desenha (que ensinava as crianças a desenhar). Algum tempo depois, A Turma do Agente G passou para a faixa matinal, com mais tempo no ar e muitos desenhos, como Snoopy, Garfield e SupermanThe Animated Serie, além da série O Mundo de Beakman. Nesta época, Gerson chegou a ir aos EUA gravar nos cenários do Beakman, com a presença do próprio (vivido pelo ator Paul Zaloom), num dos crossovers internacionais mais legais da TV aberta do Brasil. No entanto, A Turma do Agente G não conseguiu fazer frente aos poderosos infantis matinais de Globo e SBT, deixando a grade da Record em 6 de junho de 1997.

Agente G era fortemente inspirado nos infantis da Cultura, como dito acima. Além de Gérson de Abreu, estrela do X-Tudo, e de outros atores já citados, o programa contava com manipuladores de bonecos que também vieram dos infantis da emissora pública, como Fernando Gomes (o X, o Julio do Cocoricó, o Garibaldo da Vila Sésamo...), ou Álvaro Petersen Jr (a Celeste e o Godofredo do Castelo Rá-Tim-Bum), ou ainda Cláudio Chakmati (o Mau do Castelo, falecido em 1997). O roteiro era assinado por Rosana Rios, Lúcia Tulchinski e Andréa Egídio, e o programa era dirigido por Celso Exell, Arlindo Pereira, José Amâncio e Fernando Gomes. Com o fim de Agente G, Gérson de Abreu seguiu na Record, atuando na novela Estrela de Fogo e na série infantil Vila Esperança. Depois, migrou para a Globo, onde atuou na minissérie Aquarela do Brasil. Faleceu em 2002, aos 37 anos.


Veja o início do primeiro programa da segunda fase de Agente G


André Santana

6 comentários:

  1. Nooooossa, lembro bem deste episódio especial do Agente G visitando o Mundo de Beakman! Excelente resgate!

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  2. Só lembro do Vila Esperança, que eu amava.

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    1. Eu acompanhei Vila Esperança, mas eu estava um pouco mais velho na época e não me interessava muito. Mas era um programa muito bem feito.

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  3. Taí a justa homenagem a um programa que fez parte da minha infância. A melhor fase sem dúvida foi a dos primeiros anos, quando era exibida no horário nobre. Aliás, vale uma observação interessante, mas que gostaria de confirmações melhores: quando o Agente G estreou, concorria no horário além da novela da Globo com o desenho Doug da Cultura. E o SBT por sua vez exibia Sangue do Meu Sangue. Enquanto o Agente G deu dor de cabeça para a Globo (história bem antiga...), o SBT apanhava da Globo, Record e Cultura, mesmo com ínfima audiência, tanto que o SBT tirou o Doug da Cultura. Voltando ao Agente G, bem lembrada a visita do saudoso Gérson de Abreu à série O Mundo de Beakman, também exibida pela Cultura. Aliás, a Record estava bem munida de programas infantis naquela época, e eu fiz parte desse público cativo. Só não acompanhei a Eliana por causa da queda do sinal da Record em casa, exatamente na época em que a emissora ainda era assistível... Digna de nota também a fase final do infantil, quando passou nas manhãs. Nessa fase, o programa tinha um quê de X-Tudo com Rá-Tim-Bum, e assim se acabou o meu programa favorito. Vila Esperança não cheguei a ver, e pelo conteúdo devia ser bem chato, um misto de programa infantil com novelinha. Falando nisso, lembra do "Acampamento Legal" que a Record passou em meados dos anos 2000? Acredito que a idéia original partiu do Vila Esperança, se não estiver enganado. Saudades dos tempos em que Seu Edir destinou parte da grade da Record ao público infantil. Segmento esse que vem morrendo aos poucos, restando o SBT como a última flor do Lácio dedicado a esse público.

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    1. Oi João! Lembro do Acampamento Legal, sim! Sobre o Agente G, você foi certeiro: naquela época, a Cultura nadava de braçadas com infantis no horário nobre: Cocoricó às 18h30, Castelo Rá-Tim-Bum às 19h, O Mundo de Beakman às 19h30, e Doug às 20h. O desenho registrada ótima audiência, era o programa mais visto da Cultura na época, e incomodava as TV's comerciais, como você bem lembrou. Eu me lembro que eu começava a ver o Agente G sempre a partir das 20h30, pois não perdia o Doug! Bons tempos...

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