sábado, 20 de abril de 2019

Depois de dez anos tentando, Celso Portiolli finalmente dá sua cara ao "Domingo Legal"


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Em 2009, depois de uma das negociações mais barulhentas da TV brasileira, Gugu Liberato deixou o SBT, casa que o inventou, rumo à Record. Com isso, a emissora de Silvio Santos teve em mãos um abacaxi: dar continuidade ao Domingo Legal sem a sua estrela. Não era tarefa fácil, tendo em vista que Domingo Legal e Gugu eram praticamente uma coisa só. Entre os altos e baixos da história da atração, o fato é que o dominical era o “Programa do Gugu”. Substituí-lo, portanto, era uma tarefa ingrata e quase impossível.

E foi isso que aconteceu. Na época, chegaram a defender o fim do programa. No entanto, muitos torciam para que Celso Portiolli assumisse a atração. O apresentador, que esteve à frente de tantos programas no SBT, formou uma plateia cativa, que torcia para que Celso conquistasse mais espaço na grade. Ele, já havia alguns anos, estava sendo subutilizado. Ou seja, na cabeça dos “sbtistas”, era ele o substituto natural de Gugu e o nome certo para dar continuidade ao Domingo Legal, que, goste-se ou não, é fato que se trata de uma marca poderosa do SBT. E a direção do SBT acatou o pedido do público e recrutou Celso para mais esta missão.

Porém, como era previsto, a troca não foi fácil. Celso Portiolli pegou para si um programa que já vinha sofrendo com uma crise de criatividade sem precedentes, com poucos quadros realmente relevantes. Além disso, boa parte da atração era calcada na “emoção”, algo estranho para o novo apresentador, mais acostumado a tratar de pautas mais alegres. Sendo assim, Domingo Legal passou uns bons anos tateando qual seria o melhor rumo a ser tomado.

Vieram então muitos quadros sem grande elaboração, como os famigerados Piscina de Amido e Afunda ou Boia. Veio também a exploração de “histórias de superação”, claramente inspiradas no Domingo Show da Record. Uma das poucas boas ideias que surgiu neste período foi a transformação do Passa ou Repassa em quadro do programa. O game foi o primeiro programa que Celso apresentou no SBT. Ou seja, era a cara dele. Além disso, é um formato que tem certa elaboração e ritmo. Em suma, um formato que funciona.

Estava aí, então, um rumo que poderia ser adotado pelo Domingo Legal. Porém, a direção do programa levou mais alguns anos para se inspirar neste retorno do Passa ou Repassa e recorrer a outros quadros que tinham mais a ver com o perfil de Celso Portiolli. De quebra, o programa perdeu tempo de arte, e o Passa ou Repassa passou a ser praticamente o único quadro, revezando com outros menores. Neste meio-tempo, surgiu um quadro inédito, bem feito e que funcionou: Comprar É Bom, Levar É Melhor.

Ou seja, ficou bem claro que o traquejo de Celso Portiolli no comando de games deveria ser explorado mais pelo Domingo Legal. E a direção do programa acertou em cheio nesta temporada de 2019, quando a atração voltou a ocupar quatro horas da grade de domingo do SBT. Com mais tempo no ar, Domingo Legal se transformou, basicamente, em três programas dentro de um programa maior. Além das novas temporadas de Passa ou Repassa e Comprar É Bom, Levar É Melhor, o dominical agora aposta também no Xaveco, outro programa clássico apresentado por Celso no passado.

Em suma, são três games. Mas três bons games, que divertem o público. E nos quais Celso tem total domínio. Assim, pela primeira vez nestes dez anos, finalmente é possível assistir ao Domingo Legal e enxergá-lo como o “programa do Celso”. Todas as atrações atuais têm a cara dele, e é visível como ele o tem comandado com muito mais força e segurança. Porque ele, finalmente, está em casa. Não por acaso, a audiência reagiu, e o Domingo Legal vive sua melhor fase desde que Celso entrou em cena. Demorou dez anos, mas o Domingo Legal com Celso Portiolli encontrou um rumo. Antes tarde do que nunca.

André Santana

8 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Na realidade, Celso Portiolli, em mais de 20 anos de carreira, jamais marcou a sua imagem com uma identidade própria.... Eu sinto enorme saudade do Gugu no Domingo Legal. Essa é a verdade. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. O problema dele com aquelas invasões a casa de artistas era bem doido...Celso e um Luciano Huck da Record bom mas duro sem muita emoção

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    2. Eu acho que Celso deixou sua marca, sim. O Passa ou Repassa teve três apresentadores antes dele, mas ele ficou marcado com o game. E o Curtindo Uma Viagem foi seu maior sucesso, com razão, afinal, era um game bem interessante. Em sua, Celso é comandante de games. Faz muito bem! Abraço, Fabio, abraço Miguel!

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  2. Concordo quando o André diz que os games são a cara do Celso Portiolli. Quem não se lembra do Curtindo Uma Viagem? Ele tem uma forte conexão com o público jovem, sem contar que é um excelente animador.

    Sobre o Gugu... o que faltou à Record na época em que o contratou foi justamente a malícia de não investir no mesmo formato que já não fazia barulho no SBT. Se tivessem resgatado o que dava certo no Domingo Legal (a disputa entre homens e mulheres, entrevistas e curiosidades), talvez Gugu estivesse até hoje nos domingos da TV.

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    1. Concordo, Mister Ed. Quando Gugu deixou o SBT, o Domingo Legal já estava meio esvaziado. Só tinha recuperado algum prestígio em razão do sucesso do quadro Construindo um Sonho. Assim, o erro da Record foi ter reproduzido, no Programa do Gugu, a fase mais insossa do Domingo Legal. Uma pena.

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  3. Eu testemunhei na época a transição do Domingo Legal do consagrado Gugu para o Celso, e realmente foi um processo doloroso, mas todavia necessário, uma vez que a última lembrança amarga do dominical vespertino vinha do triste episódio da farsa do PCC. Vale lembrar que a ida de Gugu para a emissora de Edir Macedo se deu justamente na época em que a Record se digladiou feio com a Globo. Pois bem, se o Portiolli demorou uma década para se encaixar na atração herdada de Gugu é porque levou um período para fazer o telespectador se acostumar, isso é natural, porém nem todos conseguem. Explo: Geraldo Luís tentou emplacar seu programa de auditório nas tardes diárias da Record, no mesmíssimo ano de 2009, mas não deu certo por causa da concorrência com o SBT no horário com suas reprises de novelas e Chaves, além da falta de pauta, uma vez que na época A Fazenda estava no ar e o programa se centralizava nisso. Geraldo finalmente se encaixaria no ar em 2014, nas tardes de domingo, mesmo com as pautas indigestas de assistencialismo duramente criticadas. Aliás, esse foi o segredo do acerto do Domingo Legal: sai pautas assistencialistas, entra games. Sempre defendi a tese de que games(shows), mesmo que sejam quadros de um programa vespertino dominical, dão boa audiência. Resta saber se essa linha de entretenimento adotada na nova fase do DL vai assegurar a sobrevida do longevo Domingo Legal...

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    1. Concordo, João! Na verdade, além de games terem mais a cara do Celso, os quadros se tornam uma alternativa aos chororôs do Geraldo Luís. Celso errou na fase em que tentou combater o Domingo Show com a mesma arma. Agora não, o público tem opções diferentes. Isso é bom.

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  4. Comprar É Bom, Levar É Melhor é muito bom quando acaba The Voice/Tamanho família já mudo pra esse game.

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