terça-feira, 30 de abril de 2019

Troféu Imprensa segue completamente fora da realidade

"Mas só pode votar nestes três?"
Já nem dá mais pra comentar aqui o resultado do Troféu Imprensa. Com categorias desatualizadas e concorrentes que não representam o ano que passou, a premiação do SBT já não tem absolutamente nenhuma relevância. O que é uma pena, tendo em vista que o fato de ser um prêmio entregue pela imprensa e abranger todas as emissoras, o Troféu Imprensa tinha tudo para ser o mais importante prêmio da televisão brasileira.

Porém, os concorrentes definidos por fãs da internet derrubam a credibilidade da premiação. Olha o que aconteceu com o prêmio de Melhor Atriz, pulverizado entre Adriana Esteves, Marina Ruy Barbosa e Sophia Valverde. Adriana, que viveu Laureta em Segundo Sol, era a única que merecia estar ali. Marina e Sophia não são ruins, mas é evidente que não estão entre as melhores do ano passado. O que elas têm são muitos fãs, que se mobilizam para votar nas enquetes da internet. Enquanto isso... cadê Deborah Secco? Cadê Marieta Severo? E Letícia Colin? Ou Alinne Moraes, Bianca Bin... enfim! Ótimas atrizes ficaram de fora da disputa, enquanto Adriana Esteves concorreu com ela mesma.

E já faz tempo que o Troféu Imprensa não acerta com seu grupo de jurados também. Nada contra quem estava ali, mas faltou pluralidade na bancada. Um dos acertos foi os retornos de Daniel Castro e Cristina Padiglione, que há muito tempo não davam as caras por ali. Outro acerto foi a presença de Mauricio Stycer, um dos melhores na argumentação de seus votos. Porém, ficou evidente o predomínio da imprensa paulistana ali. Há excelentes colunistas no segmento, como Arthur Xexéo, Jorge Luiz Brasil, ou até mesmo Patrícia Kogut, nomes do Rio de Janeiro, e que poderiam estar ali. 

Enquanto bons profissionais ficam de fora, outros acumulam participações que já não fazem sentido. O maior expoente neste caso é Nelson Rubens. O apresentador do TV Fama parece completamente perdido. Além de não ter argumentos convincentes e nem comentários muito coerentes, ele ainda atrapalha os comentários alheios. 

Concluindo: o tempo não fez bem ao Troféu Imprensa. A premiação, hoje, é apenas um programa de televisão que tem seus momentos divertidos. Mas não premia de verdade. Falta abolir de vez os votos pela internet para definir finalistas, falta atualizar as categorias, e falta pluralizar o quadro de jornalistas votantes. Dá pra melhorar, mas é preciso boa vontade de quem organiza.

André Santana

sábado, 27 de abril de 2019

"Jesus", "Jezabel" e o futuro do projeto bíblico da Record

"Eu sou má!"

Na última segunda-feira, 22, a Record exibiu o último capítulo da novela Jesus. Escrita por Paula Richard, a trama furou a fila das produções bíblicas da emissora numa tentativa de estancar a perda de público provocada por Apocalipse, o maior fiasco do canal no segmento. Apesar de não ter repetido o sucesso de Os Dez Mandamentos, a saga do Messias (Dudu Azevedo) conseguiu aumentar a audiência do horário, recuperando parte da credibilidade das novelas da emissora.

Jesus estreou com a boa promessa de mostrar um Messias mais “humano”, nas palavras da própria autora. Realmente, o texto da trama foi pontuado pela trajetória de um Jesus bastante acessível, com um tom mais naturalista. Espertamente, texto e direção fugiram o quanto puderam da tentação em dar ao protagonista um ar excessivamente divino. Deste modo, a novela trouxe um homem de carne e osso. Filho de Deus e dono de grande poder de mobilização. Mas, ainda assim, de carne e osso.

No entanto, tal proposta não encontrou ecos na atuação de Dudu Azevedo. O ator optou por dar a Jesus um tom etéreo, absurdamente contemplativo. O que é um erro, tendo em vista que tanto o texto de Paula Richard, quanto os próprios livros bíblicos deixavam claro que Jesus era um ser dotado de sentimentos diversos. Mas, na pele de Dudu, o Messias era apenas um ser calmo, que não se exaltava e com emoções um tanto apagadas. Faltou vigor para um personagem com o dom de mobilizar tanta gente.

Entretanto, trata-se de um erro comum nas novelas bíblicas da Record. Sabe-se lá por que, praticamente todos os protagonistas das tramas da emissora estão sempre com um olhar contemplativo. Em Os Dez Mandamentos, por exemplo, Moisés (Guilherme Winter) começou a trama com o vigor de um herói. No entanto, após receber a missão divina, ele simplesmente se apaga. Dá a impressão de que a emissora confunde sabedoria e fé com apatia.

Isso também pode ser observado na produção que substituiu Jesus, a macrossérie Jezabel, estreia da terça-feira, 23. A nova trama também tem um profeta na linha de frente, Elias (Iano Salomão). Até aqui, o personagem também prega adotando este tom contemplativo e pouco natural. Porém, isso não é necessariamente um problema, já que a novela está centrada na vilã, a personagem-título vivida pela atriz Lidi Lisboa.

Jezabel é uma nobre da região da Fenícia que se casa com o príncipe Acabe (André Bankoff), de Israel. Ela arma para se tornar rainha do lugar e, ao conquistar o posto, se torna implacável contra seu povo. Assim, Jezabel traz uma rara protagonista mulher dentre as novelas bíblicas da emissora. Mulheres estiveram à frente de enredos como A História de Ester e Lia, mas foram poucas, comparadas aos tantos homens que protagonizaram novelas e minisséries do canal. E o fato de ela ser a vilã da história dá à Jezabel uma pitada de pimenta. Afinal, finalmente a figura central não é um personagem contemplativo e de pouca ação. Jezabel faz a trama andar, com muita firmeza e segurança. E maldades, claro!

Destaque em vários papéis coadjuvantes, sendo o mais importante deles em Escrava Mãe, Lidi Lisboa vinha merecendo uma protagonista. No entanto, nestes primeiros capítulos de Jezabel, seu desempenho foi irregular. A atriz teve bons momentos, mas exagerou nas caras e bocas nas cenas mais tensas. Mas nada que comprometa a personagem, que é bastante complexa. Entretanto, quem roubou a cena na primeira semana foi Hylka Maria. A atriz vive Getúlia, uma cúmplice de Jezabel que cumpriu a missão de matar o rei Onri (Arthur Kohl). Hylka faz uma vilã intensa, porém contida, e esteve muito bem nas sequências do assassinato do rei.

Com Jezabel, a novelista Cristianne Fridman finalmente volta a assinar uma novela na Record. Autora de sucessos, como Chamas da Vida e Vidas em Jogo, ela agora leva sua experiência em folhetins numa história bíblica. Neste primeiro capítulo, mostrou que traquejo na função faz a diferença. Jezabel não fugiu do didatismo comum aos primeiros capítulos, mas o fez de maneira comedida e eficiente. Além disso, o capricho da produção chama a atenção. O salto de qualidade que as tramas bíblicas da Record deram de Os Dez Mandamentos até aqui impressiona. Fora que, com Jezabel, a produtora Formata debuta no segmento das telenovelas. Começou bem.

Em suma, Jezabel veio trazer alguma novidade em um formato que parecia esgotado. Nesta primeira semana, mostrou potencial. Mas terá o desafio de convencer o público destas produções, mais conservador, a acompanhar uma história sobre uma vilã. A conferir.

André Santana

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O fim do "Tá Brincando!" e o sábado da Globo

"Prefiro sair da emissora
do que ir parar no 'É de Casa'"
Ontem, 24, o site NaTelinha noticiou que Otaviano Costa está de saída da Globo. Por conta da indefinição de uma segunda temporada do Tá Brincando!, programa que comandou no primeiro trimestre deste ano, o apresentador optou por não renovar seu contrato com a emissora. A Globo confirmou a informação, mas deixou em aberto a possibilidade de Otaviano retornar eventualmente, seja na TV Globo ou em outras plataformas do grupo. Cristina Padiglione, em sua coluna no Agora SP, afirmou que Otaviano pode ser contratado por obra, em razão de sua participação na Escolinha do Professor Raimundo.

A notícia surpreendeu, já que, a princípio, Tá Brincando! teria uma segunda temporada. Mesmo com desempenho mediano, o game show foi bem visto dentro da emissora, e, enquanto estava no ar, seu retorno no ano seguinte era praticamente certo. Porém, alguma coisa mudou e Tá Brincando! entrou na lista de indefinições da emissora. Há uma crise no ar, e a direção da Globo tem revisto vários planos e agindo com cautela em suas próximas estreias. 

Porém, numa análise fria, uma segunda temporada do Tá Brincando! não parecia uma boa ideia mesmo. Isso porque o game show, apesar da proposta simpática, tinha um formato bem fraquinho. E enjoou rápido, mesmo com uma temporada curta, de apenas nove episódios. A repetição de provas e de competidores aborrecia, assim como os gritos do apresentador, que demorou até achar o melhor tom para a apresentação. Além disso, a audiência do game também não foi lá essas coisas. 

Aliás, este horário anterior ao Caldeirão do Huck tem sido um dos mais problemáticos da grade da Globo. A faixa marcou o fim da trajetória de Xuxa no canal, quando seu TV Xuxa foi exibido ali e chegou a apanhar do Pica-Pau, da Record. Mais adiante, o Estrelas, de Angélica, passou a ocupar o horário. O programa de entrevistas ia bem às 13h45, mas viu sua audiência cair na faixa das 15 horas. Com o fim do programa, vieram o especial As Matrioskas e, depois, o musical SóTocaTop. E a audiência é sempre igual ou menor ao que o Estrelas costumava dar.

É fato que Estrelas estava cansado e merecia sair de cena. No entanto, também é fato que o projeto de transformar o horário numa faixa de programas de temporada também não emplacou. SóTocaTop exibido praticamente o ano todo é um erro, pois o musical cai na repetição logo em sua terceira semana. A audiência também não se justifica. Provavelmente, só se mantém no ar por conta dos patrocinadores, de número bem considerável. Tá Brincando! também passou em brancas nuvens por ali. Enquanto aos domingos a emissora acertou o passo com The Voice Kids, Tamanho Família, Popstar e Escolinha do Professor Raimundo, aos sábados a coisa não engrena. 

André Santana

terça-feira, 23 de abril de 2019

Globo já testou um formato para Angélica. E ficou legal!

Episódio do Estrelas de 24/09/2016: Angélica em momento Hebe

Segundo a imprensa especializada, neste momento o projeto de novo programa para Angélica está engavetado. Em sua coluna no UOL, o jornalista Ricardo Feltrin revelou que a nova atração seria um programa de auditório sobre comportamento, apostando num bate-papo entre convidados e a plateia. O programa seria de temporada e estava cotado para ocupar as noites de quinta-feira. Porém, com receio de fazer grandes investimentos neste momento de instabilidade, a direção da Globo ainda não deu o OK para o início da produção. Assim, ao menos por enquanto, o projeto está suspenso. 

Não se sabe exatamente como seria esse tal projeto, mas, pela descrição de Feltrin, seria algo próximo a um episódio do Estrelas, último programa da loira, que foi ao ar em 2016. Mais precisamente no dia 24 de setembro daquele ano. Neste dia, o Estrelas teve um único cenário: uma casa onde foi utilizada a sala de estar e a cozinha. Na cozinha, Angélica recebeu João Baldasserini, que participou do quadro Sabores com sua receita de carne de panela. 

Enquanto isso, na sala, Angélica recebeu três convidadas: Claudia Raia, Fernanda Souza e Gloria Maria. Ao contrário do que comumente acontecia no Estrelas, elas participaram ao mesmo tempo do programa, conversando sobre diversos assuntos. Angélica mediou o bate-papo, que teve como temas principais a “mentira social” e a moda dos famosos. A apresentadora propunha os temas, enquanto as convidadas os debatiam, sempre com bom humor. O programa também contou com externas, no qual o público nas ruas dava opiniões sobre os temas e mandava recados para as convidadas de Angélica.

Sendo assim, naquele dia, o Estrelas adotou um formato parecido com o Saia Justa, com um debate com mulheres sobre temas diversos. Foi um episódio atípico do programa, que normalmente tinha blocos independentes entre si, e cada bloco era protagonizado por um convidado diferente. Desta vez não. As convidadas de Angélica participaram do programa todo, reunidas num sofá, numa conversa bastante divertida. Se tivesse um auditório ali, seria algo parecido com o que Hebe Camargo fez por tantos anos na TV. 

Ou seja, Angélica mostrou que poderia, perfeitamente, conduzir um “programa de sofá”. Naquela época, o Estrelas já estava um tanto desgastado, e este episódio “fora da curva” mostrou que o programa vinha tentando aperfeiçoar o seu formato. Sem dúvidas, este episódio deveria servir como modelo para a nova atração da apresentadora. Isso se ela conseguir tirar o seu projeto da gaveta. Não está fácil não.

Assista ao episódio em questão do Estrelas clicando AQUI

André Santana

sábado, 20 de abril de 2019

Depois de dez anos tentando, Celso Portiolli finalmente dá sua cara ao "Domingo Legal"


Tudo o que você faz
um dia volta pra você...
Em 2009, depois de uma das negociações mais barulhentas da TV brasileira, Gugu Liberato deixou o SBT, casa que o inventou, rumo à Record. Com isso, a emissora de Silvio Santos teve em mãos um abacaxi: dar continuidade ao Domingo Legal sem a sua estrela. Não era tarefa fácil, tendo em vista que Domingo Legal e Gugu eram praticamente uma coisa só. Entre os altos e baixos da história da atração, o fato é que o dominical era o “Programa do Gugu”. Substituí-lo, portanto, era uma tarefa ingrata e quase impossível.

E foi isso que aconteceu. Na época, chegaram a defender o fim do programa. No entanto, muitos torciam para que Celso Portiolli assumisse a atração. O apresentador, que esteve à frente de tantos programas no SBT, formou uma plateia cativa, que torcia para que Celso conquistasse mais espaço na grade. Ele, já havia alguns anos, estava sendo subutilizado. Ou seja, na cabeça dos “sbtistas”, era ele o substituto natural de Gugu e o nome certo para dar continuidade ao Domingo Legal, que, goste-se ou não, é fato que se trata de uma marca poderosa do SBT. E a direção do SBT acatou o pedido do público e recrutou Celso para mais esta missão.

Porém, como era previsto, a troca não foi fácil. Celso Portiolli pegou para si um programa que já vinha sofrendo com uma crise de criatividade sem precedentes, com poucos quadros realmente relevantes. Além disso, boa parte da atração era calcada na “emoção”, algo estranho para o novo apresentador, mais acostumado a tratar de pautas mais alegres. Sendo assim, Domingo Legal passou uns bons anos tateando qual seria o melhor rumo a ser tomado.

Vieram então muitos quadros sem grande elaboração, como os famigerados Piscina de Amido e Afunda ou Boia. Veio também a exploração de “histórias de superação”, claramente inspiradas no Domingo Show da Record. Uma das poucas boas ideias que surgiu neste período foi a transformação do Passa ou Repassa em quadro do programa. O game foi o primeiro programa que Celso apresentou no SBT. Ou seja, era a cara dele. Além disso, é um formato que tem certa elaboração e ritmo. Em suma, um formato que funciona.

Estava aí, então, um rumo que poderia ser adotado pelo Domingo Legal. Porém, a direção do programa levou mais alguns anos para se inspirar neste retorno do Passa ou Repassa e recorrer a outros quadros que tinham mais a ver com o perfil de Celso Portiolli. De quebra, o programa perdeu tempo de arte, e o Passa ou Repassa passou a ser praticamente o único quadro, revezando com outros menores. Neste meio-tempo, surgiu um quadro inédito, bem feito e que funcionou: Comprar É Bom, Levar É Melhor.

Ou seja, ficou bem claro que o traquejo de Celso Portiolli no comando de games deveria ser explorado mais pelo Domingo Legal. E a direção do programa acertou em cheio nesta temporada de 2019, quando a atração voltou a ocupar quatro horas da grade de domingo do SBT. Com mais tempo no ar, Domingo Legal se transformou, basicamente, em três programas dentro de um programa maior. Além das novas temporadas de Passa ou Repassa e Comprar É Bom, Levar É Melhor, o dominical agora aposta também no Xaveco, outro programa clássico apresentado por Celso no passado.

Em suma, são três games. Mas três bons games, que divertem o público. E nos quais Celso tem total domínio. Assim, pela primeira vez nestes dez anos, finalmente é possível assistir ao Domingo Legal e enxergá-lo como o “programa do Celso”. Todas as atrações atuais têm a cara dele, e é visível como ele o tem comandado com muito mais força e segurança. Porque ele, finalmente, está em casa. Não por acaso, a audiência reagiu, e o Domingo Legal vive sua melhor fase desde que Celso entrou em cena. Demorou dez anos, mas o Domingo Legal com Celso Portiolli encontrou um rumo. Antes tarde do que nunca.

André Santana

sexta-feira, 19 de abril de 2019

"Viva a Diferença" é clara inspiração em "Malhação – Toda Forma de Amar"

"Minha filha tá vivaaaaa!"

Emanuel Jacobina, um dos criadores de Malhação, foi o autor que ditou o formato do programa. Foi ele quem instituiu o romance adolescente, apostando num casal jovem que era atrapalhado por uma megerinha a cada temporada. Porém, quando Cao Hamburger concebeu a premiada Malhação – Viva a Diferença, a trama juvenil alcançou um novo patamar. Assim, Jacobina tratou de adaptar o seu estilo a esta nova realidade. E esta é a proposta da nova Malhação – Toda Forma de Amar, que estreou nesta semana na Globo.

Deste modo, teremos sim um romance adolescente atrapalhado por uma megerinha. Já se sabe que a mocinha da vez, Rita (Alanis Guillen), vai se apaixonar pelo mocinho, Filipe (Pedro Novaes). Mas Filipe namora Martinha (Beatriz Damini), que vai jogar areia no romance. O que muda é que, desta vez, o conflito vem embalado em cores mais realistas. Rita é uma menina que foi mãe jovem, e que agora busca a filha que lhe foi tirada. A bebê foi adotada por Lígia (Paloma Duarte), justamente a mãe de Filipe.

Além da trajetória de Rita, Malhação – Toda Forma de Amar trata da violência urbana por meio do encontro de seis jovens. Rita, Raíssa (Dora de Assis), Thiago (Danilo Maia), Jaque (Gabz), Anjinha (Caroline Dallarosa) e Guga (Pedro Alves) são testemunhas de um crime, e se unirão em torno do dilema de denunciá-lo ou não. A partir daí, a trama pretende focar na amizade do grupo, bem como as diferenças que os envolvem. Ou seja, qualquer semelhança com as “Five” de Viva a Diferença não é mera coincidência.

Para recuperar o prestígio de Malhação, abalado com a equivocada Vidas Brasileiras, Toda Forma de Amar aposta numa trama que procura ser um tanto mais densa. E, para dar substância a esta proposta, a direção da atração apostou num elenco de veteranos de peso. Além de marcar um bem-vindo retorno de Paloma Duarte às novelas, com uma personagem bem diferente do que já viveu, a novela aposta ainda em outros nomes populares. Henri Castelli, Tato Gabus Mendes, Olívia Araújo e Mariana Santos são alguns dos destaques.

A direção artística de Adriano Melo também busca um acabamento mais maduro à trama. Isso pode ser percebido na fotografia e ambientação, que fogem do Rio de Janeiro de cartão postal. O resultado é uma urbanidade que dá aos cenários de Toda Forma de Amar uma heterogeneidade, o que destaca as diferenças culturais dos personagens. Tal qual a São Paulo de Viva a Diferença. Ou seja, a nova temporada não esconde a inspiração. Resta saber se conseguirá ser tão vitoriosa quanto a outra.

André Santana

quinta-feira, 18 de abril de 2019

História da TV: "Agente G", um clássico da Record

Gérson e Mestre Iodo

Há 24 anos, estreava na Record um dos programas infantis mais simpáticos já produzidos pela TV aberta brasileira. Agente G, uma série educativa de humor, estreava em 24 de abril de 1995, em pleno horário nobre da emissora. Exibido de segunda a sexta-feira, às 20 horas, logo depois do Jornal da Record, o infantil conseguiu marcar uma geração e abrir caminho para a produção de programas para crianças na emissora.

Agente G era protagonizada pelo personagem-título, vivido por Gérson de Abreu. Ele era membro da GELO (Grupo Especial pela Lei e Ordem), uma organização secreta que lutava contra os planos da COISA (Central Odiosa de Inimigos Safados e Abomináveis), que fazia de tudo para praticar todo tipo de maldade. A GELO tinha como agentes os habitantes da geladeira de Gérson, como Salsinha (Fernando Gomes), Refri (Cláudio Chakmati), Leite (Álvaro Petersen Jr), Coco (Wesley Crespo), Repolho (Cláudio Chakmati) e a trêmula Gela Tina (Álvaro Petersen Jr). Todos eles seguiam os ensinamentos do Mestre Iodo (Fernando Gomes), um guru esperto, mas um tanto atrapalhado. O boneco era inspirado no Mestre Yoda, de Star Wars, e falava de maneira enigmática, tal qual o “sósia americano”. Havia ainda o misterioso Chefe, de quem só se via os olhos no refrigerador.

Enquanto isso, a COISA era liderada pela malvada Gina (Helen Helene), uma figura odiosa que escondia uma quedinha pelo Agente G. Seus capangas eram Nefasto (Álvaro Petersen Jr) e Sinistro (Cláudio Chakmati), dois atrapalhados espiões que sempre falhavam em suas missões. Gina tinha como principal confidente o Corvo Edgar Alan Poe (Fernando Gomes).

A cada episódio do Agente G, a COISA colocava em prática um plano para descobrir “todos os segredos da GELO”, como sempre repetia Gina. Porém, Gérson e seus amigos sempre conseguiam desmascarar a COISA e desmantelar suas armadilhas. A história do dia era costurada por quadros de conteúdo didático, como A Gente Sabe, com as aulas do Professor LeChatô (Helen Helene); o A Gente Faz, com as experiências de Gérson, quadro que o consagrou no X-Tudo, da TV Cultura; A Gente Lê, com dicas de livros; entre outros. Além disso, o programa exibia desenhos animados, como Supermouse, Beetlejuice e Bill Body, entre outros.

O elenco de Agente G sofreu alterações ao longo de seus dois anos no ar. O primeiro foi Cláudio Chakmati, que deixou o país. Assim, o capanga Sinistro foi substituído por Soturno (Wesley Crespo). Helen Helene, atriz conhecida por contar histórias no Rá-Tim-Bum, da Cultura, também deixou a série, sendo substituída por outra atriz conhecida dos infantis da emissora educativa: Silvana Teixeira, famosa pelo Bambalalão. Silvana interpretou duas personagens: Brígida, a nova malvada da COISA, e Bárbara, uma personagem “do bem”, amiga do pessoal da GELO. Aliás, com a saída de Helen Helene, o Professor LeChatô também sumiu da série, já que era a atriz que dava voz ao boneco. Em seu lugar, entrou outro boneco, o Professor LeBobô (Fernando Gomes).

Em 1996, Agente G passou por mudanças. O programa passou a se chamar A Turma do Agente G, mudou para a faixa da tarde e aboliu a história do dia, focando apenas numa sucessão de quadros educativos sem muita ligação entre eles. Com isso, a COISA saiu de cena, e novos personagens chegaram, como Leonardo (Álvaro Petersen Jr), que comandava o quadro A Gente Desenha (que ensinava as crianças a desenhar). Algum tempo depois, A Turma do Agente G passou para a faixa matinal, com mais tempo no ar e muitos desenhos, como Snoopy, Garfield e SupermanThe Animated Serie, além da série O Mundo de Beakman. Nesta época, Gerson chegou a ir aos EUA gravar nos cenários do Beakman, com a presença do próprio (vivido pelo ator Paul Zaloom), num dos crossovers internacionais mais legais da TV aberta do Brasil. No entanto, A Turma do Agente G não conseguiu fazer frente aos poderosos infantis matinais de Globo e SBT, deixando a grade da Record em 6 de junho de 1997.

Agente G era fortemente inspirado nos infantis da Cultura, como dito acima. Além de Gérson de Abreu, estrela do X-Tudo, e de outros atores já citados, o programa contava com manipuladores de bonecos que também vieram dos infantis da emissora pública, como Fernando Gomes (o X, o Julio do Cocoricó, o Garibaldo da Vila Sésamo...), ou Álvaro Petersen Jr (a Celeste e o Godofredo do Castelo Rá-Tim-Bum), ou ainda Cláudio Chakmati (o Mau do Castelo, falecido em 1997). O roteiro era assinado por Rosana Rios, Lúcia Tulchinski e Andréa Egídio, e o programa era dirigido por Celso Exell, Arlindo Pereira, José Amâncio e Fernando Gomes. Com o fim de Agente G, Gérson de Abreu seguiu na Record, atuando na novela Estrela de Fogo e na série infantil Vila Esperança. Depois, migrou para a Globo, onde atuou na minissérie Aquarela do Brasil. Faleceu em 2002, aos 37 anos.


Veja o início do primeiro programa da segunda fase de Agente G


André Santana

sábado, 13 de abril de 2019

"Tá no Ar" sai de cena, mas suas ideias permanecem

"Isso a Réde Glóbo não mostra!"

Foram seis temporadas de excelente repercussão e críticas positivas. Mesmo assim, a direção da Globo decidiu encerrar o humorístico Tá no Ar – A TV na TV. O programa de Marcelo Adnet e Marcius Melhem, que utilizava formatos televisivos para promover críticas contundentes sobre a sociedade atual, foi, sem dúvidas, um divisor de águas na programação humorística da emissora. Por isso, seu final não significa o fim de seu “espírito”. Pelo contrário. Suas ideias permanecem e podem ser vistas em vários espaços da grade do canal.

Tá no Ar encontrou uma fórmula própria a partir de ideias que já haviam sido testadas anteriormente. A sátira à programação da TV já era a base de TV Pirata, um clássico do gênero. Casseta & Planeta também bebeu desta fonte. Também não era a primeira vez que a Globo citava a concorrência, já que o próprio TV Pirata tinha sátiras de programas do SBT, e até mesmo Os Trapalhões chegou a satirizar a novela Pantanal, da extinta Manchete. Mas, sem dúvidas, foi o Tá no Ar que conseguiu fazer isso com mais regularidade, além de fazer a própria Globo rir de si mesma.

Com esta carta branca, Tá no Ar não poupou ninguém. Figuras como Silvio Santos se tornaram comuns na atração, que satirizou formatos consagrados da concorrência. Novelas bíblicas da Record. O Brasil Urgente, da Band. Casos de Família, do SBT. E até João Kleber, da RedeTV. Estes e outros mais ganharam sátiras no programa global. O humorístico também satirizou formatos da TV paga, streaming e transformou a eterna “teoria da conspiração” ao qual a Globo vive envolvida em piada, com o personagem Militante (Marcelo Adnet).

Apesar de a ideia era não ter quadros fixos, alguns deles fizeram tanto sucesso que voltavam constantemente. Jorge Bevilacqua (Welder Rodrigues), o apresentador do Jardim Urgente (programa policial que denunciava a “violência” do jardim de infância), passou de apresentador gritalhão a empresário do ramo de acuar criancinhas. Balada Vip, apresentado por Rick Matarazzo (Marcius Melhem), que sempre entrevistava o endinheirado Tony Karlakian (Adnet), era uma sátira à elite paulistana, e acabou se transformando no game Quem Quer ser um Bilionário? na última temporada. Poligod, uma crítica à comercialização das religiões, e a Galinha Preta Pintadinha, uma crítica à intolerância religiosa, também deixaram claro que não havia assunto proibido no Tá no Ar, por mais espinhoso que fosse.

Deste modo, Tá no Ar deu início a um processo de “modernização” do humor da Globo. A emissora abandonou quase que totalmente o formato clássico de humor na TV, com personagens populares e bordões. A nova Escolinha do Professor Raimundo é o único humorístico do canal a manter tal fórmula, embora a tenha “modernizado” ao trazer novos atores revivendo tipos clássicos.

No mais, durante a trajetória do Tá no Ar, a Globo promoveu um importante movimento em seu humor. A emissora tratou de recrutar Marcius Melhem para propor mudanças no veterano Zorra Total. O tradicional humorístico das noites de sábado tinha audiência estável. Mas, mesmo assim, a emissora resolveu apostar numa modernização, lançando o Zorra. Com a mesma proposta de retratar a vida real do Tá no Ar, o Zorra ainda tem a vantagem de ter um formato mais flexível. Assim, pode atirar para todos os lados.

Além disso, não satisfeita, a Globo tratou ainda de arrebanhar talentos oriundos da internet. Choque de Cultura, o programete das tardes de domingo, também veio com uma proposta mais arrojada. Recentemente, foi a vez de outro “filhote” do Tá no Ar cair nas graças do público: Isso a Globo Não Mostra, do Fantástico. O “festival de memes” lançado no “show da vida” só existe porque o Tá no Ar abriu caminho para que a Globo começasse a rir de si mesma. Lady Night, projeto do Multishow que ganhou a TV aberta, também pode ser considerado um braço deste novo momento.

Por tudo isso, Tá no Ar deixa a grade da Globo, mas não sai do ar definitivamente. O legado da turma de Marcelo Adnet ficará. O humor mais cínico, voltado às críticas sociais e políticas, e que não explora e nem debocha de minorias, veio para ficar. Sem dúvidas, é um caminho sem volta. Um bom caminho, diga-se.

André Santana

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Toque de caixa: nas manhãs da RedeTV, sai padre e entra Olga

"O que é que eu sou sem Jesus?"
Ontem, 10, a RedeTV confirmou a estreia do novo programa de Olga Bongiovanni, já na semana que vem. Batizada de Olga, a nova atração conterá os principais destaques do dia, prestação de serviço, dicas de saúde e qualidade de vida, e será exibida das 10h às 11h, de segunda a sexta-feira. Ou seja, a apresentadora chega para ocupar o espaço no qual atualmente é exibido Padre Alessandro Campos. O programa sairá do ar dois meses depois da estreia.

A razão da troca é simples: Padre Alessandro Campos não correspondeu às expectativas da emissora. Com baixa audiência, o programa do padre sertanejo não disse a que veio. E os resultados parcos surpreenderam um total de 0 pessoas. Afinal, já era previsível que o padre não teria fôlego para se manter no ar diariamente por muito tempo numa TV aberta comercial. Isso porque o programa era baseado unicamente em musicais e sermões. Muito pouco para um projeto diário.

Se a RedeTV queria aproveitar a popularidade do padre junto a um público mais velho, deveria ter apostado num programa semanal. Um musical exibido uma vez por semana teria mais chances de formar uma plateia cativa e não enjoar o público. Aliás, há quem diga que esta era a ideia da emissora, e foi o padre quem insistiu num programa diário. Deu no que deu. A princípio, Alessandro Campos vai deixar a emissora. Mas não está descartado seu retorno numa nova atração. 

Com Olga ocupando o horário, a RedeTV volta a apostar num programa mais tradicional no horário. Mas a novidade terá um desafio e tanto pela frente, já que o horário nunca abrigou um sucesso no canal. Bom Dia Mulher, Manhã Maior, Se Liga Brasil, Morning Show, Melhor pra Você e Fala Zuca foram algumas das apostas que não tiveram lá muita expressão. Olga, aliás, foi a principal apresentadora da história do Bom Dia Mulher, e ficou muitos anos por ali. Sendo assim, fica a torcida para que seu retorno traga algo de novo, afinal, simplesmente ressuscitar o Bom Dia não parece a melhor das ideias.

O desempenho de Olga também pode configurar uma mudança de status para Ricardo de Barros, atual diretor artístico da RedeTV. Desde que ele assumiu o cargo, foram feitas apenas duas apostas no entretenimento: Tricotando e Padre Alessandro Campos. Nenhum dos dois emplacou. Olga é outra aposta do diretor, e seu eventual sucesso o colocará em alta. Vamos ver.

André Santana

terça-feira, 9 de abril de 2019

Tendência: Globo transforma programas em quadros

"Aguardando uns merchans
pra ganhar uns troco..."

Na manhã de ontem, 08, a Globo lançou sua nova grade matinal, com os novos horários do Mais Você e do Encontro com Fátima Bernardes. Agora, Ana Maria Braga ocupa a faixa entre 9h e 10h30, enquanto Fátima apresenta seu programa das 10h30 ao meio-dia. “Coladinho”, como diria o SBT naquelas chamadas cafonas dos tempos do Domingo Legal com Gugu. Com a mudança, o esperado aconteceu: Bem Estar deixou a grade da emissora.

O fim do Bem Estar era tragédia anunciada. O programa sobre vida saudável nunca foi lá muito bom de audiência, e costumava “atravancar” a grade matinal da Globo. Isso porque a atração recebia uma audiência considerável de Ana Maria Braga, mas derrubava os índices e entregava em baixa para Fátima Bernardes. Mas Bem Estar ganhou sobrevida no fim do ano passado, quando deixou o guarda-chuva do jornalismo e passou para o entretenimento, abrindo a possibilidade de merchandising. Porém, as saídas de Fernando Rocha e Mariana Ferrão enterraram de vez o programa.

No entanto, o programa não morreu de vez. Ele foi transformado no Bem Estar no Encontro, um quadro diário exibido dentro do programa de Fátima Bernardes. Agora, Michelle Loreto (que assumiu o programa depois da saída da dupla titular) interage com Fátima Bernardes, direto de São Paulo, onde recebe especialistas para tratar da pauta do dia. Com a mudança, Bem Estar ficou menor e “conversa” com a plateia e os convidados de Fátima.

Na prática, ficou bem esquisito. Se é para falar de saúde no programa da Fátima, não era mais fácil a própria Fátima receber o especialista no estúdio e conversar com ele? Ter um quadro feito numa outra cidade, com uma outra apresentadora, mas que interage no palco do Encontro, não faz muito sentido. Ficaria mais harmônico se tudo acontecesse na arena comandada por Fátima. Sem falar que ficaria mais barato, não? Do jeito que está, Bem Estar é quase um programa dentro do programa.

Mas, ao que parece, dar sobrevida aos programas dentro de outros programas é uma tendência na Globo. Afinal, desde o fim do Vídeo Show, os matinais da emissora exibem o Momento Vídeo Show, com matérias sobre os bastidores da emissora. Na maior parte das vezes, o Momento Vídeo Show é exibido dentro do Mais Você. E não fica tão estranho como ficou o Bem Estar, já que se trata de matérias que combinam com as variedades apresentadas por Ana Maria Braga. Ficaria estranho se o Momento Vídeo Show fosse apresentado por Sophia Abrahão, de outro estúdio, interagindo com Ana Maria, não é? Pois foi isso que fizeram com o Bem Estar no Encontro. Vamos ver quanto tempo dura.

André Santana

sábado, 6 de abril de 2019

"Órfãos da Terra" é mais um acerto do horário das seis da Globo

Somente por amor...

Duca Rachid e Thelma Guedes são duas das novelistas mais inventivas da nova geração. Uma prova disso é Cordel Encantado que, com o perdão da redundância, segue encantando a audiência em sua segunda exibição, no Vale a Pena Ver de Novo, depois de ter sido um dos maiores sucessos das seis na década. É delas também Cama de Gato, um novelão dos mais respeitáveis do horário. Sim, elas deram uma derrapada em Joia Rara, mas nada que tire o brilho da carreira desta dupla que se fez no remake de O Profeta e nunca mais se separou.

Depois de um hiato no qual quase emplacaram uma história no horário nobre, Duca e Thelma retornaram esta semana com Órfãos da Terra. A demora valeu a pena. As autoras retomaram o horário que conhecem tão bem em excelente forma, oferecendo o melhor de suas criativas mentes. Mais uma vez, elas entregam ao seu público um folhetim dos mais tradicionais, contados com o que há de melhor dentre os ingredientes do gênero: trama bem armada, boas situações, ganchos poderosos e muitas reviravoltas. Mas elas o fazem, sempre, entregando algo a mais. E esse “algo a mais” é o pano de fundo, trazendo na trama central o drama dos refugiados de guerra nos campos de concentração, buscando um novo lugar para viverem.

É neste cenário dramático, que envolve e faz refletir, que se desenrola a história de amor entre Laila (Júlia Dalávia) e Jamil (Renato Góes). Ela é uma refugiada síria que se vê obrigada a se casar com o poderoso Sheik Aziz (Herson Capri) para salvar seu irmão mais novo. Já ele é um dos homens de confiança do Sheik, que se vê apaixonado pela noiva de seu chefe. De quebra, há a voluntariosa Dalila (Alice Wegmann), a filha do Sheik, que deseja Jamil.

Ou seja, Órfãos da Terra é um romance proibido dos mais tradicionais, mas inserido dentro de um contexto contemporâneo que reflete a realidade atual. Isso dá potência à trama, pois não apenas gera identificação, mas comove e provoca. Com isso, a novela ganha substância, indo além do puro e simples entretenimento, embora se mantenha como um entretenimento da melhor qualidade.

E a boa história de Órfãos da Terra vem embalada num visual que surpreende. A direção segura de Gustavo Fernández dá à trama um acabamento impecável. O apuro técnico e a verossimilhança de cenários e ambientações fazem com que Órfãos da Terra encha os olhos do público. A fotografia é outro acerto, pois abusa de uma luz naturalista, mas sem deixar as imagens escuras. Ao contrário. Órfãos da Terra é uma novela clara. Felizmente, fugiram da tentação de fazer uma nova Joia Rara, que pecava pelo breu de todas as cenas. Também vale destacar a abertura, praticamente uma poesia em imagens.

O elenco também não decepciona. Órfãos da Terra tem o trunfo de ter à frente um casal protagonista jovem e cuja imagem não está saturada. Júlia Dalávia e Renato Góes já haviam mostrado sintonia em Velho Chico, onde viveram as versões mais jovens dos protagonistas Maria Tereza e Santo, e repetem a boa parceria na trama atual. Além disso, estão cercados de grandes nomes, que mesclam veteranos e jovens em performances que não decepcionam. Herson Capri, Alice Wegmann, Letícia Sabatella (Soraia) e Eliane Giardini (Rania) despontam como os primeiros destaques. Vale destacar, também, a presença de Ana Cecília Costa, a Missade, mãe de Laila. Atriz presente em todas as obras de Duca e Thelma, ele sempre entrega um bom trabalho. Foi dona de várias das sequências mais emocionantes da primeira semana.

Com tantas qualidades, Órfãos da Terra vem para engrossar a lista de acertos do horário das seis da Globo. A faixa segue sendo a mais bem-sucedida na qualidade das histórias e variedades de temáticas, sempre reservando as melhores surpresas dentre as novelas da Globo. É de uma inventividade deste nível que o horário das nove anda precisando.

André Santana

quinta-feira, 4 de abril de 2019

"A Dona" no SBT, Sabrina Sato na geladeira e a volta de Olga Bongiovanni: é abril!

"Óia eu aqui traveis"

Abril é sempre um mês movimentado na TV aberta. Na Globo, por exemplo, é tempo de mudanças no horário nobre, com estreias de séries e minisséries aos baldes. Porém, além daquelas novidades da grade, algumas emissoras fazem mudanças que não são bem lançamentos, e sim um “Escravos de Jó” em busca de algum respiro.

No SBT, por exemplo, a tosca A Rosa dos Milagres já desapareceu da grade, como prevíamos. A emissora finalmente se tocou que só Silvio Santos gostou daquilo e tratou de substituir a série por algo que o público do canal aprecia e gosta: reprise de novela mexicana! A Dona ganhou um repeteco na faixa das 18h30 e já elevou os índices do horário, que estavam em baixa desde a reprise de Carrossel. Elementar...

Já a TV Gazeta tratou de mexer em sua grade diurna com uma série de novidades. Mas o único programa novo de fato é o De A a Zuca, com Celso Zucatelli, que ainda não perdeu a afobação vista no sofrível Fala Zuca, da RedeTV. No mais, a emissora apenas encaixou o Todo Seu na grade vespertina, transferindo o Cozinha Amiga para as noites. O resultado disso foi que o canal, mais do que nunca, tem uma programação cheia de programas iguais, mudando apenas cenários e apresentadores: Você Bonita, Revista da Cidade, De A a Zuca, Todo Seu e Mulheres são bem parecidos entre si.

A Record, por sua vez, segue revezando formatos nas noites de quarta-feira e acaba de lançar Top Chef, que nada mais é que um MasterChef com jurados sem carisma. Mas a grande mudança da temporada será mesmo o fim definitivo do Programa da Sabrina, que será substituído por reprises do Troca de Esposas já neste sábado, 06. A emissora há tempos avisou que Sabrina Sato teria uma nova atração este ano, mas nem se deu ao trabalho de se mexer até agora. Assim, o novo projeto foi adiado. Coisa mais estranha...

Enquanto isso, na RedeTV, a novidade é o bem-vindo retorno de Olga Bongiovanni. A emissora ainda não divulga oficialmente, mas especula-se que Olga voltará a ocupar as manhãs do canal, horário no qual comandou o Bom Dia Mulher entre 2004 e 2009. Com isso, é bem provável que Padre Alessandro Campos dance. Por enquanto é tudo especulação, mas faz sentido. O programa do padre não emplacou, e não é por acaso. A atração simplesmente não tem fôlego para a grade diária. Não há fé que aguente cantoria e sermões todo santo dia! Que venha Olga, baita apresentadora que merece sempre um bom espaço!

André Santana

terça-feira, 2 de abril de 2019

História da TV: "Sãos & Salvos!", a série ecológica e cartunesca da TV Cultura

Vera Zimmermann e Tuca Andrada
em "Sãos & Salvos!"

Em agosto de 2000, a TV Cultura de São Paulo estreava uma nova série juvenil cheia de criatividade e boas intenções. No tarde daquela segunda-feira, 07 de agosto, a emissora lançava Sãos & Salvos!, uma produção que narrava a vida de um grupo de jovens que habitava uma ilha paradisíaca, onde defendiam a ecologia de todo tipo de perigo.

A série começa quando Carlinha (Vera Zimmermann) e suas irmãs Soninha (Estrela Strauss) e Marina (Samantha Monteiro) decidem deixar para traz uma vida de dondocas e se mudam de mala e cuia para a ilha. Ali, passam a conviver com tipos como Pedrão (Caco Nolasco), Colete (Rui Minharro), Gostosona (Luciene Adami) e Seu Rony (José Rubens Chachá), entre outros. A turma vive e se diverte em meio à natureza, praticando esportes e respeitando o meio ambiente, vivendo aventuras que eram narradas por Kiko (Tuca Andrada), o DJ da rádio local, que sempre recebia convidados em seu estúdio. Carlinha sempre conversava com sua mãe, Madame Kiki (voz de Beatriz Segall), por meio de videochamadas.

Sãos & Salvos! chamava a atenção pelo visual inusitado. Como a concepção do figurino dos personagens e da cenografia eram dos cartunistas Angeli e Adão Iturrusgarai, todo o visual da série emulava uma tira de história em quadrinhos. Assim, os personagens surgiam todos com perucas coloridas, que não eram feitas com cabelos, e sim de material maciço. Os cenários também eram todos coloridos e surreais, com objetos e móveis com contornos pretos, que imitavam o traço de um cartoon. A cereja do bolo era Madame Kiki, personagem feita em animação, com o visual das famosas personagens de tirinhas assinadas por Adão.

A produção tinha grife. O figurino era assinado por Marcelo Sommer, enquanto a trilha sonora incluía nomes como Paralamas do Sucesso (responsáveis pelo tema de abertura), Jorge Ben Jor, Otto, Charlie Brown Jr., Rumbora e o grupo Rappa. No elenco fixo, como já citado, estavam Vera Zimmermann, Samantha Monteiro (antes de se tornar Samantha Dalsoglio), Luciene Adami, Tuca Andrada e José Rubens Chachá, além da luxuosa participação de Beatriz Segall, a voz de Madame Kiki. Sãos & Salvos! também contou com as participações especiais de Gastão Moreira, Bianca Byington, Angela Dip, Marcelo Mansfield, Yara Janra e Oscar Magrini. Teve os roteiros escritos por Nélio Abbade e foi dirigido por Renata Neves.

Sãos & Salvos! era uma coprodução da TV Cultura com a produtora independente "A" Filmes. Foi lançado em meio a um pacote de novidades da emissora, que reformulava sua grade e apostava bastante no público jovem. Sãos & Salvos!, então, estreou logo depois da estreia de RG, uma espécie de Programa Livre que era apresentado por Soninha Francine de segunda a sexta, às 16h30. Já a série ia ao ar às segundas-feiras, às 17h30, com reprise no sábado, 14h30. Outras novidades daquela leva são Provocações, Movix e Expedições.

Infelizmente, Sãos & Salvos! passou em brancas nuvens na programação da TV Cultura. Uma pena, se considerarmos que era uma série bastante inventiva e divertida. Assim, teve apenas uma temporada, com 13 episódios, que foram exibidos até 05 de maio de 2001.



André Santana