domingo, 3 de março de 2019

"O Sétimo Guardião" erra ao apostar em dupla de vilões

"Aqui de boas esperando
a fonte de dinheiro!"

Uma reviravolta um tanto estranha está prevista para acontecer nos próximos capítulos de O Sétimo Guardião. O vilão Olavo (Tony Ramos), mais uma vez, atenderá um desejo da filha Laura (Yanna Lavigne) e tomará de Valentina (Lília Cabral) tudo o que ela tem. E esta outra vilã, por sua vez, não terá outra saída senão se aliar à Gabriel (Bruno Gagliasso) e proteger a fonte do inimigo. Ou seja, Olavo ascenderá como o grande vilão da novela da Globo, enquanto Valentina deve mudar de lado.

Tal reviravolta, um tanto decepcionante, expõe um dos muitos problemas da novela de Aguinaldo Silva. Apostar numa dupla de vilões para tentar agitar o enredo de O Sétimo Guardião se revelou uma escolha equivocada. Isso porque, ao ter duas figuras maléficas agindo ora como aliados, ora como inimigos, O Sétimo Guardião consegue o feito de esvaziar os dois personagens. O que se traduz num desperdício do talento de seus intérpretes, Lília Cabral e Tony Ramos.

O Sétimo Guardião estreou apresentando Valentina Marsalla como a grande vilã. A megera fez um acordo estapafúrdio com Olavo, na intenção de explorar a fonte de Serro Azul que, no começo da história, ela nem sabia direito o que era. De lá para cá, ela até agiu para tentar driblar os “guardiães” e explorar a água mágica. Mas fez isso de maneira apagada. Valentina não tem o carisma e o humor corrosivo das vilãs inesquecíveis de Aguinaldo Silva, como Altiva (Eva Wilma), de A Indomada, e Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do Destino. Também não é uma serial killer apaixonada, como Adma (Cássia Kis), de Porto dos Milagres. Muito menos uma maluca obcecada, como Maria Regina (Letícia Spiller), de Suave Veneno, ou Silvia (Alinne Moraes), de Duas Caras.

Enquanto isso, Olavo se mostrou um vilão paspalho. A princípio, aceitou o acordo com Valentina às cegas, sem nenhuma garantia de nada. Depois, passou a mero coadjuvante, resmungando pelos cantos e atendendo aos desejos da filha voluntariosa. Ou seja, Olavo é um vilão na teoria. Na prática, pouco fez.

Sendo assim, fica bem claro que a dupla do mal não funcionou. Valentina e Olavo, trabalhando juntos, não tiveram forças para segurar a trama. Pelo contrário. A parceria impediu que Valentina se estabelecesse como vilã. E Olavo nunca justificou a sua presença em cena. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece no horário nobre. O exemplo mais recente é Babilônia, que prometia ser explosiva com a rivalidade entre as vilãs Beatriz (Gloria Pires) e Inês (Adriana Esteves). E não funcionou.

Resta saber se, agora, com a ascensão de Olavo, ele finalmente justifique sua presença em O Sétimo Guardião. E consiga fazer o que, até agora, Valentina não conseguiu. Seria, ao menos, a chance de honrar a presença de Tony Ramos, que teve poucas oportunidades na novela até aqui.

Obs: chego com um dia de atraso em razão de: me tornei tio e estava babando na minha sobrinha Vitória! Nossa mais nova noveleira!

André Santana

6 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Parabéns, tio André! Sobre Tony Ramos: totalmente desperdiçado na novela. E Lilia Cabral realiza um dos seus piores trabalhos na TV. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Obrigado! Pois é, Fabio! Eu botava fé nesta dupla, mas me senti enganado. Uma pena! Tinha tudo pra dar certo. Abraço!

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  2. Parabéns, pela sobrinha e pela crítica precisa.

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  3. Eae André. Não tenho gostado de Lilia Cabral, mas creio que é mais na condução da personagem do que na interpretação, diferentemente de outras vilãs, essa não dá nem pra torcer.

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    1. Sim, concordo com você. A Lília não tem material para trabalhar. O Aguinaldo perdeu uma boa chance de fazer uma vilã divertida, e uma novela mais voltada para a comédia. O Sétimo Guardião virou um dramalhão chato.

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