sábado, 30 de março de 2019

Apesar dos percalços, "Espelho da Vida" cumpriu sua missão

"Nos vemos em 2019!"

Faltando dois capítulos para o fim, já é possível afirmar que Espelho da Vida foi mais um grande trabalho da autora Elizabeth Jhin. A novelista, caracterizada pelas suas histórias envolvendo vidas passadas, conseguiu retomar o tema sem se repetir. Mais do que isso: agregou ao folhetim tradicional alguma ousadia narrativa, garantindo o interesse do público pelo tema. Mas, claro, pagou o preço por isso. O ritmo lento inicial e a história central pouco usual afugentaram a audiência, e Espelho da Vida teve dificuldades para emplacar.

A ideia de Espelho da Vida era interessante. A história teve como elemento fundamental um portal mágico, o tal espelho, que permitia à sua mocinha Cris (Vitória Strada) reviver sua vida passada, Julia Castelo (Vitória Strada). Cada vez que Cris passava pelo espelho, ela assumia a identidade de Julia e passava a viver sua vida. Esta foi a maneira encontrada por Elizabeth Jhin para contar a história do presente e do passado de maneira simultânea. Ao mesmo tempo em que no presente os personagens reviviam a história do passado por meio da realização de um filme, no passado a mocinha buscava elucidar os mistérios que permeavam a trajetória de Julia Castelo. A história dela era famosa por ali, e todos acreditavam que ela havia sido assassinada por seu grande amor, Danilo (Rafael Cardoso). Coube, então, à Cris, em suas “viagens no tempo”, descobrir a verdade.

Com esta proposta, Espelho da Vida ia revelando o passado, ao mesmo tempo em que justificava as atitudes dos personagens no presente. As trajetórias de personagens como Dora (Alinne Moraes), Gustavo Bruno (João Vicente de Castro) e Eugênio (Felipe Camargo), por exemplo, explicavam as atitudes de suas vidas no presente, Isabel (Alinne Moraes), Alain (João Vicente de Castro) e Américo (Felipe Camargo). E tudo isso permeado num “quem matou?” interessante e que atravessou o tempo. Ou seja, uma ótima sacada!

Porém, até chegar ao ponto ideal da narrativa, a autora teve seus problemas. As idas e voltas de Cris no tempo fizeram com que a personagem ficasse com um pé em cada “núcleo”, fazendo com que ela não se envolvesse direito com nenhuma das duas histórias. Além disso, como ela era o único elo entre o passado e o presente na narrativa, a história do passado tinha menos espaço nos capítulos, enquanto o presente não se desenvolvia adequadamente. Isso passou ao público a sensação de que nada acontecia, e a novela andava a passos de tartaruga.

A solução, então, foi prender Cris de vez no passado. Nesta fase, Espelho da Vida colocou a história do passado quase no primeiro plano, enquanto no presente os personagens lidavam com a ausência de Cris e buscavam seguir suas vidas. Assim, a novela chegou num ponto ideal, no qual o passado e o presente se entrelaçavam de maneira muito harmoniosa nos capítulos. Espelho da Vida, então, se dava ao luxo de mesclar cenas do presente e cenas do passado, sem nenhuma indicação explícita ao público. Foi assim que a proposta de se narrar duas épocas ao mesmo tempo finalmente se estabeleceu. A novela ganhou ritmo e a história ficou irresistivelmente envolvente.

Com a mocinha no passado assumindo de vez a vida de Julia Castelo, o “núcleo do passado” cresceu e se estabeleceu como folhetim. O amor proibido de Julia e Danilo, sempre às voltas com as armações de Dora e Gustavo Bruno, além dos desmandos de Eugênio, garantiu o romance da obra. O crescimento da história passada serviu, também, para explorar ao máximo o talento dos atores envolvidos. Era impressionante ver atores do naipe de Julia Lemmertz (Ana/Piedade), Irene Ravache (Margot/Hildegard), Suzana Faini (Guardiã/Albertina) e Ângelo Antonio (Flávio/Padre Luiz), além de Felipe Camargo e Alinne Moraes, se dividindo em dois personagens, e fazendo-os bem diferentes entre si. O bom desempenho dos atores, somado à direção brilhante de Pedro Vasconcelos, fez com que o público entendesse as diferenças entre os tempos e seus personagens e embarcasse neste universo fantástico proposto por Elizabeth Jhin.

O formato inusitado de Espelho da Vida também permitiu que a autora recorresse a “ousadias comportadas”. Sabendo que o romance folhetinesco é a base de qualquer novela das seis, Jhin o ofereceu no “núcleo do passado”. Porém, como a novela fala de vidas passadas, ela teve a chance de concluir tal romance com uma tragédia, a já anunciada morte de Julia Castelo. Enquanto isso, no presente, Cris teve como único par o antagonista Alain. Daniel (Rafael Cardoso), sua verdadeira alma gêmea, surgiu na história praticamente na reta final. E Cris e Daniel só se viram pela primeira vez no final do antepenúltimo capítulo, ontem, 29. Ou seja, eles devem ficar juntos tendo estados juntos de fato nesta vida pouquíssimo tempo. Outra “ousadia comportada”.

Ou seja, apesar dos percalços, Espelho da Vida sai de cena com missão cumprida com louvor. Ofereceu ao público uma bela e bem construída história de amor, e o fez sem abrir grandes concessões à baixa audiência e impaciências de parte do público. Foi uma experiência válida e muito bem-sucedida.

André Santana

sexta-feira, 29 de março de 2019

Apesar do excesso de competições musicais, "The Four" disse a que veio

"Não sou a Eliana, mas também
mostro os dedinhos!"
Se no início, o The Four Brasil parecia mais um (e desnecessário) talent show musical, o seu desfecho na última quarta-feira, 27, mostrou que o investimento se justificou. Apesar de não ser muito diferente de seus similares, a atração se revelou uma competição de alto nível. A mecânica simples, que priorizou o talento de seus competidores, foi o grande trunfo do programa apresentado por Xuxa Meneghel.

No decorrer da temporada, The Four elegeu quatro “finalistas”, que eram constantemente desafiados por novos competidores. Na reta final, uma repescagem definiu os quatro finalistas de fato. Ivan Lima, Leo Mahuad, Nega e Vivian Lemos, então, finalmente duelaram entre si. E a disputa foi recheada de bons momentos, com canções muito bem escolhidas e executadas com brilhantismo. Sendo assim, a final foi meramente decidida por fãs, tendo em vista que os quatro cantores tinham condições de se sagrarem campeões.

Isso é raro dentre os tantos reality shows de música já exibidos na TV brasileira. Normalmente, há um ou outro finalista que desponta no favoritismo. Enquanto isso, no The Four, Leo Mahuad era até considerado favorito. Isso porque ele foi o competidor que ficou mais tempo no programa. Entretanto, Ivan Lima acabou escolhido pelo público, o que garantiu a surpresa da final.

A linha de shows da Record atual conta com muitos formatos já explorados pela própria emissora, e também por Globo, SBT e Band. The Four é um exemplo claro, já que a atração tem familiaridades com programas como The Voice Brasil, da Globo, e até o Canta Comigo, da própria Record.

Sendo assim, a sensação de déjà vu é inevitável. E há de ficar mais intensa com o programa que substituirá The Four nas noites de quarta-feira. Top Chef, com Felipe Bronze, será a próxima atração. Trata-se de mais um talent show que prioriza a culinária. Ou seja, tem semelhanças com MasterChef, da Band, Bake Off, do SBT, e cia bela.

Apesar de parecido com outros programas, o The Four Brasil conseguiu se destacar. Ou seja, para emplacar, Top Chef vai precisar driblar as comparações com seus similares. E ter um diferencial capaz de conquistar o público da emissora. Não é tarefa das mais fáceis.

André Santana

quarta-feira, 27 de março de 2019

Globo finalmente anuncia sua linha de shows

"Eu voltei para salvar a grade!"
O mistério acabou! Ontem, 26, a Globo divulgou oficialmente como ficará sua grade de programação a partir do fim do Big Brother Brasil. A dúvida que não queria calar aqui no blog era o que seria exibido nas noites de terça e quinta-feira, depois da novela. Eis que o canal finalmente respondeu a questão que nos tirava o sono: a nova série Cine Holliúdy será exibida às terças-feiras, enquanto a nova temporada de Sob Pressão irá ao ar nas noites de quinta. Ufa!

As novidades do horário nobre começam no dia 15 de abril. Neste dia, a Globo passa a exibir, depois de O Sétimo Guardião, a minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, de 10 capítulos. A trama de Ricardo Linhares, baseada na obra de Edney Silvestre, vai ao ar de segunda a sexta-feira, com exceção das quartas-feiras. Nas noites de terça, ela antecederá Carcereiros, cuja segunda temporada estreia no dia 16. Já às quintas-feiras, a noite será dividida com Lady Night, que terá a temporada estendida até julho. Na quarta-feira não tem minissérie, mas tem Profissão Repórter, que volta a ser exibido no dia 17.

No início de maio, Se Eu Fechar os Olhos chega ao fim e novas séries estreiam na linha de shows. A primeira novidade será Assédio, série do GloboPlay que estreia na Globo no dia 3 de maio. A produção será exibida às sextas-feiras, depois do Globo Repórter. Com a novidade, o canal quebra um jejum de produções nacionais às sextas, já que, nos últimos anos, o horário era destinado aos enlatados, como Máquina Mortífera. Já no dia 7 de maio, a novidade será a série Cine Holliúdy, série inspirada no longa de Halder Gomes. Vai ao ar depois de O Sétimo Guardião.

Além das séries da linha de shows, a Globo também marcou o retorno de Conversa com Bial (09/04), Zorra (20/04), Zero1(20/04) e Tamanho Família (21/04). Além disso, haverá a estreia de Órfãos da Terra, no dia 02; Malhação – Toda Forma de Amar, no dia 16; e o retorno de Por Amor, no Vale a Pena Ver de Novo, no dia 29. Ainda em abril, haverá dois especiais: Viver do Riso, série do Viva, ganha exibição na TV aberta de 01 a 05 de abril, depois do Jornal da Globo; e o Festival Zorra, uma espécie de “esquenta” do Zorra, no ar de 09 a 12 de abril, antes do noticioso de Renata Lo Prete.

Ou seja, por enquanto, apesar das várias novidades, a Globo não reserva estreias de novos formatos ou similares, apostando na receita básica séries nacionais/novelas/humor. Assim, estreias aguardadas, como os novos programas de Angélica e Fernanda Gentil, devem ficar para o segundo semestre. 

André Santana

sábado, 23 de março de 2019

Band desperdiça "O Aprendiz" em equivocada estratégia de programação

"Aqui não tem comida!"

Um dos mais interessantes reality shows já exibidos na TV brasileira, O Aprendiz esteve num inexplicável hiato. Cinco anos separam a última edição exibida pela Record e a atual, que estreou na última segunda-feira, 18, na Band. No entanto, a pausa serviu para dar um importante respiro à atração, que voltou ao ar com ares de novidade. Mas a nova emissora perdeu a chance de dar o devido destaque ao programa, ao fazê-lo disputar a atenção do público com o MasterChef, que retorna neste domingo, 24.

O Aprendiz foi uma das vedetes da famosa fase da Record “rumo à liderança”, quando o canal apostou numa agressiva estratégia de fortalecimento da programação, em 2004. Foi com o programa apresentado por Roberto Justus que a emissora conquistou um novo público, impulsionando uma linha de shows marcada por inúmeros sucessos. Ou seja, o programa tem um inegável apelo.

Assim, a Band tem em mãos um produto do qual precisava há tempos. Afinal, o canal dos Saad vive um momento complicado, com uma programação frágil em vários aspectos. Seu único programa relevante, há anos, é o MasterChef, outro formato de muito apelo. No entanto, a Band tem abusado da competição culinária, fazendo o programa perder fôlego a cada ano.

Ou seja, a Band precisava, com urgência, de um programa que fosse capaz de revezar com o MasterChef na programação. Um revezamento de formatos faria com que os dois programas tivessem um tempo bom de exibição seguido de uma necessária pausa entre temporadas.

Mas, em vez disso, a emissora preferiu exibir os dois programas ao mesmo tempo. Apostou em O Aprendiz nas noites de segunda-feira, um dia em que o canal não costuma ser muito expressivo. E estreará o MasterChef na sequência. No ar ao mesmo tempo, os dois programas dividirão a atenção da audiência. Ambos podem sair esvaziados da experiência. Faltou ousadia e estratégia de programação à emissora.

Sobre o programa em si, para marcar a nova fase de O Aprendiz, Roberto Justus aposta em digital influencers na competição. A ideia de diversificar a cartela de participantes é boa. Em sua história, O Aprendiz já apostou em disputas de executivos experientes, universitários e até celebridades. Os digital influencers, portanto, injetam alguma novidade no formato. Além, claro, de aumentar o engajamento do programa nas redes sociais.

Mas o grande trunfo de O Aprendiz continua sendo Roberto Justus. O profissional é perfeito para o formato, pois encarna a figura do chefe implacável como ninguém. Ou seja, fica bastante claro que Justus não é bem um apresentador versátil. Quando se aventura em outros formatos, ele não rende. Mas, em O Aprendiz, ele está em casa. Resta saber se ele terá força suficiente para fazer o público voltar a assistir à Band. O parco desempenho da estreia no Ibope mostra que a tarefa será bem complicada.

André Santana

sexta-feira, 22 de março de 2019

SBT já mudou a grade de novo e trava nova guerra com a Record

"A Liga do Bem sempre vence!"

Durou apenas um dia a mudança na grade do SBT repercutida pelo post anterior do TELE-VISÃO. Se na quarta-feira, 20, A Rosa dos Milagres era exibida às 14h15 e 18h45, na quinta-feira, 21, tudo voltava ao normal. Bom Dia e Cia voltou a exibir Chaves na faixa das 14h15, e o Fofocalizando recuperou seus 15 minutos perdidos. A mudança se deu em razão do fraco (e óbvio) desempenho da série mexicana em seu novo horário.

Entretanto, Silvio Santos deve estar queimando seus neurônios para traçar mais uma mudança maluca em sua grade vespertina. Isso porque a Record, surpreendentemente, tem vivido uma boa fase neste horário. Além do sucesso já antigo de A Hora da Venenosa, a emissora de Edir Macedo também acertou em cheio em sua “Tarde de Novelas”. Bela, a Feia vem registrando bons números, e Caminhos do Coração reestreou esta semana com excelente resultado. A trama sobre mutantes vem registrando a mais alta audiência já vista desde que a Record lançou sua faixa de reprises de folhetim.

O resultado chega a surpreender. Claro, sem dúvidas, Caminhos do Coração é uma trama de apelo. A novela de Tiago Santiago foi um dos maiores sucessos do canal e deu dor de cabeça à Globo em sua exibição original, em 2007. Tanto que foi esticada e rendeu duas continuações, Os Mutantes – Caminhos do Coração e Mutantes – Promessas de Amor.

No entanto, quem se lembra desta época deve se lembrar também que a trama perdeu fôlego diante de seu esticamento além da conta. A história, que começa interessante, se perde totalmente no decorrer da produção. E sobram cenas toscas, com diálogos risíveis e efeitos especiais de gosto duvidosíssimo. Tanto que Caminhos do Coração acabou se tornando um ícone da internet, já que suas cenas inusitadas rendem memes até hoje.

Além disso, a Record já reprisou Caminhos do Coração em outra ocasião. Exibida na faixa das 18 horas, a primeira reprise não teve desempenho muito satisfatório. Na época, a Record sempre tentava ter seu próprio Vale a Pena Ver de Novo, mas não conseguia índices expressivos, nem mesmo quando reexibia sucessos. Não é o que está acontecendo agora. Essas Mulheres, por exemplo, teve sua reprise interrompida em razão de seus baixíssimos índices de audiência em 2007. O mesmo não aconteceu com a reprise mais recente. Sinal de que a faixa Tarde de Novelas se consolidou. A Record insistiu e conseguiu formar uma plateia de novelas à tarde.

Com isso, tem dado trabalho ao SBT. Fofocalizando e Casos de Família não rendem mais resultados de audiência como no passado. Ou seja, não será estranho se, em breve, Silvio Santos anunciar mais mudanças na grade. Vamos acompanhar.

André Santana

quarta-feira, 20 de março de 2019

Silvio Santos volta de férias e... salve-se quem puder!

"Milagre será vencer
'A Hora da Venenosa'"

Os finais de férias de Silvio Santos são sempre lendários. Assim que o animador encerra seu período de descanso em sua casa em Celebration, nos EUA, começam as mudanças no SBT. Em 2019, a regra não deve ser diferente. Afinal, a emissora tem enfrentado alguns problemas de audiência, sobretudo no horário da tarde e início de noite. Por isso mesmo, estas faixas da programação hão de sofrer mudanças.

A primeira delas já aconteceu. Na ânsia de emplacar, de qualquer maneira, a cafonérrima série A Rosa dos Milagres, Silvio Santos tratou de ampliar seu espaço na grade. Além do horário das 18h45, a produção agora também é exibida às 14h15. Com isso, o Bom Dia e Cia, que exibia Chaves neste mesmo horário, passou a ser encerrado mais cedo. Fofocalizando também sofreu mudanças e perdeu 15 minutos, voltando a ter uma hora de duração.

É o primeiro sinal de que A Rosa dos Milagres não terá vida longa. Em 2014, numa de suas férias nos EUA, Silvio Santos viu e se apaixonou pelo telebarraco Caso Encerrado. Tratou de comprar e ordenou que o programa pavoroso fosse exibido na faixa das 18 horas, horário em que anteriormente era exibido Chaves. A atração derrubou os índices de audiência da emissora em níveis graves. Mas Silvio Santos não desistiu e tratou de realocar Caso Encerrado, que passou para a faixa das 13h30. Também não deu certo. Além disso, episódios mais “pesados” do telebarraco iam ao ar nas noites de sábado, com o nome Caso Encerrado Proibido. Foi mais um fiasco.

O mesmo deve acontecer com A Rosa dos Milagres. A série não tem fôlego para enfrentar os jornais policiais das 18h30. Em seu novo horário, às 14h15, sem dúvidas se tornará freguês de A Hora da Venenosa, da Record. Vamos ver então quanto tempo mais vai durar este amor todo de Silvio Santos pela série mexicana. Façam suas apostas!

Além de A Rosa dos Milagres, outras mudanças devem vir no SBT. Os vespertinos Fofocalizando e Casos de Família não estão conseguindo manter a vice-liderança para a emissora, perdendo constantemente para as reprises de novela da Record. Com isso, dizem, Silvio Santos já estaria pensando em mudanças em programas e horários da tarde. Segundo Ricardo Feltrin, do UOL, o dono do SBT estaria apenas esperando as mudanças que devem acontecer na Globo para que ele tome as decisões de sua emissora. Vamos ver o que acontece.

André Santana

segunda-feira, 18 de março de 2019

"Programa da Maisa" rejuvenesce os clássicos "programas de sofá"

"O sofá agora é meu!"

Desde que a TV é TV, sempre houve um sofá no qual um apresentador recebe convidados para um bate-papo. O formato consagrou Hebe Camargo, o maior nome feminino da história da televisão brasileira, que teve suas seguidoras no decorrer dos anos. Adriane Galisteu chegou a dizer que queria ser a nova Hebe quando apostou em seu sofá de couro no primeiro ano do Superpop, da RedeTV. Na mesma emissora, as apresentadoras Luciana Gimenez e Daniela Albuquerque ainda cumprem deste expediente. Na Record, Xuxa Meneghel tentou algo semelhante, mas a coisa não foi adiante. Na Globo, dizem, Angélica pode ser a próxima a adotar o estilo.

No entanto, foi o SBT, mesma emissora que serviu de casa por anos à sala de estar de Hebe, que apostou numa bem-vinda nova versão do formato. Ao invés de uma apresentadora veterana no comando de entrevistas sobre assuntos nem sempre tão convidativos, o canal de Silvio Santos agora aposta em Maisa Silva como anfitriã. Envolta num cenário colorido e teen, e com direito a uma plateia também formada por adolescentes, a estrela da emissora finalmente ganhou um espaço para chamar de seu e, ainda, deu nova direção ao clássico formato de “programa de sofá”.

Na estreia do Programa da Maisa, a apresentadora recebeu Fernanda Souza e Matheus Ceará. À vontade com seus convidados em seu aconchegante cantinho, Maisa conduziu um programa leve, divertido e muito bem-humorado. Além da inspiração em Hebe, o novo talk show também bebe da fonte dos programas de entrevistas comandados por humoristas, apostando na presença de um partner “engraçadinho”. Assim, enquanto Fabio Porchat tinha Paulo Vieira, e Danilo Gentili tem Diguinho Coruja, Maisa tem o auxílio de Oscar Filho. Neste primeiro episódio, a parceria funcionou bem: Maisa adota um estilo amiga e “ponderada”, enquanto Oscar faz seus comentários espirituosos.

Para falar junto ao público-alvo de Maisa, o programa é todo embalado em elementos que caracterizam as redes sociais. A edição esperta, que ainda aproveita cenas de Maisa criança disparando barbaridades, é um dos trunfos do Programa da Maisa. Mas a embalagem modernosa serve apenas para adequar a linguagem clássica a uma nova geração quase desacostumada a assistir televisão. Enquanto isso, seu formato convencional ajuda a fisgar o público habitual do SBT, fazendo do Programa da Maisa uma atração familiar. Ou seja, bastante adequada ao seu horário de exibição.

Assim, o que se viu na tela neste sábado, 16, foi uma série de acertos que fizeram do Programa da Maisa uma boa opção na tela. A atração mostrou que, para fazer entretenimento de qualidade, não é preciso muita pirotecnia. Programa da Maisa não tem quadros mirabolantes e nem tenta ser o que não é. É a vitória do simples e do bem-feito. Há ali uma apresentadora jovem e inteligente, bons convidados e um roteiro que funciona. O resultado é um bate-papo gostoso, bastante adequado ao horário em que a atração vai ao ar.

Deste modo, o Programa da Maisa é uma verdadeira injeção de ânimo na programação do SBT. A emissora não promovia uma estreia de verdade há anos, e, agora, mostrou que, quando quer, sabe criar algo relevante, honesto e divertido. Assim, não apenas deu à Maisa Silva um espaço que ela merecia há tempos, como também revitalizou um horário esquecido da grade de programação. O programa de estreia mostrou potencial. O SBT acertou em cheio com a atração.

André Santana

quinta-feira, 14 de março de 2019

Abril não deve trazer grandes novidades na Globo

"Muito frio aqui na geladeira..."

O fim do Big Brother Brasil sempre sinaliza novidades na grade de programação da Globo. Com o término do reality show, abre-se espaço para o lançamento de novos produtos na linha de shows da emissora, além da volta de programas que estavam em férias. No entanto, ainda não deve ser em abril as tão aguardadas estreias dos novos programas de Fernanda Gentil e Angélica. Segundo o UOL, as duas produções andam a passo de tartaruga,

Em matéria assinada por Ana Cora Lima, o UOL informa que os programas das apresentadoras estão com equipe formada, mas ninguém começou a trabalhar no conteúdo ainda. A repórter informou que há vários profissionais dando expediente num departamento chamado de “pesquisa de novos formatos”, mas eles ainda não sabem para qual programa estão criando. Ou seja, o silêncio em torno das novas atrações se justifica. A emissora só vai estreá-los quando chegar ao ponto considerado ideal.

Isso fica bem claro neste momento em que a Globo já estendeu a duração de O Álbum da Grande Família. A princípio, o repeteco iria apenas até abril, mas será prolongado até que o projeto de Fernanda Gentil tome forma. O que não deve ser antes de junho. Enquanto isso, a emissora também estendeu a duração da temporada do Lady Night nas noites de quinta-feira. O programa de Tatá Werneck vai até julho.

Ou seja, não haverá novidades tão cedo na linha de shows de quinta-feira. Mas a nova temporada de Carcereiros está confirmada para abril, então das duas uma: ou a série e Tatá dividirão as noites de quinta, ou Carcereiros migrará para as noites de terça. A segunda hipótese me parece mais provável, já que o canal não divulgou o que entrará nesse dia ao fim do BBB até agora. E, por conta desta movimentação toda, fica claro que Angélica também não deve estrear antes de junho. Afinal, a expectativa é que seu novo programa seja noturno.

Assim, por enquanto, as estreias de abril confirmadas pela Globo até aqui são: Órfãos da Terra, a nova novela das seis; Conversa com Bial; Zorra; a minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora; Profissão Repórter; Tamanho Família; Toda Forma de Amar, a nova temporada de Malhação; e até um novo cartaz para o Vale a Pena Ver de Novo, previsto para o fim do mês (Cordel Encantado é uma novela relativamente curta, e a emissora tem exibido capítulos mais longos que os originais, daí sua duração ainda mais reduzida), além da já citada Carcereiros. Ou seja, nada além do arroz com feijão. Aguardemos.

André Santana

terça-feira, 12 de março de 2019

Record pode ter novo telejornal no final da noite

"Não sou Jô Soares, mas
também já fui 'onze e meia'"

Desde que o Programa do Porchat saiu do ar na Record, no final do ano passado, a emissora não anunciou nenhum substituto. Segundo notícias da época em que Fabio Porchat pediu a rescisão de contrato, o canal chegou a pensar em manter um talk show no ar, com um novo apresentador. No entanto, a emissora desistiu da ideia. Depois, Marcos Mion disse, em entrevistas, que entregaria um novo projeto à Record para o horário, mas a coisa não andou. Assim, por enquanto, o canal tapa o buraco com a exibição de séries americanas.

Entretanto, uma nova notícia surge sobre o horário. Segundo o site Notícias da TV, a emissora planeja lançar um novo jornal na faixa. A ideia é de Antonio Guerreiro, novo vice-presidente de jornalismo da Record, que vem fazendo uma série de reformulações nos jornais da emissora. Para viabilizar a ideia, o canal pretende trazer um nome de peso da Globo para sua apresentação. Nomes já estariam sendo sondados, informou a matéria assinada por Gabriel Perline.

A ideia da Record é interessante. Afinal, o projeto tem mais a ver com o DNA da emissora, que tem uma programação jornalística bastante intensa. Diariamente, a Record exibe o Balanço Geral em duas edições, além dos jornais locais matinais, o Cidade Alerta e o Jornal da Record. Mas o canal não tem um noticioso no fim de noite, tipo de atração que praticamente todas as concorrentes têm. Tudo bem que o Jornal da Record já é exibido meio tarde, entre 21h45 e 22h30, mas encerrar a programação com notícias pode ser uma boa.

No entanto, vale lembrar que a Record já teve um jornal no fim de noite, e que apresentava resultados aquém do esperado. No final da década de 1990, a emissora apresentava o Jornal Onze e Meia, com Adriana de Castro, que, como o nome sugere, era exibido às 23h30. Depois, o jornal foi sendo empurrado para mais tarde, e teve seu nome alterado para Jornal da Record – 2ª Edição, e teve nomes como Claudia Cruz e Salete Lemos no comando. Na década de 2000, o jornal ganhou novos investimentos. O primeiro passo neste sentido foi a contratação de Paulo Henrique Amorim para comandá-lo, e ele passou a se chamar Edição da Noite. Como o noticioso passou a ser reprisado na manhã seguinte, teve o nome novamente alterado para o redundante Edição de Notícias. Mais tarde, sem Paulo Henrique Amorim, ele passou a se chamar Jornal 24 Horas, teve o formato alterado para uma espécie de revista, e Patrícia Maldonado assumiu a apresentação. Depois, foi definitivamente extinto.

Ou seja, para chamar a atenção, o novo jornal que a Record pretende lançar precisa ter um diferencial, para que não se torne apenas mais um jornal de fim de noite. De repente, a emissora poderia adotar um formato mais descontraído, para contrastar com a sisudez de seus concorrentes diretos. Além disso, poderia abrir espaço para entrevistas e debates. Deste modo, não apenas destoaria dos concorrentes, como também se tornaria uma alternativa aos talk shows. Seria interessante.

André Santana

sábado, 9 de março de 2019

"A Garota da Moto" assume de vez porção "novelão"

Super Joana

Com quase três anos de atraso, o SBT lançou na noite da última quarta-feira, 06, a segunda temporada de A Garota da Moto. A coprodução entre o canal de Silvio Santos e a Mixer chamou a atenção em 2016, quando se mostrou um produto destoante da teledramaturgia tradicional da emissora. Com boa audiência e boa repercussão, a série ganhou uma tardia segunda leva. No entanto, seu retorno se mostrou um tanto mais pobre que a primeira safra. Alguma coisa se perdeu nestes anos de hiato.

A Garota da Moto conta a história de Joana (Chris Ubach), uma motogirl que enfrenta a fúria da vilã Bernarda (Daniela Escobar). Isso porque, no passado, Joana se envolveu com o marido da dondoca, sem saber que ele era casado, e acabou engravidando dele. Agora, Bernarda dedica sua vida a tentar matar a motogirl e seu filho, para ser a única herdeira do patrimônio familiar. Após muitos planos mirabolantes, Bernarda é presa, e é da cadeia que a segunda temporada começa.

Mesmo encarcerada, Bernarda segue com seu plano de eliminar Joana. Para isso, ela se une à Naomi (Ana Flavia Cavalcanti), líder de um grupo de bandidos. Além disso, Joana ainda terá que enfrentar Alex (Erom Cordeiro), um stalker com motivações obscuras. Ou seja, não faltam problemas para a heroína nesta segunda temporada de A Garota da Moto.

A Garota da Moto já teve uma primeira temporada bastante calcada no folhetim. Os personagens não têm nuances, e o bem e o mal são bem claros. Além disso, apesar dos poucos personagens, a série é dividida em pequenos “núcleos”, outra característica típica de novela. Há momentos pretensamente cômicos e cenas de ação e aventura, que equilibram o clima pesado da trama central.

No entanto, as características folhetinescas foram elevadas à potência máxima na nova safra. Com Bernarda presa e a chegada da nova vilã Naomi, a perseguição à Joana e seu filho ganha contornos bem mais maniqueístas, com pouco espaço para sutilezas ou subjetividades. O roteiro, apesar de honesto, é mais raso que numa série convencional, sem se ater aos perfis psicológicos dos personagens. E há ainda a equivocada narração das protagonistas. Joana e Bernarda aparecem falando diretamente ao público, explicando tudo o que o espectador já viu ou entendeu. Trata-se de um recurso narrativo desnecessário que empobrece o enredo. Em suma, a história é oferecida “mastigada” ao público.

Além disso, a produção em si parece ter perdido qualidade. Na primeira temporada, A Garota da Moto chamou a atenção pela boa fotografia, com cenários e iluminação mais convincentes do que costumamos ver nas novelas do SBT. Nesta nova leva, tudo soa mais fake. Havia ainda bons takes de câmeras e boas cenas de ação. O que não se viu nesta reestreia. As cenas de luta extremamente coreografadas não convenceram ninguém.

Se a história não traz nada de novo, ao menos A Garota da Moto está bem servida de atuações. Chris Ubach é uma heroína correta, e Daniela Escobar dá credibilidade à sua vilã um tanto rasa. Além disso, a atual temporada conta com a presença de Ana Flavia Cavalcanti, uma grata surpresa de Malhação – Viva a Diferença, trama na qual deu vida à idealista diretora Dóris.

E ainda, há a participação de Adriana Lessa, que viverá a delegada Ferreira. Com o atraso na exibição da segunda temporada de A Garota da Moto, a atriz pode ser vista em duas produções inéditas ao mesmo tempo, já que está no ar também em O Sétimo Guardião, na Globo.

No mais, apesar das falhas, A Garota da Moto tem um trunfo incontestável: ela dialoga bem com o público do SBT. O fato de ela abrir espaço às produções independentes e, de quebra, ampliar o leque de opções da teledramaturgia do canal já coloca a série num lugar de destaque. A experiência é sempre válida.

André Santana

sexta-feira, 8 de março de 2019

Emissoras apostam mais ainda em jornais matinais

"Não tô a cara do Datena?"

Nesta semana, o noticiário televisivo destacou a contratação de André Azeredo, ex-repórter da Globo, pela Record. O jornalista, cotado para ser substituto de Rodrigo Bocardi no Bom Dia São Paulo, resolveu atender ao chamado da concorrente e antecipar sua promoção a âncora. Ele passará a comandar o SP no Ar, jornal local exibido pelas manhãs da Record. Com a chegada de André, Bruno Peruka, o atual titular do noticioso, ficará apenas com o Balanço Geral Manhã, exibido antes.

A chegada de André Azeredo deve vir com algumas novidades no SP no Ar, numa reformulação orquestrada por Antonio Guerrero, atual vice-presidente de jornalismo da emissora. Guerrero assumiu recentemente a vaga deixada por Douglas Tavolaro, até então homem-forte de Edir Macedo. Tavolaro deixou a Record rumo à CNN Brasil, canal de notícias do qual é sócio, e que deve ser lançado ainda este ano.

Outra emissora que busca mudanças em sua grade matinal é a Band. A emissora, insatisfeita com os resultados do Jornal BandNews e Café com Jornal, deve extinguir estes noticiosos em breve. Em seu lugar, entrará um novo noticiário, mais longo e conversado, e que será comandado por Joel Datena. O filho de Datena, cotado para substituir o pai à frente do Brasil Urgente, ganha um novo desafio da emissora. Assim, em breve, André Azeredo e Joel Datena serão concorrentes nas manhãs da TV brasileira.

Eles terão como desafio desbancar o Primeiro Impacto, o jornal matinal do SBT, de gosto duvidosíssimo, mas bom de Ibope. Desde que passou a ser comandado por Dudu Camargo e Marcão do Povo, e apostar fundo em pautas policiais, Primeiro Impacto passou a dar trabalho à Record, sua concorrente direta. O bom resultado fez até o programa ganhar mais tempo no ar. Com o fim do Mundo Disney, Primeiro Impacto ganhou duas horas de duração, e hoje sai do ar às 10h30. E isso pode aumentar: segundo diversas fontes, Primeiro Impacto pode ganhar mais meia hora, terminando às 11h.

É triste. O SBT manterá no ar um jornal enorme (serão cinco horas!), sem nenhuma estrutura para tanto, e com dois apresentadores que colecionam inimizades. Além disso, diminui cada vez mais o espaço do Bom Dia e Cia, o atual único programa infantil relevante da TV aberta brasileira. Caso o Primeiro Impacto ganhe mais tempo mesmo, a atração de Silvia Abravanel passará a ser um programa local. Uma pena.

André Santana

quarta-feira, 6 de março de 2019

Ronnie Von pode mudar para as tardes da Gazeta, diz site

"Boa tarde, amiguinha!"

A Gazeta é uma emissora que tem uma certa estabilidade na grade de programação. De vez em quando, bate uma crise que leva a uma série de cancelamentos, como aconteceu quando a linha de shows das 23h30 foi extinta, ou a de recentemente, que levou a cortes no jornalismo do canal. Entretanto, sabe-se que, entre 14h e 18h, estará lá, firme e forte, o programa Mulheres, atualmente com Regina Volpato no comando. A atração ocupa este mesmo horário desde 2000, quando chegou ao fim a parceria com a CNT. Mas tudo pode mudar.

Segundo o site NaTelinha, Mulheres pode perder uma hora de sua duração, passando a ser exibido entre 15h e 18h. Isso aconteceria caso a emissora bata o martelo e remova Ronnie Von do horário nobre. A ideia é que Ronnie passe a entrar no ar antes de Regina, entre 13h30 e 15h. O site informou que a mudança seria fruto de solicitações de anunciantes do Todo Seu, tendo em vista que vários deles estão com parte de suas centrais de atendimento fechadas no horário em que o programa é exibido.

Assim, caso a mudança realmente se confirme, seria o retorno de Ronnie Von para as tardes, depois de anos na faixa noturna da Gazeta. No final da década de 1990, Ronnie Von comandou o vespertino feminino Mãe de Gravata, ainda na época da CTN/Gazeta, entre 17h e 19h. Com a separação das duas emissoras, Mãe de Gravata passou a ser exibido pela CNT, ocupando o horário do Mulheres, das 14h às 17h. Mas a atração foi cancelada algum tempo depois, e Ronnie passou um período fora da TV. Retornou em 2004 na Gazeta, já com o Todo Seu, que estreou nas manhãs da emissora. Em 2005, Todo Seu migrou para as noites, onde está até hoje.

Com a mudança das manhãs para as noites, Todo Seu foi se “sofisticando”. Passou a apostar em boas entrevistas, com convidados e pautas interessantes. Deste modo, tornou-se uma opção de qualidade num horário que, até aquele momento, era tomado por programas de auditório de gosto duvidoso. Por isso, seria uma pena se o Todo Seu deixasse a grade noturna. À tarde, o programa há de perder sua força. Aliás, não se sabe se será o mesmo Todo Seu no horário da tarde, ou Ronnie ganharia uma nova atração. Vamos ver o que acontece.

Além de um possível novo horário para Ronnie e o Mulheres, a Gazeta prepara outras novidades. Ainda segundo o NaTelinha, estão bem encaminhadas as negociações com Celso Zucatelli, fora do ar desde a extinção de seu esquecível Fala Zuca, na RedeTV.  Celso deve comandar um novo programa, mesclando jornalismo e entretenimento, exibido diariamente entre 12h e 13h30. Com isso, o programa Cozinha Amiga deve ser cancelado pelo canal. Mas pode ter sobrevida em reprises na faixa noturna, caso Ronnie Von seja realmente realocado nas tardes. A conferir.

André Santana

domingo, 3 de março de 2019

"O Sétimo Guardião" erra ao apostar em dupla de vilões

"Aqui de boas esperando
a fonte de dinheiro!"

Uma reviravolta um tanto estranha está prevista para acontecer nos próximos capítulos de O Sétimo Guardião. O vilão Olavo (Tony Ramos), mais uma vez, atenderá um desejo da filha Laura (Yanna Lavigne) e tomará de Valentina (Lília Cabral) tudo o que ela tem. E esta outra vilã, por sua vez, não terá outra saída senão se aliar à Gabriel (Bruno Gagliasso) e proteger a fonte do inimigo. Ou seja, Olavo ascenderá como o grande vilão da novela da Globo, enquanto Valentina deve mudar de lado.

Tal reviravolta, um tanto decepcionante, expõe um dos muitos problemas da novela de Aguinaldo Silva. Apostar numa dupla de vilões para tentar agitar o enredo de O Sétimo Guardião se revelou uma escolha equivocada. Isso porque, ao ter duas figuras maléficas agindo ora como aliados, ora como inimigos, O Sétimo Guardião consegue o feito de esvaziar os dois personagens. O que se traduz num desperdício do talento de seus intérpretes, Lília Cabral e Tony Ramos.

O Sétimo Guardião estreou apresentando Valentina Marsalla como a grande vilã. A megera fez um acordo estapafúrdio com Olavo, na intenção de explorar a fonte de Serro Azul que, no começo da história, ela nem sabia direito o que era. De lá para cá, ela até agiu para tentar driblar os “guardiães” e explorar a água mágica. Mas fez isso de maneira apagada. Valentina não tem o carisma e o humor corrosivo das vilãs inesquecíveis de Aguinaldo Silva, como Altiva (Eva Wilma), de A Indomada, e Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do Destino. Também não é uma serial killer apaixonada, como Adma (Cássia Kis), de Porto dos Milagres. Muito menos uma maluca obcecada, como Maria Regina (Letícia Spiller), de Suave Veneno, ou Silvia (Alinne Moraes), de Duas Caras.

Enquanto isso, Olavo se mostrou um vilão paspalho. A princípio, aceitou o acordo com Valentina às cegas, sem nenhuma garantia de nada. Depois, passou a mero coadjuvante, resmungando pelos cantos e atendendo aos desejos da filha voluntariosa. Ou seja, Olavo é um vilão na teoria. Na prática, pouco fez.

Sendo assim, fica bem claro que a dupla do mal não funcionou. Valentina e Olavo, trabalhando juntos, não tiveram forças para segurar a trama. Pelo contrário. A parceria impediu que Valentina se estabelecesse como vilã. E Olavo nunca justificou a sua presença em cena. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece no horário nobre. O exemplo mais recente é Babilônia, que prometia ser explosiva com a rivalidade entre as vilãs Beatriz (Gloria Pires) e Inês (Adriana Esteves). E não funcionou.

Resta saber se, agora, com a ascensão de Olavo, ele finalmente justifique sua presença em O Sétimo Guardião. E consiga fazer o que, até agora, Valentina não conseguiu. Seria, ao menos, a chance de honrar a presença de Tony Ramos, que teve poucas oportunidades na novela até aqui.

Obs: chego com um dia de atraso em razão de: me tornei tio e estava babando na minha sobrinha Vitória! Nossa mais nova noveleira!

André Santana