terça-feira, 21 de maio de 2019

História da TV: Os 28 anos do lendário "Aqui Agora"

Ivo Morganti apresentava o Aqui Agora
No dia 20 de maio de 1991, o SBT lançava uma nova grade de programação que buscava elevar seus índices de audiência. Naquele dia, a emissora estreava uma nova faixa com novelas mexicanas, a infantil Carrossel, e a adulta Rosa Selvagem, ambas com excelentes índices de audiência. O canal também ampliava sua programação jornalística, levando a figura do âncora, lançada com o TJ Brasil de Bóris Casoy, ao fim de noite, com a estreia do Jornal do SBT com Lilian Witte Fibe. Além disso, os fins de tarde do canal não foram mais os mesmos, com o lançamento do jornal popular Aqui Agora

Inspirado num formato argentino, Aqui Agora era um jornal que tinha a intenção de falar a “língua do povo”. Com o slogan “um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!”, o programa era apresentado por Ivo Morganti e Patrícia Godoy, além de contar com vários co-apresentadores e comentaristas. Nomes como Sérgio Ewerton, Christina Rocha, Sônia Abrão, Jorge Helal, Luiz Lopes Corrêa, Sílvia Garcia, Liliane Ventura e Guilherme Contrucci, entre outros, passaram pela bancada. Entre os comentaristas, chamava a atenção a presença de Maguila (ele mesmo, o pugilista) falando sobre economia (!), e Nelson Rubens e Leão Lobo trazendo as notícias das celebridades.

Aqui Agora marcou época ao apostar em reportagens longas, quase sem cortes, mostrando muita correria entre repórteres e cinegrafistas. Essencialmente policial, a atração fazia uso indiscriminado dos caracteres na tela, normalmente com manchetes sensacionalistas. Muitos repórteres marcaram época no Aqui Agora, como Celso Russomanno, Jacinto Figueira Jr (o “Homem do Sapato Branco”), Wagner Montes, Cesar Tralli e o inesquecível Gil Gomes, que fez história com sua maneira de narrar os mais bárbaros crimes.

Com excelentes índices de audiência, Aqui Agora teve sua importância no jornalismo brasileiro. O chamado “mundo cão” ganhou outro status depois da atração, e chegou a influenciar as matérias policiais até dos jornais mais tradicionais, de todas as emissoras. Além disso, Aqui Agora foi o responsável pela proliferação dos jornais policiais. Antes dele, havia o famoso Cadeia, da Rede OM/CNT, mas foi o Aqui Agora quem popularizou o formato. Um dos filhotes mais evidentes do Aqui Agora é o Cidade Alerta, no ar até hoje na Record.

Porém, com o passar dos anos, o Aqui Agora foi mudando. Além de perder fôlego no Ibope, o jornal foi, aos poucos, amenizando seu conteúdo, numa tentativa do SBT de melhorar o seu faturamento. Assim, num determinado momento de sua história, o Aqui Agora se tornou um jornal mais tradicional, chegando a ter na bancada nada menos que Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, considerados o “casal 20” do telejornalismo brasileiro. Mas, com audiência em baixa, a atração foi cancelada em abril de 1997, sendo substituída pelo infantil Disney Club. Porém, retornou em julho do mesmo ano, quando o SBT tirou Ney Gonçalves Dias da Record. Na época, Ney era o titular do Cidade Alerta, que registrava bons índices de audiência. O Aqui Agora, então, voltou com o mesmo formato do jornal da Record, mas não deu certo. Saiu do ar em dezembro de 1997.

No entanto, como os jornais policiais seguiram nos demais canais (vieram o Brasil Urgente, da Band, e o Repórter Cidadão, da RedeTV), Silvio Santos sempre acalentou o sonho de voltar a investir no filão na faixa das 18h. Ensaiou várias retomadas: chegou a anunciar a estreia de um programa chamado Jornal Policial, que nunca aconteceu, e lançou o Jornal da Massa, com Ratinho em 2007, que não deu muito certo e se transformou num programa de humor. Mas, em 2008, a coisa tomou forma, com a volta do Aqui Agora. Luiz Bacci, Christina Rocha, Herbert de Souza e Joyce Ribeiro apresentaram a nova versão do programa. Mas a volta não deu certo, registrou baixos índices de audiência, e chegou a trocar seus apresentadores, com as entradas de César Filho e Analice Nicolau. Ficou no ar pouco mais de um mês.

Mas a volta do Aqui Agora nunca saiu do radar do dono do SBT. Entre 2009 e 2010, por exemplo, a emissora apostou no Boletim de Ocorrências, uma versão mais “modesta” da atração. Já em 2013, o canal chegou a anunciar o retorno do Aqui Agora, que seria apresentado por Neila Medeiros (“a única capaz de derrotar Datena e Marcelo Rezende”, dizia a chamada), porém, o nome do jornal acabou alterado para SBT Notícias (e não deu certo). Porém, até hoje, há quem acredite que Silvio Santos está apenas à espera de um grande nome para apresentar e ressuscitar de vez o jornal policial que marcou época.

André Santana

sábado, 18 de maio de 2019

Insossa e mal estruturada, “O Sétimo Guardião” decepcionou

"Luz, a novela desandou depois
que eu virei o Du Moscovis"

A novela das nove da Globo, de uma maneira geral, vem numa crescente fase baixo astral. E não apenas por tramas de pouco sucesso, mas também pela temática cada vez mais dura destas produções. O que não faltam são histórias pesadas, com os pés bem fincados na realidade, com muita violência e mau-caratismo, que deixam em segundo (ou terceiro) plano o romance e a fantasia. Claro, isso não quer dizer que uma novela de tom realista não possa ser boa. A Força do Querer, última unanimidade do horário, está aí para provar que é possível. Mesmo assim, faltava um alívio no horário. Faltava uma novela capaz de fazer o público simplesmente desligar da realidade e relaxar.

Por isso mesmo, a estreia de O Sétimo Guardião foi muito festejada, inclusive por este blog. A alardeada volta de Aguinaldo Silva ao realismo fantástico prometia trazer de volta ao horário nobre da Globo um tom mais alegre e colorido, nos moldes das deliciosas Tieta, Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida e A Indomada. Inclusive, na época da estreia, A Indomada estava no ar no Viva, relembrando a audiência que a novela das nove da Globo já comportou comédias da melhor qualidade. Tudo conspirava a favor da nova produção, que enfrentou uma série de dificuldades em seus bastidores para sair do papel (e mais outras tantas com a produção já no ar, mas nem vamos nos ater a estes detalhes por aqui).

A estreia deixou a melhor das impressões. Tudo bem que o tom alegre das novelas anteriores não apareceu, dando espaço ao suspense. Mas estava ali a cidadezinha onde tudo podia acontecer, e que desta vez se chamava Serro Azul (a “cidade vizinha” de todas as outras novelas de Aguinaldo), composta por tipos variados que tinham tudo para acontecer. Havia também uma trama mágica, com uma fonte de águas milagrosas que devia ser protegida por sete “guardiães” que compunham uma irmandade secreta. E, de quebra, um gato misterioso, León, que circulava pelos cenários levando mensagens misteriosas.

Porém, não demorou para que O Sétimo Guardião se revelasse um equívoco. Apesar do bom mote, a história em si foi extremamente mal desenvolvida. A começar pelos sete guardiães, que deveriam liderar a novela. Feliciano (Leopoldo Pacheco), Aranha (Paulo Rocha), Ondina (Ana Beatriz Nogueira), Milu (Zezé Polessa), Eurico (Dan Stulbach), Machado (Milhem Cortaz) e Gabriel (Bruno Gagliasso) se revelaram personagens de pouco apelo. Alguns tinham tudo para render, como Milu (que poderia ser um tipo cômico adorável, vide o talento de sua intérprete para isso), ou Ondina (as cafetinas de Aguinaldo Silva sempre protagonizam suas obras), mas não havia história para elas. Machado, com seu fetiche em usar calcinhas, teve este traço de sua personalidade muito mal desenvolvido. E o que dizer de Aranha, um tipo covarde e apagado? O melhor era o prefeito Eurico, uma sempre boa crítica política do autor. Mas até ele perdeu força, além de ser expulso da irmandade, sendo substituído pelo padre Ramiro (Ailton Graça).

Mas o pior de todos foi justamente o personagem-título. Gabriel, o “sétimo guardião”, era o líder da irmandade, mas o que fez foi destruir tudo. Prepotente, arrogante e sem nenhum tato para lidar com os demais guardiães, Gabriel arruinou a irmandade com sua incompetência. Além disso, estava sempre de mau humor. Nunca sorria. Como torcer para um mocinho tão equivocado? O personagem raso encontrou, ainda, um ator no piloto automático. Assim, sem carisma, Gabriel não justificou seu protagonismo.

Além disso, toda a magia que os envolvia nunca foi bem explorada na novela. Não ficou claro a origem da Irmandade, nem os propósitos de se proteger e manter a fonte em segredo. O público sabia que a água tinha poderes, como o rejuvenescimento ou a cura, mas nunca viu o precioso líquido sendo usado para algo verdadeiramente útil. Quem usou a água, como Marilda (Letícia Spiller), Eurico e Valentina (Lilia Cabral), a usou apenas para benefício próprio. Ora, se a fonte era um tesouro da humanidade, faltou o básico: mostrar, na prática, porque ela era importante. Fora que a fonte era uma excelente metáfora para se falar sobre o uso desenfreado dos recursos naturais pelo homem. Mas nem o mote ecológico, que seria extremamente oportuno neste momento, O Sétimo Guardião explorou.

Em suma, O Sétimo Guardião acabou sendo uma história sobre sete guardiães sem carisma que protegia uma fonte sem grandes motivos para isso. Este erro grave na concepção da trama principal encontrou ecos na reta final, quando os guardiães começaram a ser assassinados misteriosamente. Como nenhum dos guardiães conseguiu cativar a audiência, a morte deles tampouco causou comoção. Foi como se o assassino misterioso (ou, no caso, a assassina, Judith, da sempre excepcional Isabela Garcia) fizesse um favor ao público, eliminando personagens sobre os quais ninguém se importava.

Soma-se a isso uma dupla de vilões que nunca se justificou. Valentina tinha tudo para acontecer, mas se mostrou uma vilã incompetente, que passou por um processo de regeneração sem sentido. Olavo (Tony Ramos) foi feito de capacho por ela a novela toda, apenas reclamando nos cantos, para agir apenas na reta final. Assim, o destaque nas vilanias ficou com Mirtes (Elizabeth Savalla), mais uma beata poderosa da galeria de Aguinaldo Silva, mas que foi destruída na reta final, com outra regeneração sem sentido. E, ainda, uma galeria de personagens que sumiam e apareciam ao sabor dos ventos, com grandes atores inexplicavelmente mal utilizados. Ou seja, faltou humor, faltou magia, faltaram bons personagens. O Sétimo Guardião foi um ponto fora da curva na galeria de histórias fantásticas de Aguinaldo Silva. Uma pena.

André Santana

quinta-feira, 16 de maio de 2019

RedeTV tenta recriar Mara Maravilha com Val Marchiori no "Tricotando"

"Rélou!"

Contratada para um canal no projeto digital da RedeTV (sob o guarda-chuva da Peanuts), Val Marchiori conseguiu o que tanto almejava: um espaço na emissora “convencional”. Amiga pessoal de Marcelo de Carvalho, a ex-Mulheres Ricas agora é a terceira apresentadora do Tricotando, programa de fofocas de pouca expressão que o canal exibe no início da noite. Nesta semana, Val já fez barulho, ao protagonizar um diálogo pouco amigável com Franklin David, outro apresentador da atração. Lígia Mendes completa o trio.

A inspiração é bem clara: Tricotando quer fazer as vezes de Fofocalizando, na pior fase do programa do SBT. Quando tinha Mara Maravilha como uma de suas integrantes, o vespertino da emissora de Silvio Santos pautava os sites de fofocas todo santo dia com as “indisposições” de Mara com os demais apresentadores. Lívia Andrade e Léo Dias eram visíveis rivais da apresentadora, que também não era lá muito amiga de Leão Lobo, Décio Piccinini e Mamma Bruschetta.

Na época em que Mara fazia parte do Fofocalizando, muitos acreditavam que a morena estava ali pra isso mesmo. Segundo boatos, a ideia de Silvio Santos era mesmo causar polêmica e fazer o Fofocalizando virar assunto. Deu certo. Mas isso também prejudicou o programa, que não tinha uma boa imagem junto ao público. Quando perceberam que as brigas faziam mais mal que bem à atração, trataram de afastar Mara Maravilha do programa. Depois, tentaram dar um ar “família” ao Fofocalizando.

Pois muito que bem. Pouco tempo depois da dispensa, Mara recebeu um convite da RedeTV. A emissora começava a formatar o Tricotando, e pensou justamente na ex-comandante do Show Maravilha para sua novidade. Mara dispensou o convite, preferindo aguardar novos projetos no SBT, onde segue contratada. Enquanto isso, a RedeTV foi atrás de Olga Bongiovanni, Rosana Jatobá e outros nomes para o Tricotando. Acabou optando por uma solução caseira, Franklin David, e trouxe a simpática Lígia Mendes para formar a dupla. Mas o programa, desde a estreia, não disse a que veio.

Ou seja, está bem claro que a RedeTV está bem a fim de repetir a estratégia de Silvio Santos e tentar emplacar o Tricotando baseado em polêmicas. Não conseguiu Mara Maravilha, mas foi buscar Val Marchiori, que também tem fama de falastrona. Assim como Mara, Val adora falar mal de tudo e de todos, sem qualquer critério. E já entrou no Tricotando causando. Uma pena que a RedeTV tenha resolvido nivelar por baixo. Mas é a RedeTV, né, já devíamos estar acostumados.

André Santana

terça-feira, 14 de maio de 2019

Silvio Santos mexe no "Fofocalizando" e audiência cai

"Deu ruim pra gente!"

Silvio Santos não pode ver um programa de sua emissora indo razoavelmente bem que resolve meter o bedelho para afundá-lo de vez. Talvez não seja esse o propósito do patrão, mas é a impressão que ele passa ao promover mudanças sem sentido dentro de uma atração que ele mesmo criou e que, a muito custo, conseguiu um lugar ao sol. Fofocalizando começou muito mal, teve inúmeros tropeços e mudanças, mas conseguiu se estabelecer. Porém, novas mudanças orquestradas pelo dono do SBT colocaram a atração em xeque novamente.

Há algumas semanas, a emissora surpreendeu ao anunciar o desligamento de Márcio Esquilo da direção do vespertino. Esquilo comandava o Fofocalizando desde o início, quando ainda era o Fofocando, e sempre foi um profissional muito elogiado pela equipe e pelos apresentadores do programa. Após uma mexida aqui, uma remexida ali e uma expulsão de Mara Maravilha acolá, Fofocalizando vinha numa fase um tanto mais tranquila, tanto em conteúdo quanto em audiência.

Mas Silvio Santos passou a caneta. Afastou Esquilo, escalou o desaparecido Caco Rodrigues para a direção do Fofocalizando e mandou que a atração voltasse a ser como era antes (seja lá o que isso quer dizer). Sob a batuta de Caco, Fofocalizando resgatou quadros chatos, como o Doeu no Ouvido É Destruído, e vem apostando mais em matérias e menos nos comentários dos apresentadores. E, coincidência ou não, a audiência caiu. Segundo o site Notícias da TV, na última sexta-feira, 10, o programa de fofocas do SBT marcou apenas 5 pontos na Grande São Paulo. Ficou em terceiro lugar na audiência e teve um dos piores ibopes da grade da emissora.

Trata-se de uma movimentação, no mínimo, estranha. Silvio Santos mexeu num programa que, se não era um estouro, também estava longe de ser um fracasso. Além disso, escalou Caco Rodrigues para tocá-lo, um diretor (e ex-apresentador) das antigas da casa, e que não tem nenhum grande sucesso no currículo. Entre outras coisas, Caco esteve à frente da última versão do Fantasia, como diretor e apresentador, versão esta que teve vida curta. Imaginar que ele fosse capaz de ampliar os índices da atração beira a ingenuidade.

Sendo assim, a impressão que passa é que Silvio Santos está “cozinhando” o programa para acabar com ele de uma vez. Provavelmente, o programa não é mais a menina dos olhos do chefe, e a manobra servirá para justificar um possível fim do Fofocalizando. Depois de tanto esforço para fazer o programa engrenar, será mesmo que Silvio Santos, agora, quer minar tudo? Coisa mais esquisita.

André Santana

sábado, 11 de maio de 2019

Globo acerta com nova safra de séries nacionais

"Olha lá, eles gostaram da gente!"

As séries nacionais são o principal produto da linha de shows da Globo há muitos anos. E, neste tempo todo, a emissora enfileirou erros e acertos, buscando novas linguagens e novas formas de narrativas. Inicialmente dedicada apenas às comédias, a emissora foi se abrindo para outros gêneros, experimentando drama, policial, noir e até terror. Além disso, abriu espaço para parcerias e coproduções, injetando sangue novo no segmento. Tantas experiências serviram para que a Globo chegasse à grade atual, com a exibição de quatro boas séries que apontam o futuro do gênero na TV aberta.

A principal novidade da atual safra é Cine Holliúdy. Exibida nas noites de terça-feira, logo depois de O Sétimo Guardião, a comédia veio com a ingrata missão de dar seguimento ao sucesso das suas antecessoras. Substituta natural de Mister Brau e Tapas & Beijos, últimas comédias do horário, a nova série é baseada no filme de mesmo nome. E o que se viu na estreia é que Cine Holliúdy foi uma grata surpresa.

A série é centrada no mesmo Francisgleydisson (Edmilson Filho) do filme, mas dá um salto para trás no tempo. Aqui, ele está na década de 1970 e toca seu Cine Holliúdy na pequena Pitombas. O cinema é a única opção de entretenimento da cidade. Mas está ameaçado com a chegada da televisão, novidade orquestrada pelo prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele). Para driblar a concorrência “desleal” com as novelas, Francisgleydisson resolve, em vez de exibir filmes estrangeiros, passar a produzir seus próprios longas. Para a empreitada, ele conta com a ajuda de Marylin (Letícia Colin), enteada do prefeito.

A trama é simples e não traz nada de novo ao universo das séries da Globo. No entanto, Cine Holliúdy tem o mérito de retratar um Nordeste pouco visto em rede nacional. O tom é de comédia, mas traz impresso um toque de melancolia. E o “cearensês”, bem carregado, dá um charme à história. Além disso, a temática é de um saudosismo irresistível. Ao confrontar televisão e cinema numa trama de época, a série explora a boa e velha discussão sobre qual tempo é o melhor: o de ontem ou o de hoje. A receita, ao que tudo indica agradou, já que a estreia foi muito bem na audiência.

Logo após Cine Holliúdy, a Globo exibe a segunda temporada de Carcereiros. Na nova fase, a série perdeu o fator novidade. Porém, ela consegue se sustentar na figura de seu protagonista, um sujeito rico em possibilidades. Adriano (Rodrigo Lombardi) segue como uma das peças daquele presídio, recebendo toda a carga negativa do ambiente e levando-a nas costas. Mesmo assim, ele consegue ser compreensivo e ponderado quando necessário. Em suma, é um tipo comum, o que é sempre um desafio para um ator. E Rodrigo Lombardi comprou bem esta proposta, fazendo aqui o seu melhor trabalho na TV. A nova temporada explora o relacionamento entre Adriano e uma presidiária, Érika (Letícia Sabatella), e como isso influi diretamente em sua relação com o trabalho e com sua família.

Enquanto isso, às quintas-feiras, a Globo exibe a terceira (e, segundo a emissora, última) temporada de Sob Pressão. Melhor série lançada pelo canal nos últimos anos, o drama hospitalar que explora as mazelas da saúde pública brasileira mostra um vigor impressionante na nova fase. Depois de denunciar as consequências da falta de recursos de um hospital público e como a corrupção prejudica ainda mais o sistema, Sob Pressão agora enfoca o problema das milícias, mostrando sintonia com a contemporaneidade. Além disso, Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) são grandes personagens, que dão riqueza às histórias de Sob Pressão. Em meio ao caos de suas profissões, os dois vivem uma relação cheia de obstáculos. O casal luta contra a depressão, os fantasmas passados e a correria de seus cotidianos atribulados. Em suma, são tipos realistas, que driblam o idealismo de seus papéis enquanto profissionais de saúde. E a nova temporada mostra que Sob Pressão deveria continuar, pois assunto é o que não falta.

A novidade da grade 2019 da Globo é volta das séries nacionais às noites de sexta-feira, depois do Globo Repórter. Há anos, a faixa vinha sendo ocupada por séries estrangeiras. Agora, o cartaz é Assédio, série produzida originalmente para o GloboPlay. Inspirada no livro A Clínica – A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, a série escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, é um esmero em todos os sentidos. A produção conta a história de Roger Sadala (Antonio Calloni), um famoso e respeitado especialista em reprodução humana que abusa sexualmente de várias de suas pacientes. Assédio faz um painel da jornada deste personagem, do apogeu à queda. Paralelamente, mostra o trabalho da jornalista investigativa Mira (Elisa Volpato). Ela contata um grupo de mulheres abusadas pelo médico e passa a investigar os casos.

A temática de Assédio é bastante oportuna em tempos em que a discussão sobre a cultura do estupro está na ordem do dia. E a minissérie acerta ao trazer o ponto de vista feminino. Ela mostra, com muita competência, as devastadoras consequências de um abuso sexual na vida de uma mulher. A abordagem ganha credibilidade, tendo em vista que é inspirada num caso real. Além disso, esclarece e faz refletir, sem ser nem um pouco didática. Ao contrário. O texto é perturbador e envolvente. Assim, Assédio completa a cartela de boas séries que a Globo escalou para sua programação 2019. Um acerto.

André Santana

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Nova manhã da Band está difícil de sair

"Pensaram que iam
se livrar de mim?"
Parecia que a Band tinha tomado juízo. A emissora tem dois novos projetos para suas manhãs, o noticiário Primeiro Jornal, com Joel Datena, e a revista eletrônica Aqui na Band, com Silvia Poppovic e Luis Ernesto Lacombe. Os novos produtos estão há mais de mês no gatilho, mas o canal está sendo prudente para confirmar suas estreias. Isso porque, como não está fácil pra ninguém, a Band quer lançá-los apenas quando eles estiverem vendidos ao mercado publicitário. Com o fiasco da grade 2018, o cuidado faz todo o sentido.

Porém, enquanto os programas não estreiam, os bastidores vão sofrendo com uma série de esquisitices. A primeira delas era que Primeiro Jornal e Aqui na Band teriam o mesmo diretor, Vildomar Batista. Ou seja, a emissora queria lançar um jornal que não está vinculado ao seu departamento de jornalismo. No mínimo, estranho. Depois, a coisa mudou. Segundo o UOL, o próprio Vildomar Batista pediu para deixar o projeto do Primeiro Jornal, já que acumular os dois programas o sobrecarregaria. Mais uma atitude prudente. 

No entanto, hoje, 09, o colunista Flavio Ricco trouxe uma novidade que engrossa a cota de esquisitices. Ricco informou que o Primeiro Jornal, agora, está sob o guarda-chuva de André Luiz Costa. E o novo diretor alterou os planos iniciais. Antes, a ideia era que Primeiro Jornal ficasse no ar das 6h às 9h, entregando para o Aqui na Band, das 9h às 11h. Agora, o plano é que o Primeiro Jornal fique no ar das 6h às 8h, e que um outro jornal, a ser apresentado por Luiz Megale, seja exibido das 8h às 9h.

Trata-se de um plano um tanto estapafúrdio. Joel Datena vem se destacando como âncora de jornal popular, tal qual seu pai José Luiz Datena. Sendo assim, ele pode ser o diferencial para as manhãs que a Band tanto procura. Com isso, o Primeiro Jornal tem potencial para render. E, se fosse exibido antes do Aqui na Band, sua provável satisfatória audiência auxiliaria o novo programa de Silvia Poppovic. 

Nada contra Luiz Megale, mas o Café com Jornal, que apresenta atualmente, nunca foi bom de ibope. Como acreditar que este novo noticiário de 8h às 9h vai dar certo? Obviamente, tudo o que foi colocado aqui é unicamente baseado no “achismo” deste que vos escreve. Mas me parece que a Band, com estas últimas mudanças, está colocando a perder um projeto que poderia até dar certo. Vamos ver o que acontece.

André Santana

terça-feira, 7 de maio de 2019

História da TV: 17 anos de "Falando Francamente", de Sonia Abrão, no SBT

"Aqui a gente falava francamente"
Recentemente, Sonia Abrão comemorou nada menos que 13 anos à frente do A Tarde É Sua, da RedeTV. A jornalista, com sua Roda da Fofoca, se tornou um expoente dos vespertinos sobre a vida das celebridades e da TV, quando estreou à frente do A Casa É Sua, na mesma RedeTV, em 2000. O sucesso do vespertino era tanto que despertou o interesse de Silvio Santos, que a contratou para comandar o Falando Francamente, nos mesmos moldes. A atração estreou no dia 06 de maio de 2002.

Inicialmente exibido das 15h45 às 18 horas, Falando Francamente trazia basicamente as mesmas atrações do A Casa É Sua. Com um cenário no qual se via uma redação de jornalismo e uma sala de estar, Sonia lia as revistas do dia, comentava as novidades da TV e trazia informações sobre as celebridades. Além disso, recebia convidados para entrevistas e exibia matérias sobre os bastidores do SBT e cobertura de festas. 

Antes de Sonia Abrão assumir as tardes do SBT, a emissora exibia os filmes do Cinema em Casa, que começava por volta das 15 horas, e uma maratona de novelas mexicanas na faixa Tarde de Amor. Com a estreia do Falando Francamente, o Cinema em Casa passou a ser exibido mais cedo, às 14 horas, e a Tarde de Amor perdeu uma de suas novelas. No entanto, Sonia não conseguiu elevar a audiência das tardes do SBT, como era esperado. Por conta disso, o programa foi mudando de rumo. O espaço para o noticiário policial aumentou, enquanto as fofocas perderam espaço. Mas Falando Francamente não reagiu, e acabou vendo seu horário ser constantemente alterado.

O programa de Sonia Abrão, então, passou a oscilar entre a faixa das 13h e 14h. Nesta época, Falando Francamente voltou a ficar mais leve, e chegou a lançar um dos quadros mais lembrados da atração, o SBT 21, que relembrava programas e momentos da história da emissora. Mesmo assim, a audiência permaneceu insatisfatória e, no final de 2003, Silvio Santos mandou mudar tudo: o programa deixaria de ser diário e se transformaria num programa de auditório nas tardes de sábado. A expectativa era alta: Silvio declarou que Sonia Abrão tinha condições de se tornar um “Gugu de saias” e fazer frente aos demais programas de sábado da TV aberta: Caldeirão do Huck, da Globo; Programa Raul Gil, da Record; e Sabadaço, da Band. Com a saída do Falando Francamente das tardes diárias, o SBT reformou sua programação, trazendo novamente novas faixas de novelas, além da estreia do Casos da Vida Real. Meses depois, estrearam outros programas, como Casos de Família (com Regina Volpato), Programa Cor de Rosa e, mais adiante, Charme com Adriane Galisteu.

"É uma tradição do SBT [programa de auditório]. Acontece que eu nunca apresentei um programa do gênero. Vai ser um exercício realmente desafiador", declarou Sonia ao portal Terra tempos antes da estreia da nova fase da atração. O novo Falando Francamente estreou no dia 10 de janeiro de 2004, das 13h30 às 18h30. O quadro de nostalgia do SBT se tornou um game show, no estilo Vídeo Game, e o programa seguiu com uma pegada “jornalística”, com helicóptero ao vivo e reportagens. Sonia também recebia convidados e contava histórias “emocionantes”, com muitas pautas policiais. 

Mas as novidades não deram certo e Sonia Abrão, claramente, não estava à vontade como animadora de auditório. Assim, ela preferiu atender o chamado da Record e relançou seu vespertino diário, com o nome Sonia e Você, em outubro daquele ano. Enquanto isso, a Sessão Premiada, com Celso Portiolli, substituiu o Falando Francamente nos sábados do SBT. 

André Santana

sábado, 4 de maio de 2019

Nova edição do "Power Couple" tenta driblar ausência de "famosos"

"Valendoooo!"

Como já dito aqui anteriormente, com o excesso de reality shows que envolvem “famosos” na Record, logo a emissora chegaria num impasse. Afinal, sabe-se que não são muitos os nomes conhecidos que topam passar por uma exposição dos tamanhos de Power Couple e A Fazenda. Daqueles que topam, muitos já passaram por ali. Logo, as opções vão ficando cada vez mais escassas. E a nova edição do Power Couple Brasil, que estreou esta semana na emissora, deixou isso bem claro.

Nesta temporada, personalidades mais conhecidas, como Nicole Balhs, Debby Lagranha e seus respectivos maridos, dividem a mansão com nomes como Jú Valcézia e Ricardo Manga, Fabi Monarca e Enrico Mansur, e Taty Zatto e Marcelo Braga. É preciso um esforço bem grande do público para descobrir quem, afinal, são eles. Pela primeira vez, os nomes menos (ou nem um pouco) conhecidos parecem superar o número de “famosos”.

No primeiro Power Couple, por exemplo, o casal menos conhecido era Laura Keller e seu marido, Jorge Sousa, que acabou vencendo a edição. Eles conviveram com nomes como Simony, Gian (da dupla sertaneja), Popó, Túlio Maravilha, Gretchen, Andréia Sorvetão e Conrado, entre outros.  Já a segunda edição teve Fábio Villa Verde, Rafael Ilha, Sylvinho Blau Blau e Thaíde. No ano passado, o terceiro ano contou com a presença de André Di Mauro, MC Créu e Nizo Neto. Aliás, na temporada 2018, a presença de ex-realities, que antes era mais tímida, ficou maior, com as participações de Aritana Marone, Munik Nunes, Franciele Grossi e Diego Grossi, entre outros.

Agora, o expediente de ex-reality veio com força. Só do BBB são três nomes: o casal Mariana Felício e Daniel Saullo, além de Eliéser Ambrósio e sua esposa, Kamilla Salgado. Ou seja, um elenco bem distante do visto das primeiras temporadas. Entretanto, em realities como o Power Couple, o “grau de fama” acaba se tornando mero detalhe. A atração foca bastante no dia a dia do confinamento, explorando a convivência entre os casais. Ainda mais agora, no atual formato, assumido quando Gugu Liberato passou a ser o apresentador. Na fase Roberto Justus, o programa era mais um game show, e os momentos de confinamento na “Mansão Power” não era muito explorado. Até porque, nesta fase, o programa era exibido uma ou duas vezes por semana. Deste modo, o confinamento durava apenas um mês, e este tempo era pulverizado numa exibição que não era em tempo real.

Já com Gugu, as exibições passaram a ser diárias e em tempo real, aumentando o espaço para a convivência dos casais na casa. Assim, o programa ficou parecido com o BBB, apostando nas intrigas que surgem quando se divide uma casa com muita gente. Por isso mesmo, o fato de os participantes não serem lá tão famosos não chega a ser um problema. Passados poucos episódios, todos já se tornam familiares a quem assiste. E o que vale aqui são as personalidades distintas. Se bem dosadas, vão garantir o interesse de quem assiste.

Quanto a Gugu, mais uma vez, a escolha do apresentador se mostrou bastante acertada. Com experiência de sobra em game shows, Gugu imprime ritmo às provas do programa. Além, claro, de usar e abusar de seu famoso bordão “valendooo!”. Assim, o veterano animador surge novamente bastante à vontade na função.

Além do bom apresentador e de um elenco com potencial, Power Couple tem mais uma vantagem este ano. A atração não tem mais a concorrência com o MasterChef, da Band, que roubava uns preciosos pontinhos de audiência às terças-feiras. Ou seja, são grandes as chances de a Record colher bons frutos com a temporada deste ano. É só o elenco colaborar.

André Santana

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Isolada na manhã da RedeTV, Olga Bongiovanni não faz milagres

"O nosso encontro é depois
das pegadinhas armadas!"

A volta de Olga Bongiovanni a um canal de rede nacional foi comemorada pelos espectadores. Afinal, é sempre bom quando um grande profissional conquista um espaço maior. E Olga é uma destas grandes profissionais: ótima de vídeo, carismática, inteligente e com um vasto repertório, além de muita experiência acumulada. De tantos matinais que a RedeTV já lançou e relançou nos últimos anos, Olga, sem dúvidas, foi a melhor das novidades.

Mas a audiência ainda não anda lá essas coisas. Assim como Padre Alessandro Campos. Assim como Fala Zuca. Assim como Melhor pra Você. Ou Se Liga Brasil, Morning Show, Manhã Maior... O que não faltou, nos últimos anos, foram tentativas da RedeTV de alavancar sua grade matinal. Mas nada decolou. E Olga, mesmo com suas qualidades, ainda não disse a que veio.

Pode-se criticar a péssima divulgação da RedeTV, como fez o site Notícias da TV. Em análise recente, o site de Daniel Castro foi feliz ao expor a total falta de estratégia no lançamento do novo matinal. Além do pouco tempo de preparação, a emissora não se deu ao trabalho de promover sequer uma coletiva de imprensa. Algo que fosse capaz de celebrar a volta de uma apresentadora que já tinha história na emissora. Faz sentido.

Entretanto, creio que o problema é ainda maior. Falta à RedeTV um planejamento melhor da própria grade de programação. Atualmente, as manhãs da emissora começam às 9h30, um horário no qual os demais canais já estão a toda. Para piorar, o primeiro programa exibido é a faixa de pegadinhas Te Peguei!. Produto que em nada dialoga com Olga, que é, essencialmente, um programa com debates, entrevistas e informação. Depois de Olga, entra o Edu Guedes e Você, que até tem a ver. Mas depois, ao meio-dia, é a vez do Você na TV, completamente deslocado na hora do almoço.

Em entrevista recente ao site NaTelinha, o diretor de programação da Globo, Amauri Soares, ensinou: grade se monta com coerência, com estudos e análises do público potencial. E a grade matinal da RedeTV está longe de seguir tais lições. A emissora deveria considerar iniciar sua programação própria mais cedo, além de investir em jornalismo antes de Olga e depois de Edu Guedes. Assim, o programa da apresentadora não seria uma “ilha”, como acontece hoje, e teria mais condições de dar um resultado minimamente melhor.

“Ah, mas a Sonia Abrão, ensanduichada por duas igrejas, dá boa audiência”, pode apontar alguém. De fato. Mas Sonia, neste contexto, pode ser considerada um fenômeno. A Tarde É Sua faz, sim, milagres, ao pegar do nada, elevar a audiência e entregar para o nada. Mas isso é exceção, não regra. E imagina o que Sonia poderia fazer se a grade da emissora a favorecesse? A RedeTV tem um problema grave de grade, e não é de hoje. Mas o canal parece não se importar com isso.

André Santana

terça-feira, 30 de abril de 2019

Troféu Imprensa segue completamente fora da realidade

"Mas só pode votar nestes três?"
Já nem dá mais pra comentar aqui o resultado do Troféu Imprensa. Com categorias desatualizadas e concorrentes que não representam o ano que passou, a premiação do SBT já não tem absolutamente nenhuma relevância. O que é uma pena, tendo em vista que o fato de ser um prêmio entregue pela imprensa e abranger todas as emissoras, o Troféu Imprensa tinha tudo para ser o mais importante prêmio da televisão brasileira.

Porém, os concorrentes definidos por fãs da internet derrubam a credibilidade da premiação. Olha o que aconteceu com o prêmio de Melhor Atriz, pulverizado entre Adriana Esteves, Marina Ruy Barbosa e Sophia Valverde. Adriana, que viveu Laureta em Segundo Sol, era a única que merecia estar ali. Marina e Sophia não são ruins, mas é evidente que não estão entre as melhores do ano passado. O que elas têm são muitos fãs, que se mobilizam para votar nas enquetes da internet. Enquanto isso... cadê Deborah Secco? Cadê Marieta Severo? E Letícia Colin? Ou Alinne Moraes, Bianca Bin... enfim! Ótimas atrizes ficaram de fora da disputa, enquanto Adriana Esteves concorreu com ela mesma.

E já faz tempo que o Troféu Imprensa não acerta com seu grupo de jurados também. Nada contra quem estava ali, mas faltou pluralidade na bancada. Um dos acertos foi os retornos de Daniel Castro e Cristina Padiglione, que há muito tempo não davam as caras por ali. Outro acerto foi a presença de Mauricio Stycer, um dos melhores na argumentação de seus votos. Porém, ficou evidente o predomínio da imprensa paulistana ali. Há excelentes colunistas no segmento, como Arthur Xexéo, Jorge Luiz Brasil, ou até mesmo Patrícia Kogut, nomes do Rio de Janeiro, e que poderiam estar ali. 

Enquanto bons profissionais ficam de fora, outros acumulam participações que já não fazem sentido. O maior expoente neste caso é Nelson Rubens. O apresentador do TV Fama parece completamente perdido. Além de não ter argumentos convincentes e nem comentários muito coerentes, ele ainda atrapalha os comentários alheios. 

Concluindo: o tempo não fez bem ao Troféu Imprensa. A premiação, hoje, é apenas um programa de televisão que tem seus momentos divertidos. Mas não premia de verdade. Falta abolir de vez os votos pela internet para definir finalistas, falta atualizar as categorias, e falta pluralizar o quadro de jornalistas votantes. Dá pra melhorar, mas é preciso boa vontade de quem organiza.

André Santana

sábado, 27 de abril de 2019

"Jesus", "Jezabel" e o futuro do projeto bíblico da Record

"Eu sou má!"

Na última segunda-feira, 22, a Record exibiu o último capítulo da novela Jesus. Escrita por Paula Richard, a trama furou a fila das produções bíblicas da emissora numa tentativa de estancar a perda de público provocada por Apocalipse, o maior fiasco do canal no segmento. Apesar de não ter repetido o sucesso de Os Dez Mandamentos, a saga do Messias (Dudu Azevedo) conseguiu aumentar a audiência do horário, recuperando parte da credibilidade das novelas da emissora.

Jesus estreou com a boa promessa de mostrar um Messias mais “humano”, nas palavras da própria autora. Realmente, o texto da trama foi pontuado pela trajetória de um Jesus bastante acessível, com um tom mais naturalista. Espertamente, texto e direção fugiram o quanto puderam da tentação em dar ao protagonista um ar excessivamente divino. Deste modo, a novela trouxe um homem de carne e osso. Filho de Deus e dono de grande poder de mobilização. Mas, ainda assim, de carne e osso.

No entanto, tal proposta não encontrou ecos na atuação de Dudu Azevedo. O ator optou por dar a Jesus um tom etéreo, absurdamente contemplativo. O que é um erro, tendo em vista que tanto o texto de Paula Richard, quanto os próprios livros bíblicos deixavam claro que Jesus era um ser dotado de sentimentos diversos. Mas, na pele de Dudu, o Messias era apenas um ser calmo, que não se exaltava e com emoções um tanto apagadas. Faltou vigor para um personagem com o dom de mobilizar tanta gente.

Entretanto, trata-se de um erro comum nas novelas bíblicas da Record. Sabe-se lá por que, praticamente todos os protagonistas das tramas da emissora estão sempre com um olhar contemplativo. Em Os Dez Mandamentos, por exemplo, Moisés (Guilherme Winter) começou a trama com o vigor de um herói. No entanto, após receber a missão divina, ele simplesmente se apaga. Dá a impressão de que a emissora confunde sabedoria e fé com apatia.

Isso também pode ser observado na produção que substituiu Jesus, a macrossérie Jezabel, estreia da terça-feira, 23. A nova trama também tem um profeta na linha de frente, Elias (Iano Salomão). Até aqui, o personagem também prega adotando este tom contemplativo e pouco natural. Porém, isso não é necessariamente um problema, já que a novela está centrada na vilã, a personagem-título vivida pela atriz Lidi Lisboa.

Jezabel é uma nobre da região da Fenícia que se casa com o príncipe Acabe (André Bankoff), de Israel. Ela arma para se tornar rainha do lugar e, ao conquistar o posto, se torna implacável contra seu povo. Assim, Jezabel traz uma rara protagonista mulher dentre as novelas bíblicas da emissora. Mulheres estiveram à frente de enredos como A História de Ester e Lia, mas foram poucas, comparadas aos tantos homens que protagonizaram novelas e minisséries do canal. E o fato de ela ser a vilã da história dá à Jezabel uma pitada de pimenta. Afinal, finalmente a figura central não é um personagem contemplativo e de pouca ação. Jezabel faz a trama andar, com muita firmeza e segurança. E maldades, claro!

Destaque em vários papéis coadjuvantes, sendo o mais importante deles em Escrava Mãe, Lidi Lisboa vinha merecendo uma protagonista. No entanto, nestes primeiros capítulos de Jezabel, seu desempenho foi irregular. A atriz teve bons momentos, mas exagerou nas caras e bocas nas cenas mais tensas. Mas nada que comprometa a personagem, que é bastante complexa. Entretanto, quem roubou a cena na primeira semana foi Hylka Maria. A atriz vive Getúlia, uma cúmplice de Jezabel que cumpriu a missão de matar o rei Onri (Arthur Kohl). Hylka faz uma vilã intensa, porém contida, e esteve muito bem nas sequências do assassinato do rei.

Com Jezabel, a novelista Cristianne Fridman finalmente volta a assinar uma novela na Record. Autora de sucessos, como Chamas da Vida e Vidas em Jogo, ela agora leva sua experiência em folhetins numa história bíblica. Neste primeiro capítulo, mostrou que traquejo na função faz a diferença. Jezabel não fugiu do didatismo comum aos primeiros capítulos, mas o fez de maneira comedida e eficiente. Além disso, o capricho da produção chama a atenção. O salto de qualidade que as tramas bíblicas da Record deram de Os Dez Mandamentos até aqui impressiona. Fora que, com Jezabel, a produtora Formata debuta no segmento das telenovelas. Começou bem.

Em suma, Jezabel veio trazer alguma novidade em um formato que parecia esgotado. Nesta primeira semana, mostrou potencial. Mas terá o desafio de convencer o público destas produções, mais conservador, a acompanhar uma história sobre uma vilã. A conferir.

André Santana

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O fim do "Tá Brincando!" e o sábado da Globo

"Prefiro sair da emissora
do que ir parar no 'É de Casa'"
Ontem, 24, o site NaTelinha noticiou que Otaviano Costa está de saída da Globo. Por conta da indefinição de uma segunda temporada do Tá Brincando!, programa que comandou no primeiro trimestre deste ano, o apresentador optou por não renovar seu contrato com a emissora. A Globo confirmou a informação, mas deixou em aberto a possibilidade de Otaviano retornar eventualmente, seja na TV Globo ou em outras plataformas do grupo. Cristina Padiglione, em sua coluna no Agora SP, afirmou que Otaviano pode ser contratado por obra, em razão de sua participação na Escolinha do Professor Raimundo.

A notícia surpreendeu, já que, a princípio, Tá Brincando! teria uma segunda temporada. Mesmo com desempenho mediano, o game show foi bem visto dentro da emissora, e, enquanto estava no ar, seu retorno no ano seguinte era praticamente certo. Porém, alguma coisa mudou e Tá Brincando! entrou na lista de indefinições da emissora. Há uma crise no ar, e a direção da Globo tem revisto vários planos e agindo com cautela em suas próximas estreias. 

Porém, numa análise fria, uma segunda temporada do Tá Brincando! não parecia uma boa ideia mesmo. Isso porque o game show, apesar da proposta simpática, tinha um formato bem fraquinho. E enjoou rápido, mesmo com uma temporada curta, de apenas nove episódios. A repetição de provas e de competidores aborrecia, assim como os gritos do apresentador, que demorou até achar o melhor tom para a apresentação. Além disso, a audiência do game também não foi lá essas coisas. 

Aliás, este horário anterior ao Caldeirão do Huck tem sido um dos mais problemáticos da grade da Globo. A faixa marcou o fim da trajetória de Xuxa no canal, quando seu TV Xuxa foi exibido ali e chegou a apanhar do Pica-Pau, da Record. Mais adiante, o Estrelas, de Angélica, passou a ocupar o horário. O programa de entrevistas ia bem às 13h45, mas viu sua audiência cair na faixa das 15 horas. Com o fim do programa, vieram o especial As Matrioskas e, depois, o musical SóTocaTop. E a audiência é sempre igual ou menor ao que o Estrelas costumava dar.

É fato que Estrelas estava cansado e merecia sair de cena. No entanto, também é fato que o projeto de transformar o horário numa faixa de programas de temporada também não emplacou. SóTocaTop exibido praticamente o ano todo é um erro, pois o musical cai na repetição logo em sua terceira semana. A audiência também não se justifica. Provavelmente, só se mantém no ar por conta dos patrocinadores, de número bem considerável. Tá Brincando! também passou em brancas nuvens por ali. Enquanto aos domingos a emissora acertou o passo com The Voice Kids, Tamanho Família, Popstar e Escolinha do Professor Raimundo, aos sábados a coisa não engrena. 

André Santana

terça-feira, 23 de abril de 2019

Globo já testou um formato para Angélica. E ficou legal!

Episódio do Estrelas de 24/09/2016: Angélica em momento Hebe

Segundo a imprensa especializada, neste momento o projeto de novo programa para Angélica está engavetado. Em sua coluna no UOL, o jornalista Ricardo Feltrin revelou que a nova atração seria um programa de auditório sobre comportamento, apostando num bate-papo entre convidados e a plateia. O programa seria de temporada e estava cotado para ocupar as noites de quinta-feira. Porém, com receio de fazer grandes investimentos neste momento de instabilidade, a direção da Globo ainda não deu o OK para o início da produção. Assim, ao menos por enquanto, o projeto está suspenso. 

Não se sabe exatamente como seria esse tal projeto, mas, pela descrição de Feltrin, seria algo próximo a um episódio do Estrelas, último programa da loira, que foi ao ar em 2016. Mais precisamente no dia 24 de setembro daquele ano. Neste dia, o Estrelas teve um único cenário: uma casa onde foi utilizada a sala de estar e a cozinha. Na cozinha, Angélica recebeu João Baldasserini, que participou do quadro Sabores com sua receita de carne de panela. 

Enquanto isso, na sala, Angélica recebeu três convidadas: Claudia Raia, Fernanda Souza e Gloria Maria. Ao contrário do que comumente acontecia no Estrelas, elas participaram ao mesmo tempo do programa, conversando sobre diversos assuntos. Angélica mediou o bate-papo, que teve como temas principais a “mentira social” e a moda dos famosos. A apresentadora propunha os temas, enquanto as convidadas os debatiam, sempre com bom humor. O programa também contou com externas, no qual o público nas ruas dava opiniões sobre os temas e mandava recados para as convidadas de Angélica.

Sendo assim, naquele dia, o Estrelas adotou um formato parecido com o Saia Justa, com um debate com mulheres sobre temas diversos. Foi um episódio atípico do programa, que normalmente tinha blocos independentes entre si, e cada bloco era protagonizado por um convidado diferente. Desta vez não. As convidadas de Angélica participaram do programa todo, reunidas num sofá, numa conversa bastante divertida. Se tivesse um auditório ali, seria algo parecido com o que Hebe Camargo fez por tantos anos na TV. 

Ou seja, Angélica mostrou que poderia, perfeitamente, conduzir um “programa de sofá”. Naquela época, o Estrelas já estava um tanto desgastado, e este episódio “fora da curva” mostrou que o programa vinha tentando aperfeiçoar o seu formato. Sem dúvidas, este episódio deveria servir como modelo para a nova atração da apresentadora. Isso se ela conseguir tirar o seu projeto da gaveta. Não está fácil não.

Assista ao episódio em questão do Estrelas clicando AQUI

André Santana

sábado, 20 de abril de 2019

Depois de dez anos tentando, Celso Portiolli finalmente dá sua cara ao "Domingo Legal"


Tudo o que você faz
um dia volta pra você...
Em 2009, depois de uma das negociações mais barulhentas da TV brasileira, Gugu Liberato deixou o SBT, casa que o inventou, rumo à Record. Com isso, a emissora de Silvio Santos teve em mãos um abacaxi: dar continuidade ao Domingo Legal sem a sua estrela. Não era tarefa fácil, tendo em vista que Domingo Legal e Gugu eram praticamente uma coisa só. Entre os altos e baixos da história da atração, o fato é que o dominical era o “Programa do Gugu”. Substituí-lo, portanto, era uma tarefa ingrata e quase impossível.

E foi isso que aconteceu. Na época, chegaram a defender o fim do programa. No entanto, muitos torciam para que Celso Portiolli assumisse a atração. O apresentador, que esteve à frente de tantos programas no SBT, formou uma plateia cativa, que torcia para que Celso conquistasse mais espaço na grade. Ele, já havia alguns anos, estava sendo subutilizado. Ou seja, na cabeça dos “sbtistas”, era ele o substituto natural de Gugu e o nome certo para dar continuidade ao Domingo Legal, que, goste-se ou não, é fato que se trata de uma marca poderosa do SBT. E a direção do SBT acatou o pedido do público e recrutou Celso para mais esta missão.

Porém, como era previsto, a troca não foi fácil. Celso Portiolli pegou para si um programa que já vinha sofrendo com uma crise de criatividade sem precedentes, com poucos quadros realmente relevantes. Além disso, boa parte da atração era calcada na “emoção”, algo estranho para o novo apresentador, mais acostumado a tratar de pautas mais alegres. Sendo assim, Domingo Legal passou uns bons anos tateando qual seria o melhor rumo a ser tomado.

Vieram então muitos quadros sem grande elaboração, como os famigerados Piscina de Amido e Afunda ou Boia. Veio também a exploração de “histórias de superação”, claramente inspiradas no Domingo Show da Record. Uma das poucas boas ideias que surgiu neste período foi a transformação do Passa ou Repassa em quadro do programa. O game foi o primeiro programa que Celso apresentou no SBT. Ou seja, era a cara dele. Além disso, é um formato que tem certa elaboração e ritmo. Em suma, um formato que funciona.

Estava aí, então, um rumo que poderia ser adotado pelo Domingo Legal. Porém, a direção do programa levou mais alguns anos para se inspirar neste retorno do Passa ou Repassa e recorrer a outros quadros que tinham mais a ver com o perfil de Celso Portiolli. De quebra, o programa perdeu tempo de arte, e o Passa ou Repassa passou a ser praticamente o único quadro, revezando com outros menores. Neste meio-tempo, surgiu um quadro inédito, bem feito e que funcionou: Comprar É Bom, Levar É Melhor.

Ou seja, ficou bem claro que o traquejo de Celso Portiolli no comando de games deveria ser explorado mais pelo Domingo Legal. E a direção do programa acertou em cheio nesta temporada de 2019, quando a atração voltou a ocupar quatro horas da grade de domingo do SBT. Com mais tempo no ar, Domingo Legal se transformou, basicamente, em três programas dentro de um programa maior. Além das novas temporadas de Passa ou Repassa e Comprar É Bom, Levar É Melhor, o dominical agora aposta também no Xaveco, outro programa clássico apresentado por Celso no passado.

Em suma, são três games. Mas três bons games, que divertem o público. E nos quais Celso tem total domínio. Assim, pela primeira vez nestes dez anos, finalmente é possível assistir ao Domingo Legal e enxergá-lo como o “programa do Celso”. Todas as atrações atuais têm a cara dele, e é visível como ele o tem comandado com muito mais força e segurança. Porque ele, finalmente, está em casa. Não por acaso, a audiência reagiu, e o Domingo Legal vive sua melhor fase desde que Celso entrou em cena. Demorou dez anos, mas o Domingo Legal com Celso Portiolli encontrou um rumo. Antes tarde do que nunca.

André Santana

sexta-feira, 19 de abril de 2019

"Viva a Diferença" é clara inspiração em "Malhação – Toda Forma de Amar"

"Minha filha tá vivaaaaa!"

Emanuel Jacobina, um dos criadores de Malhação, foi o autor que ditou o formato do programa. Foi ele quem instituiu o romance adolescente, apostando num casal jovem que era atrapalhado por uma megerinha a cada temporada. Porém, quando Cao Hamburger concebeu a premiada Malhação – Viva a Diferença, a trama juvenil alcançou um novo patamar. Assim, Jacobina tratou de adaptar o seu estilo a esta nova realidade. E esta é a proposta da nova Malhação – Toda Forma de Amar, que estreou nesta semana na Globo.

Deste modo, teremos sim um romance adolescente atrapalhado por uma megerinha. Já se sabe que a mocinha da vez, Rita (Alanis Guillen), vai se apaixonar pelo mocinho, Filipe (Pedro Novaes). Mas Filipe namora Martinha (Beatriz Damini), que vai jogar areia no romance. O que muda é que, desta vez, o conflito vem embalado em cores mais realistas. Rita é uma menina que foi mãe jovem, e que agora busca a filha que lhe foi tirada. A bebê foi adotada por Lígia (Paloma Duarte), justamente a mãe de Filipe.

Além da trajetória de Rita, Malhação – Toda Forma de Amar trata da violência urbana por meio do encontro de seis jovens. Rita, Raíssa (Dora de Assis), Thiago (Danilo Maia), Jaque (Gabz), Anjinha (Caroline Dallarosa) e Guga (Pedro Alves) são testemunhas de um crime, e se unirão em torno do dilema de denunciá-lo ou não. A partir daí, a trama pretende focar na amizade do grupo, bem como as diferenças que os envolvem. Ou seja, qualquer semelhança com as “Five” de Viva a Diferença não é mera coincidência.

Para recuperar o prestígio de Malhação, abalado com a equivocada Vidas Brasileiras, Toda Forma de Amar aposta numa trama que procura ser um tanto mais densa. E, para dar substância a esta proposta, a direção da atração apostou num elenco de veteranos de peso. Além de marcar um bem-vindo retorno de Paloma Duarte às novelas, com uma personagem bem diferente do que já viveu, a novela aposta ainda em outros nomes populares. Henri Castelli, Tato Gabus Mendes, Olívia Araújo e Mariana Santos são alguns dos destaques.

A direção artística de Adriano Melo também busca um acabamento mais maduro à trama. Isso pode ser percebido na fotografia e ambientação, que fogem do Rio de Janeiro de cartão postal. O resultado é uma urbanidade que dá aos cenários de Toda Forma de Amar uma heterogeneidade, o que destaca as diferenças culturais dos personagens. Tal qual a São Paulo de Viva a Diferença. Ou seja, a nova temporada não esconde a inspiração. Resta saber se conseguirá ser tão vitoriosa quanto a outra.

André Santana

quinta-feira, 18 de abril de 2019

História da TV: "Agente G", um clássico da Record

Gérson e Mestre Iodo

Há 24 anos, estreava na Record um dos programas infantis mais simpáticos já produzidos pela TV aberta brasileira. Agente G, uma série educativa de humor, estreava em 24 de abril de 1995, em pleno horário nobre da emissora. Exibido de segunda a sexta-feira, às 20 horas, logo depois do Jornal da Record, o infantil conseguiu marcar uma geração e abrir caminho para a produção de programas para crianças na emissora.

Agente G era protagonizada pelo personagem-título, vivido por Gérson de Abreu. Ele era membro da GELO (Grupo Especial pela Lei e Ordem), uma organização secreta que lutava contra os planos da COISA (Central Odiosa de Inimigos Safados e Abomináveis), que fazia de tudo para praticar todo tipo de maldade. A GELO tinha como agentes os habitantes da geladeira de Gérson, como Salsinha (Fernando Gomes), Refri (Cláudio Chakmati), Leite (Álvaro Petersen Jr), Coco (Wesley Crespo), Repolho (Cláudio Chakmati) e a trêmula Gela Tina (Álvaro Petersen Jr). Todos eles seguiam os ensinamentos do Mestre Iodo (Fernando Gomes), um guru esperto, mas um tanto atrapalhado. O boneco era inspirado no Mestre Yoda, de Star Wars, e falava de maneira enigmática, tal qual o “sósia americano”. Havia ainda o misterioso Chefe, de quem só se via os olhos no refrigerador.

Enquanto isso, a COISA era liderada pela malvada Gina (Helen Helene), uma figura odiosa que escondia uma quedinha pelo Agente G. Seus capangas eram Nefasto (Álvaro Petersen Jr) e Sinistro (Cláudio Chakmati), dois atrapalhados espiões que sempre falhavam em suas missões. Gina tinha como principal confidente o Corvo Edgar Alan Poe (Fernando Gomes).

A cada episódio do Agente G, a COISA colocava em prática um plano para descobrir “todos os segredos da GELO”, como sempre repetia Gina. Porém, Gérson e seus amigos sempre conseguiam desmascarar a COISA e desmantelar suas armadilhas. A história do dia era costurada por quadros de conteúdo didático, como A Gente Sabe, com as aulas do Professor LeChatô (Helen Helene); o A Gente Faz, com as experiências de Gérson, quadro que o consagrou no X-Tudo, da TV Cultura; A Gente Lê, com dicas de livros; entre outros. Além disso, o programa exibia desenhos animados, como Supermouse, Beetlejuice e Bill Body, entre outros.

O elenco de Agente G sofreu alterações ao longo de seus dois anos no ar. O primeiro foi Cláudio Chakmati, que deixou o país. Assim, o capanga Sinistro foi substituído por Soturno (Wesley Crespo). Helen Helene, atriz conhecida por contar histórias no Rá-Tim-Bum, da Cultura, também deixou a série, sendo substituída por outra atriz conhecida dos infantis da emissora educativa: Silvana Teixeira, famosa pelo Bambalalão. Silvana interpretou duas personagens: Brígida, a nova malvada da COISA, e Bárbara, uma personagem “do bem”, amiga do pessoal da GELO. Aliás, com a saída de Helen Helene, o Professor LeChatô também sumiu da série, já que era a atriz que dava voz ao boneco. Em seu lugar, entrou outro boneco, o Professor LeBobô (Fernando Gomes).

Em 1996, Agente G passou por mudanças. O programa passou a se chamar A Turma do Agente G, mudou para a faixa da tarde e aboliu a história do dia, focando apenas numa sucessão de quadros educativos sem muita ligação entre eles. Com isso, a COISA saiu de cena, e novos personagens chegaram, como Leonardo (Álvaro Petersen Jr), que comandava o quadro A Gente Desenha (que ensinava as crianças a desenhar). Algum tempo depois, A Turma do Agente G passou para a faixa matinal, com mais tempo no ar e muitos desenhos, como Snoopy, Garfield e SupermanThe Animated Serie, além da série O Mundo de Beakman. Nesta época, Gerson chegou a ir aos EUA gravar nos cenários do Beakman, com a presença do próprio (vivido pelo ator Paul Zaloom), num dos crossovers internacionais mais legais da TV aberta do Brasil. No entanto, A Turma do Agente G não conseguiu fazer frente aos poderosos infantis matinais de Globo e SBT, deixando a grade da Record em 6 de junho de 1997.

Agente G era fortemente inspirado nos infantis da Cultura, como dito acima. Além de Gérson de Abreu, estrela do X-Tudo, e de outros atores já citados, o programa contava com manipuladores de bonecos que também vieram dos infantis da emissora pública, como Fernando Gomes (o X, o Julio do Cocoricó, o Garibaldo da Vila Sésamo...), ou Álvaro Petersen Jr (a Celeste e o Godofredo do Castelo Rá-Tim-Bum), ou ainda Cláudio Chakmati (o Mau do Castelo, falecido em 1997). O roteiro era assinado por Rosana Rios, Lúcia Tulchinski e Andréa Egídio, e o programa era dirigido por Celso Exell, Arlindo Pereira, José Amâncio e Fernando Gomes. Com o fim de Agente G, Gérson de Abreu seguiu na Record, atuando na novela Estrela de Fogo e na série infantil Vila Esperança. Depois, migrou para a Globo, onde atuou na minissérie Aquarela do Brasil. Faleceu em 2002, aos 37 anos.


Veja o início do primeiro programa da segunda fase de Agente G


André Santana