quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Record perde Reinaldo Gottino e não tem substituto à vista

"E o salário, ó!"
A notícia que tomou conta do noticiário televisivo ontem, 17, foi a saída de Reinaldo Gottino da Record. O apresentador do Balanço Geral SP (programa que é líder de audiência quase diariamente com o quadro A Hora da Venenosa) foi mais uma grife a assinar com a CNN Brasil. A saída repentina criou um problema para a emissora. Afinal, o canal perdeu o comandante de um dos seus maiores trunfos de audiência.

O Balanço Geral SP surgiu em 2008, sob o comando de Geraldo Luís. A audiência de Geraldo foi tão boa, que a Record lhe deu um programa, o Geraldo Brasil, extinguindo o jornal popular da hora do almoço. Mas a atração não deu certo, e o Balanço Geral acabou retornando tempos depois. Geraldo saiu novamente, abrindo uma vaga para Luiz Bacci. Mas o “menino de ouro” assinou com a Band, dando a oportunidade para Reinaldo Gottino. Com ele, veio o sucesso de A Hora da Venenosa. Inicialmente curto, o quadro de fofocas com Fabíola Reipert acabou se tornando o grande sucesso do noticiário, tornando-se praticamente um programa à parte. Muito se credita o sucesso do quadro à boa química entre Fabíola, Renato Lombardi e Gottino.

Assim, a saída de Gottino representa uma grande perda para a Record. Não necessariamente afetará a boa audiência do Balanço Geral, já que a história mostra que o programa fez sucesso com outros apresentadores. Porém, sem dúvidas, foi a presença de Gottino que fez o Balanço Geral, sobretudo A Hora da Venenosa, a ser o sucesso que é. Não é tão difícil arrumar um apresentador capaz de manter a boa audiência do BG. Mas é bem difícil achar alguém capaz de reeditar a boa química entre os apresentadores do A Hora da Venenosa.

Hoje, no cast da Record, Luiz Bacci parece o nome mais adequado, já que ele obteve sucesso quando esteve por ali. Porém, Bacci já está à frente do Cidade Alerta, que vive uma excelente fase de audiência. Não faria sentido tirá-lo dali. Seria um “tapa aqui, descobre ali”. Já nomes como Matheus Furlan ou Bruno Peruka parecem bom substitutos, mas não têm a força de um Gottino. De repente, é hora de o canal buscar alguém de fora. Mas não é fácil. Afinal, segurar no ao vivo um programa que mescla notícias policiais e fofoca é um desafio e tanto.

Além disso, chama a atenção o descaso por parte da Record com o apresentador. Segundo várias fontes, faltavam 15 dias para que o contrato de Gottino chegasse ao fim, e a direção da emissora ainda nem tinha se mexido para tratar da renovação. De acordo com Ricardo Feltrin, do UOL, o canal costuma deixar para renovar contratos “aos 45 do segundo tempo” justamente para se reafirmar junto ao artista, ao mesmo tempo em que trabalha com a urgência para evitar um leilão e inflacionar suas contas. Porém, neste caso, esta postura arrogante custou um de seus mais valiosos profissionais. Fica, agora, um grande buraco para o canal tapar.

André Santana

sábado, 14 de setembro de 2019

Band e Record ampliam espaço do jornalismo na programação

"Não vá pra cama sem mim!"

Nesta semana, a TV aberta viu crescer consideravelmente as horas dedicadas ao jornalismo em duas das principais redes do Brasil. Band e Record incrementaram suas respectivas programações jornalísticas com os lançamentos de Band Notícias e JR 24 Horas. Em comum, os dois canais vivem uma fase caracterizada pela dificuldade em emplacar novos programas de entretenimento. Sendo assim, preferem apostar em informação.

Band Notícias é o novo noticiário da Band, que estreou na última segunda-feira, 09, às 22h, com a ingrata missão de suceder o Show da Fé e elevar os índices de audiência para a linha de shows. Apresentado por Rafael Colombo e Cynthia Martins, a novidade é um jornal tradicional, com um apanhado dos fatos do dia. Seu diferencial é a participação de comentaristas, que ajudam a interpretar a notícia. No entanto, trata-se de uma participação restrita. O resumo dos acontecimentos do dia é a tônica do jornal.

Com a estreia do Band Notícias, a emissora sinaliza que vem modificando os rumos de sua estratégia de programação. A Band promoveu uma série de estreias fracassadas no campo do entretenimento no ano passado. Agora, o canal foca seus esforços em sua vocação natural: o jornalismo. Deste modo, há um visível investimento em notícias, visto na reformulação da grade matinal e, agora, na faixa das 22 horas. A emissora acerta ao investir no segmento que sempre teve tradição. Brasil Urgente e Jornal da Band não são as maiores audiências da emissora por acaso.

E não é de hoje que o canal tateia em busca de alguma solução para o problema chamado Show da Fé. O horário da igreja é fundamental para equilibrar as finanças da estação, mas prejudica consideravelmente os programas exibidos na linha de shows da Band. Nos últimos anos, a emissora tentou de tudo para tentar uma transição mais suave entre a igreja e seus programas, como as diferentes versões do VídeoNews, Zoo (lembra?), Os Simpsons... Há pouco tempo, a Band chegou até a tentar “colar” o Show da Fé nos shows, mas o resultado foi desastroso. Assim, um jornal parece uma aposta mais interessante. Se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas trata-se de uma aposta válida.

Enquanto isso, a Record, que já tem muitas horas de jornalismo diário ao vivo, ampliou ainda mais o espaço para informação. Trata-se do primeiro grande projeto de Antonio Guerreiro, atual vice-presidente de jornalismo do canal, que resolveu levar a grife do Jornal da Record para diferentes horários da programação. Assim, reformulou o tradicional Jornal da Record das 21h30, e lançou quatro boletins diários, o JR 24h, exibido às 11h40, 16h45, 17h45 e 0h30, com apresentação de Janine Borba e Sergio Aguiar.

Os novos boletins chamam a atenção pela boa iniciativa de apostar em jornalismo ao vivo. De curta duração, os noticiosos contam com poucas matérias gravadas e muitas entradas ao vivo de repórteres, que trazem informação em tempo real. O maior acerto é a edição da 0h30, no qual Sergio Aguiar, excelente âncora, conversa também com comentaristas. Mesmo curto, o jornal consegue ser minimamente analítico. Assim, o boletim da madrugada do JR 24h cumpre o papel de encerrar a programação da emissora com informação, incrementando o fim de noite do canal, dedicado aos enlatados desde o fim do Programa do Porchat. Uma boa novidade, que até merecia um tempo maior no ar.

André Santana

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Angélica grava piloto de novo programa, diz colunista

"O que faz você feliz?"
Que os bastidores da Globo vivem um momento movimentado e de grandes mudanças, já percebemos. Porém, este movimento intenso vem gerando uma série de informações desencontradas, sobretudo envolvendo novidades esperadas. Por exemplo: o novo programa de Fernanda Gentil era aguardado desde o começo do ano, foi alvo de uma série de especulações, se falava que não havia nada definido, e até foi noticiado que a atração só vingaria em 2020. Porém, de repente, o programa ganhou forma, novos apresentadores, chamadas e tem data de estreia confirmada para 30 de setembro.

O mesmo acontece com o destino de Angélica. Desde o fim do Estrelas, a loira já foi alvo de um sem-número de especulações. Dentre os boatos que cercaram a apresentadora do ano passado para cá inclui-se a apresentação de um game show, que viraria atriz de novelas, que assumiria o PopStar e o The Voice Kids, e até que deixaria a Globo. No início de 2019, porém, começaram a surgir informações mais concretas. O colunista Ricardo Feltrin noticiou que Angélica faria um semanal noturno com entrevistas que trataria de histórias de superação; já Flavio Ricco disse que o projeto era tratado como um “Amor & Sexo sobre felicidade”. 

Porém, com a demora no desenvolvimento do projeto, a bolsa de apostas voltou a ferver. Falou-se que o projeto estava engavetado, que ficaria para 2020 e até que poderia ser cancelado de vez. A coisa ficou um pouco mais clara quando a própria Angélica declarou para o Notícias da TV de que seu novo programa era um projeto autoral e que já havia tido sinal verde para o desenvolvimento, e que havia a promessa de que estrearia em 2020. No entanto, alguns colunistas chegaram a contestar a fala da apresentadora. E, mesmo assim, tudo ainda parecia estar no campo das ideias.

A coisa ganhou uma nova dimensão nesta semana, quando a colunista Fabia Oliveira revelou que Angélica gravou o primeiro piloto da atração esta semana. Segundo a jornalista, o teste foi gravado com pessoas com mais de 60 anos, além de contar com um quadro chamado Artistas por um Dia. Outra informação revelada é que o programa tem como nome provisório Curva da Felicidade, e que tem como mote responder a questão: “pra você, o que é felicidade?”. Por fim, Fabia disse ainda que Curva da Felicidade deve ser exibido aos sábados, no horário do SóTocaTop.

Ou seja, se tem piloto, significa que o projeto andou. Claro, o piloto ainda deve ser avaliado e ajustado até se chegar ao formato ideal. Mas ficou claro de que especulações dando a entender que Angélica poderia não voltar a ter um programa na Globo não procedem. E o que procede mesmo é o que disse a própria: trata-se de um projeto autoral que está em desenvolvimento e deve estrear no ano que vem. Se vai ser coisa boa ou não, não dá pra saber ainda. Mas parece que se trata de algo bem diferente de tudo o que Angélica já fez em sua carreira. E uma estrela com tantos anos de estrada tendo uma oportunidade de reinvenção como esta é, por si só, bem interessante.

Outro sinal de que a Globo não desistiu da apresentadora são suas participações na programação da casa. Recentemente, ela esteve no Caldeirão do Huck e no Criança Esperança. Em breve, ela fará uma apresentadora de reality show culinário em A Dona do Pedaço, programa de maior audiência da emissora. São provas de que a direção da Globo ainda aposta e prestigia a veterana. Aguardemos as próximas informações. 

André Santana

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Fabio Porchat e Leandro Hassum reinventam talk show na TV paga

"Senta que lá vem história!"
Fabio Porchat, um dos mais festejados comediantes da nova geração, surpreendeu o público ao encerrar seu talk show na Record no ano passado. Seu Programa do Porchat não era um campeão de audiência, mas tinha qualidades que o colocavam entre os melhores programas de fim de noite. Porém, o artista decidiu trocar a TV aberta pelo GNT, onde estreou recentemente seu novo programa, Que História É Essa, Porchat?. E mostrou que, às vezes, é mais saudável estar num canal com uma plateia menor, mas com maior liberdade.

E, neste caso, liberdade significa fazer um programa que fuja das pretensões da TV aberta, muito calcada na audiência e na repercussão a qualquer preço. Deste modo, Que História É Essa, Porchat? vai na contramão dos demais talk shows. Na nova atração, o apresentador reúne famosos e anônimos para ouvir e contar histórias. E só. Não há perguntas mirabolantes, não há humor ensaiado. Mas, mesmo assim, o programa é engraçado. Isso porque a graça do programa está nas histórias contadas.

Ou seja, Que História É Essa, Porchat? diverte justamente pela simplicidade da fórmula. Que encontrou abrigo no GNT, um canal pago e segmentado, com uma plateia bastante específica. E que, de quebra, é um território neutro, o que permite Porchat receber artistas de todas as emissoras, o que aumenta consideravelmente sua cartela de opções.

Ao trocar a visibilidade da TV aberta pela liberdade da TV paga, Porchat, parece, fez escola. Isso porque Leandro Hassum, após anos de Globo, resolveu fazer mesmo. O humorista estreou recentemente o Tá Pago, talk show também exibido nas noites de terça, no canal TNT. E, assim como Porchat, Hassum comanda um programa que foge do estilo late night, tendência na TV aberta de uns anos atrás. 

Para isso, Tá Pago tem um cenário que remete a um restaurante. Ali, Leandro Hassum recebe quatro convidados e comanda um verdadeiro papo de boteco. Enquanto comem e bebem, os convidados de Hassum compartilham suas histórias e experiências. Deste modo, a conversa flui e diverte, sem forçar a barra. Assim, a graça não está na piada, e sim no inusitado das histórias apresentadas. Não deixa de ter suas semelhanças com a atração de Porchat. Mas a diferença de estilos dos apresentadores tornam os programas distintos. Que tem como ponto em comum apenas a aposta em histórias. O que culmina com duas atrações bem divertidas.

André Santana

sábado, 7 de setembro de 2019

"É de Casa" reduz dicas inúteis e ganha mais ritmo

"Praticamente um Irmãos à Obra!"

Desde que estreou, o É de Casa sempre rendeu mais críticas negativas que elogios. A atração dos sábados de manhã da Globo se caracterizou pelo excesso de apresentadores e pelas pautas batidas, muitas delas inúteis ou impossíveis de serem reproduzidas pelo espectador comum. No entanto, verdade seja dita, o programa melhorou consideravelmente nos últimos meses. Ao que tudo indica, a troca de comando, quando É de Casa passou das mãos de Boninho para as de Mariano Boni, fez bem ao programa.

O maior acerto da atual temporada é a aposta em quadros no estilo reality show. Inicialmente, É de Casa estreou Reforma Certa, que mostra Zeca Camargo às voltas com a recauchutagem de um apartamento. Durante três meses, o público acompanhou o passo a passo da reforma, do projeto inicial, passando pelas dificuldades de execução, até chegar à obra pronta. Um time de arquitetos, engenheiros e pedreiros expunham a condução dos trabalhos, o que se mostrou uma maneira um tanto mais divertida de passar dicas de casa ao espectador. Claro, o programa não escapou de momentos “fakes”, com dificuldades que pareciam fabricadas. Mas isso não tira o mérito do quadro de fugir do “mais do mesmo”.

E não foi apenas Zeca Camargo que ganhou um reality para chamar de seu. Patrícia Poeta ganhou o comando de Minha Mãe Cozinha Melhor que a Sua, uma nova competição culinária. Quer dizer, “nova” não é bem a palavra, já que se trata, basicamente, de uma nova versão do Duelo de Mães, atração de Ticiana Villas Boas no SBT, com toques do Minha Mulher que Manda, competição culinária de Eliana, também no SBT. Mesmo assim, apesar de não ser nova, a ideia combina bem com a proposta do É de Casa.

No jogo, Patrícia Poeta recebe duas celebridades e suas respectivas mães. Os famosos precisam reproduzir pratos que suas mães costumam fazer. Mas elas, as mães, devem interferir o mínimo possível, apenas orientando de fora. O chef Roberto Ravióli avalia os pratos e elege o vencedor. Com isso, o espectador se envolve com a competição, ao mesmo tempo em que absorve algumas dicas culinárias.

É de Casa estreou com a proposta de ser um “programa sobre a casa”. Entretanto, a atração foi se perdendo em sua própria proposta. Inicialmente mais variado, aos poucos o programa foi se tornando um longo “faça você mesmo”. Os quadros se resumiam, basicamente, a mostrar modos de fazer nos mais variados ambientes da casa. Com isso, se tornou sonolento e profundamente desinteressante. Tanto que chegou a ver o Sábado Animado, do SBT, e até o Esporte Fantástico, da Record, se aproximarem.

Agora, com o lançamento de quadros como Reforma Certa e Minha Mãe Cozinha Melhor que a Sua, o programa mostra que é possível falar sobre assuntos da casa de maneira menos óbvia e mais divertida. Além disso, o programa ampliou o espaço do jornalismo, com entradas ao vivo e a atualização do noticiário, ficando mais dinâmico. E isso é bastante positivo. O programa possui bela estrutura, apresentadores versáteis e tempo de sobra para variar seus assuntos. Por isso, era bem difícil entender como a emissora produzia um semanal tão preguiçoso. A mudança de rumo sinaliza que É de Casa está mais disposto a sair da zona de conforto e experimentar mais. E sem perder de vista a proposta de ser um programa sobre a casa.

E é possível ir ainda mais além. A televisão é parte importante da casa e, sendo assim, caberia ao É de Casa tratar deste assunto também. Sem Vídeo Show, o matinal de sábado poderia assumir esta missão de receber artistas e repercutir as novidades da programação da emissora. Afinal, É de Casa tem três longas horas de duração e um formato bastante flexível. Ou seja, variar os temas tratados é uma obrigação.

André Santana

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Nova mudança sinaliza que "Fofocalizando" está na linha de tiro

"Agora sou eu que mando!"

Fofocalizando, o vespertino do SBT que gera mais notícias do que noticia, parece estar a um passo do cadafalso. E não é nenhum veículo ou rádio-corredor que afirma isso: são os claros sinais que Silvio Santos tem dado. Quando um programa do SBT passa por inúmeras mudanças, uma atrás da outra, é sinal de que o dono da emissora está infeliz com o que vê e propõe mudanças o tempo todo. Ou seja, quando a paciência do “patrão” acabar....

Na tarde de hoje, 03, uma mudança significativa foi vista. Fofocalizando teve alterações no cenário, com a saída do sofá do centro do ambiente e um novo espaço de onde Lívia Andrade comanda a atração. Agora, é Lívia que ancora e organiza a conversa, chamando os assuntos do dia e mediando o debate. Leo Dias entra do Rio de Janeiro com as notícias exclusivas, enquanto Mamma Bruschetta, Leão Lobo e Décio Piccinini ocupam o sofá, agora num canto do cenário, comentando os assuntos.

Mas e Mara Maravilha? Bom, a ex-apresentadora infantil se despediu do sofá novamente, na tarde de ontem, 02, anunciando novidades. A ela está destinada uma nova missão no vespertino, que é realizar matérias externas. Mara, então, deixa o comando do programa após pouco mais de um mês de seu retorno. Ela deixou o Fofocalizando havia um ano, depois de se indispor com praticamente todo o elenco. Voltou este ano por ordem de Silvio Santos, na esperança de elevar a audiência do vespertino. Ou seja, a mudança de hoje é a segunda grande mudança em pouco mais de um mês.

Apesar dos pesares, a mais recente mudança no Fofocalizando veio para colocar alguma ordem na bagunça habitual. Afinal, o programa contava com nada menos que seis apresentadores, muitas vezes falando ao mesmo tempo e brigando mais do que o recomendado. Ao definir funções diferentes para cada um deles, o programa parece mais organizado. A figura de um âncora fazia falta, e o atual posto de Lívia supre esta ausência. No entanto, é questionável a escolha justamente de Lívia para a função.

Ao que tudo indica, o SBT anda meio desesperado para elevar a audiência do Fofocalizando. Entretanto, o canal parece desconsiderar o atual contexto do programa. A novela Bela, a Feia, da Record, é um produto poderoso, que já consolidou uma ampla plateia. Assim, Fofocalizando só terá alguma chance de sair da terceira colocação quando Bela, a Feia chegar ao fim. Antes disso, Silvio Santos pode brincar de Escravos de Jó com os apresentadores do Fofocalizando que não vai adiantar nada.

André Santana

sábado, 31 de agosto de 2019

Band erra com "MasterChef", mas acerta com "Pesadelo na Cozinha"

"Aqui tem tompêro!"

A final do MasterChef Brasil, desde sua primeira temporada na Band, sempre provocou grande mobilização. As torcidas dos finalistas se mostravam engajadas, fazendo da atração uma campeã de repercussão. Porém, isso não aconteceu na temporada 2019. A vitória de Rodrigo na noite do último domingo, 25, não conseguiu repetir o frisson dos anos anteriores. A baixa repercussão é resultado de uma série de equívocos, como o elenco fraco e, principalmente, a infundada mudança de dia da atração.

O título ter sido disputado justamente por Rodrigo e Lorena é uma amostra de que os tempos de frisson do MasterChef ficaram para trás. Não que eles não merecessem, longe disso. Mas, normalmente, o MasterChef trazia para suas finais duas figuras completamente opostas. Havia uma polarização que incitava o público a reagir. Desta vez, os finalistas foram duas personalidades queridas da audiência. Com isso, a torcida arrefeceu. Pareceu menos apaixonada.

Isso se deveu ao elenco mais fraco desta edição. Não houve uma figura que se destacasse, seja pela polêmica, seja pelo carisma natural. Foi um grupo mediano, que acabou rendendo um resultado na média. Deste modo, MasterChef teve uma temporada morna, o que normalmente não acontece no reality de gastronomia da Band. O programa de Ana Paula Padrão, Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin já teve dias melhores.

Além disso, há o erro de o programa quebrar o hábito de seu público, acostumado a vê-lo nas noites de terça-feira. No entanto, o canal parece ter aprendido a lição e está tentando recuperar seu público perdido neste dia da semana com a estreia de Pesadelo na Cozinha. O divertido reality com Erick Jacquin voltou para uma segunda temporada na última terça, 27, e já disse a que veio, aumentando consideravelmente a audiência da faixa.

Em Pesadelo na Cozinha, Erick Jacquin é convocado para conhecer restaurantes com problemas e propor soluções para o estabelecimento. Na estreia, o chef francês conheceu o Pé de Fava, um restaurante nordestino cheio de percalços. Para tentar ajudar o negócio, Jacquin acabou batendo de frente com Fabio, o temperamental dono do restaurante. Além disso, precisou driblar a falta de condições do espaço.

Trata-se de um formato bastante atraente ao público. Isso porque o programa aposta em três frentes: o folhetim, a culinária e o empreendedorismo. Do folhetim, Pesadelo na Cozinha tem a narrativa, estabelecida em apresentação, conflito, clímax e conclusão. Já a culinária e o empreendedorismo aparecem unidos nos restaurantes mostrados. O diagnóstico e as soluções propostas por Jacquin não apenas garantem o final feliz (ou não), mas também servem como dicas ao espectador. Sendo assim, Pesadelo na Cozinha é um entretenimento bastante completo.

Porém, Pesadelo na Cozinha não seria tão atraente se não fosse a presença de Erick Jacquin. O jurado do MasterChef é um tipo extremamente carismático. A postura que mescla a doçura e a dureza, somado ao sotaque carregado, fazem de Jacquin um tipo rico. Com isso, ele desperta a atenção de quem assiste. É impossível ficar indiferente às observações certeiras e cheias de “tompêro” do chef.

Ou seja, a Band acertou em cheio, tanto na escolha do formato quanto do apresentador. Pesadelo na Cozinha é tão divertido que se mostra a melhor sala de espera para o MasterChef. Por isso mesmo, é bem difícil compreender porque o programa ficou dois anos fora do ar. Trata-se de uma atração que tem apelo e lenha para queimar.

André Santana

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Mostrando que ainda respira, Band amplia espaço de estrelas do "MasterChef"

Sempre um bom papo

No ano passado, a Band tentou sair do limbo com uma grade de programação popular. Não deu certo e praticamente todos os lançamentos da safra saíram do ar. Porém, para mostrar que ainda tem poder de fogo, a emissora promoveu nesta semana um evento para anunciar as novidades de 2019/2020. Com atraso, já que o canal costumava fazer isso nos primeiros meses do ano. Mas adiantados com relação a 2020.

As novidades que a Band anuncia para a próxima temporada são, basicamente, reality shows e jornalismo. Do primeiro, há algumas ideias interessantes, como Me Poupe, com Natália Arcury, um reality sobre economia; e Planeta Startup, um reality sobre... startups! Mas o que chama a atenção é o espaço que a emissora dará às estrelas do MasterChef . Todos os integrantes do time principal do mais importante programa de entretenimento da emissora terão voo solo.

Erick Jacquin, aliás, já está voando. A Band lançou na última terça-feira, 27, a segunda temporada de Pesadelo na Cozinha, o divertido reality no qual o chef ajuda um restaurante à beira da falência. Nos próximos meses, são seus companheiros de júri quem terão um novo lugar ao sol. Paolla Carosella comandará Lado C, uma espécie de talk show no qual ela conversa com um convidado enquanto cozinha. Seria um novo Pé na Cozinha, saudoso talk show de Astrid Fontenelle na extinta MTV Brasil? Já Henrique Fogaça apresentará Mistérios do Pantanal, uma série na qual o chef viaja pela famosa região do Mato Grosso do Sul mostrando curiosidades. Enquanto isso, Ana Paula Padrão comandará Missão Notícia, um reality envolvendo jornalistas em início de carreira.

Ao que tudo indica, estas novidades devem ficar para o ano que vem. Para este ano, a novidade da emissora é uma nova investida em jornalismo. Cansado de ver sua linha de shows sofrendo para aumentar os índices de audiência herdados do Show da Fé, o canal resolveu, agora, apostar em jornalismo na faixa das 22h. No próximo dia 8 de setembro, a Band lança o Band Notícias, seu mais novo jornal. A nova atração se junta a uma grade na qual o jornalismo já ganhou mais espaço, com o novo Café com Jornal e a estreia do Bora SP recentemente.

Esta deve ser a novidade mais interessante do pacote. Afinal, o jornalismo sempre foi um dos pilares da Band. Não por acaso, o Brasil Urgente ocupa várias horas diárias da grade, enquanto o Jornal da Band segue sendo uma das maiores audiências da emissora. Ou seja, jornalismo sempre foi uma das marcas da emissora. Ao apostar numa grade com mais horas dedicadas ao noticiário, a emissora otimiza os profissionais do Grupo Bandeirantes (que tem uma estrutura de jornalismo considerável) e se torna uma boa alternativa ao espectador. Pode funcionar.

André Santana

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

"Se Joga": novo programa da tarde da Globo ganha forma

Me joguei
Depois dos inúmeros boatos de que ficaria para o ano que vem, o novo programa que a Globo prepara para suas tardes parece que agora está a todo vapor. Nos últimos dias, a própria emissora já vem divulgando detalhes, como nome, logotipo e elenco. A atração, que já tinha confirmado os nomes de Fernanda Gentil e Érico Brás, agora ganhou também a presença de Fabiana Karla. O nome também já foi confirmado: Se Joga.

O formato ainda é um mistério, mas, a julgar pelo elenco, terá um viés bem-humorado forte. Afinal, Érico Brás e Fabiana Karla vêm do humor. Além disso, o programa terá a participação de nomes como Paulo Vieira e Jefferson Schroeder, também humoristas. Em entrevista ao site F5 em maio, Fernanda Gentil deu algumas pistas dos conceitos que vão nortear a atração: humanidade, leveza e alto-astral. "É quase como um carinho no telespectador. Eu bato muito nessa tecla: nós estamos em um ano muito difícil, já aconteceram coisas muito pesadas e tristes. Queremos passar uma mensagem leve, para cima, animada", contou. 

Se Joga estreará cercado de expectativas e responsabilidades. Afinal, é o programa concebido para substituir o lendário Vídeo Show. Além disso, deve bater de frente com A Hora da Venenosa, que segue liderando a audiência em boa parte dos dias. De quebra, ainda há a expectativa em torno do nome de Fernanda Gentil. Ao realocá-la do esporte para o entretenimento, a emissora criou um frisson que pode ser comparado ao da estreia de Fátima Bernardes. Quando a jornalista deixou o Jornal Nacional para assumir o Encontro, Fátima acabou ganhando a aura de “salvadora das manhãs”. E sua estreia problemática mostrou que esta expectativa nunca é boa.

Afinal, quanto maior a expectativa, maior é um possível tombo. A partir do momento que a estreia de Fernanda Gentil passou a ser comentada e cercada de boatos, criou-se uma curiosidade natural. Assim, a estreia há de chamar a atenção, para o bem ou para o mal. E a história da TV deixa claro que nenhum programa nasce pronto: haverá o agito da estreia, as primeiras críticas, as oscilações de audiência e os ajustes naturais. Em suma, é preciso paciência e cuidado com um lançamento deste porte.

Até porque o próprio desenvolvimento do projeto parece fazer crescer as desconfianças. Isso porque o projeto foi anunciado como o programa da Fernanda Gentil. De repente, surgem Érico Brás e Fabiana Karla, que não são apresentadores, fazendo as vezes de apresentadores. Dá a impressão de que a emissora pode repetir os erros do próprio Vídeo Show, que teimava em ter trocentos apresentadores, além da insistência em escalar atores (ou “digital influencers”…) para a ancoragem. Ficamos na torcida, então, para que estes erros não se repitam.

André Santana

sábado, 24 de agosto de 2019

Com "Topa ou Não Topa", SBT tenta chacoalhar seu sábado

"Alô, pai? Me dá um programa?"

Durante muitos anos, o sábado não era considerado um dia nobre pelo SBT. Os esforços da emissora em programação semanal sempre ficaram concentrados no domingo, dia que consagrou o dono Silvio Santos. O sábado, sobretudo a tarde de sábado, sempre ficou relegada a enlatados e tapa-buracos. Houve um tempo que o único programa nacional do SBT aos sábados era A Praça É Nossa, que por anos ocupou as noites do último dia da semana.

Em meio a apostas pontuais, como o Novo Show de Calouros, nos anos 1990, e em versões de Fantasia e Falando Francamente, nos anos 2000, a tarde de sábado era dedicada mesmo aos filmes e séries. Em 2001, por exemplo, o canal apostou numa seleção de séries americanas costuradas por esquetes do Clube do Chaves, tentando pegar carona na popularidade do menino do barril. Não funcionou. As séries foram substituídas pela faixa SábadoBom, que reuniu programas como Programa Livre, Canta e Dança Minha Gente e Curtindo uma Viagem. Também não funcionou.

Anos depois, em 2003, a emissora aproveitou o pacotaço de séries da Warner e recheou a grade com uma seleção anunciada como “o melhor da TV paga na TV aberta”. Era uma maratona que incluía títulos como Lois & Clark, Felicity, Gilmore Girls e Everwood. Mais adiante, em 2004, a aposta era em filmes e distribuição de prêmios, com Celso Portiolli relegado a apresentador de intervalos na Sessão Premiada. Filmes, aliás, sempre foram a saída para as tardes de sábado do canal, em sessões como Cinema em Casa e Festival de Filmes, além da Sessão Premiada. Houve nova tentativa em produção própria com o mesmo Celso Portiolli, que apresentou o Namoro na TV e Etc, um mix de programa de variedades e namoro que ocupou as tardes de sábado ao longo de 2007. Saiu do ar para dar espaço às lutas armadas do WWE – Luta Livre na TV, em uma destas estranhas apostas de Silvio Santos.

A tarde de sábado só começou a ganhar uma atenção mais definitiva do SBT a partir de 2009, quando Daniela Beiruty, filha número 3, assumiu a direção artística da emissora. Nesta época, o canal fez uma série de investimentos na programação. Uma delas foi a contratação de Netinho de Paula, que relançou seu Dia de Princesa no novo Show da Gente, dirigido por nada menos que Marlene Mattos. A atração saiu do ar em 2010, para dar espaço ao Programa Raul Gil, no momento em que o veterano animador deixou a Band e se acertou com o SBT. A atração está no ar até hoje, mas quase perdeu espaço para Celso Portiolli por duas vezes. Conseguiu sobreviver.

Porém, em 2019, o SBT começa a dar claros sinais de que quer turbinar sua tarde de sábado. Uma aposta que faz sentido, se levarmos em consideração que os momentos de inércia do canal neste dia foram justamente em épocas que Globo, Record e até Band investiam pesado no dia. Hoje, apenas a Globo segue no páreo. Ou seja, é um cenário mais propício para chamar atenção da audiência e consolidar uma nova e mais variada grade de programação. O Programa da Maisa, que estreou em março, foi o primeiro sinal da emissora neste sentido.

E o Topa ou Não Topa, que estreou na semana passada, é mais um passo nesta direção. Num momento em que o Caldeirão do Huck, hoje o carro-chefe das tardes de sábado da Globo, investe pesado em game shows, o SBT resolveu contra-atacar na mesma moeda. E numa seara que conhece bem, afinal, games sempre estiveram no cerne do canal de Silvio Santos. Neste contexto, a nova investida do canal é justamente num game que já chamou certa atenção num passado remoto do SBT. Topa ou Não Topa já teve fases com Silvio Santos e Roberto Justus, e agora retorna com Patrícia Abravanel.

Trata-se de um desafio e tanto para a herdeira de Silvio Santos. Isso porque o Topa ou Não Topa tem um formato muito simples, e é a performance do apresentador que acaba ditando o ritmo da atração. Silvio Santos nadou de braçadas ali, com suas tiradas junto aos participantes e aos diálogos inusitados que imprimia com o “banqueiro” ao telefone (“oláááá!”, atendia ele). Já Justus, que não é um grande apresentador, não conseguiu emplacar na função. Patrícia, então, precisa mostrar que é a pessoa certa ali.

Na estreia, Patrícia mostrou segurança. Inspirada nas “maluquices” de Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade no Roda a Roda, Patrícia fez e aconteceu. E, embora não comprometesse, chegou a passar do tom. Ao fazer ginástica junto com a participante, que tem um trabalho social voltado ao esporte, Patrícia logo perdeu o fôlego e ficou afobada. Mas ela deve achar um equilíbrio nos próximos episódios. Além disso, o Topa ou Não Topa voltou “inspirado” na concorrência ao apostar em participantes que vêm ao programa com histórias de vida interessantes e missões específicas para o dinheiro conquistado na disputa. Luciano Huck faz isso à frente do The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?.

Com isso, o SBT tem hoje uma tarde de sábado variada, com programas de diferentes gêneros e que falam a diferentes públicos. A emissora acerta ao dar um novo gás a este dia, que anda tão abandonado pelos demais canais. Uma manobra inteligente do canal.

André Santana

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

História da TV: Os 16 anos do "Jornal das Pernas"

"Poxa, que coxa!"

Se tem um setor do SBT que nunca cai na rotina é o jornalismo. Antes de apostar num jornal de seis horas comandado por um menino de 20 anos, ou de castigar âncoras impedindo-os de aparecer às sextas-feiras, a emissora lançou um jornal bem curioso. Em setembro de 2003, o SBT estreou um noticiário que ficou famoso, conhecido até mesmo por quem nunca o assistiu, tamanho o burburinho que causou. Isso porque suas apresentadoras, Cynthia Benini e Analice Nicolau, surgiam lendo as notícias com as pernas à mostra, o que levou o programa a ganhar o apelido de “Jornal das Pernas”. Com o singelo nome de Jornal do SBT – 1ª Edição, a atração era exibida na faixa das 19h30 e marcava o retorno de um telejornal no horário nobre da emissora, algo que não existia desde a extinção do Jornal do SBT/CBS, em 1998.

Muitos devem se lembrar do “Jornal das Pernas” quando o programa se tornou um boletim de notícias na programação, com o nome SBT Notícias Breves, em 2005. Mas a atração estreou dois anos antes, mais precisamente em 1º de setembro de 2003, como Jornal do SBT – 1ª Edição. Na época, a emissora tinha como único jornal o Jornal do SBT, de Hermano Henning, que era exibido no início da madrugada. Silvio Santos, então, resolveu fazer uma nova edição do jornal, em horário nobre e com uma apresentação diferente. Para isso, ele escalou Cynthia Benini e Analice Nicolau, que participaram da segunda edição da Casa dos Artistas, e lançou um novo jornal, na qual as apresentadoras apareciam sempre de saias, atrás de uma bancada transparente, com as pernas à mostra.

O SBT fez mistério sobre o lançamento. Colocou no ar as chamadas do jornal apenas uma semana antes da estreia, e, inicialmente, o novo noticioso era anunciado com o redundante nome Jornal de Notícias. No entanto, ainda antes da estreia, o nome já mudou para Jornal do SBT – 1ª Edição. A atração era realizada sem nenhum investimento, e trazia exatamente as mesmas atrações do jornal de Hermano Henning, apenas com cenários e apresentadores diferentes. Com equipe mínima, as notícias do dia eram dadas em forma de “Frases do Dia”, e o Jornal do SBT exibia quadros enlatados, como Tolerância Zero, sobre a atuação da polícia dos EUA, e Aconteceu no Mundo, com vídeos tipo “isto é incrível”. O jornal também tinha a participação dos comentaristas José Nêumanne Pinto e Denise Campos de Toledo. Semanas depois, Daniela Freitas se juntava ao time com as notícias do esporte.

Na semana seguinte à estreia, o jornal Folha de S. Paulo publicava uma matéria sobre a nova aposta de Silvio Santos. O jornal afirmava que a atração era criticada por muitos em razão do pouco conteúdo noticioso e pelas apresentadoras chamarem mais atenção que as notícias, mas também dizia que o SBT seguia a tendência mundial de fazer uma mistura entre jornalismo e show. No entanto, nem mesmo as pernas das apresentadoras seguraram a atração, que não atraiu anunciantes e nem audiência.

Como não emplacou no horário nobre, o SBT tentou uma inversão com o jornal da madrugada. Assim, Hermano Henning aparecia às 19h30, enquanto Cynthia e Analice davam expediente à 0h. Não funcionou. Então, Hermano voltou para as madrugadas, enquanto Cynthia e Analice passaram para as manhãs, às 6h, e a atração se tornou Jornal do SBT – Manhã em 2004. Ainda este ano, a emissora fez nova tentativa de emplacar o programa num novo horário, na faixa das 17h30, mas o jornal sucumbiu diante da concorrência com Os Cavaleiros do Zodíaco, que a Band exibia no mesmo horário. Acabou retornando para as manhãs.

Em 2005, o jornal continuava matinal, mas ganhou boletins ao longo da programação, de hora em hora, das 16h às 22h. Surgia assim o lembrado SBT Notícias Breves. Entretanto, no mesmo ano, o SBT reformulou sua programação jornalística, contratando o diretor de jornalismo Luiz Gonzaga Mineiro e a apresentadora Ana Paula Padrão. Com uma nova equipe, foi lançado então o SBT Brasil, enquanto o SBT Notícias Breves foi extinto, e as duas edições do Jornal do SBT foram reformuladas. Assim, o Jornal do SBT – Manhã passou a ser apresentado por Joyce Ribeiro.

Com as mudanças, Cynthia Benini e Analice Nicolau migraram para o entretenimento do SBT. Elas apareceram no programa Bailando por um Sonho, de Silvio Santos, e gravaram pilotos de Ver Para Crer, um programa de vídeos incríveis que acabou nas mãos de Celso Portiolli e César Filho. A partir de 2007, porém, o SBT fez nova reformulação no jornalismo, e Cynthia e Analice retornaram, mas sem pernas de fora. Primeiro, foi Cynthia Benini quem voltou, dividindo com Carlos Nascimento o SBT Brasil. Algum tempo depois, Analice Nicolau retornou, dividindo com Hermano Henning o SBT Manhã. Cynthia Benini deixou o canal há alguns anos, enquanto Analice Nicolau seguiu no canal, como uma das apresentadoras do SBT Notícias. Foi dispensada com o fim do jornal, há alguns meses.

E esta foi a trajetória do lendário “Jornal das Pernas” de Cynthia Benini e Analice Nicolau, que durou dois anos, passou por vários horários, teve vários nomes e acabou alimentando algumas lendas urbanas da TV. Por exemplo, há quem acredite, até hoje, que Cynthia e Analice ficavam cruzando as pernas enquanto apresentavam o jornal. Não é verdade. Elas apareciam sentadas com as pernas cruzadas, mas jamais cruzaram as pernas no ar.

Relembre como era o “Jornal das Pernas”:



André Santana

sábado, 17 de agosto de 2019

12º Troféu Santa Clara Tele-Visão aponta o pior da televisão


O Troféu Santa Clara, promovido pelo TELE-VISÃO desde 2008, chega à sua 12ª edição apontando o que há de pior na televisão brasileira. Em alusão ao dia de Santa Clara (11 de agosto), Padroeira da TV, o blog reúne jornalistas e blogueiros especializados em TV para votar nos piores em 15 categorias. Nesta edição, o júri é formado por Duh Secco (RD1), Fábio Costa (Observatório da Televisão e autor do livro “Novela: a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fabio Garcia (canal Coisas de TV), Fabio Maksymczuk (FabioTV), Isaac Santos (Posso Contar Contigo?), Jurandir Dalcin (Portal Comenta), Kleber Nunes (Blog de Knunes), Marcus Soares (Vix.com), Rodrigo Albuquerque (Pega Dica) e André Santana (TELE-VISÃO). Abaixo, os “vencedores”:

Pior novela: “O Sétimo Guardião” (9 votos)
 
Fábio Costa - A estreia ocorreu em novembro, mas o “grosso” da história foi ao ar em 2019. No entanto, a decepção com o projeto foi herdada do ano anterior mesmo. Aguinaldo Silva não esteve num bom momento, o elenco era irregular, os personagens indefinidos e a história definitivamente não empolgou. Tanto assim que sua sucessora A Dona do Pedaço, sem ser nenhum primor de realização dramatúrgica, tem chamado bem mais a atenção dos espectadores do horário e aumentou a audiência.

Fabio Garcia - Acho que nem se Aguinaldo Silva quisesse fazer propositalmente uma novela tão terrível ele conseguiria fazer algo pior do que O Sétimo Guardião.

Fabio Maksymczuk  - A novela de Aguinaldo Silva e seus colaboradores aprofundou a crise da mais tradicional faixa horária da TV Globo. A trama girou ao redor dos 30 pontos, sem nenhuma grande expectativa para o telespectador, mesmo com a série de assassinatos dos guardiães que fizeram nenhuma falta. 

Foi lembrada: A Dona do Pedaço (1 voto); Verão 90 (1 voto).

Pior ator: Jesuíta Barbosa, o Jerônimo de “Verão 90”; e Bruno Gagliasso, o Gabriel de “O Sétimo Guardião” (3 votos)
 
Isaac - O Jesuíta Barbosa, que eu gosto muito e considero ótimo ator, não vingou sob a direção do Jorge Fernando, um diretor que abomina interpretação naturalista e aposta mais nos tons acimas. Funciona com alguns, mas jogou contra o Jesuíta, ator naturalmente visceral: tom sobre tom. P.S. Eu até pensei no Paulo Miklos, mas ponderei por ser um tanto injusto colocá-lo na categoria “ator”. 

Jurandir - Não tenho dúvidas do talento do ator, mas seu primeiro personagem em novelas não foi algo muito positivo. Antagonista, ele parecia desconfortável e muitas vezes robótico em cena.

Duh - Bruno Gagliasso. É fato que, embora protagonista, o Gabriel de O Sétimo Guardião estava bem aquém de outros tantos personagens periféricos que Bruno já viveu. Mas a má vontade dele era evidente. Aliás, essa preguiça do Gagliasso com as novelas não é de hoje...

Foram lembrados: José Loretto (2 votos); Bruno Montaleone (1 voto); Luiz Fernando Guimarães (1 voto).

Pior atriz: Yanna Lavigne, a Laura de “O Sétimo Guardião” (3 votos)

André – Típico caso de uma atriz que ainda não está pronta para uma personagem deste quilate. Yanna estava verde para viver a antagonista de O Sétimo Guardião e seu fraco desempenho fez a personagem murchar. Na reta final, quando fez parceria com a ótima Fernanda de Freitas, ficou claro que as personagens estavam invertidas. Yanna poderia fazer Louise, uma personagem “menor”, enquanto a ótima Fernanda arrasaria como a vilãzinha Laura.

Fabio Garcia - Talvez por ter pego uma personagem sem motivação e sentido, Yanna Lavigne ficou bem perdida em O Sétimo Guardião. Igual a gente em casa.

Kleber - Pela atuação robótica da vilã mais sem sal de todas as novelas, a Laura de O Sétimo Guardião.

Foram lembradas: Débora Nascimento (1); Claudia Raia (2); Alice Wegmann (1); Agatha Moreira (1); Marina Ruy Barbosa (1); Cleo (1).

Pior apresentador: Rodrigo Faro (4 votos)
 
Isaac - Rodrigo Faro, hors concours como apresentador fake, que se acha o tal, mas é bem ruim, fraquinho. Não faz nem cócegas nos grandes comunicadores.

Jurandir - Falta espontaneidade. Toda vez que coloco em seu programa parece que estou assistindo um personagem, e muitas vezes, aquele mocinho bobalhão que todo mundo torce o nariz.

Foram lembrados: Dudu Camargo (1); Geraldo Luís (3); Otaviano Costa (1); Leo Dias (1).

Pior apresentadora: Mara Maravilha (3 votos)

André – Mara Maravilha atravancava o Fofocalizando em sua primeira passagem por ali. Depois, atravancou o júri do Programa do Ratinho. Agora, volta ao Fofocalizando sem justificar sua presença por ali. A apresentadora perdeu a mão ao assumir uma postura tida “polêmica”.

Fábio Costa - Mara Maravilha, do SBT. Ela vai e volta, fala o que não deve de uma forma inadequada e ofensiva, cheia de uma falsa razão travestida de “personalidade”. Foi-se o tempo em que essa postura desagradável podia ser chamada de “personalidade”. Fez mínima falta ao Fofocalizando e não melhorou o quadro com sua volta após ausência.

Foram lembradas: Daniela Albuquerque (2); Eliana (1); Pâmela Domingues (1); Ana Hickmann (1); Sophia Abrahão (2).

Pior programa humorístico: “Os Roni” (3 votos)

André – Os Roni é mais um programa de humor tosco da cartela do Multishow. Texto fraco e atores forçados fazendo um humor ultrapassado, e que não tem graça nenhuma.

Marcus - Os protagonistas até funcionam na internet, mas a falta de carisma e boas piadas fez do humorístico uma bela perda de tempo.

Rodrigo - Não vi necessidade da criação de mais um programa de humor tentando imitar o Vai que Cola, o destaque da atração foi apenas o cenário, de resto foi mais do mesmo.

Foram lembrados: Encrenca (2); João Kleber Show (1); Te Peguei (1); A Vila (1); programas do Multishow (1).

Pior locutor esportivo: Galvão Bueno (5 votos)

Fábio Costa - Galvão Bueno, da Globo. Entra ano, sai ano, e o veterano locutor esportivo é paradoxalmente um ícone da profissão e ao mesmo tempo um dos que os telespectadores fiéis das transmissões esportivas clamam para que se aposente e deixe outros valores se estabelecerem. Eventualmente, pode ser que os escândalos e a desordem do futebol brasileiro colaborem para essa sensação, já que o efusivo Galvão de antes não encontra espaço para “narrrrrrrar” da mesma forma um futebol morno.

Kleber - Por falta de opção Galvão Bueno segue sendo meu voto.

Rodrigo - Voto no Galvão Bueno e tenho certeza que votarei nele ano que vem, ainda mais com essa abertura que a Globo deu para que ele possa fazer merchan, agora além de famoso “RRRRobinho, RRRRRonaldo e afins”, teremos a mesma entonação com a algum futuro meRRRRRRchan.

Foi lembrado: Lucas Pereira (1); Cleber Machado (1).

Pior programa jornalístico: “Primeiro Impacto” (5 votos)

Fábio Costa - Primeiro Impacto, do SBT. De um grande mau gosto em todos os sentidos. Além de excessivamente longo. Parece desejar copiar os concorrentes naquilo que haja de pior, para ver se atrai os espectadores.

Kleber - Primeiro Impacto. Junte Dudu Camargo e Marcão do Povo. Pronto, você tem um produto jornalístico de quinta categoria com matérias requentadas e repetidas exaustivamente e sangue até espremer, deprimente ver isso, mas o Primeiro Impacto agrada mais o Silvio Santos que o público, e o SBT acabou fazendo dispensas de jornalistas gabaritadas para ficar com esses dois malas que mal se bicam. Por isso que o jornalismo do SBT está num nível que ninguém merece. E ainda teve gente que pediu a cabeça da Raquel Sheherazade que chegou com pompa de emitir opiniões fortes, mas que com o passar desta década cedeu ao pedido de Silvio Santos e não emitiu mais opinião, virou uma mera locutora de notícias.

Foram lembrados: Bom Dia Brasil (1); O Crime Não Compensa (1); Cidade Alerta (1); Brasil Urgente (1); Domingo Espetacular (1).

Pior programa esportivo: “Os Donos da Bola” e “Esporte Fantástico” (2 votos)

Fábio Costa - Os Donos da Bola, da Band. O conjunto da obra tem telespectadores fiéis, mas não pela temática futebolística e sim pela suposta atração existente em ver os comentários pouco sutis de Neto em torno de um esporte que parece já ter fascinado mais.

Duh - Esporte Fantástico. Sempre que passo por lá, encontro pautas estilo TV Fama. Esporte mesmo, quase nada.

Foram lembrados: Papo de Bola (1); Cobertura do Pan-Americano na Record (1); Esporte Espetacular (1).

Pior programa de variedades: “Fofocalizando” (5 votos)

Fabio Maksymczuk - Fofocalizando não consegue alavancar a audiência da emissora de Silvio Santos. Ao invés do programa chamar a atenção pelas fofocas das celebridades, a atração repercute negativamente pelo futrico entre os apresentadores. 

Jurandir - É triste saber que existe um programa como esse na TV aberta. Reportagens sensacionalistas, sem contar as situações constrangedoras protagonizadas pelos próprios apresentadores. É aquela coisa, tudo por audiência.

Rodrigo - Fofocalizando, até me faltam palavras para explicar meu voto, mas as constantes brigas e visibilidade que o programa tem na mídia para divulgar suas brigas internas e loucuras do Léo Dias reforçam meu voto.

Foram lembrados: Aqui na Band (2); Hoje Em Dia (1); É de Casa (1); Melhor da Tarde (1).

Pior programa de auditório: “Hora do Faro” (6 votos)

Fabio Garcia - É muito triste ver um apresentador versátil e alegre como o Rodrigo Faro comandando um programa que apenas explora a desgraça alheia.

Kleber - Hora do Faro. Se o Domingo Show é ruim, o programa do Rodrigo Faro consegue ser pior, com atrações desnecessárias e quadros ruins de dar dó.

Marcus - Fraco e popularesco. Explora a miséria humana sem a real necessidade. É o tipo de programa que faz tudo pela audiência. Em contrapartida, a audiência tem respondido: Eliana é vice-líder consolidada.

Foram lembrados: Domingo Show (2); Programa Raul Gil (1); Domingo Legal (1); Caldeirão do Huck (1), Programa Silvio Santos (1).

Pior reality/talent show: “Big Brother Brasil 19” (3 votos)

Fabio Maksymczuk - O elenco do BBB19 fugiu dos confrontos e de uma possível rejeição. Porém, o tiro saiu pela culatra. Muitos participantes desta edição do reality da TV Globo decepcionaram.  Saíram sem deixar algum rastro e lembrança no telespectador. Não aproveitaram a oportunidade.

Jurandir - Acredito que o reality já deu o que tinha que dar pela falta de cuidado que a produção tem para escolher os participantes. Cada ano que passa a coisa piora mais.

Marcus - Talvez pelo desgaste, o programa não decolou em 2019. Some-se a isso, um elenco muito fraco e conflitos pouco interessantes. Definitivamente o pior BBB de todos os tempos.

Foram lembrados: O Aprendiz (2); Power Couple (1); MasterChef Profissionais (1); Show dos Famosos (1); Gonga La Gonga (1); The Four (1).

Pior série: “Carcereiros”, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, “Tô de Graça”, “Z4” e “O Escolhido” (1 voto cada)

Com poucas opções de séries em 2019, muitos jurados se abstiveram de votar na categoria. Apenas cinco jurados votaram, e cada um deles citou um programa diferente, promovendo um empate de cinco programas.

André – Tô de Graça é mais uma série cômica sem graça do Multishow. Rodrigo Sant’anna é caricato, repete tipos e abusa de piadinhas que não fazem rir.

Fábio Costa - Carcereiros, da Globo. Infelizmente a adaptação do livro de Drauzio Varella não funcionou tão bem. Os personagens não despertaram maior empatia, os episódios pareciam se repetir e a vida de Adriano (Rodrigo Lombardi, em papel destinado a Domingos Montagner no início do projeto) irritou na medida em que ele se tornou uma figura de comportamento discutível e reprovável, desprezando os muitos exemplos de todo dia há anos e anos, desde quando o próprio pai era também carcereiro. Bem diferente de Sob Pressão, que igualmente já não era novidade na TV e trata de temática espinhosa e que demanda sangue frio do espectador.

Fabio Maksymczuk – Se Eu Fechar os Olhos Agora. A minissérie apostou em uma linguagem cinematográfica. Mais parece um filme desmembrado em minissérie do que ao contrário. Alguns diretores insistem em produzir filmes ao invés de produtos com linguagem televisiva na própria TV.

Rodrigo - Meu voto para a série O Escolhido da Netflix. Quando vi a chamada, achei a premissa boa e ar de cutucada política na revolta da vacina atual, porém as atuações são de nível escolar, não convencem de forma alguma e que deixa tudo caricato e sem emoção. Meu voto também vai para o Globoplay, hub de séries da Globo que merece um up tecnológico, trava tanto que dá mais raiva do que alegrias.

Duh - Difícil, porque foi tempo de coisa muito boa, como Sob Pressão, Cine Holliúdy e Carcereiros. Fico com Z4 do SBT. Parecia uma superprodução, mas o enredo era fraquinho, elenco e direção idem... Desisti na primeira semana.

Fiasco do ano: “O Sétimo Guardião” (6 votos)

Fábio Costa - O Sétimo Guardião, da Globo. Apesar de índices de audiência considerados altos diante dos alcançados pela concorrência, a novela era assistida mais para que se visse até onde se poderia chegar para erguer uma história inconsistente e sem apelo do que por gosto do público. E esses índices se tornam insatisfatórios ante o desejado pela emissora para a faixa. Afora isso, tivemos diversos problemas de bastidores, mudanças de rumo e discussões em torno da autoria da história. Uma novela que bem antes da estreia já era problemática, transcorreu por seis meses com problemas e definitivamente não deixou saudade.

Jurandir - Um fiasco que ninguém lembra.

Marcus - O maior produto da Globo, trouxe bom elenco e uma história curiosa. Porém, não soube entregar o que prometeu e acabou entregando um “arroz com feijão” muito mal feito. Os conflitos eram datados e os personagens pouco cativantes. Além de um desenrolar confuso. Definitivamente o maior fiasco de 2018/2019.

Foram lembrados: Vídeo Show (1); linha editorial acrítica quanto ao governo por alguns canais (1); De A a Zuca (1); MasterChef aos domingos (1).

Pior programa da televisão brasileira: “Você na TV” (3 votos)

André – Mesmo apostando em alguns quadros que fogem das velhas revelações de segredo, o Você na TV ainda é pobre de conteúdo, pouco criativo, enfadonho e ainda engana parte do público. Chamem o PROCON!

Kleber - Você na TV. O João Kléber faz suspense o programa inteiro pra revelar o que tem dentro da caixa, isso é batido demais.

Marcus - João Kleber sempre traz histórias pouco convincentes e sensacionalista. O drama é explorado até os últimos minutos do programa e a forma como o apresentador se porta frente às descobertas são ridículos. Vez ou outra até gera um meme, mas fica aqui o questionamento, vale tudo mesmo pela audiência?

Foram lembrados: Domingo Show (1); Cidade Alerta (1); Vício tem Cura (1); programas caça-níqueis (1); Casos de Família (1); Fofocalizando (1); Programa Silvio Santos (1).