quinta-feira, 18 de julho de 2019

Agora vai? Fernanda Gentil estreia em setembro ou outubro, diz site

"Te cuida, Sonia Abrão!"
Alvo das mais variadas especulações, inclusive de que teria sido cancelado, o novo programa de Fernanda Gentil pode estar prestes a estrear. Segundo matéria assinada por Carolina Farias, do site UOL TV e Famosos, a atração finalmente vai entrar em produção. O novo programa deve ser diário e irá ao ar nas tardes da Globo a partir de setembro ou outubro. 

A matéria é curta e não traz maiores informações. Diz apenas que a direção da Globo bateu o martelo, definiu que o programa será vespertino, e que Fernanda Gentil terá a companhia de Érico Brás. Sim, esta é a maior novidade até aqui. Até já se falou que Fernanda poderia ter um parceiro de cena, e que Fabio Porchat estava cotado para a função. Mas a presença de Érico não havia sido ventilada até então. Ou seja, o que fica claro desde já é que a ideia é apostar em humor, já que tanto Fabio quanto Érico são comediantes.

Desde que foi confirmado que Fernanda Gentil assumiria um programa diário na Globo, sempre ficou a dúvida sobre seu horário de exibição. A informação mais recorrente era a de que Fernanda seria encaixada na grade matinal, enquanto o Encontro com Fátima Bernardes seria empurrado para as tardes. Sendo assim, com a nova informação do UOL, é possível concluir que esta ideia (um tanto estapafúrdia, diga-se) foi descartada.

Resta saber como ficará a grade vespertina da Globo com a novidade. Há muitas possibilidades, sendo a mais simples dela a substituição de O Álbum da Grande Família pela nova atração. No entanto, a Sessão da Tarde exibida mais cedo não vem conseguindo conter A Hora da Venenosa, do Balanço Geral da Record. E não são poucos os boatos de que a tradicional sessão de filmes estaria com os dias contados. Mas será que a direção da Globo arriscaria colocar um programa novo para bater de frente com as fofocas já consolidadas da concorrente? Além disso, que tipo de programa será esse, afinal? Fica a torcida para que não seja algo como um Encontro vespertino. O público anseia por novidades.

Enquanto estas e outras questões não são respondidas, o que se nota é a vontade da Globo de modificar suas tardes. Uma vontade antiga, mas que ganhou força neste ano com a extinção do Vídeo Show. O grande desafio, então, é formatar algo que fuja do lugar-comum. As tardes da TV brasileira já sofrem com o mais do mesmo há anos e merecia algo mais bem elaborado. 

André Santana

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Angélica está de volta… no Viva

Quem não tem Globo caça com Viva
O canal Viva começou a anunciar a estreia de Caça Talentos, novelinha infantil que marcou a estreia de Angélica na Globo. A atração vai substituir Estrela-Guia, mantendo a faixa das 11h45 para tramas com uma pegada infantojuvenil. E o público voltará a ver Angélica na TV. A apresentadora segue na geladeira da Globo, mas, ao menos, voltará a dar as caras no Viva, canal que já exibiu outros programas da loira, como Estrelas, Flora Encantada e o próprio Caça Talentos.

Caça Talentos foi exibido pela Globo entre 1996 e 1998. Contava a história de Bela (Angélica), uma criança que foi criada por fadas no Mundo Mágico. Quando Bela descobre que, na verdade, pertence ao Mundo Real, tem a chance de conhecê-lo e escolher qual dos mundos ela quer habitar. Assim, a fada vai parar na agência e produtora de vídeos Caça Talentos, uma empresa quase falida, mas que abriga muito afeto. Ali, ela começa a trabalhar como produtora, ao mesmo tempo em que se apaixona pelo chefe, Artur Carneiro (Eduardo Galvão), e tem que enfrentar as armações de Silvana (Helena Fernandes), sócia da agência que planeja destruir a Caça Talentos.

Caça Talentos era uma criação de Boninho, Ronaldo Santos e Patrícia Moretzsohn. Era exibida pela Globo de segunda a sexta, às 11h30, depois do Angel Mix. Os dois programas compunham a faixa Angélica, exibida das 11h às 12h em 1996, e das 8h30 às 12h a partir de 1997. No ano de 1998, a novelinha passou a ser exibida dentro do Angel Mix, às 10h30. No elenco, Caça Talentos contava com nomes como Cláudia Rodrigues, Marilu Bueno, Betina Viany, Ana Furtado, Tony Tornado, Emiliano Queiroz e Antonio Pedro, além de muitas participações especiais. Teve 465 episódios. 

Além do grande sucesso na Globo, Caça Talentos faz parte da história do Viva. A novelinha fez parte da primeira grade de programação do canal. Inicialmente exibida aos domingos, a trama logo passou à programação diária. Depois de algumas exibições e reexibições, Caça Talentos saiu do ar, sendo substituída por Flora Encantada, série infantil também protagonizada por Angélica. Mais adiante, Flora Encantada foi substituída pela série Sandy e Jr, que segue em exibição no Viva.

Assim, enquanto Angélica vive uma situação que não ata e nem desata na Globo, com um projeto de programa que não sai da gaveta, ao menos ela poderá ser vista no Viva. O Grupo Globo poderia aproveitar o embalo e enxergar que a loira poderia contribuir com seus demais canais pagos. Como já dito aqui antes, o tal projeto engavetado da apresentadora é a cara do GNT. Como não percebem isso?

André Santana

sábado, 13 de julho de 2019

Volta do "É Tudo Improviso" supre falta de humor na Band

"Vamo improvisá!"

O fim de O Aprendiz deixou uma lacuna nas noites de segunda-feira da Band. Por isso, o canal programou dois velhos conhecidos de sua grade para ocupar o espaço. Os humorísticos Uma Escolinha Muito Louca e É Tudo Improviso retornaram ao ar na última segunda-feira, 08. Porém, enquanto a escolinha do professor Sidney Magal retornou com reprises, É Tudo Improviso lança uma nova leva de episódios, inédita na TV aberta.

Trata-se da última temporada do É Tudo Improviso, que foi exibido na TBS, mas que a Band, estranhamente, engavetou. Ou seja, o programa retorna à emissora com um atraso de cerca de sete anos. Entretanto, mesmo com este atraso, a direção da Band foi muito feliz com tal resgate. Afinal, volta a exibir um programa divertido, e num momento em que faltam humorísticos na emissora.

Desde que o Pânico na Band saiu do ar, o canal busca um novo programa de humor. Porém, até mesmo o improvisado Só Risos já deixou a programação. Sendo assim, É Tudo Improviso ocupa, e com louvor, este espaço. O programa reúne o apresentador Márcio Ballas e vários comediantes da nova geração em jogos de improviso. Nomes como Marco Gonçalves (do Lady Night) e Marianna Armellini (vista recentemente em Malhação – Vidas Brasileiras), entre outros, protagonizam situações inusitadas e muito divertidas.

É Tudo Improviso estreou na Band em 2009 com a missão de ocupar as noites de segunda-feira durante as férias do CQC, o maior sucesso do canal naquele tempo. A atração veio na esteira do sucesso que espetáculos de improviso vinham fazendo nas casas de shows Brasil afora. Tal sucesso havia sido levado para a TV no ano anterior, quando a antiga MTV Brasil exibia o Quinta Categoria. No mesmo ano, até a Globo chegou a apostar no formato, no quadro E Agora?, exibido no TV Xuxa nas manhãs de sábado.

Assim, É Tudo Improviso agradou e manteve parte da audiência do CQC em sua faixa de exibição. Por isso, voltou nas férias do ano seguinte. Novamente com bom resultado, o programa ganhou outra temporada já sem a missão de tapar o buraco do CQC. Deste modo, foi transferido para as noites de terça-feira. Porém, a Band acabou engavetando a temporada derradeira, recuperando-a agora.

Na nova grade da Band, É Tudo Improviso forma uma dobradinha com reprises de Uma Escolinha Muito Louca. O humorístico era uma espécie de reedição da clássica Escolinha do Professor Raimundo, inclusive trazendo alguns personagens desta, como Seu Eugênio (César Macedo). A atração estreou em 2008, na faixa das 20 horas, e registrou ótimos números para a emissora. No entanto, a Band abusou do programa, programando reprises diurnas. Com isso, desgastou a fórmula rapidamente. Saiu do ar em 2010.

Voltar a exibir programas de humor foi uma boa sacada da Band, que já fez sucesso no segmento no passado. Mesmo com reprises ou programas engavetados, as novidades ajudam a deixar a linha de shows do canal mais diversificada. Sendo assim, a emissora poderia aproveitar o embalo para voltar a produzir este tipo de conteúdo. Trata-se de um segmento que, se bem-feito, sempre atrai a atenção do público.

André Santana

sexta-feira, 12 de julho de 2019

História da TV: relembre a curta trajetória da TV JB, a televisão do Jornal do Brasil


No final de 2006, a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) arrendou parte da programação da CNT, emissora que estava jogada às traças já naquela época. Assim, entre o final de 2006 e início de 2007, surgia a CNT/JB, e o grupo responsável pelo tradicional Jornal do Brasil começava a lançar alguns novos programas. A partir de abril de 2007, surgia em definitivo a TV JB, que controlava a programação da CNT diariamente, entre 18 horas e 0h. Nascia um novo canal de TV no Brasil.

Nelson Tanure, presidente da CBM, afirmava que a ideia da TV JB era oferecer ao público uma programação de qualidade. Assim, no dia 17 de abril de 2007, a nova emissora iniciava sua grade com a estreia do programa juvenil Na Rua, apresentado por Léo Almeida. Com plateia e convidados ao vivo, a atração lembrava o Programa Livre, funcionando como uma arena adolescente para se debater vários assuntos.

A programação jovem da TV JB continuava com o + Pop, programa com clipes e informações musicais apresentado por Luiza Sarmento. Em seguida, a emissora exibia a novela Coração Navegador. Na verdade, tratava-se da série luso-brasileira Segredo, produzida através de uma parceria entre a Stopline Filmes, Accorde Filmes e RTP1, gravada em 2004 no Brasil e exibida originalmente em Portugal entre 25 de setembro de 2004 e 9 de janeiro de 2005, em 28 episódios. A TV JB exibiu a produção, que contava com nomes como Ingra Liberato e Maria João Bastos, dublada. Porém, a emissora exibiu apenas 15 dos 28 episódios da produção e começou a reprisá-los sem qualquer justificativa.

Na sequência de Coração Navegador, a TV JB exibia uma espécie de linha de shows, com programas de meia hora exibidos sempre às 21h30. Entre as atrações desta faixa, o destaque era o Cine Set, programa sobre cinema apresentado por Isabel Wilker; e o Loucos por Bola, esportivo com Alexandre Araújo, Smigol e Lopes. Depois, de segunda a sexta, às 22 horas, entrava no ar o carro-chefe da emissora: Telejornal do Brasil, apresentado por Bóris Casoy. O jornal trazia as notícias do dia, priorizando as análises dos fatos e os comentários do âncora. Além de Bóris, a TV JB contava com Clodovil Hernandes como uma de suas estrelas, comandando o talk show Por Excelência nas noites de domingo.

Algum tempo depois de sua estreia, a TV JB ampliou a faixa na qual operava, lançando também um programa matinal. Manhã Mulher era apresentado por Ney Gonçalves Dias e Nani Venâncio, seguindo os moldes dos tradicionais programas femininos. Porém, algum tempo depois, o programa passou a ocupar parte da programação noturna, tendo o nome alterado para Nei & Nani.

Mas a vida da nova emissora não era fácil. Com traço na audiência, sem repercussão e nem faturamento, a TV JB logo enfrentou sérios problemas financeiros. A emissora, então, suspende o pagamento do arrendamento da CNT, e também o aluguel dos estúdios de Gugu Liberato, que estavam sendo usados como sede do canal. Em agosto, a grade de programação da TV JB passou a mudar constantemente por conta da crise. Neste meio-tempo, a família Martinez pede a quebra do contrato de arrendamento e, em setembro do mesmo ano, a TV JB deixa de transmitir sua programação pelo canal. A CNT, então, “ressurgia”, retomando a produção do CNT Jornal e exibindo reprises de seus programas dos anos 1990.

A TV JB, então, tentou uma sobrevida, associando-se à recém-inaugurada Rede Brasil em setembro daquele ano. No entanto, após uma semana no ar, a CBM decidiu encerrar seu projeto de televisão, demitindo nada menos que 200 funcionários. No mesmo mês, o grupo solicitou um levantamento de todas as emissoras de TV à venda no período para tentar relançar o canal. Mas já era tarde. A TV JB era extinta em definitivo, tornando-se uma das emissoras de vida mais curta da história da TV brasileira.

André Santana

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Record, mais uma vez, falha no seu projeto de dramaturgia

"Ói nóis aqui travêis!"
Desde que a Record reservou a faixa das 20h30 para suas novelas bíblicas, há a tentativa de se manter duas novelas no ar. Uma delas, a das 19h30 (que hoje começa praticamente as 20 horas), seria para tramas não inspiradas no livro sagrado, ou seja, histórias de época ou contemporâneas. O horário foi criado para abrigar Escrava Mãe, inicialmente produzida para suceder Os Dez Mandamentos, e foi muito bem. No entanto, depois disso, a faixa teve problemas.

Com o bom desempenho de Escrava Mãe, o autor Gustavo Reiz emplacou outra novela, a trama medieval Belaventura. Porém, sem tempo hábil para estrear a nova produção depois de Escrava Mãe, a emissora escalou mais uma reprise de A Escrava Isaura. Na sequência, estreou a novela medieval, que não foi lá muito bem. Ao seu final, a reprise de Os Dez Mandamentos, que era exibida às 18h, “pulou” para o horário. Aí veio o inevitável repeteco de A Terra Prometida. Depois, o canal finalmente produziu Topíssima, atualmente no ar.

Enquanto isso, a faixa bíblica até chegou a apelar para reprises, entre as duas temporadas de Os Dez Mandamentos, mas, no geral, seguiu sua vidinha com produtos como O Rico e Lázaro, Apocalipse, Lia e Jesus. A macrossérie Jezabel atualmente ocupa a faixa, enquanto Gênesis estava no gatilho para sucedê-la. Porém, mais uma vez, a emissora se mostra ineficiente em seu cronograma, e não terá tempo para que a trama sobre o início da humanidade. Assim, vai apelar, mais uma vez, para uma reprise. O Rico e Lázaro deve substituir Jezabel e tapar o buraco até Gênesis ficar pronta.

Já na faixa das 19h30, Topíssima terá direito a uma substituta inédita. A autora Cristianne Fridman trabalha num novo texto que substituirá a novela atual, também de sua autoria. E, vale lembrar, a novelista também assina Jezabel. Ou seja, Fridman tem, atualmente, duas novelas inéditas no ar, e vai emplacar mais uma na sequência. Um sinal claro de que o setor de teledramaturgia está fragilizado e conta com poucas opções de autores, depois da debandada de nomes como Lauro César Muniz, Marcílio Moraes, Gisele Joras, Margareth Boury, Renato Modesto, Gustavo Reiz e Vivian de Oliveira. 

Em suma: a Record tenta, mas é incapaz de manter duas faixas de novelas inéditas andando. A notícia de que Topíssima teria uma substituta inédita foi comemorada, porém, na sequência, veio a notícia de que Jezabel será substituída por uma reprise. É o famoso “tapa aqui, descobre ali”. Quando parece que as coisas vão entrar nos eixos, tudo desanda novamente. Falta compromisso e profissionalismo na dramaturgia da emissora.

André Santana

sábado, 6 de julho de 2019

Grande produção, "Aruanas" é a melhor série original GloboPlay até aqui

À luta!

Nunca se falou tanto sobre a preservação do meio ambiente, para o bem ou para o mal. No entanto, falar sobre isso na televisão sem parecer chato ou pedante sempre pareceu impossível. Mas Aruanas, nova série do GloboPlay, cumpre o desafio com louvor. A produção, cujo primeiro episódio foi exibido na Globo na última quarta-feira, 03, na Sessão GloboPlay, é envolvente e toca em pontos importantes da temática.

Aruanas gira em torno de quatro ativistas ambientais. Verônica (Taís Araújo), Natalie (Débora Falabella) e Luíza (Leandra Leal) são amigas de infância e fundadoras da ONG Aruana, que defende o meio ambiente. A elas se junta a estagiária Clara (Thainá Duarte) quando elas deixam São Paulo rumo a Cari, no Amazonas, num momento em que surge uma denúncia de que uma mineradora está poluindo os rios da região. Juntas, elas enfrentam Miguel (Luís Carlos Vasconcellos), o dono da mineradora.

O texto de Estela Renner e Marcos Nisti, criadores de Aruanas, toca em pontos importantes (pra não dizer fundamentais) acerca da exploração desenfreada dos recursos naturais. A série consegue mostrar os vários lados da problemática, incluindo os interesses comerciais e políticos, além de inserir a questão indígena. Assim, num contexto político e social como o atual, no qual não falta quem passe por cima das leis ambientais, Aruanas faz um necessário trabalho de conscientização. E, felizmente, o faz sem perder de vista o entretenimento. A série não é panfletária, muito menos didática.

Aruanas consegue falar sobre questões ecológicas sem ser chata justamente pela esperteza do roteiro. Os autores fogem da fórmula do folhetim, preferindo apostar num subtexto. Assim, não entregam tudo de cara e fazem o público pensar. Além disso, a espinha dorsal da série é, também, policial, o que garante muita emoção, reviravoltas e intensos acontecimentos.

Fora isso, a série também funciona graças às protagonistas, todas muito bem desenhadas. Verônica, Natalie, Luíza e Clara são ativistas, mas são, também, mulheres às voltas com vidas pessoais atribuladas. Verônica é implacável, mas também carrega uma vida amorosa complicada. Já Natalie tem questões no casamento, enquanto Luíza não consegue se dedicar ao filho tanto quanto gostaria. E a jovem Clara foge de um namorado que a persegue.

Com isso, Aruanas ganha humanidade. As protagonistas poderiam carregar a ingrata pecha de “ecochatas”, mas não o fazem porque são mulheres cheias de conflitos e contradições. Deste modo, o público é envolvido por elas, fazendo com que a experiência de assistir Aruanas passe longe da sensação de estar diante de uma cartilha.

Desde que passou a apostar em conteúdo exclusivo, o GloboPlay se tornou um espaço para novas experiências dramatúrgicas da Globo. A plataforma foi feliz em séries como Assédio e Ilha de Ferro, que foram além das experiências na TV convencional.

No entanto, Aruanas é um divisor de águas no campo das séries nacionais no streaming. A série encontrou uma fórmula legitimamente nacional no gênero, fugindo do vício das novelas e oferecendo um produto de alta qualidade. Por isso, e por conta da relevância de sua temática, merecia exibição no canal aberto.

André Santana

A volta do "Topa ou Não Topa", o sábado do SBT e o espaço de Raul Gil

"Já que é pra topar, topei!"

A surpresa deste final de semana foi o anúncio do SBT de que o game show Topa ou Não Topa voltará à programação em breve. Ou melhor, surpresa em termos: já faz mais de um ano que o canal de Silvio Santos comprou novamente o formato do game das maletas, e era praticamente certo que Patrícia Abravanel seria a nova apresentadora da atração. Porém, em razão das gravidezes da apresentadora, a atração foi engavetada. Agora, será retomada (coincidentemente, dias depois de a própria Patrícia ter pedido um novo programa ao pai no Programa Silvio Santos).

Por isso, a surpresa não está no anúncio em si. O que surpreendeu foi a informação quanto ao dia e horário que a nova versão do Topa ou Não Topa ocupará. O game foi escalado para ser exibido aos sábados, a partir das 15h30. Ou seja, Patrícia Abravanel poderá ser vista todo sábado, depois do Programa da Maisa e antes do Programa Raul Gil, que será empurrado para às 16h30.

Num cenário em que o SBT não tem promovido muitas estreias, chama a atenção o fato de a emissora dispensar atenção justamente às tardes de sábado. Sua única novidade do ano, até então, é o Programa da Maisa, que estreou fazendo barulho e beliscando a liderança na audiência. Hoje, o talk show de Maisa Silva estacionou oscilando entre a vice-liderança e o terceiro lugar, ao bater de frente com o Balanço Geral, da Record. Mesmo assim, ainda é uma excelente opção para as tardes de sábado, rendendo momentos muito divertidos. Fora o fato de ser um incontestável sucesso comercial. Maisa está com tudo!

Porém, quando o Programa da Maisa estreou, o Programa Raul Gil perdeu espaço na grade. A tradicional atração do veterano apresentador atravessava a tarde de sábado, entre 14h15 e 19h. Atualmente, começa depois das 15h30 e se estende até 19h45. Agora, com a estreia do Topa ou Não Topa, o Programa Raul Gil será ainda mais reduzido e passará a ter três horas de duração. Ainda é um bom tempo, mas bem menos que as cinco horas que Raul já ocupou nos áureos tempos.

Seria este um sinal de que o SBT está cozinhando Raul Gil? Vale lembrar que o apresentador já esteve a ponto de sair do ar de vez na emissora por diversas vezes. O caso mais célebre aconteceu há alguns anos, quando a emissora chegou a anunciar o fim do contrato de Raul e sua substituição por Celso Portiolli, o que culminaria com o fim do Domingo Legal (e, na época, a expectativa era de que justamente Patrícia Abravanel assumisse o início das tardes de domingo). Mas Silvio Santos acabou voltando atrás, renovou com Raul e tudo ficou como estava. Porém (e, lembrando, isso é mera especulação deste blogueiro), a redução do espaço de Raul e as chegadas de Maisa e Patrícia aos sábados me parece um projeto de “rejuvenescimento” das tardes deste dia da semana. Se der certo, é bem provável que Raul Gil siga perdendo espaço. Vamos ver.

André Santana

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Marcílio Moraes seria um nome e tanto para nova fase da Globo

"Chama eu, Globo!"
A Globo tem feito a maior renovação de autores da faixa das nove dos últimos tempos. Com o afastamento de medalhões como Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Benedito Ruy Barbosa e Gilberto Braga (este já tem seu retorno confirmado, mas no horário das seis), o horário tem como “veteranos” “apenas” Gloria Perez, Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro e Walcyr Carrasco. Por este motivo, o canal tem investido em novos nomes, como Manuela Dias e Lícia Manzo, que devem assinar as tramas que virão na sequência de A Dona do Pedaço.

Enquanto isso, a Record segue firme e forte em seu projeto bíblico na dramaturgia. Com isso, o canal dispensou vários autores que, anteriormente, assinaram novelas de sucesso, como Lauro César Muniz, Margareth Boury, Gisele Joras e Carlos Lombardi. O último da “velha guarda” que ainda permanecia na emissora era Marcílio Moraes, autor de Essas Mulheres, Vidas Opostas e Ribeirão do Tempo. Desde a minissérie Plano Alto, o novelista tentava emplacar novos projetos, mas não conseguiu mais espaço. Afinal, são raros os projetos “não-bíblicos” a emplacar atualmente. Assim, Moraes cumpriu seu contrato sem conseguir engatilhar mais nenhum projeto.

Ou seja, atualmente, Marcílio Moraes está solto no mercado. Neste contexto, seu retorno à Globo poderia ser bem interessante. Na emissora carioca, Moraes fez poucas coisas sozinho, mas engatou boas parcerias, em produções como Roque Santeiro, Roda de Fogo, Mandala e Irmãos Coragem. Como autor principal, assinou Mico Preto, produção de reputação duvidosa, e Sonho Meu, esta sim um grande sucesso.  Além disso, roteirizou séries e especiais. 

Mas não há dúvidas de que foi na Record que Marcílio Moraes teve seu talento mais bem aproveitado. Vidas Opostas, seu principal sucesso, foi um divisor de águas na teledramaturgia do canal. Uma grande novela, que ditou os rumos das tramas que a emissora produziria a partir dali. Enquanto isso, Essas Mulheres é uma das novelas de maior prestígio da Record. E Ribeirão do Tempo foi uma das novelas mais inventivas já produzidas pelo canal. Isso sem falar em A Lei e o Crime e Fora de Controle, duas boas séries policiais. Plano Alto foi outro acerto, um drama político da melhor qualidade.

Já imaginou um criador deste naipe tendo carta branca e a estrutura da Globo à disposição? Marcílio Moraes já provou que é capaz de assinar uma excelente novela das nove. Tem texto refinado, boas soluções, é criativo e, acima de tudo, entende muito bem da estrutura do folhetim. Com isso, teria todas as condições de fazer uma novela que vá além do óbvio, como tem sido as últimas produções do horário na emissora. Porém, infelizmente, o canal tem dado preferência a textos mais simplistas, o que poderia ser uma barreira para a chegada de Moraes. No entanto, Marcílio Moraes seria um “estreante veterano”, que poderia contribuir muito com a experiência que acumulou ao longo de sua bem-sucedida trajetória. 

André Santana

terça-feira, 2 de julho de 2019

"Bela, a Feia" repete sucesso nas tardes da Record

"Tô bonitããn?"
Mais uma vez, o Fofocalizando, do SBT, está a um passo do cadafalso. O próprio Leo Dias confirmou, em entrevista à Jovem Pan, que a atração pode estar com os dias contados. Em sua coluna no UOL, o jornalista Flavio Ricco noticiou que Silvio Santos deu um ultimato ao vespertino: ou sobe a audiência, ou sai do ar. E a crise tem nome e sobrenome (ou melhor, um título): Bela, a Feia. A reprise da novela, exibida pela Record, tem colocado o programa de fofocas do SBT cada vez mais distante no retrovisor.

Sem dúvidas, o repeteco da novela foi um dos maiores acertos da emissora desde que foram criadas as duas faixas de reprises vespertinas. A Record foi bastante feliz ao escolher Bela, a Feia para ocupar um destes horários. A adaptação de Gisele Joras de Betty, a Feia, um clássico de Fernando Gaitán, tem feito bonito. E este bom resultado mostrou que a história da secretária pouco atraente, mas muito eficiente, tem uma força que ultrapassa barreiras sociais e territoriais.

Bela, a Feia foi exibida originalmente em 2009. Na época, a Record mantinha um acordo com a Televisa para a produção de adaptações de novelas mexicanas. E a Televisa, por sua vez, tinha os direitos do texto de Betty, a Feia, uma novela originalmente colombiana. O grupo mexicano já havia produzido sua versão da história, A Feia Mais Bela, que também fez muito sucesso (por aqui, foi exibida pelo SBT duas vezes, com resultados satisfatórios). E vários outros países já tinham sua própria versão da história. Assim, havia chegado a vez do Brasil de ter sua própria feia.

Deste modo, a autora Gisele Joras foi escalada para a função de adaptar o enredo. E a novelista, que vinha do inesperado sucesso de Amor e Intrigas, conseguiu construir uma nova história. A autora bebeu não apenas do original, mas também das mais diversas adaptações da trama, além de injetar sua impressão digital ao enredo. Assim, ela manteve a espinha dorsal com o romance entre Bela (Gisele Itié) e Rodrigo (Bruno Ferrari). Porém, muito do universo de Bela, a Feia lembra a versão estadunidense, Ugly Betty, sobretudo na figura da vilã. Verônica (Simone Spoladore) lembra demais Wilhelmina Slater (Vanessa Williams), a deliciosa vilã da série americana.

Além de elementos de Betty, a Feia original e da série Ugly Betty, Bela, a Feia também carrega semelhanças com A Feia Mais Bela no que se refere ao tom non sense do humor. Mas a novela também tinha um jeitão próprio, bem alinhado com as novelas que a Record produzia na época. Um exemplo claro disso é a trama envolvendo Ataulfo (André Mattos), que deu contornos policiais ao enredo. Na época, a emissora se caracterizava pelas tramas policiais.

Com isso, apesar das inúmeras referências, Gisele Joras conseguiu dar identidade própria à sua Bela, a Feia. Por conta disso, mesmo o público brasileiro já tendo visto Betty, a Feia duas vezes na RedeTV, e ainda A Feia Mais Bela e Ugly Betty, exibidas no SBT, a trama conseguiu chamar a atenção. Teve uma estreia tímida, mas foi crescendo e terminou sendo considerada um sucesso.

O fato de praticamente todas as versões desta história terem feito sucesso no Brasil é realmente algo que chama a atenção. Isso mostra o quanto o enredo criado por Fernando Gaitán é poderoso. O novelista colombiano conseguiu criar uma personagem pura, que traduz em seus gestos e atitudes a insegurança que todos nós temos ou tivemos. Ou seja, Betty (ou Bela… ou Lety…) gera imediata identificação e empatia.

Isso explica porque, dez anos depois de sua exibição, Bela, a Feia ainda agrada. Assim como qualquer reprise de Betty, a Feia, A Feia Mais Bela ou Ugly Betty sempre será bem recebida pelo público. Trata-se de uma história universal e irresistível.

JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA: Queridos, desculpem o sumiço neste final de semana. Viajei para poder prestigiar o casamento de minha amiga e colega de trabalho Camila. Passada a ótima festa e os desejos de felicidades eternas ao casal, volto ao batente. Por isso, o TELE-VISÃO terá atualizações também amanhã, 03, e quinta-feira, 04, para compensar a ausência. Agradeço a compreensão. E vivam os noivos!

André Santana

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Angélica não volta ao ar este ano, diz site

Esperando sentada

O que já parecia provável se confirmou: a apresentadora Angélica não deve estrear seu novo programa este ano na Globo. Segundo o site Notícias da TV, a equipe que trabalhava na implantação do novo projeto foi demitida há duas semanas. A matéria assinada por Ana Cora Lima afirmou que Angélica ficou desapontada com a suspensão do programa, mas que foi prometido a ela que a atração deve vingar em 2020. A mesma matéria ainda afirma que a comunicação da Globo negou as demissões, limitando-se a dizer que “existem projetos em discussão, mas nada definido”.

Com isso, Angélica deve ficar, no mínimo, dois anos sem um espaço próprio na TV. Algo novo na carreira da artista, que estreou como apresentadora aos 12 anos na Rede Manchete e nunca ficou muito tempo fora do ar. Na Globo, onde ela estreou em 1996, Angélica havia ficado longe do vídeo apenas por dois meses, entre agosto e outubro de 2000, na fase de transição entre o Angel Mix e o Bambuluá. Quando o segundo infantil chegou ao fim, a loira já dava expediente no Vídeo Game, do Vídeo Show. Além disso, dividiu as aparições no vespertino com a apresentação do Fama e, depois, com o Estrelas. Neste meio-tempo, se ausentou apenas durante suas licenças-maternidades.

Porém, desde o fim do Estrelas, Angélica se encontra em compasso de espera. Neste meio-tempo, choveram especulações. Falou-se que ela comandaria um novo game show aos moldes do Passa ou Repassa, e até que ela ia deixar a Globo. A emissora não fala sobre os contratos de seus artistas, mas sabia-se que o de Angélica venceria no segundo semestre do ano passado. Como ela segue sendo tratada como funcionária pela casa, deduz-se que houve renovação. Neste contexto, foram surgindo notícias sobre um novo programa: que seria uma atração com entrevistas, que trataria de assuntos relacionados a comportamento e que seria de temporadas, possivelmente exibido nas noites de quinta-feira.  Geninho Simonetti era o diretor.

O cancelamento (ou adiamento) do novo programa tem a ver com o atual momento da Globo. A emissora colocou o pé no freio e tem limitado estreias. Já havíamos comentado aqui que o novo programa de Fernanda Gentil, prometido para este ano, também estava “de rosca” e devia ficar apenas para o ano que vem. Angélica, como se vê, segue o mesmo caminho. Ou seja, se 2019 seria o ano de muitas mudanças na grade da Globo, tais mudanças foram vistas apenas nos cancelamentos, como do Bem Estar e do Vídeo Show. Praticamente não houve estreias no campo do entretenimento fora da dramaturgia. Tá Brincando, a única novidade, já foi cancelado e seu apresentador, Otaviano Costa, dispensado. Sinal de que a emissora está receosa com o contexto econômico atual e sem coragem para arriscar.

Enquanto isso, Angélica deve se limitar a continuar aparecendo como convidada dos programas da casa. Recentemente, ela participou do Gonga La Gonga, no Caldeirão do Huck. Uma pena. Aliás, pelo que foi dito do novo projeto da loira, sempre me pareceu que o novo programa tinha todo o jeitão de GNT. Será que ninguém na Globo pensou em fazer uma coprodução com o canal pago para viabilizar a atração? Poderiam fazer como o Lady Night, com exibições no GNT e uma temporada no canal aberto. O Grupo Globo já está adotando uma política de integração entre seus canais, e este projeto poderia entrar nesta nova política. Seria bem interessante.

Mas há quem acredite que a Globo parece não ter mais interesse em Angélica. Ou ainda que ela vem sendo cozinhada pelo canal em razão das pretensões políticas de seu marido. Se fosse algo neste sentido, por que não a dispensam logo? Ao menos ela estaria livre para buscar novos ares. É uma pena essa situação!

André Santana

terça-feira, 25 de junho de 2019

Com novela portuguesa, Band pode sacudir sua dramaturgia

Vingançaaaa!
Depois de desistir de produções nacionais e passar um tempo sem exibir novelas, a Band achou um novo filão ao apostar em novelas turcas. As Mil e Uma Noites abriu uma nova faixa de folhetins no canal e rendeu bons números no Ibope. Suas sucessoras, também oriundas da Turquia, também não decepcionaram. No entanto, de uns tempos pra cá, as novelas turcas perderam fôlego. A atual, Minha Vida, não empolgou e a direção da Band optou por mudar a estratégia. 

Assim, a substituta de Minha Vida não será uma novela turca, e sim uma trama vinda de Portugal. Ouro Verde, novela da TVI exibida em 2017, foi adquirida pela emissora e já tem chamadas no ar, embora a Band ainda não tenha divulgado a data de estreia. Trata-se de um dramalhão de produção caprichada, que conquistou o Emmy de melhor telenovela em 2018, e que tem vários atores conhecidos dos brasileiros.

No elenco, há nomes como Silvia Pfeifer (atualmente em Topíssima), Zezé Motta (vista recentemente em O Outro Lado do Paraíso), Pedro Carvalho (no ar em A Dona do Pedaço), Diogo Morgado (que participou de Revelação, no SBT), Bruno Cabrerizo (atualmente no elenco de Órfãos da Terra), Úrsula Corona (vista em O Astro), Adriano Toloza (de Verdades Secretas), Cassiano Carneiro (o Zé Carijó do Sítio do Picapau Amarelo), Paulo Pires (ator português que participou de Salsa e Merengue) e Gracindo Jr (de Plano Alto e novelas da Globo e Record).

O protagonista é Jorge Monforte (Diogo Morgado), um empresário brasileiro, dono do império Ouro Verde, um dos líderes mundiais no mercado agropecuário. Ele acaba de adquirir uma importante participação no Banco Brandão Ferreira da Fonseca (BBFF), uma empresa familiar liderada pelo poderoso banqueiro português Miguel Ferreira da Fonseca (Luís Esparteiro). A novidade não é bem acolhida na família do banqueiro, que suspeita das reais intenções daquele estrangeiro. Jorge, na verdade, é Zé Maria Magalhães, dado como morto há 15 anos, que volta agora para se vingar da morte de seu pai, João Magalhães (Paulo Pires), que era diretor financeiro do BBFF. Quando acontece um escândalo financeiro na empresa, João é usado com bode expiatório e acaba eliminado numa queima de arquivo.

Ou seja, trata-se de um novelão clássico, mais um inspirado no bom e velho Conde de Monte Cristo. A história folhetinesca e o elenco com rostos conhecidos podem ser um apelo para que Ouro Verde chame a atenção do público e consiga uma audiência satisfatória para os padrões da Band. Uma boa sacada da emissora, que já vinha se fortalecendo numa estratégia de oferecer novelas que sejam alternativas às produções globais, às religiosas da Record e às mexicanas do SBT. A televisão portuguesa vive um bom momento com seus folhetins. Trazê-los para o Brasil, sem dúvidas, é uma estratégia bem interessante.

Vale lembrar que não é a primeira vez que a Band tenta emplacar novelas portuguesas em sua programação. Em 2004, a emissora fechou uma parceria com a TVI e trouxe duas produções de lá: Olhos D'Água e Morangos com Açúcar. O plano era que o dramalhão adulto Olhos D'Água revitalizasse as tardes da emissora, enquanto a juvenil Morangos com Açúcar deveria ocupar o horário nobre, marcando o fim do Show da Fé. Porém, a emissora mudou de ideia. Olhos D'Água não emplacou à tarde e foi realocada para o estranho horário das 8h30… da manhã! Já Morangos com Açúcar, uma espécie de Malhação portuguesa que somou mais de 2000 episódios, acabou estreando à tarde, no lugar de Olhos D'Água, e também passou em brancas nuvens. A Band exibiu apenas a primeira temporada e desistiu dos folhetins portugueses logo depois.

André Santana

sábado, 22 de junho de 2019

Há mais de um ano no ar, "As Aventuras de Poliana" tem erros e acertos

"Todo mundo tá feliz?"

Há pouco mais de um mês, em  16 de maio, a novela As Aventuras de Poliana, do SBT, completou um ano no ar. A trama tem o que comemorar, já que conseguiu manter o sucesso da faixa de novelas infantis da emissora. Mais do que isso: deu novo rumo à teledramaturgia da emissora ao buscar outra fonte de “inspiração”, sem apostar numa nova adaptação de novela latina. Desta vez, a autora Iris Abravanel usou como base o romance Pollyanna, de Eleanor H. Porter. E se deu muito bem!

A novelista foi muito feliz ao enxergar no clássico da literatura mundial um bom mote para uma novela infantil. Assim, apostou em Poliana (Sophia Valverde) e seu famoso otimismo, que contagia a todos com o “jogo do contente”. Como no livro, a menina vai viver com uma tia carrancuda depois da morte dos pais. Ela, então, ensina a todos a olhar o lado bom da vida, e consegue até transformar a tia. Trata-se de um mote conhecido dos fãs das novelas para crianças, já que lembra a mexicana Chispita, seu remake Luz Clarita, e outras tramas.

Iris Abravanel também aproveitou o know-how adquirido nas adaptações de Carrossel, Chiquititas e Cúmplices de um Resgate para rechear sua atual trama. Ao situar parte da história num colégio, a autora criou um universo povoado por crianças, jovens e adultos, amarrando tramas paralelas que deram sustentação à história da protagonista. O enredo não difere de suas novelas anteriores, mas a fórmula se mostrou irresistível ao público-alvo. E é por isso que As Aventuras de Poliana segue em alta, um ano depois da estreia.

No entanto, apesar dos resultados satisfatórios, a emissora poderia rever o tamanho de suas novelas. As Aventuras de Poliana já vem sofrendo do mesmo mal que acometeu sua sucessora, Carinha de Anjo. O mote inicial já se esgotou, e a novela começa a abusar de histórias recicladas. Além disso, rechear os capítulos com música continua sendo uma arma para aumentar a duração deles sem “queimar” trama.

Mas, para a emissora, o que importa é garantir a vice-liderança. E isso, convenhamos, As Aventuras de Poliana consegue, e com louvor. Ao que tudo indica, o público infantil costuma se afeiçoar aos personagens e os acompanha, mesmo que nada muito interessante aconteça com eles. Além disso, a repetição entre uma trama e outra também não é um problema, já que o público cresce e é constantemente renovado.

Sendo assim, se diminuir o tamanho das tramas não é um plano do SBT, a emissora devia, ao menos, seguir buscando novas fontes de inspiração. Adaptar um livro clássico deu certo. E o que não faltam são clássicos infantis para adaptar. Mas o canal poderia ousar ainda mais e apostar, também, numa novela totalmente original. Por que não?

André Santana

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Globo traz mais novidades à linha de shows com "Mestre do Sabor"

"Te cuida, Jacquin!"

O assunto não é novo, mas eu ainda não havia tido a oportunidade de comentar por aqui. Recentemente, a Globo anunciou a estreia de Mestre do Sabor, sua primeira incursão no terreno de reality culinário em horário nobre. Realizado em parceria com o GNT, e trazendo à frente o chef Claude Troisgos, a atração tem estreia prevista para outubro e ocupará as noites de quinta-feira.

Anunciado como um formato original da emissora, Mestre do Sabor parece ser uma mistura de tudo o que já foi feito na seara dos talent shows. O novo programa terá similaridades com MasterChef e cia bela, ao se colocar como uma competição entre chefs de cozinha. Mas sua mecânica vai lembrar outra atração: o The Voice! Isso porque os aspirantes a competidores terão que se submeter a uma degustação às cegas. Se aprovado, um telão será aberto e o competidor será aceito no programa por um dos três técnicos, que serão José Avillez, Kátia Barbosa e Leo Paixão. Eles vão montar times e competirão entre si em diferentes fases, assim como na competição musical.

A novidade chama a atenção por vários motivos. Um deles é o fato de a Globo ter demorado tanto tempo para se render ao filão. A emissora foi pioneira quando lançou o SuperChef, no Mais Você, mas ainda longe da linha de shows. Enquanto isso, Band, Record e SBT se lançaram num sem-número de formatos. Além do mais popular e longevo, o MasterChef, vieram também Hell’s Kitchen, BBQ Brasil, Bake Off Brasil, Batalha dos Confeiteiros, Batalha dos Cozinheiros, Top Chef e tantos outros. E foram tantos que, atualmente, o formato começa a ser alvo da análise de que estaria à beira do desgaste. A atual edição do MasterChef não aconteceu, e a mais nova aposta neste sentido, o Top Chef da Record, também não é dos mais populares. Mas, enquanto isso, o SBT só vê o Bake Off crescer a cada temporada.

Outro fator que chama a atenção é o fato de a Globo seguir disposta a apostar em formatos diferentes em sua linha de shows. Não é de hoje que as séries dividem o espaço pós-novela com realities e programas de auditório. The Voice Brasil estreia no final de julho, com edições às terças e quintas. E Mestre do Sabor irá substituí-lo às quintas-feiras. Mesmo gênero, mas com proposta distinta. Interessante. Tão interessante quanto o fato de a atração ser uma coprodução com o canal GNT, em mais um importante passo na troca de produtos e know-how entre Globo e Globosat. Um movimento super positivo.

E assim, a gente volta a especular sobre como ficará a linha de shows da Globo no último trimestre. Com o The Voice entre julho e setembro, as noites de terça e quinta já estão preenchidas. Enquanto isso, espera-se que Ilha de Ferro substitua Assédio às sextas-feiras. E o que será que virá nas noites de terça e quinta? Às quintas, Mestre do Sabor virá depois da novela, mas é possível que um segundo programa seja escalado para dividir o espaço. No ano passado, a vaga era de Os Melhores Anos das Nossas Vidas, mas a emissora não parece disposta a apostar numa nova temporada do game de Lázaro Ramos. Enquanto isso, as noites de terça também estarão vagas. Uma nova série deve pintar no primeiro horário. Mas e no segundo? Amor & Sexo ocupou a faixa em 2018, mas já está definido que este ano não haverá temporada. Seria um espaço legal para lançar o novo projeto de Angélica, não?

Falando em projeto de Angélica, será que ninguém na Globo pensou em usá-lo como uma nova parceria entre Globo e GNT? Pelo que foi dito sobre o formato, me parece um produto bem adequado para a Globosat. Enfim, especulações. Vamos ver como será.

André Santana

quinta-feira, 20 de junho de 2019

História da TV: sai "Balão Mágico", entra "Xou da Xuxa" nas manhãs da Globo

"Xeguei!"

No final do mês de junho do ano de 1986, uma grande movimentação aconteceu nas manhãs da Globo, envolvendo dois ícones infantis daquela década. No dia 28 de junho daquele ano, o programa Balão Mágico se despedia de seu público. Dois dias depois, em 30 de junho, estreava o Xou da Xuxa, maior sucesso da carreira de Xuxa Meneghel. Com a chegada de Xuxa à Globo, o clássico TV Mulher também sairia do ar.

Balão Mágico fez muito sucesso entre os anos de 1983 e 1986 entre o público infantil. A atração era apresentada pelos integrantes da banda musical infantil A Turma do Balão Mágico, como Simony, Tob (Vimerson Cavanillas), Mike (Michael Biggs), e Jairzinho (Jair Oliveira). Acompanhados deles, os personagens Cascatinha (Castrinho) e Fofão (Orival Pessini), o ser alienígena que trocava as sílabas das palavras.

Na atração, Fofão, Cascatinha e as crianças apresentavam quadros e esquetes diversos, com muito humor e música. Além disso, o programa Balão Mágico exibia muitos desenhos animados, como Manda Chuva, Zé Colmeia e outros clássicos dos anos 1980.

Entretanto, Xuxa Meneghel começava a despontar nos finais de tarde da Rede Manchete com seu Clube da Criança, despertando o interesse da Globo. A apresentadora, então, foi contratada com peso de estrela e estreou seu Xou da Xuxa no final de junho daquele ano. A atração substituiu o Balão Mágico, herdando o público infantil e vários dos desenhos animados do programa anterior. E fez história na televisão brasileira, ao elevar os índices de audiência do horário e tornando Xuxa um verdadeiro fenômeno entre as crianças brasileiras da época.

Xou da Xuxa aproveitava o formato do Clube da Criança, porém com uma produção bem mais caprichada. A plateia de crianças cresceu consideravelmente, e o cenário ganhou uma cara de parque de diversões, ganhando a clássica nave espacial pela qual Xuxa entrava no palco todas as manhãs. Marlene Mattos, que era produtora de Xuxa na Manchete, passava a assinar a direção da atração, além de assumir o comando da carreira da apresentadora.

Na atração, Xuxa promovia diversas brincadeiras com as crianças, com a clássica competição de meninos contra meninas. Além disso, cantava suas músicas, fazia coreografias e recebia muitos convidados, como Trem da Alegria, Beto Barbosa, Cid Guerreiro, Rosanah, Atchim & Espirro, Patrícia Marx, José Augusto, Dr. Silvana & Cia., Angel, Roupa Nova, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados e Sérgio Mallandro, entre muitos outros que faziam sucesso naquela época.

Xou da Xuxa também tinha outros quadros clássicos, como o sorteio de cartas, onde Xuxa premiava a audiência com brinquedos, e também esquetes nas quais Xuxa vivia personagens. Entre eles estava Vovuxa, uma simpática velhinha que adorava contar histórias e piadas; Madame Caxuxá, uma astróloga que transmitia mensagens sobre higiene e alimentação como se estivesse lendo o horóscopo do dia; Dra. Boluxa, médica que dava conselhos para as crianças de como agir no dia-a-dia em caso de resfriados e machucados; Xoxum, sábio chinês que ensinava a transformar jornais e revistas em brinquedos; e Xuxerife, que investigava denúncias feitas pelas crianças através de cartas.

Os desenhos exibidos durante o Xou da Xuxa também se tornaram clássicos da época. Pelo programa passaram animações como Caverna do Dragão, He-Man, She-Ra, Os Smurfs, Snorks, Scooby-Doo, As Tartarugas Ninja, Os Flintstones, Os Ursinhos Gummi, Os Caça-Fantasmas, Meu Querido Pônei, Thundercats, Tiny Toon, Turma da Pesada, Família Dinossauros, entre muitos outros.

Xou da Xuxa foi um verdadeiro fenômeno. Chegou ao fim no final de 1992, quando Xuxa passou a se dedicar à carreira internacional. Ela retornaria ao ar pela Globo em meados de 1993 com o dominical Xuxa, voltado para a família, que não fez muito sucesso. Em 1994, ela retornaria aos infantis com o Xuxa Park, nas manhãs de sábado.

André Santana

sábado, 15 de junho de 2019

Fim do "SBT Notícias" é mais uma pá de cal no jornalismo do SBT

"Miga, vamos mandar nosso
CV pra CNN Brasil"

O SBT sempre viveu uma relação de amor e ódio com o jornalismo. O segmento já foi alvo de muitos investimentos na emissora de Silvio Santos em algumas épocas. Porém, em outras, já foi completamente ignorado, e o SBT já teve fases em que não exibia nenhum jornal em sua programação. Atualmente, o jornalismo está em alta, visto que a emissora nunca dedicou tantas horas de sua grade ao setor. SBT Brasil, SBT Notícias e Primeiro Impacto ocupam mais de oito horas da programação diária da emissora.

Ou ocupavam. Nesta semana, o canal anunciou a extinção do SBT Notícias, jornal que ocupa toda a madrugada da emissora, exibido em três “módulos” diários, que são atualizados a cada edição. A justificativa do fim do programa, iniciativa que partiu de Silvio Santos, é que o SBT Notícias não se pagava. Com isso, deixará a grade, e será substituído por uma reprise do SBT Brasil seguido por uma edição ainda mais longa do Primeiro Impacto, que começará às 4h. Deste modo, as apresentadoras Karyn Bravo e Analice Nicolau deixam o SBT. Cassius Zeilmann segue, mas passa a ser repórter.

Com isso, o SBT segue ocupando basicamente o mesmo horário com notícias. Porém, ao substituir o SBT Notícias pelo Primeiro Impacto, a emissora abre a possibilidade para merchandising, já que o noticioso de Dudu Camargo e Marcão do Povo é liberado para a prática. Assim, portanto, a emissora troca seis por meia dúzia, mas abre mais espaço para faturamento. Primeiro Impacto se paga, então não há mais prejuízo.

Não há mais prejuízo financeiro, mas há prejuízo na imagem. Mais um para a conta do jornalismo do SBT. A emissora (leia-se o dono Silvio Santos) está completamente apaixonada pelo jornalismo controverso praticado pelo Primeiro Impacto e o estende perigosamente. Afinal, foram anos tentando emplacar um jornal popularesco, sem sucesso. O sucesso de audiência finalmente veio, porém, na figura controversa de Dudu Camargo e Marcão do Povo. Enquanto isso, profissionais do naipe de Karyn Bravo, Cassius  Zeilmann e a própria Analice Nicolau, uma “cria” da casa, perdem espaço.

Aliás, é a segunda vez que Karyn Bravo perde espaço para Dudu Camargo. Quando o Primeiro Impacto entrou no ar, era um jornal matinal mais tradicional, apresentado por ela e Joyce Ribeiro. Mas Silvio Santos resolveu apostar em Dudu e transformou o jornal num matinal que mescla jornalismo e show. A apresentadora retornou mais tarde, já no SBT Notícias, que agora tem o mesmo destino da primeira versão do Primeiro Impacto.

E assim, o jornal apresentado na base do grito e da demagogia por Dudu Camargo e Marcão do Povo vai ganhando ainda mais espaço no SBT. O programa tinha duas horas, e hoje tem quatro horas e meia. A partir de segunda-feira, terá nada menos que seis horas e meia. Uma duração inacreditável para um jornal cujo conteúdo jamais sustentou sua longa duração. O programa sempre foi marcado por reaproveitamento de materiale pelo converseiro fiado para preencher espaço.

Enquanto isso, o SBT Notícias era uma ótima ideia do canal. Ao oferecer um jornal que atravessava a madrugada, a emissora dava opção aos insones e aos trabalhadores noturnos, preenchendo um espaço anteriormente feito por tapa-buracos com um conteúdo mais útil. Deu tão certo que o SBT Notícias obrigou outras emissoras a iniciar sua programação jornalística cada vez mais cedo.

Mas a decisão não chega a surpreender. Nos últimos anos, o SBT já vinha numa onda de dispensar profissionais de grife para abrir cada vez mais espaço a este jornalismo controverso. Desde que o Jornal do SBT foi extinto e Hermano Henning dispensado, o jornalismo da emissora só fez cair em termos de qualidade e credibilidade. Carlos Nascimento é um estranho no ninho. O que é uma pena. É triste ver bons projetos chegando ao fim, enquanto projetos controversos só crescem.

André Santana

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Record acerta ao "ressuscitar" "Vale a Pena Ver Direito"

"Senhoras e senhores!"
No último sábado, 08, a Record, meio que de surpresa, trouxe de volta o Vale a Pena Ver Direito, com Marcos Mion. “Ressuscitar” a atração, que era um quadro do extinto Legendários, foi uma excelente sacada da emissora. Além de resgatar um formato divertido e que sempre rendeu bons momentos, o canal devolve, ainda que temporariamente, um espaço mais autoral para Marcos Mion. Afinal, Mion é um dos principais talentos da Record e sua atual participação na emissora se resumia ao reality A Fazenda.

Vale a Pena Ver Direito retornou com um olhar apurado, cínico e divertido do Power Couple Brasil. Mion retorna ao formato que consagrou desde os tempos da MTV, quando fazia o Piores Clipes do Mundo, e revela boas curiosidades do reality de Gugu. E o formato é absolutamente simples: Marcos Mion, ao lado de Mionzinho, exibe trechos do reality show e vai apontando momentos que poderiam passar despercebidos. Assim, tecendo comentários sarcásticos, o apresentador vai “desconstruindo” o programa que analisa.

Com isso, a emissora amplia o espaço para a repercussão do andamento do jogo dos casais. E, de quebra, ainda tapa um buraco na grade das noites de sábado, atualmente refém de reprises. Não é de hoje que o sábado da emissora está completamente jogado às traças. A saída do Legendários e a extinção recente do Programa da Sabrina fez com que a emissora reservasse o dia aos repetecos de Jezabel e Troca de Esposas. Não por acaso, o SBT nada de braçadas na faixa, com o Esquadrão da Moda e Fábrica de Casamentos

Mas o Vale a Pena Ver Direito não refrescou a situação da emissora. A estreia registrou parcos números. O que não surpreende, tendo em vista que o programa foi apresentado meio às pressas, sem muita divulgação. Além disso, como dito acima, a novidade foi “jogada aos leões”, afinal, o SBT está com uma grade forte e consolidada nas noites de sábado. 

Porém, se a Record não desistir, o Vale a Pena Ver Direito tem todas as condições de crescer. Afinal, é um projeto divertido, de baixíssimo custo, que repercute a grade da própria emissora e, ainda, injeta algum humor na programação do canal, um gênero sem representação na Record. Além, claro, de aproveitar mais Marcos Mion, uma estrela que é bem maior que A Fazenda.

PS: desculpem os últimos atrasos nas atualizações. Dias corridos. Mas teremos atualização amanhã, sexta, 14, e nosso tradicional “textão de sábado”, no dia 15. Creio que tudo volta ao normal na semana que vem. Agradeço a compreensão.

André Santana

sábado, 8 de junho de 2019

História da TV: os 36 anos de fundação da saudosa Rede Manchete

Aconteceu, virou Manchete!
No dia 05 de junho de 1983, entrava no ar a Rede Manchete, uma das mais queridas emissoras de televisão que já existiu no Brasil. A emissora deixou a sua marca na história da televisão brasileira, com uma programação ousada, caracterizada por experimentos e a revelação de grandes talentos.

A Rede Manchete pertencia ao Grupo Bloch, que publicava a revista Manchete através da Bloch Editores. Em seus 16 anos de existência, a Manchete tinha uma identidade muito bem definida e uma grade de programação variada, na qual se destacavam as coberturas esportivas e do Carnaval, o jornalismo, os infantis e, principalmente, a teledramaturgia. A emissora criou um padrão próprio na produção de novelas e minisséries, tendo cravado algumas produções no imaginário popular.

Sua primeira novela foi Antonio Maria, de 1985, escrita e dirigida por Geraldo Vietri. No entanto, seu primeiro sucesso no segmento foi sua sucessora, Dona Beija, protagonizada por Maitê Proença. Escrita por Wilson Aguiar Filho, o folhetim se destacou pelo bom texto e pelas polêmicas cenas de nudez. São lendárias as cenas da personagem-título cavalgando nua. A sensualidade, aliás, seria uma constante na produção de teledramaturgia da Rede Manchete, que exibia suas novelas num horário mais tardio.

Outras produções em teledramaturgia da Manchete também se destacaram no decorrer dos anos 1980, como Corpo Santo, Helena, Kananga do Japão e Carmem, esta última assinada por Gloria Perez e protagonizada por Lucélia Santos. No entanto, o maior sucesso da história da emissora viria em 1990: Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa. A saga da família Leôncio e a história de Juma (Cristiana Oliveira), a “moça que virava onça”, fez a audiência da Manchete ir às alturas, chegando aos 30 pontos no Ibope. Um fenômeno que nunca mais se repetiria.

No entanto, outras novelas da Manchete chamaram a atenção, como A História de Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva, outro sucesso. Brida, sua última produção, também entrou para a história, mas não por um bom motivo: com problemas financeiros, a emissora interrompeu a produção da obra, exibindo um último capítulo no qual um locutor narrava os desfechos dos personagens.

A Manchete também fez história na programação infantil. Foi a emissora que revelou Xuxa Meneghel e Angélica, que apresentaram, em fases distintas, o Clube da Criança. Além disso, o canal exibiu infantis como Lupu Limpim Clapá Topô, Dudalegria, A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco, entre muitos outros. Mas a maior marca da emissora nesta seara foi mesmo a exibição de desenhos e séries japoneses, como Jaspion, Changeman, Solbrain, Winspector, Patrini, Os Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, Sailor Moon e Yu Yu Hakusho, entre tantos outros.

O canal também tinha um jornalismo forte, visto em programas como Jornal da Manchete, Manchete Esportiva, Programa de Domingo, Repórter Manchete, entre outros. Pela emissora, passaram nomes como César Filho, Clodovil, Márcia Peltier, Claudete Troiano, Lucinha Lins, Ferreira Neto, Roberto D’Ávila, Otávio Mesquita, Sérgio Mallandro, Luiz Bacci, Tiririca, Virgínia Novick, e até os irmãos Sandy e Junior, que apresentavam o Sandy & Jr Show nas noites de sábado.

No entanto, a Rede Manchete não sobreviveu a tantas dívidas acumuladas ao longo de toda a sua existência, e acabou sendo extinta no ano de 1999. Sua concessão foi vendida para o grupo TeleTV, que fundou a RedeTV, com uma programação popularesca que em nada lembra os bons tempos da Manchete. Uma pena.

André Santana

Record não está para brincadeira em seu investimento no jornalismo

"A pauta agora é a Record"
A Record, depois de um tempo sem grandes novidades, vem mostrando que não está brincando em serviço e investindo em novidades para o seu jornalismo. O novo vice-presidente do setor, Antonio Guerreiro, segue implantando novidades, enquanto a emissora faz novas contratações. Sergio Aguiar e Ivan Moré são as mais recentes aquisições do canal da Barra Funda, que terá ainda mais jornalismo em sua grade diária.

Além dos longos jornais populares, como o Balanço Geral e o Cidade Alerta, e os noticiosos mais tradicionais, como Fala Brasil e Jornal da Record, a emissora agora terá também edições menores do JR ao longo da programação. Janine Borba, que acaba de deixar o Domingo Espetacular, é um dos nomes que estará à frente da novidade, além de Sergio Aguiar, que deixou recentemente a GloboNews. Segundo o site Notícias da TV, o JR – 24 Horas terá quatro edições diárias, sendo três delas de 10 minutos nas manhãs e tardes do canal. Já a quarta edição terá o dobro de tempo e irá ao ar na madrugada, com Aguiar no comando.

Sem dúvidas, um projeto ousado e interessante. Ao pulverizar a marca de seu principal telejornal ao longo da programação, a emissora sinaliza que o jornalismo é a sua prioridade na grade. Deve funcionar, tendo em vista que a Record já dedica grande parte de sua programação diária ao jornalismo. Além disso, agrega mais valor à marca.

Enquanto Sergio Aguiar e Janine Borba aparecem à frente do JR – 24 Horas, Ivan Moré é o próximo nome a ser anunciado pela Record. A emissora ainda espera o distrato do apresentador com a Globo sair para anunciar oficialmente, o que deve acontecer nos próximos dias. No entanto, o projeto de Moré no canal é bem esquisito: segundo o Notícias da TV, ele estará à frente do Esporte Record, que substituirá o Esporte Fantástico nas manhãs de sábado da emissora. Com a mudança, não se sabe o futuro de Mylena Ciribelli, que comanda o esportivo desde sua estreia, há 10 anos.

Digo que não faz muito sentido porque a emissora vai substituir um programa esportivo pelo outro. E justamente num momento em que o Esporte Fantástico vive uma fase tranquila na audiência. Além disso, o canal vai pisar feio na bola se dispensar Mylena, que sempre carregou, com dignidade, a parca programação esportiva da emissora. Por que não aproveitar Moré e Mylena num Esporte Fantástico reformulado?

André Santana