sábado, 28 de dezembro de 2019

Top 10 de 2019: destaques negativos


A televisão brasileira errou muito em 2019. Por isso, a primeira parte da retrospectiva 2019 do TELE-VISÃO lista os destaques negativos da programação do ano que termina. A lista é elaborada baseada na opinião deste que vos escreve e, portanto, é sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- “Se Joga”

Neste ano, a Globo demonstrou ousadia ao acabar com programas clássicos, mas que não rendiam mais os resultados de antes. Nesta leva, o Vídeo Show teve um fim melancólico, apressado e sem direito a homenagens. E a promessa era de que a atração seria substituída por um programa mais abrangente e moderno. Este programa estreou cerca de nove meses depois do fim do Vídeo Show e não disse a que veio. Se Joga é um emaranhado de quadros de gosto duvidoso, sem foco e nem propósito. Além disso, não trouxe qualquer novidade. Resultado: apanha ainda mais de A Hora da Venenosa que seu antecessor. Algo errado não está certo.

- “MasterChef”

A Band tanto fez que conseguiu o que queria em 2019: desgastar o seu principal produto de entretenimento. Ao apostar em mais duas longas temporadas de MasterChef, a emissora contribuiu para o cansaço da fórmula, que registrou suas piores audiências em 2019. Além disso, o canal errou ao transferir a atração para os domingos, sendo que estava mais do que consolidado às terças-feiras. Tentou corrigir o erro na segunda temporada do ano, voltando para as terças, mas já era tarde. MasterChef já não é mais mania e nem gera discussão. Passou quase despercebido. Uma pena.

- “O Sétimo Guardião”

A aguardada volta de Aguinaldo Silva ao realismo fantástico foi uma grande decepção. O autor, desta vez, fugiu da comédia e tentou apostar num suspense mal ajambrado. Porém, com personagens sem força e uma trama que não fazia sentido (afinal, pra que proteger a fonte de água mágica, se ela nunca era utilizada para nada?), O Sétimo Guardião serviu apenas para deixar espectadores aborrecidos e atores insatisfeitos. As reprises de A Indomada e Porto dos Milagres no Viva reforçaram que O Sétimo Guardião estava muito aquém da capacidade de seu autor.

- Novelas bíblicas

A Record tomou um tombo com suas novelas bíblicas. Tentando repetir o sucesso de Os Dez Mandamentos, a emissora fez uma aposta a prova de erros na vida do maior profeta do cristianismo em Jesus. Mas o resultado fraco mostrou que a fórmula caminhava para a exaustão. Houve uma tentativa de mudança com Jezabel, que apostou numa protagonista mulher e vilã. Apesar da “ousadia”, a macrossérie também não aconteceu. Resultado: a emissora promoveu nova interrupção na linha das novelas bíblicas e se viu obrigada a reprisar O Rico e Lázaro. Gênesis está prevista para substituí-la, mas a produção está cercada de informações desencontradas. Complicado.

- “A Dona do Pedaço”

Walcyr Carrasco precisa, definitivamente, de férias. Ao emendar uma novela na outra, o autor não mais exerce sua criatividade, e sim propõe um emaranhando de ideias a prova de erros e vai jogando-as ao sabor da resposta da audiência, sem qualquer compromisso com uma história bem contada. A Dona do Pedaço é o auge desta fórmula de pasteurização do autor, com uma novela toda errada, personagens sem motivação e que mudavam de personalidade a toda hora, além do sempre humor de gosto duvidoso e grosseiro que o autor insiste em imprimir em suas obras. Foi um sucesso, é verdade, mas a que preço?

- Reality shows

Os três principais reality shows de confinamento da TV aberta não tiveram grandes temporadas em 2019. O ano já começou errado com o Big Brother Brasil 19, que tentou surfar na polarização política, mas acabou por confinar pessoas nem um pouco interessadas em jogar. Virou uma colônia de férias, e um tédio só para quem assistia. O mesmo aconteceu com o Power Couple, da Record, que teve um elenco apagado e poucos momentos marcantes. No fim do ano, A Fazenda também teve rumo semelhante, com o agravante de que as poucas pessoas que poderiam fazer o jogo render foram sendo eliminadas pelo público. Assim fica difícil.

- Silvio Santos

2019 foi mais um ano em que Silvio Santos se destacou negativamente. O apresentador se recusa a perceber que muitas de suas brincadeiras já não fazem sentido nos dias de hoje, promovendo um festival de ofensas e constrangimentos. Um concurso de beleza infantil, uma saudação sem sentido a Hitler e até uma polêmica no qual o apresentador preferiu premiar uma cantora branca, enquanto o auditório havia escolhido uma cantora negra. Isso sem falar na aproximação muito exagerada ao governo, com a presença constante de políticos em seu auditório. Silvio Santos sempre esteve ao lado do governo seja ele qual for, é verdade, mas nunca o fez de maneira tão escancarada como agora.

- “Padre Alessandro Campos”

A RedeTV chegou aos 20 anos com pouco a comemorar. Dentre tantos erros, destaque para o programa Padre Alessandro Campos, uma aposta da direção do canal para reavivar suas manhãs. O programa estreou já com polêmicas, quando internautas compartilharam vídeos do padre ofendendo senhoras que frequentavam suas plateias. Depois, um site revelou que o padre cobrava para que suas fãs participassem de seu auditório. Por fim, o programa se mostrou um tédio, no qual o padre apenas cantava suas músicas e fazia orações. Por uma hora. Toda manhã. Não tinha como dar certo e o programa saiu do ar cerca de dois meses depois da estreia.

- “As Aventuras de Poliana”

Depois de um início arrebatador, a novela infantil do SBT começou a perder fôlego. A audiência da trama de Iris Abravanel se viu em queda livre ao longo de 2019, mostrando que foi um erro prolongá-la por tanto tempo. Para piorar, o SBT decidiu economizar e não fará uma nova novela em 2020, preferindo apostar numa nova temporada de As Aventuras de Poliana. O desgaste parece inevitável.

- “Domingo Show” e “Hora do Faro”

Demorou, mas a Record finalmente está pagando o preço por ter reduzido seus programas de auditório a chororôs gratuitos. O Domingo Show voltou a ganhar investimentos em 2019, mas não foi o suficiente para que o programa de Geraldo Luís recuperasse sua audiência perdida, que migrou para o alegre Domingo Legal, do SBT. O parco desempenho fez com que Geraldo perdesse sua vaga nos domingos. Além disso, a entrega em baixa prejudicou o Hora do Faro, outro programa que abusa das histórias tristes. Neste ano, Rodrigo Faro ainda encarou a ira de espectadores ao ser flagrado perguntando como estava a audiência, ao vivo, durante uma homenagem a Gugu Liberato. Pela primeira vez, Hora do Faro fechará o ano atrás de Eliana, do SBT (outra que anda abusando da tristeza).

E para você, internauta? Quais os destaques negativos de 2019? Deixe sua opinião! Nos vemos no sábado que vem, 4 de janeiro, com os destaques positivos! Até lá!

André Santana

Feliz Ano Novo!



Chega ao fim o TELE-VISÃO 2019! Quero agradecer a todos que passaram mais um ano discutindo, comentando, analisando e dando palpites sobre nossa tão amada televisão brasileira. No ano que vem, seguiremos por aqui! E espero que você siga por aí, sempre colaborando com as boas discussões deste espaço!

Um 2020  muito especial a todos nós! Forte abraço!

André Santana

sábado, 21 de dezembro de 2019

Perspectiva 2020: o que vem por aí


2019 frustrou os mais otimistas. Quando se pensava que a crise daria uma trégua, a coisa tomou um outro rumo. Assim, a TV aberta, que já estava apertando o cinto, se viu obrigada a apertar ainda mais. Todos os canais foram mais prudentes com estreias e investimentos, preferindo ficar numa zona de conforto. Cortes aconteceram, mudanças e enxugamentos foram acompanhados.

Sendo assim, esta cautela deve continuar em 2020. Até aqui, Globo, SBT, Record, Band e RedeTV não anunciaram grandes mudanças, contratações ou investimentos. Pelo contrário. Cada vez mais, há a necessidade de não fazer grandes apostas, e os canais seguirão suas vidinhas investindo em projetos de retorno garantido. Se os cortes cessarem, já será uma vitória e tanto.

É possível que a movimentação mais impactante do ano seja a mudança estrutural da Globo, que passa por uma fase de unificação de várias das empresas que formam o Grupo Globo. Uma das consequências desta reestruturação deve ser percebida pelo público por meio do maior intercâmbio de produções entre as diferentes janelas de exibição. Ou seja, produtos Globosat e GloboPlay ganhando exibição na TV aberta, e vice-versa.

Enquanto isso, os demais canais tentarão driblar a crise aumentando a oferta de programas rentáveis. Ou seja, muitos reality shows, programas de variedades e todo tipo de formato que permita vender muito. SBT, Record, Band e RedeTV anunciaram poucas novidades até aqui, o que indica a cautela de todas estas emissoras.

Veja o que os canais abertos andam preparando para o próximo ano:

Globo

Mesmo em fase de economia, a Globo mantém sua prática de promover estreias ao longo de todo o ano. Em janeiro, a emissora já dá o start com sua linha de shows, com diferentes produtos. Nas primeiras semanas do ano, a Globo aposta nas minisséries. Uma reprise comemorativa de O Auto da Compadecida, a microssérie Chacrinha e o enlatado Madiba estão entre as atrações. O BBB 20 estreia no dia 21 de janeiro. No mesmo dia, estreia também o novo humorístico Fora de Hora. Já no dia 23, Lady Night retorna à TV aberta. Outras estreias de janeiro da Globo são a nova temporada do The Voice Kids, no dia 05, e o SóTocaTop Verão, no dia 04.

O BBB 20 deve ser longo. A previsão é que a final aconteça apenas no dia 23 de abril. Assim, até lá, a linha de shows da Globo deve se manter sem maiores alterações. Depois disso, devem vir novas séries, mas a emissora ainda não confirma os títulos. A expectativa é que Segunda Chamada estreie sua segunda temporada ainda em abril. Outra que segue em compasso de estreia é Angélica, com seu prometido novo programa que tem sérias dificuldades em sair da gaveta.

Outros programas de temporada já foram confirmados pela Globo em 2020, como Zero1, The Voice Brasil, Tamanho Família e Escolinha do Professor Raimundo. Além disso, haverá uma reformulação nas manhãs de sábado, com o fim do Como Será?. A expectativa é que a emissora aposte em jornalismo ao vivo na faixa, com boas possibilidades de o Bom Dia Brasil ganhar uma exibição aos sábados.

Além disso, a emissora lançará várias novas novelas ao longo do ano. Malhação – Transformação será a próxima temporada da trama teen, assinada por Priscila Steinman. Na faixa das seis, Nos Tempos do Imperador, de Alessandro Marson e Thereza Falcão, substitui Éramos Seis. Às sete, a novidade é Salve-se Quem Puder, de Daniel Ortiz, que estreia ainda em janeiro. Enquanto isso, a faixa das nove receberá mais uma autora estreante: Lícia Manzo emplaca Em Seu Lugar, sucessora de Amor de Mãe.

SBT

O SBT, para variar, nunca anuncia nada com muita antecedência. O que se sabe até aqui é que uma enxurrada de reprises tomará conta da programação entre os meses de janeiro e fevereiro. Shows de variedades, como o Programa do Ratinho, Domingo Legal e Eliana, entre outros, devem retornar inéditos apenas em março, depois do Carnaval.

Uma das poucas novidades já acertadas é a estreia do reality show de futebol Uma Vida, Um Sonho. Com apresentação de Glenda Koslowski, a atração será uma espécie de peneira que deve revelar um novo talento nos campos. O programa tem estreia prevista para maio e deverá ser exibida aos domingos, antes do Domingo Legal.

Além de Glenda, outro ex-global está na mira do SBT. Trata-se de Dony DeNuccio, que negocia um novo programa de variedades com o canal de Silvio Santos. O projeto é de uma espécie de game show que pode envolver assuntos empresariais. Mas o programa é cercado de mistérios e ainda não há uma definição se irá adiante. Provavelmente, se rolar, o anúncio só ocorrerá no ano que vem.

E como o SBT adora ressuscitar programas velhos, agora o canal cismou novamente com a Porta da Esperança. O programa quase retornou há uns dois anos, como quadro do Programa do Ratinho, mas Silvio Santos vetou a ideia. Ao que tudo indica, o dono do Baú agora resolveu apostar na atração que busca realizar os sonhos dos participantes. Mas não se sabe nada a respeito: nem quando estreia, nem que dia será exibido, muito menos quem irá apresentar. O que se sabe é que já há uma chamada no ar pedindo que os espectadores mandem cartas (sim, cartas!) para participar.

No mais, nada de novo. Programa do Ratinho, The Noite, Operação Mesquita, A Praça É Nossa, Programa da Maisa, Programa Raul Gil, Domingo Legal, Eliana, Topa ou Não Topa, Esquadrão da Moda e Programa Silvio Santos (claro!) permanecem na programação. Fábrica de Casamentos, Junior Bake Off, Bake Off Brasil e Famílias Frente a Frente ganharão novas temporadas.

Record

Aos poucos, a Record vai adotando estratégia semelhante à da Globo, com lançamentos já no começo do ano. Em janeiro, a novidade deverá ser a estreia de Sabrina Sato aos domingos, num novo programa que substituirá o Domingo Show. Pouco se sabe sobre o formato. Até aqui, foi divulgado que haverá muitas externas e um novo reality, comprado fora.

Já entre o final de janeiro e o início de fevereiro, a emissora lança as novas temporadas de Troca de Esposas e The Four Brasil. No primeiro, Ticiane Pinheiro continua a acompanhar a rotina de duas famílias que terão suas matriarcas trocadas durante uma semana. Já no segundo, Xuxa Meneghel volta a comandar uma disputa entre cantores para se chegar a um quarteto de finalistas, que se enfrentarão no último episódio.

A partir de março, a linha de shows da Record deve repetir o ano que passou, com a exibição das novas temporadas de Power Couple Brasil e A Fazenda, diariamente, e com o Top Chef, Dancing Brasil e Canta Comigo se revezando nas noites de quarta-feira. A emissora ainda não anunciou quem substituirá Gugu Liberato em seus programas. Marcos Mion corre por fora para o comando do Power Couple, enquanto um novo apresentador está sendo pensado para o Canta Comigo. Além disso, há um projeto de um novo jornalístico, com Luiz Bacci, também para a linha de shows.

Na dramaturgia, a única novela enfileirada é Gênesis, de Emílio Boechat, que deve substituir a reprise de O Rico e Lázaro. Ainda não se sabe o que substituirá Amor Sem Igual. Até porque a emissora está com um banco de autores de novelas reduzidíssimo. Não estranhem se o canal voltar a apostar numa reprise na faixa das 20h30…

Band

A Band segue com sua política de fazer apostas mais seguras. Assim, em 2020, a expectativa é que o canal siga fazendo estreias. Ao menos, a emissora já anunciou algumas das novidades que pretende implantar. Uma delas é Lado C, programa com Paolla Carossella, um talk show que promete mostrar outros lados do entrevistado. Henrique Fogaça também deve ter um voo solo, com Mistérios do Pantanal, uma série sobre a cultura e a culinária da famosa região do país.

Enquanto isso, Erick Jacquin deve emplacar mais uma temporada de Pesadelo na Cozinha. E os três, mais Ana Paula Padrão, se reunirão novamente para mais duas (e enormes) temporadas do MasterChef. A fórmula anda bem esgotada, é verdade, mas ainda rende um dinheiro do qual a Band não pode abrir mão. Pelo mesmo motivo, O Aprendiz de Roberto Justus, também deve ter nova temporada.

A emissora também almeja turbinar seu jornalismo. Depois das estreias do Bora SP e Band Notícias, o canal deve apostar numa reformulação do Jornal da Noite e lançar mais um noticioso, nas madrugadas. A ideia é fazer frente aos jornais para insones, como o Hora 1, da Globo. Além disso, o esporte volta a ocupar mais espaço, com basquete e os campeonatos internacionais de futebol.

Enquanto isso, nos bastidores, rumores dão conta de que Ronnie Von pode ser anunciado como o novo contratado da emissora. A direção da Band nunca escondeu a admiração pelo apresentador, desde os tempos do Todo Seu. Agora fora da Gazeta, Ronnie pode voltar ao ar pelo canal dos Saad. Há quem diga que ele está bastante cotado para um programa semanal na linha de shows.

RedeTV

A RedeTV deve vir com algumas mudanças importantes no horário nobre. A primeira delas é a estreia de um novo noticiário popular, comandado por Sikêra Junior. O apresentador faz bastante sucesso em Manaus, onde comanda um programa nos mesmos moldes na TV A Crítica, que chega a incomodar a Globo. O programa será produzido pela TV A Crítica, em Manaus, mas terá abrangência nacional. Será exibido diariamente, na faixa entre 18h e 19h30.

Com a chegada de Sikêra Junior, o Tricotando mudará de horário. A RedeTV confirma que o programa não sairá do ar, mas não avisou em qual horário passará a ser exibido. Será que o programa de Lígia Mendes e Franklin David ocupará um dos trocentos horários vendidos para a igreja? Se for isso, Tricotando pode ser exibido tanto pelas manhãs quanto na hora do almoço, depois de Olga. Tempo ao tempo.

As mudanças na faixa noturna da RedeTV seguirão com o TV Fama. Segundo Leo Dias, que assume como editor executivo do programa de fofocas, os donos da emissora concordaram em tirar a atração da concorrência direta com a novela das nove da Globo. Assim, TV Fama deve voltar ao horário das 19h30, sucedendo Sikêra Jr na grade. O programa será reformulado pelo novo editor, que também deve aparecer no vídeo. A única certeza é que Nelson Rubens segue na apresentação.

Caso o TV Fama realmente volte para a faixa das 19h30, o RedeTV News deve voltar ao seu horário original, às 21h30. Um horário, aliás, do qual nunca deveria ter saído.

André Santana

Feliz Natal pra todos, Feliz Natal!



Volto no próximo sábado, 28, com a primeira parte do Top 10 de 2019! Até lá!

André Santana

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Fim de ano no TELE-VISÃO


O Natal está aí, e é momento de começarmos nossa “programação especial” de fim de ano no TELE-VISÃO. A partir de amanhã, 21, até o dia 04 de janeiro de 2020, o blog passará a ser atualizado apenas aos sábados, e trazendo posts especiais para finalizarmos 2019 e entrarmos em 2020 com nossos assuntos passados a limpo.

Amanhã, 21, o TELE-VISÃO publica sua tradicional Perspectiva 2020, que trará uma série de posts especiais que buscam adiantar o que os principais canais abertos brasileiros preparam para o ano que se aproxima. Teremos um apanhado do que virá na programação da Globo, SBT, Record, Band e RedeTV.

No sábado seguinte, dia 28, começa o Top 10 de 2019, com a lista dos dez destaques negativos do ano. Vamos relembrar junto o que de pior passou na telinha neste ano. Já no dia 4 de janeiro, o Top 10 de 2019 trará a lista dos dez destaques positivos do ano. O melhor da TV em 2019 será relembrado por aqui. A partir do dia 11 de janeiro o TELE-VISÃO volta ao normal, com atualizações constantes ao longo da semana.

Fique por aqui neste final de ano e vamos juntos relembrar 2019 e especular 2020. Conto com vocês!

André Santana

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

"Hebe" é uma ótima produção e merecia TV aberta

"Gracinha!"
Na última segunda-feira, 16, a Globo repetiu a estratégia de promover um novo produto do GloboPlay na Tela Quente. Desta vez, a emissora exibiu os dois primeiros episódios da microssérie Hebe, que tem capítulos já disponíveis no streaming. O aperitivo veio para consolar o público, já que a expectativa era de que Hebe seria exibida na TV aberta, na programação de janeiro da emissora. Uma pena terem desistido, pois a minissérie tem tudo a ver com as produções de verão do canal, e tinha tudo para agradar a audiência.

Ao contrário das minisséries recentes da Globo oriundas de um filme, Hebe, a minissérie, vai muito além do longa lançado em 2019. Enquanto o filme aborda apenas um recorte da vida da apresentadora, focando sua saída conturbada da Band (então Bandeirantes) e sua chegada ao SBT, a minissérie procura explorar toda a vida da animadora. Assim, a narrativa “absorve” momentos do filme, mas vai muito além. Por meio de flashbacks, de maneira não-linear, a série mostra toda a vida de Hebe, da infância pobre ao sucesso na TV, chegando à doença que a vitimou, em 2012.

Apesar do vai-e-vem temporal, a minissérie é muito feliz na condução desta trajetória. Hebe narra não apenas a vida da protagonista, mas revela bastidores interessantes da história da comunicação do Brasil. Junto com o crescimento de Hebe, o público é levado a acompanhar a evolução da televisão. Evidentemente, a cronologia nem sempre bate com a vida de Hebe (e alguns fatos foram contestados por familiares), mas trata-se de uma licença poética da roteirista Carolina Kotscho no sentido de fazer alguma concessão ao folhetim. Funciona.

Destaque para os trabalhos de Andrea Beltrão e Valentina Herszage vivendo Hebe Camargo. Para a primeira, o desafio foi grande, afinal, Andrea é uma atriz muito conhecida, vivendo uma personagem igualmente conhecida. Além disso, as duas não se parecem fisicamente. Assim, a saída (acertada) de Andrea foi buscar nos gestos e nas palavras ações que remetiam à Hebe. Não soou como imitação, o que poderia prejudicar a série. Um trabalho bastante interessante.

Porém, quem chama a atenção mesmo é a jovem Valentina Herszage. A atriz, beneficiada por uma caracterização impecável, faz uma jovem Hebe adorável. Há ali um trabalho que também remete à Hebe original, mas há o cuidado de adaptá-la ao contexto de sua juventude. Em suma, Valentina entrega ao público uma grande atuação.

Por conta de tantas qualidades, Hebe seria o produto ideal para abrir a programação 2020 da Globo. Talvez o canal tenha desistido por uma estratégia para fortalecer o GloboPlay, e a exibição em TV aberta venha mais adiante. Basta lembrar que, no início do ano, Se Eu Fechar os Olhos Agora estava prevista para janeiro, mas acabou sendo exibida em abril.

Seja como for, fato é que a minissérie Hebe abre um novo caminho para os filmes que viram série na Globo. Os dois produtos se comunicam, mas são diferentes entre si. E, neste caso, a minissérie está anos-luz à frente do longa. Vale o ingresso.

André Santana

sábado, 14 de dezembro de 2019

Com ares de "Uma Linda Mulher", "Amor Sem Igual" traz respiro à dramaturgia da Record

"Sou muito poderosa!"

Amor Sem Igual, nova novela da Record, estreou esta semana tendo vários desafios a superar. Afinal, caberá à nova trama de Cristianne Fridmann consolidar a faixa “não-bíblica” de novelas da emissora, mostrando ao público do canal que a programação vai além da religião. E, para deixar isso claro, a nova produção da Record vem com uma ousadia e tanto. A trama é protagonizada pela prostituta Poderosa (Day Mesquita).

Surpreendentemente, a primeira semana de Amor Sem Igual mostrou as dificuldades da vida levada por Angélica, a Poderosa. A garota de programa sofreu violência, foi humilhada e passou por várias provações, mostrando que a tal “vida fácil” não é tão fácil assim. O fato de a protagonista ter sido mostrada assim, sem juízo de valor, foi o grande mérito da estreia. A profissão não foi romantizada, nem exaltada e nem julgada.

Mas a clara inspiração em Uma Linda Mulher mostra que Amor Sem Igual não deve ir muito fundo na temática da prostituição. A sequência de Poderosa sendo humilhada numa loja fina e saindo por cima remeteu bastante ao famoso filme de Julia Roberts. O humilde Miguel (Rafael Sardão) se apaixonou pela jovem, mesmo sabendo que ela é uma prostituta. Porém, Angélica não acredita no amor, partindo daí o conflito romântico do casal principal. Isso e o fato de Poderosa ser perseguida pelo desconhecido irmão Tobias (Thiago Rodrigues), que não quer que o pai a encontre para não precisar dividir uma herança. Em suma, o bom e velho folhetim.

Uma das coisas que chamou a atenção na estreia de Amor Sem Igual foi a escolha dos protagonistas. A escalação mostra uma tendência da dramaturgia da Record de apostar em “pratas da casa”, ao invés de buscar atores sem contrato de novelas recentes da Globo. Isso é importante no sentido de renovar o elenco e apostar em sangue novo.

Day Mesquita tem passagens pela Globo, Band e SBT, mas caiu nas graças da Record depois de sua participação na cinebiografia de Edir Macedo, Nada a Perder. Assim, ela surge aqui como a jovem desesperançosa que deve ser transformada pelo amor, e está muito bem. Já Miguel é vivido por Rafael Sardão, ator “nascido e criado” na Record. Depois de participações em tramas como Rebelde, Pecado Mortal, Os Dez Mandamentos e Jezabel, entre outras, ele agora aparece liderando o elenco de Amor Sem Igual. E a aposta se mostrou bastante acertada. Sardão não decepciona com um personagem difícil em mãos.

Mesmo com tom romântico, o fato de Amor Sem Igual ter uma prostituta à frente da história mostra que a Record vem buscando novos caminhos para sua dramaturgia. Claro, sempre há o risco de Poderosa ser “salva” pela religião. Mas se conseguir escapar deste caminho fácil, Amor Sem Igual pode funcionar. A história criada por Cristianne Fridman parece interessante e cheia de possibilidades.

Assim, o desafio da trama será driblar um possível conservadorismo da audiência da emissora. Ultrapassando esta barreira, Amor Sem Igual pode emplacar. E, caso emplaque, estaremos definitivamente diante de uma nova fase na dramaturgia da Record.

André Santana

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"Se Joga" tem solução?

Se joga?

Pouco mais de dois meses depois de sua estreia, o Se Joga ainda não disse a que veio. O vespertino da Globo segue sendo freguês do Balanço Geral e seu A Hora da Venenosa em São Paulo, e tem desempenho pouco feliz nas demais praças também. Com isso, já começam a surgir boatos de que a atração poderia estar com os dias contados. Falaram que ele poderia ter uma “temporada encerrada” para voltar em março de 2020, reformulado, mas a emissora negou. Afinal, o programa de Fernanda Gentil, Érico Brás e Fabiana Karla tem solução?

Implantar um programa novo realmente exige paciência e olho vivo. A Globo já tem experiência em lançar novas atrações que cambaleiam, mas depois acabam encontrando um rumo no ar. Talvez a mais recente experiência na grade diária (que eu me lembre) tenha sido o Encontro com Fátima Bernardes, que estreou com baixa audiência e muitas críticas, enfrentou algumas mudanças e acabou tomando um rumo interessante.

Outro exemplo de insistência, este mais antigo, é o Mais Você. O programa de Ana Maria Braga estreou justamente na faixa do Se Joga, e não agradou. Mesmo assim, a direção da emissora insistiu no programa: dez meses depois da estreia, mudou o horário para 11h; quatro meses depois, o programa saiu do ar, retornando apenas três meses depois, reformulado e em novo horário; e, aos poucos, foi entrando nos eixos. Mais Você acaba de completar 20 anos. Ou seja, a insistência deu certo.

Porém, é preciso lembrar que programas como Mais Você ou Encontro cambalearam, mas ainda assim mantinham a Globo numa posição menos periclitante. O que não acontece com o Se Joga, que chega a figurar na terceira colocação no ranking do Ibope, sem fôlego até para enfrentar a enésima reprise de Os Thundermans, no SBT. Além disso, Mais Você e Encontro estrearam com propósitos bem definidos, e foram mudando apenas a maneira de trabalhá-los. Isso não acontece com o Se Joga, que é um programa esquizofrênico e que atira para todos os lados.

Dois meses e muitas críticas depois, Se Joga continua sem foco. É game, é fofoca, é entrevista, é humor, é conselho sentimental, é até aula de inglês! Não há um espectador que se interesse por tudo isso ao mesmo tempo. E, até aqui, nada foi feito para fazer da atração um programa mais direcionado, com identidade. Este deveria ser o primeiro passo em busca de uma solução: ver o que está funcionando e passar a mirar nisso, esquecendo deste monte de “penduricalho” que mais atravanca do que ajuda o programa. Se for pra insistir no erro, melhor encerrar o programa de vez e trazer de volta o Vídeo Show!

André Santana

sábado, 7 de dezembro de 2019

Emissoras abertas vivem má fase com seus reality shows

"Faltou 'tompêro'!"

O segundo semestre de 2019 não foi muito feliz para as emissoras abertas no segmento dos reality shows. Record, Globo, Band e SBT não conquistaram grandes índices de audiência com seus programas, que também não tiveram grande repercussão. A Fazenda, Mestre do Sabor, MasterChef e Famílias Frente a Frente são algumas das atrações que decepcionaram.

A atual temporada de A Fazenda frustrou os fãs. No ano passado, a chegada de Marcos Mion e o elenco bem escolhido deram um up na atração, que, anteriormente, quase foi cancelada definitivamente pela Record. Porém, a vitalidade vista em 2018 não se repetiu. Na reta final, A Fazenda 11 encara uma triste monotonia. Os poucos participantes que rendiam foram sendo eliminados, o que colaborou com o marasmo da casa.

Decepção semelhante aconteceu com o MasterChef – A Revanche. A ideia de se reunir ex-participantes pareceu à prova de erros, mas não funcionou na prática. O reality até resgatou bons ex-concorrentes, mas estreou num momento de extremo desgaste da fórmula. Assim, a atração da Band vem amargando baixos índices de pouquíssima repercussão.

Aliás, o segundo semestre de 2019 não foi bom no segmento dos talent shows de culinária. A Globo, tardiamente, entrou nesta seara com Mestre do Sabor, que se revelou um formato de pouco apelo. Apesar de algumas ideias interessantes, o programa de Claude Troisgros não conseguiu envolver o público com os participantes. Deste modo, não criou identificação e nem torcida. Assim, entra na reta final em brancas nuvens.

Outra novidade do segmento que não aconteceu foi o Famílias Frente a Frente, do SBT. A competição de Tiago Abravanel é divertida, mas parece sofrer com o desgaste evidente que impregna a maioria dos realities de culinária. Além disso, vem sendo exibida num péssimo horário, praticamente na madrugada de sexta para sábado. FFF não deixará boas lembranças.

É bem possível que o parco desempenho destes programas tenha a ver com o excesso de realities na programação da TV aberta. Porque o que se vê atualmente são variações dos mesmos formatos de sempre. Faltam novidades de fato neste segmento.

André Santana

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Globo extingue "Como Será?" e promete novidades para 2020

"No Globo Repórter
eu não posso sentar assim!"
A Globo pegou meio mundo de surpresa ao anunciar o fim do Como Será?. Programa das manhãs de sábado que reuniu os assuntos anteriormente tratados nas atrações que compunham a faixa Globo Cidadania, Como Será? era chamado internamente de “Fantástico do bem”, ou seja, uma revista eletrônica de boas notícias. Com boas matérias e entrevistas sobre assuntos variados, como pesquisa, educação, cultura, ciência e voluntariado, Como Será? ainda era comandado graciosamente por Sandra Annenberg.

Como Será? ficou cinco anos no ar, acumulando elogios e com audiência bastante satisfatória para o horário em que era exibido (das 7h às 9h do sábado). Mas isso não foi suficiente para segurar a atração no ar. Nesta semana, a Globo emitiu um comunicado tratando do fim do programa. Segundo a emissora, Como Será? seguirá no ar por mais alguns meses, mostrando material inédito já produzido e reapresentando melhores momentos de sua história. O canal revelou ainda que prepara novidades para o horário no ano que vem, sem revelar quais são.

Porém, segundo o site Notícias da TV, a ideia principal para o horário é fazer uma “edição de sábado” do Bom Dia Brasil. Num momento em que o canal vem ampliando consideravelmente sua programação jornalística, sobretudo na faixa matinal (de segunda a sexta, a notícia ocupa a faixa entre 4h e 9h, ou seja, cinco horas ininterruptas de informação), é até lógico que o horário seja ocupado por algo neste sentido. Além disso, a manhã de sábado já possui uma faixa local (na qual a rede exibe o Via Brasil, da GloboNews), e a ideia pode ser expandir isso, levando adiante o projeto Bom Dia Sábado, que já existe em algumas praças.

É uma boa ideia, sem dúvidas. Jornalismo ao vivo tende a se ampliar cada vez mais, e as coisas não deixam de acontecer porque é sábado. Ao fazer um jornal ao vivo nos sábados, seguido do É de Casa, também ao vivo, a Globo fortalece suas manhãs de sábado, tornando-a mais dinâmica e até flexível, já que haverá um maior espaço para coberturas ao vivo, caso seja necessário.

Porém, é uma pena o fim do Como Será?. O programa ocupava um espaço muito tradicional das manhãs de sábado, que sempre foram reservados para os programas feitos com a Fundação Roberto Marinho. Faixas tradicionalíssimas, como o Globo Ciência e o Globo Ecologia, eram programas antigos, de longa trajetória. As temáticas foram absorvidas pelo Como Será?, mas permaneceram ali. Agora, deixarão a grade em definitivo. Além disso, o Como Será? era a única oportunidade de Sandra Annenberg aparecer como ela mesma, mostrando a mesma simpatia característica dos tempos do Jornal Hoje, e que não tem espaço no Globo Repórter. Sandra merecia um novo projeto, e urgente!

André Santana

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Leo Dias assina com a RedeTV para reformular o "TV Fama"

"Ok ok!"
Depois de um barulhento desligamento do SBT, onde integrava o vespertino Fofocalizando, o jornalista de celebridades Leo Dias já tem novo trabalho na TV. O apresentador foi convidado pelo próprio Amílcare Dallevo, dono da RedeTV, para voltar ao TV Fama, programa no qual ele já atuou como repórter anos atrás. Porém, a novidade da vez é que Leo terá carta branca para fazer de tudo. Com status de diretor executivo da atração, o jornalista terá autonomia total, segundo ele mesmo.

Leo tem dado muitas entrevistas sobre a novidade, além de fazer comentários sobre o novo trabalho até em sua coluna no UOL. Ele parece animado com a possibilidade de fazer um novo TV Fama, do jeito que ele acredita. E, neste entusiasmo, já adiantou uma série de novidades. Leo revelou que não gosta do atual formato do TV Fama, muito estático, e promete torná-lo mais ágil. Além disso, ele não atuará apenas nos bastidores, mas também terá uma participação no vídeo. 

Outra ideia de Leo Dias é tornar Gracyanne Barbosa a apresentadora da atração. Amigo pessoal da “musa fitness”, ele acredita que a jovem seria um nome forte para dar um up no TV Fama. Porém, ele assegurou que Nelson Rubens continuará no programa. Só não disse o mesmo quanto à Flavia Noronha, atual âncora do programa de fofocas. Ou seja, neste momento, o destino de Flavia é incerto.

Por fim, Leo Dias também adiantou que terá liberdade para falar de quem quiser. Ou seja, o jornalista conseguiu o feito de derrubar a “lendária” lista negra da RedeTV, onde consta uma série de nomes de celebridades que não podem ser citadas em seus programas, por vários motivos. Até onde me lembro, na tal lista constava nomes como Luana Piovani, Zezé di Camargo e Luisa Mell, entre (muitos) outros. São pessoas que processaram o canal ou deixaram a emissora de maneira truculenta. Isso, ao que tudo indica, acabou. E mais uma: TV Fama vai mudar de horário. Leo Dias acha que concorrer com a novela das nove não é um bom negócio.

Em suma, parece que o TV Fama finalmente terá um merecido chacoalhão. Com o mesmo formato desde sempre, e abusando de um celeiro de “subcelebridades”, o programa estava mais do que cansativo. Além disso, foi um erro da gestão passada da RedeTV de inverter os horários da atração e do RedeTV News. Se Leo Dias realmente conseguir mudar o programa de horário, ele deve voltar para às 19h30, enquanto o noticiário retornará para a faixa das 21h30, horário do qual nunca deveria ter saído. Ou seja, até aqui, as mudanças parecem positivas. Vamos ver o que acontece. 

André Santana

sábado, 30 de novembro de 2019

Realista, "Amor de Mãe" tem primeira semana impressionante

"Sua mãe tá aqui!"

Amor de Mãe, nova novela das nove da Globo, é uma aposta ousada da emissora. Embora não deixe de lado elementos de folhetim, no sentido de respeitar as características do gênero que representa, a trama de Manuela Dias imprime uma dose de realidade pouco vista em novelas. Evitando personagens maniqueístas e apostando num entrelaçamento inteligente das tramas que conta, a autora fez sua estreia no horário nobre mostrando maturidade, sangue novo e boa mão para dramas humanos.

A palavra “drama” cabe bem aqui, já que Amor de Mãe é, acima de tudo, um dramalhão bem carregado. A primeira semana da novela foi marcada por mortes, doenças e tragédias dos mais variados tipos. A história narra a saga de três mães, separadas por classes sociais distintas, mas que se cruzam por um acaso. E é esta a principal beleza da engenharia da novela: os personagens se esbarram e se conhecem, sem grandes arroubos ou pirotecnias. E o primeiro capítulo foi bem esperto neste sentido. Conhecemos Lurdes (Regina Casé) quando ela participava de uma entrevista de emprego com Vitória (Taís Araújo). Em seguida, conhecemos a própria Vitória. E, logo depois, Lurdes salva Thelma (Adriana Esteves), que passa mal na rua, nascendo aí uma amizade.

Estas três mulheres são mães, ou estão às voltas com problemas maternos. Lurdes tem quatro filhos, e busca um quinto, que foi vendido pelo pai quando era criança. Já Thelma salvou o filho de um incêndio que vitimou o marido, o que a fez se tornar superprotetora. Agora que ela descobriu que pode morrer a qualquer momento, faz de tudo para amparar a cria, ao mesmo tempo em que esconde do filho sua condição. Por fim, Vitória viveu o drama de perder o filho aos seis meses de gestação. Agora, tenta engravidar, ao mesmo tempo em que está na fila de adoção.

A partir destas três histórias principais, Amor de Mãe vai abrindo um leque de possibilidades. Assim como em Justiça, obra anterior de Manuela Dias, as relações entre as tramas e personagens vão se estabelecendo a partir de encontros casuais, amarrando todas as histórias. Assim, foi possível encontrar personagens de núcleos distintos atuando como figurantes, em cenas de outros personagens, passando praticamente despercebidos. Fazer o espectador notar estes encontros se tornou um dos atrativos da trama nesta primeira semana.

Outra característica interessante é a atitude controversa das protagonistas. Lurdes, sem querer, matou o marido na juventude. Agora, vê este drama se repetir com seu filho Magno (Juliano Cazarré), que acredita ter matado um estuprador. Já Vitória leva o casamento falido de maneira prática, não escondendo de ninguém que seu único intuito é engravidar. Além disso, até hesita, mas não deixa de aceitar dinheiro do caixa dois de seu cliente Álvaro (Irandhir Santos). Enquanto isso, Thelma sufoca o filho, não permitindo que ele faça suas próprias escolhas.

Assim, nesta primeira semana, é possível observar que Manuela Dias veio ocupar uma importante lacuna no horário nobre da Globo. Com um texto sofisticado e absurdamente realista, com dramas palatáveis e ausência de vilões, a autora destoa dos atuais titulares da faixa. Os novelistas que integram o time de autores das 21 horas são adeptos do folhetim rasgado, com heróis idealizados e vilões marcantes. Já Manuela vai na contramão, apostando num drama mais próximo da vida real. Tanto que a autora até dispensou o tradicional núcleo cômico, preferindo imprimir humor em situações aleatórias, ao invés de acionar um grupo de personagens para isso (aliás, melhor escolha! Os autores mais têm errado que acertado em núcleos cômicos. Se for apenas pra cumprir tabela, é melhor não ter mesmo).

Se é possível compará-la com alguém, Manuela Dias remete a Manoel Carlos, no sentido de imprimir veracidade em cenas, situações e diálogos. Porém, Manuela foge da crônica carioca tão característica de Maneco, apostando numa narrativa urbana e contemporânea. A direção arrojada de José Luiz Villamarim casa perfeitamente com a proposta, dando a Amor de Mãe um tom documental que impressiona. Além do texto acima da média, Amor de Mãe conta com um elenco de primeira, que imprime ainda mais emoção às cenas. Adriana Esteves e Taís Araújo estão irretocáveis como heroínas imperfeitas. Mas o grande destaque é Regina Casé, que volta às novelas em grande estilo. Sua Lurdes é de carne e osso, bastante reconhecível.

Assim, Amor de Mãe causou a melhor das impressões em sua primeira semana. É uma trama tensa, adulta e cheia de possibilidades. Seu grande desafio será manter esta proposta ao longo de mais de 150 capítulos, sem perder o fôlego. Afinal, ao optar pela narrativa realista, Manuela Dias abre mão de recursos e clichês que costumam segurar uma obra tão longa quanto uma novela. Mas não é impossível. Torçamos para que consiga e que Amor de Mãe possa provar que novela é um gênero que pode sair do lugar-comum.

André Santana

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Globo enfraquece seu sábado ao insistir no "SóTocaTop"

"A gente grita
pra acordar você!"
Quando optou por extinguir o Estrelas, a direção da Globo sinalizou que faria nas tardes de sábado o mesmo que faz nas tardes de domingo, reservando uma faixa da programação para atrações de temporada. Ou seja, assim como o The Voice Kids, Tamanho Família, Escolinha do Professor Raimundo e PopStar se revezam nas tardes de domingo, novos programas ocupariam o espaço deixado por Angélica aos sábados.

Assim, Estrelas saiu do ar e foi substituído pela série As Matrioskas, que funcionou como uma espécie de “esquenta” à Copa do Mundo. Aí estreou o SóTocaTop, programa que resgatou os musicais na TV aberta. Previsto para durar de três a quatro meses, a atração, que inicialmente era apresentada por Luan Santana e Fernanda Souza, acabou atravessando o segundo semestre de 2018. Saiu do ar e abriu espaço para o Tá Brincando!, esperado voo solo de Otaviano Costa. Em março de 2019, a primeira temporada do game show foi encerrada e SóTocaTop retornou, agora promovendo um rodízio de apresentadores.

Desde então, não se falou mais em projetos para o horário. Ou até falou, mas nada muito concreto. Por exemplo: quando noticiou que Angélica gravava o piloto de seu novo projeto, a colunista Fabia Oliveira disse que a atração poderia ocupar a tarde de sábado a partir de abril. Mas, sabe-se, o tal projeto está estacionado. Mesmo assim, outros colunistas afirmavam que o programa poderia ser noturno. Ou seja, não há nada certo quanto a um novo programa que pudesse vir a ocupar a lacuna do musical.

O que se sabe é que o SóTocaTop não vai sair do ar tão cedo. Para janeiro, estão previstas edições de verão do musical, que serão apresentados por Mumuzinho e Ludmilla e terão um formato diferente do atual. E é aí que a coisa pega. SóTocaTop, de repente, é comercialmente interessante, mas nunca foi um estouro de audiência. Pelo contrário. O Estrelas, em seus piores dias, pontuava melhor que a atração atual.

Além disso, ninguém tem muita paciência pra ficar vendo um programa baseado em música atrás de música. Hoje, quem quer ouvir música tem um monte de opções na internet, ou aplicativos, ou o que seja. Neste contexto, o SóTocaTop não é apenas desnecessário, como é cansativo. Os artistas se repetem semana a semana, e não há como fugir disso. Por isso mesmo, o ideal seria voltar ao plano inicial, com temporadas mais curtas. Se durasse apenas três meses, SóTocaTop não aborreceria tanto. Hoje, assisti-lo é um teste de paciência. Uma pena.

André Santana

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Sem Gugu, Record terá que repensar linha de shows

É consenso entre o público que Gugu Liberato não vinha ocupando o espaço que merecia na TV. Há dois anos, o saudoso animador havia trocado o programa de variedades que levava seu nome pelo comando de reality shows. Entretanto, por mais que Power Couple Brasil e Canta Comigo não sejam exatamente o Programa do Gugu, é fato que eles ocupavam importantes espaços no horário nobre da Record. E, sem Gugu, que nos deixou na semana passada, o cenário muda.

Antes do falecimento de Gugu, as informações sobre a grade de 2020 da Record estavam desencontradas. Inicialmente, falou-se que os programas de Gugu seriam renovados e teriam novas temporadas. Mas, pouco antes da tragédia que vitimou o apresentador, vinha ganhando força a informação de que o canal buscava novos formatos para Gugu apresentar. 

Sendo assim, poderia ser esse o momento para que a Record repensasse a linha de shows. Afinal, o Power Couple Brasil teve uma temporada bem menos empolgante em 2019. Além disso, a emissora já exibe A Fazenda, e os dois realities, apesar das diferenças, exploram demais a questão do confinamento e suas dificuldades. Ou seja, por mais que sejam distintos, eles têm semelhanças que davam a sensação de “mais do mesmo”. Por isso, seria mais interessante para a Record ficar apenas com um deles.

Já o Canta Comigo é uma competição musical interessante e muito bem-feita. Mas acontece com o programa o mesmo que com o Power Couple: a repetição de formatos na grade. A Record lançou neste ano o The Four, com Xuxa Meneghel, que também aposta numa competição musical. O The Four já está com a nova temporada garantida. Assim, ele poderia ser a única competição musical da programação da emissora. Seria melhor no sentido de diminuir a sensação de repetição.

Nesta noite, 27, a Record exibe a semifinal do Canta Comigo, como uma forma de homenagear Gugu. Na quarta que vem, 04, irá ao ar a final. O apresentador deixou gravado os episódios finais da atração. Será a despedida de Gugu. Resta saber, então, como a Record montará sua grade do ano que vem, já sem este importante nome em seus quadros. 

André Santana

sábado, 23 de novembro de 2019

"A Dona do Pedaço" termina como começou: capenga

"Alguém ainda aguenta
o bolo mágico?"

O autor Walcyr Carrasco já declarou que não gosta de críticos, e que nem lê as críticas sobre suas obras. Segundo ele, a crítica esperneia, enquanto o povão vibra com suas histórias. Mas eu tenho lá minhas dúvidas se Walcyr passa incólume por uma crítica que seja às suas novelas. Tenho a impressão que ele as lê, sim, e se diverte com o “esperneio”. E, com certeza, ele escreveu a cena final de A Dona do Pedaço já se divertindo com a repercussão do desfecho de seu mais recente sucesso. Só isso explica a cena final, tosca, da vilã Josiane (Agatha Moreira) olhando para o espectador com olhar macabro, sugerindo possessão, no melhor estilo “terror trash”.

Uma das principais entre as muitas críticas que A Dona do Pedaço recebeu foi justamente a falta de um motivo concreto para o ódio que Josiane tinha da mãe, Maria da Paz (Juliana Paes). O fato de ela ter sofrido bullying na infância por ser filha da “boleira”, ou o fato de a mãe não apoiá-la como ela desejava no sonho de ser digital influencer nunca justificou Josiane ter se tornado uma golpista, ou uma assassina fria. E a crítica bateu tanto nessa tecla, que o autor resolveu se divertir com a situação. Colocou a irrelevante personagem de Rosamaria Murtinho para dar o diagnóstico de que Josiane era uma psicopata. A professora, que revelou ser pós-graduada em psicologia, nunca nem viu a cara da filha de Maria da Paz. Mas deu seu veredicto.

Depois, Amadeu (Marcos Palmeira) também deu o seu diagnóstico. Para o advogado, a filha era uma bandida por causa do sangue ruim de sua família, de matadores. Mas Maria da Paz e ele mesmo também são descendentes destas famílias, e se tornaram pessoas boas. Ou seja, algo errado não está certo. Assim, Carrasco tratou de colocar mais um motivo em cena: Josiane tinha mesmo era o capeta no corpo! Agora tudo faz sentido...

Brincadeiras à parte, o fato é que A Dona do Pedaço teve um desfecho tão capenga quanto toda a sua trajetória. O Romeu e Julieta entre matadores até que começou bem, mas logo descambou para o característico pastiche de Carrasco. Situações frágeis, personagens de personalidade mutante, furos e reviravoltas sem sentido. Isso já é uma marca da obra de Carrasco, sobretudo em suas novelas na faixa das 21 horas.  E é uma fórmula infalível, sem dúvidas, já que os bons resultados da história falam por si.

Por isso mesmo, A Dona do Pedaço teve seus méritos. Se a trama não fazia sentido, os pontos de virada faziam o público ficar ligado na novela. Trata-se de um estilo que não agrada quem gosta de uma história minimamente coerente. Mas foi a fórmula que Walcyr Carrasco criou, e que funciona. Há um público para isso. Sendo assim, o problema maior não é a falta de sutileza do autor, mas sim a sua presença cada vez mais constante. A Dona do Pedaço estreou cerca de um ano depois de O Outro Lado do Paraíso, outra novela no qual o autor abusou de tal estilo. A coisa vai ficando repetitiva, pasteurizada mesmo. Isso não é bom.

Neste festival de diálogos toscos, situações inverossímeis, incoerência e personalidades mutantes, alguns se salvaram com alguma dignidade. Juliana Paes demorou a encontrar o tom da heroína, trocando o sotaque a cada cena. Mas, na reta final, ela finalmente achou o ponto de Maria da Paz, uma personagem tão ingênua (pra não dizer outra coisa), que só o fato de ela ter conseguido fazer dignamente já a valoriza. Nathalia Dill também conseguiu imprimir ironia e humor à sua freira do mal Fabiana, dando alguma graça à vilã. Monica Iozzi (Kim) e Suely Franco (Marlene) também foram bem.

Paolla Oliveira começou bem com sua saltitante Vivi Guedes, mas a personagem foi ficando over com o tempo. Começou com pequenos pulinhos, terminou praticamente no salto com vara. Mas nada foi pior do que o núcleo de humor formado pela família do Bixiga. E o núcleo até começou bem, com um humor non sense que tinha sua graça. Mas, aos poucos, a família foi perdendo espaço e se colocando em situações cada vez mais constrangedoras. Momento triste para medalhões do naipe de Marco Nanini (Eusébio), Rosi Campos (Doroteia), Betty Faria (Cornélia) e Tonico Pereira (Chico), entre outros. A sequência da mão com vida própria de Eusébio foi uma das coisas mais toscas já vistas nos últimos tempos.

Em suma, A Dona do Pedaço cumpriu sua missão de reerguer os números do horário nobre, após o fiasco de O Sétimo Guardião. Mas também deixou claro que Walcyr Carrasco precisa de umas férias maiores na faixa. Sua verve de “reciclador de histórias” pode até dar audiência, mas acrescenta nada ao gênero. Pelo contrário.

André Santana