quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Record quer globais, diz colunista. Mas o que eles fariam lá?

"Será que tem vaga
no 'Hoje Em Dia'"?
Recentemente, o colunista Ricardo Feltrin, do UOL, noticiou que a direção da Record está de olho em alguns artistas que estariam insatisfeitos na Globo. Com a nova política do canal, que vem reduzindo salários e dispensando figuras pouco produtivas de seu elenco, seria um momento propício para a concorrência acenar com um polpudo contracheque. Porém, cabe a questão: o que estes artistas fariam na emissora de Edir Macedo, que mal dá conta de seus próprios contratados?

Segundo Fetrin, dois nomes que despertaram o interesse da Record são figuras do É de Casa: Patrícia Poeta e Zeca Camargo. E aos dois, o destino seria o mesmo, a apresentação do Domingo Espetacular. O dominical, que nasceu à imagem e semelhança do Fantástico, da Globo, repetiria então uma dupla que funcionou muito bem ali na sua "fonte de inspiração". O colunista apurou que a direção da Record chegou a sondar Poeta, mas desistiu quando descobriu que o contrato da apresentadora vai até 2021.

Mas o caso de Zeca Camargo ainda pode render desdobramentos. Seu contrato com a Globo vence no ano que vem, e rumores dão conta de que o apresentador não estaria satisfeito com a renegociação salarial, e nem com o espaço que ocupa atualmente na programação. Ou seja, não seria de todo impossível que Zeca partisse para novas experiências em 2020. 

Porém, o nome mais surpreendente (ou não) da lista enfileirada por Feltrin seria o de Angélica. O colunista afirmou que o atual acordo da loira com a Globo também deve vencer em 2020. E, com a indefinição de seu novo programa, a concorrência poderia aproveitar para tentar levá-la e oferecer um espaço almejado. Como se sabe, o piloto da nova atração da loira está estacionado, em razão da indefinição quanto ao futuro político de seu marido, Luciano Huck. Mas a própria Angélica já declarou que ela não se vê na TV caso a carreira política de Huck realmente emplaque. Ou seja, se mudasse de emissora, sua permanência no ar seria curta. 

É natural que emissoras fiquem de olho em valores sem espaço na concorrência. Mas a Record parece que não tem espaço nem mesmo para seus medalhões. Nomes como Gugu, Xuxa e Marcos Mion se tornaram mestres de cerimônias, dando as caras na programação por curtos períodos do ano. Até esses dias, Sabrina Sato também estava na geladeira, de onde só saiu porque abriu uma vaga aos domingos. Sendo assim, por que motivo a Record contrataria Angélica, por exemplo? Para lhe entregar mais um formato de gosto duvidoso? E, no caso de Zeca Camargo, valeria a pena se arriscar para assumir um genérico do Fantástico, sendo que ele já esteve à frente do original?

Sem dúvidas, a Globo tem mais artistas que espaço. E é evidente outras emissoras podem oferecer este espaço a eles. Mas é preciso planejamento. Se a Record tem interesse em novas contratações, é preciso, antes de mais nada, que haja um plano concreto para tal. Senão, não faz sentido. 

André Santana

sábado, 16 de novembro de 2019

RedeTV faz 20 anos com pouco a comemorar

"Garantindo minha fatia
do bolo publicitário"

Os últimos dias não foram tão bons na RedeTV. Na semana em que o canal de Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho comemora 20 anos da estreia de sua grade de programação, o noticiário televisivo foi tomado por notícias dando conta das demissões e cortes na emissora. Talvez a mais simbólica das dispensas tenha sido a da jornalista Claudia Barthel, apresentadora que estava no ar ainda na extinta Manchete, esteve na fase de transição entre as emissoras e foi a comandante do RTV, segundo jornal da história da emissora, exibido na hora do almoço. Nestes 20 anos, Claudia passou por vários programas jornalísticos da RedeTV e era prata da casa.

Infelizmente, crises fazem parte da história da RedeTV. A emissora começou já enfrentando o fantasma das dívidas da Manchete, em um imbróglio que se arrastou por anos a fio. Ao mesmo tempo, a expectativa de contar com uma grade regular esbarrou na falta de recursos, obrigando a emissora a dispensar boa parte de sua programação a concessionários. Em seus primeiros anos, a RedeTV não tinha uma grade matinal, toda tomada por religiosos e televendas. Hoje, os espaços alugados estão em blocos distintos da programação, como o início da manhã, a faixa entre 13h e 15h, o espaço entre 17h e 18h, e até o horário nobre, das 20h30 às 21h30.

A emissora chegou a respirar e ensaiar uma recuperação, quando enxugou custos e alugou o horário nobre. Mas a crise atual, que afeta não apenas a RedeTV, mas todas as emissoras, obrigou o canal a tomar novas medidas. Além de dispensas, como a de Claudia Barthel, a RedeTV também cortou horas extras, o que vai afetar sua programação noturna. Programas como Superpop e Leitura Dinâmica deixam de ser ao vivo.

O mais curioso deste triste cenário é que a RedeTV parece uma emissora de contrastes. Ao mesmo tempo em que dispensa funcionários e enxuga custos, o canal ostenta um dos maiores e mais tecnológicos complexos de estúdios da TV brasileira. A emissora sempre se orgulhou estar na vanguarda da modernidade, tornando-se pioneira no Brasil na transmissão em alta definição e 3D. Tanta tecnologia nunca se justificou na prática, afinal, assistir programas estáticos, como A Tarde É Sua, Tricotando e TV Fama em 3D não parece lá muito atrativo.

Enquanto isso, Marcelo de Carvalho, vice-presidente e apresentador da RedeTV, tomou para si a missão de brigar para tentar reverter o que, segundo ele, é uma distorção. O empresário reclama, nas redes sociais e em entrevistas, que a distribuição de publicidade entre os canais abertos é injusta, já que “a Globo tem 30% de audiência e 80% do bolo publicitário”. Uma colocação que poderia até fazer sentido, se Marcelo também tivesse a boa vontade de fazer uma autoavaliação. Afinal, o que a emissora dele está fazendo para conquistar o respeito do mercado publicitário?

Não é preciso ser um especialista em mercado para entender que os anunciantes, de maneira geral, não gostam de vincular suas marcas a conteúdo de gosto duvidoso. E, infelizmente, a RedeTV ainda é especialista neste filão. Com uma programação tomada por segredos fakes, debates infundados e o chafurdamento da vida de celebridades e subcelebridades, a RedeTV confunde o popular com o popularesco. Ao mesmo tempo, as opiniões polêmicas do dono respingam em seu departamento de jornalismo, único segmento do canal que poderia agregar algum prestígio à emissora.

A RedeTV nasceu com o slogan “uma opção de qualidade na sua TV” e a bela intenção de ser um canal sofisticado, com uma grade variada e tomada por bons filmes, boas séries e programas de cunho informativo e cultural. Mas não conseguiu se fazer relevante com esta proposta, descambando para o popular poucas semanas depois de sua estreia. E tudo bem. A emissora não precisa ser uma nova BBC, mas também não precisava descer tão baixo. Afinal, programação popular não precisa ser, necessariamente, de mau gosto.

Ou seja, neste aniversário de 20 anos, a RedeTV precisa avaliar se vale a pena continuar gritando para ser vista, ou se a resposta junto ao mercado publicitário seja justamente a mudança de direção, no sentido de fazer um canal minimamente mais atrativo. Não vai acontecer, afinal, o canal tem 20 anos e, até hoje, não fez esta autocrítica. Mas é o único caminho possível. Gritar e espernear não vai adiantar.

André Santana

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

"As Aventuras de Poliana" perde fôlego, mas SBT insiste na trama

"Oi, eu sou a filha da Poliana!"

Não faz muito tempo que repercutimos por aqui a decisão do SBT de apostar numa “segunda temporada” de As Aventuras de Poliana. A novela de Iris Abravanel, baseada na obra de Eleanor H. Porter, inicialmente seria encerrada em meados de 2020, completando dois anos no ar. Mas a direção da emissora optou por prolongá-la, e a novela ganhará novos personagens e tramas para uma segunda temporada, na tentativa de levar a história até 2021. Estão previstas mudanças de rumo e de elenco para manter a novela de pé.

A decisão é essencialmente financeira: é mais barato para o canal manter uma novela no ar do que estrear uma nova produção. Porém, uma matéria do Notícias da TV, publicada esta semana, mostra que a emissora se arrisca ao apostar neste prolongamento desenfreado. O texto, publicado no dia 13 de novembro, mostra que As Aventuras de Poliana deixou de ser o programa mais visto do SBT.

Segundo a matéria, os programas Roda a Roda e Cúmplices de um Resgate estão se alternando na liderança do ranking de audiência dos programas do SBT. Enquanto isso, As Aventuras de Poliana, que chegou a ser um fenômeno na casa dos 17 pontos no Ibope, atualmente mal chega aos dois dígitos de audiência. É uma queda significativa, que mostra que a emissora assume um alto risco ao insistir na produção.

Infelizmente, o SBT parece incapaz de perceber sinais claros. Quando uma novela com a força de As Aventuras de Poliana perde espaço para um game show surrado e uma reprise de novela, é preciso fazer uma autoanálise. Está claro que a novela infantil, formato que foi a menina dos olhos da emissora nos últimos sete anos, precisa ser reavaliado.

A verdade é que uma novela longa pode ser boa economicamente falando, mas para o público a coisa não é bem assim. Ainda mais numa novela infantil, que atinge um público em crescimento. Se a trama for longa demais, a tendência é que o público cresça e, naturalmente, perca o interesse pela mesma. Assim, esta decisão do SBT pode pesar contra o próprio formato. E as consequências podem ser graves.

André Santana

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"O Selvagem da Ópera" é mais uma supersérie da Globo que vira novela das seis

"Gente, não me deixam
fazer meu 'Selvagem' em paz!"

De acordo com os critérios adotados pela Direção de Teledramaturgia da Globo, há uma curta distância que separa as narrativas de uma novela das seis e uma supersérie (ou novela das onze, para os íntimos). Afinal, só isso explica a quantidade de tramas concebidas para um horário que acaba indo parar no outro, e vice-versa. O mais recente caso é O Selvagem da Ópera, de Maria Adelaide Amaral, que seria uma supersérie exibida em 2020, mas foi convertida numa novela das seis recentemente.

A notícia não é nova, mas não tive tempo para comentar aqui anteriormente. Mas é isso: a trama sobre a vida do compositor Carlos Gomes está sendo reestruturada para se tornar uma novela das seis. A troca se deveu a uma mudança de estratégia da Globo, que resolveu não mais apostar em “superséries”, e sim em novelas de curta duração para o GloboPlay. Verdades Secretas 2, de Walcyr Carrasco, é que abrirá o novo formato, com previsão de estreia no streaming da Globo no ano que vem.

Curiosamente, a história de Maria Adelaide Amaral não foi a primeira a passar por esta transformação. Anos atrás, quando a supersérie ainda se chamava novela das onze e era um espaço para remakes, a autora Lícia Manzo propôs a primeira história original para o horário. Tratava-se de Sete Vidas. Porém, logo após as primeiras notícias da nova produção, Sete Vidas acabou anunciada como novela das seis. Com isso, Verdades Secretas foi o primeiro texto original no horário.

Mais tarde, as autoras Alessandra Poggi e Ângela Chaves conceberam uma novela das seis que teria a Ditadura Militar como pano de fundo. Tratava-se de Os Dias Eram Assim. Mas a Direção de Teledramaturgia avaliou que a história poderia render uma novela das onze, e a produção mudou de horário. Deste modo, Os Dias Eram Assim se tornou a primeira novela das onze a ganhar a alcunha de “supersérie”.

Recentemente, outro caso semelhante aconteceu. Após o veto de O Homem Errado, que marcaria a estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário das nove, as novelistas passaram a se dedicar a uma nova novela das seis, que trataria do drama dos refugiados de guerra no Brasil. Com a sinopse em mãos, a direção achou que a história renderia uma supersérie. Então mudou de horário. Porém, com a entrega dos primeiros capítulos, a direção voltou atrás e achou que a nova história deveria ser mesmo uma novela das seis, como originalmente concebida. Nasceu assim Órfãos da Terra.

Houve também o caso de uma novela das onze que virou minissérie, e que acabou engavetada. Trata-se de Jogo da Memória, de Lícia Manzo. Uma trama que parecia ousada, já que trataria de incesto e seria passada em três épocas distintas ao mesmo tempo. A história nasceu para ser novela das onze, mas após a entrega dos primeiros capítulos, a Globo achou que a trama não renderia 88 capítulos, que era a previsão inicial. Assim, pediu para que a trama fosse convertida em uma minissérie de dez capítulos. Depois disso, a história sumiu da linha de produção sem deixar rastros. Segundo consta, Lícia concluiu a história e a entregou, mas ninguém sabe se será produzida algum dia. Enquanto isso, a novelista prepara sua primeira novela das nove, prevista para substituir Amor de Mãe. Quer dizer, isso se não resolverem transformar Em Seu Lugar (título provisório) em novela das seis, das onze, minissérie, série do Gloob...

André Santana

sábado, 9 de novembro de 2019

Clã Abravanel é esforçado, mas não está pronto para substituir Silvio Santos

"Chama o leiloeiro!"

Desde que a família Abravanel começou a se aventurar em frente às câmeras, seguindo os passos do apresentador Silvio Santos, o espectador foi levado a buscar, entre os herdeiros do “patrão”, qual deles seria o seu sucessor natural no vídeo. As filhas Patrícia Abravanel, Silvia Abravanel e Rebeca Abravanel, além do neto Tiago Abravanel, estão à frente de programas do SBT e dispostos a dar seguimento ao legado do pai (ou do avô). Enquanto isso, o próprio Silvio Santos insiste em fazer de suas filhas suas sucessoras, numa tentativa de fazer do SBT uma empresa familiar. Mas a coisa ainda parece longe de acontecer.

O maior exemplo da esperança depositada por Silvio Santos aos seus herdeiros é o final do Teleton. A campanha televisiva em prol da AACD sempre teve como principal atração o seu encerramento, quando o próprio Silvio dividia o palco com Hebe Camargo. O encontro dos dois veteranos era sempre regado a improviso, situações inusitadas, trocas de farpas e elogios mútuos, tentativas de “selinho”... enfim. Eram anos de experiência reunidos num único palco, para deleite dos espectadores aficionados pela TV. Era a história viva da TV fazendo mais história na TV.

Porém, desde a morte de Hebe Camargo, o Teleton passou a ser encerrado por Silvio Santos ao lado de sua família. Patrícia Abravanel, Rebeca Abravanel, Silvia Abravanel e Tiago Abravanel já dividiram o palco com o avô no desfecho em alguns momentos. Assim, o Teleton perdeu uma de suas graças. A família Abravanel no palco não rendia tão bons momentos como nos tempos de Hebe Camargo.

Há duas semanas, a coisa ficou pior. Silvio Santos, acometido por uma gripe, não pode comparecer ao encerramento do Teleton. Assim, as filhas Patrícia, Silvia e Rebeca tiveram que encerrar a campanha sozinhas. Aí, ficou bastante exposto que nenhuma delas ainda está pronta para serem consideradas sucessoras do pai. Completamente perdidas em cena, elas fizeram do encerramento do Teleton uma verdadeira bagunça. Tanto que Mauro Zukerman, leiloeiro que apresentou programas no SBT nos anos 1980 e 1990, surgiu em cena para tentar ajudá-las.

Nada contra nenhuma das filhas de Silvio Santos. À frente do Roda a Roda, Rebeca Abravanel mostra graça e espontaneidade. Já Patrícia, ainda lhe falta repertório, mas ela funciona bem como “mestre de cerimônias”. É correta. Quanto à Silvia, sua porção apresentadora vista no Bom Dia e Cia nunca foi lá muito adequada, mas não chega a ser uma atuação comprometedora. Porém, é isso. Claro que a experiência pode fazê-las evoluir, mas dificilmente uma delas vai repetir o magnetismo do pai.

Enquanto isso, Tiago Abravanel parece o mais preparado do clã. Os anos de teatro lhe deram desenvoltura e repertório, e ele caminha para se tornar um bom apresentador. Mas, até aqui, pouco foi visto dele como apresentador de fato. Seja como coadjuvante no PopStar, na Globo, ou seja agora à frente do Famílias Frente a Frente, no próprio SBT, seu espaço como comunicador ainda é limitado. É preciso esperar para vê-lo em voos mais ousados para uma conclusão mais efetiva. Mas ele é talentoso, isso é fato.

Mas todas estas experiências parecem deixar claro que Silvio Santos erra ao apostar suas fichas em seus parentes. No passado, ele via Gugu Liberato como seu sucessor nos domingos do SBT. Depois, Celso Portiolli foi apontado como sucessor. E a verdade é que o SBT possui em seu cast bons animadores. Além de Celso, a emissora tem em Ratinho e Eliana dois nomes que possuem uma desenvoltura acima da média como condutores de programas de auditório.

Em suma: sempre pareceu natural que o Teleton, na ausência de Hebe Camargo, deveria ser encerrado por Silvio ao lado de Celso e Eliana, seus companheiros nos domingos do SBT. Mais do que isso: o sucessor artístico de Silvio Santos não devia ser um parente seu, e sim algum artista que foi criado dentro dos domínios da Anhanguera. Claro, quando se fala em sucessor, não se fala em alguém que reúna as mesmas características, já que Silvio, neste contexto, não tem e nem terá sucessores. O que se fala é de algum artista que seja capaz de manter, com o mínimo de dignidade, a tradição dos auditórios dominicais do SBT, criada pelo próprio Silvio Santos.

Silvio é insubstituível. Porém, em sua ausência, o show não pode parar. E, como foi visto no Teleton, não serão as filhas dele que farão o show continuar.

André Santana

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

História da TV: Relembre a história do "Namoro na TV e Etc", programa que nasceu do improviso

"Você canta, dança ou etc?"
Tem coisas que são mesmo a cara do SBT. O nascimento, apogeu e queda do Namoro na TV e Etc, programa de nome infame comandado por Celso Portiolli, aconteceu de maneira tão improvisada (praticamente por acaso), que acabou por se tornar um momento curioso da história da TV. Entre o final de 2006 e início de 2007, o apresentador deixou de ser mero apresentador de intervalo na Sessão Premiada para comandar um programa que chegou de surpresa à grade do SBT.

Tudo começou quando, do nada, Silvio Santos decidiu dar férias à Adriane Galisteu, que, na época, comandava o Charme nas tardes do SBT. E optou por entregar o vespertino nas mãos de Celso Portiolli, até então ocupado apenas com a Sessão Premiada, exibida nas tardes de sábado e manhãs de domingo. Com a chegada de Celso, o programa mudou. Adriane comandava uma revista eletrônica, com entrevistas, debates e reportagens (um dos trocentos formatos que o Charme teve). Com Celso, o programa priorizou games e o “quadro do namoro”. Era um quadro sem nome, chamado simplesmente de “quadro do namoro”, no qual Portiolli recebia jovens para flertar. Na atração, uma pessoa ficava de um lado de um biombo, enquanto outras três do outro lado. Celso fazia perguntas e propunha jogos, até que o solitário escolhia com quem ficar, sem ver. Em suma, uma versão simplificada do Xaveco, programa que Celso apresentou no final da década de 1990 e que, hoje, é um quadro do Domingo Legal.

Não se falou muito sobre isso na época, mas a impressão que passou foi que o SBT tentava ir no rastro da Record que, na mesma época, apostava no Jogo do Namoro, quadro do Programa da Tarde que era apresentado por Maria Cândida e tinha formato semelhante. Os dois programas eram exibidos mais ou menos no mesmo horário.

Pois muito que bem. Nos primeiros meses de 2007, Adriane Galisteu voltou das férias. Mas não retomou seu espaço nas tardes do SBT. Em vez disso, a apresentadora retomou seu Charme numa versão semanal, exibido nas noites de segunda-feira. Enquanto isso, Celso Portiolli seguiu nas tardes de segunda a sexta, e o Charme vespertino mudou de nome. Num dia, era Namoro na TV. No outro, era Namoro e Etc. Por fim, o programa chegou ao nome definitivo, Namoro na TV e Etc. Isso porque o quadro do namoro seguia como o carro-chefe da atração, mas o programa tinha outros quadros (por isso o “Etc”… coisas de Silvio Santos).

O mais louco disso tudo é que o Charme nas noites de segunda e o Namoro na TV e Etc nas tardes compartilhavam do mesmíssimo cenário. Só mudava o conteúdo. Charme era essencialmente um programa com musicais e entrevistas, enquanto o Namoro na TV e Etc apostava em games. Porém, essa situação ridícula durou pouco tempo. Logo o SBT optou por reformular o Charme, que, com novo cenário e formato, passou a ser um talk show diário nas madrugadas (foi sua melhor fase, diga-se, mas poucos se lembram disso).

Enquanto isso, Namoro na TV e Etc ficou mais um tempinho na grade diária. Foi uma fase em que Celso trabalhou muito, já que ele apresentava o Namoro de segunda a sexta, ao vivo, e a Sessão Premiada aos sábados e domingos, também ao vivo. Com isso, o apresentador era visto todos os dias da semana, sempre ao vivo, na tela do SBT. Situação um tanto louca para quem tinha acabado de enfrentar uma fria geladeira na emissora.

Essa situação ficou assim até o SBT apostar no pacote de novidades que ficou conhecido como “arrancada da vitória”, entre março e abril de 2007. Uma das novidades era uma linha de shows na faixa das 20 horas, e um dos programas recrutados para a empreitada era uma nova versão do Curtindo Uma Viagem. Rebatizado como Curtindo com Reais, o game passou a ser exibido nas noites de sexta. Assim, Namoro na TV e Etc deixou a grade diária e se tornou semanal, ocupando toda a tarde de sábado. Nesta fase, o programa mesclava vários quadros diferentes de namoro com games variados. Um deles era o Jogo das Três Pistas, atualmente apresentado por Silvio Santos em seu dominical. Uma personalidade que sempre era convidada para o jogo era nada menos que Dani Calabresa, que na época assinava Daniela Giusti. A comediante integrava o elenco do humorístico Sem Controle, onde interpretava a enfermeira Penicinilda. E ela costumava bater ponto no Namoro na TV interpretando a personagem. Pérolas da TV…

Alguns meses depois, Namoro na TV e Etc chegou ao fim e foi substituído pelo Curtindo com Crianças, uma espécie de Gente Inocente onde Celso Portiolli promovia jogos singelos com pequenos. A atração ficou no ar até o fim de 2007, chegando ao fim quando Silvio Santos resolveu exibir as lutas coreografadas do WWE – Luta Livre na TV nas tardes de sábado. Loucura, loucura, loucura…

Relembre vinheta e um trechinho do Namoro na TV e Etc:



André Santana

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Celso Zucatelli retorna ao jornalismo da Record

"E vou trazer o Paçoca e a Tapioca!"
A Record anunciou a contratação de Celso Zucatelli. O jornalista, que foi repórter do canal nos anos 1990, e passou pelo jornalismo e entretenimento da emissora nos anos 2000, retorna à rede depois de quatro anos afastado, e tendo passado pela RedeTV e Gazeta. Caberá a ele o comando do Balanço Geral Manhã, versão matinal (dããã) do jornal popular, que é exibido das 5h às 7h30. Atualmente, Bruno Peruka acumula o BG e o SP no Ar, desde a saída de André Azeredo. Quando Celso assumir, Peruka ficará apenas com o SP no Ar.

A chegada de Celso Zucatelli vem como mais uma tentativa da Record de ajustar os seus jornais matinais. Num passado não muito remoto, a emissora nadava de braçadas no horário. Porém, desde o avanço do Hora 1, na Globo, e do Primeiro Impacto, no SBT, a emissora começou a perder fôlego nesta faixa. Começou, então, um troca-troca de apresentadores, no intuito de elevar os índices. Bruno Peruka, repórter de destaque do Cidade Alerta, foi a primeira tentativa, mas não decolou. Depois veio André Azeredo, direto do Bom Dia SP da Globo, mas também não foi bem-sucedido. Celso, então, chega para tentar reverter a situação.

Celso Zucatelli é excelente profissional. Como jornalista, teve passagens importantes também pela Band e pela Cultura, onde atuou como repórter e apresentador. Antes de apresentar o Hoje Em Dia na Record, o jornalista foi repórter e correspondente internacional. Ou seja, tem estrada e repertório. Além disso, os anos no entretenimento fizeram com que Celso transitasse bem entre os dois segmentos, algo útil para o Balanço Geral Manhã. Afinal, é um jornal popular e longo, e este traquejo faz diferença.

Pesa contra Celso o ritmo acelerado que ele adotou nos últimos anos. À frente do Hoje Em Dia e do Melhor pra Você, na RedeTV, o apresentador foi aumentando a afobação em cena. O auge foi no lançamento de seu programa próprio, o Fala Zuca, que tinha apenas meia hora e muito merchandising. Para tentar fazer alguma coisa em tão pouco tempo, Zucatelli encarnou o Enéas e abusou da velocidade. Obviamente, não funcionou. Porém, ele tem um estilo interessante e pode acrescentar ao jornal matinal da Record. A conferir.

Falando nisso, esse troca-troca de apresentadores mostra que a Record não preparou bons âncoras para seus inúmeros jornais de pegada popular. É Balanço Geral Manhã e Local, é Praça no Ar, é Cidade Alerta… todos produtos enormes e muito dependentes de seus âncoras. E a falta de um profissional capaz de segurar tantas horas sem perder fôlego se faz presente. Basta ver o efeito dominó causado pela saída de Reinaldo Gottino, que obrigou a emissora a tirar Geraldo Luís das tardes de domingo. Agora, a emissora resgata Celso Zucatelli. Ou seja, há jornal demais e apresentador de menos.

André Santana

sábado, 2 de novembro de 2019

Mais maduro, "PopStar" é um bom divertimento para as tardes de domingo

"Levo vida de empreguete"

O desacreditado PopStar, da Globo, chegou à terceira temporada. A atração, que nasceu depois do parco desempenho de seu antecessor, Superstar, leva o selo “Formato Original Globo”, assim como o finado Tomara que Caia e o atual Mestre do Sabor. Ou seja, um programa criado pela própria emissora. Três anos e duas apresentadoras depois, o show de talentos com famosos conseguiu arredondar sua fórmula e, hoje, é um produto vitorioso. É o melhor dos formatos “criados” pela emissora.

PopStar chega fortalecido ao seu terceiro ano porque amadureceu com a experiência. A chegada de Taís Araújo, somada ao azeitamento da fórmula, fez o programa se firmar como um entretenimento familiar de qualidade, ideal para as tardes de domingo. Neste contexto, Taís se tornou peça fundamental, já que conseguiu fugir do roteiro e imprimir descontração à apresentação. Coisa que a primeira apresentadora, Fernanda Lima, não conseguia. Fernanda é ótima, sem dúvidas, mas não se enquadrou no formato.

Já Taís Araújo só melhorou com o tempo. Depois da estreia verde, a atriz resolveu brincar com os erros, seus e do programa (que foram muitos na temporada anterior). E o resultado disso foi fazer do PopStar um programa mais “relaxado”, que combina bem com a proposta. Afinal, trata-se de uma competição de talento entre famosos. Ou seja, no fundo, é uma grande brincadeira. Entendido isso, PopStar deslanchou.

A terceira temporada do PopStar conta com as participações de Babi Xavier, Claudia Ohana, Danilo Vieira, Eriberto Leão, Helga Nemetik, George Sauma, Jakson Follmann, Leticia Sabatella, Marcelo Serrado, Nany People, Robson Nunes, Totia Meireles e Yara Charry. Ou seja, assim como nos anos anteriores, a produção mescla artistas com alguma experiência na música (como Babi, Ohana e Leão) com algumas surpresas, como Follmann.

Outra novidade da temporada 2019 é a presença de João Côrtes, que substitui Tiago Abravanel nos bastidores. O jovem, que se destacou como participante no ano passado, não decepciona. E as performances da estreia do último domingo, 27, mostram que a competição será acirrada. Começou bem.

André Santana

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Boletins do "Jornal da Record" não disseram a que vieram

Aposta da nova direção de jornalismo da Record, os boletins do Jornal da Record injetaram ainda mais informação à grade do canal. Com quatro edições espalhadas pela programação, com o nome JR 24h, os noticiosos se caracterizam por muitas entradas ao vivo e comentaristas analisando as notícias. Porém, apesar da boa intenção, os boletins mais atravancam do que ajudam a grade do canal. Apenas a edição da madrugada se destaca, e merecia mais atenção.

No JR 24h, Janine Borba comanda as duas primeiras edições, depois do Hoje Em Dia e depois das novelas da tarde. Pela manhã, o boletim já sucede um programa de conteúdo jornalístico e antecede um jornal popular. Enquanto isso, o terceiro boletim é exibido dentro do Cidade Alerta. Não faz muito sentido exibir um “minijornal” dentro de um programa noticioso com mais de três horas de duração.

Por isso, o único dos boletins do JR 24h que faz diferença na programação é o último (ou melhor, o primeiro, já que é exibido depois da meia-noite). Apresentado por Sergio Aguiar, o programa faz uma boa análise dos assuntos do dia, de maneira ágil e eficiente. É um boletim tão interessante que poderia até ter um espaço maior na grade. Com mais de 15 minutos de duração, o JR 24h poderia ser um jornal de fim de noite mais completo.

A direção da Record acertou ao escalar Janine Borba e Sergio Aguiar para o comando dos novos noticiosos. São âncoras conhecidos, de credibilidade, e que cumprem bem o papel de apresentar as notícias. Sendo assim, o canal poderia até considerar reunir a dupla numa segunda edição do Jornal da Record, no final da noite.

Isso porque, durante o dia, a grade da Record já tem muitos telejornais. É a emissora aberta brasileira que mais se dedica à notícia. Sendo assim, os boletins espalhados pela programação acabam gerando a sensação de excesso de informação. Se em vez de apostar em boletins, a emissora concentrasse seus esforços unicamente num jornal de fim de noite, o resultado poderia ser melhor.

André Santana

sábado, 26 de outubro de 2019

"Segunda Chamada" reafirma amadurecimento das séries da Globo

"Professora Helena que era feliz..."

O TELE-VISÃO acompanha e sempre comenta acerca da evolução das séries produzidas pela Globo. A dramaturgia semanal do canal passa por transformações constantes, desde que a emissora abriu o leque e passou a investir em gêneros diversos da comédia. As parcerias com produtoras independentes e a abertura de espaços experimentais, como horários alternativos e, recentemente, o GloboPlay, fez a emissora sair do lugar-comum e elevar o nível de excelência de suas produções. Um de seus principais problemas nesta seara, o “vício de novela”, foi superado.

Neste contexto, a emissora até diminuiu o espaço de séries nacionais em sua linha de shows, Em contrapartida, passou a concentrar esforços em produções de alto nível, de temática contundente e produção acima da média. Com isso, surgiram verdadeiras pérolas, como Sob Pressão, o grande acerto do canal em série dramática dos últimos anos. Apostando num típico drama hospitalar, mas abordando as agruras da saúde pública brasileira, Sob Pressão não é apenas uma série cheia de emoções, como é, também, uma denúncia social e política da mais absoluta relevância. E deu tão certo que rendeu frutos. Segunda Chamada, novidade da vez, bebe da mesma fonte e alcança o mesmo nível de excelência.

Em Segunda Chamada, saem o hospital, os médicos, os enfermeiros e os pacientes, e entram a escola pública, os professores, funcionários e alunos. Apesar do novo cenário e dos novos personagens, os dramas vistos em Segunda Chamada e Sob Pressão são semelhantes. Assim como o hospital público onde trabalha Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) tem inúmeros problemas, a escola pública onde a professora Lúcia (Débora Bloch) leciona também enfrenta grandes desafios, como a falta de recursos.

Lecionando no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), Lucia tem verdadeiro amor pela profissão e se envolve com seus alunos, todos donos de dramas bastante intensos. Na Escola Maria Carolina de Jesus, convivem idosos tentando aprender, trabalhadores cansados buscando uma vida melhor, uma mãe jovem e desesperada e uma mulher trans tendo que lutar pelo direito de usar o banheiro feminino, entre tantas outras vidas cheias de dificuldade, mas com esperanças de um futuro melhor.

Neste ambiente, Lucia dribla, como pode, a falta de recursos. Mas também precisa lidar com seus próprios problemas, como a dor pela perda de um filho, o marido que vive em estado vegetativo e o romance secreto com o diretor. Há também a professora Sonia (Hermila Guedes), que vive um casamento abusivo, e o jovem professor Marcos André (Silvio Guindane), um idealista apaixonado pelas artes que esbarra nas inúmeras dificuldades em lecionar numa turma de adultos. Enquanto isso, a compreensiva e divertida professora Eliete (Thalita Carauta) dá alguma leveza aos dramas, embora ela também tenha os seus.

Mais do que entretenimento, Segunda Chamada agrega conteúdo qualificado à programação da Globo. Ao fazer um drama intenso, bastante calcado na realidade e mostrando as deficiências dos serviços públicos brasileiros, sobretudo na seara da educação, Segunda Chamada lembra o público desacreditado que a educação é um dos mais importantes pilares de uma sociedade saudável. Neste tempo doente em que vivemos, nada mais oportuno.

André Santana

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Angélica ressurge em "A Dona do Pedaço" e faz sucesso

Meio Ana Paula Padrão,
meio Nadja Haddad...
Há mais de um ano na geladeira da Globo, Angélica ressurgiu nos últimos dias em A Dona do Pedaço. Na novela de Walcyr Carrasco, a loira vive ela mesma, no comando de um reality show fictício. O programa Best Cake será o trampolim para que Maria da Paz (Juliana Paes), a protagonista do enredo, retome seu sucesso como confeiteira e empresária. Por conta disso, Best Cake vem tomando conta dos capítulos, tornando-se praticamente um programa dentro do programa. Assim, Angélica tem tido um bom espaço.

Mesmo sendo um reality show fictício, a apresentadora vem mostrando que está em plena forma. Tanto que sua performance vem sendo elogiada pela audiência nas redes sociais. A boa repercussão mostra que a apresentadora ainda é uma figura querida pelos espectadores. Além de apresentadora competente, Angélica reforça que tem apelo. Sendo assim, um novo programa para chamar de seu segue sendo bastante aguardado.

Desde que o Estrelas chegou ao fim, Angélica vem sendo alvo de muitos comentários. Já se falou que ela comandaria um game show, que ficaria na geladeira e até que deixaria a Globo. Em meio aos boatos, a própria apresentadora declarou que vem trabalhando num projeto autoral, e que tem a promessa de que seu novo programa seja lançado em 2020. Porém, como tudo isso ainda não está definido, sempre fica a dúvida sobre seu retorno. Além disso, o futuro político de seu marido, Luciano Huck, também ameaça sua carreira na TV. Hoje, 25, Ricardo Feltrin noticiou, em sua coluna no UOL, que a vontade de Huck de ingressar na política já atravancou o desenvolvimento de sua atração, cujo piloto está estacionado.

No entanto, ao escalar Angélica para esta importante participação em A Dona do Pedaço, a direção da Globo demonstra que ainda aposta na loira. A visibilidade da aparição da apresentadora no programa de maior audiência do canal é um indicativo de que o canal não quer que seu público se esqueça de Angélica. É uma maneira de mantê-la no ar, mesmo que esporadicamente, enquanto não se define seu próximo projeto efetivamente.

Assim, é bem possível que a boa repercussão da presença de Angélica em A Dona do Pedaço conte pontos para seu futuro na Globo. Pode ser a prova que faltava para que a direção da emissora se convença de que a apresentadora ainda tem apelo para comandar um programa próprio. Ou, no mínimo, conquistar uma personagem numa novela, já que transformá-la em atriz sempre esteve nos planos do canal. Resta saber se a TV não vai perder Angélica para o posto de primeira-dama...

André Santana

terça-feira, 22 de outubro de 2019

TELE-VISÃO completa 14 anos

Em 22 de outubro de 2005, a internet era bem diferente. A rede social mais popular era o Orkut, e era preciso receber um convite para ter um perfil ali. A comunicação instantânea se dava pelo MSN Messenger, e o e-mail ainda era bastante utilizado pelos internautas. Ah, e era preciso um computador! Internet pelo celular era algo bem distante do que é atualmente.

Neste cenário um tanto mais limitado (embora com muito mais recursos e facilidades se comparado com 2000, por exemplo), alguns sentiam a necessidade de se expressar por meio da rede. Uma expressão maior do que um wink do MSN, um e-mail engraçadinho cheio de powerpoints, ou um scrap no mural do Orkut (“se me add, manda um scrap”, a gente lembrava os desavisados). Hoje é possível fazer textão no Facebook ou no Instagram, mas naquele tempo a coisa era mais, digamos, “complexa”.

Uma das formas de se dizer o que se pensava sem amarras e limitações era a blogosfera. Qualquer pessoa que quisesse compartilhar seu dia-a-dia, ou suas ideias sobre determinados assuntos, ou informações que achasse relevante, tinha uma página para chamar de sua. Os blogs se popularizaram como diários virtuais, mas aos poucos se tornaram, também, importantes canais para o compartilhamento de palavras e ideias. Isso num momento em que a palavra “compartilhar” não era tão utilizada na web como é hoje. 

Neste contexto, este blog nasceu. Ele começou a partir da inquietação deste jornalista, que, na época, terminava o primeiro ano da faculdade de jornalismo, e que sonhava em ser repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo. Um aprendiz de jornalista que era apaixonado por televisão, colecionava cadernos de TV dos principais jornais e lia, compulsivamente, os principais colunistas da área. Esta paixão, somada a um conselho da amiga Patty Acunha, resultou na criação deste espaço. E o resto é história!

Hoje, os amantes de TV podem se encontrar no Twitter, em grupos de Whatsapp e expressar suas ideias por meio das inúmeras redes sociais pelas quais nos espalhamos web afora. Neste cenário, a blogosfera não é mais a sensação que já foi. Assim, permaneceram por aqui os apaixonados e aficionados da velha guarda, que não abrem mão de manterem um espaço para tecerem análises e comentários sobre o assunto que tanto apreciam. Assim, a blogosfera, ao mesmo tempo em que perdeu força, se fortaleceu (por mais contraditório que isso soe). 

São 14 anos compartilhando tele-visões! Eu, do lado de cá, e vocês aí! Obrigado pela presença, pelo carinho e por seguir acreditando neste blogueiro, na blogosfera como um espaço democrático para se discutir ideias e, principalmente, pela amizade! Hoje cantamos parabéns e nos mantemos perseverantes nesta ideia, almejando mais anos juntos. Compartilhando tele-visões!

André Santana

sábado, 19 de outubro de 2019

"Mais Você" completa 20 anos sabendo se reinventar sempre

Since 1999
Na manhã desta sexta-feira, 18, a apresentadora Ana Maria Braga comandou um programa especial. Ao lado de Fausto Silva, a loira comandou o aniversário de 20 anos de seu Mais Você. Uma marca mais do que respeitável, tendo em vista os inúmeros perrengues pelo qual a atração passou, sobretudo no período de sua complicada implantação. Neste meio tempo, Mais Você deixou de ser um programa desacreditado para se tornar um case de sucesso no sentido de saber se reinventar.

É sempre interessante lembrar da ocasião do lançamento do Mais Você. Em 1999, Ana Maria Braga era a estrela máxima e absoluta da Record, mas pediu demissão da emissora por conta de insatisfações pessoais. Solta no mercado, Ana entrou na mira de emissoras como SBT e até RedeTV (que mal existia), mas fechou justamente com a mais improvável naquela ocasião: a Globo. Naquela época, figuras populares como Ana Maria pareciam não se enquadrar na programação meio elitista e um tanto gélida da Globo.

Mas Ana Maria Braga apenas puxou a fila de uma série de contratações, orquestradas pela então toda-poderosa da Globo, Marluce Dias da Silva, justamente no intuito de tornar a grade da Globo mais popular. Logo após a contratação de Ana, assinaram com a Globo Serginho Groisman e Jô Soares, do SBT; Luciano Huck, da Band; e Cazé Peçanha, da MTV. Todos eles peças importantes de suas emissoras de origem, o que deixou claro que a estratégia da Globo era, também, enfraquecer a concorrência.

Só que a Globo demorou para aprender a ser popular. Mais Você estreou em 18 de outubro de 1999, na faixa da tarde, como uma versão gourmetizada do Note e Anote, atração anterior de Ana Maria. Além da indefectível culinária, o Mais Você estreou com um time de colaboradores na área de saúde, beleza, moda e comportamento, formando uma espécie de revista eletrônica feminina que buscava uma certa sofisticação. Que não combinava em nada com Ana Maria, apresentadora que se fez popular justamente por falar francamente à dona de casa. Este descompasso fez com que o Mais Você enfrentasse severas críticas, crise de audiência e até um desabafo ao vivo da apresentadora, que revelou não estar à vontade na nova casa. A baixa audiência fez com que, em agosto de 2000, Mais Você mudasse de horário e passasse a ocupar a faixa das 11 horas da manhã. Não deu certo e o programa saiu do ar em dezembro daquele ano.

Mas a emissora não desistiu fácil do Mais Você. Em abril de 2001, o programa voltou ao ar, na faixa das 8 da manhã e reformulado. Sob a batuta de Marlene Mattos, a atração conseguiu adotar uma linguagem mais popular, tornando-se mais solto e menos engessado. Assim, aos trancos e barrancos, foi entrando na linha. Porém, as oscilações na audiência fizeram com que o Mais Você enfrentasse novas mudanças, tanto em seu horário quanto em conteúdo. Para ficar mais perto dos artistas das novelas da Globo, o programa deixou os estúdios de São Paulo e passou a ser realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Além disso, passou a apostar em reality shows.

Recapitulando toda esta trajetória, fica bem claro que o Mais Você se tornou um programa vitorioso justamente pelos perrengues pelos quais passou. A emissora nunca jogou a toalha, promovendo mudanças e não deixando a atração ficar numa zona de conforto. A constante inquietação obrigou o matinal a mudar e se renovar, e isso foi fundamental para que o programa chegasse aos 20 anos em plena forma. E o mais interessante é que o Mais Você mudou sem perder a essência. Ele continua apoiado nos mesmos pilares desde a estreia, mas a maneira de transmitir este conteúdo mudou. Mais Você acompanhou as transformações da TV, adaptando-se às realidades que se apresentaram com o tempo.

E este mérito não é apenas de sua equipe competente. É mérito também de Ana Maria Braga, que tem um talento acima da média na condução de um programa popular, no melhor sentido da palavra. Ana conseguiu se “desengessar” com o tempo, ficando à vontade em sua casa e falando diretamente ao seu público. Ela passa verdade a quem a assiste, e criou uma relação de afeto com a audiência. Além disso, soube manter a vitalidade e a energia diante das câmeras, como se estivesse sempre num constante recomeço. E, claro, a parceria vitoriosa com Louro José. Não é qualquer um que consegue fazer o público se esquecer de que o personagem é apenas um boneco de espuma. A inteligência de seu intérprete, Tom Veiga, somado à interação natural de Ana Maria, faz a dupla funcionar.

Por essas e outras, Mais Você, ainda, um dos mais importantes programas de entretenimento da Globo, e da televisão brasileira. Reverenciar esta história de 20 anos é fazer jus a um trabalho que venceu pela insistência, pelo talento e pela competência das pessoas envolvidas. 

André Santana

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Record aposta em realities dublados nas tardes de domingo

"Vamos reformar
o domingo da Record"
A direção da Record já definiu que Sabrina Sato assumirá o lugar de Geraldo Luís à frente do Domingo Show. Como não se trata de uma simples substituição, já que o atual Domingo Show é a cara de Geraldo Luís, a atração não vai escapar de uma grande reformulação. E isso inclui a perda de tempo de arte. Com Sabrina, o dominical deverá ser exibido das 13h45 às 15h45. Assim, haverá um grande buraco entre 11h e 13h45, que a emissora precisará tapar.

Segundo o site Notícias da TV, a Record já definiu as atrações que entrarão neste horário. A emissora adquiriu os reality shows importados Irmãos à Obra, A Pequena Grande Família, Os Pequenos Jhonstons e Honey Boo Boo, já exibidos por aqui em canais pagos, como Discovery e TLC. Vários deles são destaques da TV paga, como Irmãos à Obra, reality de reformas de casa que é sensação no Discovery Home & Health. Apresentado pelos irmãos gêmeos Drew e Jonathan Scott, a atração mostra famílias estadunidenses comprando e reformando casas.

O Notícias da TV informou ainda que a Record deve estrear os enlatados no mesmo dia que Sabrina Sato estrear à frente do Domingo Show. E, até aqui, a emissora trabalha com a possibilidade de esta estreia acontecer somente em janeiro. A direção do programa ainda busca formatos e atrações para que Sabrina possa apresentar em seu novo espaço, e não há nada definido a este respeito.

Os realities parecem uma aposta de risco da Record. A audiência da TV aberta aceita bem produtos de dramaturgia dublados, como novelas, filmes e séries. Afinal, são atores representando sendo dublados por atores que também estão representando. Já programas que se apresentam como “shows de realidade” ficam meio bizarros dublados. Sim, eles são exibidos dublados também na TV paga, mas na TV aberta a coisa ganha uma nova dimensão. Ouvir vozes em português simulando uma descontração ensaiada causa um certo incômodo. A própria Record exibiu recentemente Buddy x Duff, todo dublado, e o resultado não foi dos melhores. 

Assim, colocar programas como este aos domingos, numa faixa de forte concorrência, é um tanto quanto questionável. Menos arriscado seria o canal apostar, justamente, em enlatados mais clássicos, como filmes e séries. Mas, ao menos, é uma ideia melhor do que o retorno do Tudo a Ver e das pegadinhas velhas e combinadas, né?

André Santana

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Décio fora do "Fofocalizando" e Patrícia à noite: as últimas mudanças no SBT

"Fui!"
Dias movimentados no SBT. Depois do barulho, apogeu e queda do Alarma TV (que estreou à noite, passou para as manhãs, ganhou as madrugadas e, depois, foi definitivamente cancelado… tudo isso em menos de uma semana), o canal de Silvio Santos movimentou mais algumas peças nesta semana. Dentre as “novidades”, está a saída de Décio Piccinini do Fofocalizando e a mudança de horário do Topa ou Não Topa.

A saída de Décio Piccinini foi informada ontem, 16, no site Notícias da TV. Segundo matéria assinada por Gabriel Perline, Décio foi avisado que não faria mais parte do Fofocalizando ontem, e hoje, 17, ele já não aparece. Em seu lugar, entra Gabriel Cartolano. Oficialmente, o SBT diz que Piccinini está de férias. Mas o canal, ainda segundo a matéria, não soube informar se o jornalista voltará para suas funções depois do descanso. Ao que tudo indica, Décio Piccinini não volta para o vespertino, mas deve seguir participando do júri do Programa do Ratinho e Programa Silvio Santos. E vale lembrar que o jornalista participa diariamente do matinal Papo em Dia, exibido pela Rede Brasil.

A saída de Décio Piccinini reforça a tese de que o Fofocalizando está buscando “rejuvenescer” seu elenco. A troca de Mamma Bruschetta por Chris Flores foi o primeiro indício da ação. Agora, é Piccinini quem sai, e o jovem Cartolano assume uma vaga no sofá. Assim, o único veterano que sobra é Leão Lobo. Que tem lugar garantido, já que é ele quem faz os merchans da Top Therm, importante anunciante da atração. Mas as constantes mudanças do Fofocalizando mostram que o vespertino, realmente, vive uma crise, e as manobras servem para tentar salvá-lo.

Enquanto isso, os sábados do SBT também terão novidade. O Topa ou Não Topa com Patrícia Abravanel, lançado nas tardes de sábado recentemente, migrará para as noites. O game show vai ocupar a faixa das 20h30, que até então era o espaço para o resumo da semana de As Aventuras de Poliana. A novela, então, volta a ser exibida apenas de segunda a sexta, enquanto Patrícia Abravanel reforça a noite de sábado do canal, que já conta com shows consolidados.

A ideia de exibir o Topa ou Não Topa à tarde era interessante, já que aumentava a cartela de variedades num horário meio cansado. Porém, exibi-lo à noite parece uma boa ideia. Isso porque o game já tem cara de programa noturno. E mais: exibido na faixa das 20h30, o programa pode ser um bom aquecimento para a trinca que vem a seguir: Esquadrão da Moda, Bake Off Brasil e Vale a Pena Ver The Noite. O reforço pode ajudar o SBT a ficar ainda mais fortalecido na noite de sábado, horário em que registra excelentes índices de audiência há anos. Pode ser uma boa.

André Santana

sábado, 12 de outubro de 2019

"Mestre do Sabor" e "Família Frente a Frente": ainda há espaço para competições culinárias?

"Tá com fome?"

Numa semana de muitas estreias, dois novos talent shows da área da culinária debutaram na TV aberta. Enquanto a Globo, que até então só apostava no filão como quadros de seus matinais, se rendeu ao formato no horário nobre com Mestre do Sabor, o SBT lançou mais um, o Famílias Frente a Frente. Em comum, os dois programas buscam se diferenciar do habitual, com dinâmicas que trazem novidade ao segmento. Porém, a pergunta que não quer calar é: não há cozinha demais na programação das emissoras?

Mestre do Sabor foi anunciado como um formato original da Globo. Louvável, tendo em vista que a grande maioria destes formatos são versões nacionais de atrações gringas. No entanto, o tal “original” não se revelou tão original assim. Mestre do Sabor basicamente replicou o formato do The Voice Brasil, substituindo cantores por chefs de cozinha. Numa degustação às cegas, os competidores buscam uma vaga nos times de três jurados/técnicos: José Avillez, Kátia Barbosa e Leo Paixão.

O programa é bem feito e redondo, conduzido de maneira simpática pelo chef Claude Troisgros e seu fiel escudeiro, Batista. E diverte, sobretudo graças à edição bem resolvida, que mostra as histórias de vida dos concorrentes. No entanto, o excesso de mais do mesmo incomoda. A semelhança do formato com o The Voice já gera um cansaço. E a cozinha como cenário já denuncia que, no fundo, trata-se de mais uma dentre tantas competições culinárias. Sendo assim, Mestre do Sabor até tem potencial, mas precisa mostrar ao público que não é mera cópia do The Voice. Talvez empolgue quando passar da fase das audições, ops, degustações às cegas.

Enquanto isso, Famílias Frente a Frente marcou a estreia de Tiago Abravanel como apresentador na emissora do avô Silvio Santos. Tiago, que mostrou boa desenvoltura à frente de especiais e do Popstar, na Globo, acerta ao querer se tornar um comunicador. Talento e carisma para isso ele tem, além de ser muito bem preparado para a função. Mas Tiago escolheu justamente uma competição culinária para comandar, e justamente no SBT, canal que mais variações do formato já lançou.

Assim que o MasterChef bombou na Band e despertou interesse das outras emissoras, o SBT correu para lançar o seu. Lançou Carlos Bertolazzi à frente do Cozinha Sob Pressão, inicialmente no ingrato horário das 18h30 dos sábados. Logo depois, veio a competição de sobremesas Bake Off Brasil, que inaugurou a faixa de realities culinários do horário nobre de sábado. Com o bom resultado do Bake Off, Cozinha Sob Pressão também passou a ser exibido ali. E logo vieram outros formatos, como BBQ Brasil e Duelo de Mães. Como se fosse pouco, a emissora ainda lançou o Minha Mulher que Manda, outra competição culinária, como quadro do Eliana, aos domingos.

Atualmente, a faixa de realities das noites de sábado do SBT está bem resolvida com o Bake Off revezando com o Junior Bake Off e o Fábrica de Casamentos. Assim, foi necessário abrir um novo espaço para encaixar o Famílias Frente a Frente. Optou-se pela noite de sexta, substituindo a até então intocável Tela de Sucessos. Este fato talvez tenha sido a melhor coisa do FFF, já que a sessão de filmes vem sobrevivendo de longas ultrarreprisados dos anos 1990. Com a novidade, a linha de shows do SBT saiu um pouco da mesmice.

Além disso, FFF dá um enfoque diferente no segmento, ao apostar na comida caseira e na disputa familiar. A atração aposta numa competição na cozinha entre famílias, que precisam mostrar suas habilidades culinárias aos jurados Alê Costa, Dona Carmem Virgínia e Gilda Bley. É um formato dinâmico e que envolve, e Tiago está muito bem na função de comandante. Mas a correria na cozinha, o “corta verdura”, “refoga a cebola” e tantas cenas já tão mostradas em MasterChefs, Top Chefs e SuperChefs da vida fazem do FFF um formato igualmente cansado.

Não há dúvidas do potencial de audiência e, principalmente, de faturamento, deste formato. Mas os canais abertos andam demonstrando uma preguiça absurda no segmento dos talent shows. Atualmente, só cozinha e música têm vez. Esta overdose está começando a aborrecer.

André Santana

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

História da TV: Conheça "Vila Esperança", infantil pouco lembrado da Record


Em agosto de 1998, a Record ainda tentava consolidar uma programação infantil. Depois do fim de atrações como Agente G e Mundo Maravilha, a emissora buscava uma nova atração capaz de atrair os pequenos. E resolveu apostar na boa dramaturgia infantil, lançando Vila Esperança, produzido pela Idea e protagonizado por Gérson de Abreu.

Vila Esperança levava o nome da vila onde se passava a história. Ali vivia o simpático Tio Du (Gérson), o dono de uma mercearia que era o grande amigo das crianças do lugar. Fabinho (Freddy Allan), Nanda (Tarcila Amorim), Juju (Carolina Alves), Guilherme (Cauã Souza), Zé Batata (Murilo Troccoli) e Mima (Daniela Marques) eram os pequenos, que brincavam e aprontavam todas na vila. Eles só paravam para ouvir as histórias do Vô Zico (Josmar Martins), o fundador da vila, e sua esposa, a vó Iza (Ana Maria Barreto). Eles também se divertiam com as invenções do professor Piragibe (Brian Penido), irmão do tio Du.

Juntos, os habitantes da Vila Esperança viviam uma história diferente a cada dia. A cada episódio, um assunto era abordado levando as crianças a refletirem sobre temas como ciúmes, solidariedade, preservação do meio ambiente, preconceito, amizade, tecnologia, voluntariado, orgulho, respeito às diferenças e mais de uma centena de argumentos. Além disso, eles tinham que enfrentar os vilões Mil Faces (Sergio Mastropasqua) e Meia Boca (Fabio Araújo), que tentavam semear a discórdia dentro da Vila Esperança.

Vila Esperança bebia da fonte do Castelo Rá-Tim-Bum, ao fazer de seu cenário uma porta para diferentes quadros, que costuravam uma história principal. Entre os quadros, não faltava a indefectível experiência de Gerson de Abreu, que fez fama ensinando as crianças a fazer brinquedos com sucata e experimentos científicos. Em Vila Esperança, ele seguia este expediente na pele do Tio Du, com o quadro Passo a Passo. Outro quadro era o Estela Natela, um programa que os personagens viam pela TV. Na atração, a repórter Estela Estelar (Lu Schievano) trazia reportagens curiosas e divertidas.

O programa foi criado por Betina Rugna e Marisa Martins, e era um projeto da produtora Idea e da ONG Parábola. O supervisor-geral do projeto, Jairo Silva, falou à Folha de S. Paulo de 30 de agosto de 1998 sobre a novidade. "É a história de uma vila onde moram vários personagens, que se encontram e vivem aventuras", explicou. Jairo apontava as boas intenções de Vila Esperança. "Será o primeiro programa com perfil de TV pública dentro de uma emissora comercial", disse.

Vila Esperança estreou no dia 31 de agosto de 1998, na faixa das 17 horas, e tinha seus episódios reapresentados no dia seguinte, às 10h. Com a estreia do programa, o enorme Note e Anote, que na época era apresentado por Ana Maria Braga e ocupava a tarde toda da emissora, perdeu uma hora de duração. Porém, colocar Vila Esperança entre o Note e Anote e o Cidade Alerta não se revelou uma boa ideia. Além disso, Eliana seria contratada pelo canal pouco tempo depois da estreia do Vila, e lançou seu Eliana & Alegria em outubro do mesmo ano. Com isso, as atenções da emissora se voltaram à loira, e Vila Esperança acabou jogada para escanteio, realocada para a faixa do meio-dia.

Mesmo assim, a série agradou a crítica, e Vila Esperança foi eleito o melhor programa infantil de 1998 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Mas o prêmio não foi o suficiente para manter a série no ar, e Vila Esperança foi exibida pela Record apenas até abril de 1999.

André Santana

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

GNT vira bom destino para profissionais sem espaço na TV aberta

"Não sou Luciano Huck,
mas também reformo casas!"
Recentemente, o canal GNT, do Grupo Globo, anunciou a contratação de Otaviano Costa. O apresentador, que deixou o agora extinto Vídeo Show e teve seu Tá Brincando cancelado na Globo, voltará ao ar pelo canal pago. A ele está destinado o comando da versão brasileira de Extreme Makeover, um famoso reality show de reformas. 

Trata-se de mais um nome de destaque da TV aberta a emplacar um espaço no GNT. O canal também foi o destino de Fabio Porchat, que deixou a Record no final do ano passado. Porchat já pertencia aos quadros da emissora, na qual comandava (e segue comandando) o Papo de Segunda. Porém, ao deixar o comando do Programa do Porchat, o apresentador e humorista conquistou mais espaço e lançou seu novo talk show, Que História É Essa, Porchat?. Com formato distinto ao apresentado no canal de Edir Macedo, o novo talk show é uma das melhores novidades da TV brasileira neste ano. 

Eles não são os únicos. O GNT também foi o destino de Fernanda Paes Leme, atriz interessante, mas que se mostrou uma apresentadora bastante eficiente. Depois de co-apresentar o SuperStar, na Globo, e comandar o X Factor na Band, a artista migrou para a TV paga, onde comanda programas bem divertidos, como o Desengaveta e Missão Design. Outra Fernanda, a Rodrigues, segue sendo escalada para novelas na Globo de tempos em tempos (sua última foi O Outro Lado do Paraíso), mas encontrou espaço cativo mesmo no GNT, onde comanda o Fazendo a Festa há anos.

Outro exemplo: Patrícia Poeta deixou o Jornal Nacional e tentou emplacar um programa seu na Globo. Não conseguiu, mas foi encaixada no É de Casa e como apresentadora substituta dos matinais diários da emissora. Porém, se não encontrou um espaço para chamar de seu na TV aberta, na TV paga ela conseguiu, ao comandar o reality Caixa de Costura. Isso sem falar de Astrid Fontenelle, uma veterana na TV aberta, que se viu sem espaço ao deixar a Band, lááá em 2004. Pois a profissional, uma das melhores apresentadoras que temos, se reencontrou ali, onde comandou programas como Happy Hour e Chegadas e Partidas. Atualmente, esbanja competência à frente do Saia Justa.

Com uma programação bastante voltada para o público feminino, com muitos realities, programas de culinária e decoração, o GNT acabou se tornando um canal bem interessante e variado. E vem atraindo bons profissionais, que encontram ali espaço para emplacarem projetos que parecem não interessar à TV aberta. Além disso, se tornou um espaço para que a Globo otimize a presença de seus artistas, já que o espaço no principal canal anda cada vez mais restrito. O GNT está com uma boa cara, bons produtos e vem reunindo um cast respeitável. Bem legal. 

André Santana