terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cada vez mais enfadonho, "Teleton" sobrevive apenas pela nobre causa

Silvio Santos constrange
Claudia Leitte no Teleton

Mais uma vez, o SBT promoveu o Teleton, uma maratona televisiva em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). E, mais uma vez, bateu sua meta e conseguiu angariar recursos para manter os hospitais que atendem muitas pessoas gratuitamente. “Só” por isso, o Teleton vale a pena. É sempre emocionante ver espectadores, artistas e empresários unidos em torno de uma causa tão nobre. Vida longa ao Teleton!

No entanto, enquanto programa de televisão, o Teleton vai de mal a pior. O programa segue com o mesmo formato cansado, que trata de reunir artistas num palco para falar textos piegas e sem qualquer atração verdadeiramente interessante. O único momento do Teleton que vale a pena são as histórias de vida mostradas, que sempre emocionam. No mais, é uma música aqui e ali, e muita conversa fiada.

Mesmo assim, o Teleton sempre foi esperado pelos telemaníacos, já que promove encontros inusitados entre profissionais de várias emissoras. Globo, Record, Band, RedeTV, Gazeta e cia liberaram seus contratados para contribuir com a atração e pedir doações. Mas nem mesmo estes encontros têm valido mais a pena. Antes, todas as emissoras apareciam em pé de igualdade. Nos primeiros anos, estava sempre no palco um representante de cada canal. Hoje isso não mais acontece. Os apresentadores do SBT parecem ter prioridade, e os “convidados” surgem como coadjuvantes, salvo um ou outro. Fica parecendo um grande merchan do SBT, o que não cabe num projeto beneficente que tem como uma das propostas justamente unir as emissoras de televisão.

O encerramento, antes a melhor parte do Teleton, segue sofrível desde a passagem de Hebe Camargo. Silvio Santos vinha encerrando o programa com membros de sua família ao lado, chegando a ter no mesmo palco Silvia Abravanel, Tiago Abravanel e Patrícia Abravanel. Desta vez, a participação da família foi mais “pulverizada” (e com Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade, agora efetivada como apresentadora do canal). Mesmo assim, a constrangedora participação de Claudia Leitte só evidenciou que Silvio Santos vem perdendo a mão em cena. Ele sempre fez isso, é verdade. Mas, neste momento em que finalmente as discussões sobre assédio estão na ordem do dia, espetacularizar sobre isso, e ainda mais num encerramento de uma campanha beneficente, foi bola foríssima.

Teleton já teve fases melhores. A maratona já teve quadros criados especialmente para a ocasião, como Batalha dos Artistas e Show de Talentos, que eram muito bons. Também teve edições especiais de programas do SBT, como Gol Show, Curtindo uma Viagem, Show do Milhão, Family Feud e cia, que eram bem divertidos. Por que não voltar a apostar em variedades na campanha? O espectador quer doar, mas também quer se divertir. E, neste quesito, o Teleton anda devendo.

André Santana

6 comentários:

  1. Eu nem assisto mais. Chaaatoooo...

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    1. Pois é, nos últimos anos acompanhei o Teleton mais por obrigação profissional. Perdi o interesse.

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  2. Infelizmente o SBT esrw deixando de ser aquele canal gostoso ,família
    Barracos e sensacionalismo estão a tona
    Triste
    Ver Dudu , focalizando ,casos de família e Silvio dando fora

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  3. Sinceramente, o Silvio Santos faz MUITA coisa hoje em dia com o intuito de causar repercussão, isso é evidente. Mas isso não invalida o fato de que o ato em si foi de muito mau gosto, assim como declarações que resvalaram no racismo em outros momentos do mesmo Teleton, neste e em outros anos. Além de fazer isso a muito tempo, junta-se o fato dele já ter uma idade avançada e ter ligado o botão do f... e também ele ter uma certa aura de "mito" que tudo pode.

    Sobre essa coisa de ajudar qualquer instituição, é válido, mas as TVs poderiam fazer isso muitas vezes sem recorrer as pessoas de casa. Poderiam simplesmente incentivar a doação todo ano e também usar o $ delas para ajudar. Sobre a atração televisiva em si, concordo com você, tem ficado extremamente chata e repetitiva.

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    1. Concordo que Silvio Santos sempre foi assim. O problema aqui é que estamos em uma sociedade em constante evolução. Coisas que eram permitidas até esses dias, hoje já não são mais. E não se trata de "mimimi": as mulheres sempre se incomodavam com esse tipo de "brincadeira", mas eram quase que obrigadas a "relevar". Hoje, elas podem dizer que isso incomoda. E se incomoda, devemos parar. Claro, Silvio Santos não vai mudar aos 90 anos de idade, mas se essa reação servir de lição à nova geração, pra mim já está valendo.

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