sábado, 27 de outubro de 2018

"Vídeo Show com Zeca Camargo": uma defesa

"Tá com saudades, né?"

Chegou o dia que ninguém esperava: o dia em que começamos a sentir saudades do Vídeo Show com Zeca Camargo. A frustrada tentativa de transformar o vespertino da Globo num talk show, num novo formato idealizado por Ricardo Waddington, deixou a pior das impressões. Mas, venhamos e convenhamos, era um Vídeo Show muito melhor do que o que se tem visto hoje. Ver o tradicional vespertino minguar diante de nossos olhos nos faz sentir muita falta do Zeca Camargo afobado promovendo brincadeiras sem graça com seus convidados.

Para quem não se lembra, o Vídeo Show com Zeca Camargo estreou no final de 2013. O novo formato surgiu quando Ricardo Waddington assumiu a direção de núcleo do vespertino e ganhou carta branca da Globo para fazer uma reformulação total. Na época, o programa já não rendia resultados muito satisfatórios, fazendo a emissora almejar uma grande mudança. A ideia era fazer um Vídeo Show completamente renovado.

Para isso, Zeca Camargo foi afastado do Fantástico para se tornar o novo âncora do Vídeo Show. Zeca surgiu num programa totalmente novo, diante de uma plateia e recebendo um convidado por dia. Assim, cada programa era moldado para o convidado do dia, que era entrevistado e relembrava sua própria história, além de participar de brincadeiras no palco. As matérias de bastidores permaneceram, surgindo entre uma brincadeira no palco e outra. O programa tinha um DJ em cena e uma plateia ruidosa. Sem dúvidas, era uma renovação e tanto.

Mas o novo formato não emplacou. Dizia-se, na época, que o público não aceitou um Vídeo Show que não era o Vídeo Show. Diagnóstico que nunca me pareceu correto. O grande problema do novo Vídeo Show era de ordem estrutural. O novo formato e o novo apresentador eram muito bons! Entretanto, a execução foi falha, por alguns motivos.

Zeca Camargo é um jornalista com grandes e bons serviços prestados. Tem um currículo que fala por si. Tem repertório e conteúdo. Ou seja, um profissional mais do que indicado para apresentar um talk show. Mas ele foi incrivelmente mal dirigido. Zeca surgia extremamente afobado em cena, falando rápido e gesticulando de maneira inexplicável. Faltou um diretor ali para conter todo este entusiasmo. Além disso, a promessa de um talk show se diluiu diante de um roteiro fraco. A entrevista do convidado era, quase sempre, frustrante, já que era interrompida a todo o momento para a entrada de brincadeiras sem graça. Parecia O Formigueiro, talk show de Marco Luque na Band. Para piorar, não havia diálogo entre o que acontecia no palco e as matérias apresentadas. Elas apareciam de supetão, fazendo do Vídeo Show um híbrido estranho.

Uma pena, já que a ideia sempre pareceu ousada e certeira. Era evidente, desde aquela época, que o Vídeo Show carecia de uma injeção de ânimo. Ele precisava, na verdade, se tornar um outro programa. E foi isso que a equipe de Waddington fez. Foi uma mudança ousada e necessária. Mas que, infelizmente, não deu certo, por problemas já apontados aqui. O ideal, então, era que a direção analisasse os erros e buscasse aparar as arestas do novo formato. Mas não foi isso que fizeram. Ao contrário. Simplesmente abandonaram o novo formato, sem qualquer tentativa de corrigir os equívocos. Por isso, o programa nunca mais foi encorajado a tentar uma nova transformação radical.

E é justamente isso que o Vídeo Show precisa. Uma reforma radical. Não que precise ser um resgate do formato com Zeca Camargo, mas uma reforma de maneira tão ousada quanto. Porque, do jeito que está, claramente não dá mais para ficar. A coisa está tão feia que o Vídeo Show tem amargado a terceira colocação no Ibope, atrás de A Hora da Venenosa, da Record, e Chaves e Fofocalizando, do SBT. Ou seja, a concorrência não exibe nenhum achado, pelo contrário. O público não fugiu porque encontrou algo melhor, mas sim porque simplesmente se cansou do Vídeo Show. As mudanças na apresentação não refrescaram a situação. Aliás, o que já era esperado, né? Só Boninho mesmo para acreditar que trocar apresentador e repórter fosse resolver alguma coisa.

Sugiro uma transformação radical. Um formato realmente novo, com um apresentador que tenha história e estofo e um roteiro que não caia no lugar comum de sempre. Mas nem isso seria uma garantia de melhora. Isso porque o Vídeo Show já teve tantas promessas de mudanças nos últimos anos que, agora, sua imagem está arranhada. Resta saber se este arranhão tem cura. Ou melhor seria pensar num novo programa para substituí-lo. Mas é evidente que alguma coisa precisa ser feita. E com urgência.

André Santana

2 comentários:

  1. Essa é a maior prova de algumas coisas: 1 - O que "bomba" na internet não faz necessariamente o mesmo sucesso na "vida real" (digo isso em relação às "personalidades" que apresentam o atual VS). 2 -Infelizmente as pessoas gostam de barraco e fofoca, além de violência, o que explica essa audiência do Balanço Geral e quetais (e pelo visto a coisa deve piorar, basta ver os números da eleição...).

    Sobre o Vídeo Show com o Zeca concordo 100% com você. E já disse aqui que a melhor solução para a Globo combater a Record seria com jornalismo no horário, ou algum programa mais analítico (com jornalismo obviamente). Acho difícil a Globo reverter o quadro com um programa de entretenimento, o Vídeo Show cabe mais no sábado a meu ver.

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  2. Olá, tudo bem? É tão evidente que a Angélica deveria comandar o Vídeo Show.... A impressão passada é que desejam queimar o programa de propósito... Abs e bons votos no domingo, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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