segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TELE-VISÃO 13 anos: quando o "Sítio do Picapau Amarelo" virou novela

"Segura Berenice,
que essa foto já tem 13 anos!"
No dia 22 de outubro de 2005, nascia o blog TELE-VISÃO. São 13 anos acompanhando e registrando a movimentação da televisão brasileira, sobretudo nos canais abertos, comentando e repercutindo fatos importantes da nossa telinha. Mas você se lembra o que estava sendo exibido na TV na época em que o blog nasceu? Bom, a Globo exibia as novelas Alma Gêmea, Bang Bang e América; a Record surfava no sucesso de Prova de Amor; e o SBT exibia Os Ricos Também Choram, mas sua novela de sucesso era a reprise de Xica da Silva, da extinta Manchete.

No mesmo dia em que o TELE-VISÃO nascia, a Folha de S. Paulo publicava uma matéria trazendo opiniões de especialistas em Monteiro Lobato criticando a temporada do Sítio do Picapau Amarelo que estava em exibição naquele momento nas manhãs da Globo. Naquele ano, a emissora fazia a primeira grande mudança no infantil, que deixou de apresentar histórias com poucos capítulos para se aventurar numa trama de 180 episódios, com jeitão de novela. Com o novo formato, Sítio do Picapau Amarelo ganhou a alcunha de “Malhação infantil”.

Na nova temporada, assinada pelos autores Duca Rachid, Alessandro Marson e Julio Fischer, e dirigida por Cininha de Paula, o Sítio do Picapau Amarelo ganhava uma cidade cenográfica maior, ampliando a gama de personagens ao explorar a vida e o cotidiano da pequena Arraial dos Tucanos. Assim, Dona Benta (que ganhava nova intérprete, Suely Franco, que sucedeu Nicette Bruno), Tia Nastácia (Duh Moraes) e a boneca Emília (Isabelle Drummond) dividiam espaço com personagens como Saraiva (Chico Anysio), Antonica (Yachmin Gazall), Tambelina (Carol Roehrig) e a boneca “moderna” Patty Pop (Thávine Ferrari). E a trama trazia os clássicos personagens como coadjuvantes numa história de amor juvenil, protagonizada por Cléo (Karen Marinho) e João da Luz (Henrique Ramiro).

Cléo é uma jovem da cidade que troca cartas com Narizinho (Caroline Molinari). Quando ela passa a ser ameaçada por sua madrasta, a malvada Marcela (Lu Grimaldi), decide fugir para o Arraial dos Tucanos. Ali, ela se torna locutora de rádio e se apaixona por João da Luz, um amigo de Pedrinho (João Vitor Silva). Ele mora em uma casa na árvore por conta de um feitiço que a malvada Cuca lançou contra ele: em todas as noites de lua cheia, João da Lua se transforma em lobisomem.

“A Globo faz o que quer, pinta e borda. Faz tudo, menos Monteiro Lobato. A adaptação do Sítio do Picapau Amarelo é muito ruim”, disse à Folha Tatiana Belinky, amiga do autor e responsável pela adaptação do Sítio para a TV Tupi, nas décadas de 1950 e 1960, e Bandeirantes, de 1967 a 1969. A matéria foi publicada na semana em que a garota Tetéia, uma das novas personagens da produção, sofria um acidente e se desesperava ao saber que ficaria paralítica. Ela se recusava a usar cadeira de rodas e não queria que os amigos a vissem “assim”, além de se considerar castigada por ter agido mal. Ou seja, um dramalhão e tanto, com uma mensagem um tanto duvidosa, em meio à fantasia proposta por Lobato. “Não se moderniza um clássico, tem de respeitá-lo. O que é isso? Deixem o estilo do autor em paz”, reclamou Belinky.

Também participa da matéria a professora de literatura infantil da USP e PUC Maria dos Prazeres Mendes. “A ideia de atualizar tem a ver com o que o público desejaria assistir. E aí corre-se um risco porque entramos nos chavões, na coisa padronizada, estereotipada. Lobato abre a imaginação, e, na adaptação, ela é fechada, a criança não vê novidade”, analisou. Vladimir Sacchetta, biógrafo do escritor, também reclamou. “Houve uma tentativa de modernizar o Sítio, de trazê-lo para mais perto do telespectador de hoje. Mas Lobato é moderno desde a década de 1920 e 1930. A modernização que a Globo tentou fazer não foi feliz. Por que deu certo nos anos 1970 e 1980, quando era mais fiel ao espírito de Lobato?”, questiona Sacchetta.

A Globo se defendeu das críticas afirmando que as novas histórias do Sítio eram criadas por roteiristas especializados em Lobato, e com a aprovação de seus herdeiros. A emissora também negou que o tratamento dado em episódios desta semana à garota que se desespera ao ficar paraplégica seria inadequado a crianças. “Até porque a continuação da história vai mostrar como a menina vai conseguir superar a dificuldade”, disse o canal, em nota.

Contexto

A versão anos 2000 do Sítio do Picapau Amarelo estreou em outubro de 2001. Inicialmente, foram ao ar versões dos livros assinados por Monteiro Lobato. As histórias clássicas rechearam as temporadas exibidas entre 2001 e 2002 e foram um estrondoso sucesso nas manhãs da Globo. Em 2003, porém, a direção da emissora decidiu dar continuidade à série com roteiros originais. Walcyr Carrasco foi recrutado para criar novos enredos. Depois, passou o bastão para Mario Teixeira. As histórias novas mantiveram um espírito semelhante às clássicas, e as tramas duravam entre um e dois meses. O formato era de seriado diário, e não de novela.

No entanto, tentando reverter um natural desgaste, a emissora tentou dar fôlego ao Sítio do Picapau Amarelo, adotando um formato semelhante à de novela, com uma única história que ficava no ar entre abril e dezembro. Mas a temporada 2005 pesou a mão nos temas “modernos”, afastando-se muito do universo proposto por Lobato. No ano seguinte, o formato meio novelístico se manteve, mas foi injetada uma dose maior de fantasia. O visual dos personagens ficou mais lúdico e o romance principal (porque novela tem que ter romance principal, mesmo sendo infantil) era entre um príncipe e uma princesa de reinos rivais.

Já em 2007, houve uma reformulação total, com todo o elenco renovado. Bete Mendes foi Dona Benta e Rosa Maria Colyn viveu tia Nastácia. Os bonecos que davam vida a personagens como Cuca e Rabicó foram substituídos por atores fantasiados (Solange Couto era a Cuca), enquanto Emília voltou a ser vivida por uma atriz adulta, como nas primeiras adaptações. Tatiane Goulart deu vida a esta última versão de carne e osso da boneca. Mas, com a audiência em queda, Sítio do Picapau Amarelo não foi renovado para a temporada 2008, saindo do ar naquele ano.


Obrigado a todos que fizeram e fazem parte destes 13 anos de TELE-VISÃO! É de uma satisfação inexplicável poder compartilhar e conversar sobre TV com vocês. Obrigado mesmo!


André Santana

8 comentários:

  1. Parabéns André pelo aniversário do blog, muitos anos de vida e muito sucesso sempre!

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    1. Obrigado, Alexandre! Gosto muito das suas participações! Não saia daqui!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Parabéns pelo aniversário do blog André! :)
    Muito sucesso pra você. Tô sempre leio suas críticas apesar de não comentar com frequência, mas adoro tudo o que você escreve rs

    Saudades do sítio das primeiras fases de 2000 e 2001 com a Isabelle Drummond maravilhosa de Emília. 13 anos? Nossa, o tempo passou voando rs.

    Abraço

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    1. Obrigado, João! Não me abandone, rs!

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    2. Pra mim foi a mais marcante dessa epoca e projetou a isabellecque ra meio sumida alias

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  4. Parabéns pelo blog e por sempre nos responder ..vida longa para sua carreira ,Deus abençoe !

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