sábado, 5 de maio de 2018

Nova programação da Band não empolga

"Não tô a cara do Faustão?"

Em 2018, o canal que mais lançou novidades em sua programação foi a Band. Depois de anos com a grade sucateada, entregue a enlatados, caça-níqueis e religiosos, a emissora dos Saad fez uma série de investimentos para tentar recuperar sua saúde financeira, abalada em razão de vários equívocos realizados nos últimos anos. Foram muitas as novidades do ano: Amaury Jr., Melhor da Tarde, Superpoderosas, Vídeo News, Cozinha do Bork, Agora É com Datena e Show do Esporte foram os principais lançamentos da temporada.

Entretanto, passada a euforia da estreia, o que se vê hoje é que nenhum dos programas conseguiu refrescar a situação da emissora. Os primeiros lançamentos marcaram o retorno de Amaury Jr ao canal que o consagrou e a contratação barulhenta de Catia Fonseca, que vinha há anos fazendo um bom trabalho nas tardes da Gazeta. Suas estreias não são propriamente campeãs de audiência, mas, dentre os lançamentos, são os que têm os resultados menos ruins. Amaury nunca foi sinônimo de Ibope, então é pouco provável que a emissora esperasse mais dele.

 E Catia ocupa um novo horário numa emissora sem tradição em femininos, além de ter apostado num formato bem antigo para os padrões atuais da TV aberta. Mas ela trouxe faturamento e seu Melhor da Tarde já vem sofrendo alterações para tentar atrair mais público. Nos últimos dias, o que se viu foi a diminuição dos colaboradores de pautas diversas do programa e o aumento do espaço do quadro Roda dos Famosos, uma variação da Roda da Fofoca do A Tarde É Sua, da RedeTV. Se vai funcionar ou não, só o tempo dirá, mas o programa está tentando melhorar com as armas que tem.

Situação pior é o do Superpoderosas. O matinal comandado por Natália Leite foi uma aposta ousada da Band, que optou por produzir um feminino com um formato diferente do que normalmente se faz, focando mais na informação de qualidade voltada à mulher contemporânea, em detrimento das culinárias e artesanatos dos similares. Ou seja, a Band fugiu da tentação de fazer um Melhor da Tarde matinal, o que já é uma coisa boa. Entretanto, a emissora pecou por segmentar demais o público-alvo do Superpoderosas, que é voltado a um recorte pequeno da gama de espectador. Ou seja, não é um programa popular. Para angariar mais público, Superpoderosas terá que abrir o leque de assuntos tratados, bem como a maneira de tratá-los. Natália Leite é ótima, e o programa não é ruim, mas seu alcance, infelizmente, é limitado.

No final de semana, a coisa também não está indo bem. A Band promoveu uma reformulação total de seus domingos, entregando a José Luiz Datena e Milton Neves dois novos programas de auditório. E o Agora É com Datena estreou com o mesmo problema do Melhor da Tarde: é um programa novo com cara de velho. No passado, os programas de auditório mais tradicionais eram enormes e ocupavam seu espaço com musicais a rodo e outros quadros variados. Isso não existe mais. Os novos programas de auditório se mantêm com uma edição clipada e muitas atrações fora do palco, com externas e até reality shows.

Pois Agora É com Datena ignorou isso ao oferecer um programa de auditório de seis longas horas e muita conversa jogada fora no palco com Datena e seus convidados. Com isso, o programa pareceu extremamente cansativo. A atração de Datena só ganha fôlego quando entra no ar o quadro A Fuga, um game show que encerra a atração. A diferença no tom é tão grande que parecem dois programas diferentes.

E o Show do Esporte não fica atrás. Aliás, a atração de Milton Neves pode ser considerada o maior erro dentre os últimos lançamentos da Band. Isso porque a emissora abriu mão do bem-sucedido Terceiro Tempo, que registrava ótima audiência e promovia um debate esportivo que agradava os fãs do gênero, para apostar num híbrido de esportivo e auditório que parece atirar para todos os lados, mas acaba não acertando ninguém. Show do Esporte é quase um programa “Frankenstein”, que faz uma colagem dos maiores clichês dos auditórios dominicais, mas com o verniz do esporte. Assim, é visto como esportivo demais para quem gosta de programas de auditório, e show demais para quem prefere um esportivo. Milton Neves é um baita comunicador, sem dúvidas, mas a Band o está usando errado.

Enquanto isso, Cozinha do Bork segue com a mesma falta de expressão dos últimos 487 programas comandados pelo intocável Daniel Bork. E o Vídeo News não emplaca em razão de sua total falta de investimento: sua intenção é boa, mas falta conteúdo. Assim, no frigir dos ovos, a única apostar certeira da temporada foi a faixa Música na Band, que nada mais é que a exibição de shows prontos. Sintomático.

André Santana

11 comentários:

  1. Olá, tudo bem? O ruim de tudo isso é a tentação da Band em resgatar Os Simpsons e enfiá-lo nas brechas da programação.... Agora sou "blogger" Rs....O bom é ver o descritivo das estatísticas, fato que não ocorria no UOL Blogs. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Os Simpsons é um bom produto e merecia ter ficado em algum horário, com apenas um episódio por dia. Mas, realmente, enfiá-lo em todas as brechas possíveis não dá mais. Torço pra que a Band consiga driblar as dificuldades, pois é bom manter o mercado aquecido! E bem-vindo ao blogger! Gosto muito daqui, rs! Abraço!

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  2. Acho que Superpoderosas foi meio que uma condicao da Ana Paula ter renovado o vinculo com a emissora porque eh a unica novidade e risco da emissora. Os outros, acho que so o Datena eh um risco porque os outros tenho ca pra mim que a audiencia embora importantissima, nao sera o fundamental pra permanecerem no ar. Todas estao com faturamento garantidos, Catia Fonseca e Amaury Jr trazem anunciantes e nao duvido da capacidade do Milton trazer anunciantes tambem. So Superpoderosas foge essa regra. Ja Datena vamos ver. Creio que irao diminuir sua duracao pra quatro, tres horas e se Datena trouxer anunciantes tambem podera se segurar independente da audiencia. A Band esta mais preocupada em trazer dinheiro em seu caixa, mesmo que a audiencia for insatisfatoria.

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    1. Concordo com você, Daniel, mas no caso do Milton Neves, acho que era melhor quando ele faturava e trazia audiência, não? Na minha opinião, foi a aposta mais sem sentido dentre as atuais da Band. Nas demais, estão tentando, e vejo isso como uma coisa positiva. Agora caberá à emissora saber ajustar adequadamente a programação.

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  3. Eae André, não deu pra entender esses cortes. Eu assisto a reprise e o mais engraçado é que a novela tem um ritmo tão ágil que de primeira você não percebe os cortes, mas depois vê que o clima "Vale a pena ver de novo" está dentro da edição. Pelo menos no Viva Play a novela está sendo postada na íntegra mas mesmo assim não encobre o erro que o canal fez.

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    1. O Viva não devia ceder aos baixos índices de audiência e nem aos apelos do público conservador. Isso é coisa de TV aberta!

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  4. Pelo menos a Band saiu do estado letárgico e trouxe novidades na programação e o grande erro foi acabar com o Terceiro tempo pra lançar o Show do Esporte que de longe nem lembra a maratona dominical de eventos que eram transmitidos o dia todo na época do Luciano do Valle. Outro erro é a duração do programa do Datena que deveria perder metade do horário e entrar às seis da tarde. Como disse o Daniel miyagi a emissora só quer trazer dinheiro pro seu combalido caixa, a audiência que se dane pra eles.

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    1. O caso é que audiência também é importante. Se a atração traçar, os anunciantes se desestimulam. Claro, não precisa ser um estouro, mas, em alguns casos, o canal terá que encontrar um ponto de equilíbrio. O Show do Esporte é um equívoco!

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  5. Levando-se em conta que o Bork só sai da Bandeirantes quando o Saad não for mais o presidente, acho que foi um erro colocar o Superpoderosas de manhã e junto da estreia de outro programa feminino ao mesmo tempo. Poderiam talvez investir em jornalismo, na parte matutina, numa tentativa de mudar e fazer algo diferente dos outros (ainda que a Record tenha uma parte grande de jornal pela manhã) ou então na parte de desenhos, investido em atrações diferentes.

    O Melhor da Tarde é o mais do mesmo esperado. O programa do Datena é longo demais, algo também que já era evidente. Além disso ele tem uma rejeição grande pelo desgaste de anos em programas policiais, sendo que a parte de pessoas que gostam dele, o preferem no Brasil Urgente (programa que ele não saiu definitivamente). Se querem mesmo que esse programa dê certo, que ele seja encurtado e seja mais voltado para os games.

    Sobre o Show do Esporte concordo com o que você disse: Esportivo demais para quem gosta de show, e "engraçadinho" demais para quem gosta de esporte. Só não acho que o Terceiro Tempo era bom. Porém, fazia mais sentido ter um programa estritamente esportivo para o Milton Neves. O de melhor nível que ele apresentou na TV foi o Super Técnico, talvez fosse a melhor opção voltar com esse formato.

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    1. Lembrei também que o Milton Neves apresentou o Golaço na extinta Rede Mulher, hoje a quase esquecida Record News (aliás sugiro um texto seu avaliando o que se tornou esse canal, que era uma ótima ideia, mas que foi totalmente sucateada com o tempo). Mas lembrei do Golaço pois ele era basicamente o Debate Bola de segunda à quinta (só que com menos palhaçadas), mas às sextas ele fazia uma homenagem a alguém do passado do futebol. Nesse dia era um programa agradável também.

      Sobre os shows de música, de fato são uma boa; legal não ter musical apenas no fim de ano. Pena que só tenham passado shows do que está na moda hoje em dia no Brasil. Poderiam variar - e muito.

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    2. Boa sugestão, Alexandre, vou tentar me programar para falar da Record News. E concordo com você, talvez a Band fosse mais feliz se investisse em jornalismo ou infantis pela manhã. O canal tem um bom pacote de desenhos, que era exibido nas manhãs de sábado pelas parabólicas numa faixa chamada Show de Desenhos que era bem legal.

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